Um mistério entre nós — Paula Barros

Título: Um mistério entre nós
Autora: Paula Barros
Editora: Viseu
Páginas: 96 
Ano: 2019

Um mistério entre nós é aquele tipo de livro que tem tudo para fazer muito sucesso: uma protagonista que guarda um grande segredo e um casal que, por algum motivo, não pode ficar junto. Dois fatos que, de alguma forma estão unidos e que precisamo ler para descobrir que fim terão. Mas… Não foi um livro que me conquistou.

Luísa, a protagonista, é jornalista. Ela trabalha para a coluna de negócios, mas seu sonho sempre fora a coluna policial do jornal. E é por isso que ela vê em um bilhete caído no chão uma grande oportunidade de realizar seu sonho. O que ela não tinha ideia, porém, era que seu sonho poderia, literalmente, transformar-se em pesadelo.

“O que pensou que seria motivo de orgulho para ela, agora era pura vergonha”

A narrativa de Um mistério entre nós, vai, assim, se alternando entre passado — o momento em que Luisa entra em uma grande enrascada — e presente. Já li diversos livros com essa alternância temporal e costumo gostar muito disso, mas senti que, nesta obra, isso não funcionou tão bem.

No meio desse caminho aparece um tal de Gustavo e, de início, Luisa se mostra evitando ele. A impressão que temos é que ele é um cara que está flertando com Luisa, mas com quem ela não quer contato, devido ao seu segredo. Mais adiante, porém, descobrimos que eles eram, na verdade, namorados e que, “do nada” (há o tal mistério da história, mas isso não justifica), ela para de falar com ele. A narrativa dessa relação é meio confusa: uma hora parece que eles só estão ficando, outra hora temos a impressão de que eles namoravam sério. Isso acabou atrapalhando minha identificação com os personagens.

Mas talvez exista outra coisa que tenha feito com que eu não tenha conseguido me dar muito bem com a alternância temporal e com detalhes como o que acabei de mencionar: a própria escrita do texto. Senti que daria para trabalhar melhor a construção textual. Em mais de um momento eu pensei que determinada frase ou diálogo poderia ter sido melhor escrito. Espero não estar me tornando crítica em excesso em minhas leituras…

Apesar de tudo isso, porém, eu acredito que essa história cumpre muito bem seu papel. Eu mesma, a peguei em busca de algo rápido e leve. E, mesmo com todo o mistério e as situações policiais, a narrativa conseguiu entregar justamente isso que eu procurava, um momento para se desligar do mundo.

Um mistério entre nós é apenas o primeiro volume de uma trilogia. Como eu disse, o livro é pequeno, acredito que os outros dois também sejam, então, mesmo sendo uma trilogia, é algo para se ler rapidinho. Eu, ao menos por enquanto, porém, fico apenas com esse primeiro volume.

Se você quiser descobrir qual é o grande mistério que Luisa esconde, clique aqui.

Meu menino vadio – Luiz Fernando Vianna

Título: Meu menino vadio - histórias de um garoto autista e seu pai estranho 
Autor: Luiz Fernando Vianna
Editora: Intrínseca
Páginas: 205
Ano: 2017 (1º edição)

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O primeiro livro que li sobre autismo foi O que me faz pular (Naoki Higashida) e, a partir daí, passei a me interessar muito pelo assunto. E se menciono isso agora é porque este livro também é citado em Meu menino vadio, escrito por Luiz Fernando Vianna, pai de Henrique, um jovem autista: 

“Sei que há quem me veja, antes de tudo, como pai de autista. É um personagem que não me incomoda, mas no qual nem sempre me reconheço”

Meu menino vadio (p.18)

Se ter um filho autista já é complicado por si só, para Luiz Fernando Vianna a situação era ainda mais difícil: fruto de um relacionamento conturbado, Henrique cresceu no meio de um fogo cruzado e acabou sendo levado por sua mãe e seu padrasto para a Austrália. O autor do livro lutou para que seu filho continuasse a morar no Brasil, mas o resultado foi apenas mais um imenso desgaste.

“A justiça brasileira não é para principiantes”

Meu menino vadio (p.13)

Depois de anos vivendo na Austrália, a família de Henrique muda-se novamente, mas dessa vez para os Estados Unidos. Neste ponto da vida do jovem, outra grande mudança acontece também: se antes ele apenas passava as férias com o pai, no Brasil, agora ele começaria a passar um ano com cada um de seus pais. Sim, isso mesmo: um ano no Brasil, um ano nos Estados Unidos. Se para qualquer ser humano isso já é extremamente complicado, imagina para um menino com autismo.

Os capítulos de Meu menino vadio são curtos e escritos numa linguagem fácil de ler. A história, por sua vez, é capaz de despertar diversos sentimentos em nós, além de ser um texto atual e que nos faz refletir sobre o modo como agimos também.

“Não guardamos segredos, mas gritamos. Não registramos na memória, mas fotografamos. Não refletimos, mas opinamos”

Meu menino vadio (p.115)

Vianna também consegue mesclar muito bem seus perrengues, as dificuldades do filho, informações importantes e estudos sobre autismo, tornando o livro extremamente informativo e, ao mesmo tempo, gostoso de ler.

Outro ponto interessante do livro é que os títulos de todos os capítulos possuem inspiração musical, nos aproximando ainda mais do autor da obra. Ao final do livro, podemos encontrar uma lista das músicas que serviram de inspiração.

Eu acabei adiando e adiando essa resenha e, no final das contas, ela veio parar em abril, mês da conscientização sobre o autismo. Além desse post, em breve farei mais um sobre o tema, não perca!

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