Poemas antológicos — Solano Trindade

Título: Poemas antológicos 
Autor: Solano Trindade 
Organização: Zenir Campos Reis 
Editora: Nova Alexandria 
Páginas: 168 
Ano: 2007

Sinopse

Antologia de poemas de Solano Trindade, uma das mais importantes vozes da poesia brasileira da segunda metade do século XX.

Resenha

Inicio esta resenha confessando que raras vezes busco me aprofundar na vida dos autores que leio. Geralmente, as biografias que os livros trazem satisfazem a minha curiosidade quanto à pessoa que escreveu e logo saio em busca da próxima leitura.

“Luta foi o que não faltou na vida de Solano Trindade, nascido pobre e negro no Recife, em 1918”

Por algum motivo, porém, desde que peguei Poemas antológicos para ler, sentia que queria saber mais e mais sobre Solano Trindade.

“Só é jovem quem ama

E o meu amor à vida

É cada vez maior”

(Vida)

Felizmente, o próprio livro é bem rico, trazendo em seu início os capítulos Algumas palavras antes do texto e Solano Trindade, passado e presente, que nos dão um bom panorama sobre a vida e a obra deste poeta.

“O título de ‘poeta negro’ ganha força, já que nos versos é verificada a principal fonte de inspiração: o desejo de igualdade”

E, claro, esta reunião de poesias despertou aquela pulga do: como nunca ouvi falar sobre Solano Trindade antes? Mas a resposta está ali mesmo: Solano ficou conhecido como o “poeta negro”. Isto, somado às suas poesias carregadas de denúncias e críticas, certamente contribuiu para que ele não entrasse no cânone literário (principalmente escolar).

“Liberdade é um tema recorrente na obra de Solano Trindade — principalmente nos poemas que abordam a escravidão e a vida do negro fora da África”

E apesar de igualdade e liberdade ecoarem em muitas das poesias aqui reunidas, o livro nos leva muito além, mostrando que o “poeta negro” sabia brincar com as palavras e usá-las para falar de tudo um pouco, de maneira inteligente e, muitas vezes, surpreendente.

“Outros temas, mais cotidianos, também estão presentes nesta antologia”

Assim, Poemas antológicos está dividido em quatro grandes temas:

  • Vida, nossa vida
  • Deuses e raízes
  • Amor à flor da pele
  • Resistência e luta

Por mais que as temáticas se conversem e se cruzem em alguns pontos, é muito fácil perceber o assunto de cada poema e qual grande tema estamos percorrendo naquele momento. 

“Todo amor é de agora…

Não existe amor futuro”

(Amor, amor, sempre amor)

A poesia de Solano me cativou não apenas por sua variedade de temas, mas também por sua forma e sua força. Senti que estava lendo poesia de verdade e fiquei ainda mais encantada ao saber que alguns dos poemas chegaram a ser musicados, inclusive por João Ricardo, dos Secos e Molhados, na canção que pode ser ouvida abaixo.

Também chamou a minha atenção a criatividade do autor, o uso de figuras de linguagem, a ironia bem empregada. 

Dentre os poemas que não posso deixar de destacar, menciono F. da P, Toque de reunir, Batucada, Civilização branca.

Se você quiser conhecer estes e outros versos de Solano Trindade, indico a obra Poemas antológicos, que você pode obter em formato físico ou digital clicando abaixo.

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Resilientes (Antologia)

Título: Resilientes: um manifesto contra a LGBTfobia 
Autor: vários autores
Organizadoras: Vanessa Nunes e Thati Machado
Editora: Se Liga Editorial 
Páginas: 219 
Ano: 2019

Sinopse

Dezessete de maio é o dia internacional do combate à homofobia e transfobia. E nós só conhecemos uma maneira de contribuir com a causa: através da escrita. “Resilientes” reúne contos sobre ser LGBT+, viver, resistir e amar livremente em um mundo ainda cheio de amarras.

Resenha

Resilientes é uma antologia que reúne 23 contos que têm como ponto de partida narrar histórias com protagonismo LGBTQIA+.

“O Brasil é um país violento, que fere, mata e destrói seus LGBTQ+ apenas por ódio às diferenças”

Prefácio

A pluralidade se faz presente não apenas no tema, mas também nos gêneros literários que engloba, contando com histórias mais fantasiosas e outras mais realistas; textos mais dramáticos, outros mais cônicos.

“Ela, no entanto, ao se tornar protagonista, descobriu que literatura não é sutil, não é delicada”

Pintura na parede (Luciana Gafasso)

Também é muito rica a variedade de autores: de nomes mais a menos conhecidos, cada conto nos traz uma história única, propiciando uma leitura ao mesmo tempo rápida e cativante.

“O tédio que a monotonia causa é sufocante. Precisa de algo novo”

A palavra de ordem: resistir (Tauã Lima Verdan Rangel)

Sendo os contos de extensão curta, também é possível aproveitar a obra de diferentes maneiras: lendo um conto após o outro, de uma vez; lendo aos poucos; lendo na ordem que quiser.

“Podemos nos apaixonar ainda mais ou podemos nos odiar no final das contas”

Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)

O mais interessante desta antologia, para além do que já foi mencionado, é também a variedade de temas que a ampla proposta permitiu ao escritores selecionados.

“Comigo acontece frequentemente de me meter em situações nas quais nem sequer tenho real interesse, e das quais depois não tenho ideia de como sair. Já supus ser culpa da minha dificuldade em dizer “não”, mas hoje acho que a razão é mesmo minha incorrigível curiosidade”

Encantamentos (Danielle Vicentino)

Ao longo das páginas refletimos sobre escolhas, relações humanas, empatia e, claro, sobretudo sobre amor e preconceito.

“Estamos em 2019 e as coisas não deveriam ser assim, mas infelizmente são. Você não pode se sabotar e negar a felicidade só porque vive num mundo cercado de pessoas preconceituosas e ignorantes”

Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)

Os contos (e autores) que compõem esta antologia são, em ordem:

  • A sétima onda (Juan Jullian)
  • Setembro (Maria Freitas)
  • Debaixo da chuva (T. S. Rodriguez)
  • Sob(re) o som das árvores (Laís Lacet)
  • Colorido (Luke Marcel)
  • O último dia (Beatriz Montenegro)
  • Matéria de capa (Dane Diaz)
  • Essência (Marta Vasconcelos)
  • Encantamentos (Danielle Vicentino)
  • Instituto Santa Bárbara (Thalyta Vasconcelos)
  • Glim (Vanessa Nunes)
  • Pintura na parede (Luciana Cafasso)
  • Destino irônico (Felipe Ricardo)
  • Notas de liberdade (Jean Carlos Machado)
  • Primeiras vezes (André Brusi Pino)
  • A penumbra do luto (Débora Costa)
  • Tarsila além do bem e do mal (Beto Oliveira)
  • Desconstruindo tabus (Maleno Maia)
  • Coração colorido (Margarete Prado)
  • Girassóis (Beatriz Avanci)
  • Doce vingança (Marcela Cardoso)
  • Certezas (Rafaela Haygett)
  • A palavra de ordem: resistir (Tauã Lima Verdan Rangel)

A diagramação é simples, mas bonita. A única coisa que eu mudaria é a sequência inicial dos capítulos. Na obra, temos título -> biografia do autor -> história. Em quase todos os contos eu lia o título, passava para a biografia do autor, iniciava a história e tinha de voltar para o título, que eu já tinha esquecido qual era.

“A vida nunca é como nos sonhos”

Encantamentos (Danielle Vicentino)

No geral, a leitura foi muito agradável e rápida, então já deixo aqui a dica para você que gosta de histórias com protagonismo LGBTQIA+. Basta clicar abaixo para saber mais sobre a obra e garantir seu exemplar.

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Quem rabiscou aqui — Cínthia Zagato

Título: Quem rabiscou aqui 
Autora: Cínthia Zagatto 
Editora: Se Liga Editorial 
Páginas: 97 
Ano: 2019

Sinopse

Se suas novas apostilas forem a amostra de como será o ensino médio, Cadu está perdido. Acaba de ganhar o pior material de segunda mão de toda a história. O pai jura juradinho que ter o gabarito dos exercícios vai ajudá-lo, mas é difícil acreditar nisso até se ver contra a parede durante uma aula. Como é possível estar com os livros da aluna mais inteligente e interessante da escola sem nunca a ter visto por lá? Sua melhor amiga diz que é porque o antigo dono deles não é uma garota, mas Cadu sabe que sim. E está apaixonado por ela. Agora, com a ajuda de Tata Batata e do Homem-Cabrito, ele está disposto a bolar os planos mais malucos para descobrir quem foi que roubou seu coração com trechos de música e caricaturas de artistas famosos.

Resenha

Quem rabiscou aqui é uma daquelas leituras leves e divertidas, ótimas para passar um pouco do tempo com algumas risadas e uma boa dose de drama adolescente.

“Estava com os papéis esparramados sobre o peito e o coração amarrotado no chão”

Tudo começa com Cadu revoltado porque seu pai comprou apostilas de segunda mão para o seu novo ano escolar. 

O protagonista inclusive demonstra certo asco com o estados de tal material: todo rabiscado e sujo nas pontas.

Sua melhor amiga — e quase irmã — Tabata — ou Tata Batata — não perde a oportunidade de rir do exagero do amigo.

“Como poderia escolher uma namorada se a garota mais bonita e inteligente do mundo era sua própria irmã?”

Mas logo nos primeiros dias de aula, Cadu muda totalmente de opinião com relação às apostilas: ele percebe que aqueles rabiscos têm muito a lhe dizer e ensinar.

“Havia algo especial naquelas músicas; um sentimento tranquilo que o levava para um estado de espírito muito leve”

Os desenhos, as caricaturas e as músicas ajudam nosso protagonista a entender um pouco da matéria que ele sempre teve muita dificuldade de acompanhar. E, com isso, ele acaba se apaixonando por quem fizera tudo aquilo um ano antes.

Assim, o foco da narrativa aqui apresentada é a busca de Cadu para descobrir quem é a pessoa por quem ele se apaixonou.

“Você pode não querer gostar dele e fingir que nada aconteceu. Talvez só se sinta miserável”

E, em meio a essa busca, conhecemos um pouco mais do protagonista e suas dificuldades com novos conhecimentos.

“Não soube se era erva-doce ou camomila, porque tudo sempre havia sido apenas chá para ele, mas era bom, ainda assim”

Também nos aprofundamos em sua relação com seus familiares, com sua melhor amiga e com seus colegas de escola. 

“Era como se todos soubessem que estava desajeitado dentro de si mesmo, e não do modo como estavam acostumados a ver”

E, principalmente, mergulhamos nas descobertas que ele só poderia fazer por si mesmo.

“— Você tava certo, eu não tava te procurando. Mas o que é que eu faço agora que te achei?”

A leitura de Quem rabiscou aqui é rápida e tranquila. Os personagens são cativantes e é difícil não mergulhar na narrativa.

“O troféu de seu campeonato particular daquele mês de fevereiro”

Também achei muito interessante como a autora apresentou a relação entre Cadu e Tabata: eles cresceram juntos, mas nem todo jovem é capaz de entender a relação entre uma garota e um garoto e, por isso, eles escondem a amizade diante dos colegas. Um tema poucas vezes abordado desta forma, mas tão real entre jovens.

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O mistério da casa incendiada — Rafael Weschenfelder

Título: O mistério da casa incendiada 
Autor: Rafael Weschenfelder 
Editora: Naci 
Páginas: 336 
Ano: 2023

Sinopse

Foi com um hobby incomum que Gael se tornou um youtuber famoso: visitar casas mal-assombradas. Mas os tempos de glória do Assombrasil parecem ter ficado para trás, e com a queda de visualizações do canal, os patrocinadores ameaçam abandonar o barco. Então quando Sabrina, sua sócia e camerawoman, descola uma semana de estadia na mansão onde os corpos do ex-candidato a prefeito Marcos Gonçalves, esposa e filha foram encontrados carbonizados sem explicação, Gael vislumbra a oportunidade perfeita de reerguer o canal. Mas o que era para ser só mais uma gravação ganha ares sombrios quando ursinhos de pelúcia pegam fogo sozinhos e Gael encontra, no antigo quarto da filha de Marcos, um colar idêntico ao que sua irmã começou a usar antes de morrer. Acreditando que a mesma entidade que a possuiu foi responsável pela chacina da família Gonçalves, Gael fará de tudo para juntar as peças desse intrincado quebra-cabeças envolvendo campanhas eleitorais, igrejas evangélicas e homofobia, e descobrirá que os fantasmas mais assustadores não estão fora, mas dentro de nós.

Resenha

Comecei a leitura de O mistério da casa incendiada com as expectativas lá em cima (um erro, sabemos) e (provavelmente por isso) senti o ritmo um pouco lento.

“Expectativas baixas, eis o segredo da vida”

Para quem leu a sinopse e acompanhou de perto tudo o que rolou antes e durante a pré-venda deste livro, parecia que não havia nada de novo naquelas primeiras páginas, apenas o detalhamento de algo tão aguardado e, por isso mesmo, quase conhecido.

“Mas as questões mais cabeludas demoram a dar as caras. Ficam emboladas no peito e não saem de jeito nenhum”

Aos poucos, porém, a narrativa foi me ganhando e cheguei às últimas páginas abdicando até mesmo de alguns minutos do meu sono (coisa que só faço quando realmente não tenho alternativa ou, neste caso, quando o livro é tão bom que eu PRECISO saber o final).

“Saber que o médium mais poderoso de São Paulo está preocupado com os fantasmas que te assombram definitivamente não é um bom sinal”

Gael, o protagonista e narrador desta história, consegue conduzir a narrativa de maneira que nos sentimos praticamente mergulhando em sua mente, nos tornando uma pessoa muito próxima a ele.

“Tudo o que eu quero é sumir”

Ao longo dos primeiros capítulos temos a oportunidade de nos ambientar à história: conhecemos Gael e Sabrina — sua melhor amiga e camerawoman —, passeamos um pouco por São Paulo e, claro, descobrimos o Assombrasil, o canal para o qual Gael e Sabrina filmam em casas mal assombradas.

“Ultimamente, o gráfico de visualizações do Assombrasil mais parece uma descida de montanha-russa. Mas nem sempre foi assim…”

Numa tentativa de salvar o canal, que fica claro o quão importante é para eles, Sabrina consegue algumas diárias na casa dos Gonçalves, abandonada há 10 anos, após a morte de seus donos: Marcos — candidato à prefeitura de São Paulo que estava subindo nas pesquisas —; Damares, sua esposa; e Jéssica, a filha perfeita. Mas será que perfeição realmente existe quando falamos de seres humanos?

“Não era para ter crianças enterradas em cemitérios”

Ao lado de Gael e Sabrina, a cada página,  vamos buscando entender o que levou àquelas mortes, enquanto visitamos cada cômodo dessa casa aterrorizante.

“A casa dos Gonçalves pode ser assustadora, mas ainda é fichinha perto da que estou prestes a visitar”

Aos poucos, também vamos conhecendo um pouco mais de Gael e logo estamos embarcando na busca dele para entender a relação entre Eloá, sua irmã mais velha que morrera no mesmo dia que Jéssica, os colares idênticos que ambas tinham e alguns mistérios que rondam a sua vida

“— Às vezes nós vemos o que queremos ver, filho”

Tentando fazer as pazes com sua infância, Gael narra um pouco de seu passado, sempre de forma muito intimamente relacionada à irmã.

“Sabe, maninho, o demônio assume várias formas, algumas tão inesperadas que nem dá para desconfiar. A gente pode acabar procurando por ele nos lugares errados, achando o que quer, e não o que é”

E é por meio de tanto mistérios, alguns belos sustos e um bom número de piadinhas infames que Rafael Weschenfelder nos conduz por este livro, que consegue unir ficção e realidade de maneira surpreendente e natural.

“Sem chance, penso, sabendo que pior do que 2018 só mesmo um apocalipse zumbi”

A história também nos faz refletir sobre algumas questões importantes, enquanto nos faz elaborar mil e uma teorias de como tudo isso irá terminar (e olha que somos capazes de imaginar de um tudo, viu).

“— Nem toda doença pode ser tratada por um médico, filho”

Quando menos esperamos, mais uma lição bate à nossa porta. Além de atualidades e reflexões, Rafael consegue inserir algumas críticas interessantes, como a exploração de riquezas em terras que não deveriam ser destruídas pelo capitalismo.

“A gente sabia que não tinha a menor chance contra os fazendeiros, então fechamos um acordo que permitia a exploração de metade da jazida. Funcionou durante algum tempo, mas eles queriam mais. Ele sempre querem mais”

O que nos deixa de queixo caído, no entanto, é o desfecho da história. Que, claro, você só vai descobrir após garantir o seu exemplar (físico ou digital). Mas já deixo um alerta: se comprar o livro físico e não quiser spoilers, não folheie as últimas páginas!

Por falar nisso, a diagramação dele é ótima: leitura confortável do livro físico e detalhes que não escapam aos olhos mesmo quando estamos imersos no texto.

E te garanto: a dedicatória faz cada vez mais sentido depois de concluída esta leitura.

“Para todos aqueles que acreditam em fantasmas, mas acham as pessoas mais assustadoras”

O mistério da casa incendiada vai agradar gregos e troianos (ou místicos e céticos) e vai te garantir bons momentos de leitura.

Para garantir seu exemplar, basta clicar abaixo. E não deixe de seguir o autor em suas redes sociais (Instagram | Twitter) e de fazer parte do seu grupo de leitores no Telegram.

Se quiser conhecer outras obras dele, se liga nestas resenhas:

As luzes em mim — Roberto Azevedo

Título: As luzes em mim 
Autor: Roberto Azevedo 
Editora: Rico 
Páginas: 206 
Ano: 2018 

Sinopse

Será o amor capaz de salvar alguém da mais solitária escuridão?

Marcos nunca esquecerá tudo que viveu na cidade onde nascera. Não tem como apagar a morte do pai, o fato de perder a visão e despedir-se de tudo que amava. Entre aquelas ruas viveu o melhor e o pior da sua vida.

Dez anos se passam, quando enfim Marcos retorna a sua cidade de infância, mas assim como ele, tudo mudou. Mas, para a sorte do rapaz, coisas boas também acontecem. Afinal, dizem que o amor é para todos e sempre encontra um jeito de unir as pessoas… Porque com ele seria diferente?

Tudo começa com apenas um nome, que pertence a dois garotos diferentes. Na verdade, completamente opostos. Mas ambos causarão inúmeras confusões na cabeça de Marcos.

A única coisa que o nosso jovem protagonista sabe é que um deles é o cara que ele esperava ansiosamente encontrar, a única lembrança boa do seu passado. Mas qual?!

Através dessa busca, Marcos descobrirá mais sobre si mesmo do que imagina. Mas será que ele está pronto para descobrir em si as luzes do verdadeiro amor? Prepare o coração e venha conferir.

Resenha

As luzes em mim começa com dois garotos brincando e tudo nas palavras iniciais do livro deixa bem claro o quanto eles se dão bem e gostam um do outro.

“Maurício não era apenas um amigo. Era quem sempre salvava o mundo em suas brincadeiras”

Sabemos, contudo, que a vida é uma caixinha de surpresas e logo um acidente muda tudo.

“Porque a vida tem o costume de pregar peças e despedaçar sonhos”

Marcos voltava de mais uma excelente tarde na casa de Maurício, quando o carro de seu pai, o Dr. João, foi atingido por outro veículo e, no acidente, Marcos perde a visão e, pior ainda, o pai.

“Ainda se lembra com tristeza daquele momento, o instante em que perdera a sua visão, e também o seu pai”

Não bastassem essas perdas tão doloridas, sem mais nem menos, a mãe dele resolve ainda, mudar de cidade. Eles praticamente fogem de lá, na verdade.

“Os dois meninos não queriam se separar nunca, mas já sabiam que os adultos e suas manias e problemas sempre os afastaria em algum momento, falando que era preciso”

A narrativa avança e nos deparamos com um Marcos já adolescente, cheio de sentimentos e dúvidas. Dez anos já haviam se passado.

“Sempre que Marcos sente-se ameaçado ou inseguro, torna-se verbalmente agressivo, fala por impulso, sem analisar a quem pode doer”

Ele nunca entendera a mudança que a mãe o forçara a fazer, bem como as diversas outras que se seguiram à primeira, impedindo, além de tudo que o jovem criasse raízes.

“Quando a vida seria maleável com esse garoto, que tantos problemas enfrenta?”

Com o agravante de Marcos ser cego e ter lidar, a cada nova escola, com os comentários maldosos ou com a pena de seus colegas (e ele não sabia o que era pior dentre esses dois comportamentos).

“A diferença incomoda muita gente”

As coisas ficam ainda mais complicadas quando a mãe, após tantos anos, decide voltar para a cidade natal de Marcos.

“Entretanto, como fazer uma nova ferida em alguém que já está machucado, e por sua própria causa?”

Ali, o protagonista espera reencontrar seu amigo de infância e também as respostas que tanto busca.

“Por mais que seja forte, Marcos nem imagina que aquilo preso em seu peito é muito maior do que um jovem normalmente aguenta”

O problema é que, logo de cara, Marcos se depara com dois Maurícios e, sem poder enxergar (e depois de tantos anos), tem de contar com outros meios para descobrir qual deles é o “seu” Maurício. Após dez anos, será que isso é realmente possível?

“Ali eu percebi que não precisava reencontrar ninguém, que poderia viver feliz e criar uma história diferente, só nossa”

Além disso, as respostas que tanto busca são muito mais complexas do que parecem, aumentando ainda mais a confusão do jovem, mas também propiciando a ele novos sentimentos.

“Finalmente sabe de toda a verdade… Mas por um preço que parece alto demais”

É difícil não se envolver nas dúvidas e nas buscas de Marcos, assim como é difícil não se envolver com as temáticas abordadas pelo livro.

“Que merda! Como é difícil ser adolescente”

Para além da adolescência e da cegueira de Marcos, o livro também fala sobre traição (nas suas mais diversas formas) e inúmeros tipos de preconceito.

“Seu coração, assim como ele, é cego… Não julga pela aparência. Somente sente, e isso é o mais importante”

Por meio da escola, o autor também consegue falar sobre bullying.

“Onde houver pessoas grosseiras e julgadoras em relação as diferenças de seus próximos, lá estará o preconceito”

E, sobretudo, esta é uma história sobre o poder do amor. Amor fraternal, amor familiar, amor romântico: seja como for, ele é capaz de nos transformar.

“A conexão que adquiriram causa inveja em todos aqueles que desejam encontrar uma pessoa para partilhar de tais sentimentos”

A cada página, o título escolhido para esta história faz mais sentido e é muito interessante ver como as luzes e as cores são importantes na construção do protagonista.

“O mundo de escuridão a que Marcos pertencia desaparece em uma explosão de cores e sentimentos”

Para além de tudo isso, ainda há espaço, ao longo da narrativa, para aprendermos e refletirmos sobre como é viver após perder a visão. Principalmente para Marcos, que desde pequeno adorava desenhar e pintar.

“Para ser guia de um deficiente visual, o mesmo precisa confiar em você. Tem de haver uma conexão. E isso claramente não existe entre eles”

As luzes em mim foi um livro que me surpreendeu bastante. Gostei de ter conhecido o Marcos, a sua história e de tê-lo acompanhado em suas descobertas (dolorosas ou deliciosas) e conquistas.

“— Meu mundo de escuridão tem ganhado algumas luzes, sabe? E você está se tornando fundamental para isso”

Se você também quiser mergulhar nesta narrativa, basta clicar ali embaixo. E se quiser saber um pouco mais sobre o autor, já segue ele em suas redes sociais (Instagram | Twitter).

O caminho que me leva até você — Tayana Alvez

Título: O caminho que me leva até você. 
Autora: Tayana Alvez 
Editora: publicação independente 
Páginas: 417 
Ano: 2023

Sinopse

Caroline estava certa de que tinha superado o ex — até ter que entrevistá-lo e lidar outra vez com seus flertes descarados.

Grumpy/Sunshine, amor do passado, friends to strangers to lovers e só tem uma cama!

Obcecada por Fórmula 1 e por trabalho, ser promovida à repórter de campo foi um marco na vida de Caroline Pimenta. Acompanhar a carreira dos principais pilotos deveria ser uma tarefa fácil, se não fosse por Daniel Harris e todas as memórias que compartilhavam.

Muitos anos atrás, Daniel prometeu à Caroline que estariam juntos quando ele ganhasse o seu primeiro Grande Prêmio de Fórmula 1. O destino parece disposto a cumprir sua promessa e juntá-los outra vez, e Daniel vê as coincidências como uma segunda chance para reconquistar a ex-namorada, ainda que ela esteja envolvida com um babaca manipulador e nem um pouco disposta a reviver aquele amor adolescente.

Quando os sentimentos mal resolvidos entram na pista, Caroline tenta focar no trabalho e deixar o passado para trás, mas o destino sempre encontra um caminho — e todas as suas rotas de fuga parecem lhe levar até Daniel Harris; o novato que ela jurou nunca mais amar.

Alerta de conteúdo: Racismo e gaslighting.

Resenha

Livros me encantam por sua capacidade de me apresentar universos com os quais não tenho muita intimidade, ampliando meus horizontes.

Outro dia mesmo, li um livro que falava sobre tênis (o esporte). Agora chegou a vez de me aprofundar um pouco na Fórmula 1.

Vale ressaltar que a autora acompanha o esporte, então a construção do cenário e o desenvolvimento dos personagens neste âmbito ficou excelente.

“No fim do dia, Fórmula 1 é ritmo”

O caminho que me leva até você nos conta a história de Daniel Harris — o Novato — e Caroline Pimenta — a Pimentinha. Ele é piloto de Fórmula 1, ela é jornalista e sonha em poder acompanhar as corridas de pertinho.

“No fundo, eu sempre soube que encontraria um caminho que me levaria até ela”

A história deles, porém, se cruza muito antes da vida adulta: Daniel e Carol se conheceram na escola e da implicância entre um e outro surgiu uma linda amizade, que virou um delicioso romance até que tudo acabou.

“Na primeira vez que falei com Carol Pimenta, eu tinha treze anos”

Quando esta narrativa começa, acompanhamos o reencontro dos protagonistas: Carol, como repórter, tem de entrevistar Daniel após sua primeira vitória na Fórmula 1. Um reencontro depois de cinco anos de uma história mal terminada.

“O tempo passa, mas ele não cura merda nenhuma. Algumas cicatrizes, por mais antigas que sejam, sempre vão doer quando pressionadas”

Este momento, claro, traz à tona muitas histórias e sentimentos que pareciam esquecidos ou superados.

“A pior parte de estar trabalhando nessas ocasiões é: estar trabalhando e precisar terminar seu expediente como se aquilo não tivesse abalado até seus ossos”

Com uma narrativa em primeira pessoa, alternada entre Carol e Daniel, página a página vamos entendendo o presente e o passado deles, enxergando o quanto a história de cada um ainda os afeta mesmo depois de cinco anos do término e desde muito antes, para ser mais exata.

“Deixo mais algumas lágrimas rolarem esperando que em algum momento o amor pare de brigar comigo e eu consiga ter uma relação que dure”

A história se desenrola em alguns meses — fazendo alguns necessários flashbacks — e se passa entre a Europa e o Brasil. Por meio das corridas, conhecemos não apenas alguns dos principais circuitos, mas também algumas belas cidades.

“Finalmente me sinto num lugar ‘diferente’, a Europa é incrível. Tecnologia de ponta em cenários que beiram o medieval, muitos castelos, ruínas, morros, parques… Apesar do clima frio, é possível lidar com a maioria dos lugares por causa do aquecedor e das três camadas de roupas que usamos”

E se só o fato de colocar protagonistas apaixonados por Fórmula 1 já não fosse o suficiente para deixar está história incrível, Tayana Alvez, como sempre, vai muito além.

“Parabéns por achar que um esporte que depende de uma equipe de 800 pessoas é um esporte individual”

A começar pelo fato de que os protagonistas são negros e, desfazendo qualquer estereótipo, provém de famílias ricas, capazes de fornecer total apoio (financeiro e material) às suas carreiras, mesmo sendo contra elas.

“Ser a decepção do papai vem com um peso, e não é todo dia que é fácil carregar”

O caminho que me leva até você também fala sobre solidão, mas não apenas a solidão da mulher negra — tema já muito bem abordado por Tayana em outras obras —, apesar dela também estar marcada ali, bem como o racismo, que a autora sempre faz questão de nos lembrar que existe e como existe.

“Eu tinha 6 anos quando percebi que estava sozinha no mundo, ter pessoas ou não ter pessoas é sempre uma questão de tempo e espaço, e agora, o Gabriel, que esteve ao meu lado no pior momento da minha vida e segurou minha mão por todos os outros, foi só mais uma pessoa que não ficou”

A solidão aqui é daquelas que talvez muitos de nós já sentimos, no passado e até no presente: a solidão de perceber que ninguém permanece, por mais que já tenha estado conosco em momentos difíceis.

“Era como se eu tivesse ficado oficialmente sozinha num mundo com sete bilhões de pessoas”

A narrativa também nos mostra que sonhos não se realizam da noite para o dia, mas que são fruto de abdicações e pequenas conquistas.

“— Às vezes, a gente precisa fazer pequenos esforços, porque as pessoas valem a pena”

Outro tema que se faz muito presente nesta obra são as relações familiares: tanto Carol quanto Daniel têm seus problemas com os pais, ainda que sintam um enorme carinho por seus progenitores.

“Sofia e Carlos só nunca souberam ser pais. Algumas pessoas simplesmente não nascem para isso”

É tocante, ainda, a forma como a autora trata a força, as dores e os sentimentos de Carol. Um livro que nos mostra que somos construídos de altos, baixos e imperfeições e que nem por isso somos menos dignos de amor e respeito.

“Carol quer chorar. Ela quer muito chorar. Mas não vai. Porque a Carol não é assim e isso também dói, esse jeito supermulher dela de ser”

O caminho que me leva até você é, portanto, uma história escrita para nos apaixonar, revoltar e, claro, chorar algumas boas lágrimas, sem querer que ela acabe!

“Como é possível amar tanto uma pessoa e preferir não estar perto dela?”

Se você quiser conhecer esta história, não deixe de clicar abaixo. Ou faça ainda melhor: corra para garantir a sua edição física e com brindes, que está em pré-venda na The Books Editora até o dia 30/08.

Para ficar por dentro das novidades e, claro, saber mais sobre o trabalho da Tayana, já segue a autora em suas redes sociais (Instagram | Twitter).

O bebê (quase) inesperado — Tayana Alvez

Título: O bebê (quase) inesperado — a garota do DJ 
Autora: Tayana Alvez 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 221 
Ano: 2022

Sinopse

Aos trinta e seis anos, Lorena Telles tinha tudo o que uma mulher poderia querer: um casamento dos sonhos, um negócio bem-sucedido e uma casa digna de revista de celebridades. A única coisa que falta para a sua felicidade completa é o que mais deseja: um filho. Depois de anos de tentativas frustradas de engravidar, a CEO da rede de PetShops mais popular do Rio de Janeiro decide jogar a sua vida inteira para o alto.

Aos 38 anos, solteira, tomada de um novo senso de aventura e com um aplicativo de relacionamentos instalado no celular, Lorena decide testar uma nova versão de si mesma e sair com o primeiro cara com quem der match. Ela só não estava preparada para que Ravi Borges fosse o homem mais gentil e engraçado com quem já se deparou. Muito menos que, aos vinte e seis anos, ele fosse capaz de deixar suas pernas bambas antes mesmo de terem se beijado.

DJ em ascensão nas noites cariocas, Ravi sempre adotou a fama de cafajeste desapegado com orgulho, e a última coisa que planejava era se apaixonar tão rápido por uma mulher que conheceu em um aplicativo — muito menos ver sua vida virar do avesso com a notícia de que será pai do dia para a noite.


Resenha

O bebê (quase) inesperado é um livro que toca em temas difíceis, dolorosos, cruéis. E, ao mesmo tempo, é uma obra linda, capaz de nos devolver uma leveza que nem mesmo havíamos percebido precisar.

“As palavras dele conseguem me cortar no meio e me refazer em questão de segundos”

Lorena Telles tem uma história e tanto e é difícil não se sensibilizar em algumas — muitas — medidas.

“Um banho não lava nossa alma nem leva os problemas embora”

Quando a conhecemos, porém, não sabemos da missa a metade. Apenas a encontramos saindo de um consultório, totalmente desolada e jogando para o alto todos os seus sonhos. Aqueles que, pouco a pouco, vamos descobrir quais são.

“A vida não se importa muito com o quanto alguém quer uma coisa. Às vezes, seus maiores desejos não vão se realizar”

Apesar de ser dona de uma popular rede de Pet Shop carioca, há algo faltando na vida de Lorena: um filho. Que poderia ser seu ou adotado, coisa, porém, que o marido é totalmente contra. A obsessão em se tornar mãe, portanto, acaba destruindo seu casamento e, mesmo assim, não diminuí, ao menos até o fatídico episódio que dá início a esta história.

“É curioso e amargo como, quando uma pessoa acaba com a sua vida uma vez, alguma coisa realmente a convence de que ela pode fazer isso quantas vezes achar necessário”

Cansada de tanto sofrimento, porém, a certinha e determinada Lorena joga tudo para o alto e resolve se arriscar pela primeira vez: solteira e afogada em mágoas, ela baixa um aplicativo de relacionamentos para sair com qualquer um que aparecer.

A sorte, porém, começa a sorrir para nossa protagonista e o primeiro match dela é com Ravi Borges, um DJ que diz não querer nada sério com as mulheres que conhece pelo aplicativo, afinal, sua vida é complicada demais.

“Chegar no topo é difícil, mas se manter é mais ainda”

Bom, esse é o discurso de Ravi até ele conhecer Lorena, claro. E mesmo diante do fiasco do primeiro encontro deles — que acaba com Lorena bêbada e chorando as pitangas nos ombros do boy — eles acabam dando uma chance um ao outro de se conhecer melhor.

“De alguma forma, meus segredos, incertezas e hesitações estão seguros aqui”

É assim que nós também vamos conhecendo pouco a pouco cada um deles, seus medos, suas histórias e seus famigerados sonhos — realizados ou não.

“Nunca pensei que existisse a possibilidade de sonhos se realizarem fora do tempo”

É difícil (para não dizer impossível) não se apaixonar por Ravi: apesar da pose de bad boy, ele é um cara extremamente doce, gentil, atencioso e engraçado. O Dj consegue deixar Lorena confortável com muita facilidade, sempre percebendo quais são os limites dela e propondo jogos para que eles consigam se conhecer melhor e se aproximar cada vez mais.

“Os jogos propostos por Ravi são sempre jogos que eu quero jogar”

Mesmo não querendo assumir, os protagonistas vão, pouco a pouco, se apaixonando um pelo outro, mas… Sim, claro que teria um “mas”.

“Deixá-lo aqui agora é como se eu estivesse deixando para trás o primeiro raio de sol que me tocou depois de uma longa tempestade”

Um pequeno acidente acaba destruindo a pequena calmaria que se instalara entre o quase casal, afastando-os por medos e inseguranças mil. Aquela velha história: ao invés de conversar, eles preferem fugir

“E isso é uma outra coisa com a qual eu preciso aprender a lidar: alguém que se importa”

Narrado por Lorena, O bebê (quase) inesperado se passa basicamente no Rio de Janeiro, apesar de ficar evidente a paixão da protagonista por São Paulo — mais um de seus sonhos abandonados pelo caminho (e por causa do ex-marido… Não dá para disfarçar o ranço, né?).

“São Paulo acorda cedo demais e dorme muito tarde”

De maneira muito bem orquestrada, essa história fala sobre relacionamentos abusivos, aborto e racismo, sem, contudo, se tornar um texto maçante ou depressivo demais. 

“Racistas podem ser racistas, vítimas de racismo não podem se defender”

Além disso, a narrativa traz um conceito muito interessante, que faz parte da caracterização da personagem: ela é sinesteta.

“Pelos céus, depois que você acostuma com a cor de um som, é fácil agir como se ela fizesse parte da sua vida, porque, de fato, faz”

O bebê (quase) inesperado é o primeiro livro de uma série de histórias independentes, composta também pelas seguintes narrativas:

Grávida do Sargento Brian Maccullum: Série Mães Por Acaso (livro 2) 

A Mãe da Herdeira do CEO Grego: Série Mães Por Acaso (livro 3)  

Grávida do Filho do Meu Chefe: Série Mães Por Acaso (livro 4) 

E se você quiser conhecer mais do trabalho da Tayana Alvez (coisa que eu sempre indico por aqui), não deixe de segui-la em suas redes sociais (Instagram | Twitter). E se quiser ler O bebê (quase) inesperado é só clicar abaixo.

Rabo de pipa — Maitê Rosa Alegretti

Título: Rabo de pipa 
Autora: Maitê Rosa Alegretti 
Editora: Laranja Original 
Páginas: 108 
Ano: 2022

Sinopse

Em seu segundo livro, Maitê Alegretti nos conduz por um percurso. Dificilmente os leitores não associariam esse movimento aos tempos recentes pelos quais passamos e às dificuldades que encontramos para retomar nossos caminhos cotidianos. De início, a obra em questão já nos introduz que, após essas vivências, nada mais seria como antes, pois “eu precisava aprender/ que a mesma rua/ já não guardava as pessoas de antes/ e a cidade se deslocava todos os dias/ centímetros abaixo de nós”.

Há, dessa forma, evidente melancolia nesse movimento de regresso ao mundo exterior, que exige, inclusive, uma preparação. Afinal, depois da clausura, “ter espaço/ de sobra/ dentro dos pulmões/ parece tarefa/ desmedida”. Apesar de o mundo continuar se movimentando abaixo de nossos pés, a percepção do tempo, a partir do contexto posto e imposto, altera-se. Assim, “o tempo parece não existir” e é necessário um esforço para a realização da possibilidade que se dispõe aos sujeitos: “apenas os movimentos/ circundantes”. A dimensão temporal, desprovida de parâmetros anteriores, impõe o ritmo do corpo, mais lento, aos poucos acontecimentos. Por isso, o dia, com todas as suas horas, precisa ser distendido para contemplar cada músculo de carne.

Todavia, ao direcionar o olhar ao que é possível ver, surgem as varandas. Na obra, os detalhes que se mostram por meio dessas aberturas são os recortes do mundo e o pedaço reduzido do outro a que os sujeitos podem ter acesso. Tal percepção culmina em versos que podem ser associados a outra questão: “na minha versão/ dentro de nós/ era tudo claro e/ luminoso”. Esse tipo de construção evidencia a dinâmica que se estabelece entre interior e exterior no que se refere a outros sujeitos.

Além disso, elaborar esse retorno, a nível da própria linguagem, também é um desafio. Desse modo, parte dos poemas e da prosa poética aventura-se por idiomas estrangeiros, como o italiano, língua estudada por Maitê Alegretti ao longo de sua formação acadêmica. Lado a lado, páginas em diferentes idiomas mostram distintos caminhos para a mesma questão, a busca pelo retorno perdido e a retomada do que não mais se verifica igual.

Entretanto, há um momento singular do livro que faz o sujeito e os leitores buscarem os céus, a despeito da clausura: o aparecimento das pipas e do vento, “como se/ antes não/tivesse sido/ detido”, que se espraia e leva esses recortes coloridos pelo dia de cor azul irretocável. A vida parece se anunciar novamente, apesar de um carnaval triste, o qual não apaga o passado, ao mesmo tempo em que a separação deve se converter no indivisível. Por fim,o último poema demonstra um novo parâmetro, o qual deve reger esse mundo por vir, por se criar e se recriar em nossas mãos, para que possamos, enfim, amarrar a vida às costas e desejá-la como nossa. A despeito da melancolia e das constatações de que nada permanece igual, há, ao  final, uma esperança em relação ao porvir.

Luana Claro

Resenha

Rabo de pipa é o mais novo livro de poesias da Maitê e é uma daquelas obras que a gente pode — e deve — apreciar com calma e reflexão, como uma pipa que encontra o equilíbrio e plana na imensidão do céu.

“Eu precisava aprender

que a mesma rua

já não guardava as pessoas de antes”

O livro está dividido em seis partes, com os seguintes títulos:

  • Inaudito
  • Varandas
  • Rabo de pipa
  • Nenúfares
  • Indivisível
  • O tempo que se leva 

Além disso, Rabo de pipa ainda conta com um prefácio (assinado por Mariana Marino) e um posfácio (assinado por Anna Clara de Vito). Ambos os texto enriquecem nossa leitura e trazem uma interessante análise dos poemas que encontramos ali.

“mas se você olhar lá fora

o pôr do sol parece

estranhamente

ainda mais

bonito”

Ao longo das páginas deste livro, nos deparamos com um mundo que é tão nosso, mas que, ao mesmo tempo, é tão novo. Um mundo a ser (re)descoberto, apreciado, vivido.

“mas para que tanto sofrimento

se o espírito

é pulsação e

vibra?”

Um mundo em consonância com o caos interior que tantas vezes carregamos, e com a vontade de viver aquilo que períodos difíceis não nos permitem viver, apreciando a imensidão, mas também a pequenez.

E no meio da observação do mundo, Maitê ainda insere sentimentos tão seus e conhecimentos que a vida pouco a pouco foi lhe propiciando, a ponto dela se arriscar a ir além de referências italianas em seus versos, escrevendo também uma breve prosa poética bilíngue.

Dentre os poemas lidos, o meu preferido foi O tempo que se leva, que me parece fechar com chave de ouro esta coletânea. Mas não pense você que é uma escolha fácil dentre os belos versos com os quais nos deparamos ao longo das páginas desta delicada e saborosa obra.

“Não é o tempo do trabalho

Não é o tempo da doença

Não é o tempo presente”

A diagramação e o uso de papel pólen para a impressão tornam a leitura do exemplar físico ainda mais confortável, propiciando ao leitor um tranquilo momento de lazer e esquecimento em meio aos versos da Maitê.

Você pode garantir o seu exemplar em diversas livrarias, como a Livraria da Travessa, Martins Fontes e Dois pontos. Ou então você pode comprar diretamente da Editora ou com a Autora (aproveita e já segue o perfil dela!). Clicando abaixo você compra pela Amazon (e colabora com o Blog das Tatianices).

O irlandês — Tayana Alvez

Título: O irlandês — Uma comédia romântica (Com amor, Dublin — Livro 1)
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 273
Ano: 2022

SINOPSE

UM PAI SOLO, UMA BABÁ ATREVIDA E DUAS CRIANÇAS QUE TRAMAM PARA QUE OS DOIS FIQUEM JUNTOS! O que esperar dessa receita?

Aos vinte e sete anos, Júlia decidiu sair do conforto da casa de sua família na Baixada Fluminense e tentar a vida fora do país.
Morando numa casa com outras 6 pessoas, batendo ponto em dois empregos e um curso de inglês, ela está à beira de um surto e a última coisa da qual precisava era mais um trabalho.
No entanto, depois de uma noite atípica em seu Karaokê favorito, Julia recebe uma proposta irrecusável e bem, que Deus a ajude.

Há um ano Robert tinha a família perfeita, o emprego perfeito e a casa perfeita.
Agora ele mora numa casa que não lhe pertence e, enquanto tenta fazer o melhor pelas filhas, está lutando para juntar os cacos e superar a dor que o abandono da ex-mulher provocou.

Um encontro inesperado e a tal proposta irrecusável leva-os a conviver juntos, numa aproximação forçada que surpreendentemente não incomoda nenhum deles.

Sem nem perceberem o que os atingiu, a amizade de Júlia resgata Robert de dores que ele nunca imaginou superar, e o amor de Robert leva Júlia a lugares que seu coração nunca pensou em chegar… Mas, no fim, será isso o bastante para corações machucados se permitirem recomeçar?

RESENHA

Já faz uns anos que não tenho sido muito adepta da releitura. Quando eu era pequena, lia duas ou três vezes o mesmo livro, principalmente aqueles que eu mais gostava ou os que tinha que ler para a escola. Com o tempo, porém, meu acesso aos livros foi crescendo e meu tempo diminuindo e, com isso, passei a priorizar leituras inéditas. Afinal, a vida é muito curta para lermos tudo o que queremos ler.

“Mas, acima de tudo isso, sou grata pela vida que me permiti viver e pelo dia em que decidi que minhas feridas não iam me parar”

Recentemente, contudo, concluí uma releitura e foi uma delícia também. Foi como reencontrar um velho amigo e saber que aquele abraço ainda tem gosto de lar. Claro que contribuiu muito para isso o fato da autora ser uma das minhas preferidas: Tayana Alvez.

“Aperto ainda mais o abraço porque desde que aprendi o que é admiração, sei que esse é o sentimento mais importante de um relacionamento, seja ele qual for”

Confira aqui outras resenhas da mesma autora.

Já comentei em outros posts que a Tay retirou alguns de seus livros da Amazon. Isso porque ela publicava livros com hot, que já não condizem com o que ela realmente quer publicar. Um destes livros, contudo, era justamente O irlandês, que a autora reeditou e relançou. E com uma bela surpresa: uma edição física do primeiro volume (aguardando ansiosamente um físico de Minha querida Julie também)!

“Subo as escadas feliz e contente, sabendo que eu não tenho a menor ideia do que estou fazendo com a minha vida, mas quero continuar assim”

A resenha de hoje, portanto, não é 100% nova, mas eu não poderia deixar de comentar novamente sobre O irlandês, de maneira mais fiel à atual edição.

Neste livro, Tayana Alvez nos presenteia com uma protagonista e tanto: brasileira, negra, nascida na baixada fluminense, Júlia decide tentar a sorte fora do país, em Dublin, como intercambista.

“A pior parte do racismo é que ele nunca cura”

A ambientação irlandesa, assim como os detalhes, incluindo os perrengues do intercâmbio (afinal, eles não poderiam faltar), são muito bem escritos, pois Tayana viveu tudo isso na pele. O que significa que em O irlandês nós somos transportados a essa viagem através do desconhecido e do desejado, sem contudo, ter de passar pelas dificuldades vividas por Júlia, ainda que a escrita da Tay seja tão forte que é difícil não mergulhar nos problemas e nos momentos felizes que encontramos ao longo das páginas.

“A vida na Irlanda nem sempre facilita encontros”

O fato da autora ser brasileira enriquece ainda mais essa história, pois ela pode nos apresentar com propriedade as diferenças culturais que há entre esses países, tornando nossa imersão ainda mais completa e real.

“Ouvir da boca de um irlandês que você é o seu amuleto mais precioso é quase tão bonito quanto ouvir um eu te amo”

Na esperança de que o intercâmbio seja apenas o início de uma vida distante do Brasil, Júlia trabalha muito. E, como trata-se de um intercâmbio estudantil, ela tem de estudar também. Mas sabe aquelas pessoas que não sabem dizer “não”, principalmente quando surge mais uma oportunidade de ganhar um dinheirinho que fará diferença no final do mês? Pois bem, essa é Júlia.

“Quanto mais dinheiro você tem, mais dinheiro quer ter”

É por não saber/não querer dizer “não” que Júlia, mesmo já trabalhando como garçonete e como cuidadora (em algumas noites), começa a cuidar de Annabelle e Alice. Ela tem de ficar apenas algumas poucas horas com as meninas, entre o fim do expediente da babá que realmente cuida das meninas e o retorno do pai, Robert, após o trabalho.

“Eu estou preparada para muita coisa. Mesmo. Até curso de primeiros socorros eu tenho, mas a dor do abandono de uma mãe? Isso eu não sei como lidar…”

E é assim que vamos, aos poucos, conhecendo essa protagonista tão cheia de si, mesmo que tenha seus medos, inseguranças e, claro, marcas do passado. Júlia sabe de onde vem, mas também sabe onde quer chegar e, ao mesmo tempo, sabe que terá de lutar em dobro simplesmente por ser uma mulher negra.

“Isso pesa. Essa sensação de nunca ser boa o bastante, de ser parada por causa da minha cor, de ser uma subcategoria de mulher porque nasci com mais melanina do que outras pessoas”

Por outro lado, também vamos cada vez mais conhecendo Robert e suas encantadoras meninas. E é muito instigante querer saber mais sobre o seu passado. Sobre as marcas que ele carrega. E que as meninas também carregam, ainda que sejam tão jovens.

“Dói demais ver uma criança sofrer tanto”

O fato de termos uma (quase) babá e uma pai solteiro com um passado e tanto, me lembrou um pouco Alameda do Carvalho, outra história que gostei muito. A experiência de leitura de cada uma dessas histórias, porém, é bem única, porque os rumos que o enredo toma e o que está por trás de cada trauma são bem diferentes.

“Meu coração quase rasga meu peito e eu sinceramente não sei o que estou sentindo, mas sei que é incrível”

O irlandês tem tudo para ser um clichê, mas também tem muito mais para transformá-lo numa história rica e capaz de nos transmitir mensagens importantes como a necessidade de um bom diálogo em qualquer tipo de relacionamento, bem como a solidão da mulher negra (e, por mais que isso possa soar um pouco solto dito assim, fica muito claro o significado disso quando você lê essa história).

“Então é assim que as pessoas se relacionam quando elas têm um bom diálogo e não escondem medos e inseguranças?”

Ah, e claro, tudo isso é feito através de uma narrativa envolvente, daquelas que te fazem rir no momento certo e ficar com o coração apertado na mesma medida. Uma história que flui facilmente e que, quando menos esperamos, já a devoramos.

“Choro uma dor que nem é minha, que eu nem deveria estar sentindo”

A edição física está muito linda, com uma diagramação incrível e pensada nos mínimos detalhes. Um livro que com certeza vou guardar com muito carinho.

Se você quiser saber mais sobre o trabalho da Tayana Alvez, não deixe de segui-la em suas redes sociais (Instagram | Twitter) e, claro, já garante ao menos o seu exemplar digital deste livro maravilhoso.


Laços de família — Clarice Lispector

Título: Laços de família 
Autora: Clarice Lispector 
Editora: Rocco 
Páginas: 135 
Ano: 1998

SINOPSE

O texto de Clarice Lispector costuma apresentar ilusória facilidade. Seu vocabulário é simples, as imagens voltam-se para animais e plantas, quando não para objetos domésticos e situações da vida diária, com frequência numa voltagem de intenso lirismo. Mas que não se engane o leitor. Em poucas linhas, será posto em contato com um mundo em que o insólito acontece e invade o cotidiano mais costumeiro, minando e corroendo a repetição monótona do universo de homens e mulheres de classe média ou mesmo o de seres marginais. Desse modo, o leitor defronta-se com a experiência de Laura com as rosas e o impacto de Ana ao ver o cego no Jardim Botânico. Pequenos detalhes do cotidiano deflagram o entrechoque de mundos e fronteiras que se tornam fluidos e erradios, como o que é dado ao leitor a compreender acerca da relação de Ana, seu fogão e seus filhos, ou das peregrinações de uma galinha no domingo de uma família com fome, ou do assalto noturno de misteriosos mascarados num jardim de São Cristóvão. E, como se pouco a pouco se desnudasse uma estratégia, o cotidiano dos personagens de Laços de família, cuja primeira edição data de 1960, vai-se desnudando como um ambiente falsamente estável, em que vidas aparentemente sólidas se desestabilizam de súbito, justo quando o dia a dia parecia estar sendo marcado pela ameaça de nada acontecer.

Nesta coletânea de contos, os personagens – sejam adultos ou adolescentes – debatem-se nas cadeias de violência latente que podem emanar do círculo doméstico. Homens ou mulheres, os laços que os unem são, em sua maioria, elos familiares ao mesmo tempo de afeto e de aprisionamento.

LUCIA HELENA, Pós-Doutorada em Literatura Comparada pela Brown University, EUA, e autora do livro Nem musa, nem medusa: Itinerários da escrita em Clarice Lispector

RESENHA

Laços de família é um daqueles livros que futuramente pedirão uma releitura, para melhor absorção dos detalhes e de sua profundidade. Por enquanto, ficamos com as impressões desta primeira leitura.

A obra é uma coletânea de contos que mergulha nas complexidades e sutilezas das relações familiares e interpessoais. Através de uma prosa poética e trazendo uma profundidade psicológica cativante, a autora nos presenteia com uma obra-prima que nos coloca diante de questionamentos existenciais profundos.

“Ela sentia vergonha de não confiar neles, que eram cansados”

Preciosidade

Publicado originalmente em 1960, o livro recebeu uma edição pela Editora Rocco (que foi a que eu li, mas diferente da que colocarei ao final desta resenha), que soube preservar a qualidade literária e estética característica da autora. A capa minimalista, com traços que evocam a introspecção e o enigma — retratando sobretudo o conto Feliz aniversário, um dos meus preferidos — convida o leitor a adentrar nesse universo peculiar criado por Lispector.

“Fora inútil recomendarem-lhes que nunca falassem no assunto: eles não falavam mas tinham arranjado uma linguagem de rosto onde medo e confiança se comunicavam, e pergunta e resposta se telegrafar mudas”

A imitação da rosa

A obra é composta por treze contos que abordam uma ampla gama de temas, todos eles intrinsecamente ligados, como dito, aos relacionamentos humanos. Em Devaneio e embriaguez duma rapariga, somos levados a refletir sobre a fragilidade do amor e as fantasias que nos envolvem. Já em Amor, acompanhamos a trajetória de Ana, uma mulher presa em um casamento infeliz, que anseia por uma conexão verdadeira e intensa. E em O búfalo, amor e ódio se misturam diante de uma dolorosa decepção amorosa

“Eu te amo, disse ela então com ódio para o homem cujo grande crime impunível era o de não querê-la. Eu te odeio, disse implorando amor ao búfalo”

O búfalo

O cenário dos contos é sempre muito realista e a maioria das histórias se passa em cidades, sobretudo no Rio de Janeiro. Também há diversos contos com um cenário mais intimista, como a sala de uma casa. É o que acontece, por exemplo, em Feliz aniversário. Neste conto somos apresentados à personagem Lorena, que, durante uma festa, se depara com a solidão e o vazio existencial que permeiam sua vida.

No conto que dá nome à obra, Os laços de família, nos vemos diante da complexidade das relações familiares e a dificuldade de comunicação entre os membros de uma mesma família, explorando os sentimentos de ressentimento, amor e compreensão que coexistem nesse contexto.

“Sempre doía um pouco ser capaz de rir”

Os laços de família

Outras narrativas igualmente marcantes, para mim, foram A imitação da rosa, que narra a história da submissa Laura; O jantar, que acompanha uma família em um jantar que revela as tensões subjacentes entre seus integrantes; e A menor mulher do mundo, que trata do choque entre duas realidades tão distintas e diante de verdades tão diferentes daquelas que esperamos.

Em ordem, os contos que compõem a obra são:

  • Devaneio e embriaguez duma rapariga
  • Amor
  • Uma galinha
  • A imitação da rosa
  • Feliz aniversário
  • A menor mulher do mundo
  • O jantar
  • Preciosidade
  • Os laços de família
  • Começos de uma fortuna
  • Mistério em São Cristóvão
  • O crime do professor de matemática
  • O búfalo

Clarice Lispector, com sua prosa única e sua habilidade em explorar os recantos mais profundos da alma humana, nos leva, por meio deste livro, a uma jornada íntima e introspectiva. Seus personagens são complexos e seus diálogos, repletos de silêncios e subtextos, são verdadeiras joias literárias. Os contos, aparentemente simples, revelam-se como verdadeiros microcosmos de reflexão e questionamento sobre a condição humana.

“Não ser devorado é o objetivo secreto de toda uma vida”

A menor mulher do mundo

Laços de Família é uma obra-prima da literatura brasileira, nos convidando a mergulhar nas profundezas da alma humana e a refletir sobre nossas próprias relações e anseios. Uma obra indispensável para os amantes da literatura, da nossa cultura e, sobretudo, da complexidade do ser.

Se você acredita que esta deve ser a sua próxima leitura, não deixe de clicar abaixo para garantir o seu exemplar físico ou digital.