Bella Ciao — Canção popular italiana

Bella Ciao Canção popular italiana

Começo esse post expressando minha profunda indignação comigo mesma por somente hoje estar escrevendo um post sobre Bella Ciao. Isso porque quando criei essa categoria aqui no Blog, minha ideia era justamente poder trazer um pouco de História através da música e Bella Ciao, sem dúvidas, tem muito a nos ensinar. E se engana quem pensa que esta é simplesmente a música tema da série La casa de papel. Bella Ciao é uma canção bem antiga e mesmo sua versão original não é a mais conhecida. Mas vamos por partes.

A melodia dessa música vem dos tradicionais cânticos de trabalhadores rurais italianos e sua “primeira” letra (ou a primeira letra a que temos acesso hoje) nos remete a esse contexto. Eram canções entoadas para ritmar o trabalho e diminuir o peso deste.

Stamattina mi sono alzato, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao, stamattina mi sono alzato,
ho trovato I’invasor!
A lavorare laggiù in risaia
Sotto il sol che picchia giù!
E tra gli insetti e le zanzare, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao, e tra gli insetti e le zanzare,
duro lavoro mi tocca far!
Il capo in piedi col suo bastone, o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao, il capo in piedi col suo bastone
E noi curve a lavorar!
Lavoro infame, per pochi soldi, o bella ciao bella ciao
Bella ciao ciao ciao, lavoro infame per pochi soldi
E la tua vita a consumar!
Ma verrà il giorno che tutte quante o bella ciao, bella ciao
Bella ciao ciao ciao, ma verrà il giorno che tutte quante
Lavoreremo in libertà!

De forma bem resumida, essa letra aí em cima nos mostra um trabalhador rural que acorda e tem de ir ao trabalho, no campo, debaixo de um sol que queima, em meio a insetos, com um chefe a pegar no pé. Tudo isso, em troca de pouco dinheiro e vendo a vida passar. Um trabalho praticamente escravo, feito enquanto se sonha com um trabalho livre.

Sendo uma canção popular, a letra de Bella Ciao foi mudando aos poucos com acréscimos e alterações feitas pelo próprio povo que a entoava. E assim vamos chegando à uma versão mais próxima da música que se tornou símbolo da resistência antifascista italiana, cantada pelos partigiani. Mas, de novo, vamos por partes.

O fascismo ao qual me refiro aqui é aquele que surgiu na Itália por volta de 1910, e que esteve no poder entre 1922 e 1943. Um regime totalitário, nacionalista e antiliberal, representado e exercido por Benito Mussolini. O discurso nacionalista de Benito Mussolini ganhou muitos adeptos, principalmente entre as classes conservadoras italianas, dentre elas, a dos proprietários de terra (sim, provavelmente os empregadores daqueles que entoavam a música apresentada acima!).

E mais: os fascistas queriam tomar o poder por via eleitoral, mas também através de atos violentos contra seus opositores. Desde o momento em que começaram a buscar o poder os “camisas negras” (como eram conhecidas algumas milícias partidárias do fascismo) foram extremamente agressivos, com o objetivo de intimidar e enfraquecer a oposição.

Concomitantemente à ascensão do regime fascista — e em seus anos mais duros — surge um movimento popular de resistência armada, formada pelos Partigiani (partigiano, no singular), que são combatentes que não pertencem a um exército regular. Eles se utilizavam, principalmente, de emboscadas, sabotagens e interceptações de mensagens e eram um grupo formado por desertores e praticamente todos os tipos de civis (homens, mulheres, religiosos, comerciantes e pessoas de qualquer ideologia política).

Eram esses partigiani que entoavam a versão de Bella Ciao mais conhecida nos dias de hoje, uma versão que ganha um tom de “luta pela liberdade”:

Stamattina mi sono alzato,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Stamattina mi sono alzato,
ed ho trovato l’invasor.
O partigiano, portami via,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano, portami via,
ché mi sento di morir.
Se io muoio da partigiano,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Se io muoio da partigiano,
tu mi devi seppellir.
E seppellire sulla montagna,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire sulla montagna,
sotto l’ombra di un bel fior.
E le genti che passeranno,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E le genti che passeranno,
Ti diranno «Che bel fior!»
«Questo fiore del partigiano»,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
«Questo fiore del partigiano,
morto per la libertà!»

Percebam que, esta nova letra, começa da mesma forma que a primeira apresentada, mas é em sua continuação que está a grande mudança: a pessoa que acorda pede para que um partigiano a ajude, pois sente que está morrendo. Mas, essa pessoa pede para que, caso realmente venha a morrer, ser enterrada como partigiano, em uma montanha, à sombra de uma bela flor, a “flor do partigiano morto pela liberdade”.

É uma letra bem forte e muito melódica (daquelas que gruda na cabeça) e só por esse último verso já dá para compreender porque ela ganhou o mundo e se tornou símbolo de tantas outras lutas (ainda que muitas pessoas sequer saibam o que estão cantando…)

Meu Juiz Envolvente — Juju Figueiredo

Título: Meu Juiz Envolvente
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 475
Ano: 2019

meu juiz blog

E mais uma vez eu estou aqui, impactada com a escrita da autora Juju Figueiredo. Dessa vez, após a leitura do segundo livro da série Envolventes: Meu Juiz Envolvente. Se em Meu Envolvente Professor temos como protagonista a forte e determinada Bruna Ávila, aqui o foco é Eduarda Medeiros, uma mulher não menos determinada e incrível.

“Eduarda era uma surpresa, uma surpresa que eu não sabia lidar”

Eduarda se formou com honras na Universidade de São Paulo e tornou-se uma advogada renomada. Na reta final de sua graduação e início de sua brilhante carreira, porém, ela se deparou com Arthur Brandão, um grande e temido juiz. E claro, que, entre os dois, começa a rolar um certo clima… Clima esse já anunciado em Meu Envolvente Professor, mas que fica muito mais claro e desenvolvido neste livro.

Enquanto Eduarda e Arthur não resolvem se ficam ou não juntos, vamos acompanhando uma narrativa que se alterna entre a visão de um e outro e que nos apresenta seus passados, seus presentes e até mesmo aquilo que eles desejam para o futuro.

“Como apagar um passado que, mesmo tendo me destruído por completo, me fez ver que eu poderia amar e ser amado?”

Mas, como sempre acontece nos livros da Juju, essa é uma história que vai muito além de um simples romance hot. Em Meu Juiz Envolvente a autora conseguiu inserir temas fortes como prostituição (e prostituição infantil), adoção e um esquema criminoso que gera uma trama de tirar o fôlego.

“Diferente do seu corpo, seus olhos demonstravam uma fraqueza que jamais pensei que veria nela”

O livro é um grande quebra-cabeça que apresenta suas peças aos poucos e que também as encaixa com calma, no momento certo, nos prendendo até a última página. Um livro capaz de arrancar risadas e lágrimas, enquanto nos faz pensar e nos deixa revoltados com coisas que, infelizmente, realmente acontecem à nossa volta.

“Queria apenas que minha vida fosse menos complicada”

Há um ou outro capítulo escritos por personagens que não são Eduarda ou Arthur. Mas são personagens que conhecemos seja do primeiro volume dessa série, seja da série spin off (que é a trilogia Recomeços). Alguns também ainda terão seus próprios livros. E é incrível vermos surgir diante de nossos olhos uma trama que realmente envolve (perdão o trocadilho) seus personagens, suas histórias, o passado e o presente, as conquistas, as derrotas, os medos.

Este é o segundo livro da série Envolventes, mas a cada livro que leio me sinto mais parte de um grupo de amigos unidos, sempre prontos a ajudar uns aos outros, ainda que cada um tenha sua história, sua dor e seus fantasmas.

Os livros da série Envolventes podem ser lidos separadamente, mas vale à pena mergulhar nesse mundo (e de preferência na ordem em que foram publicados, para evitar spoilers)

Quer conhecer melhor Eduarda Medeiros? Então clica aqui e descubra se ela se deixa ou não conquistar por Arthur Brandão.

Música em Contos 2 – Susana Silva (parte 2)

música em contos 2

Vamos conhecer o segundo conto que pude saborear da antologia Música em Contos 2? Hoje apresento a vocês A Tísica, escrito por José Miguel e baseado na música I know you care, da Ellie Goulding.

Ainda que o conto case muito bem com a letra da música escolhida, não se trata de uma história que imaginamos encontrar em uma antologia como essa. Eu, pelo menos, não esperava, pois acabo sempre associando histórias baseadas em músicas com histórias românticas, de superação, algo mais nessa linha.

Apesar de inspirado em uma  música relativamente recente (de 2013), a narrativa de A Tísica se passa em Portugal, muitos ano atrás, ainda governado por Salazar. Mais que isso: trata-se de uma época em que a luta contra a tuberculose e a busca por um tratamento adequado ainda eram intensas e esse é um dos principais focos dessa história.

O protagonista é João Carlos, um jovem que deseja ajudar no combate à tuberculose no Porto, sua cidade natal. Ele vem de uma família abastada, mas isso não é suficiente para o livrar da enrascada na qual se mete ao tentar ajudar a tal tísica que dá título ao conto.

Ao longo das páginas dessa história, portanto, vemos um protagonista que tenta lutar pelo que é certo e justo, mas que, sozinho, não tem como ir contra um sistema já formado. Um conto que traz um certo passado histórico, mas uma triste atualidade em relação às injustiças. É também um conto que contrasta um tratamento humano com certa desumanização. A tísica é, portanto, um conto extenso e denso, e que merece uma leitura calma e atenta.

Desmistificando o mestrado [2] — Prova de proficiência

Desmistificando o mestrado [2]

Hoje é, finalmente, dia de continuar a falar sobre o Mestrado! E, para falar dele, precisamos, antes de mais nada, falar como começar ele. O post de hoje, portanto, é dedicado à uma das etapas do processo seletivo: a prova de proficiência.

A proficiência é, em geral,  uma das primeiras etapas e é eliminatória. Isso significa que, para iniciar um Mestrado, você deve saber ao menos uma língua estrangeira. E falar dessa etapa é um pouco complicado, pois, só na Letras, já existem diversas nuances, imagine fora dela.

Por exemplo, se você vai fazer Mestrado em uma área de literatura (brasileira, portuguesa ou clássicas) — e se eu não estou enganada —, você pode escolher fazer a proficiência em qualquer língua. Agora, se você vai fazer um Mestrado em uma área de línguas estrangeiras (ainda que seja relacionado à literatura daquela língua), como foi meu caso, você, necessariamente, deverá comprovar proficiência naquela língua (o que, digamos, faz muito sentido).

Mas também existem diversos tipos de prova de proficiência. Na Universidade de São Paulo, a mais simples é a do Centro de Línguas, que prepara provas para diversos Programas da Universidade. Nela, você basicamente precisa demonstrar que consegue ler e interpretar um texto na língua estrangeira escolhida. Para isso, claro, há um texto na língua em questão e questões de múltipla escolha referentes a ele, em português. E ainda pode usar um dicionário monolingue.

O segundo tipo de prova é aquela preparada especialmente para os Programas de línguas estrangeiras, como é o caso do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura italianas. É uma prova relativamente parecida com a do Centro de Línguas, mas um pouco mais elaborada, entrando algumas questões dissertativas e de tradução.

Por fim, sempre temos a opção de fazer uma prova externa, que geralmente é bem mais complexa, porque abrange as quatro competências (ler, ouvir, escrever e falar). Acho que um dos exemplos mais conhecidos que posso dar desse tipo de prova é o TOEFL. No caso do italiano podemos mencionar o CELI e o CILS. E eu (que adoro complicar quando posso facilitar) optei por esse tipo de prova.

Aí você me pergunta “por que?”, já que além de mais difícil, esse tipo de prova é bem mais cara. Mas há uma vantagem: enquanto as duas primeiras provas que mencionei valem somente para ingressar no Mestrado dessa Universidade, e mesmo ali costumam ter uma validade de dois anos, as provas externas, são válidas/exigidas em diversos lugares/países, e quando têm validade, ela é de pelo menos 5 anos.

Espero ter conseguido explicar um pouco sobre as provas de proficiência, mas caso tenham dúvidas, basta comentar aqui! Em breve, falarei sobre as outras etapas do processo seletivo. Achei que caberia tudo em um único post, mas falar da proficiência já deu muito pano pra manga!

E se você não viu o primeiro post dessa série, clique aqui.

Meu envolvente professor — Juju Figueiredo

Título: Meu envolvente professor
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 385
Ano: 2019

envolvente professor blog

Meu envolvente professor faz parte da série Envolventes, uma série de livros que podem ser lidos de forma independente, ainda que haja elementos que os interligam. Esse é o primeiro volume da série e aqui trarei um pouco do enredo e das minhas impressões sobre ele.

Em Meu envolvente professor acompanhamos a história de Bruna Ávila de Albuquerque, uma jovem extremamente dedicada e que dá seu sangue pela faculdade de Administração, para provar a seu pai — com quem sempre teve um relacionamento extremamente complicado  de que ela é capaz de se dar bem na vida sem precisar da ajuda dele.

“Você não tem o poder de controlar o destino ou o que irá acontecer com as pessoas ao seu redor”

Nessa jornada, Bruna acaba conhecendo Fellipo Vitale, um professor que se torna seu orientador substituto,uma vez que seu orientador oficial sofre um acidente e precisa se afastar por um tempo para se cuidar.

“As coisas acontecem porque tem que acontecer, não carregue o peso do mundo em suas costas”

É claro que, só pelo título do livro, já dá para ter uma ideia do que acontecerá. O que não imaginamos, porém, são os percalços do caminho.

“Se permita viver um pouco e descobrir o que o amor pode fazer com duas pessoas”

Bruna tem muito a descobrir sobre si mesma e sua família, enquanto também acaba descobrindo muito do nada fácil passado de Fellipo.

“A dor nos torna pessoas diferente, Bruna, ela nos molda”

Entre idas e vindas, Bruna tem de terminar sua faculdade, lidar com a perda de uma grande amiga, aceitar o seu passado e, claro, lidar com muitos sentimentos intensos.

Essa é uma leitura daquelas leves (apesar de tudo) e, ao mesmo tempo, intrigantes. Um daqueles livros que devoramos avidamente e que traz uma personagem feminina extremamente forte e admirável. Além disso, como Fellipo é um professor jovem, não sendo, portanto, muito mais velho que Bruna, essa história está longe de ser uma narrativa revoltante de um relacionamento absurdo entre professor e aluno.

Os capítulos são escritos em primeira pessoa, ora por Bruna, ora por Fellipo, o que nos dá uma visão muito boa (e privilegiada) da história, fazendo com que, aos poucos, cada peça de um complicado quebra-cabeça se encaixe e nos permitindo simpatizar com os protagonistas.

Se você se interessou pela história de Bruna e Fellipo, não deixe de clicar aqui.

Música em Contos 2 – Susana Silva (parte 1)

Musica em contos

Conheci a antologia Música em Contos 2 através do Blog Inspirações Paralelas. Eu, que amo boas histórias e boas músicas, logo me interessei pela proposta do livro, que é reunir contos inspirados em canções.

Ao ver meu interesse, a organizadora Susana Silva me disponibilizou alguns contos para que eu pudesse ler e contar para vocês minhas impressões. Durante as próximas semanas, portanto, trarei aqui o que eu achei de cada um desses contos. E quem quiser conhecer melhor o trabalho da Susana, leia também a antologia Música em Contos 1!

O primeiro conto que li chama-se Na estrada e foi escrito por C. B. Kaihatsu. Nele conhecemos Fábio, que é o filho do meio e “ovelha negra” de uma família de três filhos. Seu irmão mais velho, Raul, é um advogado bem sucedido; já Alice, sua irmã mais nova, acabara de ingressar em uma faculdade de medicina.

E Fábio? Bom, Fábio queria ser músico. E para se encontrar e se aceitar, ele decide colocar o pé na estrada, sem sem dizer nada a ninguém, deixando apenas um bilhete de despedida.

“Será que conseguiria se tornar alguém bom?”

E nessa viagem, Fábio aprende muito mais do que aprendera em toda a sua vida, nos trazendo uma história que fala sobre autoconhecimento, aceitação e empatia.

A inspiração deste conto vem da música Times Like These (Foo Fighters), que é justamente uma música que representa um certo descontentamento com a vida — como o que Fábio sente — ao mesmo tempo em que nos mostra certa positividade, uma percepção de que a gente também aprende com as dificuldades.

Gostei muito da forma como alguns trechos da música foram realmente incluídos ao longo do texto, indo muito além de uma simples inspiração, sendo base e parte da história.

Grenade — Triz Santos

Título: Grenade
Autor: Triz Santos
Editora: Viseu
Páginas: 266
Ano: 2019
Grenade blog
(Para ler ao som de: Grenade – Bruno Mars)

Grenade nos conta a história de William Toldd, um jovem vindo de uma família extremamente rica e com uma vida que muitos considerariam perfeita. Ele mora em uma casa imensa, estuda no melhor colégio de Londres e tem uma namorada. Mas, claro, nem tudo são flores.

“Como eu sempre digo para mim mesmo, se ninguém souber do seu sofrimento, ninguém irá te julgar”

A família de Willian havia acabado de se mudar para Londres e, portanto, no começo da história acompanhamos nosso protagonista em seus primeiros dias de aula na nova escola. E é aí que muita coisa começa a mudar.

“As coisas estavam acontecendo de um jeito que eu não imaginava e eu não sabia se isso era bom ou ruim”

William e Elise, sua namorada, passam a estudar na mesma escola. Mas o namoro deles parece estar indo por água abaixo. Para melhorar o cenário, na escola deles também estuda um garoto problema: Edward Steele. Todos os alunos da escola aconselham Willian a se manter longe de Steele, mas sem entender os motivos de tal recomendação, ele acaba não dando ouvidos a seus colegas.

“Por que Edward estava me fazendo questionar o que sou tão facilmente?”

E sim, Edward mexe (sentimentalmente) com William de uma maneira que ele não consegue entender, ao menos não de início.

“Minha sexualidade diz respeito somente a mim e ficar falando disso – mais especificamente com a desconfiança que as pessoas têm em relação a ela – me deixa desconfortável e chateado”

Já deu para imaginar, portanto, que Grenade é um romance LGBTQ+ e que nele acompanhamos Willian se conhecendo. Mas esse também é um livro que aborda outros assuntos, como depressão, drogas e violência.

“A verdade é que os demônios de Edward estavam o arrastando para a ponta do abismo cada dia mais e ele estava a um passo de cair na imensa escuridão que era a sua mente”

Grenade toma rumos inesperados e fortes, o que faz que esse não seja um livro recomendado para qualquer pessoa. É preciso ter estômago e sanidade para ler essas páginas.

“Os demônios haviam vencido a batalha travada por anos e agora, ninguém mais poderia salvá-lo”

Mas se você sente que pode encarar essa história, encare. Vale a pena! Os plots dela são ótimos e nos prendem à leitura, fazendo a gente querer saber que fim haverá a narrativa (e que fim! Esse é realmente chocante)

“O amor não é justo. Ele não liga se a pessoa é uma psicopata ou a mais bondosa do mundo”

Ficou curioso(a) para conhecer a história de Willian? Então clica aqui!

Citações #28 — E as estrelas quantas são?

Citações #28

Hoje vamos de citações de “E as estrelas quantas são?“, um ótimo livro, escrito pela italiana Giulia Carcasi, que nos fazer refletir (e relembrar) sobre a adolescência, fase de inúmeras descobertas (e decepções). Livro bem adequado, também, para uma segunda-feira pós-ENEM…

“Se você se queima com fogo uma vez, fica sempre com medo de se queimar novamente”

(p.52)

O livro possui dois lados e cada lado é narrado por um personagem: Carlos e Alice, dois jovens sonhadores e românticos.

“Há noites em que mal se vê uma estrela, mas, quando se está apaixonado, se veem muitas”

(p. 146)

 

“Os corpos não são feitos para estar sós, o amor é um jogo de encaixe”

(p.146)

É claro que, ao longo de E as estrelas quantas são? Carlos e Alice vão percebendo que não é tão fácil assim ser o que são e, principalmente, ter o coração que eles têm.

“— Sabe qual é a verdade? A verdade é que as pessoas só lutam por si mesmas… No entanto, as melhores guerras são aquelas que se lutam pelos outros, porque essas têm a força de um ideal puro, não de um interesse. Ninguém lutou por mim”

(p. 142)

 

“É triste quando os objetos duram mais do que as pessoas”

(p. 148)

Carlos e Alice, com o passar dos dias do último ano escolar deles aprendem muito mais do que escola pode ensinar.

“Agora ela acredita na terra, que é um acreditar triste porque não faz olhar para o alto”

(p.85)

E apesar de quebrarem a cara (e o coração), não deixam de ser os seres humanos que são.

“Acho que às vezes a gente tem que aguentar uma tempestade dessas , sem motivo, só porque alguém precisa desabafar um pouco”

(p.76)

Acho que já deu para perceber que esse é um daqueles livros que nos deixam reflexivos. E que são poéticos, ah, como são! Vale a leitura, sem dúvidas.

“Minha mãe me pede um pouco de vida, mas hoje não sei como lhe dar, também estou procurando”

(p. 50)
Ficou com vontade de ler E as estrelas quantas são? Então clica aqui!

Caixa de pássaros — Josh Malerman

Título: Caixa de pássaros
Original: Bird Box
Autor: Josh Malerman
Editora: Intríseca
Páginas: 272
Ano: 2015
Tradutor: Carolina Selvatici

caixa de pássaros blog

Sei que muito já foi falado sobre Caixa de pássaros (mais conhecido por Bird Box) e que talvez eu não traga nada de novo aqui, mas como não gostei tanto de Uma casa no fundo de um lago, nada mais justo que voltar a Josh Malerman e escrever sobre uma história que gostei.

Me lembro que quando o filme estourou na Netflix, muitas pessoas tentaram interpretar a história, e tantas outras não a entenderam. Depois de assistir ao filme e ler o livro, fico aqui pensando quantas camadas tem essa história e o quão pouco eu realmente devo ter absorvido dela.

“Ninguém tem respostas. Ninguém sabe o que está acontecendo. As pessoas estão vendo alguma coisa que as leva a machucar os outros. A machucar a si mesmas”

(p.31)

Neste livro, para quem ainda não o conhece, é retratado um mundo em que algo faz com que as pessoas que o vêem, se suicidem. Ninguém sabe ao certo o que é que desencadeia essa reação, mas as pessoas passam a compreender que a única solução é não olhar.

“Parece que não importa sob que ângulo vemos as criaturas, elas sempre nos machucam”

(p.75)

Deste modo, “não olhe”, se torna o mantra dos sobreviventes deste mundo apocalíptico. Só é possível sair às ruas de olhos vendados. E ainda que as pessoas tentem tomar cuidado, chega um momento em que a sobrevivência vai se tornando cada vez mais complicada, porque ainda que se saia de olhos vendados, onde conseguir itens básicos, como comida e produtos de higiene?

A narrativa se alterna entre passado — quando tudo começa a ficar estranho e Malorie, sozinha no mundo e grávida, encontra um grupo que está fazendo o possível para sobreviver, dividindo uma casa — e presente, quando Malorie está com duas crianças, tentando dar uma vida digna a elas num cenário que se tornou ainda mais apocalíptico.

“Como pode esperar que seus filhos sonhem em chegar às estrelas se não podem erguer a cabeça e olhar para elas?”

(p.71)

Caixa de pássaros é um livro que nos prende pelo seu suspense, por seus pontos angustiantes e por nossa curiosidade diante do desconhecido total. Duvido que você leia esse livro e não fique se perguntando como seria viver sem poder ver.

Como eu disse anteriormente, a frase “não olhe” é repetida como um mantra salvador que às vezes pode nos parecer estranho. Mas fico pensando quantas coisas nos são repetidas (quase como mantras) diariamente e que se tornam normais para nós (ainda que não o sejam)? (eu penso muito, por exemplo, quando pego metrô no horário de pico e — todo santo dia — eles dão repetidamente os mesmos avisos, como “utilize a escada fixa no final do corredor” ou “a faixa amarela é a sua segurança” e afins).

“Disseram a eles que poderiam enlouquecer. Então eles enlouquecem”

(p.190)

E se Caixa de Pássaros me faz refletir sobre o que está à minha volta, mesmo retratando algo totalmente diferente do que eu conheço ou vivo, então, certamente, esse é um livro para não deixar passar.

Para saber mais sobre esse mundo assustador e sobre como termina a aventura vivida por Malorie, clique aqui.

Desmistificando o Mestrado [1]

Desmistificando o mestrado [1]

E finalmente lhes apresento a segunda nova seção do Blog ou a segunda novidade que eu queria trazer para cá: resolvi compartilhar com vocês minha experiência no Mestrado! E por que? Bem, no post de hoje eu vou justamente explicar meus motivos para criar essa seção e nos próximos posts vou efetivamente mergulhar nesse mundo.

Mas vamos por partes, certo? Para falar do Mestrado eu preciso falar do que veio antes dele. Eu me graduei em Letras, pela Universidade de São Paulo (USP), tendo feito o Bacharelado e a Licenciatura — porque sim, no caso da Letras, na USP, essas são duas coisas distintas. Além de termos a opção de fazer só o Bacharelado ou fazer o Bacharelado e a Licenciatura (não é possível, no caso da Letras, fazer apenas Licenciatura), também escolhemos entre as habilitações que podem ser apenas português, português e linguística, só linguística, uma língua estrangeira (como alemão, japonês, grego, inglês, coreano, árabe…) ou português e uma língua estrangeira (ufa, espero não ter esquecido nenhuma das opções!). Eu optei por fazer Português e Italiano, porque, na verdade, já entrei querendo isso (ah, claro, cabe mais uma explicação aqui: no primeiro ano temos o chamando ciclo básico e só ao final deles fazemos a escolha da nossa habilitação, mas se vamos ou não conseguir a habilitação desejada dependerá das notas que tivemos em nosso ciclo básico).

A Letras é um dos maiores cursos da USP. Entram cerca de 800 calouros por ano! Para dar conta desse mar de gente e dessa (quase) infinidade de opções, a Letras é dividida em cinco Departamentos: DLCV (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas), DLM (Departamento de Letras Modernas), DL (Departamento de Linguistica), DLO (Departamento de Letras Orientais) e DTLLC (Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada). Dentro de cada um desses departamentos existem áreas. Por exemplo, o DLM é dividido entre as Áreas de Alemão, Inglês, Francês, Italiano e Espanhol. E cada uma dessas áreas pode ter o seu Programa de Pós-Graduação, como por exemplo o Programa de Pós-graduação em Língua, Literatura e Cultura Italiana, do qual faço parte. Complexo, né?

Cada Programa de Pós pode ter suas especificidades, portanto, antes de mais nada (apesar de tudo o que já expliquei), quero deixar claro que o que trarei aqui diz respeito ao Programa do qual faço parte, mas pode servir de base para outros Programas também.

Dito tudo isso, volto à pergunta do início: por que falar sobre a Pós aqui no Blog? Bom, mais do que ter feito/estar fazendo meu Mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas, eu fui estagiária do Programa e da Área de Italiano por quase dois anos e isso me permitiu aprender muita coisa do funcionamento da Universidade, da burocracia e de como funciona a Pós-Graduação. Tendo esse conhecimento, sempre me coloquei à disposição para quem quisesse tirar dúvidas, principalmente sobre a Pós, mas acabei percebendo que as perguntas eram quase sempre as mesmas ou então que são sempre os mesmo assuntos que nos confundem.

O que eu espero, portanto, é poder ajudar outras pessoas que tenham interesse em fazer uma Pós, mas que não sabem muito bem por onde começar. No próximo post, por exemplo, falarei sobre o Processo Seletivo do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas.