Noites Brancas — Gabriela Lopes de Azevedo

Título: Noites Brancas 
Autora: Gabriela Lopes de Azevedo 
Editora: Urutau 
Páginas: 96 
Ano: 2021

Fazia um tempinho que eu não trazia resenha de uma coletânea poética por aqui e fico feliz em voltar com a obra da autora Gabriela Lopes de Azevedo, que já tive a sorte de conhecer.

Pelo título podemos perceber que esse livro trabalha com muita intertextualidade: Noites Brancas é também o nome de um romance de Fiódor Dostoiévski, mas as referências não acabam por aí (e eu provavelmente não consegui pegar nem metade delas, porque essa obra realmente traz muita cultura).

“A gente ficou sem tocar

aquela música”

O livro, com uma bela edição e páginas bem confortáveis para se ler, é dividido em cinco partes:

1. Flânerie noturna

2. Modern Love

3. Casa

4. Noites Brancas

5. Noites Brancas, madrugadas selvagens

Esses subtítulos também já denunciam algo do que encontraremos ao longo dos versos e o que mais gostei nesta obra foi a presença da cidade em meio às palavras.

“A poesia superou 

o cânone

o livro

o mercado editorial”

Noites Brancas é uma obra recheada de sentimentos, ora trazendo melancolia, ora despertando suspiros. E sempre nos fazendo refletir e absorver o que vem e o que foi lido. 

Os versos nos fazem enxergar uma narrativa. Não apenas a narrativa de um personagem qualquer, mas a história de alguém que viveu, amou, estudou e se cercou de pessoas, momentos, acontecimentos.

É engraçada essa sensação, porque não há exatamente um personagem neste livro e, provavelmente, as poesias foram escritas em momentos diversos da vida da autora, mas a forma como elas foram reunidas nos dão essa sensação que nos prende à obra.

Se você acredita que este livro é para você — e dificilmente ele não será pois, como um bom livro de poesias, ele pode ser apreciado aos poucos e, ainda assim, será uma leitura rápida — não deixe de garantir o seu exemplar no site da editora Urutau, ou então de entrar em contato com a autora (Instagram).

Titubeio — Maitê Rosa Alegretti

Título: Titubeio
Autora: Maitê Rosa Alegretti
Editora: Urutau
Ano: 2020
Páginas: 62

Para uma pessoa que lê bem mais prosa do que poesia, até que esse ano (e ainda estamos no primeiro semestre) posso dizer que já li muitos bons versos. Depois da antologia poética Girassol, agora é a vez de uma obra solo, escrita por Maitê Rosa Alegretti.

Ler Titubeio não é apenas uma experiência literária, mas também sensorial. Os versos são impressos como quem dança, e as palavras misturam poesia, sentimento, corpo e natureza.

A obra é bem curta, mas feita para se apreciar aos poucos, um poema por vez, saboreando também o trabalho gráfico do livro, que vai muito além da disposição não convencional dos versos, sendo abraçado por uma capa e uma contracapa extremamente lindas e orelhas muito bem preenchidas pelas belas palavras de Gabriela de Azevedo, também poeta.

O livro é dividido em quatro partes, sendo elas:

  • Titubeio;
  • Observações astronômicas;
  • Maré baixa;
  • Tenho conversado comigo.

Em cada uma das três primeiras partes, na página chapada (aquelas páginas toda pretas que dão um efeito muito bonito) de abertura, além do título há uma epígrafe, de escritores como Chico Alvim, Laura Liuzzi e Fabrício Corsaletti. Na última parte, porém, não há epígrafe alguma e ela é composta por um único poema, que se inicia justamente com “Tenho conversado comigo”.

Eu não teria como escolher uma poesia preferida. Acredito que cada uma carrega a sua beleza, o seu significado e que todas elas juntas é que fazem deste um livro tão singular.

Não conseguindo escolher um poema preferido, portanto, deixo aqui o meu convite para que você conheça a obra inteira e faça o seu mergulho nestas palavras tão bem escolhidas e harmonizadas. O livro pode ser adquirido no site da Editora Urutau. E você pode acompanhar os trabalhos da autora através do Instagram, do Medium ou da Newsletter dela.