Heroínas (Antologia)

Título: Heroínas 
Autoras: Laura Conrado; Pam Gonçalves; Ray Tavares 
Editora: Galera 
Páginas 254 
Ano: 2018

Sinopse

Três escritoras brasileiras ― Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares ― reinventam clássicos para inspirar cada vez mais heroínas. Não faltam heróis. Dos clássicos às histórias contemporâneas, os meninos e homens estão por todo lugar. Empunhando espadas, usando varinhas mágicas, atirando flechas ou duelando com sabres de luz. Mas os tempos mudam e já está mais do que na hora de as histórias mudarem também. Com discussões feministas cada vez mais empoderadas e potentes, meninas e mulheres exigem e precisam de algo que sempre foi entregue aos meninos de bandeja: se enxergar naquilo que consomem. Este é o livro de um tempo novo, um tempo que exige que as mulheres ocupem todos os espaços, incluindo a literatura. Laura Conrado imaginou as Três mosqueteiras como veterinárias de uma ONG, que de repente contam com a ajuda de uma estudante que não hesita em levantar seu escudo para defender os animais. A Távola Redonda de Pam Gonçalves é liderada por Marina, que diante do sumiço do dinheiro que os alunos de sua escola pública arrecadaram para a formatura, desembainha a espada e reúne um grupo de meninas para garantirem a festa que planejaram. E Roberta é a Robin Hood de Ray Tavares. Indignada com a situação da comunidade em que vive, a garota usa sua habilidade como hacker para corrigir algumas injustiças. Este é um livro no qual as meninas salvam o dia. No qual elas são o que são todos os dias na vida real: heroínas. Finalmente.

Resenha

Heroínas é um livro que reúne três contos, de três autoras diferentes, unidas por uma mesma proposta, que o próprio título deixa claro: trazer um protagonismo feminino e inspirador. E o melhor: em situações bem próximas à realidade. Uma proposta simples, mas necessária.

“Para uma menina como eu, conviver com a personificação do seu sonho é um presente”

Uma por todas, todas por uma

O primeiro conto foi escrito por Laura Conrado, autora também de O retorno de Saturno, que já tive a oportunidade de ler (e adorei).

A história tem o título de Uma por todas, todas por uma e é narrada por Daniela D’Artagnan, uma adolescente que está no último ano do ensino médio e que quer muito poder trabalhar na ONG Mosqueteiros.

Por isso, ao parecer uma oportunidade de se voluntariar, mesmo não cumprindo os requisitos, ela resolve tentar. E já na recepção recebe uma negativa um tanto quanto malcriada.

A sorte, porém, logo lhe sorri e Daniela começa a não apenas realizar seus sonhos, mas também a contribuir para que eles permaneçam vivos e funcionando como deveria ser.

“E eu estou convencida: o melhor lugar do mundo é o agora”

Uma por todas, todas por uma

Esta é uma história sobre amor aos animais, boas ações, conquistas, amizades e amores.

O segundo conto recebe o título de Formandos da Távola Redonda e foi escrito por Pam Gonçalves, da qual que ainda não li outras narrativas (mas pretendo em breve).

Nesta história, narrada em terceira pessoa, a protagonista é Marina, que logo de cara se vê em uma grande enrascada: salvar a formatura do terceirão a apenas oito semanas do grande evento.

O problema é que, devido a um assalto, todo o dinheiro juntado até então fora roubado e a diretora resolveu confiar a Marina, devido à sua popularidade, a missão de salvar o evento mais aguardado do ano.

Para tal empreitada, porém, Marina decide formar uma comissão de formatura, que acaba sendo totalmente composta por mulheres.

“Uma lei não dita tinha ficado bem claro para todas aquelas mulheres. Só poderiam confiar nelas mesmas”

Formandos da Távola Redonda

Com este grupo, iremos refletir sobre amizade, respeito e o poder da união e da boa vontade. Mas também iremos percorrer o caminho da dúvida, do medo e da injustiça.

“Ela não se reconhecia mais. Não sabia se o que queria era real. Mas precisava descobrir, ou não conseguiria continuar sem explodir”

Formandos da Távola Redonda

Por fim, o terceiro conto, escrito por Ray Tavares (de quem já li o divertido Os doze signos de Valentina), narra a história de Roberta Horácio, um bebê que fora abandonado na porta de Gilberto e Magdalena Horácio, mas que jamais sequer desconfiou de seu passado.

Os Horácio moravam na Selva de Pedra, uma comunidade periférica. Mas Roberta é extremamente inteligente e consegue boas oportunidades para subir na vida.

“Roberta era só cérebro e pouca atividade física”

Robin, a proscrita

O destino, porém, muitas vezes é cruel, e ela se vê órfã muito cedo.

Movida pelo desejo de vingança e utilizando seus conhecimentos, Roberta decide continuar morando — ou se escondendo — na Selva de Pedra, enquanto mexe com programas e algoritmos para roubar o dinheiro de pessoas influentes, ricas e corruptas e devolvê-lo à comunidade.

Uma história que vai muito além da sede de vingança, falando também sobre injustiças sociais, abandono, corrupção, violência e — por que não? — amor.

“Mas existia algo mágico em se sentir patética por estar amando”

Robin, a proscrita

É evidente a inspiração e a releitura feita em cada um dos contos que compõem Heroínas: o primeiro tem sua origem em Os três mosqueteiros, e isso fica claro com o título, que remete ao lema deles, mas também no sobrenome da protagonista e com o nome da ONG.

No segundo conto , a inspiração vem de Os cavaleiros da Távola Redonda, com bem aponta o próprio título da história.

Por fim, a inspiração do terceiro conto é a história de Robin Hood. Robin é o apelido de Roberta, que não apenas gosta de usar verde (como o personagem que inspira seu apelido), mas também age como ele, roubando dos ricos para dar aos pobres.

A leitura dos contos é bem tranquila e rápida. Ótima não apenas pelos temas que aborda, mas também pela leveza e naturalidade com que as histórias se desenrolam.

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Conectadas — Clara Alves

Título: Conectadas 
Autora: Clara Alves 
Editora: Seguinte 
Páginas: 320 
Ano: 2019

Sinopse

Ser uma garota gamer não é fácil. Principalmente quando um romance está em jogo.

Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais ― pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina.

Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir ― muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer.

Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?

Resenha

Falar de Conectadas certamente não é uma tarefa fácil, seja porque este é um livro que já foi lido por tantas pessoas, seja porque ele aborda temáticas diversas e importantes. Mas não custa nada tentar trazer um pouco da minha experiência aqui, não é mesmo?

“— Não importa se as pessoas vão se decepcionar. Se você não for verdadeira consigo mesma, a vida perde o sentido”

Raissa é uma adolescente que vive em Sorocaba, tem um melhor amigo que é quase como um irmão — o Léo — e vem de uma família bem estruturada, com pais presentes.

Porém nem tudo são flores: Raissa é lésbica. O que não seria um problema, claro, se vivêssemos numa sociedade minimamente decente. 

“Se eu não precisasse passar por nada disso, talvez a vida fosse mais fácil”

E, para piorar, Raissa é adolescente. Uma fase já tem cheia de inseguranças, mas que, devido à sua orientação sexual, fica ainda mais complicada, fazendo com que ela viva à sombra daquilo que poderia viver se pudesse tranquilamente se assumir.

“Será que se eu não morasse em Sorocaba, se meus pais tivessem crescido em um ambiente mais diverso como São Paulo, eu teria mais coragem de me assumir?”

Por outro lado, temos Ayla, também adolescente, mas com problemas que parecem um pouco mais complicados, porque não envolvem somente a sua sexualidade. A mãe de Ayla descobrira a traição do pai e, desse então, eles vivam numa guerra fria, na qual Ayla é a principal arma de batalha.

“Mentiras destruíam pessoas”

Ayla vive em Campinas e sabe — mesmo que não queira acreditar — que é bissexual.

“Ayla fazia isso constantemente. Ficava se esquivando de falar sobre seus sentimentos”

O que une essas duas garotas que, apesar de morarem em cidades próximas, estão tão distantes uma da outra? Feéricos, o jogo online do momento.

“Mas chega um momento da vida em que é preciso aceitar a derrota antes que a frustração te consuma”

Raissa sempre fora apaixonada por esse jogo, mas ela logo percebeu que não seria fácil ser mulher e gamer e, por isso, acabou criando um avatar masculino para si.

“Nesta época aprendi que esse universo podia te acolher como nenhum outro, mas também podia te massacrar num piscar de olhos”

Quando viu Ayla, novata no jogo, pedindo ajuda, não hesitou em ser gentil. Só que ela não imaginava que essa ajuda se tornaria uma forte amizade e, claro, uma paixão.

“Ayla era o destino da viagem pela qual eu mais ansiava. O que só tornava tudo o que eu estava fazendo ainda pior”

E ela não poderia imaginar ainda mais que elas logo teriam a oportunidade de se conhecer pessoalmente. O que, claro, era um grande problema, porque mesmo já tendo feito chamadas de vídeos, Raissa contava com a ajuda de Leo para manter seu disfarce.

“Sabe quando as coisas vão virando uma bola de neve e você não tem chance de voltar atrás?”

Em meio a todas essas confusões e sentimentos, como já se pode imaginar, Conectadas consegue trabalhar temáticas como diversidade (em seu sentido mais amplo), medo, machismo, inseguranças e sonhos.

“A Ayla era uma garota incrível e inteligente e parecia gastar energia demais tentando ser alguém que não era”

Um jogo online e duas garotas buscando seu lugar no mundo, usando a tecnologia para fugir de uma realidade que não as agrada, da mesma forma que muitos de nós, leitores, fazemos com os livros. 

“Ele foi meu motivo para seguir em frente desde que nos conhecemos”

Duas garotas que conseguem estar tão próximas, mesmo distantes, passando por muitas dúvidas, frustrações e angústias.

“Às vezes parecia que havia um oceano inteiro entre nós”

A narrativa é alternada entre as Raissa e Ayla, o que nos permite conhecer melhor cada uma e todo o contexto em que vivem.

“Ela era especial demais para ser esquecida”

Se você busca uma leitura capaz de aquecer seu coração, ao mesmo tempo em que aborda temas importantes para jovens numa linguagem acessível e interessante, acaba de encontrar uma bela recomendação: Conectadas fala sobre jogos online, livros, filmes e sexualidade com uma naturalidade deliciosa.

“Eu nunca admitiria, mas era do tipo que ainda acreditava em amor verdadeiro”

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Romance concreto — Aimee Oliveira

Título: Romance concreto 
Autora: Aimee Oliveira 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 341
Ano: 2019

Sinopse

O que um chiuaua não-adestrado, uma loja sendo demolida, o demolidor da loja em questão e Olivia Liveretti têm em comum?
Isso mesmo: nada.
Principalmente porque o tal demolidor se encontrava completamente coberto de cimento e grosserias. Sendo assim, quando esses quatro elementos se reúnem, numa tarde nublada de segunda-feira, algo estranho acontece. E continua acontecendo à medida que Olivia Liveretti passa a conhecer as razões pelas quais Jonas Caruso continua a demolir a sua querida loja de quinquilharias apesar de seus protestos.
A “Kinki quinquilharias e afins” nunca mais será a mesma.
E Olívia também não.

Resenha

Logo no começo de Romance concreto me veio à mente se eu deveria continuar a leitura, se ela de alguma forma me atrairia em algum ponto. Mas a cada vez que a dúvida batia eu pensava “vou ler mais um pouco e qualquer coisa eu largo”. De repente, porém, eu não queria mais largar. Pelo contrário: queria ler mais e mais e sentia falta dos personagens quando não estava lendo (e sim, quando terminei, ficou aquele vazio de saudade também).

“Sonhos mudam, criança”

As minhas dúvidas iniciais se deram porque achei que a protagonista seria insuportável. Mas como ela mesma aprende ao longo desta história, não podemos julgar as pessoas sem conhecê-las.

“Fiquei chocada com a superficialidade do meu próprio pensamento, mas tive que fazer isso sem olhar para a câmera ou demonstrar emoção”

Olivia Liveretti era influencer conhecida, mas seus dias de glória já não eram uma realidade.

“A conta bancária de Olivia Liveretti já tinha visto dias melhores”

Ainda assim, a conhecemos justamente quando a curva do sucesso está em declínio e ela se recusa a aceitar isso. Então, a primeira impressão que temos desta protagonista é a de uma menina mimada e prepotente.

“Imagina só, Olivia Liveretti exausta pelos cantos. Essa era uma informação que jamais poderia vazar. Por isso sempre que saía, mesmo que fosse para levar Django na rua, escondia minhas olheiras com um montão de maquiagem”

Django é o cachorrinho de Olivia, e por menor que ele seja, tem um papel essencial nesta história. É graças a ele que Olivia acaba esbarrando pela primeira vez com Jonas. E a partir daí o destino deles irá se cruzar de diversas maneiras.

“Quem diria que a demolição de um imóvel podia afetar tanto o emocional de uma pessoa?”

De maneira extremamente leve, Romance concreto nos leva a refletir sobre o universo digital e o quanto muitas pessoas acabam deixando de viver o que realmente importa: o mundo aqui fora.

“Era uma pena a vida não ser um texto que dava para cortar e editar”

Aos poucos, a narrativa também vai pincelando o poder das escolhas e a importância de seguirmos os nossos sonhos, mesmo que, em algum momento, eles mudem. E eles vão mudar, cedo ou tarde.

“Como se existisse esse negócio de se desculpar por sonhar as coisas que a gente sonha”

Outra reflexão importante desta história é o valor da amizade, ainda mais num meio tão superficial quanto os das relações virtuais.

“Nunca pensei que amizade com pessoas da minha idade poderia ser tão despreocupada como era a minha relação com Thaíssa”

E ainda tem espaço para que conflitos familiares se façam presentes, nos mostrando que qualquer família está sujeita a cobranças sem sentido que apenas estragam o relacionamento entre os familiares.

“Não importava o que eu fizesse, fosse bom ou ruim, eles sempre terminavam balançando a cabeça no ritmo da decepção”

Romance concreto se passa no Rio de Janeiro e, por mais que boa parte da história aconteça basicamente nos arredores da casa de Olivia, também temos a oportunidade de visitar, sob a perspectiva dela, a periferia.

“Morei minha vida inteira nessa cidade, mas nunca a tinha visto por esse ângulo”

Chega até a ser surpreendente que Olivia não se incomode de ir para a periferia da cidade, de trem. Algo que eu jamais esperaria da protagonista do começo do livro.

“Tudo era muito novo pra mim. Talvez fosse por isso que eu estivesse encontrando dificuldades em saber como lidar”

O espaço central de todo o conflito desta narrativa, contudo, é a loja Kinki, uma loja de quinquilharias que, segundo a narradora (e protagonista) foi o berço de seus sonhos trabalhistas.

“Sabia que deveria me sentir agradecida, mas na realidade eu ficava um pouco sentida por algo que um dia guiou minha vida inteira ficar cada vez mais no passado”

O livro começa justamente quando, levando Django para passear, Olivia descobre que a Kinki está sendo demolida e fica indignada com isso.

“A verdade doía às vezes”

Um ponto que me chamou a atenção ao longo da narrativa, para além dos temas que foram muito bem introduzidos, foram os diversos jogos de palavras feitos por Olivia.

“Eu era a rainha dos contornos, tanto nos olhos quanto na vida”

Uma história muito gostosa de ser lida para passar o tempo e que, apesar de parecer banal, pode trazer algumas interessantes reflexões (e lágrimas).

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Albert, o pequeno morador de Plutão — Olívia Couto Borges

Título: Albert, o pequeno morador de Plutão — Alberto il piccolo abitante di Plutone 
Autora: Olívia Couto Borges 
Editora Letraria 
Ano: 2022 
Versão em italiano: Tatiana Iegoroff 
Ilustrações: Lucymar Rodrigues

Sinopse

— Você sonha, papai? — perguntou Albert.— Há muitos sonhos nesse centenário coração, meu filho, e o maior deles é se comunicar com o Planeta Azulado. Contar aos seres humanos que há outros lugares povoados, há muitas moradas no Universo, e tudo está interligado.— Confia, pai. Feche os olhos, bem apertado, buscando se imaginar lá. Pronto! Logo chegará a hora da Terra nos alcançar. Sabe por quê? — continuou o menino, inclinando seu corpinho para o Alto. — Não há quem possa deter os planos da eternidade. E você, já parou para sonhar? Mesmo que acorde sem sonhos, ainda, pode inventá-los!

— Sogni, papà? — chiese Alberto.— Ci sono molti sogni in questo cuore centenario, figlio mio, e il più grande di essi è quello di comunicare con il Pianeta Azzurro. Raccontare agli esseri umani che ci sono altri luoghi popolati, esistono molte abitazioni nell’ Universo e tutto è collegato.— Fidati, papà. Chiudi gli occhi, molto strettamente, e cerca di immaginarti lì. Ecco fatto! Presto arriverà il momento in cui la Terra ci raggiungerà. Sai perché? — continuò il ragazzino, inclinando il suo corpo verso l’alto. — Non c’è nessuno che possa fermare i piani dell’eternità.E tu, ti sei mai fermato a sognare? Anche se ti svegli senza sogni, puoi sempre inventarli!

Resenha

A resenha de hoje não será muito longa, mas (ao menos para mim) será muito especial. Isto porque a obra em questão contou com uma colaboração minha e, por isso, tive a sorte de não apenas conhecê-la antes de todo mundo, mas também de acompanhar seu processo de criação.

Albert, o pequeno morador de Plutão é um livro infantil com uma proposta muito interessante: trata-se de um livro bilíngue, com todo o texto escrito em português e em italiano (acho que já deu para imaginar onde entro nessa história, né?).

Uma coisa que para mim é muito evidente, justamente porque ajudei a passar o texto para o italiano e foram muitas conversas para tentar colocar tudo isso em outro idioma também, é a sonoridade que esta história tem, contando inclusive com algumas belas rimas.

“Durante o trajeto especial, Albert ficou encantado! – Ah, como o universo é maravilhoso – pensava ele deslumbrado”

Outra coisa que encanta na obra são as ilustrações: elas permeiam todo o livro e são compostas por coloridas aquarelas.

Não podemos ser injustos, porém, e fazer parecer que este livro se resume à sua sonoridade e às suas ilustrações: a narrativa também traz muitas coisas boas para quem se aventurar por ela.

” O ser humano se acostumou com a batalha, mas não poderia”

Um texto que nos ensina sobre Plutão, rebaixado em 2006 a planeta anão, mas que não deixa de ter seu encanto, com uma mancha em formato de coração (juro que essa rima aqui não foi proposital, provavelmente foi inspiração da leitura!).

É justamente este um dos elementos apresentados nesta história, que nos mostra o pequeno Albert querendo ajudar seu pai, Galileu, a se comunicar com a Terra.

“Galileu precisava dialogar com esse planeta o mais rápido possível, porque quando se demora muito na escuridão, logo logo a luz se apaga, por toooooda imensidão”

Esse fato também permite que a autora nos faça refletir sobre a vida humana e sobre a violência e as mazelas que nos cercam. Ela também pontua a importância da comunicação e ainda consegue trazer alguns fatos científicos que podem despertar a curiosidade dos pequenos, ou ao menos ser uma porta de entrada para que os pais apresentem este mundo a eles.

“— Querido Albert, como você pôde ver, a fórmula da comunicação está gravada no coração, por isso nem todos conseguem ler”

Albert, o pequeno morador de Plutão é um livro para ser lido, principalmente em voz alta, tanto em português quanto em italiano, para que os leitores possam usufruir de toda a magia que esta narrativa pode nos oferecer. E, claro, é um livro para crianças e adultos, extremamente interessante para uma leitura conjunta e dialogada.

Se você se interessou por ele, pode adquirir um ebook no site da própria Editora. Para exemplares físicos, o ideal talvez seja entrar em contato com a autora. Também recomendo que você assista à live de lançamento do livro, que contou com participação da autora e da ilustradora. Uma ótima maneira de conhecer ainda mais esta linda obra.

Carrie Soto está de volta — Taylor Jenkins Reid

Título: Carrie Soto está de volta 
Original: Carrie Soto is back 
Autora: Taylor Jenkins Reid 
Editora: Paralela 
Páginas: 352 
Ano: 2022 
Tradutor: Alexandre Boide

Sinopse

A tenista Carrie Soto se aposentou no auge, com a tranquilidade de ter atingido um recorde imbatível: foram vinte títulos Grand Slam conquistados ao longo de sua carreira. Mas apenas cinco anos depois de seu retiro das quadras, ela assiste Nicki Chan igualar sua marca, trazendo a sensação de que seu legado está comprometido. Disposta a chegar aos seus limites, Carrie tem o apoio de seu pai, Javier, ex-tenista que a treina desde os dois anos de idade. Ele parece ter seus próprios motivos para incentivar a filha nesta última temporada que promete desafiar ambos num jogo que exige tanto física quanto mentalmente. Em uma inesquecível história sobre segundas chances e determinação, Taylor Jenkins Reid nos cativa com uma protagonista forte como sempre e um romance emocionante como poucos.

Resenha

Preciso começar esta resenha destacando que Carrie Soto está de volta não foi um livro que me prendeu de início, mas que depois me deixou totalmente rendida.

“Você não precisa provar nada para ninguém. Só precisa ser quem você é”

Acredito que parte da demora em me conectar com a história vem do fato que Carrie não é uma personagem cativante. Mas as poucos vamos entendendo que ela tem de ser exatamente assim para que a narrativa funcione e faça a sua mágica. Esta não é uma personagem que veio para se tornar adorada, mas para ser quem é.

“As pessoas agem como se fosse impossível esquecer seu próprio nome, mas, se você não tomar cuidado, pode se afastar tanto do que sabe a respeito de si que deixa de se reconhecer como a pessoa que um dia foi”

Logo de cara conhecemos Javier e Carrie Soto. Pai e filha, ases do tênis.

“Meu pai se mudou de Buenos Aires para os Estados Unidos aos vinte e sete anos. Tinha sido um excelente tenista na Argentina, ganhando treze títulos em onze anos de carreira. Era chamado de ‘Javier el Jaguar’. Era elegante, mas mortal”

Também ficamos sabendo, ainda no começo da história, que a mãe de Carrie morrera quando esta era bem pequena. 

“Minha maior lembrança mesmo é do vazio que ela deixou para trás. Na minha casa, havia sempre a sensação de que antes tinha mais alguém lá. Mas no fim ficamos só meu pai e eu mesmo”

Esse é um detalhe que, como percebemos mais adiante, contribui em grande medida para a personalidade de Carrie. Influencia em seu medo de amar, ao mesmo tempo em que deixa o caminho livre para que Javier dê tudo de si para transformar a filha numa grande campeã.

“Seus sonhos haviam sido realizados. Os meus, não”

Acontece que essa sede por vitórias se entranha de tal forma na protagonista que ela passa a viver somente para isso: ganhar. E acaba deixando de lado todo o resto da vida que poderia viver também.

“Não tinha nenhuma amiga, nem no circuito, nem na vida”

O retorno ao qual o título nos remete é de Carrie às quadras, após cinco anos de sua aposentadoria. E, claro, esse retorno se dá porque ela está prestes a perder o seu recorde.

“Tudo o que nós conseguimos é efêmero. Em um segundo está na nossa mão, em seguida não está mais”

Mas o esporte, assim como qualquer profissão que exige muito de nosso corpo, não é algo que se possa fazer indefinidamente, assim como não é algo que conseguiremos executar da mesma maneira eternamente. Carrie, contudo, é teimosa e não vai desistir de tentar. 

“É enlouquecedor me esforçar tanto quanto antes e não conseguir os mesmos resultados”

Nos primeiros capítulos deste livro, somos apresentados ao antes, aos anos de ouro de Carrie e sua trajetória até eles.

“Alguns homens têm permissão para estender indefinidamente sua infância, mas as mulheres sempre têm um trabalho a fazer”

Depois, passamos a acompanhar o retorno de Carrie às quadras: seus treinos, suas buscas pela forma e pela perfeição. Mas, principalmente, acompanhamos todo o aprendizado que essa experiência traz para a protagonista e toda a transformação interna pela qual ela, pouco a pouco, vai passando.

“Dar tudo de si e mesmo assim não conseguir. Nunca chegar lá e ainda ter que aparecer todo dia com um sorriso no rosto?”

Se engana quem pensa, porém, que este é um livro somente sobre breakpoints, games e sede de vitória. O que me conquistou ao longo desta narrativa foi perceber que há muito mais nas entrelinhas

“Mas é claro que não existe certo ou errado. Tudo depende do ponto de vista”

Conforme Carrie avança em seu retorno às quadras, ela tem de lidar com frustrações, cobranças — principalmente internas — e sentimentos que, por anos, ela não se permitiu sentir.

“É preciso saber aproveitar o embalo quando está dando tudo certo e ter força para nadar contra a corrente quando a maré vira”

A construção da narrativa também permite que se façam críticas — muito bem inseridas na história —, à nossa sociedade, principalmente com relação ao machismo

“Uma das grandes injustiças do mundo corrompido em que vivemos é que se considera que as mulheres vão decaindo com a idade, e que os homens, por algum motivo, vão se tornando mais profundos”

Mas o que mais chamou minha atenção foi o fato desta não ser nem de perto uma história de amor (romântico) e, ainda assim, conseguir dar umas boas pauladas sobre o tema.

“Quanto maior é a felicidade no início, pior é a tristeza no fim”

Além de Javier e Carrie Soto, outro personagem importante nesta narrativa é Bowe Huntley, que, ao contrário da protagonista, consegue ser cativante, mesmo que, num primeiro momento, não seja apresentado como o melhor dos homens.

“Sei que você só estava tentando… cuidar de mim. E eu não sou uma pessoa fácil de ser cuidada”

Claro que isso acontece principalmente porque a história é narrada em primeira pessoa, o que torna ainda mais enviesada a nossa visão.

“Quando acelero a cena na minha mente, mal consigo suportar o que vejo. Ele vai dizer alguma coisa encantadora em algum momento, e eu vou começar a acreditar que é verdade, apesar de todas as evidências em contrário. E vou começar a gostar dele, ou vou me apaixonar por ele, ou vou sentir uma coisa que vou achar que nunca aconteceu antes comigo. E então um dia, quando eu estiver mais envolvida, ele vai deixar de gostar de mim ou de me amar, por um motivo ou por outro. E eu vou acabar com um vazio no peito”

Sendo este o segundo livro que leio de Taylor Jenkins Reid, não posso deixar de comentar outro elemento que chama atenção em suas obras (ao menos nas que li até agora): o uso que a autora faz de diferentes gêneros textuais para compor sua história e auxiliar na construção dos personagens e dos cenários.

Em Carrie Soto está de volta, por exemplo, nos deparamos com algumas transcrições de programas esportivos e reportagens que falam, principalmente, sobre a protagonista. E essas transcrições nos ajudam a ampliar a compreensão dos elementos que compõem esta narrativa.

“E isso me deixa em um silêncio atordoado por um instante, a distância entre quem eu sou e como as pessoas me veem”

Muitas outras reflexões seriam possíveis de se fazer sobre este livro (inclusive pretendo ainda fazer outras, mas talvez não aqui) que, despretensiosamente, abarca tantos pensamentos. Porém vou deixar que você descubra por si o que mais esta história pode te reservar. Para isso, clique abaixo e garanta o seu exemplar.

Curando meu coração — Elisio Carvalho

Título: Curando meu coração: recomeços… 
Autor: Elisio Carvalho 
Editora: Ler&Gostar 
Páginas: 133 
Ano: 2023

Sinopse

Poemas do coração, contos, poesias para ler e refletir. Livro leve cheio de reflexões e pensamentos do cotidiano. Você vai se apaixonar!

Resenha

Curando meu coração é um livro que contém prosa e, principalmente, poesia, oferecendo ao leitor não apenas versos dispostos de maneira aleatória, mas também uma história que guia a nossa leitura.

Está história, aliás, é a vida do autor, que resolveu transformar em versos os seus sentimentos e suas vivências.

“Leiamos os poemas, eles sempre podem nos responder. Ou não…”

Fica claro — porque o autor nos conta isso — que os poemas não foram escritos pensando no livro, mas a forma que o autor escolheu para reuni-los e a sequência em que estão dispostos, torna muito natural e fluída a leitura.

Como o título também evidencia, Elisio Carvalho escreve principalmente sobre seu coração e a busca pela felicidade em meio à dor. Isso porque aos 55 anos, Elísio Carvalho viu-se viúvo. Pouco tempo depois, viu-se isolado devido à pandemia. 

Mas a arte é capaz de fazer mágicas e, por meio dela, o autor foi conseguindo se sentir menos sozinho. E até mesmo abriu espaço para novos amores e alegrias em seu coração. Coisas nem sempre fáceis de se aprender, não é mesmo?

“Entendi que poderia voltar a viver plenamente após conhecê-la”

É muito interessante acompanhar a narrativa dessa obra e enxergar os sentimentos que vão surgindo e ganhando novas formas.

“Cada um de nós tem uma verdade particular”

A edição é simples, com impressão em folhas brancas, e cada capítulo possui uma ilustração colorida muito bonita, que enriquece o trabalho feito no livro.

No total, são 10 capítulos, que enumero abaixo, cada um contendo as poesias que a ele se relacionam.

  • Minha amada
  • Família
  • Masterchef
  • Cíntia
  • Lonjura
  • Mulher Plena
  • Bela Itália
  • O voo do pássaro
  • Amor adolescente
  • A vida é poesia

Curando meu coração é um daqueles livros que podemos saborear aos poucos e que nos inspiram a enxergar a vida com olhos tranquilos, amorosos e positivos. Uma leitura doce e profunda.

Se quiser conhecer de perto esta obra, não deixe de seguir o autor em suas redes sociais (Instagram | Facebook). Ou então clique aqui e garanta o seu exemplar.

Os olhos claros do pássaro — Valéria Macedo

Título: Os olhos claros do pássaro 
Autora: Valéria Macedo 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 132
Ano: 2023 

Sinopse

Adultos são crianças crescidas, que carregam dentro de si as lembranças de suas infâncias.

Neste livro, a autora, aos quarenta e cinco anos, narra como a vida a levou a destinos jamais imaginados. Como o viver em São Paulo, Miami, Paris, Londres e Washington tornou possível revisitar sua infância.

Como cada nova morada continha as respostas às suas dores de menina e ao turbulento amor por seu pai.

Ela convida, com delicadeza, o leitor a também fazer a migração mais significativa de todas, em direção a um horizonte particular e profundo que existe em cada um de nós.

Resenha

Algumas leituras que fazemos são tão boas que nos inspiram até mesmo a querer escrever mais e melhor, colocando em palavras aquilo que sentimos e vivemos.

“Compreendi que a história que vivi não era uma história excepcional, mas comum. Preencheu-me de qualidades e defeitos. Era só minha, mas todos carregavam suas próprias histórias”

Em Os olhos claros do pássaro, Valéria Macedo nos conta sobre a sua vida de uma maneira que é impossível não se encantar e se apaixonar.

“Só se aprende sobre a vida vivendo”

A narrativa começa com a autora relembrando a juventude, principalmente sua relação com o pai e com os acontecimentos que marcaram a vida daquela família.

“Nunca dividi com ninguém a realidade de dentro de minha casa. Sofria antecipadamente com a possibilidade de alguém julgar as pessoas que mais amava”

Por meio de suas palavras, podemos perceber o amor que ela sente por aqueles que a criaram. Mas que nem mesmo este amor foi suficiente para evitar, num primeiro momento, sofrimento e incompreensão.

“Penso que muito do sofrimento que sentimos na perda de alguém que amamos está em nos perdemos também”

Valéria perdeu o pai quando ela tinha apenas 22 anos. E esse acontecimento marca somente o início desta obra. Depois disso, muita água rolou, fazendo a autora enxergar com novos olhos a vida.

“O universo pode nos surpreender com aquilo que não somos nem capazes de imaginar. E se o novo não atender minhas expectativas, ele sempre me recompensará através das lições”

Se engana quem acha que esta é apenas mais uma autobiografia. Como eu disse, Valéria consegue nos contar sua vida de maneira que tudo parece extraordinário — ainda que seja simples e a própria autora carregue muita simplicidade e humildade — e poético, sem ser enfadonho.

“Nós estamos, nós não somos”

Através dos olhos e das vivências de Valéria, viajamos por Miami, Paris, Londres e Washington, acompanhando sua vida de imigrante e de  expatriada.

“Carregamos nossas raízes conosco, mas podemos ser muito mais. O que somos é maior do que o lugar onde nascemos e o lugar onde estamos”

Também acompanhamos o crescimento, o amadurecimento e as transformações vividas pela autora.

“O falar sobre o que vivemos é etapa do processo de cura. O escutar sobre o que o outro viveu é exercício de empatia e é viver as infinitas possibilidades apresentadas pelo Universo, porém através do outro”

Além disso, vemos Valéria se tornar mãe e acompanhamos com muito prazer o crescimento dessa nova família, formada por ela, seu marido e seus filhos.

“Tom me fez mãe”

A escrita deste livro é um espetáculo à parte: os mais diversos temas são tratados com delicadeza e poesia, com uma escolha de palavras que tornam ainda mais tocantes os acontecimentos.

“Meu pai era conjunto de memórias. E não seríamos todos?”

Ao longo destas páginas, acompanhamos alguns poucos, mas intensos, anos da vida da autora, recebendo um panorama muito interessante desta vivência tão especial.

“Que presente são os encontros que nos inspiram”

Essa é uma daquelas obras que, em verdade, dá vontade de destacar todas as suas linhas, por ter uma sucessão de passagens que inspiram, nos fazem refletir,  nos tocam.

“Adultos são crianças crescidas, que carregam dentro de si as lembranças de suas infâncias”

Nada mais justo, portanto, que conferir com seus próprios olhos o que Os olhos claros do pássaro te reserva. Para isso, basta clicar abaixo ou seguir a autora em suas redes sociais (Facebook | Instagram) para verificar todos os canais onde é possível adquiri-lo (são vários, não tem desculpara para não ter um exemplar físico ou digital).

Dolls — A. S. Victorian

Título: Dolls. 
Autora: A. S. Victorian 
Editora: Publicação independente. 
Páginas: 275 
Ano: 2018

Sinopse

A família Hyeon era perfeita, todos diziam. Até um desastre acontecer e transformar profundamente Jack Hyeon. Ela decide então que a vida é curta demais para viver de aparências e que precisa começar a fazer suas próprias escolhas. Como primeira decisão, aproxima-se de uma colega de escola, Ede, que é o contrário dos padrões que os senhores Hyeon impuseram para a filha.

Já Edeline carrega sua própria lista de infortúnios e descobre na amizade uma forma de superar o passado. Mas a vida dá uma reviravolta quando percebe que seus sentimentos estão tomando um outro rumo.

Resenha

Dolls foi um livro que comecei com as expectativas lá embaixo, mas que logo me conquistou de tal maneira que dei atenção somente a ele.

“Como ser fiel a uma coisa que nunca daria certo?”

Vale ressaltar que a leitura é pesada, por mais que o leitor esteja a todo momento sendo preparado para o pior. Antes de continuar, gostaria de lembrar que há cenas de violência doméstica, estupro e tentativa de suicídio.

“Eu sempre tive medo do escuro, mas, depois de um tempo, o medo está tanto ao nosso lado que já se torna nosso amigo”

A narrativa começa nos apresentando duas garotinhas tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão parecidas: Edeline Stein (Ede) e Jaqueline Hyeon (Jack).

“Eu e a Jack sabemos como é ter momentos difíceis. Não é muito bom ficar guardando isso dentro de você, dói muito e só vai piorar. Precisa de alguém com quem conversar”

Esse início, aliás, me lembrou bastante O lado extraordinário da falta, mas no caso de Dolls, como eu ressaltei, a história vai ganhando contornos muito mais pesados.

Porém, como no livro mencionado, temos Edeline, filha única, em uma família humilde e cheia dos seus problemas.

“A família se mudara há pouco tempo. Não queria ter escolhido exatamente aquela parte do subúrbio, muito menos aquela casa que não era nem um pouco o que desejavam chamar de lar, mas as circunstâncias, a falta de capital para algo melhor e a pressa, os fizeram ficar com o que conseguiram: a casa longe do centro, meio acabada, meio inteira”

Não que a família de Jack seja perfeita como quer fazer parecer, muito pelo contrário, aliás. Mas eles são uma grande e extremamente influente família. Ao menos dinheiro eles possuem de sobra.

“Não era uma família muito unida aquela”

Dolls começa quando as meninas têm apenas sete anos de idade e se conhecem na escola em que estudam. 

“Por mais que odiasse a escola, preferia ficar lá do que voltar para o vazio de casa”

Um incidente, porém, logo as separa e, após um salto temporal elas finalmente se reencontram.

“As coisas mudaram depois do acidente com Edeline e nos dez anos que se seguiram. Os pais de Jack decidiram mudá-la de turno, e, por alguns anos, ela foi esquecida pelos antigos colegas”

Voltando às diferenças entre as duas meninas, está o fato de que Jack é extremamente fria e, aparentemente, desinteressada de tudo, enquanto Ede tem um brilho no olhar que fascina o coração gelado de Jack. 

“Pare de agir como se ninguém se importasse e você tivesse que carregar todo peso sozinha”

Mas, como eu disse, elas também possuem semelhanças e não falo somente da idade: ambas passam por situações bem difíceis (lembra que deixei um alerta no início desta resenha?) e sentem-se extremamente sozinhas.

“As coisas não simplesmente somem, sabe? Nós vamos guardando elas dentro de nós… Até que explodem”

Tão opostas por um lado e tão semelhantes por outro, Ede e Jack sempre tiveram o necessário para se darem bem.

“— Esse é o problema das pessoas — Mordeu o sanduíche. — Elas costumam se prender aos momentos ruins e esquecem os felizes”

A história não se resume a acontecimentos pesados e tristes. Há muitas passagens capazes de nos oferecer um quentinho no coração e um abraço gostoso.

“Gostar de alguém era algo novo para ela”

E na mesma medida em que há personagens que não parecem ter coração, há muitos outros que renovam nossa fé na humanidade.

“Nós não precisamos magoar as pessoas para sermos felizes”

O que me encantou nessa história foi o fato de que ela é muito real, palpável. As personagens agem de acordo com suas histórias, seus sofrimentos e suas pequenas conquistas. E por mais que nem todo mundo encontre alguém que renove as esperanças, alguns dos pontos felizes dessa história são uma pequena fuga necessária para a realidade apresentada.

“Você não precisa tentar ser forte sempre. Todo mundo precisa ser ajudado às vezes”

Além disso, tem ainda um detalhe que me encantou muito nesta narrativa, mas que não quero revelar aqui, porque foi gostoso imaginar se isso aconteceria e a revelação foi muito boa de acompanhar. 

“Gostar de alguém é errado?”

Se você se interessou por essa história, adquira seu ebook clicando abaixo. E aproveite para seguir a autora em suas redes sociais (Instagram | Twitter | Site | Instagram literário).

De repente esclerosei — Marina Mafra

Título: De repente esclerosei: um faz de conta de verdade 
Autora: Marina Mafra 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 316 
Ano: 2018 (1º edição) 

Sinopse

Mitali Montez possui um arquivo pessoal de mágoas. Protege e ama incondicionalmente Aurora, sua melhor amiga e única família. É surpreendida pelo destino ao conhecer Dimitri Mifti, um moço com habilidades para derreter o seu coração gelado. O retorno misterioso do pai muda a perspectiva do seu passado, mas é através da adaptação com o diagnóstico de Esclerose Múltipla que ela percebe a necessidade do perdão para encontrar a paz que não sabia que precisava.

Resenha

De repente esclerosei é um livro que nos lembra que todos nós estamos sujeitos a condições imprevisíveis e que nada têm a ver com quem somos ou com o que fazemos, mas que isso não significa que somos os únicos no mundo passando por determinado problema.

“Como viver sem saber quando será a última vez que fecharemos os nossos olhos?”

Como gosto de histórias que podem nos ensinar algo sobre coisas reais e as quais eu não tenho muito conhecimento, o título deste livro logo chamou a minha atenção e sua sinopse terminou por me fisgar de vez.

Devo ressaltar, porém, que mais do que me ensinar algo, esta narrativa despertou ainda mais a minha curiosidade para o tema da esclerose múltipla.

“Eu conseguiria fazer qualquer coisa, só que não com a mesma facilidade de uma pessoa normal”

Mitali (Mit) e Aurora (Rora) são melhores amigas desde a infância e dividem a vida que estão construindo na cidade grande, depois de saírem de Boieira, a cidade natal delas.

“Acho que posso dizer que, finalmente, eu e a Rora conquistamos o nosso lugar no mundo. E só quem perdeu ou nunca teve, sabe o que isso representa”

Apesar de bem diferentes uma da outra, as duas se dão bem e, principalmente, zelam muito pela vida da amiga.

“Aurora é minha única amiga na vida e desde o berço”

Não é de se espantar, portanto, que Aurora fique muito preocupada com algumas queixas de Mitali: formigamento nas pernas, dificuldade em andar, perda de equilíbrio.

“Entre ouvir ou dizer ‘vai ficar tudo bem’ até, realmente ficar, há uma imensidão de fatos que não podem ser ignorados”

Mitali, contudo, vai deixando para lá tudo isso, até o momento em que não é mais possível ignorar seus sintomas e ela precisa buscar ajuda urgente.

“Vivo um pesadelo em tempo real, sem o alívio de poder acordar”

Entre os primeiros acontecimentos preocupantes de Mitali e o seu diagnóstico, porém, muitas outras coisas ocorrem e, pouco a pouco, vamos descobrindo mais sobre ela e sobre sua história.

“Acredito que os lugares guardam memórias e que se pudessem falar, contariam os nossos segredos mais profundos”

Mitali trabalha como gerente em uma livraria e o seu chefe, o senhor Braga é quase como um pai para ela.

“Ele vivia querendo me arrumar um namorado, desde que não aceitei nenhum dos seus filhos”

Não que Mitali não tenha um pai de verdade: Aurora perdera os pais em um acidente de carro e a mãe de Mitali também falecera anos antes, mas Maurice ainda é vivo, só nunca fora um pai muito presente.

“Te amei desde o primeiro momento, mas da minha maneira. Hoje eu me arrependo, pois perdi muita coisa e o tempo não volta”

A aproximação desse pai que até então fora muito ausente, no meio do turbilhão de coisas que acontecem com Mitali, é mais um ponto de reviravolta na história, fazendo nossa protagonista parar e refletir sobre seus sentimentos e sobre a sua própria vida.

“— Essa situação só me fez refletir. A vida acaba em um piscar de olhos”

O senhor Braga, por sua vez, é o responsável por apresentar Dimitri a Mitali e, novamente, a vida da protagonista sofre uma grande transformação.

“Não acreditava que havia uma vida antes do que vivíamos”

Não sei se eu que sigo desacreditada demais do amor, mas achei que o romance entre Mitali — uma pessoa até então bem fechada para os sentimentos, principalmente amorosos — e Dimitri foi de zero a cem muito rápido. 

“Ele era mais que o grande amor da minha vida, era o meu melhor amigo, a melhor pessoa do mundo para mim”

De qualquer forma, Dimitri é uma figura essencial para que Mitali consiga lidar com tudo o que está passando e é angustiante vê-la tentando afastá-lo.

“Ele era a única parte normal da minha vida, a única que me permitia sentir segurança”

Para além da esclerose múltipla, esta é uma obra que fala sobre o amor ou sobre os laços que construímos com as pessoas de nosso sangue ou não.

“Talvez fosse bom encontrar pessoas como eu, em um lugar não tão cheio de pessoas como a gente”

E o laço principal que esta história aborda é a amizade.

“Há dias em que ajudamos e dias em que precisamos ser ajudados. Não importa a nossa personalidade, estamos no mesmo barco”

Por isso, é bem difícil não se abalar com as brigas de Mitali e Aurora, que tem muita dificuldade de entender pelo que a amiga está passando. Em algumas situações, chega a dar até um pouco de raiva da Rora.

“Algumas pessoas gostam de complicar a vida, Rora é uma delas”

De repente esclerosei também fala bastante sobre perdas, não apenas de uma vida “normal”, mas também das pessoas que amamos.

“Não dissemos nenhuma palavra, pois não há conforto quando a dor é por ausência de quem partiu”

E claro, com uma história dessas, esta obra também tinha de falar do medo, principalmente do amanhã, sempre tão desconhecido.

“O tempo passa depressa quando tememos o futuro e nos guia diretamente para o alvo dos nossos pesadelos”

A escrita do livro é envolvente: já nas primeiras páginas eu não queira mais largá-lo. Em alguns momentos me perdi um pouco no tempo da narrativa, mas nada que prejudicasse em grande medida a experiência.

“Todos temos uma história triste pra contar, Mit”

Se você se interessou por essa história, não deixe de acompanhar o trabalho da autora (Instagram | Twitter | Facebook | Site) e, claro, de adquirir o seu exemplar. Li o livro em formato ebook e gostei bastante da diagramação dele. A edição que tenho foi lançada de maneira independente, mas agora você tem acesso à edição da Martin Claret, em formato físico e digital!

Storia del nuovo cognome — Elena Ferrante

Título: Storia del nuovo cognome 
Título em português: História do novo sobrenome 
Autora: Elena Ferrante 
Editora: Edizioni E/O 
Páginas: 470
Ano: 2020 (29º reimpressão)

Ano passado eu tive (enfim!) a oportunidade de ler o primeiro livro da tetralogia escrita por Elena Ferrante e desde janeiro deste ano estive lendo o segundo volume, cujo título è Storia del Nuovo Cognome.

A leitura talvez tenha sido um pouco demorada, mas não poderia ser diferente, não apenas pelo tamanho do livro — ainda que ele pareça maior do que é, devido às páginas mais grossas —, mas principalmente pelo peso que a própria história tem. E eu provavelmente não conseguirei colocar em palavras tudo o que gostaria, mas tentarei, porque justamente esse volume dá ainda mais ênfase à importância da palavra. Falarei principalmente dos temas da obra, mas também tentarei abordar outros aspectos que a compõem.

“Queria obrigá-la a nomear as coisas. Queria que ela entendesse bem o que estava me dizendo”

E antes de começar, gostaria de lembrar que os quotes que utilizarei ao longo deste resenha foram traduzidos por mim e que, ao final, você encontrará a versão original deles, na sequência que aparecerem aqui.

Também gostaria de comentar que realizei essa leitura ao mesmo tempo que uma amiga (a Nati) e isso com certeza me abriu os olhos para tantas outras questões que eu não sei nem por onde começar a compartilhar tudo isso. Mas vamos do começo mesmo, né?

“Tudo é interessante se você sabe trabalhar isso”

Tive um pouco de dificuldade com o início deste livro, pois Lenù — a narradora — me parecia um pouco mais insuportável e petulante. Aos poucos, contudo, fui enxergando a melancolia, a dor e a solidão que permeavam suas ações e palavras.

“Eu tinha muitas ansiedades e a impressão de estar sempre errada, não importando o que eu fizesse”

Já adianto que a partir daqui será difícil não trazer spoilers, principalmente com relação ao primeiro volume. Feito o alerta, continue a leitura desta resenha por sua conta e risco.

O spoiler, aliás, já começa no título deste livro: o novo sobrenome é aquele que Lila recebe ao se casar com Stefano, coisa que acontece justamente ao final de A amiga genial. E aqui temos a primeira grande temática desta narrativa: o casamento.

“Me casar não significa ter uma vida de velha. Se ele quiser vir comigo, bom, mas se, por outro lado, está cansado demais à noite, saio sozinha”

Vale lembrar que a maioria dos personagens desta história — a narradora inclusive — encontra-se numa faixa etária entre 15 e 25 anos. São extremamente jovens, mas vivem (e têm de viver) como se fossem tão mais velhos e maduros.

“Mas a condição de esposa a havia fechado em uma espécie de redoma de vidro, como um veleiro que navega a todo vapor para um espaço inacessível, até mesmo sem mar”

O casamento, num primeiro momento, talvez seja o grande causador da crise na amizade de Lila e Lenù, ainda que, conforme avançamos na leitura, percebamos que existem muitos motivos para o distanciamento delas e as rupturas nessa amizade tão complicada (e, de novo, por vezes bem tóxica).

“Nada de rupturas, portanto não escaparíamos juntas pelas estradas do mundo”

O tema do casamento nos leva a outro muito presente neste volume: a violência. Não somente física, mas também psicológica. Ambas têm seu pesado espaço nas linhas deste livro e moldam as relações que observarmos.

“Claro, a explicação era simples: havíamos visto os nossos pais baterem nas nossas mães desde a infância. Havíamos crescido pensando que um estranho não podia nem mesmo esbarrar em nós, mas que os pais, o namorado e o marido podiam nos agredir quando quisessem, por amor, para nos educar, para nos reeducar”

Desde o primeiro livro, vejo a Lila como uma pessoa extremamente tóxica, principalmente para a Lenù. Mas o quanto disso não é fruto da sociedade em que elas vivem, ao mesmo tempo em que funciona, também, como um mecanismo de defesa?

“Quando reencontrei Lila, logo percebi que ela não estava bem e que tendia a me fazer mal também”

A amizade, aliás, é outra temática de grande força neste volume, uma vez que Lenù parece cada vez mais ser dar conta da maldade de Lila, ao mesmo tempo que não consegue viver sem ela (e ela percebe e reforça isso algumas vezes ao longo da narrativa).

“Mas Lila sabia bem como me atrair para as suas coisas. E eu não era capaz de resistir: de um lado dizia ‘basta’, de outro me deprimia com a ideia de não fazer parte da sua vida, do seu modo de se tornar”

Os conflitos entre elas aumentam nesta fase da vida e Lenù realmente chega a viver um tempo afastada. Mas nada parece capaz de amenizar essa relação… tóxica (desculpa, não consigo enxergar de outra forma, ao menos não ainda).

“Quanto a mim, decidi que daquele momento em diante viveria me ocupando apenas de mim, e a partir do retorno a Napoli foi exatamente o que fiz, impondo-me um comportamento de total afastamento”

Todos esses acontecimentos nos levam a outras temáticas que aparecem com força neste livro e que não posso deixar de mencionar aqui, como a sensação de despertencimento e a capacide de ir além, vividos por Lenù, mas não apenas.

“Sabia estar com aquelas pessoas, estava melhor que com os amigos do bairro em que cresci”

É impressionante como a maioria dos personagens, de alguma maneira, parece fazer parte e, ao mesmo tempo, parece perdido naquela realidade. É como se as peças não se encaixassem ali.

“Não é possível que eu reste prisioneira para sempre deste lugar e dessa gente”

Se por um lado todos os personagens têm sua cota de despertencimento ao bairro, Lenù é a que mais acaba se destacando e isso é notável inclusive na forma que todos a tratam: quanto mais o tempo passa, mais fica evidente o quanto as pessoas respeitam Lenù e a buscam quando precisam de palavras sábias, seja para acalmar ânimos, seja para ajudar na tomada de decisões.

“De que serviam os anos de escola e faculdade dentro daquela cidade?”

Outro ponto relacionado aos estudos que chamou minha atenção está na questão de que este nos ajuda a mudar de vida. Se por um bom tempo a leitura de Storia del nuovo cognome retrata muitas peculiaridades da realidade italiana, há passagens, principalmente ao final, que poderiam retratar a vida de muitas famílias brasileiras.

“Um pouco antes dos vinte e três anos eu era nada menos que doutora, tinha uma graduação em Letras, com nota máxima e mérito. Meu pai não havia ido além do quinto ano, minha mãe havia parado no segundo, nenhum dos meus antepassados, até onde eu sabia, havia aprendido a ler e escrever corretamente”

E claro que isso também escancara ainda mais a situação em que se vive no bairro em que se passa a história e nos faz enxergar, com maior clareza, muitas coisas do primeiro livro.

“A professora considerava óbvio que eu normalmente fizesse coisas que na minha casa, no meu ambiente, não eram de fato normais”

Os estudos de Lenù também reforçam, e isso aparece em diversas partes da narrativa, a distância que há entre o uso do italiano em detrimento do dialeto e viceversa. E essa é uma questão que talvez só quem realmente conhece um pouco da história da língua italiana pode entender.

Mas se eu tivesse de falar sobre apenas um tema central (depois de tudo isso que eu já falei? Sim), para este volume eu escolheria o amor. Ou os sentimentos humanos em geral, mas dando ênfase ao amor. Só não se engane: não estou falando daqueles amores de histórias água com açúcar e acho que isso já ficou claro até aqui, certo?

“As horas passaram, mas foi impossível aceitar que ele fosse tão profundo no lidar os grandes problemas do mundo, quanto superficial nos sentimentos amorosos”

Isso porque a trama é recheada de brigas de casal (não preciso nem dizer que a relação entre Stefano e Lila é extremamente complicada, né?), traições e rompimentos.

“E por mais que nós, meninas do bairro, desde pequenas quiséssemos nos tornar esposas, de fato, crescendo havíamos sempre simpatizado com as amantes, que nos pareciam personagens mais maleáveis, mais combativas e, principalmente, mais modernas”

Outro elemento que se sobressai neste volume é o fato de que, sendo a história narrada em primeira pessoa, totalmente por Lenù, ela torna-se cada vez mais uma narradora pouco confiável.

“Não sabia nada além disso, mas na escola havia aprendido a fazer com que acreditassem que eu sabia muito”

Em Storia del nuovo cognome continuam existindo muitos personagens, o que requer uma leitura cuidadosa para não se perder.

Além disso, o período em que se passa essa história vai de cerca dos 14 aos 19 anos de Lenù, com um longo período passado novamente a Ischia.

“Quer continuar sendo jovem, não sabe ser mulher”

A sucessão de acontecimentos é uma loucura: a cada nova página são inúmeros fatos que nos surpreendem, nos deixam de boca aberta, nos fazem prender a respiração. Não à toa eu não sabia muito bem como trazer tudo isso para cá.

“Basta um instante para mudar sua vida disto para aquilo”

Apesar de doloroso, e por vezes difícil, Storia del nuovo cognome é uma excelente continuação de L’amica geniale e ele é capaz de deixar o leitor ainda mais estarrecido e ansioso pelo que vem a seguir. Não vejo a hora de saber onde tudo isso vai dar.

Para encerrar, e como prometido, deixo aqui os trechos originais que usei ao longo desta resenha.

“Volevo obbligarla a nominare le cose. Volevo che capisse bene ciò che mi stava dicendo”

“Tutto è interessante se sai lavorarci”

“Avevo troppe ansie e l’impressione di essere sempre in errore, qualsiasi cosa facessi”

“Sposarmi non significa fare una vita da vecchia. Se lui vuole venire con me bene, se invece la sera è troppo stanco, esco da sola”

“Ma la condizione di moglie l’aveva chiusa in una sorta di recipiente di vetro, come un veliero che naviga a vele spiegate in uno spazio inaccessibile, addirittura senza mare”

“Niente fratture, dunque, non saremmo scappate insieme per le strade del mondo”

“Certo, la spiegazione era semplice: avevamo visto i nostri padri picchiare le nostre madri fin dall’infanzia. Eravamo cresciute pensando che un estraneo non ci doveva nemmeno sfiorare, ma che il genitore, il fidanzato e il marito potevano prenderci a schiaffi quando volevano, per amore, per educarci, per rieducarci”

“Quando rividi Lila, mi resi subito conto che non stava bene e che tendeva a far star male anche me”

“Ma Lila sapeva bene come tirarmi dentro alle sue cose. E io non ero capace di resistere: da un lato dicevo basta, dall’altro mi deprimevo all’idea di non essere parte della sua vita, del suo modo d’inventarsela”

“Quanto a me, decisi che da quel momento sarei vissuta occupandomi soltanto di me, e a partire dal ritorno a Napoli così feci, mi imposi un atteggiamento di assoluto distacco”

“Sapevo stare con quella gente, ci stavo meglio che con i miei amici del rione”

“Non è possibile che io resti prigioniera per sempre di questo posto e di questa gente”

“A cosa servivano gli anni del ginnasio, del liceo, della Normale, dentro quella città?”

“Poco prima dei ventitré anni ero nientemeno dottoressa, avevo una laurea in lettere, centodieci e lode. Mio padre non era andato oltre la quinta elementare, mia madre s’era fermata alla seconda, nessuno dei miei antenati, per quel che potevo sapere, aveva mai saputo leggere e scrivere correttamente”

“La professoressa dava per scontato che io facessi di norma qualcosa che a casa mia, nel mio ambiente, non era affatto normale”

“Passarono le ore, ma mi fu impossibile accettare che fosse tanto profondo nell’affrontare i grandi problemi del mondo, quanto superficiale nei sentimenti d’amore”

“E per quanto noi ragazze del rione sin da piccole volessimo diventare mogli, di fatto, crescendo, avevamo simpatizzato quasi sempre con le amanti, che ci parevano personaggi più mossi, più combattivi e soprattutto più moderni”

“Non sapevo nient’altro, ma a scuola avevo imparato a far credere che sapessi moltissimo”

“Vuole restare ragazza, non sa fare la moglie”

“Basta un attimo a cambiarti la vita da così a così”