Tatianices recomenda [7]

Hoje trago a vocês mais uma dica cultural!

Se você gosta de musicais e mora em São Paulo (capital) ou arredores, recomendo a peça Meu destino é ser starem cartaz no Teatro Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569 – 7° andar). E se você gosta de Lulu Santos, provavelmente se lembrou de uma certa música dele com esse nome. Acertou em cheio: Meu destino é ser star é um musical que nos apresenta a história de alguns jovens que buscam seu espaço no ramo do teatro musical,  e suas histórias são contadas através das músicas de Lulu Santos.

Se você não conhece muito da obra de Lulu Santos, ou mesmo não é tão fã assim, não se preocupe: essa peça também é pra você. A narrativa nos traz muitas reflexões interessantes e os arranjos das músicas ficaram de arrepiar. Os atores são extremamente talentosos e a produção está de tirar o fôlego.

O musical vai ficar pouco tempo em cartaz aqui na cidade: apenas até dia 14 de abril. Então bora correr pra assistir! Os espetáculos ocorrem às sextas (20hrs), sábados (16hrs e 20hrs) e domingos (19hrs). Algumas das apresentações também contam com interpretação em libras!

Os ingressos variam entre R$25,00 (a meia-entrada mais barata) e R$150,00 (a inteira mais cara). Eu fui assistir o musical com minha amiga, que me indicou a peça, e meu namorado. Compramos os ingressos mais baratos, mas como o teatro estava até que vazio, conseguimos nos sentar mais à frente. Se, por um lado, isso foi ótimo para nós, por outro lado, achei uma pena ver o teatro tão vazio. A produção desse espetáculo com certeza não foi fácil, então espero que eles tenham mais público nas próximas sessões!

O demônio do campanário – Michelle Pereira

Título: O demônio no campanário
Autor: Michelle Pereira
Editora: Independente
Páginas: 285
Ano: 2017 (1º edição)

I am a tree Strong limbed and deeply rooted My fruit is bittersweet I am your mother

Antes de dizer qualquer coisa sobre O demônio no campanário eu preciso pedir que vocês não tenham preconceito com o título: a história não é aterrorizante. Aliás, eu quase me vi torcendo pelo tal demônio, coisa que eu jamais esperaria/imaginaria dizer.

De um lado temos Evangeline Lions — ou Eva — uma jovem de 17 anos que estuda em um bom colégio e tem amigos que são quase como irmãos, além de pertencer a uma rica família. Mas, como sempre, dinheiro não é felicidade: o pai de Evangeline quase nunca está em casa, e quando está, vive brigando com a esposa, até que um dia eles resolvem se separar e a vida de Eva vira de cabeça para baixo.

“Senti raiva da minha mãe por me condenar a viver confinada neste lugar, enquanto ela aproveitava o dinheiro do divórcio com meu pai no litoral de algum país exótico”

Eva vivia com a mãe até que esta, após a separação, decide aproveitar a vida e, para isso, envia Eva para o colégio interno do Convento Senhora das Dores.

“Fiquei pensando em todas as coisas que deixei para trás. Meu quarto, meus pertences, minha casa, meus amigos…”

É muito doido pensar que essa história se passa na atualidade. Acho que não estou acostumada a pensar em meninas indo estudar em conventos. Do lado do convento Senhora das Dores ainda tem um monastério, onde diversos meninos estudam. E isso traz boa parte do romance de O demônio no campanário, porque, no final das contas, as meninas do convento se relacionam com os rapazes do monastério, uma vez que existem ocasiões em que eles se encontram, como a missa dominical, ou as gincanas esportivas que ocorrem aos sábados . Uma loucura!

“Estudar em um convento dá a falsa impressão de rigidez e punição”

Loucura maior, porém, é pensar que na torre do sino da igreja — ou seja, no campanário — mora um demônio.

“Dizem as más língua que muitos anos atrás, sei lá, talvez na década de 50, um demônio começou a rondar o Convento em busca de almas para corromper e acabou instalando-se no campanário”

Eron, o demônio, precisa se alimentar do sangue de jovens virgens para sobreviver. Ele é um íncubo, que é um tipo de demônio que entra no sonho das pessoas a fim de atraí-las para si. Eu nem sabia que essa categoria de demônio existia de verdade (não que eu conheça categorias de demônio), mas Michelle realmente fez um trabalho e tanto, pensando em cada detalhe da história!

“Ele era um íncubo, como eu, um demônio que se alimenta das paixões humanas”

E por falar em detalhes, Michelle descreve os personagens de maneira que conseguimos visualizá-los em nossa mente, o que achei incrível.

Mas, voltando à história, Eva chega ao convento triste e revoltada com tudo o que perdera, mas ali ela faz novas amizades e vive uma infinidade de coisas, inclusive se apaixonando. Duas vezes.

“Eu queria tudo de volta. Mas a vida muda. E nós mudamos com ela”

Joan, Cristal e Carol são as novas amigas de Eva. Juntas, elas vivem as diversas aventuras que o convento lhes propicia. E, apesar do local sagrado, há espaço para inimizades também, e não estou nem falando da presença de Eron aqui!

“Mas, afinal, quem sou eu para julgá-los? Sou um demônio instalado no campanário de uma casa de Deus, pronto para deflorar a primeira virgem que passar por mim”

A narrativa de O demônio no campanário vai se alternando entre Eva e Eron, mas alguns outros personagens também ganham voz ao longo do livro, em capítulos surpreendentes. Em meio a essa narrativa alternada, vamos acompanhando as tentativas de Eron em atrair Eva, enquanto vamos descobrindo os sentimentos e os altos e baixos de Eva sob o ponto de vista dessa garota que, aos 17 anos de idade se vê obrigada a se adaptar a uma nova vida.

“Sempre tive uma dificuldade imensa em me sentir bem em meio a um mar de gente desconhecida”

Quando eu digo que quase me vi torcendo por Eron é porque ele também tem as inimizades dele e sua única chance de liberdade é conquistar Eva. Por outro lado, ele é um demônio!! Sem contar que Eva conhece um dos jovens do monastério que merece uma chance, muito mais que Eron…

Eu realmente me surpreendi (positivamente) com essa história. Quando terminei de ler, depois de devorar os últimos capítulos até saber como tudo acabaria, eu ainda fiquei com os personagens na cabeça por dias e dias. Eu sentia vontade de continuar acompanhando os passos de Eva e suas amigas — ainda que Joan e Carol fossem muito fofoqueiras —, queria saber mais sobre o que vinha depois, sobre como as coisas poderiam prosseguir depois de tantos acontecimentos marcantes.

O demônio no campanário é uma leitura que nos prende por ter mistérios na medida certa, adrenalina e romance, além de falar sobre amizade. Fora que, sendo o íncubo um demônio capaz de adentrar nossas mentes e manipular nossos pensamentos, fiquei refletindo sobre o quanto não seria isso uma metáfora para nossos próprios medos e inseguranças. Uma leitura que eu realmente indico e que, repito, não irá te deixar apavorado (a) e que, portanto, você pode ler tranquilo (a).

Se interessou pelo livro? Adquira o ebook aqui.

citações #19 — Adelphos

Citações #19

Quem leu a resenha de Adelphos deve ter percebido o quanto amei esse livro. Escrito por M. Pattal e publicado em 2016 pela PenDragon, Adelphos é um livro de fantasia que consegue dosar muito bem ficção e realidade.

A resenha desse livro ficou bem grandinha e, ainda assim, muitas passagens ficaram de fora. Mas também, como abarcar tudo o que está contido em um livro que fala sobre amizade, justiça, humildade, perseverança e tantas coisas mais?

Por exemplo, logo no início do livro recebemos uma bela lição no quesito vingança:

“Decisões tomadas pela vingança geralmente são insensatas” (p.74)

Ou seja, não devemos nos guiar pelas “brilhantes ideias” que temos quando estamos tomados pela raiva. Ao contrário: devemos deixar que nossa cabeça esfrie e nossa mente clareie. Essa também é uma mensagem importante para a história que vemos em Adelphos e isso nos leva a outro trecho do livro:

“Se você estiver magoada com alguém, é necessário perdoá-la e não esperar que o tempo resolva as coisas. O tempo não resolve nada, quem resolve é você” (p.221)

Ah, sim, esqueci de avisar que Adelphos é tapa na cara atrás de tapa na cara!

Mas, falando em tempo…

“— Você pode possuir muito pouco ou quase nada em relação aos bens materiais, mas sempre terá o mesmo tempo que qualquer pessoa no mundo” (p.220)

Bom, a passagem acima pode ser problemática se a levarmos para o lado da meritocracia, mas não a vejo assim. A questão é que não é apenas com bem materiais que trilhamos nosso caminho. Precisamos de tempo e experiência para crescermos e isso, todos temos igualmente, mas nem todos o usam com sabedoria (alô, procrastinação). E ainda nessa linha, falando sobre tempo, outra passagem excelente:

“Ficarmos presos ao passado nos impede de viver o presente e de construir o nosso futuro” (p.337)

Somos quem somos por tudo o que vivemos, mas não podemos deixar que as coisas ruins do nosso passado afetem nossas escolhas presentes e nos impeçam de crescer. Está certo que o ser humana consegue ser bem cruel, por vezes…

“Com as pessoas é diferente. Basta uma falha com alguém para que nos descartem. E não apena isso, se não correspondemos às expectativas de alguns, já não servimos para nada, somos desprezados” (p.98)

É por isso que o mundo precisa de mais empatia e de mais humildade. A humildade, aliás, vem muito bem definida em Adelphos:

“Ser humilde é colocar o outro em primeiro lugar. Por isso condenamos o ato de diminuir as pessoas, para nós todas têm a sua importância e um propósito neste mundo” (p.149)

E a gente nunca sabe pelo que o outro está passando não é mesmo? Por falar nisso, eu comentei que Adelphos abarca muitos assuntos, certo? Pois então, na história também há muitos sentimentos. Por isso, termino esse post (que já está ficando imenso) com uma passagem belíssima, para que possamos sempre nos lembrar do poder das lágrimas:

“— As lágrimas não são nossas inimigas. Elas nos ajudam a externar nossas emoções e evitar que implodamos por dentro” (p.318)

Quer ler Adelphos? Compre aqui.

 

 

Ensinando a transgredir – bell hooks

Título: Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade
Original: Teaching to transgress
Autor: bell hooks
Editora: WMF Martins Fontes
Páginas: 283
Ano: 2017 (2º edição)
Tradução: Marcelo Brandão Cipolla

O livro Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade, escrito por bell hooks, é um livro de ensaios tanto para alunos quanto professores. Isso porque a autora fala sobre o tema apresentando tanto suas reflexões, quanto suas vivências com os mais diversos alunos e espaços de ensino.

“Com estes ensaios somo minha voz ao apelo coletivo pela renovação e pelo rejuvenescimento de nossas práticas de ensino”

Ensinando a transgredir (p.23)

Antes de falar sobre a obra, porém, gostaria de falar um pouco mais sobre a autora. Isso porque vocês talvez estejam se perguntando porque estou escrevendo o nome dela com iniciais minúsculas. Em primeiro lugar, trata-se de um pseudônimo: bell hooks é, na verdade, Gloria Jean Watkins. Mas se escrevo esse pseudônimo em letras minúsculas é porque está escrito assim na capa do livro. Intrigada com isso fui pesquisar e descobri que a autora faz isso para valorizar o conteúdo de suas obras e não a pessoa que as escreve.

“A sala de aula não é lugar para estrelas; é um lugar de aprendizado”

Ensinando a transgredir (p.216)

Para além desse curioso fato, bell hooks é uma escritora e professora universitária norte-americana nascida na zona rural do sul dos EUA. Se destaco esses elementos da biografia da autora é porque eles nos ajudam a compreender essa obra. Ela estudou em escolas públicas para negros, por ter crescido em uma época em que ainda havia segregação racial. Na adolescência, passou a estudar em escolas mistas e sentiu a discriminação com intensidade.

“Cheguei à teoria porque estava machucada — a dor dentro de mim era tão intensa que eu não conseguiria continuar vivendo”

Ensinando a transgredir (p.83)

A despeito de ser mulher, negra, pertencente à classe trabalhadora (assim denominada por seus conterrâneos), bell hooks prosseguiu seus estudos até o fim, tornando-se professora universitária, contrariando inclusive suas próprias expectativas.

“Eu tinha medo de ficar presa na academia para sempre”

Ensinando a transgredir (p.9)

O livro possui 14 capítulos, além de contar com uma interessante introdução. Os textos são bem diferentes uns dos outros e há dois capítulos em que há uma espécie de diálogo.

“A voz engajada não pode ser fixa e absoluta”

Ensinando a transgredir (p.22)

No primeiro desses capítulos em forma de diálogo, bell hooks dialoga consigo mesma. Mas esse capítulo merece destaque por outro motivo também: ele fala sobre Paulo Freire. Sim, o “nosso” Paulo Freire! Para bell hooks esse teórico é de grande importância em sua jornada, tendo sido uma enorme inspiração e salvação para a autora. Ainda assim, ela consegue analisar a obra de Paulo Freire de maneira crítica, o que torna esse capítulo ainda mais interessante.

O segundo “diálogo” do livro aparece somente no décimo capítulo, e se dá entre bell hooks e Ron Scapp. O título do capítulo é “A construção de uma comunidade pedagógica” e é delicioso de ler, pois dá para perceber que há muita química entre o pensamento deles.

“Queria incluir aqui esse diálogo porque ocupamos posições diferentes”

Ensinando a transgredir (p.176)

Em Ensinando a transgredir, bell hooks fala sobre muitas temáticas — como o a necessidade da pedagogia engajada, o multiculturalismo em sala de aula, a necessidade da teoria e o valor da prática, a experiência, a importância da língua, a primordialidade de levarmos em consideração que um professor não é somente uma mente, mas um corpo na sala de aula — mas, certamente, os temas que mais ganham espaço nessa obra são o feminismo e a questão negra. Ou, melhor ainda, o feminismo negro. Eu, que nada sei sobre o assunto, pude me beneficiar imensamente dessa leitura, mas confesso que me deliciei ainda mais com todas as reflexões sobre o ensino — e o ensino como prática da liberdade — presentes nessa obra.

“A educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender”

Ensinando a transgredir (p.25)

Ensinando a transgredir é uma leitura que eu sem dúvidas recomendo. Seja para professores que ainda têm medo/dúvidas sobre como ensinar de maneira transformadora/sensível/aberta, seja para alunos que estão acostumados demais a um ensino quadrado e pouco reflexivo. A primeira edição (em português) dessa obra é de 2013 e, no entanto, li como se tivesse sido escrita ontem. Um livro necessário em tempos de crise (na educação e no mundo).

TAG dos 10 livros

TAG dos 10 livros

Durante o final de janeiro e o começo de fevereiro, participei daquela TAG que rolou no Facebook dos 10 livros que marcaram minha trajetória como leitora. A ideia era a seguinte: durante dez dias eu deveria publicar a capa de um livro que me marcou, sem dar explicações sobre a escolha. Tarefa duplamente difícil: escolher APENAS 10 livros e ainda não poder justificar a escolha de cada um deles. É por isso que hoje eu venho aqui “quebrar” essas regras, apresentando a vocês os livros que fizeram parte dessa lista e justificando minhas escolhas.

O primeiro livro, como não poderia deixar de ser, foi A princesinha (Frances Hodgson Burnett), pelo “simples” fato de que devo ter lido esse livro umas 4 ou 5 vezes e porque com ele eu entendi a necessidade de contarmos histórias. Ah, e também foi nessa história que ouvi falar pela primeira vez em “Bastilha”.

O segundo livro foi Pippi Meialonga (Astrid Lindgren), que também me ensinou muito e me acompanhou durante o início dessa jornada como leitora. Foi uma obra muito marcante pra mim.

No terceiro dia eu coloquei a capa de Comédias para se ler na escola (Luís Fernando Veríssimo) porque além de ter lido esse livro mais de uma vez, já usei diversas crônicas dele para diversos trabalhos/projetos/aulas.

Depois foi a vez de Luna Clara & Apolo Onze (Adriana Falcão), livro lido mais de uma vez também. Uma obra encantadora!

Chegando na metade da TAG, o quinto livro foi O diário de Anne Frank (Anne Frank). Já falei milhares de vezes sobre esse livro aqui no blog. O que o torna tão marcante pra mim é o fato de que ele me abriu as portas para livros sobre o Holocausto, que me ensinam demais e que sempre procuro ler.

O sexto livro escolhido foi Fazendo meu Filme (Paula Pimenta), porque além de ter amado a leitura, foi a partir daí que pensei em ter um blog (no caso o meu primeiro blog, que depois excluí).

Em seguida foi a vez de Gol (Luigi Garlando), uma série infanto-juvenil italiana que amei ler. Uma leitura leve, que fala sobre amizade, que me deu vontade de jogar futebol e que me fez praticar o italiano que estava enferrujado.

O oitavo livro foi Quincas Borba (Machado de Assis), porque eu não poderia deixar de lado esse escritor e porque eu sempre acho que Quincas Borba fica meio esquecido em relação às outras obras do autor.

No nono dia eu optei por 1984 (George Orwell), a primeira distopia que me lembro de ter lido. Ou seja, outro livro que me abriu portas.

Por fim, para fechar a TAG, escolhi Se questo è un uomo (Primo Levi), porque, novamente, é literatura italiana, além de falar sobre o Holocausto. Li esse livro duas vezes (porque usei em um trabalho da faculdade) e leria de novo.

E para vocês, quais são os 10 livros que marcaram suas trajetórias como leitores?

 

 

 

O cão que guarda as estrelas – Takashi Murakami

Título: O cão que guarda as estrelas
Original: Hoshi Mamoru Inu
Autor: Takashi Murakami
Editora: JBC
Páginas: 124
Ano: 2014
Tradução: Denis Kei Kimura

Quem acompanha esse blog sabe que essa é a primeira resenha que faço de um mangá. Isso porque não costumo ler mangás. Porém, ganhei esse do meu namorado e me aventurei nesse universo literário.

Antes que vocês se perguntem por que meu namorado meu deu um mangá se eu não costumo ler mangás, posso adiantar algumas coisas: em primeiro lugar a capa. Girassóis são importantes para nós; em segundo lugar, nunca é tarde para ler algo diferente, não é mesmo? Fora isso, ele descobriu depois o significado do título e concordamos que é lindo. Segundo a explicação da propria epígrafe do livro:

“Hoshi mamoru inu”: em tradução literal, o cão que guarda as estrelas. É uma expressão japonesa usada para descrever uma pessoa que quer algo impossível. A origem vem da imagem do cachorro que fica olhando o céu como se desejasse a estrela”

Este mangá encontra-se divido em 4 partes, além de ter um posfácio. Ele é narrado por um cachorro que vai contando sua vida ao lado, em primeiro lugar, de sua família: Miku — uma garotinha —, papai e mamãe (é assim que Happy, o cachorro, os chama).

“Quando as coisas vão mudando aos poucos, depois de alguns anos, acabam mudando bastante”

O cão que guarda as estrelas (p.16)

Um belo dia, porém, mamãe  decide se separar de papai, que passa a viver com praticamente nada. Ele perde seu lar, sua família e muitos pertences. As poucas coisas de valor que lhe restam são Happy e seu carro, que eles utilizam para empreender uma longa viagem.

“Às vezes as pessoas culpam os outros pelos seus fracassos para se sentirem melhor”

O cão que guarda as estrelas (p.42)

É essa viagem que acompanhamos até o final da terceira parte desse mangá, chegando ao desfecho da história de Happy e papai. Lado a lado eles vão atravessando o Japão, até que, sem dinheiro e sem documentos, passam a viver definitivamente no carro.

“Não estou triste porque ele roubou meu dinheiro, mas sim porque ele não consegue mais confiar nos outros”

O cão que guarda as estrelas (p.39)

A quarta parte conta uma outra história, que, no entanto, se cruza com a história de papai Happy. E essas histórias se cruzam justamente no ponto em que termina a história de nossos protagonistas.

Por ser um mangá, li a história rapidamente. Não posso negar, contudo, que me emocionei bastante. É uma narrativa cheia de altos e baixos e muito sentimentalismo. E uma história que fala, acima de tudo, sobre sonhos, como já indicava o título.

“Você deseja, deseja e mesmo assim não consegue realizar. Mas é por isso que continua sonhando”

O cão que guarda as estrelas (p.121)
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Quando a neve cair – Cínthia Sampaio

Título: Quando a neve cair
Autor: Cínthia Sampaio
Editora: independente
Páginas: 399
Ano: 2019 (1º edição)

Blog das Tatianices WordPress

(para ler ao som de Gostava tanto de você)

Quando a neve cair é um romance e tanto. E o melhor: não é nada previsível! Em diversos momentos da leitura eu pensava “agora vai acontecer isso” ou “fulano vai aparecer agora”, mas acontecia algo totalmente inesperado ou aparecia quem eu nem imaginava que apareceria. Fora que a personagem principal parece ter uma raiva — ainda que muito bem justificada — que não é comum em mocinhas de tantos romances que vemos por aí. Os sentimentos transbordam nesse livro.

“Era um alívio não sentir raiva, dor, tristeza e solidão”

Maria Luíza — a narradora protagonista — é uma jovem que nasceu e cresceu em Nova Aliança, uma pequena cidade. Luíza (como é chamada a personagem ao longo da história), apesar de ter crescido em meio a uma sociedade conservadora e até mesmo retrógrada, tem o sonho de viajar, conhecer novas culturas e pessoas.

“Na cidade que nasci, sonhar era praticamente pecado, e eu, a louca que queria mudar as regras de tudo”

Luíza tinha uma vida pacata, rodeada de amigos queridos. Amanda era sua melhor amiga desde sempre e a implicância de Arthur, irmão mais velho de Amanda, com Luíza se transformou em um amor e tanto, um relacionamento que todos acreditavam que daria em casamento. Mas, nem tudo são flores…

Luíza ganha da tia um intercâmbio para a França. Seis meses em que seu sonho se tornaria realidade. Quando vai contar a novidade para Arthur, porém, tudo começa a ruir. O relacionamento dos sonhos termina ali.

“Eu não poderia culpá-lo por uma decisão minha. Mas ele aceitou tão facilmente, como se não importasse, como se me perder não significasse nada”

Luíza viaja arrasada para a França. Arthur terminou com ela sem deixar que ela explicasse coisa alguma. Afinal, seriam apenas seis meses afastados, mas conversando todos os dias. Por que um término tão abrupto?

E o pior: ao chegar na França, Luíza descobre que todos os seus amigos lhe viraram as costas. Com isso, aqueles seis meses iniciais viram 5 anos na França. Sozinha, amargurada, mas ao mesmo tempo crescendo e construindo uma nova vida.

“Arthur rompeu qualquer ligação existente entre nós e me deixou do lado de fora da muralha que ele havia criado para separar qualquer pessoa que pudesse afetá-lo”

Quantas coisas podem acontecer em cinco anos? É isso que Luíza irá descobrir quando retornar para Nova Aliança, para as Bodas de Prata de seus pais. E é nesse ponto que realmente começa a história que acompanhamos ao longo do incrível Quando a neve cair.

“O mundo enorme não me assustava, mas ter que enfrentar as pessoas que deixei para trás me fazia tremer de medo”

Como Nova Aliança era uma cidade pequena e Luíza passaria cerca de um mês lá, obviamente ela reencontraria seus velhos amigos.

“Sentia que nada mais poderia ser como antes”

Uma das primeiras pessoas que Luíza encontra é, sem dúvidas, Amanda. E é através das conversas delas e dos demais personagens que aos poucos vão aparecendo, que podemos reconstruir o que aconteceu nos cinco anos em que Luíza esteve distante de Nova Aliança. Amanda faz de tudo para reaproximar todos (ou quase todos) e, assim, vamos conhecendo Angélica, Rômulo, Suzana, Felipe, Melissa, Eric… Enfim, cada pessoa que fez parte da vida de Luíza. E claro, temos a oportunidade de conhecer melhor Arthur.

“Eles esqueceram o significado da palavra ‘amizade’ quando me deixaram de lado sem nenhuma explicação”

Por vezes, pode ser que o leitor tenha vontade de bater nesse mocinho, mas a verdade é que achei Arthur um personagem bem coerente, agindo de acordo com seus medos e sentimentos. Quem merece apanhar na história é outra personagem… (mas só lendo para descobrir!).

Para mim, além de todas as emoções despertadas, ler Quando a neve cair também foi interessante por conta desse dilema de Luíza ter passado tanto tempo fora e ter de redescobrir seu antigo mundo. Confesso que sempre tive certo receio de intercâmbio pelo medo de perder coisas importantes em seis meses. Imagina se esses seis meses se multiplicam, tornando-se cinco anos, ainda mais quando ninguém mais fala contigo realmente! É assustador e eu não queria estar na pele de Luíza.

“Se nem eu era como antes, por que queria que um lugar fosse?”

Agora, se vocês querem saber “se” e “como” Luíza e Arthur se entendem novamente, só lendo o livro. E garanto que vocês não vão se arrepender. Eu recomendo muito Quando a neve cair para todos que buscam uma leitura intensa, mas fácil; surpreendente e linda. É um livro perfeito para quem gosta de romance, intrigas, amizade e sonhos. E, de certa forma, sobre autoconhecimento também. A diagramação do livro está incrível e torna a leitura ainda mais prazerosa.

“Não era possível uma pessoa que viajou para vários países e conheceu tantas pessoas e culturas, estivesse fadada a ficar com a mente e o coração presos em um só lugar”

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Tatianices recomenda [6]

Tatianices Recomenda de hoje, em pleno sábado, é sobre a Ocupação Manoel de Barros, no Itaú Cultural. #Ficaadicaprofinaldesemanaeprocarnaval.

O espaço ocupado pela exposição não é muito grande, mas é um delicioso mergulho sobre a trajetória desse poeta não tão conhecido por seus conterrâneos (nós, no caso). Por meio de manuscritos, correspondências e até entrevistas, vamos acompanhando a vida e a obra de Manoel de Barros, que sempre brincou com as palavras.

Além de tudo o que podemos ver e ouvir nessa exposição, ainda podemos sair de lá com uma publicação impressa recheada de outras histórias do poeta. E o melhor: essa publicação é distribuída de graça aos visitantes (é só pedir na recepção)!

E não fiquem aí achando que só porque é de graça essa publicação não é nada demais: trabalhada desde a capa, ela traz reproduções de manuscritos do poeta, fotos, trechos de entrevistas (inclusive uma concedida a alunos de um colégio) e, claro, poesias. Um livro para chamar de seu!

A exposição, como eu disse, está acontecendo no Itaú Cultural, localizado na Av. Paulista, 149. Ela é gratuita e vai até o dia 07 de abril. Para quem não puder conferir pessoalmente, porém, fica aqui um acervo digital muito bacana também:

Aos que moram nessa cidade doida — mais conhecida por São Paulo — fica o convite para conhecer esse espaço e essa exposição. Mesmo em um dia de chuva quase ininterrupta, fui com meu namorado e passamos ali uma boa meia hora (ou mais) nos deliciando com nossas descobertas (eu ainda mais, com as explicações de meu namorado, que conhece melhor que eu a vida e a obra de Manoel de Barros).

A tentação da bicicleta – Edmondo De Amicis

Título: A tentação da bicicleta
Original: La tentation de la bicyclette
Autor: Edmondo De Amicis
Editora: Nós
Páginas: 64
Ano: 2016
Tradutor: Gabriel Perissé

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Em A tentação da Bicicleta, Edmondo De Amicis discorre sobre a bicicleta e sua popularização. Vale lembrar que o autor viveu entre 1846 e 1908 e que a bicicleta foi patenteada em 1818, popularizando-se, porém, somente no final do século.

Nesta extensa crônica, De Amicis fala sobre os efeitos da popularização da bicicleta, nos mais diversos âmbitos: nas relações amorosas e interpessoais, na literatura, no cotidiano e até na vida dele.

“A bicicleta me roubava queridas companhias, afastava de mim antigas amizades”

A tentação da bicicleta (p.29)

Um dos significados da palavra “tentação” é “impulso para a prática de alguma coisa censurável ou não recomendável”. Lendo esta obra do autor italiano, percebemos que é exatamente essa a visão que ele tem do uso da bicicleta — principalmente por pessoas mais velhas ou gordas — ao passo que também faz sentido o significado de “desejo  veemente ou violento”: Edmondo De Amicis passa todo o livro tentando resistir ao fato da bicicleta ser uma invenção incrível.

“Se este exercício físico, pensei com meus botões, pode produzir semelhante prazer e alegria a um fiapo de homem, o que não fará por um homem que ainda seja um homem inteiro?”

A tentação da bicicleta (p.9)

Para saber se o autor sucumbe ou não à bicicleta, só mesmo lendo o livro, que além de tudo é lindo: possui diversas imagens geométricas, que nos remetem aos mecanismos de uma bicicleta. Mas uma coisa não posso deixar de dizer: o final é, também, muito metafórico. Serve para a bicicleta, mas serve para tantas outras coisas da vida. Uma mensagem muito válida!

“Parem de resistir, pois o preço a pagar por essa teimosia são longos anos de penosos combates”

A tentação da bicicleta (p.60)
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Artigo: Insumo e autoria na produção de material didático de italiano como língua de herança

Título: Insumo e autoria na produção de material didático de italiano como língua de herança
Autor: Tatiana Iegoroff de Mattos, Fernanda Landucci Ortale, Rosangela Maria Laurindo Fornasier e Vinicio Corrias 
Revista de Italianística, v.1, nº 36
Páginas: 11
Ano: 2018
Disponível aqui

it's a boy!

Como hoje é dia mundial do imigrante italiano (existe data pra tudo nessa vida, gente) resolvi fazer esse post especial (pra mim) sobre este artigo que publiquei no final do ano passado, com minha orientadora e mais dois colegas da pós-graduação.

Você pode estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra e eu vou explicar melhor agora: o artigo, como o título aponta, fala sobre produção de material didático para o ensino de italiano. MAS, ensino de italiano como língua de herança. Explicando de maneira bem simplista, o que diferencia uma língua de herança de uma língua estrangeira é o fato de que a língua de herança é uma língua presente na família do aprendiz.

Vou explicar melhor isso, dando o exemplo da comunidade que aparece no artigo, ok? No artigo, falamos sobre Pedrinha Paulista, uma cidade beeem pequena, localizada no interior de São Paulo. Essa cidade foi fundada por italianos, em 1952. Trata-se, portando de uma cidade relativamente nova e alguns de seus fundadores ainda vivem lá! Esses primeiros habitantes sabem falar italiano e o dialeto da região que nasceram. Seus filhos, muitas vezes, também falam italiano, mas da geração seguinte em diante, esse hábito está se perdendo…

Mas vamos focar primeiro nos filhos: eles não foram educados, formalmente, em língua italiana e muitas vezes aprenderam porque ouviam os pais conversando nessa língua ou porque os pais conversavam com eles nessa língua também. Porém, se você pergunta a algum desses filhos (ou netos, em alguns casos) se eles falam italiano ou dialeto, eles dirão que não, que no máximo entendem alguma coisa. Ao oferecer um curso de italiano para essas pessoas, porém, não podemos deixar de levar em consideração que elas têm sim muito conhecimento sobre a língua e a cultura italianas.

Nesse artigo, portanto, vamos contando como foi elaborar um material didático que leva em consideração esse contexto, pensando também na questão da proveniência dos materiais que utilizamos e da necessidade de registrar esse material.

Espero que vocês gostem da leitura e deixem comentários aqui (:

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