Quero andar de mãos dadas — Victor Lopes

Título: Quero andar de mãos dadas 
Autor: Victor Lopes
Editora: Publicação independente
Páginas:  412
Ano: 2017

(Para ler ao som de Esquinas — Banda Refúgio. Eu poderia colocar tantas músicas aqui, mas toda a renda desta será revertida para o Instituto Bem do Estar).

Sinopse

Johnny e Nicholas não se conheciam, mas desde que se encontraram pela primeira vez, viram que momentos bons podem existir em meio a sentimentos ruins e a uma vida onde nada parece estar do jeito certo. A partir desse encontro quase sem querer, surge uma amizade e um desejo adolescente que só cresce com as conversas, as opiniões musicais compartilhadas e os segredos confessados. O que dois jovens garotos com um sentimento em comum um pelo outro podem fazer para se sentirem livres e viverem algo bom quando tudo ao redor parece conspirar contra? Mais do que isso, como lidar com os próprios pensamentos e opiniões indo de encontro aos seus desejos mais profundos e verdadeiros? “Quero andar de mãos dadas” é um romance LGBT sobre um amor adolescente, a importância da família e a necessidade de lidar com coisas muito maiores que a própria vontade para que se possa ser feliz.

Resenha

Iniciei a leitura de Quero andar de mãos dadas sem expectativa alguma. Adquiri o ebook em 2019 e, apesar de conseguir detectar diversos elementos na sinopse que possam ter despertado meu interesse, não sei o quê exatamente me fez comprar o ebook.

“Mesmo sabendo de tudo eu não sabia de nada”

Ao embarcar nas primeiras páginas desta obra, achei que este seria só mais um ebook com alguns lugares comuns neste tipo de história: jovens adolescentes que estão se descobrindo gays e que não podem ficar juntos, famílias homofóbicas e depressão (sempre tem alguém com depressão em histórias assim).

“Eu definitivamente nunca passara por isso, seria possível que meus hormônios estivessem finalmente se erguendo de seus túmulos?”

A verdade, porém, é que encontrei muito mais. Mas antes de me aprofundar na história é preciso dizer que sim, há gatilhos. Há cenas de violência doméstica e de automutilação, além de toda a questão da depressão abordada.

“Respirei fundo, afastando meus pensamentos para bem longe, tentando evitar pensar que eu poderia arruinar tantas vidas se soubessem a verdade sobre minha sexualidade, e me esforçando mais ainda para não lembrar do Johnny”

A história é narrada, alternadamente, pelos dois protagonistas: Johnny e Nicholas.

“Ao abraçar o garoto que eu gostava foi como se eu dissesse ao mundo que queria parar, que não queria mais jogar o jogo em que fora colocado”

Johnny já é assumido para sua família, o que não significa que sua vida seja só flores, mesmo que o bom humor dele seja quase inabalável.

“Mas a verdade é que tudo estava ótimo assim, mesmo com problemas e preocupações extras, talvez esse fosse o verdadeiro significado de viver e eu finalmente estava experimentando a vida. Eu só queria que tudo fosse um pouco menos complicado, queria ouvir verdades por piores que fossem e ter a certeza de que por mais feio que tudo parecesse, tudo estava indo e acontecendo e seguindo em frente”

O jovem mora com a mãe — que está em depressão — e com o padrasto, que claramente é uma pessoa extremamente tóxica e que só faz mal para quem está ao seu redor.

“É bem verdade que ninguém sabe realmente o que se passa na vida dos outros, assim fica fácil querer ser alguém diferente, para se ter apenas momentos de felicidade não exigiria muito esforço”

Por outro lado, Nicholas parece ter a vida perfeita: uma família unida, equilibrada e feliz. Até a segunda página, claro.

“Eu minto para o mundo sobre quem eu sou, mas, antes disso, minto para mim mesmo”

O problema de Nicholas é que ele tem certeza que não pode revelar para sua família quem ele é verdadeiramente. E, aos poucos, fica muito claro como esta é uma família que simplesmente não conversa de verdade. 

“Perceberam, eu acho. Mas a gente não fala sobre isso, é melhor deixar para lá e fingir que está tudo bem. Até porque é assim que as coisas melhoram”

Isso é um problema enorme, porque o que Nicholas faz é carregar um peso tremendo, sem ter a certeza de que ele é realmente necessário (bom, ele tem certeza de que é. E tem gente que sabe que não pode arriscar descobrir).

“Posso estar prestes a fazer com que a vida de várias pessoas entre em colapso, mas ter o Johnny comigo faria com que tudo parecesse estar bem”

Algumas pessoas talvez achem exageradas as reações de Nicholas, podem até considerá-lo dramático demais, dizer que não precisava de tanto. Mas quem tem uma mente ansiosa e que sempre imagina os piores cenários provavelmente vai entender os pensamentos do personagem.

“Eu precisava respirar fundo. Desliguei o celular, sem querer falar com ninguém e precisando ficar sozinho. Estava faminto, mas não queria passar pela sala, pois sabia que eles estariam conversando sobre mim e minhas mentiras, minha mãe estaria chorando por saber que sou gay e meu pai estaria pronto para me punir. Eu era uma decepção e um exemplo a não ser seguido”

Os dois se conhecem através de uma pessoa em comum: Lavínia, a melhor amiga de Johnny e prima de Nicholas.

“Eu o olhava sem conhecê-lo de verdade e era como se houvesse algo ali que me incomodava e me atraía, muito além da beleza dele”

O primeiro encontro deles é totalmente despretensioso, mas uma chama se acende ali e suas vidas viram do avesso.

“Levei dezesseis anos para construir minhas proteções e entender como elas funcionavam, para aceitar como eu me sentia bem assim, atrás delas. Mas não foi preciso nem três meses para que tudo fosse completamente destruído”

Em meio à ansiedade da última semana de aula, seus problemas pessoais, seus medos e suas descobertas, os dois vão se aproximando, se apaixonando intensamente e sofrendo na mesma medida.

“Mas eu olho para mim e vejo as coisas virando de ponta cabeça”

Através deste emaranhado de acontecimentos, somos levados a pensar sobre preconceito, saúde mental, medos e, claro, a importância de se conversar de verdade

“Nada melhor para arrumar algo do que botando tudo para fora”

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O jovem Carlos Mattos — Maria Augusta Bastos de Mattos

Título: O jovem Carlos Mattos 
Autora: Maria Augusta Bastos de Mattos
Editora: Migalhas
Páginas:  304
Ano: 2023

Sinopse

Como foi a infância e a juventude de Carlos Mattos antes de se tornar o filósofo e professor que viveu por quase meio século na interiorana cidade de Capivari, em SP?

O livro oferece ao leitor a experiência autobiográfica dos primeiros anos de um profundo estudioso: como se forja um intelectual? quais livros lê? com quem aprende? Tudo isso é apresentado ao leitor, tendo como cenário São Paulo na década de 1920 e a Europa no entre guerras.

O livro partiu de textos memorialísticos, trechos de diários infantis e juvenis, cartas à família e colegas, anotações variadas e registros cotidianos de Carlos – cujo lema era Nulla dies sine linea. Temperados com recordações e rearranjos feitos por seus descendentes, recompôs-se neste livro um pouco de sua história pessoal e familiar, escolar e religiosa, desde seu nascimento, em 1910, até o final de sua formação acadêmica formal, em 1940. Junto a uma erudição que vai se consolidando com o passar dos anos, percebe-se intacta sua veia finamente humorística. 

O trabalho é de autoria da professora dra. Maria Augusta Bastos de Mattos.

É o primeiro da coleção “Nenhum dia sem uma linha”. 

Resenha

“Quando reviraram minha mala, eu disse: ‘é filosofia, vocês não entendem’”

Como seria incrível se todos nós pudéssemos ter a oportunidade de ver a vida de pessoas importantes para nós contada em um livro pensado com todo o cuidado e o carinho necessários.

“A vida de cada indivíduo é um fragmento da história”

O jovem Carlos Mattos não é exatamente um livro para o grande público, mas é uma obra que, para mim, tem um valor sem igual: me permitiu conhecer ainda mais meu vô, que, de toda forma, só conheci por meio das histórias contadas por outras pessoas. Mas calma, este livro é bem mais complexo que isso. 

“Os bisnetos e trinetos, com um recuo de mais de 100 anos, é que gostarão de reler (ainda se lerá nesse tempo?) coisas tão antigas, inéditos guardados para eles que viverão num mundo tão diferente”

A começar pelo fato de que este é apenas o primeiro volume de uma trilogia (ainda não completa), e nos conta sobre a infância e a juventude (até os estudos universitários) de Carlos Lopes de Mattos.

Além disso, trata-se de um livro com múltiplas vozes: em alguns trechos, lemos palavras escritas por Carlos em diários e cartas; em outros momentos, tudo é costurado pela narrativa que torna esta obra possível, reunindo também documentos e imagens que enriquecem ainda mais o que está exposto ali.

“A narrativa que segue foi composta tendo como base sua autobiografia (escrita em 1987 a partir de suas lembranças e de suas anotações em dois diários, o de 1925 e o que escreveu entre 1935 e 40). Somaram-se as lembranças e impressões de seus filhos, histórias sempre repetidas na família, transcrições de cartas, informações esparsas e mesmo textos escritos por outras pessoas ligadas a ele”

Por meio deste livro pude perceber como o peculiar humor da minha família realmente tem seus traços herdados (genéticos?) e também pude me surpreender com a cultura e as pessoas com quem meu vô teve contato, ainda que eu já imaginasse um pouco (mas não soubesse nem da metade).

Também pude conhecer, mesmo que através de sua escrita, um lado extremamente humano de meu vô, que mesmo com todos os seus estudos e conhecimentos, jamais se esquecera de onde viera e quem era, ressaltando, mais de uma vez, as suas inseguranças.

“Lembro-me de que, quando saía com meu irmão mais velho e meu pai, sentia-me impedido de falar, de medo de cair no ridículo. Sempre me senti inferiorizado”

Mas esta não é uma obra de interesse apenas familiar. Por meio das passagens deste livro, podemos conhecer uma São Paulo antiga (e foi uma delícia viajar por ruas que hoje são tão movimentadas e que, naquela época, ainda eram, literalmente, “tudo mato”) e vivenciar um pouco da História, não apenas brasileira, mas também internacional (nas páginas finais deste volume, Carlos está vivendo numa Europa novamente em guerra: a II Guerra Mundial).

“Nasci em São Paulo, à rua Martinho Prado, 25, defronte do que hoje é a Praça Roosevelt, a 26 de setembro de 1910”

Se este livro despertou o seu interesse, você pode encontrá-lo neste link.

No meu lugar — Jorge Castro

Título: No meu lugar 
Autor: Jorge Castro
Editora:  Publicação independente
Páginas:  186
Ano: 2017

Sinopse

Não é o melhor ano para Pedro Carvalho.

Com surtos constantes de ansiedade, a traição do primeiro amor e uma depressão insistente, seu mundo desmancha de um dia para o outro. Quando a verdade sobre sua sexualidade o faz ser expulso de casa, Pedro tem que aprender a lidar com novos desafios: como os outros o veem, como ele se vê, e os sentimentos explosivos que esconde por Guilherme – o amigo generoso que o acolhe durante a crise, e que faz seu coração palpitar como ninguém.

Lutando para se aceitar e entender onde se encaixa, Pedro precisa descobrir como reconstruir a vida. Mas quando o mundo o trata como um erro a ser corrigido, como não ceder aos medos rondando o peito?

Como vencê-los e encontrar o seu lugar?

Resenha

Não se deixe enganar pela capa: No meu lugar pode até ter passagens fofas, mas é uma história pesada, triste e que retrata uma realidade extremamente dolorosa.

“As cicatrizes em meu nome podem ser difíceis de esquecer, mas talvez ainda piores de confrontar”

Inclusive, não sou muito boa em destacar gatilhos (acho que alguns são pessoais demais, não tenho como imaginar que existam), mas aqui eu preciso dizer que há violência, homofobia, depressão.

“Hematomas desaparecem, sentimentos também”

Pouco a pouco vamos conhecendo Pedro (Aurora) e recebendo informações sobre algum acontecimento difícil, que levou à expulsão dele da casa dos pais.

“Por estar sozinho, enxotado por quem mais deveria dar suporte”

Ao lado de Pedro conhecemos, também, Guilherme, o amigo que o acolheu e que agora está gerando sentimentos confusos dentro de Pedro.

“Ele encara meus pesadelos. Abraça meus temores. Aquece as lacunas”

No meu lugar nos faz questionar sobre qual é o nosso lugar no mundo, ao mesmo tempo que fala sobre amizade, preconceito, angústias.

“Se é mesmo certo, por quê parei na rua? Se a vida é minha, por quê todos a julgam?”

Aliás, a narrativa se passa em uma pequena cidade — Porto Girassol — o que contribui para esse clima de intolerância às diferenças. Como tantas pequenas cidades por aí, sobretudo por parte da população mais velha, há muito preconceito e religiosidade envolvidos.

“As pessoas lançam o mundo ao inferno quando não aceitam algo”

Felizmente, Pedro conta não apenas com Guilherme, mas também com bons amigos, como Lara e Carla. 

“Eles me salvaram várias vezes, e acho que os dois nem tem ideia disso”

Uma história que precisa ser lida, por mais dolorosa que seja. Ela nos faz enxergar o quanto ainda tem gente que sofre por coisas que, em 2024, já não deveriam mais causar tanta angústia.

“Quem ama machuca o outro?”

Mas também uma história que nos mostra que, por vezes, as pessoas ao nosso lado também estão sofrendo (de outras dores que, nem sempre, são tão distantes das nossas, por mais que sejam diferentes), mas isso não impede que elas nos estendam a mão

“Quantas cicatrizes ganhou por minha causa?”

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Orgulho de ser (Antologia)

Título: Orgulho de ser 
Autor: Vários autores
Editora: Se Liga Editorial
Páginas: 108
Ano: 2020

Sinopse

A antologia #OrgulhoDeSer reúne 8 histórias, contadas por 8 autores diferentes que, juntos, representam a comunidade mais colorida do mundo. Nesse livro, vocês encontrarão altas doses de representatividade em histórias de diferentes gêneros. Chore, sorria, vibre, angustie-se… Não importa o sentimento que invada você: permita-se SENTIR. Escancare as portas do armário e não se esqueça de se orgulhar por ser exatamente quem é!

Resenha

Vira e mexe aparece resenha de antologias por aqui e sou uma forte defensora delas. Como já comentado neste post, acho que elas são uma boa forma de conhecer novos autores, além de nos permitir, muitas vezes, mergulhar em gêneros diferentes.

A antologia Orgulho de ser ainda tem aquele toque a mais que eu adoro: histórias com muita representatividade.

Como o livro é composto por apenas oito contos, vou falar brevemente sobre cada um, na ordem em que estão colocados no livro.

Multicolor (Thati Machado)

Orgulho de ser se abre com esta narrativa que nos faz ressignificar a palavra lar.

“É  possível ressignificar a palavra lar? Nossos cinco protagonistas provam que sim. Agnes, Tomás, Clarice, Dante e Mateus definem o Instituto Multicor como a casa aconchegante e tranquila que nunca tiveram”

(Multicolor — Thati Machado)

Indo e vindo no tempo, a história nos conta um pouco sobre seus personagens e o que os une.

“Cada um deles sabia como era se sentir completamente sozinho em um mundo habitado por tanta gente. Cada um deles sabia como era se sentir sem um lugar para chamar de lar”

(Multicolor — Thati Machado)

O Instituto Multicolor com certeza é um sonho para as pessoas da comunidade LGBTQIA+, sobretudo aquelas rejeitadas pela própria família.

“Porque família nunca foi uma questão de sangue, afinal de contas. Família sempre foi questão de ser. E de estar”

(Multicolor — Thati Machado)

Uma história que dá um quentinho no coração e muita vontade de fazer o bem.

“Nós ajudamos os outros da mesma forma que somos ajudados”

(Multicolor — Thati Machado)

A garota no bar – Delson Neto

A garota no bar já é uma história mais distopica, que se passa em Nova Avalon.

“O sono poderia voltar, mas Nova Avalon não a deixaria dormir”

(A garota no bar — Delson Neto)

É muito interessante como algumas críticas à nossa sociedade são colocadas ao longo das linhas.

“O humano estava acostumado com a destruição de si mesmo desde o princípio, ‘do pó viemos, ao pó retornaremos’, dizia a antiga religião”

(A garota no bar — Delson Neto)

Seu clima é sombrio e melancólico

“O futuro não tinha misericórdia e nem paciência para lidar com a dificuldade alheia perante a mudança daqueles anos inconstantes”

(A garota no bar — Delson Neto)

Mas, ainda assim, a história também fala sobre o amor.

“Amar não era sortear um nome, sexo ou identidade. Era espontâneo, vindo de dentro”

(A garota no bar — Delson Neto)

E, mesmo que de maneira não tão direta, mas deixando muito claro, esta é uma narrativa sobre preconceitos.

“A cidade permitindo ou não, mais uma história começaria em Nova Avalon”

(A garota no bar — Delson Neto)

Monocromático (Rafael Ribeiro)

Depois, temos Monocromático, um conto com uma temática que sempre me conquista: o final do ensino médio.

“Quem foi que disse que nós temos que escolher a trilha da nossa vida toda aos 17 anos? Não consigo entender, sério!”

(Monocromático — Rafael Ribeiro)

Neste caso, mais especificamente, estamos na formatura de Luiz — o narrador — e Paulo — seu melhor amigo e algo mais.

“Todo mundo espera um “felizes para sempre” para um casal, ou que pelo menos eles fiquem juntos no final da história. Eu estou aqui pra dizer que tudo bem se eles não ficarem. As coisas boas duram pra sempre, mas nunca da mesma forma como começaram. Absolutamente tudo é mutável. E acolher as mudanças e lidar com elas só depende da gente”

(Monocromático — Rafael Ribeiro)

O outro Vicente (Camila Marciano) 

O começo deste conto me deixou um pouco confusa. A narrativa parecia poética. E então eu me apaixonei. Pela escrita, pela história, pelos personagens.

Trata-se da história de um neto que está acompanhando a internação da avó, dona Odete.

“Como pode um lugar onde a gente morre não ter cor nem de vida, nem do contrário?”

(O outro Vicente — Camila Marciano)

Claro que, neste momento, um mistério surge: à beira da morte, Dona Odete quer que o filho dê um recado para Paloma. Mas quem é Paloma?

Uma história que quase me fez chorar

Corações tortos (Luiz Gouveia)

Corações tortos é uma história um pouco mais pesada, pois contém cenas de briga e agressão. E, apesar disso, é uma história extremamente necessária, por retratar uma realidade que, infelizmente, ainda persiste.

O conto termina com uma dose de quentinho no coração que alivia parte da angústia ali apresentada.

“É… não sei como te dizer, mas parece que você fez uma bagunça aqui dentro e eu… gostei”

(Corações tortos  — Luiz Gouveia)

Banho de lua (Mariana Jati)

Ao contrário do conto anterior, este aqui inspira leveza: um grupo de jovens amigos que vai passar a noite na mansão da Lai. 

Uma narrativa cheia de representatividade, umas doses de insegurança e muita fofura

3 versões de mim (Leonardo Antan)

Acho que o título já nos dá um bom panorama do que vem pela frente. Mas ele não nos conta uma coisa: é o dia do casamento de Daniel e Gui.

“Sorrio ao pensar no meu futuro marido, o Dani. Imagino-me anos atrás e fico orgulhoso. Afinal, cheguei onde mais sonhava. Se o Gui do passado estivesse vendo essa cena estaria comemorando”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

Um dia que já nos deixa carregados de emoção, mas que para Gui ganha contornos ainda mais interessantes: a possibilidade de conversar com seu eu do passado, mas também de receber alguns spoilers do futuro.

“Viveria uma história sabendo que ela pode dar errado?”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

Um conto que, para além de nos fazer viajar nessa situação hipotética bem interessante, também nos coloca para pensar sobre variados tipos de preconceito.

“Afinal, o mundo faz questão de dizer que só as pessoas magras que importam”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

Flores para Ellen (Jonas Maria)

Para fechar a antologia, outro conto distopico e sombrio.

“Acho que já devemos ir, Niko. Ela já deve estar lá — Alisson usou um tom de voz mais ansioso do que gostaria”

(Flores para Ellen — Jonas Maria)

O conto é triste e retrata uma realidade em que seus personagens precisam lutar para conseguir remédios e sobreviver.

Gostou da antologia Orgulho de ser? Então clique abaixo para saber mais sobre ela e depois me fale qual foi o seu conto preferido!

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O mal das flores — Gabriela Lopes de Azevedo

Título: O mal das flores [monotipias] 
Autoras: Gabriela Lopes de Azevedo e Greta Coutinho
Editora: Urutau
Páginas: 88
Ano: 2023 

Sinopse

Poder tatear um poema, uma flor, uma cidade, alguns corpos, soltos, ou uma casa inteira de mulheres é também poder e precisar confiar no caminho silencioso da transformação. Emergir do atravessamento que a literatura de Gabriela nos causa: impossível sair daqui como éramos antes. O mal das flores, além de nos enganar das possibilidades do asfalto, dos afetos passageiros, das desobediências civis desejadas, também nos seduz a tatear o que a sombra de uma flor nos causa, a textura de um fiapo nos dentes, o peso de existir e carregar o mistério da hereditariedade. Encontrar um rato morto ou a serendipidade no desabrochar do caminho é espalhar raízes confiantes através de versos, seja no escuro solitário de um lago pantanoso, no jardim selvagem ou no “transtorno sonoro da cidade nua”. Gabriela rega isso tão bem que nos convida, com sementes nas mãos, a olhar de perto e cruamente a beleza da força das relações; o abandono, o desejo, o tédio, um roubo na calada da noite, o casamento irrecusável, entranhas adentro, o tísico, o alérgico, os exauridos. Olheiras fundas roxas, inexoráveis fantasmas, unhas quebradas, pelos, celulites. “Mal de ventre, má comida”. Males que te aprisionam com garras quando se apresentam como flores. Depois, uma casa, “concreto afeto cimento”. “Cortinas empoeiradas de rancor”: uma mãe, vendo o entorno de quem nunca esteve ali, uma irmã solteira, desimportante para o amor e atrapalhando heróis, seja ela calada ou tagarela, uma irmã casada que, por tantos motivos, enlouquece; uma avó, uma tia, uma prima. A filha mais velha, a filha mais nova, a maternidade. A aspereza da doença, dos crimes cometidos dentro dos cômodos, da competição sussurrada, quase não dita, das mesquinharias típicas e dolorosas e surpreendentes dos vínculos. Uma leal confusão de afetos. A cidade dentro da família. Verdadeiro laço emaranhado de buquê que a gente compra para si mesma, para abafar as dores e ter esperança num girassol andarilho-da-terra ou numa echinacea laevigata. Que o leitor se prepare para um livro belo, amargo, cheio de delicadezas e assombrações, tudo junto e direcionado em busca de uma fresta em que seja possível entrar a luz.

Greta Coutinho,
artista plástica

Resenha

O mal das flores é um livro não apenas de poesias escritas, mas também de poesia visual, uma vez que a obra conta com algumas monotipias.

Se você, assim como eu, não sabe bem o que são monotipias, aqui vai uma breve explicação, retirada do artigo “Gravura: monotipias e as possibilidades gráficas entre o fazer e o pensar contemporâneo”, disponível aqui.

“A monotipia é um processo gráfico simples, situada num processo intermediário entre a gravura e a pintura ou o desenho, cujas possibilidades envolvem a criação de uma imagem sobre uma superfície em que se coloca tinta ou pigmentos, e, a seguir, é transferida por contato para um suporte. À essa superfície, é possível agregar outros materiais para criar texturas, gestos, formas, marcas. Num sentido amplo, as monotipias devido as suas características diretas e espontâneas, resultam em imagens únicas, aproximando-se das características da gravura, devido a impressão invertida das imagens”

As poesias estão agrupadas em duas seções

  • Vias e veias
  • As flores, o mal

Vias e veias reúne textos que falam de cidades, de vidas que as habitam, dos caminhos que percorremos, das veias que nos preenchem.

“como você vai embora

tão por acaso

como veio

e me deixa aqui

palpitando

de desastres?”

É uma seção múltipla, mas que não deixa de dialogar com a segunda parte, que reúne sobretudo poesias que falam de família (em seus mais variados sentidos e formas).

“No fim das contas

é só

sozinha

casada

e sozinha”

A poesia que dá título ao livro e que revela uma parte importante da obra — isto é, a sua intertextualidade — é muito bonita.

o mal das flores

é nos enganar 

constantemente

nos fazendo acreditar

naquela tolice

bonita

de que algo

ainda pode

nascer

no asfalto”

Mas a minha preferida é, sem dúvidas, a poesia É amor, que brinca com as diversas possibilidades na escrita de uma pichação.

Esta é uma daquelas obras para se apreciar com calma, para que possamos compreender suas referências (que são várias e variadas), degustar suas nuances e nos deleitar com as monotipias que complementam as poesias.

Aliás, a diagramação do livro contribuiu para uma leitura agradável: num papel pólen de gramatura 90, os versos estão dispostos de maneira limpa, brincando com o espaço do papel. A letra e o espaçamento são ideais para uma leitura confortável.

Se quiser adquirir um exemplar da obra, clique abaixo.

Som do fim do mundo — Maicon Moura

Título: Som do fim do mundo: contos 
Autor: Maicon Moura
Editora: Publicação independente 
Páginas: 156
Ano: 2024

Sinopse

Em “Som do Fim do Mundo”, uma coletânea cativante de contos do autor de “Não Quero Patos Elétricos”, somos levados a explorar uma nova faceta de sua narrativa. Em vez do cenário típico de ficção científica, encontramos histórias breves e envolventes que desafiam as expectativas e nos transportam para mundos fantásticos e surreais, ocultos nas dobras do cotidiano.

Com uma prosa mágica e envolvente, Maicon nos apresenta uma série de contos que se destacam pela sua originalidade e charme. Influenciado por gigantes da literatura brasileira como Murilo Rubião e Lygia Fagundes Telles, o autor revela que a magia está presente nos detalhes mais simples da vida. Nestas páginas, o extraordinário emerge do comum, transformando o banal em algo verdadeiramente extraordinário.

Cada conto é uma jornada única, onde o humor se entrelaça com a melancolia, criando um universo narrativo rico em contrastes e emoções. Mesmo os momentos mais absurdos nos fazem refletir sobre nossa própria existência e os mistérios que permeiam nosso dia a dia.

“Som do Fim do Mundo” é mais do que uma simples coletânea de contos; é uma porta de entrada para o mundo encantador e multifacetado de Maicon Moura. Se você busca uma leitura que desperte sua imaginação e o faça questionar a realidade, este livro é o seu bilhete de entrada para um universo de magia e reflexão.

Resenha

Som do fim do mundo é uma coletânea que vem para desafiar nossas expectativas, com contos curtos e finais surpreendentes. Ao longo da leitura, nunca sabemos onde cada história irá nos levar. E essa é justamente a ideia.

A obra é composta por 10 textos e tentarei apresentar brevemente cada um, fazendo o possível para não dar spoilers.

As estrelas do lago

Sim, um lago como peça central. Um lago que carrega um mistério pelo qual dificilmente você não irá se render, ao mesmo tempo em que imagina o quanto ele deve ser bonito. Dá vontade de tocá-lo, mas sabemos que esta não é uma boa ideia.

Mas para além de todos os segredos que queremos desvendar, esta história também me encantou porque fala da adolescência de uma forma que só quem já passou por ela poderia falar.

“Que saudade da fase em que nossas decisões burras, em nossa cabeça, eram algo de que nos gabávamos. Mostrar uma cicatriz e contar sua história, mesmo que você estivesse totalmente errado em ter feito aquilo”

(As estrelas do lago)

Coma

Só lendo este conto para perceber que seu título tem um duplo sentido.

A história, que parece banal, tem um final horripilante, daqueles que nos deixa boquiabertos.

“Eu não conseguia dizer que estava bem. E não tinha certeza se estava”

(Coma)

Disco da Terra

A leitura deste conto é, sem dúvidas, uma experiência. A começar pelo protagonista, que se acha o melhor do universo e vive (podemos chamar isso de vida?) para manter esse status.

Além disso, esta é uma história de uma realidade talvez não tão distante de nós e que nos faz refletir sobre o cuidado (ou a falta dele) que temos com o nosso planeta.

“O engraçado da raça humana sempre foi sua paixão pelo planeta. E, mesmo assim, estavam tacando fogo em tudo o que podiam. ‘Amo as árvores, então vou fazer um guarda-roupa com elas’”

(Disco da Terra)

Por fim, o conto nos permite enxergar a Terra de outra perspectiva, para que possamos valorizar e conviver em harmonia com o que temos hoje.

“Os animais, em poucos anos, se tornaram armas mortais prontas para tirar o vírus humano da Terra. Então a humanidade decidiu sair por livre e espontânea vontade e ir para Marte. Um lugar que não estava tão vazio, mas, somos bem conhecidos por invadir lugares e dizer que os descobrimos”

(Disco da Terra)

Som do fim do mundo

Claro que o conto que serve de título ao livro não poderia deixar de ser um espetáculo

Além de fazer referência a elementos da nossa cultura narrativa, a história explora uma visão do fim de mundo que provavelmente você ainda não parou para imaginar.

“Talvez um meteorito explodisse o planeta, algo que sempre fora cultuado pela indústria do entretenimento. Um grande meteoro atingindo o planeta e tudo indo para os ares. Esse era o sonho”

(Som do fim do mundo)

Não pergunte

Como dito no começo desta resenha, essa antologia vem para desafiar nossas expectativas. E este conto é um ótimo exemplo disso: o final dele me pegou totalmente de surpresa.

A história em si já é bem interessante: será que não vivemos fazendo as perguntas erradas? (Seria essa mais uma delas?)

“As questões erradas continuam sendo realizadas diariamente, milhares de vezes, gerando em sua trajetória errônea, catástrofes que não são esperadas pela humanidade”

(Não pergunte)

E quais são as consequências de uma pergunta errada em nossas vidas? Qual seria o impacto de uma pergunta certa?

“A dúvida certa fez algo muito mais forte do que qualquer religião: ela abriu na mente dessas pessoas a janela para a conexão mental”

(Não pergunte)

Minha alma entre batidas

Só o título desse conto já seria capaz de me fisgar e, não vou negar, ele foi meu preferido, não apenas pela história em si, mas também pelo fato do texto ter ritmo, o que combina demais com o desenrolar dele.

“As batidas da música criavam ritmos em nossos movimentos. De longe, reparei que ela me olhava e, de longe, ela reparou que eu reparava. O ritmo da música nos fazia dar passos curtos e dançantes um em direção ao outro”

(Minha alma entre batidas)

Mas não se deixe enganar: este não é um simples conto romântico. A história tem muitas camadas e é sombria de um jeito delicioso.

“Não era amor. Não era paixão. Estava drogado”

(Minha alma entre batidas)

Ao mesmo tempo que nos arrepiamos, também ficamos abalados com os belos tapas na cara que esta história dá.

“Ali naquele grupo de amigos, éramos mais desconhecidos que conhecidos”

(Minha alma entre batidas)

Em busca do Éden

Este foi um conto que me arrancou belas risadas. Os personagens são exagerados e muito bem marcados e a história chega a beirar o absurdo de uma maneira bem interessante.

Tupavntis: o limite do poder é o estômago

Sabe aquela velha história de “seria cômico se não fosse trágico”? Pois é isso que acontece neste conto.

“Desde os tempos mais antigos, antes mesmo da primeira guerra, antes de inventarem o sanduíche e bem antes de Jesus morrer — ele nem chegou a saber sobre essa pequena aldeia que prosperava no meio do deserto, cultuando uma árvore — os Tupavntis já existiam”

(Tupavntis: o limite do poder é o estômago)

Nesta fantasia bem maluca, Maicon explora uma narrativa cheia de comicidade na medida certa, mas também com algumas boas críticas ao comportamento humano e reflexões sobre a nossa existência.

“‘Louco é morrer tão jovem, louco é desistir de viver, louco é perder a esperança’. Muitos cantores de rock, country e outros ritmos que precisam de um violão ou guitarra e aqueles que usam ukulele ou cavaquinho, inspiraram suas canções nessa fala clássica de Rosnan. Uma fala que reverberou pelo universo. Mesmo que Rosnan nunca tenha feito nada para ser lembrado, essa frase ficou entre as paredes rabiscadas da cabana”

(Tupavntis: o limite do poder é o estômago)

O rapaz gentil do mercado

Com uma narrativa deliciosa e envolvente, neste conto Maicon consegue nos trazer uma história que, aos poucos, se revela de terror, mas que logo de cara nos desperta muita curiosidade e vontade de ler mais e mais.

Há nela um personagem que encanta, mas que de longe podemos sentir o cheiro de problema. Que se revela muito maior do que o esperado.

Oi, meu bebê

Para fechar esta antologia, que conto! Daqueles que são um soco no estômago e que nos deixam pensando o que o futuro reserva para a humanidade (ou para a falta dela).

“Antes éramos controlados por uns oitenta anos. Agora eles nos controlam para sempre”

(Oi, meu bebê)

Uma história para se ler com um lencinho do lado, porque para além de ser um baque, ela também fala muito sobre a solidão

“Eles queriam que você crescesse sozinho. A solidão é algo terrível. Talvez muito pior que a manchinha em seu pulmão”

(Oi, meu bebê)

Para além da pluralidade narrativa de O som do fim do mundo, esta antologia também nos mostra toda a habilidade de Maicon com o design. A diagramação é linda e torna a leitura ainda mais agradável.

E aí, que conto você acha que seria o seu preferido?

Não deixe de conferir e garantir seu exeplar de O som no fim do túnel e aproveite para seguir o Maicon em suas redes sociais (Instagram | Substack).

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Enemies with benetifs — Roxie Noir

Título: Enemies with benefits — Loveless Brothers romance book 1
Autora: Roxie Noir
Editora: Publicação independente
Páginas: 434
Ano: 2019

Sinopse

I don’t love him. I don’t even like him.

I just want him.

Eli Loveless was my nemesis from the first day of kindergarten until we graduated high school. Everything I did, he had to do better – and vice versa. The day he left town was the best day of my life.

Ten years later, the day he came back was the worst.

Now he’s my co-worker.

Grown-up Eli Loveless is sexy as sin. He’s hotter than asphalt in the summer. The irritating kid I once knew is gone, and he’s been replaced by a man with green eyes, perfect abs, and a cocky smile.

It’s bad that I want him. It’s worse that he wants me back.

There are looks. There are smirks. There are smiles that make my panties burst into flame.

And then there’s a shared kiss that leads to the hottest night of my life.

This is no office romance. This is a five-alarm fire.

What’s a girl to do when the man I can’t stand is the one I can’t stop lusting after?

Enter into a friends-with-benefits agreement, of course.

No dates. No relationship. Just blisteringly hot sex, because if there’s one person I could never fall for, it’s Eli….right?

Enemies With Benefits is the first book in the Loveless Brothers series, and can be read as a total standalone. It’s for fans of high-heat, low-angst romantic comedies and anyone who enjoys a rivals-to-lovers story. This book also has tons of sibling banter, a workplace romance that smolders, and a small town with tons of charm and quirk. It’s steamy, hilarious, and of course it’s got a guaranteed HEA. (And yes, it bangs.)

Resenha

A resenha de hoje começa um pouco diferente, com gostinho de celebração: depois de muito tempo ensaiando, concluí a leitura de um livro (ebook) em inglês

Em 2020 eu havia colocado esse item no meu desafio pessoal e foi o único que não concluí. Não é para menos: o livro que terminei agora em fevereiro, foi iniciado em novembro do ano passado! Eu sempre soube que não seria fácil.

Acho importante mencionar isso, porque pode parecer tranquilo ler em outras línguas, mas não é. Em italiano, por diversos motivos, até tenho alguma facilidade, mas em inglês a coisa já fica mais complicada e isso é extremamente normal.

Essa introdução também era necessária porque, não sei se devido à dificuldade, ou se pela história em si, achei o início de Enemies with benefits um pouco arrastado, o que também contribuiu com a demora em terminar a obra.

A narrativa é em primeira pessoa, alternada entre os protagonistas Violet e Eli e uma coisa é muito clara: eles se odeiam e não é de hoje.

Deve ser a primeira vez na minha vida que fico feliz em ver Eli Loveless”

“It might be the first time in my life I’ve been glad to see Eli Loveless”

A história se passa em Sprucevale que, como fica claro mais de uma vez, trata-se de uma cidade pequena, sem grandes atrativos, onde todos se conhecem.

É pequena. É unida. Todos parecem família, para o bem ou para o mal”

“It’s small. It’s tight-knit. Everyone feels like family, for better or for worse”

Mas há algumas grandes diferenças entre Violet e Eli: ela mora num trailer; ele numa casa enorme. Ela praticamente nunca saiu de lá (apenas para fazer a faculdade, ali perto); ele já rodou o mundo.

“Pessoas como ela não ficam numa cidadezinha no meio do nada; pessoas como ela se mudam para grandes cidades, Richmond ou D. C ou até mesmo Nova York, e elas cosneguem trabalhos poderosos e vestem ternos e fazem vídeo-conferências”

“People like her don’t stick around a tiny town in the middle of nowhere; people like her move to big cities, Richmond or D.C. or maybe even New York, and they get high-powered jobs and wear suits and make conference calls”

Só que um não sabe exatamente o que o outro viveu. Os caminhos que percorreram até o reencontro, já na idade adulta. E nós também vamos descobrindo isso aos poucos.

“Pessoas são invariavelmente mais profundas e complexas do que parecem de primeira”

“People are invariably deeper and more complex than they seem at first”

Eles se conheciam da escola onde, fica muito claro, vivam competindo e se destratando. Ambos extremamente inteligentes, tinham tudo para conquistar o mundo. E Eli realmente conquistou, mas preferiu voltar.

“Tudo de uma vez, a enormidade da coisa me atinge. Eli mudou. Ele está diferente. Ele deixou esse lugar e então voltou, e nesse intervalo ele foi chef em Bangkok e bartender em North Dakota e só Deus sabe o que mais, e ele não é mais o mesmo”

“All at once, the enormity of the thing hits me. Eli’s changed. He’s different. He left this place and then came back, and in the interim he was a chef in Bangkok and a bartender in North Dakota and God only knows what else, and he’s not the same anymore”

Violet nunca teve essa mesma oportunidade e aos poucos vamos entendendo o porquê, mesmo sem entrar em tantos detalhes.

“Eu me sinto pequena, imaterial. Eu me sinto enraizada como uma árvore, presa ao chão, condenada a permanecer no mesmo lugar do nascer ao pôr do sol, todos os dias, até eu definhar e morrer”

“I feel small, immaterial. I feel rooted like a tree, stuck in the ground, doomed to stay in the same spot from sunrise to sunset every day until I wither and die”

Desde o primeiro reencontro entre Eli e Violet há um outro elemento que fica muito claro: a tensão sexual entre eles (claro, isso já era esperado).

“Céus, más ideias parecem tão boas”

“God, bad ideas feel so good”

E sim, Enemies with benefits é um hot, ainda que possa demorar um pouco a chegar nas cenas mais quentes. 

“Além disso, céus, Violet é bonita quando ela está brava. Ela é bonita o tempo todo, mas a raiva desperta algo nos olhos dela que faz com que ela se acenda como uma chama, queimando e cintilando de dentro para fora, perigosa e sedutora, tudo de uma vez”

“Besides, dear God Violet is pretty when she’s mad. She’s pretty all the time, but anger sparks something in her eyes that makes her light up like a human flame, burning and flickering from the inside, dangerous and alluring all at once”

A história se passa em alguns meses, quando Eli e Violet têm de conviver por trabalharem no mesmo lugar: uma espécie de hotel fazenda, onde são realizados grandes eventos, principalmente casamentos.

Mas uma série de acontecimentos estão atrapalhando a organização desses eventos e Violet, sempre a melhor funcionária da empresa, acaba precisando da ajuda de Eli para sair de algumas enrascadas.

“Eu nem tenho tempo de pensar no fato de que Eli está sendo gentil”

“I don’t have time to think about the fact that Eli is being nice”

Para além de retratar um ambiente de trabalho nada saudável, Enemies with benefits também nos faz pensar sobre alguns assuntos, como o fato de que em qualquer lugar do mundo mulheres sentem medo de andar sozinhas na rua à noite.

“Que porcaria eu estava pensando, uma mulher andando a noite sozinha?”

“The hell was I thinking, a woman walking alone at night?”

Como os protagonistas se conhecem há muito tempo, outra temática que não poderia ficar de fora é o fato de que as pessoas mudam (ou não) com o tempo.

“Eu deveria saber que as pessoas não mudam”

“I should have known that people don’t change”

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Storia della bambina perduta — Elena Ferrante

Título: Storia della bambina perduta (História da menina perdida) 
Autora: Elena Ferrante
Editora: Edizioni E/O
Páginas: 451
Ano: 2014

Sinopse

Em História da menina perdida, Lenu retorna ao principal núcleo da série: sua amizade com Lina e o bairro onde cresceu. Ao contar a história da maturidade e da velhice de Lenu e Lina, Elena Ferrante nos faz revisitar os dramas que envolvem a busca incessante pelo amor, a maternidade, o machismo, o envelhecimento físico e mental e a máfia.

O embate que as duas protagonistas travaram entre si durante todas as fases da vida segue ainda mais realista. A amizade, ora redentora, ora doentia, torna-se força motriz de todos os passos de Lenu e Lina e de tudo o que as cerca. A dor que permeou os três livros anteriores também continua, e a sensação de que as amigas fizeram os personagens orbitarem ao seu redor atinge também o leitor, que se sente parte desse universo.

História da menina perdida é o final que o leitor esperava, com a dureza e a força que aprendemos a identificar nas personagens de Ferrante ― sem rodeios. O relato da amizade tóxica de Lenu e Lina, que nos engole como um buraco negro, encerra do modo como prevíamos desde o primeiro livro: uma verdadeira obra de arte do nosso tempo.

Resenha

Chegamos ao quarto e último volume da tetralogia napolitana e confesso que não queria me despedir dessa história. Depois de tantos meses — às vezes indo bem devagar, às vezes lendo sem querer parar — acompanhando a Lenù e seus relatos, fica difícil acreditar que cheguei ao último ponto final dessa aventura.

Uma vez mais, ressalto que esta resenha pode conter spoilers, sobretudo dos volumes anteriores. Mas se você não liga para isso ou já leu essa série, não deixe de conferir também as demais resenhas:

Aproveito para lembrar que as citações que você encontrará por aqui foram traduzidas por mim, uma vez que li a obra em italiano. Os trechos originais estarão ao final da resenha, na ordem em que forem utilizados neste post.

Os avisos aí de cima foram de praxe em todos os posts desta tetralogia, mas confesso que hoje eles também me serviram como uma forma de adiar o tão temido momento: falar sobre História da menina perdida.

“Minto, sim, mas porque você me obriga a te dar uma explicação linear e as explicações lineares são sempre mentiras”

É muito difícil falar sobre uma história que a cada página traz uma surpresa e tantos acontecimentos que não estão ali simplesmente para encher o livro de linhas e mais linhas sem sentido. São acontecimentos que fazem parte de todo um emaranhado tão bem construído que, ao final, nos vemos sendo lembrados de acontecimentos de lá do começo da história que ainda ecoam nos personagens e nos lugares.

“Em que desordem vivíamos, quantos fragmentos de nós mesmos voavam como se viver fosse um explodir em fragmentos”

História da menina perdida se passa principalmente em Napoli, pois neste volume, por diversos motivos — possíveis de se imaginar com o final do terceiro livro — Lenù retorna às origens.

“Aquele confronto fora do normal com a minha mãe deve ter revelado a ele sobre mim, sobre como cresci, muito mais do que eu mesma já tivesse contado e ele imaginado”

Voltar ao rione significa estar novamente próxima a Lina, e ver a dinâmica da amizade delas na vida adulta é muito interessante: ainda é uma amizade complicada, com seus altos e baixos, mas talvez um pouco menos tóxica que na infância.

“Eu havia atribuído a ela, desde a infância, um peso excessivo, e agora me sentia aliviada. Finalmente sentia que aquilo que eu era, não era ela, e vice versa”

Os anos longe, as vivências fora daquela realidade, permitiram uma nova visão do todo para Lenù.

“Por alguns segundos, o irmão de Carmen se tornou o ponto de contato entre o seu mundo cada vez menor e o meu mundo cada vez maior”

Essa nova visão, aliás, serve não apenas para sua relação com Lina, mas com todos aqueles que fizeram parte de sua infância, inclusive sua própria mãe.

“Cada relação intensa entre seres humanos é cheia de armadilhas e, se quisermos que dure, precisamos aprender a evitá-las”

A vida adulta também traz uma clareza sobre fatos que sempre estiveram lá e que desde o primeiro livro são descritos, mas talvez de maneira um pouco confusa: a violência, as relações, a política, a máfia.

“Existem momentos em que tudo aquilo que entra em nossa vida e que parece que fará parte dela para sempre — um império, um partido político, uma fé, um monumento, mas também simplesmente as pessoas que fazem parte do nosso cotidiano — desmorona de maneira totalmente inesperada e bem quando milhares de outras coisas nos pressionam”

A morte ganha ainda mais espaço neste volume, seja porque os anos passaram e as pessoas envelheceram, seja porque a violência, como dito, fica ainda mais clara (e mais forte). Já era de se esperar que muitos personagens morressem, mas, ainda assim, é chocante acompanhar um a um indo embora.

“Queria que ela durasse, mas queria que fosse eu a fazê-la durar”

Com isso, a memória também ganha um peso ainda maior, o que, consequentemente, deixa ainda mais claro que Lenù não é uma narradora confiável: foram quatro volumes de uma história narrada por ela, por aquilo que a memória dela lembrava e por aquilo que ela interpretou de todos os fatos ocorridos.

“Eu havia percebido há tempos que cada um organiza a sua memória como lhe convém, agora me surpreendo a fazê-lo também”

Isso nos leva a outro ponto de extrema importância: o fazer literário. Lenù é, sobretudo, uma escritora. E são diversos os momentos em que se menciona o papel da literatura em nossas vidas.

“Os livros são escritos para se fazer sentir, não para ficar em silêncio”

Do título também pode ser que fique clara uma coisa: a importância do contraste entre o adulto e a criança ao longo deste último volume. Por meio de suas filhas, Lenù (e também os demais personagens de sua infância que se tornam mães e pais) pode enxergar muito daquilo que passara despercebido quando era criança, mas também têm a oportunidade de aprender muito: há lindos diálogos entre elas, que nos fazem refletir um bocado.

“As crianças não têm a nossa rigidez, são elásticos”

O momento em que o título deste volume faz sentido é doloroso, triste, mas importante para marcar mais um ponto de transformação, de amadurecimento e de encaminhamento para a conclusão desta história.

“O que fazer então? Dar razão a ela mais uma vez? Aceitar que ser adulto é parar de se mostrar, é aprender a se esconder até sumir?”

No meio disso tudo, como provavelmente já ficou bem claro, Lenù segue dando peso às relações humanas, sobretudo àquelas românticas (mas não somente), sempre tão complicadas.

“Quantas palavras restam impronunciáveis mesmo entre um casal que se ama, e como é grande o risco que outros a pronunciem, destruindo-os” 

História da menina perdida consegue amarrar as pontas soltas desta tetralogia, ao mesmo tempo em que continua a nos deixar espaço para preencher algumas lacunas necessárias à magia desta narrativa. 

“Nada de estranho, portanto, e nem mesmo de feio. Nino era aquilo que não queria ser e que, contudo, sempre fora”

Trazendo muitas temáticas importantes — para além das citadas aqui, presentes também nos volumes anteriores, a autora ainda nos faz acompanhar os avanços tecnológicos e a aceitação (ou não) daquilo que é diferente para a sociedade — Elena Ferrante conclui a tetralogia napolitana de uma maneira que não decepciona, ainda que eu ache que mais e mais dessa história nunca seria demais.

“Como eu podia pensar em viver com ele se tinha de passar todo o meu tempo vigiando-o?”

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Trechos originais

“Mento, sì, ma perché mi obblighi a darti una spiegazione lineare, e le spiegazioni lineari sono sempre bugie”

“In quale disordine vivevamo, quanti frammenti di noi stessi schizzavano via come se vivere fosse esplodere in schegge”

“Quello scontro fuori misura con mia madre dovette rivelargli di me, di com’ero cresciuta, più di quanto io stessa gli avessi raccontato e lui si fosse immaginato”

“Le avevo attribuito fin dall’infanzia un peso eccessivo e ora mi sentivo come sgravata. Finalmente sentivo che ciò che ero io non era lei, e viceversa”

“Per qualche secondo il fratello di Carmen diventò il punto di contatto tra il suo mondo sempre più piccolo e il mio mondo sempre più grande”

“Ogni rapporto intenso tra esseri umani è pieno di tagliole e se si vuole che duri bisogna imparare a schivarle”

“Ci sono momenti in cui ciò che si colloca ai lati della nostra vita e che pare le farà da sfondo in eterno — un impero, un partito politico, una fede, un monumento, ma anche semplicemente le persone che fanno parte della nostra quotidianità — viene giù in un modo del tutto inaspettato, e proprio mentre mille altre cose c’incalzano”

“Volevo che lei durasse. Ma volevo essere io a farla durare”

“Mi ero accorta da tempo che ognuno si organizza la memoria come gli conviene, tuttora mi sorprendo a farlo anch’io”

“I libri si scrivono per farsi sentire, non per stare zitti”

“I bambini non hanno le nostre rigidità, sono elastici”

“Che fare dunque? Darle ancora una volta ragione? Accettare che essere adulti è smettere di mostrarsi, è imparare a nascondersi fino a svanire?”

“Quante parole restano impronunciabili anche all’interno di una coppia che si ama, e com’è elevato il rischio che altri le pronuncino distruggendola”

“Niente di alieno, dunque, molto invece di laido. Nino era ciò che non avrebbe voluto essere e che tuttavia era sempre stato”

“Come potevo pensare di vivere insieme a lui se dovevo passare il mio tempo a sovergliarlo?”

Desenhos invisíveis — Troche

Título: Desenhos invisíveis
Autor: Gervasio Troche
Editora: Lote 42
Páginas: 160
Ano:2014

Sinopse

O livro Desenhos Invisíveis é uma compilação das ilustrações do uruguaio Gervasio Troche, publicadas na internet entre 2009 e 2012. Com extrema sensibilidade e traços singelos, o artista mostra ao longo do livro um conjunto de desenhos lúdicos em preto e branco sem usar palavras.

A linguagem lúdica de cada desenho fomenta múltiplas leituras e interpretações, fazendo de Desenhos Invisíveis um livro que se ressignifica a cada leitura. Como num passe de mágica, basta o tempo passar para o leitor enxergar outras coisas nas mesmas artes.

“Suas histórias não têm diálogo e muitas vezes se resolvem em uma imagem, como “poemas gráficos” que revelam perspectivas inusitadas e mais gentis do cotidiano”, diz o jornal Folha de S. Paulo. Os quadrinistas Fabio Zimbres e Adão Iturrusgarai escreveram os prólogos da edição brasileira da obra.

Resenha

Pode soar estranha a ideia de pegar um livro e saber que não encontrará palavras nele, mas é justamente isso que (não) encontramos em Desenhos Invisíveis.

Contudo, como a própria obra nos lembra, através de uma tirinha do Adão Iturrusgarai, colocada ali no início, “uma imagem vale mais que mil palavras”. E, neste caso, sou obrigada a concordar.

Mesmo sem escrever uma linha sequer, desde a primeira página Troche me colocou para pensar, expandindo minha visão das coisas para novas formas de enxergá-las. Seja na amarelinha que vira caixa, seja na semente música plantada, seja no cometa pipa — apenas para citar alguns exemplos — cada página é um novo mergulho e uma nova descoberta.

As folhas são, em sua maioria, compostas de alguns poucos traços e de muito espaço para que a nossa mente as complete como bem entendermos. Os desenhos não são literalmente invisíveis, mas possuem uma parte invisível para os que não têm a mente aberta.

O traço em preto e branco reforça alguns dos temas que os desenhos evocam: a solidão, os desafios, o silêncio. Mas se fosse preciso escolher algumas palavras para definir esta obra, escolheria perspectiva, equilíbrio, reinvenção

Outro ponto que eu não poderia deixar de mencionar é que por mais silenciosas que sejam as páginas deste livro, é impressionante como a música se faz presente, trazendo uma dimensão ainda mais interessante para a leitura. Música que se faz presente nas suas mais diversas representações, mas sem que haja som algum do livro.

E sim, usei a palavra “leitura” ali em cima, porque apesar de não encontrarmos palavras ao longo das páginas, os desenhos nos inspiram a uma leitura deles e uma nova leitura do mundo em que vivemos.

Desenhos Invisíveis é uma obra para você que quer deixar a mente vagar sem rumo e se inspirar para dar um novo gás aos seus projetos e criações. Além disso, como professora de idiomas, não vou negar que pensei em várias possibilidades didáticas para este livro, que com certeza vai ficar em algum lugar bem acessível da minha estante.

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Clones de verão — Pedro Henrique

Título: Clones de verão e outras histórias 
Autor: Pedro Henrique (Coisas do Pedro)
Editora: Publicação independente
Páginas: 138
Ano: 2023 

Sinopse

Clones de Verão e Outras Histórias é uma coleção de histórias fantásticas curtas de ficção científica com uma pitada de humor e crise existencial, feitas para você ler, refletir e seguir com o seu dia.

O que aconteceria se pessoas pudessem clonar a si mesmas para faltar ao emprego? E se nosso universo inteiro fosse um trabalho de escola, ou uma molécula de uma sopa da vó Maria?

Clones de Verão e Outras Histórias é a primeira coletânea de contos curtos publicados no blog Coisas de Pedro dentre os anos de 2017 a 2023.

Resenha

Se uma de suas metas para este ano é voltar a ler ou então ler mais, preste atenção a esta resenha, porque aqui está uma obra que pode te ajudar a começar a concretizar esta meta.

“Como grande parte das ideias da humanidade, a ideia era maravilhosa. A execução, nem tanto”

Clones de verão é uma antologia com contos bem curtos, daqueles que a gente lê em um minuto e fica com vontade de ler “só mais um”.

“Os humanos foram ficando mais complicados, meu caro”

Muitos textos retratam um futuro que talvez não seja tão distante assim e que, mesmo assim, continuamos a ignorar.

“Deu um pouco de trabalho, mas, felizmente, vimos nosso apocalipse chegando mais lentamente, e pudemos nos preparar, sentados em nossas poltronas reclináveis de plástico”

Em alguns momentos ficamos reflexivos; em outros, damos uma boa gargalhada. Por vezes, mesmo nas poucas linhas de uma narrativa, sentimos tudo isso ao mesmo tempo.

“Com cervejas e fogos, ninguém sentiu o apocalipse chegando. Os americanos disseram que a melhor vista do fim do mundo foi a deles. Ingleses definiram o evento como “deslumbrante”. A Coreia do Norte declarou não ter nada a ver com o ocorrido. E os australianos disseram que não conseguiram ver nada de lá. Não há notícias, postagens nem notas do evento registradas pelos brasileiros”

Algumas críticas são sutis, outras nem tanto. E, assim, os textos ganham um equilíbrio muito interessante.

“Uma nova variante de Burrice foi detectada, e pode estar circulando no Brasil há mais tempo do que imaginamos”

O conto que mais me tocou foi, sem dúvidas, Utopia. Uma história que vai direto ao ponto, dando aquele necessário choque de realidade em nós.

“Esse alguém, que projetou e imaginou isso tudo, não foi considerado um gênio. Não foi premiado e ovacionado em lugar nenhum”

Clones de verão conta com uma diagramação simples e muito confortável para a leitura. Além disso, como dito anteriormente, os contos são curtos, o que nos permite uma leitura de vários de uma vez, em pouco tempo, ou então uma leitura homeopática: um pouco por vez, sem pressa.

“Porque é sempre assim. Você dá uma solução rápida para quem está incomodado. E ela fica bem até arranjar qualquer outra coisa para reclamar”

Se você se interessou pela obra, clique abaixo para saber mais. Se ainda está em dúvida, conheça o blog Coisas do Pedro, onde você pode encontrar alguns textos e conhecer mais da escrita do autor. Aproveite também e siga o Coisas do Pedro nas redes sociais: Instagram |  Youtube.