Tatianices Recomenda [19]

Tatianices recomenda [19]

Hoje é dia de trazer recomendações literárias, mas esse mês eu não trarei livros para os desafios que sempre trago e vocês já vão entender o porquê.

Em primeiro lugar, achei as categorias dos desafios que costumo trazer aqui bem difíceis: a Geração Editorial nos desafiava com um livro que tenha ganhado o prêmio Jabuti; o Skoob com um livro do gênero que eu menos gosto (não sei qual gênero eu menos gosto!) e a Livraria Cultura com um diário (esse até era fácil, mas ia recomendar mais do mesmo — Anne Frank —).

Unindo minha falta de inspiração ao agradável, resolvi selecionar livros que já li e que, de alguma forma, abordam a questão do suicídio, trazendo um pouquinho desse assunto neste Setembro Amarelo. Eu acho importante que existam livros sobre o assunto, e que eles sejam abordados de maneira responsável. Por isso, trago somente livros que realmente já li, ainda que eu não tenha quase nada de conhecimento sobre o assunto, que ainda precisa ser muito debatido e tratado com o devido respeito. Mais de um desses livros também nos faz refletir sobre o bullying e seus efeitos nos jovens e acho que são leituras que todos deveriam fazer, seja para se conscientizar, para poder ajudar alguém, ou mesmo pelo simples prazer de aprender com personagens que são, ao mesmo tempo, fortes e sensíveis.

Vamos às indicações?

                                        

Para saber mais sobre cada um desses títulos, basta clicar sobre as capas!

E vocês, que livros já leram sobre suicídio? E para os desafios mencionados no início deste post, teriam indicações?

 

Citações #12 — a playlist da minha vida

As citações de hoje são do livro A playlist da minha vida, escrito por Leila Sales e publicado no Brasil, em 2014, pela editora Globo Alt. Trago somente três passagens, mas há muitas outras na resenha que escrevi.

“Tem dias que, sabe como é, desde a hora em que acordamos até a que vamos dormir, tudo em que a gente toca se parte em mil pedacinhos” (p.85)

Quem nunca sentiu que em alguns dias tudo pareceu dar errado? São dias difíceis, tristes, solitários. Mesmo quando há alguém ao nosso lado. Alguém que está realmente fazendo de tudo para que possamos ver que não é bem assim. E mesmo nesses casos, sentimos que só estamos partindo também a pessoa em mil pedacinhos.

Às vezes o remédio é respirar fundo, ouvir uma música, dormir. É se desligar e tomar distância do problemas. É saber que tudo passa!

A próxima passagem eu destaquei simplesmente porque achei muito bonita:

“As palavras se agitavam no meu cérebro como beija-flores, renovando o ar dentro de mim” (p.173)

Gostei dessa imagem das palavras como beija-flores e como algo que renova o ar, que traz vida.

Por fim, uma passagem que também é muito bonita:

“Algumas pessoas te tratam bem só porque gostam de você” (p.196)

Não é gostoso saber quem existem pessoas que nos tratam bem sem segundas intenções, pelos simples fato de que gostam realmente de nós? Para Elise, a protagonista do livro de onde saíram essas citações, isso parecia impensável, afinal, ela era uma jovem que a vida inteira sofrera bullying e que finalmente estava descobrindo que poderia ter amigos também.

A playlist da minha vida – Leila Sales

Título: A playlist da minha vida 
Original: This song will save your life 
Autor: Leila Sales
Editora: Globo Livros 
Páginas: 310 
Ano: 2014 (1º edição) 
Tradução: Amanda Orlando

Narrado por Elise Dembowski, A playlist da minha vida é um livro que nos traz os dramas e as aventuras de uma jovem excluída. Aos quinze anos de idade, Elise não tem amigos e sofre bullying na escola. Em sua visão, as pessoas se afastam dela por sua inteligência admirável, seus gostos peculiares, seu jeito de ser e sua opinião formada.

“Dar duro no que quer que seja, por definição, não é nada descolado”

A playlist da minha vida (p.13)

Cansada de ser sozinha e “a esquisita da escola”, Elise decide tomar providências: ela passa as férias inteiras tentando aprender a ser uma adolescente normal e “descolada”. No primeiro dia de aula, porém, percebe que todo seu esforço foi em vão e, então, decide agir mais drasticamente, pensando em se matar. Antes, porém, ela faz um “teste” cortando apenas um pouquinho  dos pulsos.

“Eu queria ferir a mim mesma”

A playlist da minha vida (p.41)

Ao se recuperar, Elise percebe que o suicídio não era exatamente o que ela buscava para si. Ela queria dar uma lição naqueles que a maltratavam, mas ao se matar, ela só deixaria para eles um gostinho de vitória, sem conseguir provar que seria capaz de dar a volta por cima.

“Há coisas que você não pode mudar”

A playlist da minha vida (p.190)

Alguns meses depois desse acontecimento, Elise adquire o hábito de andar pelas ruas da cidade durante a noite, saindo às escondidas, depois que todos em sua casa vão se deitar. É justamente em uma dessas andanças que ela descobre a Start, uma balada underground. Ali ela faz amizades, principalmente com Vicky e Pippa, apaixona-se pelo DJ Char e ainda descobre mais um talento: discotecar.

Conhecer a Start, fazer amizades, apaixonar-se… Tudo parece um sonho para Elise, mas sua vida ainda está cheia de problemas e altos e baixos. Nossa protagonista nunca deixa de se meter em algumas enrascadas.

“Às vezes, temos aqueles dias em que tudo dá errado. Mas, às vezes, alguma coisa pode dar certo da maneira mais inesperada possível”

A playlist da minha vida (p.102)

Não dá para dizer que este seja um livro de drama adolescente, uma vez que nem todos  nesta fase são tão isolados ou sofrem tanto bullying quanto Elise. No entanto, é, sem dúvidas, uma excelente recomendação de leitura para jovens, tanto “excluídos” quanto “populares”, uma vez que, para os primeiros pode trazer alento, enquanto para os demais pode trazer alguns bons ensinamentos.

“Às vezes, as pessoas acham que sabem quem você é. Elas sabem de algumas poucas coisas a seu respeito e juntam as peças de uma forma que faça sentido para elas”

A playlist da minha vida (p.270)

Cada capítulo começa com o trecho de uma música, construindo, assim, a playlist de Elise.

E por falar nisso, uma coisa que achei interessante neste livro é o fato dele falar sobre discotecagem, afinal, quando um livro como este trata de música, geralmente são as canções e não um outro lado desse universo. Eu nunca havia pensado em como um DJ tem de tomar cuidado ao passar as músicas, não apenas combinando uma com a outra, mas também acertando a maneira de fazer esta transição. Além disso, como o próprio Char diz, o DJ deve saber ler seu público, perceber o que agrada e o que faz todo mundo sair um pouco da pista.