As 220 mortes de Laura Lins — Rafael Weschenfelder

Título: As 220 mortes de Laura Lins
Autor: Rafael Weschenfelder
Editora: Publicação Independente
Páginas: 53
Ano: 2020

Escrever um conto não é uma tarefa tão simples quanto parece, porque não é simplesmente escrever uma histórinha curta e acabou. A “histórinha” precisa ter começo, meio e fim na medida certa. E se tem algo que eu posso dizer é que As 220 mortes de Laura Lins tem exatamente isso. Ok, talvez eu não importasse de ler um pouco mais… Mas isso é pelo que ainda vou apresentar abaixo.

Acho que uma das coisas que surpreende logo de cara neste conto é a linguagem: totalmente acessível. Digo, o conto é escrito numa linguagem adequada aos personagens nele apresentados (dois jovens que estão no ensino médio) e, ao mesmo tempo, é recheado de referências que nos aproximam ainda mais dos acontecimentos e da narrativa. Não é uma história que termina em si mesma, mas que nos abre horizontes.

E aqui pegamos outro ponto crucial: a narrativa. Impossível não ser fisgado por essas páginas. Rafael pegou uma ideia e trabalhou em cima dela de maneira muito criativa, divertida e, apesar de tudo (e vocês já vão entender essa “ressalva”), leve.

Em certo momento da leitura, fiquei pensando se havia uma metáfora por trás daquelas palavras, onde tudo aquilo chegaria. Entendi que não era exatamente uma metáfora, mas havia uma grande mensagem a ser passada e… Uau! Como isso foi muito bem feito.

Mas vamos ao que interessa: antes de começar a leitura da história propriamente dita, somos apresentados a 5 regras. Guarde-as, você logo entenderá cada uma e — provavelmente, ao menos comigo foi assim — achará muito bacana o paralelo ali traçado.

“Nesse jogo, é a mente que fica com as cicatrizes mais profundas”

Os capítulos são nomeados de “ciclos” e isso também logo se explica. Se você olhar o sumário, verá: Ciclo 1, Ciclo 2, Ciclo 3, Ciclo 220, Ciclo 221 e Laura. Não, não é um erro. Lembre-se que estamos falando de um conto e você, ao iniciar a leitura, logo entenderá que não seria possível narrar cada um dos ciclos (eu leria, viu?). Mas por quê?

A cada novo ciclo, Daniel acorda em seu quarto, olha para o celular e vê a mesma data e hora: 17 de maio, 13:23. A cada novo ciclo, Daniel vai se encontrar com Laura no Parque do Ibirapuera. E a cada novo ciclo, Daniel tenta evitar a morte de sua amiga (e falha).

É claro que depois do 3º ciclo, tanto Daniel quanto nós, leitores, já entendemos que ele está preso em um looping temporal. O que não sabemos — e nem ele — é como sair disso.

E apesar disso poder soar repetitivo, não é. Não apenas porque, a cada ciclo, Daniel descobre algo novo, mas também porque somos, aos poucos, apresentados à história dele e de Laura, que é muito mais complexa e instigante do que poderíamos esperar de dois jovens colegiais.

Ok, talvez “instigante” tenha sido um adjetivo exagerado, mas a realidade é retratada ali de maneira tão palpável que não tem como não vermos um filme passando em nossas cabeças.

“Viver a mesma tragédia 219 vezes e não poder conversar com ninguém é demais até para Daniel Trombadinha”

Li esse conto bem rapidamente, torcendo até o último momento por um final feliz. Não posso dizer que cheguei onde esperava, mas o final está realmente muito bem pensando.

E se te deixei com vontade de saber mais sobre essa história, clica aqui.

Filhos que não leem: instruções de uso [tradução 8]

Escrever para papais e mamães nunca me passou pela cabeça, mas a verdade é que as dicas que encontrei no post Figli che non leggono: istruzioni per l’uso (e que traduzirei aqui embaixo), podem ser úteis não apenas para pais, mas também para professores ou mesmo para qualquer pessoa que tenha contato com jovens (e, por que não? Adultos) que não gostam de ler.

O post original encontra-se no site Cultura18, e foi publicado em maio de 2019, por Erica Regalin. Confira aqui.


A maioria dos pais reclama que os filhos não leem o suficiente; mas é difícil competir com tablet e smartphone: o display iluminado parece ter a capacidade de aprisionar o usuário em um vórtice que não deixa espaço para dar atenção a outras atividades! As novas gerações estão habituadas a receber milhares de estímulos simultaneamente e as mídias sociais fossilizam as mentes para a leitura de textos breves e velozes; faz-se, portanto, necessário treinar novamente os jovens a encarar um bom número de páginas (inclusive de uma certa complexidade). Não todos, porém, aproximam-se dos livros espontaneamente, sendo, portanto, necessário utilizar táticas estratégicas para colocar um exemplar nas mãos dos próprios filhos!

O QUE NÃO É PRECISO FAZER

Obrigá-los a ler: insistir não te levará a lugar nenhum; o único efeito obtido será o de fazê-los odiar os livros, o que é bem diferente de não amá-los.

Criticar as demais atividades: cada uma delas sempre agrega valor, o que contribui para o crescimento e o estabelecimento da personalidade deles.

Gritar com eles ou diminuí-los diante dos outros porque não leem: desmerecer um jovem em fase de crescimento e fazê-lo sentir-se um erro pode causar insegurança.

Impor os próprios gostos: você não é o seu filho, portanto é necessário tratá-lo como uma pessoa única e aceitar que ele pode apreciar inclusive as leituras que você mais detesta!

O QUE É PRECISO FAZER

Dar o bom exemplo! Se os pais não transformam a leitura em uma prioridade, optando por ativamente dedicar um tempo a ela, não podem esperar que o filho o faça. Ninguém gosta de hipocrisia!

Proibir alguns livros em casa: a curiosidade é a característica dos jovens que mais facilmente pode ser desfrutada. O objeto proibido sobre o qual criar esse misticismo pode ser um exemplar com ilustrações peculiares ou um projeto gráfico interessante.

Responder às perguntas deles com um livro! Demonstrar a utilidade dos textos os encoraja a utilizá-los. Pode também ser divertido planejar uma “caça” às informações com os livros de casa, colocando-os como base útil para qualquer tipo de pesquisa e premiando o vencedor com um bom lanche.

Criar um espaço para os livros deles. Por que devemos considerar algo importante se nem mesmo temos um espaço para isso? Construir e personalizar uma prateleira ou uma biblioteca com os próprios pais relaciona simbolicamente aos livros uma ótima recordação!

Perguntar a opinião sobre o que leram ou estão lendo (independentemente do tipo de livro). O diálogo é um enriquecimento contínuo, principalmente se a sua opinião interessa a alguém.

Presentear com livros que correspondem aos gostos pessoais dos filhos: não é preciso limitar-se às narrativas, mas explorar também álbuns ilustrados e graphic novel; o conteúdo poderá ser aprofundado através de livros cada vez mais precisos e complexos.

Estimule-os a acabar com os livros: é muito bom avaliar criticamente uma obra, principalmente aquelas que não gostamos. Encoraje-os a falar de cada elemento que não gostaram e, se possível… Esteja ao lado deles!

Tablet e smartphone nem sempre são inimigos: existem diversas plataformas que permitem a leitura de ebook e fan-fiction. Talvez o fascínio da tela luminosa desta vez possa ser positiva aos olhos ali “colados”.

Encorajar as novas gerações a ler talvez não seja assim tão difícil: são múltiplas as ações possíveis de realizar. Cada pessoa, porém, é diferente, portanto a criatividade, a imaginação e a vontade de fazer continuam a ser o melhor instrumento para usar para encontrar novas soluções e metodologias. O importante é reinventar-se sempre!

O alquimista prodígio e a espada de cobre — Leblon Carter

Título: O alquimista prodígio e a espada de cobre — Saga Alla
Autor: Leblon Carter
Editora: Djinn
Páginas: 265
Ano: 2019

Se tem uma coisa que me deixa doida (e que eu provavelmente já comentei por aqui) é ouvir dizer que não existem boas fantasias escritas no Brasil. Será que não existe mesmo ou nós é que não conhecemos o que tem sido produzido por aqui?

“A vida é engraçada… sempre no dá a oportunidade certa na hora certa”

Talvez uma das nossas grandes referências atuais do gênero fantasia seja Harry Potter (apesar das inúmeros polêmicas que J. K. Rowling vem se envolvendo), mas vocês já leram O alquimista prodígio e a espada de cobre?

Nesta história conhecemos Aúcia, uma influente cidade. Nela vivem Alla e Elissa, duas jovem que sonham em estudar na Foulst, a mais importante escola de alquimia para jovens. Mas os pais de ambas não são muito favoráveis a essa escolha e elas passam suas últimas férias tentando convencê-los de que é aquilo que desejam.

Nesse meio tempo, vamos conhecendo um pouco mais de Aúcia, mas também conhecemos, de um outro lado da história, alguns jovens que parecem estar numa missão, em busca de objetos que aparentam grande valia. A líder desse grupo é Luana Lavoisier.

Se está te parecendo que a história irá girar ao redor de bem (Alla) e mal (Luana), sinto informar que você está tirando conclusões precipitadas. A verdade é que a única coisa que fica clara ao longo das páginas é que é muito difícil delimitar até onde o bem e o mal realmente vão.

“— São vidros espelho. Cada pedacinho mostra uma imagem diferente de você… o que há de mais profundo na sua alma. Várias personalidades, maneiras, faces suas, e cada uma delas é revelada pelos espelhos. Quando eles se juntam você vê quem realmente é. O pedaço inteiro de si mesma. Todas as suas camadas escondidas são reveladas”

Podemos, assim, dividir a trama em dois grandes núcleos, que vão se alternando, com uma certa predominância da narrativa focada em Alla. Aqui, portanto, acompanhamos a jovem em seu primeiro ano na Foulst, ao lado de Elissa e do mais novo amigo delas: Ernest.

Como todo primeiro ano em uma instituição, os jovens têm de enfrentar poucas e boas. E aqui é importante ressaltar algo: Alla não é uma aluna popular. Muito pelo contrário, aliás, em diversos momentos é possível captar certo bullying dirigido a ela. Mas é muito interessante perceber que, para além de toda a rivalidade que jovens costumam alimentar entre si, são muitas as situações em que os alunos precisam se juntar de verdade para superar um obstáculo.

Esse núcleo da história, portanto, é recheado de ação (na medida certa — e isso, para mim, é uma qualidade essencial. Ação em excesso pode tornar a leitura cansativa demais, por mais paradoxal que isso pareça), lições e claro, uma pitada de romance e rivalidade adolescente.

O segundo núcleo, por sua vez, é o que foca na missão de Luana. Devido ao seu passado, Luana precisa manter-se escondida, então ela comanda as ações de seu grupo, que tem de se dividir em busca dos objetos necessários para construir uma pedra filosofal. Por meio dessa parte da história, podemos conhecer um pouco mais do passado de Aúcia e também de alguns personagens relativamente centrais à história.

Assim, O alquimista prodígio e a espada de cobre é um livro que vem para animar o coração dos leitores ávidos por uma boa fantasia, mas que, ao mesmo tempo, nos deixa com um gostinho de “quero mais” e a certeza de que queremos continuar a leitura dessa série.

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Quando você perde também ganha — T. S. Rodriguez

Título: Quando você perde também ganha
Autora: T. S. Rodriguez
Editora: Publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019

quando você perde blog

Pedro é aquele garoto que tem tudo na vida e que insiste em passar uma imagem de si apenas para ser ainda mais aceito pelo seu círculo social. Ao mesmo tempo, ele provavelmente nunca refletira muito sobre isso.

“Você é o tipo garoto branquinho, bonitinho e cheio de privilégios, que desperdiça tudo isso agindo feito um babaca”

Um dia, porém, um acidente de carro faz com que Pedro tenha de ficar de cama, com as duas pernas engessadas. E, para não perder o ano escolar, o colégio lhe manda os conteúdos via email e pede que Vinicius, o melhor aluno da sala, vá visitá-lo todos os dias para explicar aquilo que o colega possa ter dificuldades em aprender sozinho.

“Não há nada de mal em parecer fraco às vezes. Todo mundo precisa de ajuda”

Acontece, porém, que Vinicius sempre fora alvo de piadinhas feitas pelos amigos de Pedro, e ainda que este nunca dissesse nada para ofender, era sempre conivente, rindo daquilo que os amigos diziam.

No primeiro dia que Vinicius vai até a casa de Pedro, este descobre que o colega dança ballet. Mas, ao contrário do que aconteceria se estivesse com os amigos, Pedro não faz nenhuma piada sobre o assunto e, pelo contrário, parece até se interessar pelo hobby do amigo, perguntando se ele tem interesse em seguir carreira na área.

Mas não é somente Pedro que se surpreende nesse primeiro encontro: Vinicius percebe que o colega é bem diferente daquela imagem que ele passava. Tinha livros no quarto e era mais inteligente do que demonstrava ser.

E é assim que vamos conhecendo mais desses dois jovens e vemos como um tem muito a ensinar ao outro. Vinicius dá várias lições em Pedro e este passa a se enxergar de formas que nunca imaginara antes.

Quando você perde também ganha é um conto rápido e cheio de lições. Uma história que poderia, inclusive, virar livro, mostrar os desdobramentos de cada acontecimento, ensinar ainda mais.

Brincadeira seria se todos achassem engraçado. Eu não acho. Quando só uma das partes ri e outra fica ofendida ou chateada, deixa de ser brincadeira e vira bullying, sabia?”

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Um caso com meu chefe — Bell Cunha

Título: Um caso com meu chefe
Autora: Bell Cunha
Editora: Sekhmet
Páginas: 34
Ano: 2017

um caso com meu chefe

Sabe aquele dia em que você está atrasada e parece que tudo dá ainda mais errado? Pois é assim que começa a história de Rebeca, justamente no dia em que ela irá conhecer Henrique, seu novo chefe. Este, por sua vez, vai assumir a presidência da empresa de seu pai, que está se aposentando. E ele herda, além da empresa, a secretária de seu genitor. Uma secretária um tanto quanto atrapalhada e respondona que é ninguém menos que… Rebeca! E ela já chega trombando com ele (sem saber que é seu novo chefe) e xingando…

Pelo título já dá até para imaginar o que vem por aí, certo? Rebeca e Henrique, logo de cara, são obrigados a viajar à trabalho, tendo de se hospedar no mesmo quarto (ainda que seja um quarto com duas camas!). O desenrolar dos fatos é bem interessante.

Um caso com meu chefe é uma daquelas leituras leves e divertidas. E quentes também, claro. Esse livro é bem curtinho, ainda que a história pudesse ter sido muito mais desenvolvida. Tudo acontece bem rápido e sem aprofundar muito, mas é uma leitura para esquecer dos problemas e até mesmo para tentar superar um ressaca literária.

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Por que eu gosto da Amazon?

Por que eu gosto da

Hoje eu resolvi trazer um post um pouco diferente, explicando os motivos que me fazem, muitas vezes, comprar livros — e mesmo outros produtos — na Amazon, bem como as mudanças que ocorreram nos meus hábitos de leitura depois que ganhei um Kindle. E, aproveitando o tema, vim apresentar o Amazon Prime também.

Um dos primeiros motivos pelos quais compro na Amazon é a comodidade: quase sempre o que quero comprar são livros e dificilmente não encontro aquele que quero nesse site. Além disso, é possível até mesmo encontrar preços variados, livros seminovos etc. E bem, tudo isso sem que eu precise me deslocar para lugar algum. Isso é ótimo para quando precisamos comprar um livro específico e com certa urgência, mas certamente não troca o prazer de ficar andando a esmo em uma livraria, apenas se deliciando com a infinidade de livros e encontrando títulos incríveis por acaso (e indo à falência por causa disso, mas uma falência deliciosa). De qualquer forma, quando quero presentear alguém com um livro, acabo comprando pela Amazon, porque sempre lembro de comprar em uns momentos muito aleatórios e quando estou em casa.

Outra vantagem da Amazon é que, em alguns casos, acontece do frete ser grátis (para isso é preciso consultar a política deles). Ah, e tem também o fator rapidez: tem produto que acaba chegando em menos de dois dias!! Como eu disse, vale a pena para casos de urgência (obviamente, caso você não tenha como passar numa livraria, o que poderia ser ainda mais rápido, ou então quando o livro que você precisa não está disponível em livraria alguma — coisa que, infelizmente, acontece).

Esse ano ainda ganhei um Kindle (talvez eu tenha pedido ele para o meu irmão, de presente de aniversário…), que é o e-reader da Amazon, pois muitas das parcerias que fechei (e ainda estou fechando) eram (são) para a leitura de ebooks e eu estava fazendo essas leituras pelo celular (sim, porque para quem não tem um kindle, é possível baixar o aplicativo do Kindle no celular, no computador, em um tablet…).

Ter ganhado um Kindle fez com que eu consumisse ainda mais ebooks nacionais, uma vez que, além dos parceiros, muitos autores nacionais acabam deixando, dia ou outro, seus livros totalmente gratuitos para download. E isso é outra coisa muito bacana do Kindle: é possível encontrar milhares de ebooks gratuitos ou por preços muito baixos, e esses itens são renovados quase que diariamente! O único problema é que a fila de “não lidos” só aumenta…

Também tem gente que acaba usando o Kindle Unlimited, uma espécie de Netflix de livros: você paga uma mensalidade e tem acesso a mais inúmeros ebooks de forma “gratuita” (lembre-se que você paga uma mensalidade). Nesse caso, porém, se não estou enganada, é como se você pegasse o livro emprestado, ele não fica baixado para sempre no seu Kindle. Com relação a esse serviço, ainda não experimentei, (apesar de ser possível fazer isso por 30 dias de forma gratuita) pois, como eu disse, minha lista de livros (físicos e digitais) não lidos ainda está imensa.

Outra vantagem do Kindle é a praticidade: ele é leve e não ocupa muito espaço. Eu consigo carregar ele em quase todas as minhas bolsas (até nas menores que tenho) e ele não fica pesando. E o melhor: se eu acabo um livro no meio do caminho, já posso logo iniciar a leitura de outro, porque eles estão ali, ao alcance da mão. E meu kindle é o paperwhite, ou seja, ele tem iluminação embutida, o que me permite ler em QUALQUER lugar, inclusive no escuro! Para quem viaja muito (de ônibus ou avião, por exemplo) e não consegue dormir, é ótimo: você pode ler sem atrapalhar seu vizinho!

Antes do meu kindle eu era daquelas que defendia ferrenhamente livros físicos. Hoje não vou dizer que não os prefira, mas certamente me rendi aos encantos da praticidade dos ebooks. Mas se me perguntarem o que prefiro entre físico e ebook… Físico ganha sem pestanejar!

Por fim, essa semana, a Amazon anunciou uma mega novidade: o Amazon Prime.

Em uma combinação de benefícios de compra e entretenimento, o Amazon Prime chega para tornar a vida das pessoas mais fácil e divertida, em uma única assinatura, por apenas R$9,90/mês. Ao assinar o Amazon Prime o cliente tem acesso a frete GRÁTIS ilimitado em milhões de produtos elegíveis e acesso a filmes, séries, músicas, eBooks, revistas, jogos, ofertas exclusivas e muito mais.

Já ouvi críticas, já vi gente amando… Mas ainda não testei. E você, o que acha?

Simplesmente amor — Juju Figueiredo

Título: Simplesmente amor
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 67
Ano: 2019

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Sabe quando sua vida está ótima, caminhando como deveria caminhar e, de repente, tudo fica de pernas para o ar? Pois é neste ponto que começa a história de Júlia, protagonista de Simplesmente amor.

Ela estava começando a faculdade quando seu pai faleceu e sua mãe, profundamente amargurada, se entregou à bebida. Não bastasse isso, Júlia se viu grávida de um rapaz que não assumiria a criança.

“Infelizmente, eu havia perdido minha mãe”

Perdida, Júlia só podia sentir medo: como ela faria para dar uma vida digna a essa criança? Ela algum dia poderia terminar a faculdade dos sonhos?

As coisas só começam a melhorar quando Júlia conhece Fernando, um rapaz que também tem uma história dolorida, mas que se torna um anjo em sua vida.

“Naquele momento eu me senti ainda mais conectada com ele, pois ambos havíamos sofrido perdas irreparáveis e tentávamos, a todo custo, curar as feridas que a vida nos causou”

Fernando ajuda Júlia de todas as formas possíveis, mas é ela quem o salva da amargura total.

Simplesmente amor é uma história linda, que me arrancou muitas lágrimas. Uma história de amor (de aventura e de magia), e também de amadurecimento, medo, perdão. Uma narrativa que, além de tudo, nos mostra como o álcool pode destruir famílias e como o amor pode reconstruí-las.

Quer conhecer mais a fundo as histórias de Júlia e Fernando? Adquira seu ebook aqui.

A magia de Christian Luciano – Gredan Risolein

Título: A magia de Christian Luciano
Autor: Gredan Risolein
Editora: publicação independente
Páginas: 407
Ano: 2018

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Christian Luciano é um menino que vive em São Paulo, filho de Estevão — um mecânico — e Eunice — uma professora de biologia. Ele também tem um irmão mais novo, Jonas. E, até aqui, não temos nada de extraordinário. Acontece, porém, que Christian não é uma criança qualquer: além de ser muito inteligente, ele consegue, aos dois anos de idade, chegar a um outro mundo: Guisaro.

“O mundo era para ser descoberto, desbravado”

O livro é narrado por diversos personagens, que dão seu depoimento para construir essa história cheia de mistérios, magia e descobertas incríveis. E uma coisa que achei muito interessante foi o fato do autor conseguir mesclar muito bem a História real (do nosso mundo) com uma história fantástica muito bem construída.

“A humanidade dorme. E o dom e a necessidade de dormir nos faz fechar os olhos. Quando sonhamos, os sonhos podem ser maravilhosos. Mas muitas vezes temos pesadelos, e é bom saber que, quando acordamos, podemos olhar em volta e descobrir que aquilo era apenas um sonho ruim”

Enquanto no plano terreno vamos passeando pelas ruas de uma São Paulo mais antiga e, ao mesmo tempo, entramos em contato com histórias como o fatal acontecimento de Chernobyl, no plano espiritual (não sei bem como chamar esse outro lado da história), vamos navegando por diversos mundos em que vivem as almas que já não possuem um corpo.

“Talvez as pessoas da terra estivessem precisando de mais fé e mais milagres. Acreditar na magia da vida, e entender que o universo é muito maior e mais rico do que aparenta ser”

E como tudo isso se relaciona na história? Christian Luciano, segundo as desconfianças do Mago Afonso de Bisencourt (mago que Christian encontra ao visitar Guisaro), pode ser a reencarnação de Driegus Niponeri, grande herói de Guisaro e outros mundos.

“Amor é a força que mantém todo o universo, e mesmo nos momentos em que forças poderosas parecem destrutivas, existe uma ordem maior por trás, cuja função final é o equilíbrio”

Uma alma, enquanto é alma, lembra-se de tudo o que viveu em sua(s) forma(s) humana — porque sim, uma mesma alma pode ter vivido inúmeras histórias, e isso também contribuiu para a presença da História neste livro — mas quando ela reencarna, essas memórias e conhecimentos ficam adormecidos.

“Existem momentos em que, embora o consciente não saiba explicar, o inconsciente reconhece o poder de algo mais forte, um sentimento poderoso que extrapola todas as fronteiras”

Driegus já tinha toda uma vida no mundo das almas, além de ter muito poder. Mas, um belo dia, após um confronto com seu arqui-inimigo Gilmon Kanerum, ambos desaparecem. Vivian Niponeri, esposa de Driegus, fica inconsolável e se isola de todos. Até que Mestre Afonso a convence de ajudá-lo a descobrir se Christhian Luciano é ou não Driegus.

“Só ela sabia o quanto era imensa a dor da separação de seu grande amor”

Assim, A magia de Christian Luciano torna-se um livro cheio de revelações, ação, magia. E é um livro que fala sobretudo de amor. E esse provavelmente foi um dos maiores motivos para eu ter me encantado mais com tal história.

“E nos momentos de felicidade é fácil esquecer todos os problemas que ficaram para trás”

Incógnita – Dalton Menezes

Título: Incógnita — Aforismos I
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 83
Ano: 2019

Incógnitas

O livro Incógnita nos traz uma série de aforismos escritos por Dalton Menezes. Aforismos são textos muito breves — por vezes até mesmo uma simples frase — que nos trazem uma regra, um pensamento, um princípio, uma advertência. E apesar de encontrarmos um pouco de cada nos textos do autor, predominam os pensamentos, muitos deles advindos de sentimentos do escritor.

“Por mais alto que eu grite, por mais insuportável que seja a minha dor, as pessoas só escutarão o silêncio”

Alguns dos aforismos que encontramos ao longo desse livro também são frases ou parágrafos que aparecem em alguns de seus livros anteriores (O escritor e Alegórico ser) e que parecem ganhar ainda mais força quando destacados nesta obra.

“Na vida, só se encontra quem aceita estar perdido”

Incógnita  nos traz 70 aforismos e não é necessariamente um livro para ser lido como outro livro qualquer, mas sim uma obra para se ter e consultar nos mais diversos momentos de nossas vidas. Um livro para ser aberto quando você estiver em busca de algo que te faça refletir.

“Quem ganha uma discussão nem sempre é quem tem o melhor argumento, mas, sim, quem dela sai transformado”

O post de hoje ficou bem curtinho, porque eu não posso falar muito mais sobre os aforismos do livro, a menos que eu me detivesse em alguns (ou todos). Além disso, é preciso ler e ter a sua própria experiência saboreando essa obra e aprendendo com ela.

E se você quer conhecer os outros aforismos de Incógnita, adquira seu ebook aqui.

 

 

De repente, nós – Tici Pontes

Título: De repente, nós
Autor: Tici Pontes
Editora: publicação independente
Páginas: 373
Ano: 2019 (1º edição)

de repente nós blog

Ao longo da leitura de De repente, nós senti que a história poderia ser muito previsível. Ainda assim, eu fiquei bem presa a ela: toda hora eu queria saber o que viria depois e algo que certamente contribuiu para isso foi o fato da narrativa ser alternada entre os personagens principais de toda a trama: Owen e Lucy. Essa alternância, porém, pode ter dificultado um pouco a escrita da história, pois, em alguns momentos, nos deparamos com informações repetidas que não precisavam aparecer (ao menos eu me lembrava bem delas quando apareceram pela segunda vez). De qualquer forma, eu gostei muito desse livro e espero que dê para perceber isso ao longo dessa resenha.

Lucy é professora de uma escola infantil (e eu amei todas as passagens dela trabalhando) e Owen é um veterinário super fofo que ama o que faz e que aparenta amar a vida também.

“Criar um amor pelos estudos desde a infância era fundamental para que essas crianças de tornassem adultos com um futuro promissor”

No começo do livro conhecemos também Scott, que forma um belo casal com Lucy, apesar dele não compreender a vergonha/ o medo que Lucy sente de contar para os pais que namora, mesmo ela sendo totalmente independente. Em uma das primeiras cenas do livro vemos Scott indo embora da casa de Lucy após mais uma discussão sobre esse mesmo tema.

“Eu tinha certeza que uma tempestade ainda viria com toda força, antes que a calmaria se instalasse”

Do outro lado temos Owen formando uma dupla romântica com Hannah. Eles estão em um jantar na casa de amigos de Hannah, que está grávida. O relacionamento dos dois, porém, vai de mal a pior. E o jantar só estraga ainda mais o clima que (não) há entre eles. No carro, indo embora desse jantar, os dois começam a discutir intensamente.

“Nosso relacionamento havia se transformado em uma teia de mentiras e enganações”

Até aqui parece que já aconteceu bastante coisa (já foram duas brigas!), mas ainda estamos bem no início do livro e é nesse momento que acontece o primeiro ponto crucial da história: um acidente de carro. Os envolvidos nele? Scott, sozinho em seu carro, mas falando ao celular com Lucy — que está tentando (e conseguindo) fazer as pazes — e Owen e Hannah, discutindo no outro carro. Para Scott, o acidente foi fatal. Para Owen e Hannah não.

“Bastou uma fração de segundo para definir não só o meu futuro, como também as vidas de Scott e Lucy”

Eu achei bem interessante a questão do acidente, pois, de um lado, havia um motorista falando ao celular e, de outro, um casal discutindo e, consequentemente, um motorista que não estava prestando atenção no caminho à sua frente. Durante toda a leitura do livro eu fiquei pensando que essa questão deveria ter até sido mais explorada, como um forma de conscientização sobre o tema. Mas agora, escrevendo essa resenha eu me perguntei: e já não basta todas as consequências apresentadas no desenrolar da história? As consequências desse acidente mudam completamente a vida dos envolvidos nele e mesmo de seus familiares.

“Haviam marcas dentro de nós que não eram visíveis e só o tempo iria se encarregar de corrigir os erros do passado e ajudar a traçar o futuro”

Por ter sobrevivido ao acidente, Owen torna-se o culpado de tudo e acaba sendo preso (sim, o veterinário fofinho e que parece amar a vida tem de passar anos 8 em uma cadeia). Lucy, por sua vez, tenta seguir com sua vida, por mais que a dor seja quase que paralisante.

“Por causa dele meu coração tinha se transformado em uma chaga aberta, que sangrava a cada lembrança que eu tinha com meu namorado”

Em de repente, nós, portanto, vamos acompanhando a vida pós-acidente de Owen e Lucy. Uma vida cheia de altos e baixos, surpresas, encontros, recomeços.

“Existem coisas que não conseguimos esquecer, que iremos carregar conosco pelo resto de nossas vidas”

Meu coração quase teve um treco em alguns momentos do livro. Se o acidente já nos deixa mal, é porque vocês não viram o final dessa história linda! Como eu disse, o enredo tomou rumos um pouco previsíveis, mas, ainda assim, cheio de elementos surpresa que tornam este livro único.

“Lucy fora minha luz e transformou-se em minha escuridão”

De repente, nós é um romance para quem está buscando refletir sobre os acasos da vida, para quem quer acreditar que o destino, por vezes, nos prega boas peças. Um livro intenso, de tirar o fôlego e cheio de amor e lágrimas.

“A vida é cheia de mistérios, Owen. E sempre caminha por estradas que nem sempre conhecemos e compreendemos”

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