A odalisca em mim – Cínthia Sampaio

Título: A odalisca em mim 
Autor: Cínthia Sampaio 
Editora: publicação independente 
Páginas: 17
Ano: 2018

Blog das Tatianices

A odalisca em mim é um conto hot escrito pela carioca Cínthia Sampaio. Como não posso contar muita coisa aqui, para evitar spoilers, vou aproveitar essa leitura para falar um pouco sobre o formato de um conto.

Por ser uma narrativa breve — sendo menor que uma novela ou romance — o conto conta com poucos personagens, lugares e apenas um clímax, que é o ponto alto da história. Vejamos como cada um desses elementos aparecem em A odalisca em mim:

  • Os personagens do conto são apenas três: a protagonista, seu namorado e a figura misteriosa que aparece no sonho da protagonista e a leva à loucura.

“Despertei em um arquejo e senti como se alguém tivesse me expulsado do sonho mais lindo que já tive”

  • O espaço de um conto deve ser reduzido. No caso de A odalisca em mim toda a história se passa em um quarto. Bem, na realidade, aparecem dois quartos na história: o quarto do sonho da protagonista e o quarto real em que ela se encontra.
  • O tempo também é curto, e aqui temos apenas a duração de um sonho e um breve diálogo que acontece quando a protagonista acorda desse sonho.
  • A cronologia deve ser linear e essa é uma das coisas mais interessantes de A odalisca em mim: o sonho vai se desenrolando aos nossos olhos e vamos acompanhando as sensações da protagonista, podendo vivenciar o ápice e a surpresa pelos olhos dela.

“Eu me sentia plena. Sabia que ninguém no mundo saberia me amar tão bem quanto eu mesma”

  • Diálogos são um elemento importante em contos, pois ajudam na objetividade dos acontecimentos. Podemos encontrar diversas falas ao longo de A odalisca em mim, seja entre a protagonista e o personagem de seu sonho, seja entre a protagonista e seu namorado.

Além de considerar que A odalisca em mim segue muito bem as características de um conto, o que mais me cativou nessa leitura foi o fato de que, para além de uma história hot, trata-se de uma narrativa sobre autoconhecimento e isso realmente me surpreendeu. É uma leitura realmente rápida e muito bem pensada!

Ficou com vontade de saber mais sobre essa história? Adquira o seu ebook aqui.

 

 

As fases da lua – Cínthia Sampaio

Título: As fases da lua
Autor: Cínthia Sampaio
Editora: publicação independente
Páginas: 120
Ano: 2018 (1º edição)

Design sem nome

O livro As Fases da Lua nos traz poemas e pensamentos da autora Cínthia Sampaio. Bem, os textos são dela, mas quem nunca sentiu ou pensou algo do que ela traz nas deliciosas páginas desse livro? E a própria autora fala sobre sua obra da seguinte maneira:

“As Fases Da Lua representam as fases da vida e mudanças que podem ou não acontecer com todo ser. Espero que se encontre nas folhas deste livro”

De minha parte, posso dizer que o desejo da autora foi atendido: me identifiquei com muitos trechos ao longo da leitura!

“Escrever sobre mim,

Talvez seja ainda mais complicado.

Porque as palavras ficam registradas

Enquanto eu sigo sempre mudando”

O livro é composto por muitos poemas e canções escritos por Cínthia, mas há também alguns textos em prosa que, confesso, foram os que mais gostei, apesar do meu texto preferido dentre todos os escritos do livro ter sido “Palavras”, que é um dos poemas.

As palavras, aliás, são a base de muitas das reflexões da autora, e isso é uma coisa que eu amo encontrar nos livros que leio.

“Espero um dia fazer alguma diferença nesse mundo e que minhas palavras não sejam apenas parte de um rascunho como esse”

Ainda bem que os textos da Cínthia saíram do rascunho e ganharam o mundo. Aliás, quem saiu ganhando fomos nós!

“Muitos disseram que eu não deveria escrever, que não deveria chorar, que não deveria cantar. Eu as escutei? Não. Eu escrevi”

Eu li As fases da lua super rápido, porque o livro permite essa fluidez na leitura. Você vai lendo um texto atrás do outro e, quando vê, já acabou o livro. Claro que, por diversos momentos, tive de parar, erguer a cabeça e absorver as palavras apenas lidas. E isso só tornou a leitura desse livro ainda melhor.

“A vida é um ciclo”

E claro que eu não poderia deixar de encerrar essa resenha com alguns versos que eu adorei, sobre um assunto que sempre acabo escrevendo por aqui: o poder das palavras e o quanto precisamos tomar cuidado com o que dizemos uns aos outros.

“Brincamos de viver

Não levemos a sério

Cada palavra dita ao próximo”

Se você se interessou pelo livro, saiba que ele está disponível em ebook aqui.

 

Papo sério: conversando sobre autores nacionais

Espaço reservado para texto (3)

No dia 11 de fevereiro eu participei do evento Folia Literária, que ocorreu na Biblioteca Pública Viriato Corrêa, em São Paulo (aliás, é um dos meus objetivos esse ano: participar de mais eventos literários. Mas esse não é o foco deste post).

No dia do evento eu já acordei com uma grande pulga atrás da orelha: porque nós não valorizamos muito aquilo que é nacional? Afinal, eu conheço coisas nacionais que são tão incríveis quanto as estrangeiras…

Quando eu cheguei no Folia Literária a minha pulga atrás da orelha foi crescendo cada vez mais. Naquele espaço eu fui recebida com muitos abraços, autógrafos e boas conversas. Tudo isso vindo de escritores! De pessoas que gastam horas em frente ao computador, transformando uma simples tela em branco em uma história fascinante. Mas, mais do que isso, de pessoas extremamente acessíveis que estavam dispostas a compartilhar o que sabiam com todos que estivessem dispostos a escutá-los.

Acho que todo mundo que gosta de ler viu, no ano passado, como o nosso mercado editorial não anda lá essas coisas. E quem sofre com isso? Bem, todos que trabalham nesse ramo e, principalmente eles, os escritores! Aqueles serzinhos maravilhosos que estavam ali naquele evento (e em tantos outros) tentando cativar novos leitores (e olha, eles conseguiram, viu!), tentando incentivar a leitura.

Felizmente, me parece que esses tais autores nacionais têm conseguido conquistar os leitores e eu acredito que eles podem ser uma ótima porta de entrada para que possamos ler inclusive autores brasileiros clássicos. E é justamento disso que estou falando aqui, da necessidade de valorizarmos o que é nosso, seja os autores de hoje, seja os de ontem. Mas autores que escreveram sobre nossos costumes, nossa sociedade, tanto de maneira ficcional quanto realista.

Eu saí do Folia Literária com o coração quentinho e dois livros autografados! E depois disso também estive em outros espaços que reuniram tantos outros escritores e leitores e a sensação é sempre a mesma. E é incrível.

Meu blog ainda é pequeno, mas a ambição é grande: incentivar a leitura. Espalhar esse amor pelos livros por esse Basil afora. E eu sei que não estou sozinha nessa. Para além de tantos leitores especiais que acompanham esse cantinho, esse semestre eu ainda tive a oportunidade de, mesmo sendo pequena por aqui, conseguir parceria com quatro escritores nacionais que me apresentaram histórias incríveis. Por isso, aproveito esse post para deixar registrado o meu enorme obrigada ao M. Pattal — que além de me presentear com Adelphos, ainda me deu ótimas dicas para as resenhas — à Cínthia Sampaio — que lançou Quando a neve cair com muito amor e também espalhou esse sentimento para todos os seus leitores, sendo uma autora extremamente aberta e que conversa de verdade com seus leitores; para a Michelle Pereira, que está me deixando maravilhada com suas histórias — O demônio do campanário me prendeu até a última página — e que também me recebeu de braços abertos e com muito carinho; ao Dalton Menezes, que ainda irei apresentar melhor a vocês, mas que já me cativou só pelo jeito de se fazer presente. Também queria deixar um super obrigado à Ingrid, do Encanto Literários, que tem me propiciado uma experiência de leitura única, com muitas trocas e quentinhos no coração.

E, se para além desse autores, vocês tiverem interesse em conhecer outros escritores nacionais, comenta aqui, vamos trocar ideias, vamos divulgar a literatura brasileira. Nesse blog mesmo, já tenho resenhas de muitos outros livros brasileiros, contemporâneos e clássicos.

E vocês, quais livros nacionais vocês já leram? O que acharam?

 

 

 

Citações #20 — Quando a neve cair

21 August 2014

Se você me acompanha por aqui já deve ter percebido que eu amo um bom romance e que com Quando a neve cair não foi diferente. Lançado em 2019, de forma independente, pela autora Cínthia Sampaio, o livro se mostrou uma leitura leve e recheada de sentimentos.

“Aquela felicidade de ter apenas o momento para se viver e nada mais com que se preocupar”

Ainda que seja um romance intenso, Quando a neve cair fala sobre muitas coisas mais. Um dos principais pontos do livro, por exemplo, é a amizade:

“Sinto como se tivesse falhado como sua amiga e tenho medo de que não exista nada que eu possa fazer para você me perdoar”

E mesmo quando a autora fala sobre o amor (romântico), ela lembra que a amizade é imprescindível.

“Os casais mais apaixonados eram melhores amigos antes de tudo”

Por outro lado, às vezes podemos nos sentir sozinhos mesmo em meio a muitas pessoas. Isso porque nenhuma delas, ao menos naquele momento, é capaz de aplacar a nossa dor.

“Quando estamos sofrendo, nós nos sentimos sozinhos até em uma multidão”

Existem diversos motivos pelos quais podemos sofrer e não encontrar ajuda tão facilmente, mesmo quando há pessoas nos estendendo a mão. Isso porque, antes de mais nada, precisamos confiar para aceitar que alguém nos ajude.

“Confiar o coração a outra pessoa era uma tarefa muito árdua”

Essa passagem aí de cima nos leva a outra, em que a protagonista questiona se o amor deve ser algo difícil. E lembre-se: o amor verdadeiro não deve ser difícil. Não deve doer, não deve nos deixar inseguros.

“Será que o amor deveria mesmo ser assim? Deixar-nos rodeados de inseguranças e desespero?”

Como eu disse, Quando a neve cair é um livro recheado de sentimentos. Apesar dos vários momentos alegres, há, também, muita mágoa e arrependimento ao longo das páginas (coisa que talvez já tenha ficado claro com alguns dos trechos acima…).

“Eu sabia que minhas palavras feriam, mas era a verdade. E a verdade doía”

O que eu mais gostei no livro, porém, para além de tudo o que eu já falei, foi a reflexão da autora sobre a questão do que as pessoas consideram “felicidade” para as mulheres.

“Por que as pessoas achavam que para as mulheres serem felizes precisavam necessariamente estar em um relacionamento? Por que achavam que o nosso maior sonho era ter filhos?”

Quantas vezes já não nos perguntamos isso, não é mesmo?

Mas claro que eu também amei uma passagem em que a Luíza conta sobre sua época de escola e acho que eu nem preciso explicar muito o motivo de ter gostado:

“Na verdade, o que eu mais gostava na escola era de me esconder na biblioteca e viajar nas páginas de um livro, imaginar os personagens e viver, nem que fosse por algumas horas, naquele mundo fantástico, onde poderia matar monstros, ter superpoderes, salvar vidas, lutar com espadas e salvar pessoas à beira da morte”

Mas Maria Luíza não tinha superpoderes e quase no final do livro acontece uma reviravolta e tanto. E, sem dar spoilers, termino essas citações com uma bela passagem, para que fique a reflexão:

“Como éramos pequenos naquele mundo enorme. Não importava se éramos ricos ou pobres, baixos ou altos, se tínhamos estudo ou não. Quando algo assim acontecia, não éramos ninguém”

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Quando a neve cair – Cínthia Sampaio

Título: Quando a neve cair
Autor: Cínthia Sampaio
Editora: independente
Páginas: 399
Ano: 2019 (1º edição)

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(para ler ao som de Gostava tanto de você)

Quando a neve cair é um romance e tanto. E o melhor: não é nada previsível! Em diversos momentos da leitura eu pensava “agora vai acontecer isso” ou “fulano vai aparecer agora”, mas acontecia algo totalmente inesperado ou aparecia quem eu nem imaginava que apareceria. Fora que a personagem principal parece ter uma raiva — ainda que muito bem justificada — que não é comum em mocinhas de tantos romances que vemos por aí. Os sentimentos transbordam nesse livro.

“Era um alívio não sentir raiva, dor, tristeza e solidão”

Maria Luíza — a narradora protagonista — é uma jovem que nasceu e cresceu em Nova Aliança, uma pequena cidade. Luíza (como é chamada a personagem ao longo da história), apesar de ter crescido em meio a uma sociedade conservadora e até mesmo retrógrada, tem o sonho de viajar, conhecer novas culturas e pessoas.

“Na cidade que nasci, sonhar era praticamente pecado, e eu, a louca que queria mudar as regras de tudo”

Luíza tinha uma vida pacata, rodeada de amigos queridos. Amanda era sua melhor amiga desde sempre e a implicância de Arthur, irmão mais velho de Amanda, com Luíza se transformou em um amor e tanto, um relacionamento que todos acreditavam que daria em casamento. Mas, nem tudo são flores…

Luíza ganha da tia um intercâmbio para a França. Seis meses em que seu sonho se tornaria realidade. Quando vai contar a novidade para Arthur, porém, tudo começa a ruir. O relacionamento dos sonhos termina ali.

“Eu não poderia culpá-lo por uma decisão minha. Mas ele aceitou tão facilmente, como se não importasse, como se me perder não significasse nada”

Luíza viaja arrasada para a França. Arthur terminou com ela sem deixar que ela explicasse coisa alguma. Afinal, seriam apenas seis meses afastados, mas conversando todos os dias. Por que um término tão abrupto?

E o pior: ao chegar na França, Luíza descobre que todos os seus amigos lhe viraram as costas. Com isso, aqueles seis meses iniciais viram 5 anos na França. Sozinha, amargurada, mas ao mesmo tempo crescendo e construindo uma nova vida.

“Arthur rompeu qualquer ligação existente entre nós e me deixou do lado de fora da muralha que ele havia criado para separar qualquer pessoa que pudesse afetá-lo”

Quantas coisas podem acontecer em cinco anos? É isso que Luíza irá descobrir quando retornar para Nova Aliança, para as Bodas de Prata de seus pais. E é nesse ponto que realmente começa a história que acompanhamos ao longo do incrível Quando a neve cair.

“O mundo enorme não me assustava, mas ter que enfrentar as pessoas que deixei para trás me fazia tremer de medo”

Como Nova Aliança era uma cidade pequena e Luíza passaria cerca de um mês lá, obviamente ela reencontraria seus velhos amigos.

“Sentia que nada mais poderia ser como antes”

Uma das primeiras pessoas que Luíza encontra é, sem dúvidas, Amanda. E é através das conversas delas e dos demais personagens que aos poucos vão aparecendo, que podemos reconstruir o que aconteceu nos cinco anos em que Luíza esteve distante de Nova Aliança. Amanda faz de tudo para reaproximar todos (ou quase todos) e, assim, vamos conhecendo Angélica, Rômulo, Suzana, Felipe, Melissa, Eric… Enfim, cada pessoa que fez parte da vida de Luíza. E claro, temos a oportunidade de conhecer melhor Arthur.

“Eles esqueceram o significado da palavra ‘amizade’ quando me deixaram de lado sem nenhuma explicação”

Por vezes, pode ser que o leitor tenha vontade de bater nesse mocinho, mas a verdade é que achei Arthur um personagem bem coerente, agindo de acordo com seus medos e sentimentos. Quem merece apanhar na história é outra personagem… (mas só lendo para descobrir!).

Para mim, além de todas as emoções despertadas, ler Quando a neve cair também foi interessante por conta desse dilema de Luíza ter passado tanto tempo fora e ter de redescobrir seu antigo mundo. Confesso que sempre tive certo receio de intercâmbio pelo medo de perder coisas importantes em seis meses. Imagina se esses seis meses se multiplicam, tornando-se cinco anos, ainda mais quando ninguém mais fala contigo realmente! É assustador e eu não queria estar na pele de Luíza.

“Se nem eu era como antes, por que queria que um lugar fosse?”

Agora, se vocês querem saber “se” e “como” Luíza e Arthur se entendem novamente, só lendo o livro. E garanto que vocês não vão se arrepender. Eu recomendo muito Quando a neve cair para todos que buscam uma leitura intensa, mas fácil; surpreendente e linda. É um livro perfeito para quem gosta de romance, intrigas, amizade e sonhos. E, de certa forma, sobre autoconhecimento também. A diagramação do livro está incrível e torna a leitura ainda mais prazerosa.

“Não era possível uma pessoa que viajou para vários países e conheceu tantas pessoas e culturas, estivesse fadada a ficar com a mente e o coração presos em um só lugar”

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