A magia de Christian Luciano – Gredan Risolein

Título: A magia de Christian Luciano
Autor: Gredan Risolein
Editora: publicação independente
Páginas: 407
Ano: 2018

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Christian Luciano é um menino que vive em São Paulo, filho de Estevão — um mecânico — e Eunice — uma professora de biologia. Ele também tem um irmão mais novo, Jonas. E, até aqui, não temos nada de extraordinário. Acontece, porém, que Christian não é uma criança qualquer: além de ser muito inteligente, ele consegue, aos dois anos de idade, chegar a um outro mundo: Guisaro.

“O mundo era para ser descoberto, desbravado”

O livro é narrado por diversos personagens, que dão seu depoimento para construir essa história cheia de mistérios, magia e descobertas incríveis. E uma coisa que achei muito interessante foi o fato do autor conseguir mesclar muito bem a História real (do nosso mundo) com uma história fantástica muito bem construída.

“A humanidade dorme. E o dom e a necessidade de dormir nos faz fechar os olhos. Quando sonhamos, os sonhos podem ser maravilhosos. Mas muitas vezes temos pesadelos, e é bom saber que, quando acordamos, podemos olhar em volta e descobrir que aquilo era apenas um sonho ruim”

Enquanto no plano terreno vamos passeando pelas ruas de uma São Paulo mais antiga e, ao mesmo tempo, entramos em contato com histórias como o fatal acontecimento de Chernobyl, no plano espiritual (não sei bem como chamar esse outro lado da história), vamos navegando por diversos mundos em que vivem as almas que já não possuem um corpo.

“Talvez as pessoas da terra estivessem precisando de mais fé e mais milagres. Acreditar na magia da vida, e entender que o universo é muito maior e mais rico do que aparenta ser”

E como tudo isso se relaciona na história? Christian Luciano, segundo as desconfianças do Mago Afonso de Bisencourt (mago que Christian encontra ao visitar Guisaro), pode ser a reencarnação de Driegus Niponeri, grande herói de Guisaro e outros mundos.

“Amor é a força que mantém todo o universo, e mesmo nos momentos em que forças poderosas parecem destrutivas, existe uma ordem maior por trás, cuja função final é o equilíbrio”

Uma alma, enquanto é alma, lembra-se de tudo o que viveu em sua(s) forma(s) humana — porque sim, uma mesma alma pode ter vivido inúmeras histórias, e isso também contribuiu para a presença da História neste livro — mas quando ela reencarna, essas memórias e conhecimentos ficam adormecidos.

“Existem momentos em que, embora o consciente não saiba explicar, o inconsciente reconhece o poder de algo mais forte, um sentimento poderoso que extrapola todas as fronteiras”

Driegus já tinha toda uma vida no mundo das almas, além de ter muito poder. Mas, um belo dia, após um confronto com seu arqui-inimigo Gilmon Kanerum, ambos desaparecem. Vivian Niponeri, esposa de Driegus, fica inconsolável e se isola de todos. Até que Mestre Afonso a convence de ajudá-lo a descobrir se Christhian Luciano é ou não Driegus.

“Só ela sabia o quanto era imensa a dor da separação de seu grande amor”

Assim, A magia de Christian Luciano torna-se um livro cheio de revelações, ação, magia. E é um livro que fala sobretudo de amor. E esse provavelmente foi um dos maiores motivos para eu ter me encantado mais com tal história.

“E nos momentos de felicidade é fácil esquecer todos os problemas que ficaram para trás”

Incógnita – Dalton Menezes

Título: Incógnita — Aforismos I
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 83
Ano: 2019

Incógnitas

O livro Incógnita nos traz uma série de aforismos escritos por Dalton Menezes. Aforismos são textos muito breves — por vezes até mesmo uma simples frase — que nos trazem uma regra, um pensamento, um princípio, uma advertência. E apesar de encontrarmos um pouco de cada nos textos do autor, predominam os pensamentos, muitos deles advindos de sentimentos do escritor.

“Por mais alto que eu grite, por mais insuportável que seja a minha dor, as pessoas só escutarão o silêncio”

Alguns dos aforismos que encontramos ao longo desse livro também são frases ou parágrafos que aparecem em alguns de seus livros anteriores (O escritor e Alegórico ser) e que parecem ganhar ainda mais força quando destacados nesta obra.

“Na vida, só se encontra quem aceita estar perdido”

Incógnita  nos traz 70 aforismos e não é necessariamente um livro para ser lido como outro livro qualquer, mas sim uma obra para se ter e consultar nos mais diversos momentos de nossas vidas. Um livro para ser aberto quando você estiver em busca de algo que te faça refletir.

“Quem ganha uma discussão nem sempre é quem tem o melhor argumento, mas, sim, quem dela sai transformado”

O post de hoje ficou bem curtinho, porque eu não posso falar muito mais sobre os aforismos do livro, a menos que eu me detivesse em alguns (ou todos). Além disso, é preciso ler e ter a sua própria experiência saboreando essa obra e aprendendo com ela.

E se você quer conhecer os outros aforismos de Incógnita, adquira seu ebook aqui.

 

 

De repente, nós – Tici Pontes

Título: De repente, nós
Autor: Tici Pontes
Editora: publicação independente
Páginas: 373
Ano: 2019 (1º edição)

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Ao longo da leitura de De repente, nós senti que a história poderia ser muito previsível. Ainda assim, eu fiquei bem presa a ela: toda hora eu queria saber o que viria depois e algo que certamente contribuiu para isso foi o fato da narrativa ser alternada entre os personagens principais de toda a trama: Owen e Lucy. Essa alternância, porém, pode ter dificultado um pouco a escrita da história, pois, em alguns momentos, nos deparamos com informações repetidas que não precisavam aparecer (ao menos eu me lembrava bem delas quando apareceram pela segunda vez). De qualquer forma, eu gostei muito desse livro e espero que dê para perceber isso ao longo dessa resenha.

Lucy é professora de uma escola infantil (e eu amei todas as passagens dela trabalhando) e Owen é um veterinário super fofo que ama o que faz e que aparenta amar a vida também.

“Criar um amor pelos estudos desde a infância era fundamental para que essas crianças de tornassem adultos com um futuro promissor”

No começo do livro conhecemos também Scott, que forma um belo casal com Lucy, apesar dele não compreender a vergonha/ o medo que Lucy sente de contar para os pais que namora, mesmo ela sendo totalmente independente. Em uma das primeiras cenas do livro vemos Scott indo embora da casa de Lucy após mais uma discussão sobre esse mesmo tema.

“Eu tinha certeza que uma tempestade ainda viria com toda força, antes que a calmaria se instalasse”

Do outro lado temos Owen formando uma dupla romântica com Hannah. Eles estão em um jantar na casa de amigos de Hannah, que está grávida. O relacionamento dos dois, porém, vai de mal a pior. E o jantar só estraga ainda mais o clima que (não) há entre eles. No carro, indo embora desse jantar, os dois começam a discutir intensamente.

“Nosso relacionamento havia se transformado em uma teia de mentiras e enganações”

Até aqui parece que já aconteceu bastante coisa (já foram duas brigas!), mas ainda estamos bem no início do livro e é nesse momento que acontece o primeiro ponto crucial da história: um acidente de carro. Os envolvidos nele? Scott, sozinho em seu carro, mas falando ao celular com Lucy — que está tentando (e conseguindo) fazer as pazes — e Owen e Hannah, discutindo no outro carro. Para Scott, o acidente foi fatal. Para Owen e Hannah não.

“Bastou uma fração de segundo para definir não só o meu futuro, como também as vidas de Scott e Lucy”

Eu achei bem interessante a questão do acidente, pois, de um lado, havia um motorista falando ao celular e, de outro, um casal discutindo e, consequentemente, um motorista que não estava prestando atenção no caminho à sua frente. Durante toda a leitura do livro eu fiquei pensando que essa questão deveria ter até sido mais explorada, como um forma de conscientização sobre o tema. Mas agora, escrevendo essa resenha eu me perguntei: e já não basta todas as consequências apresentadas no desenrolar da história? As consequências desse acidente mudam completamente a vida dos envolvidos nele e mesmo de seus familiares.

“Haviam marcas dentro de nós que não eram visíveis e só o tempo iria se encarregar de corrigir os erros do passado e ajudar a traçar o futuro”

Por ter sobrevivido ao acidente, Owen torna-se o culpado de tudo e acaba sendo preso (sim, o veterinário fofinho e que parece amar a vida tem de passar anos 8 em uma cadeia). Lucy, por sua vez, tenta seguir com sua vida, por mais que a dor seja quase que paralisante.

“Por causa dele meu coração tinha se transformado em uma chaga aberta, que sangrava a cada lembrança que eu tinha com meu namorado”

Em de repente, nós, portanto, vamos acompanhando a vida pós-acidente de Owen e Lucy. Uma vida cheia de altos e baixos, surpresas, encontros, recomeços.

“Existem coisas que não conseguimos esquecer, que iremos carregar conosco pelo resto de nossas vidas”

Meu coração quase teve um treco em alguns momentos do livro. Se o acidente já nos deixa mal, é porque vocês não viram o final dessa história linda! Como eu disse, o enredo tomou rumos um pouco previsíveis, mas, ainda assim, cheio de elementos surpresa que tornam este livro único.

“Lucy fora minha luz e transformou-se em minha escuridão”

De repente, nós é um romance para quem está buscando refletir sobre os acasos da vida, para quem quer acreditar que o destino, por vezes, nos prega boas peças. Um livro intenso, de tirar o fôlego e cheio de amor e lágrimas.

“A vida é cheia de mistérios, Owen. E sempre caminha por estradas que nem sempre conhecemos e compreendemos”

Se interessou por De repente, nós? Clique aqui para saber mais sobre ele.

As fases da lua – Cínthia Sampaio

Título: As fases da lua
Autor: Cínthia Sampaio
Editora: publicação independente
Páginas: 120
Ano: 2018 (1º edição)

Design sem nome

O livro As Fases da Lua nos traz poemas e pensamentos da autora Cínthia Sampaio. Bem, os textos são dela, mas quem nunca sentiu ou pensou algo do que ela traz nas deliciosas páginas desse livro? E a própria autora fala sobre sua obra da seguinte maneira:

“As Fases Da Lua representam as fases da vida e mudanças que podem ou não acontecer com todo ser. Espero que se encontre nas folhas deste livro”

De minha parte, posso dizer que o desejo da autora foi atendido: me identifiquei com muitos trechos ao longo da leitura!

“Escrever sobre mim,

Talvez seja ainda mais complicado.

Porque as palavras ficam registradas

Enquanto eu sigo sempre mudando”

O livro é composto por muitos poemas e canções escritos por Cínthia, mas há também alguns textos em prosa que, confesso, foram os que mais gostei, apesar do meu texto preferido dentre todos os escritos do livro ter sido “Palavras”, que é um dos poemas.

As palavras, aliás, são a base de muitas das reflexões da autora, e isso é uma coisa que eu amo encontrar nos livros que leio.

“Espero um dia fazer alguma diferença nesse mundo e que minhas palavras não sejam apenas parte de um rascunho como esse”

Ainda bem que os textos da Cínthia saíram do rascunho e ganharam o mundo. Aliás, quem saiu ganhando fomos nós!

“Muitos disseram que eu não deveria escrever, que não deveria chorar, que não deveria cantar. Eu as escutei? Não. Eu escrevi”

Eu li As fases da lua super rápido, porque o livro permite essa fluidez na leitura. Você vai lendo um texto atrás do outro e, quando vê, já acabou o livro. Claro que, por diversos momentos, tive de parar, erguer a cabeça e absorver as palavras apenas lidas. E isso só tornou a leitura desse livro ainda melhor.

“A vida é um ciclo”

E claro que eu não poderia deixar de encerrar essa resenha com alguns versos que eu adorei, sobre um assunto que sempre acabo escrevendo por aqui: o poder das palavras e o quanto precisamos tomar cuidado com o que dizemos uns aos outros.

“Brincamos de viver

Não levemos a sério

Cada palavra dita ao próximo”

Se você se interessou pelo livro, saiba que ele está disponível em ebook aqui.

 

O demônio do campanário – Michelle Pereira

Título: O demônio no campanário
Autor: Michelle Pereira
Editora: Independente
Páginas: 285
Ano: 2017 (1º edição)

I am a tree Strong limbed and deeply rooted My fruit is bittersweet I am your mother

Antes de dizer qualquer coisa sobre O demônio no campanário eu preciso pedir que vocês não tenham preconceito com o título: a história não é aterrorizante. Aliás, eu quase me vi torcendo pelo tal demônio, coisa que eu jamais esperaria/imaginaria dizer.

De um lado temos Evangeline Lions — ou Eva — uma jovem de 17 anos que estuda em um bom colégio e tem amigos que são quase como irmãos, além de pertencer a uma rica família. Mas, como sempre, dinheiro não é felicidade: o pai de Evangeline quase nunca está em casa, e quando está, vive brigando com a esposa, até que um dia eles resolvem se separar e a vida de Eva vira de cabeça para baixo.

“Senti raiva da minha mãe por me condenar a viver confinada neste lugar, enquanto ela aproveitava o dinheiro do divórcio com meu pai no litoral de algum país exótico”

Eva vivia com a mãe até que esta, após a separação, decide aproveitar a vida e, para isso, envia Eva para o colégio interno do Convento Senhora das Dores.

“Fiquei pensando em todas as coisas que deixei para trás. Meu quarto, meus pertences, minha casa, meus amigos…”

É muito doido pensar que essa história se passa na atualidade. Acho que não estou acostumada a pensar em meninas indo estudar em conventos. Do lado do convento Senhora das Dores ainda tem um monastério, onde diversos meninos estudam. E isso traz boa parte do romance de O demônio no campanário, porque, no final das contas, as meninas do convento se relacionam com os rapazes do monastério, uma vez que existem ocasiões em que eles se encontram, como a missa dominical, ou as gincanas esportivas que ocorrem aos sábados . Uma loucura!

“Estudar em um convento dá a falsa impressão de rigidez e punição”

Loucura maior, porém, é pensar que na torre do sino da igreja — ou seja, no campanário — mora um demônio.

“Dizem as más língua que muitos anos atrás, sei lá, talvez na década de 50, um demônio começou a rondar o Convento em busca de almas para corromper e acabou instalando-se no campanário”

Eron, o demônio, precisa se alimentar do sangue de jovens virgens para sobreviver. Ele é um íncubo, que é um tipo de demônio que entra no sonho das pessoas a fim de atraí-las para si. Eu nem sabia que essa categoria de demônio existia de verdade (não que eu conheça categorias de demônio), mas Michelle realmente fez um trabalho e tanto, pensando em cada detalhe da história!

“Ele era um íncubo, como eu, um demônio que se alimenta das paixões humanas”

E por falar em detalhes, Michelle descreve os personagens de maneira que conseguimos visualizá-los em nossa mente, o que achei incrível.

Mas, voltando à história, Eva chega ao convento triste e revoltada com tudo o que perdera, mas ali ela faz novas amizades e vive uma infinidade de coisas, inclusive se apaixonando. Duas vezes.

“Eu queria tudo de volta. Mas a vida muda. E nós mudamos com ela”

Joan, Cristal e Carol são as novas amigas de Eva. Juntas, elas vivem as diversas aventuras que o convento lhes propicia. E, apesar do local sagrado, há espaço para inimizades também, e não estou nem falando da presença de Eron aqui!

“Mas, afinal, quem sou eu para julgá-los? Sou um demônio instalado no campanário de uma casa de Deus, pronto para deflorar a primeira virgem que passar por mim”

A narrativa de O demônio no campanário vai se alternando entre Eva e Eron, mas alguns outros personagens também ganham voz ao longo do livro, em capítulos surpreendentes. Em meio a essa narrativa alternada, vamos acompanhando as tentativas de Eron em atrair Eva, enquanto vamos descobrindo os sentimentos e os altos e baixos de Eva sob o ponto de vista dessa garota que, aos 17 anos de idade se vê obrigada a se adaptar a uma nova vida.

“Sempre tive uma dificuldade imensa em me sentir bem em meio a um mar de gente desconhecida”

Quando eu digo que quase me vi torcendo por Eron é porque ele também tem as inimizades dele e sua única chance de liberdade é conquistar Eva. Por outro lado, ele é um demônio!! Sem contar que Eva conhece um dos jovens do monastério que merece uma chance, muito mais que Eron…

Eu realmente me surpreendi (positivamente) com essa história. Quando terminei de ler, depois de devorar os últimos capítulos até saber como tudo acabaria, eu ainda fiquei com os personagens na cabeça por dias e dias. Eu sentia vontade de continuar acompanhando os passos de Eva e suas amigas — ainda que Joan e Carol fossem muito fofoqueiras —, queria saber mais sobre o que vinha depois, sobre como as coisas poderiam prosseguir depois de tantos acontecimentos marcantes.

O demônio no campanário é uma leitura que nos prende por ter mistérios na medida certa, adrenalina e romance, além de falar sobre amizade. Fora que, sendo o íncubo um demônio capaz de adentrar nossas mentes e manipular nossos pensamentos, fiquei refletindo sobre o quanto não seria isso uma metáfora para nossos próprios medos e inseguranças. Uma leitura que eu realmente indico e que, repito, não irá te deixar apavorado (a) e que, portanto, você pode ler tranquilo (a).

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