Citações #95 — Novelion: a ascensão de uma estrela

Novelion, do Lucas Luyu, foi uma inesperada e grata leitura realizada no último ano.

“— Se são más línguas, por que escuta?

— Por que ainda são línguas?”

O livro, publicado em 2019, foi capaz de me envolver e me deixar com vontade de seguir adiante na série.

“A fagulha foi solta. O caos está presente; só não vê quem não quer”

A premissa é bem interessante: mergulhamos em uma sociedade dividida em signos e na qual é preciso conquistar o direito de viver. Para isso, portanto, os jovens precisam passar pela Seleção

“Eu sempre acreditei estar preparado para a seleção, mas agora que ela está tão próxima não sei dizer ao certo se algum dia estive”

“Novelion é o motivo da nossa existência. Eles mandam em tudo”

“Na cabeça dele, devo ter sido esfaqueado umas trinta vezes. Na minha, ele é quem está sendo esfaqueado. Isso é a Seleção Ultra-humana”

“Incrível como eles gostam de tornar nossas vidas um reality show amaldiçoado”

“No fundo, a seleção tem a ver com isso. Ou você manipula e se torna um dominante, ou é manipulado e vira o dominado”

“Parece que a garota mascarada estava certa; a Seleção Ultra-humana não é um conto de fadas. É um conto de horror”

Uma história bem ao estilo Jogos Vorazes, mas que acrescenta algumas camadas interessantes, como usar as características dos signos do zodíaco para construir os personagens

“Ele sabe que eu estou viajando além da mesa e resolve não me incomodar. Um pisciano entende um pisciano. E como entende”

“O maior inimigo de um pisciano é a própria mente dele”

“— Para onde é que os piscianos vão quando ficam olhando para o nada?”

“Eu sinto um pressentimento ruim. E quando nós, piscianos sentimos isso, significa que algo vai dar ruim. Bem ruim”

“É claro que não refletimos inteiramente as qualidades e defeitos do nosso signo de origem, entretanto, vê-lo da forma como é, me faz repensar na organização da sociedade”

“Escavei um poço gigantesco e enterrei meu lado sensível há quase dez anos. Em uma única noite, a mascarada conseguiu desenterrá-lo. Eu odeio tanto o fato de amar ser pisciano”

Neste tipo de narrativa, não poderia faltar, também, o conflito político.

“Parece que estou envolvido no meio de um jogo político pelo controle de Novelion. Um jogo, cuja principal arma é o assassinato”

“Tentar entender Novelion é o mesmo que entrar num labirinto”

“Por quê? Por que ela está fazendo isso? Será que a Cúpula a mandou propositalmente pra me matar?”

Algumas doses de ironia tornam a leitura ainda melhor.

“Eu não fazia ideia que cobras sorriam, até vê-lo”

“O negócio é que os humanos sempre acharam que exploravam o espaço quando, na verdade, nunca haviam ido mais longe que a lua”

Há, ainda, espaço para introspecção.

“É da dificuldade que nasce a necessidade”

“Que tipo de pessoa eu seria se acabasse com o sorriso dela?”

“Eu preciso meditar. Eu preciso me deitar. Eu preciso de um tempo sozinho. Eu preciso voltar para a minha bolha”

“Eu estou vivo e ao mesmo tempo morto. Não tenho ânimo. Quero chorar por um motivo desconhecido. Quero ser fraco e não forte. Quero desistir e dizer que não devia estar aqui. Mas tem algo dentro de mim, logo atrás da camada de dor que envelopa meu coração e diz que estou onde deveria estar”

E, claro, para a dor.

“É doloroso demais pensar em algo que você não sabe se existe”

“— A dor é passageira, não se preocupe. Tudo na vida é passageiro, mas aquela dor perdura por um longo tempo”

“Viver é doloroso”

Se você se interessou por essa história, leia a resenha completa clicando abaixo.

12 livros para 2020

Doze livros para 2020

Como eu disse na minha retrospectiva, não costumo estabelecer metas, ainda mais de leitura. Mas, esse ano, resolvi me desafiar um pouco, separando 12 tipos de livros que eu gostaria de ler ao longo do ano, um para cada mês (e não necessariamente na ordem que colocarei aqui):

  1. Um livro escrito por uma mulher
  2. Uma HQ ou um mangá
  3. Um livro em inglês
  4. Um livro em italiano
  5. Um livro de fantasia
  6. Um livro clássico
  7. Uma biografia/livro de não ficção
  8. Um livro sobre o ou que se passe no período do Holocausto
  9. Um livro de um(a) escritor(a) negro
  10. Um livro de poesia
  11. Um livro sobre algum transtorno/doença psicológica
  12. Um livro com protagonistas LGBTQ+

Aceito sugestões para cada uma das categorias acima, ainda que algumas delas tenham sido pensadas de acordo com alguns livros que estão parados na minha estante (e esse é o verdadeiro desafio: desencalhar livros!).

Conforme eu for cumprindo as leituras, trarei a resenha para vocês e a qual categoria o livro pertence. Lembrando (a mim mesma) que cada livro só poderá eliminar uma categoria!

Alguém que me acompanhar nessa? Ou vocês também já estabeleceram seus desafios?

Bell Tashi — G. Sebem Gugiel

Título: Bell Tashi: o novo mundo
Autor: G. Sebem Gugiel
Editora: Publicação independente
Páginas: 298
ano: 2017

bell tashi blog

Bell Tashi: o novo mundo nos traz um cenário distópico não muito difícil de se imaginar: no ano de 2036 não há mais respeito entre os seres humanos e a guerra sempre parece ser a única saída. Tentando melhorar esse cenário, o grande Conok dá poder a sete seres humanos, que se tornam governantes escolhidos para restaurar a paz neste planeta. Mas a ganância e o orgulho faz com que tudo saia totalmente fora do esperado…

“Dizem que o laço do ódio é quase tão forte quanto o do amor”

Bell e Tashi, dois jovens amigos que são criados quase como irmãos, crescem em um mundo dominado pela fome e pela sede e sem acesso às tecnologias que conhecemos hoje (e talvez outras tantas que já poderiam ter se desenvolvido). Isso porque os sete escolhidos resolvem confiscar tudo do bom e do melhor, ignorando todo o restante da população e de suas necessidades.

“Os perigos do novo mundo desabavam sobre a vila”

Bell é uma garota de cabelos verdes e muito inteligente, que foi criada por Kynaro, seu pai. Tashi é um garoto ruivo, super traquinas e valente e que também foi criado por seu pai, Kyoto. Os quatro habitavam a mesma casa e eram importantes para a manutenção da vila em que viviam e o elo entre Bell e Tashi sempre foi forte e inspirador.

“O destino é curioso. Uniu duas crianças maravilhosas e muito parecidas em seus ideias. Volta e meia isso acontece”

Um belo dia os dois jovens decidem sair em busca de aventuras e acabam se encontrando com Merlim.

“Seus corações se conectaram para sempre, desde o primeiro encontro”

Depois desse encontro, a vida de Bell e Tashi começa a mudar radicalmente: juntos, os três dão início a uma pequena família que quer lutar contra as mazelas desse novo mundo e ao longo de seus caminhos eles vão encontrando outras pessoas dispostas a se juntar a eles, mesmo diante de incontáveis perigos. Pessoas que, assim como eles mesmos, arriscam suas próprias vidas em prol da humanidade.

“Bell e Tashi estavam com os olhos cheios de lágrimas, eles não estavam acostumados com a maldade do mundo”

Além de ser um livros distópico, Bell Tashi: o novo mundo é cheio de ação e aventura (por vezes, até demais). Uma história, portanto, para quem não quer ou não gosta de narrativas paradas.

“Se em nosso caminho salvarmos uma pessoa sequer, terá valido a pena toda a caminhada”

Um livro que fala sobre amizade, amor e sobre acreditar que é possível fazer deste um mundo melhor para todos. Além disso, é uma leitura que pode ser feita tranquilamente por leitores mais jovens também.

“Digo e repetirei no fim, uma luz atrai outras luzes”

Se você acha que Bell Tashi: o novo mundo é para você, adquira o seu ebook aqui.

Citações #6 — Fahrenheit 451

Para as citações de hoje vamos de Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. As páginas são da edição publicada em 2012, pela Biblioteca Azul. Para quem não conhece, Fahrenheit 451 é uma daquelas distopias que a gente não pode deixar de ler. Trata-se de uma história em que as pessoas não possuem livros, pois estes seriam um item ruim para o ser humano. Já pensou que mundo horrível?

“Os livros servem para nos lembrar o quanto somos estúpidos e tolos” (p.111)

Como eu disse, Fahrenheit 451 é um livro muito bom, então, como é de se esperar, ele vai abordando vários assuntos que sempre são válidos em uma roda de conversa (ou ao menos assuntos sobre os quais deveríamos pensar um pouco mais):

“Sempre se teme o que não é familiar” (p.81)

Digamos que essa é uma forma mais bonita de dizer que a gente tem medo do desconhecido. E, convenhamos, temos mesmo. Quantas pessoas vocês conhecem que se arriscam a fazer as coisas sem medo? Que topam mudar seu jeitinho de agir ou, o mais difícil, sua visão sobre a vida e tudo o mais?

“Numa noite está tudo bem e na seguinte estou me afogando” (p.162)

Isso chama-se vida, meus caros. Nem todos os dias serão bons e fáceis, mas se soubermos passar por eles, teremos dias bons. E passar pelos dias ruins é mais fácil se temos com quem contar… Em Fahrenheit 451 uma coisa não muito comum é aquela tal de empatia que tanto ouvimos falar nos dias de hoje…

“Você já notou como as pessoas se machucam entre si hoje em dia?” (p.50)

Justamente quando não há empatia há isso aí: egoísmo, brigas desnecessárias, excesso de opinião e falta de diálogo. A gente machuca os outros não somente fisicamente, mas por meio de nossas palavras e ações (ou falta de ações). E para quê? Para nada!

Com isso, entramos na última citação, que é justamente sobre enxergar o outro e compreendê-lo. Mas dito de maneira bem mais bonita:

“Pois quantas pessoas seriam capazes de refletir a luz de uma outra?” (p.29)