Citações #52 — Uma noite inesquecível

Não sei se você chegou a ler a resenha de Uma noite inesquecível, escrito por Adrielli Almeida e publicado em 2021, de forma independente. Caso o tenha feito, deve ter percebido que me encantei com essa história e, por isso, agora trago aqui mais alguns trechinhos dela, para você saborear e ficar com ainda mais vontade de ler também.

Como dito na resenha, o dia da formatura de Darin Moon sai totalmente daquilo que ele planejara e imaginara. E tudo isso começa com um belo pé na bunda.

“Agora, segurando as flores no batente da porta de um lugar no qual não iria entrar, vendo uma namorada que não era mais a dele, Darin se sentia… um completo idiota”

“Por quase nove meses, ela foi Dora para ele. Agora era a causa do coração partido dele”

Mas outra coisa que fica clara é que o pé na bunda é apenas o começo. Porque Darin não poderia imaginar que havia muito mais por vir naquela noite.

“Foi como se aquele garoto tivesse acabado de roubar uma batida do coração dele”

E, para tais acontecimentos, não podemos deixar de mencionar Camilo, o exato oposto de Darin.

“Ao contrário de Camilo, Darin desfilou debaixo de holofotes o tempo todo”

“Camilo percebeu que realmente gostava de coisas bonitas”

“Camilo abriu um sorriso que poderia iluminar toda aquela maldita cidade”

Uma noite inesquecível é uma breve história de amor, mas é também uma narrativa carregada de outros sentimentos.

“Ele detestava chorar. Detestava que prestassem atenção nele em momentos tão… frágeis. Era como estar nu. Era como estar nu usando tênis”

“Volte quando se apaixonar, Darin. Dói na mesma medida que alivia”

Um assunto que não é central, mas que também chamou minha atenção na leitura, são as relações familiares ali construídas e descritas.

“Cadu e Camilo, por mais que não parecessem, eram família”

“Eu não tenho irmãos — Camilo disse, dando de ombros. — Mas Cadu… Cadu é isso para mim. Eu acho”

Se quiser saber o que mais essa história guarda (e são muitos os seus mistérios), não deixe de clicar aí embaixo.

Uma noite inesquecível — Adrielli Almeida

Título: Uma noite inesquecível 
Autora: Adrielli Almeida 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 70 
Ano: 2021

Um começo inusitado, que esconde uma história que poderia ser como tantas outras, mas que tem muitos detalhes que a tornam única. É assim que adentramos Uma noite inesquecível, cujo honesto título já nos adianta que os acontecimentos têm uma breve duração.

Passadas as primeiras páginas, somos apresentados a Darin Moon.

“Darin era o tipo de garoto feito na medida certa. Bonito, mas não a ponto de ser obsceno. Inteligente, mas não a ponto de ser uma enciclopédia irritante. Gostava da namorada, mas não a ponto de ser apaixonado por ela”

O jovem, acostumado a ter do bom e do melhor, não esperava que tudo pudesse desandar justamente no dia do seu baile de formatura: o término de seu namoro, intrusos na festa que fora planejada por tanto tempo e com tanto cuidado, uma briga… E daí para pior (sim, sempre pode piorar!).

“Darin pensou que tudo estava fadado a dar terrivelmente errado. Sua noite, sua vida, a droga da sua experiência como colegial”

Em paralelo a esse caos, também vamos conhecendo Camilo Dantas, um garoto bem diferente de Darin.

“Camilo Dantas gostava de acreditar em milagres”

A vida deles talvez nunca tivesse se cruzado, se não fossem justamente os infortúnios que tiram a paz de Darin. Às vezes, no olho do furacão, a gente não consegue perceber que as coisas precisam dar errado antes de darem certo (ou não).

“Ele sabia que era uma péssima ideia desde o começo, mas, às vezes, a gente precisa ver tudo dar errado para entender que… daria errado para um caralho”

Darin e Camilo acabam se aproximando e vivendo uma noite inesquecível, regida por um envelope vermelho vindo sabe-se lá de onde (nós talvez saibamos).

“Ele não deveria mesmo estar ali. (Mas agora estava.)”

A escrita desta narrativa é tão marcante que é impossível não ser contaminado por ela e se você leu (ou se resolver ler) a história, perceberá as influências nesta resenha. Isso sem falar no tom poético, que mescla elementos da natureza e sensações, trazendo uma sinestesia muito forte para a leitura.

“Acho que se apaixonar é diferente para cada um. Para mim, é como… É como… Pular em uma cama elástica em um dia de chuva”

E além de falar sobre diferenças, aventuras e descobertas, Uma noite inesquecível também fala sobre relacionamentos, família e vivências.

“Os dois primos trocaram um olhar cheio de significado e de mensagens que só pessoas que crescem juntas conseguem desenvolver com o passar do tempo”

Uma leitura extremamente rápida e prazerosa, que você também pode realizar clicando aí embaixo.

Dois aviões de papel — Adrielli Almeida

Título: Dois aviões de papel
Autora: Adrielli Almeida
Editora: Duplo Sentido Editorial
Páginas: 32
Ano: 2021

Voltei para falar sobre a terceira (e última) parada no Sul do Brasil, com o projeto Meu Brasil é assim. Se você não sabe do que eu estou falando, aproveite para dar uma olhadinha neste post aqui.

A resenha de hoje é sobre Dois aviões de papel, conto escrito por Adrielli Almeida e que se passa no Paraná, mais especificamente em Curitiba. Da mesma forma que fiz das outras vezes, vou falar um pouquinho também da minha relação com o Paraná.

Tive a chance de conhecer Curitiba, se não me engano, em 2017 e foi uma cidade que eu adorei e que se tiver a oportunidade, voltarei sem dúvidas. Fala-se muita na frieza dos curitibanos, mas não consegui vê-los com esses olhos. E foi bacana perceber como o conto da Adrielli também trabalha um pouco com esse estereótipo. E veja só: estou aqui elogiando Curitiba e não vivi nem um terço do que Susana — a protagonista da história — viveu. Claro que também são situações bem diferentes então, sem mais delongas, passemos ao conto.

Não sei se foi algo combinado ou não, mas como nos outros contos, nesta história a protagonista está “entre” duas cidades, isto é, sai do interior do Paraná para viver em Curitiba, onde fará faculdade (assim como também aconteceu com a protagonista de Santo Butiá, que, porém, fez o movimento inverso, isto é, saiu da capital para uma cidade do interior).

Em Dois aviões de papel acompanhamos, portanto, a mudança de Susana e, mais especificamente, o seu primeiro dia aproveitando um pouco de sua nova cidade. E claro que isso tinha de começar no cartão postal da cidade: o Jardim Botânico.

Mas não só isso: tinha de começar com um pequeno incidente que acaba acarretando em um dia inesquecível — e talvez um pouco surreal, porque nenhuma pessoa em sã consciência se deixaria levar como Susana, ainda que nem ela acreditasse no que estava fazendo.

A verdade é que o desenrolar dos fatos nos prendem à leitura de maneira muito gostosa. Eu já li outras obras da Adrielli — que, há alguns anos, foi uma autora que descobri muito por acaso e que amei — e fiquei muito feliz quando soube que ela faria parte desse projeto. Ela conseguiu, ao mesmo tempo, escrever uma narrativa leve, com aventuras, amor e ainda apresentar uma Curitiba gostosa de se ler.

O título pode parecer um pouco estranho no início, mas ele fica bem claro no final das história, então se você quer entendê-lo, não deixe de clicar aqui.


Confira a viagem do Meu Brasil é assim através das minhas resenhas:

Eu, meu melhor amigo e o cadáver que acabamos de enterrar — Adrielli Almeida

Título: Eu, meu melhor amigo e o cadáver que acabamos de enterrar
Autora: Adrielli Almeida
Editora: Publicação independente
Páginas: 31
Ano: 2020

Costuma-se brincar que melhor amigo de verdade é aquele que estará ao nosso lado mesmo se matarmos alguém. E que ainda vai nos ajudar a enterrar o corpo! Adrielli Almeida, jogando com isso, criou uma história que inclui fatores, digamos, sobrenaturais, uma vez que o protagonista Kaio realmente tem de lidar, por diversas vezes, com mortos.

“Kaio era o que as pessoas podiam chamar de ceifador…”

Geralmente, porém, Kaio tem de lidar apenas com fantasmas, não com os corpos em si. Tanto é que, o fato de ser um ceifador, é segredo até mesmo para Cedrico, seu melhor amigo. Mas, em uma noite, tudo muda e amizade desses dois jovens é colocada à prova.

Abordando de maneira bem sútil a questão do suicídio, Adrielli Almeida insere na história uma celebridade, Otávio Augusto, que precisa de uma ajudinha de Kaio para, finalmente, descansar em paz. Kaio, por sua vez, precisará de um favorzinho de Cedrico para se livrar do fantasma de Otávio Augusto.

A história é narrada em terceira pessoa, nos fazendo sentir quase como um quarto elemento desse grupo bem peculiar, que tem muitos outros segredos a nos revelar.

Apesar de parecer uma leitura extremamente macabra, Eu, meu melhor amigo e o cadáver que acabamos de enterrar é uma narrativa engraçada e, por ser um conto, bem rapidinha de ler. Uma leitura para te fazer pensar sem que você perceba.

Ficou com vontade de ler também? Então clica aqui e conheça Kaio, Cedrico e Otávio.

Uma raposa que caça um urso – Adrielli Almeida

Título: Uma raposa que caça um urso
Autor: Adrielli Almeida
Editora: publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019

raposa caça urso

Conheci a escrita de Adrielli Almeida por acaso, ao me deparar com Feita de letra e música em uma livraria. Desde então me encantei e passei a acompanhar a autora, principalmente por saber que esse primeiro livro teria continuação. Foi assim que li, também, Feita de melodia e sonho. E esse ano, Adrielli lançou mais uma obra: Uma raposa que caça um urso, um conto lançado de forma independente pela Amazon. Fui correndo comprar e ler (mas acabei demorando pra achar um espacinho na programação aqui do blog).

Mia Jung e Kim Jihoon se conhecem há anos, mas também vivem distantes um do outro há muito tempo — seis anos, para ser mais exata —, uma vez que Kim se mudou para Seul, em busca de seu sonho de se tornar cantor. O reencontro desses dois não se dá de maneira fácil e fica evidente para o leitor que há muitos sentimentos por traz de todas as palavras que eles trocam entre si.

“As palavras enclausuradas em algum lugar entre língua, mente e coração”

Kim Jihoon era coreano, mas durante muitos anos morou nos Estados Unidos, onde conheceu Mia, uma jovem descendente de coreanos. O reencontro que vemos no conto acontece quando Kim volta aos Estados Unidos para gravar um clipe.

“Era engraçado como sempre parecia haver algo entre eles. Dessa vez não era Seul. Dessa vez não era a diferença de idade. Dessa vez era uma única palavra”

A relação entre eles é engraçada: podemos perceber que há certa reciprocidade nos sentimentos deles, mas também há algo que os impede de estar juntos.

“Uma raposa que caça um urso, era assim que ela se sentia nos braços dele”

O conto é curto, mas cheio de altos e baixos, tensões e momentos de paz. Uma leitura que te faz refletir sobre prioridades. É assim que Adrielli nos fala um pouco sobre kpop, amor e amizade. Adorei!

“Ela tinha cheiro de sol, mar e verão, de todas as coisas quentes das quais ele sentia falta”

Se interessou pelo conto? Adquira o seu aqui.