Alameda do Carvalho — Ninna Vicari

Título: Alameda do carvalho
Autora: Ninna Vicari
Editora: Publicação independente
Páginas: 388
Ano: 2020

Você já ficou encarando a capa de um livro, tentando entender os elementos que a compõem e o título que grita nela?

A Ninna entrou em contato comigo, perguntando se eu queria ler Alameda do carvalho. Claro que ela usou as palavras mágicas “é um romance” (bom, na verdade ela explicou que “é uma história de amor entre dois personagens adultos”). Aceitei na hora, ainda que pensasse que havia algo de futurista nessa história que talvez não fosse me encantar tanto assim.

“Era tarde demais para voltar atrás. Não havia outra direção a seguirem, a não ser adiante”

Só depois de muito avançar na leitura é que comecei a entender alguns detalhes (da capa, no caso, a história está bem escrita, não tive dificuldades para acompanhar) e entender que eu não precisava me preocupar, tratava-se do exato tipo de narrativa que eu tanto adoro.

“As pessoas sempre se sentem culpadas depois de uma tragédia, mas nunca se sentem responsáveis durante os eventos que precedem a tragédia”‘

O livro é dividido em três partes, todas elas narradas em terceira pessoa. A terceira parte é a mais curta, mas não a menos intensa.

“Será que ele choraria? Ou guardaria suas lágrimas em segredo?”

A história começa com Tom e sua filha, Lily. Logo percebemos que ele está se reerguendo e que tem de cuidar da pequena sozinho, uma vez que sua esposa morrera. Uma morte, porém, que o persegue por muito tempo e que somente aos poucos vamos entendendo o que há por trás deste episódio.

Decidido a tentar retomar as rédeas de sua vida, Tom se muda para Londres e, portanto, acaba tendo de contratar uma babá para cuidar de Lily. E é assim que ele conhece Mia.

“Mia tinha tendência a abraçar problemas que não eram seus e sentia a necessidade de resolvê-los”

Mia é estudante de direito e trabalha como babá para poder se sustentar. Apesar de ter sempre um sorriso gentil a oferecer, ela também tem um passado complicado, que certamente moldou seu caráter compreensível e empático.

“Ouvir a história de Mia fez Thomas colocar sua própria vida em perspectiva”

Como a primeira parte do livro é dedica a Tom, ainda que Mia tenha um papel essencial e uma presença marcante, ficamos propensos a querer saber tudo sobre esse homem misterioso e fechado.

A segunda parte, porém, é dedicada a Mia, e só então percebemos como há tanto a ser descoberto sobre ela também. Uma mulher inspiradora, sem dúvidas.

É claro que a combinação Tom e Mia não poderia ser mais explosiva que a apresentada em Alameda do Carvalho. Fica evidente, ao longos das páginas desta obra, que jamais poderemos controlar nosso coração, escolher por quem iremos nos apaixonar.

“Não bastasse ter que superar as adversidades que a vida lhe jogara, também teria que lidar com preconceitos que nunca havia experienciado antes”

Sim, eu chorei em alguns trechos. Também fiquei com o coração na mão em outros. E tive medo de ser surpreendida por um final totalmente inesperado. Mas tive a sorte de terminar a leitura com o coração quentinho.

“Ela estava ali naquele momento, mas ele temia que não estaria ali para sempre”

Como eu disse antes, a terceira parte do livro é a mais curta, mas também a mais reveladora. Dedicada a Lily, é o momento em que cada peça desse quebra-cabeça finalmente se encaixa. Não há ponto sem nó na história.

“Lily não entendia, ainda era inocente demais para compreender as nuances que relacionamentos humanos possuíam”

Com uma narrativa envolvente, indico Alameda do carvalho para quem busca um romance mais maduro (sem ser maçante), recheado de temas como amizade, superação, alcoolismo, preconceitos… Uma história que aborda tudo isso e muito mais de maneira natural e responsável.

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O chamado do Cuco – Robert Galbraith

Título: O chamado do cuco
Original: The cuckoo's calling
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Páginas: 447
Ano: 2013 (1º edição)
Tradução: Ryta Vinagre

Antes de falar sobre O chamado do cuco, gostaria de contar a vocês que li primeiro O bicho da seda, que, em tese, deveria ser lido depois desse. Não se trata, porém, de uma continuação, mas certamente muitas coisas ficarão mais claras se você ler O chamado do cuco primeiro.

E, um super detalhe, para quem não sabe: Robert Galbraith é pseudônimo de ninguém menos que J. K. Rowling!

O livro conta com um prólogo – que nos fala sobre a morte que será investigada ao longo da obra – cinco partes – que nos contam a história propriamente dita – e um epílogo – com o título de “dez dias depois”.

Na primeira parte vamos, aos poucos, conhecendo os personagens dessa trama policial. No primeiro capítulo, por exemplo, somos apresentados a Robin, uma jovem de 25 anos que, no dia seguinte à noite em que ficou noiva, começa a trabalhar como secretária temporária de Cormoran Strike, um detetive particular. O sonho de Robin, aliás, era ser detetive! Aqueles dias pareciam um sonho para ela.

Já a vida de Cormoran Strike ia de mal a pior. Ele rompera definitivamente com Charlotte, não tinha onde morar e os negócios não estavam em um bom momento… Ao menos não até que John Bristow aparecesse para contratar o detetive para reinvestigar a morte de sua irmã, Lula Landry, uma modelo muito famosa. Para a polícia, Lula Landry havia cometido suicídio, jogando-se da sacada de seu apartamento. John Bristow, porém, tinha certeza de que alguém a havia matado.

“Os mortos só podiam falar pela boca dos que ficaram e pelos sinais que deixavam”

O chamado do cuco (p.282)

Contribuía para o veredicto da polícia o fato de Lula Landry ter alguns problemas psicológicos e já ter se envolvido com drogas. No mais, ela era uma negra adotada por uma família branca extremamente rica e… Problemática.

O “caso Lula Landry” é mencionado por diversas vezes em O bicho da seda, por ter sido importante para a retomada dos negócios de Cormoran Strike (e esse é um dos motivos pelos quais é melhor ler primeiro O chamado do Cuco).

O título do livro, que pode parecer aleatório, passa a fazer sentido para nós somente na terceira parte, quando nos é revelado que “Cuco” era um dos apelidos da modelo Lula Landry.

Tudo é muito descrito no livro, mas não de uma maneira maçante. Podemos ter uma boa ideia de como eram os personagens e cada lugar que aparece ao longo da história. As descrições só são um pouco desesperadoras no final da história, quando queremos saber logo o que aconteceu, mas temos de nos deter nos detalhes de cada cena.

E por falar em final da história, como um bom romance policial, duvido que você acerte quem matou Lula Landry, por mais que sua leitura seja muito atenta. Claro que, para alcançar o efeito desejado, o autor tem de ocultar alguns elementos da história, que serão apresentados ou explicados com maior clareza nas páginas finais. E isso é feito de maneira excepcional!

A lista de suspeitos pela morte de Lula parece nunca acabar. Através dos olhos de Strike e Robin passamos a desconfiar de todos os amigos da modelo, como Guy Somé, Ciara Porter, Rochelle Onifade; de seus vizinhos, o casal Bestigui; de seu namorado, Evan Duffield; do rapper Deeby Mac; e até de seus familiares, como seu tio Tony Landry ou então sua mãe biológica.

J. K. Rowling conseguiu me surpreender também como escritora de histórias de detetive. Eu já havia gostado de O bicho da seda e agora posso acrescentar que gostei de O chamado do Cuco.