Tenho 7 namorados e não gosto de NENHUM — Leblon Carter

Título: Tenho 7 namorados e não gosto de NENHUM
Autor: Leblon Carter
Editora: Publicação independente
Páginas: 59
Ano: 2021

Ok, vou iniciar essa resenha deixando algo bem claro: que história sensacional, minha gente!

Bianca Pessegrini, não contente em ter um namorado, tem sete. Ao mesmo tempo! E não, não venha me dizer que isso parece maravilhoso, porque quem está em um relacionamento de verdade sabe que se entregar para uma pessoa já é muito, imagina para sete! E quem não está em um relacionamento de verdade… Bom, quem dirá em sete, né?

“Todo mundo ganha um pedaço da Bianca Pessegrini; menos a própria Bianca”

Ah, e claro, nenhum namorado sabe da existência do outro, viu? Imagina como é possível gerenciar isso? Imagina o quanto isso custa da sanidade de qualquer um?

“Você sempre tá sem tempo. Correndo contra o mundo e não junto com ele”

Tenho 7 namorados e não gosto de NENHUM é dividido em oito capítulos, sendo um para cada namorado e, por fim, um para Bianca, aquela que deveria ser a protagonista desta história. Será que ela consegue isso?

“Eu nunca conseguiria ser o tipo de pessoa que pede ajuda para alguém que também precisa de ajuda. Isso é extremamente tóxico”

Por meio desta obra, acompanhamos a rotina de Bianca e como cada namorado faz parte de um pedaço dessa vida. No início, é surpreendente. Depois do quarto namorado, porém, vamos nos cansando. Não da narrativa, mas de imaginar que seja possível levar uma vida assim e… continuar viva! Porque o ponto não é apenas que Bianca lida com sete namorados, mas que ela também estuda, faz curso, trabalha.

“Isso meio que fazia eu me sentir exausta com tanta cobrança ao mesmo tempo. Escola! Curso! Trabalho! Provas para as faculdades! Quando foi que a adolescência deixou de ser divertida e se transformou nesses dias tortuosos?”

Por outro lado, pode ser que o cansaço que começamos a sentir ao longo da leitura tenha a ver, também, com o próprio cansaço da protagonista, com a sensação de sufocamento que vai tomando conta dela e a necessidade que ela passa a sentir de livrar-se disso tudo.

“Talvez esse seja o significado de amor: sacrificar uma coisa que você ama por outra que ama ainda mais. É meio confuso, eu acho. Amar é confuso”

Cada namorado, porém, tem o seu jeito e o seu charme. Raul, o do ônibus, é bom de conversar; Pedro, o da escola, a trata como uma princesa; Ângelo, o da moto, é diferente de tudo o que ela poderia imaginar; Marcondes, o do curso, é muito inteligente (ou apenas quer acreditar nisso); Knock, o do trabalho, faz planos para o futuro; Cristian, o do condomínio, tem um charme todo seu; Gustavo, o virtual, compartilha com ela uma realidade diferente da sua.

Por meio desses relacionamentos fragmentados e dessa história que parece surreal — mas que tem uma lógica bem compreensível por trás — Leblon Carter consegue nos fazer refletir sobre algo muito importante: o amor. E mais: o amor próprio.

“Ah! Que lindo o amor. Aquele sentimento puro que nos despedaça para depois reconstruir. Odiamos amar e amamos odiar. Somos preenchidos e esvaziados na mesma proporção”

Se você quiser saber o que acontece com Bianca no meio de tantos amores e tanto vazio, não deixe de clicar aqui. E depois vem, por favor, me contar o que achou!

Regras da Zona Sul — Leblon Carter

Título: Regras da Zona Sul
Autor: Leblon Carter
Editora: Publicação independente
Páginas: 41
Ano: 2020

Ainda na vibe de O som no fim do túnel, Regras da Zona Sul é um conto que nos mostra mais um pouco da realidade brasileira. Aqui, porém, na periferia de São Paulo. E mesmo em locais “tão” diferentes, os personagens de ambas as narrativas têm muito em comum.

A similaridade mais gritante, claro, é o fato de que Igor — protagonista e narrador de Regras da Zona Sul — também mora apenas com o pai, que está sempre bêbado e largado pelos cantos, e com Érico, seu irmão mais velho que não vê a hora de se livrar daquela realidade.

“Anos de negligência fazem isso com o afeto”

Consequentemente, a falta de amor é, também, algo muito presente na vida de Igor, assim como era na vida de Maycom.

Ao mesmo tempo que é fácil destacar essas similaridades, porém, é possível destacar muitas diferenças, que vão para além do fato da história se passar em Estados diversos.

Regras da Zona Sul é muito mais real, muito mais cru: não há uma superação da realidade ali vivida, não há uma verdadeira perspectiva de dias melhores, ainda que os personagens tenham consciência do que vivem.

“Tento evitar que as drogas comam os poucos neurônios que me restam por conviver com aquela família”

Além disso, este conto aborda algumas questões interessantes como romances LGBTQ+, religiosidade e o valor que a família tem, nos casos em que esta ainda é sólida e unida (e, lembrando, tudo isso narrado a partir do ponto de vista da periferia).

“Os Russo poderiam ser baderneiros, criminosos e violentos, mas a família sempre estava em primeiro lugar”

Ao longo das páginas também fica claro o valor que a verdade e a honra podem ter mesmo em lugares onde só parecer haver violência e injustiça.

Mas, para entender como isso se dá, só lendo Regras da Zona Sul, porque esses elementos têm a ver com os principais acontecimentos da história.

E, se me permite uma sugestão, leia este conto. Leitura rápida, mas que vai te fazer conhecer um pouco mais da nossa realidade e te fazer pensar sobre ela. E, nesta leitura, você não precisa ter tanto estômago quanto para ler O som no fim do túnel.

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O alquimista prodígio e a cidade do amanhã — Leblon Carter

Título: O alquimista prodígio e a cidade do amanhã
Autor: Leblon Carter
Editora: LN Editorial
Páginas: 38
Ano: 2021

Alô amantes de fantasia, que tal conhecer um conto nacional e muito bem escrito?

Ano passado eu trouxe a resenha de O alquimista prodígio e a espada de cobre e se você ainda não viu, é só clicar aí e conferir. Este conto, como já é de se imaginar, passa-se no mesmo universo do livro mencionado, mas, como explica o autor, acontece três anos antes do início da história que resenhei, sendo, portanto, possível ler cada obra de maneira independente.

Se você já leu O alquimista prodígio e a espada de cobre (APEC) este conto é uma oportunidade para adentrar mais este universo e, claro, matar a saudade. Por outro lado, se você nunca leu APEC, o conto é uma forma de entrar em contato com a escrita do autor e se apaixonar pela forma como ele consegue colocar a sua imaginação em palavras.

Logo de cara somos impactados com a forte presença de Versacce, Imperatriz do Clã dos Alquimagos do Sul e de Relucce, sua filha. A relação entre elas, por mais que tenhamos apenas um vislumbre, é muito bonita.

Em seguida, juntam-se a elas Bacci e Marceon. Bacci, como logo fica claro, é o pai de Relucce, mas não mora mais com elas, tendo construído uma nova família no norte, tornando-se Mestre do Clã dos Alquimagos do Norte. Marceon é seu filho com a nova esposa e é evidente a rixa que há entre os meio irmãos.

O ponto central deste conto é uma discussão que há entre Bacci e Versacce, que precisam tomar uma importante decisão. E, enquanto eles estão neste debate, Relucce e Marceon acabam se aventurando pelo palácio e se metendo em uma grande enrascada.

Uma vez mais, Leblon Carter nos lembra que é importante estarmos de olhos bem abertos e não nos deixarmos levar pelas aparências, porque nem tudo é o que parece ser… O alquimista prodígio e a cidade do amanhã é um conto para ser lido até a última página com muita atenção e com a certeza de que sempre haverá uma surpresa à espera.

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O alquimista prodígio e a espada de cobre — Leblon Carter

Título: O alquimista prodígio e a espada de cobre — Saga Alla
Autor: Leblon Carter
Editora: Djinn
Páginas: 265
Ano: 2019

Se tem uma coisa que me deixa doida (e que eu provavelmente já comentei por aqui) é ouvir dizer que não existem boas fantasias escritas no Brasil. Será que não existe mesmo ou nós é que não conhecemos o que tem sido produzido por aqui?

“A vida é engraçada… sempre no dá a oportunidade certa na hora certa”

Talvez uma das nossas grandes referências atuais do gênero fantasia seja Harry Potter (apesar das inúmeros polêmicas que J. K. Rowling vem se envolvendo), mas vocês já leram O alquimista prodígio e a espada de cobre?

Nesta história conhecemos Aúcia, uma influente cidade. Nela vivem Alla e Elissa, duas jovem que sonham em estudar na Foulst, a mais importante escola de alquimia para jovens. Mas os pais de ambas não são muito favoráveis a essa escolha e elas passam suas últimas férias tentando convencê-los de que é aquilo que desejam.

Nesse meio tempo, vamos conhecendo um pouco mais de Aúcia, mas também conhecemos, de um outro lado da história, alguns jovens que parecem estar numa missão, em busca de objetos que aparentam grande valia. A líder desse grupo é Luana Lavoisier.

Se está te parecendo que a história irá girar ao redor de bem (Alla) e mal (Luana), sinto informar que você está tirando conclusões precipitadas. A verdade é que a única coisa que fica clara ao longo das páginas é que é muito difícil delimitar até onde o bem e o mal realmente vão.

“— São vidros espelho. Cada pedacinho mostra uma imagem diferente de você… o que há de mais profundo na sua alma. Várias personalidades, maneiras, faces suas, e cada uma delas é revelada pelos espelhos. Quando eles se juntam você vê quem realmente é. O pedaço inteiro de si mesma. Todas as suas camadas escondidas são reveladas”

Podemos, assim, dividir a trama em dois grandes núcleos, que vão se alternando, com uma certa predominância da narrativa focada em Alla. Aqui, portanto, acompanhamos a jovem em seu primeiro ano na Foulst, ao lado de Elissa e do mais novo amigo delas: Ernest.

Como todo primeiro ano em uma instituição, os jovens têm de enfrentar poucas e boas. E aqui é importante ressaltar algo: Alla não é uma aluna popular. Muito pelo contrário, aliás, em diversos momentos é possível captar certo bullying dirigido a ela. Mas é muito interessante perceber que, para além de toda a rivalidade que jovens costumam alimentar entre si, são muitas as situações em que os alunos precisam se juntar de verdade para superar um obstáculo.

Esse núcleo da história, portanto, é recheado de ação (na medida certa — e isso, para mim, é uma qualidade essencial. Ação em excesso pode tornar a leitura cansativa demais, por mais paradoxal que isso pareça), lições e claro, uma pitada de romance e rivalidade adolescente.

O segundo núcleo, por sua vez, é o que foca na missão de Luana. Devido ao seu passado, Luana precisa manter-se escondida, então ela comanda as ações de seu grupo, que tem de se dividir em busca dos objetos necessários para construir uma pedra filosofal. Por meio dessa parte da história, podemos conhecer um pouco mais do passado de Aúcia e também de alguns personagens relativamente centrais à história.

Assim, O alquimista prodígio e a espada de cobre é um livro que vem para animar o coração dos leitores ávidos por uma boa fantasia, mas que, ao mesmo tempo, nos deixa com um gostinho de “quero mais” e a certeza de que queremos continuar a leitura dessa série.

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