Tatianices recomenda [27] — Michelle Pereira

Tatianices recomenda

Em tempos de distanciamento social pode acontecer da criatividade aflorar e de sentirmos necessidade de ocupar tempos que antes não eram ociosos. Algumas pessoas, porém, se superam nesse quesito. E hoje, aqui, venho falar especificamente sobre uma delas: a escritora Michelle Pereira.

Eu conheci (infelizmente apenas virtualmente) a autora Michelle Pereira no ano passado, quando demos início a uma parceria. Li todos os livros dela até então publicados e me encantei com a escrita dela, tão plural e criativa.

No dia 9 de abril de 2020, em seu instagram pessoal, a autora pediu para que seus seguidores dessem uma palavra a ela, que, ao longo dos dias, ela escreveria um microconto baseado em cada palavra. Essa é uma forma não apenas de exercitar a criatividade, como também de se aventurar por outros estilos e, claro, praticar a escrita. Uma ótima dica para escritores.

E gente, que presente! A Michelle consegue criar textos muito diversos e completos, mesmo que em poucas palavras. Histórias bem feitas e que, ao mesmo tempo, deixam margens para que nós mesmos nos aprofundemos nelas por caminhos diversos.

Até o momento temos microcontos com as seguinte palavras:

  • Samambaia
  • Horizonte
  • Cobra
  • Pôr do sol
  • Sonoridade
  • Amarelo*
  • Tempo
  • Metálico
  • Delírio

*Amarelo foi uma palavra sugerida por mim e, sabendo que eu gosto de romance, a autora quis escrever algo nesse estilo. Obviamente eu AMEI, mas o que me encantou mais ainda foi o quanto ela conseguiu escrever algo que me remeteu à minha própria história de amor (por si só já intimamente ligada à palavra amarelo), mesmo sem saber tanto sobre ela! É magia atrás de magia que sai das mãos da Michelle.

Mas fala sério, só por essa lista já dá para imaginar o quão desafiadora tem sido essa experiência, não? E a Michelle ainda faz tudo parecer tão natural! Se quiser conferir com seus próprios olhos, você pode ler os textos no instagram ou no Blog dela. Passem lá, leiam os contos e depois voltem aqui para me contar o que acharam. Estou curiosa com a opinião de vocês!

E também deixo aqui minhas resenhas, caso vocês ainda não conheçam as demais obras dela:

Estática Humana — Michelle Pereira

Título: Estática humana
Autora: Michelle Pereira
Editora: Publicação independente
Páginas: 37
Ano: 2019

estática humana blog

Ainda em clima natalino (mas não muito) hoje venho falar para vocês sobre o conto Estática Humana, da autora Michelle Pereira. Uma leitura rápida, mas de tirar o fôlego…

Nesta história conhecemos Sharlenne Marin — ou Lenny — uma policial que nunca levou jeito para a profissão e que, justamente por não ser uma das melhores, quase sempre era escalada para os plantões de natal, que deveriam ser tranquilos. E talvez fossem, exceto em 1989, 1993, 1996 e 1999.

Nesses quatro anos, um crime terrível aconteceu em 24 de dezembro, na Avenida Insular. E, aos poucos, as peças desse grande quebra-cabeça vão se encaixando. Há pistas a cada página (como não poderia deixar de ser, em uma história tão curta e tão intensa quanto essa) e coincidências que podem passar desapercebidas, mas que não deveriam.

E, vejam só: não ser a melhor não significa que Lenny seja incapaz de desvendar grandes mistérios e salvar colegas de trabalho, não é mesmo?

Como sempre, Michelle Pereira pega seu leitor e o amarra às paginas de seu livro, nos fazendo ler com avidez essa história, querendo desvendar o mistério que cerca a Avenida Insular. A linguagem, a construção das cenas e dos personagens são impecáveis. Estática humana é um conto rápido e instigante, capaz de nos mostrar que há seres humanos de tudo quanto é jeito por aí, até mesmo na véspera de natal.

Não deixe de ler Estática Humana e acompanhar Lenny nessa jornada assustadora.

 

 

O preço do céu — Michelle Pereira

Título: O preço do céu — um conto de Guardião do Medo
Autor: Michelle Pereira
Editora: Publicação independente
Página: 19
Anos: 2017

preço do céu

“Não é a natureza que faz uma criatura boa ou má. São as circunstâncias”

Começo a resenha de hoje indo direto ao texto, porque a passagem acima, sem dúvidas, resume muito bem o que encontramos em O preço do céu, um conto de Guardião do Medo que nos apresenta Israel e Selene.

Israel era em grande guardião. Mais exatamente o Segundo Decantador da ordem dos Guardiões da Criação. Selene, sua filha, por outro lado, sempre fora uma criança renegada por tudo e todos (menos por seu pai, Israel, que parecia amá-la e protegê-la a todo custo).

“Todos tinham medo da garota, de sua aparência. Ela não era bonita, achava. Estava enganada, certamente. Sua beleza era sem igual. Imponente, sóbria. Mas estava no lugar errado. Seu tipo de beleza não se encaixava ali. E nunca se encaixaria”

Aos poucos o passado vai se revelando e passamos a compreender que há muito mais por trás do sofrimento de Selene. Ela não é renegada apenas por sua aparência, mas por ser quem é: fruto de um amor proibido e que não foi suficiente para salvar sua mãe.

Assim sendo, Selene só tem ao pai. Mas o amor dele será capaz de mantê-la viva? E se ela sobreviver, o que restará: luz ou sombra?

Quer saber qual é o destino de Selene? Clique aqui.

O passado de Raya — Michelle Pereira

Título: O passado de Raya
Autor: Michelle Pereira
Editora: Publicação independente
Páginas: 36
Ano: 2018

o passado de raya blog

Quando li Guardião do medo, fiquei intrigada com Raya, que diversas vezes fez menção ao seu passado, mas sem explicar o que houvera. Sabendo que havia um conto chamado O passado de Raya, quis, obviamente lê-lo o mais rápido possível.

Já dava para imaginar que Raya era apaixonada por Alexander — isso era o pouco que podíamos deduzir de suas pistas — mas eu não esperava uma história como a que encontrei.

Rayan (seu verdadeiro nome), quando ainda era humana, fugiu com seu noivo e, por isso, eles viviam de favor no celeiro de uma fazenda, cujos donos — Mina, Theodoro e Daniel — eram muito amáveis.

“Havia um belo sorriso em seu rosto, o que me fez concluir que tudo estava bem. Algo que nem sempre era verdade”

Rayan — assim como Alexander em Guardião do Medo — vê criaturas que não sabe o que são e que a assustam. Além disso, o relacionamento de Raya e seu noivo era um tanto quanto conturbado, coisa que, de início, ela não enxergava, devido ao amor que sentia. Aos poucos, porém, esse tal noivo vai revelando sua verdadeira faceta e Raya tem sorte de estar numa fazenda com donos tão gentis e protetores.

No clímax desta história temos um ciúme que cega e torna ainda mais violento o noivo de Raya. Uma história que deveria ser de fantasia, mas que, ao mesmo tempo, revela muito bem a infeliz realidade de tantos relacionamentos. O passado de Raya é pesado, mas seu presente também. E ainda há muito a ser revelado sobre essa personagem intensa e forte.

Se você está em busca de uma leitura mais curta, mas que ainda é intensa e capaz de te fazer refletir sobre um dos sentimentos mais complexos que há — o amor — essa história é pra você!

Quer saber como termina a história de amor de Raya? Então clica aqui.

Miniconto: Protetora — Michelle Pereira

protetora capa

Vocês acreditam que já chegamos ao último miniconto do Arco das Terras Mágicas, escritos pela Michelle? Vai dizer que agosto não passou voando??

Depois de Arvoredo, Chifres e Banho, hoje é a vez de Protetora, um miniconto dolorosamente atual e direto.

Sinopse:

Há um tesouro no interior da floresta e cada uma delas dará sua vida para protegê-lo dos bárbaros.

Protetora é um miniconto do arco Contos das Terras Mágicas, um universo onde mito e realidade se misturam.

Saboreie a rápida leitura de Protetora aqui, de forma totalmente gratuita!

Miniconto: Banho — Michelle Pereira

banho capa

Depois de Arvoredo e Chifres, essa semana é vez de Banho, um miniconto em que a Michelle narra essa ação tão banal e prazerosa de uma maneira que a torna uma experiência única.

Sinopse:

Para algumas criaturas, o banho é dispensável.

Para essa, ele é especial.

Banho é um miniconto do arco Contos das Terras Mágicas, um universo onde mito e realidade se misturam.

Para ler Banho de maneira gratuita e rápida, acesse: bit.ly/contobanho

 

Miniconto: Chifres — Michelle Pereira

chifres capa

Hoje é dia de apresentar a vocês o segundo miniconto do mês, escrito pela autora parceira Michelle Pereira. Um conto ainda mais instigante que o primeiro, porque ao mesmo tempo que nos deixa querendo mais, nos dá uma sensação ótima de completude. Uma história linda!

Sinopse:

Quando seu cachecol vermelho foi levado pelo vento, ela teve medo de assustar o cavalo branco que observava.

No entanto, isso o trouxe para perto.

Chifres é um miniconto do arco Contos das Terras Mágicas, um universo onde mito e realidade se misturam.

Para ler “Chifres” basta clicar aqui. Lembrando que a leitura é gratuita (e que vale a pena!)

Miniconto: Arvoredo — Michelle Pereira

Arvoredo capa

Nesse mês de agosto a parceira Michelle Pereira resolveu divulgar alguns minicontos seus, que estão disponíveis para leitura gratuita lá no Sweek! É uma ótima chance de conhecer um pouquinho do trabalho maravilhoso que ela desenvolve.

A cada semana, portanto, vou trazer para vocês a sinopse do conto da semana e o link, para que vocês possam conferir com seus próprios olhos. O conto dessa semana chama “Arvoredo” e eu achei ele super misterioso!

Sinopse:

“Cas sempre disse a ela para atravessar o arvoredo ao ir para a escola. Mas nunca disse o porquê.

Aquele era o dia de descobrir.

Arvoredo é um miniconto do arco Contos das Terras Mágicas, um universo onde mito e realidade se misturam”.

Para ler Arvoredo basta acessar: bit.ly/contoarvoredo

 

 

Citações #26 — Guardião do medo

Citações #26

Hoje é dia de trazer algumas citações que ficaram de fora da resenha de um livro maravilhoso: Guardião do Medo, da Michelle Pereira. Lembrando que, nessa obra, o protagonista, Alexander, não tem uma vida fácil e que, por isso, é um personagem extremamente amargurado.

“— Ninguém tem a vida que deseja ter, Alexander”

Mas, na resenha eu defendi o comportamento grosseiro de Alexander, e reitero minha defesa aqui: ele tem seus motivos para ser assim, e não são poucos.

“Eu vi o pior do ser humano, não posso voltar atrás”

Por outro lado, ao longo da história vamos nos deparando com personagens que são o oposto — em muitos sentidos — de Alexander.

“Eu sei que parece bobagem, mas algumas pessoas têm esse coração perseverante, esse coração que ainda acredita…”

E somente pessoas assim poderiam ser capazes de provocar alguma mudança no protagonista.

“Como eu poderia dormir depois daquela velha senhora quebrar alguma coisa dentro de mim? Porque ela quebrou algo, com certeza, e ainda não sei o que é”

E não bastasse toda a dor vivida, quando Alexander está entendendo que há certas belezas na vida, ele tem de lidar, também, com a morte.

“— Cada pessoa que amamos leva um pouco de nós quando parte”

E então…

O corpo nunca se acostuma com a dor”

Alexander também é uma pessoa amargurada porque, dentre outros motivos, sempre foi muito sozinho. Ou sempre acreditou ser muito sozinho.

“— Sempre que você vir uma estrela ou uma luz brilhar mais forte, saiba que eu estarei lá”

E tudo o que ele precisava era de alguém que lhe desse amor.

“Por todos esse anos, isso foi tudo o que precisei. Alguém para me dizer que as coisas iriam ficar bem”

Uma coisa que acabei não explicando na resenha — porque acabei não encontrando espaço para essa passagem — é o motivo pelo qual um Vórtice do Medo é tão importante, tanto para o bem quanto para o mal:

“— O medo é um sentimento poderoso, talvez mais poderoso que o amor. Porque o medo enfraquece, paralisa, mas o medo também move as pessoas”

Termino essas citações, portanto, com uma passagem muito importante, que devemos sempre ter em mente e refletir sobre:

“— Ninguém é tão bom quanto acha que é”

E se você ficou (ainda mais) interessado(a) em Guardião do Medo, adquira o seu aqui.

 

 

 

Chuva de Estrelas – Michelle Pereira

Título: Chuva de estrelas
Autor: Michelle Pereira
Editora: publicação independente
Páginas: 13
Ano: 2018 (1º edição)

Blog das Tatianices (3)

Chuva de estrelas é um conto escrito por Michelle Pereira e publicado de forma independente, na Amazon. Não tem como não se encantar com essa capa e esse título, não é mesmo?

“Estrelas eram lindas e letais. Poéticas e assassinas”

A tal chuva de estrelas, no entanto, era um fenômeno que acontecia em Vanroe e Bessengard — reinos criados por Michelle — e não era um sinal de boas coisas.

“Algo era certo: nada de bom acompanhava a chuva de estrelas”

Ao longo das páginas deste conto — que está dividido em seis capítulos — acompanhamos a jornada do discípulo de Vernam, um rapaz que deve servir seu imperador, carregando a joia de Vernam, uma joia em que havia demônios presos, demônios que tentavam convencer seu portador a não levar tal joia para onde ela deveria ser levada. É quase como nossa mente, quando tenta nos convencer de algo que sabemos não ser como ela insiste que é.

“Por que a obrigação de um primogênito morto passaria ao caçula? Era ilógico. No entanto, não era seu dever questionar”

A chuva de estrelas acompanha nosso protagonista de forma incessante. Ela pode ser um fenômeno lindo, mas, como já dito, ela é extremamente perigosa e machuca sem que as pessoas sintam os ferimentos. E o jovem rapaz nada pode fazer além de lutar contra essa natureza violenta. E a gente torce por ele, mesmo sem conhecê-lo tão bem assim!

Esse é um daqueles contos que nos fazem prender a respiração e devorar cada linha, até a última página. E ainda deixa um gostinho de quero mais, mas sem deixar de apresentar uma história completa e fechada. Parece até doido pensar o quanto de história a Michelle conseguiu colocar em apenas 13 páginas!

Ficou curioso com esse conto? Aqui você pode encontrar mais sobre ele.