XVII Fórum de Editoração

Se tem uma coisa que esses tempos de distanciamento social me dão saudade são os eventos literários. E um deles, infelizmente, fui conhecer só em 2019 (“infelizmente” porque só tive a oportunidade de ir a uma edição presencial).

Sim, como é possível imaginar pelo título, estou falando do Fórum de Editoração, anualmente organizado pelos alunos de Editoração da ECA-USP, através da Com-Arte Jr, a empresa júnior do curso.

A boa notícia, porém, é que eles souberam se adaptar às adversidades e, assim como em 2020, este ano também teremos uma edição online e gratuita deste imperdível encontro. Ano passado acompanhei as mesas online, os sorteios, os comentários e é impressionante como, um ano depois, ainda tenho vivas lembranças dessa tarde online. Imagine como é presencialmente então (spoiler: é o máximo!).

A edição deste ano (a 17º!), que acontecerá no próximo sábado (18/12/2021), promete ser incrível também. A começar pela temática escolhida: Metamorfose literária. A ideia dos organizadores é fazer referência à evolução do leitor em sua trilha literária, do início até a consolidação de seus gostos literários. Mas lembre-se: estamos falando de um evento de Editoração, isto é, o assunto será discutido pelo olhar de quem produz livros. Como será que abordarão essa temática? Para já atiçar nossa imaginação, temos os nomes e assuntos das mesas, que desta vez serão apenas duas. Bora conferir?

A primeira mesa, que ocorrerá às 14 horas, recebeu o nome de Lagarta e abordará características como o mercado de trabalho, o público e as técnicas para produção de livros infantis. Farão parte dela: a Editora Quatro Cantos e o Clube a Taba, mediados pelo professor Paulo Verano, que também é fundador da Edições Barbatana.

Às 16h30 (gostei do tempo que há entre uma mesa e outra, não serão discussões tão corridas!) terá início a segunda mesa, chamada Casulo. Nela serão debatidos os bastidores do mercado de livros didáticos, a questão de estágios na área e a formulação destes, pensando na evolução escolar das crianças. Farão parte o grupo IBEP, a Editora do Brasil e a YouZ, com mediação de Paola Nogueira.

É difícil sair de um evento como esse sem ter a cabeça fervilhando de ideias. Geralmente as discussões são enriquecedoras e é sempre um oportunidade de conhecer outras pessoas, ideias, opções. Se você quiser ter uma noção de como é, as mesas do ano passado ainda estão disponíveis no canal da Com-Arte Jr.

Se quiser participar da edição deste ano, não deixe de se inscrever no link abaixo (gratuitamente):

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Que material você usa nas aulas de italiano?

Hoje era dia de, antes tarde do que nunca, trazer um post de gramática da língua italiana, como tenho feito ao menos uma vez por mês. No entanto, semana passada, surpreendentemente, várias pessoas entraram em contato comigo, buscando aulas de italiano. E sempre que isso acontece é mais ou menos a mesma coisa: trocamos informações sobre funcionamento das aulas, sobre o que a pessoa busca, disponibilidade de horários, valores e… materiais.

Gosto de deixar claro, desde o início que eu não costumo adotar um livro didático para usar nas aulas. E já sabendo que isso é um pouco assustador para algumas pessoas, porque fomos educados em aulas que sempre contavam com o apoio de um livro, explico os motivos da minha escolha.

Em primeiro lugar, o que pesa é a questão financeira: diferentemente do inglês, no Brasil não temos tanto material de língua italiana disponível e, quando tem, costumam ser caros e não permitem uma continuidade (isto é, pode ser que encontremos o livro 1 e 2, mas não encontremos o 3 e o 4 para dar prosseguimento ao curso).

Para além disso, porém, há a questão didática propriamente dita: os livros didáticos (de qualquer língua) são, em sua grande maioria, pensados para qualquer estudante, isto é, um estudante de qualquer parte do mundo. Acontece que o português e o italiano não são línguas muito distantes o que, em muitos casos, pode ser ótimo, mas em outros, gera confusões bem interessantes. E esses livros dificilmente dão espaço para trabalharmos bem esses aspectos. E já aconteceu, por exemplo, de eu receber alunos que estudaram um pouco da língua sozinhos, ou então fizeram um tempo de curso e pararam, mas que, tendo essa base, precisam de um ritmo diferente nas aulas.

Tá, mas como você faz? Fica tudo solto?

Não exatamente, mas organização ajuda bastante. O que eu faço é disponibilizar um arquivo a cada aula — que poderia ser considerado uma mini unidade didática — no qual estará tudo trabalhado naquela aula em específico. É nesse arquivo que coloco textos, exercícios feitos em aula, explicações gramaticais, resumos, vocabulário… Tudo o que for útil e necessário.

Além disso, tenho sempre trabalhado esse material, buscando deixá-lo cada vez mais fácil de usar e, claro, mais completo. Atualmente, o que tenho feito é colocar sempre o número da aula, a data e os tópicos daquele dia. Mas ainda pretendo montar pequenos livros didáticos para usar com meus alunos, um pouco mais com a cara do que encontramos nas livrarias, evitando inseguranças quanto a isso.

Mas não é como se eu criasse tudo absolutamente do nada, tá? Eu vou comparando explicações de livros que tenho (porque sim, eu tenho alguns livros didáticos de italiano em casa!), buscando explicações na internet e vou condensando a informação, tentando ao máximo deixar tudo o mais claro possível.

Também deixo como opção para os alunos receber exercícios extras, para praticar um pouco mais aquilo que for visto em sala de aula. Esses exercícios, porém, sendo opcionais, são enviados num arquivo já com as respostas ao final e, tendo dúvidas, o aluno poderá tirá-las em sala ou mesmo entrando em contato comigo.

E como eu faço para suprir a falta do conteúdo multimidiático que, geralmente, é disponibilizado com os livros didáticos? De uma maneira bem simples: como tarefa de casa, costumo pedir que meus alunos assistam um vídeo curto, disponível no youtube ou qualquer outra plataforma gratuita. São vídeos que seleciono de acordo com o que trabalharemos na aula seguinte e sempre buscando trazer pessoas diferentes, assim eles podem se acostumar com sotaques e ritmos diferentes de fala. Também gosto muito de usar músicas e tenho tentado aumentar meu repertório, para oferecer conteúdos diferentes e úteis.

Mas veja bem: eu não sou contra materiais didáticos e não vejo problemas em adotar um se algum aluno fizer questão, mesmo depois de apontar todos os pontos que mencionei neste artigo. Para mim, o mais importante é que o aluno se sinta confortável e seguro de que aprenderá como espera.

E aí, você acha que se daria bem com essa metodologia?

Para ler mais conteúdos sobre minha forma de ensinar ou então aprender algumas coisas bem básicas da gramática italiana, clique aqui e confira os posts que já trouxe para o Blog. E se você tiver interesse em aprender italiano, ou conhece alguém que queira, é só clicar aqui.