Quando é pra ser — Aline Sales

Título: Quando é pra ser 
Autora: Aline Sales
Editora: Publicação independente
Páginas: 250
Ano: 2017

Sinopse

Um amigo. Um acidente inesperado. Desde então, Augusto Caldeira adota uma postura indiferente à vida. Amante do perigo e da adrenalina, o que mais gosta de fazer é testar seus limites na pista de motocross. Entretanto, seu pai o obriga a trabalhar na construtora da família na tentativa de transformá-lo em um homem sério.

E é assim que o jovem, belo e altamente cínico conhece Melissa Andrioni, a analista de T.I. da empresa. A ruiva, apesar de linda e atraente, é o seu oposto, amante de séries, filmes e HQ’S a garota não vê problema em seguir regras. Nerd de carteirinha se sente bastante confortável calçando seu velho all star. A atração e o antagonismo entre eles são imediatos fazendo com que a convivência entre os dois seja sempre regada a brigas e provocações.

Porém, um mal-entendido na empresa os leva a trabalharem juntos para solucionar o mistério. A parceria forçada faz com que percebam que além da atração eles têm mais coisas em comum do que imaginavam. Mas antes de se entregarem a paixão precisam enfrentar velhos fantasmas para conseguirem seguir em frente.

Resenha

No melhor estilo cão e gato, Quando é pra ser é daquelas leituras leves e ideais para passar o tempo.

“Ela era o meu oposto; enquanto eu vivia para quebrar regras, ela parecia viver para segui-las”

Com uma narrativa em primeira pessoa, que se alterna entre os protagonistas, vamos, aos poucos, compreendendo as características de cada um.

“Mas, desde que eu coloquei os olhos na ruiva no elevador, eu não me reconheço, há em mim um desejo incontrolável de me aproximar. Mesmo sabendo que eu destruo tudo o que toco”

O que nos prende às páginas desta obra são, sem dúvidas, dois grandes mistérios. O primeiro deles é mais “simples”, esperado numa narrativa como essa: o que aconteceu no passado de Augusto, o protagonista, que o transformou num bad boy. 

“Ao ouvir aquilo, eu me peguei desejando ser ao menos uma vez o mocinho daquela trama louca chamada vida”

O segundo mistério, contudo, é o que contribui para o desenvolvimento da história em si: uma sabotagem na empresa em que Augusto e Melissa trabalham acaba por unir os protagonistas, mesmo com todas as diferenças que possuem.

“Mas aquilo não era só sobre mim e o marrento do Augusto e a nossa relação de gato e rato mal resolvida”

Melissa é daquelas mulheres lindas que não sabem reconhecer a própria beleza. Mais que isso, porém, ela é extremamente competente e inteligente, o que, apesar de tudo, faz com que ela tenha muita credibilidade diante de seu chefe.

“Eu me sentia frustrada, embora fosse inocente; o que houve me abalou muito”

Augusto, por outro lado, está totalmente desmoralizado diante de seu pai, um dos donos da empresa em que trabalham. Mas é isso que talvez contribua para que ele queira acertar ao menos uma vez na vida, mesmo sem querer abandonar por completo a vida que leva.

“Augusto era uma incógnita que dificilmente faria parte da equação que era a minha vida. Era impossível desvendá-lo”

Em suma, esta é uma leitura para você que está em busca de um romance cão e gato, com uma pitada de mistério e, claro, sem medo de se irritar com um personagem como Augusto.

“Mas eu não podia brincar com fogo, eu a desejava e, bem, ela era quem poderia se queimar, já que eu era mestre em ferir as pessoas à minha volta”

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Em tuas mãos — Michelle Passos

Título: Em tuas mãos: agora o destino depende somente dele (Duologia “O jogador e a bailarina”, livro 2) 
Autora: Michelle Passos
Editora: Publicação independente
Páginas: 382
Ano: 2016 

Sinopse

Marina está arrasada. Depois de ter seu sonho destruído por um bailarino que sempre admirou, ela precisa lidar com o fato de que o namorado, Fred, tomou atitudes no passado que não condizem com o cara pelo qual se apaixonou ao chegar em São Miguel.

Depois de resolver dar uma chance para que Fred não cometa os mesmos erros, Marina é pega de surpresa pela vida mais uma vez: Leandro, seu cunhado, lhe conta um segredo que irá mudar não só a vida dele, mas a de todos ao seu redor. Junto com o peso da notícia que ela jamais pensou receber, Marina precisa resolver o seu passado que, sem aviso, vem bater à sua porta.

Fred acredita que poderá viver em paz com a namorada e o irmão depois de ter lhes contado toda a verdade, mas ele não esperava pela notícia que Leandro tem para lhe dar. O tempo é pequeno, os sentimentos são confusos e os caminhos mais curtos novamente parecem muito tentadores. Dividido entre o amor incondicional por Leandro e o ultimato que a garota da sua vida lhe dá, Fred terá que decidir rapidamente como o destino vai ser. E ele está completamente em tuas mãos.

Resenha

Como dito na resenha de Aos teus pés, Michelle Passos nos deixa ansiando pelo segundo volume da duologia O jogador e a bailarina e aqui estou para contar o que este volume tem a nos revelar (tentando não dar muito spoiler, mas não prometo nada). 

“Sorrio porque a vida é essa coisa louca que faz a gente sofrer e chorar, mas, antes de tudo, nos dá força e coragem para acreditar no impossível, e isso é o que eu guardo de lição sempre dentro do meu coração”

Por mais incrível que Fred seja, ele fez muitas escolhas questionáveis em sua vida e quando acha que vai poder consertar seus erros, a vida vem e lhe prega uma terrível peça de mau gosto. Fica até difícil criticá-lo, confesso.

“Eu realmente sei muito pouco da vida, menos ainda sobre os sacrifícios que nós fazemos por quem amamos”

Ao mesmo tempo, Marina está tentando se reerguer da enorme rasteira que levou e a vida parece não dar trégua: quando tudo parece que vai se ajeitar, uma nova onda derruba toda a paz dela.

“Não é só porque essa dor também é minha, mas sim porque eu daria de tudo para que essa não fosse a dor de ninguém”

Acho que essa é uma das coisas que torna esta leitura tão viciante e encantadora: o fato de que as coisas não são fáceis para os protagonistas, nos fazendo mergulhar numa história que poderia ser a nossa.

“Há dois dias que eu tenho chorado sozinha, fingindo estar bem, sorrindo para não mostrar o quanto estou destruída por dentro”

Além disso, eles não são perfeitos: cometem erros, lidam com as consequências de suas escolhas e são cheios de dúvidas.

“Meu filho… Nem sempre ser bom para uma pessoa é ser perfeito”

A amizade segue tendo papel de destaque na obra, bem como o amor e a necessidade de sermos transparentes e responsáveis por nossas escolhas.

“Mas o que eu não percebia é que ele nunca vai me deixar sozinha, ele é meu amigo e amigos são pra vida toda”

Uma narrativa com muitas reviravoltas para os personagens, com tramas se desenrolando sem deixar os acontecimentos confusos ou carregados demais.

“Um retrato de família normal, coisa que a gente nunca foi. É bom ver as coisas fazendo sentido pela primeira vez na vida, como nunca fez antes. Estamos tentando nos redimir de um erro que nunca foi nosso, mas que a gente sempre carregou em nossas costas”

Gostei de poder acompanhar mais da Marina e do Fred, não só no que vem logo depois do primeiro livro, mas também alguns anos mais à frente na vida deles. Difícil foi se despedir desses personagens.

“Sessenta dias e as nossas vidas foram totalmente transformadas”

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O quarto branco — P. Barbosa

Título: O quarto branco 
Autor: P. Barbosa
Editora: Publicação independente
Páginas: 29 
Ano: 2013

Sinopse

«Fiquei por ali, gritando o mais alto que podia, em aflição, que precisava de um caminho, de um rumo e de uma direcção, mas como não havia paredes onde o som pudesse ressoar as palavras iam e nunca voltavam. Era incapaz de me ouvir, e só sabia que estava a gritar pela trepidação dos meus ossos que sentia do esforço sobre-humano que fazia. E fiquei naquilo milhares de vezes repetindo, ou milhões ou biliões, pois nunca as contei, até que me calei por meu próprio convencimento.

Tal era a soberba ou a surdez do dono daquele lugar.»

***

«Agarrei-me a ela e ela a mim, e assim ficámos, agarrados, um ao outro, apertados por uma vontade férrea, acontecesse o que acontecesse.

— Não te quero perder. — disse-lhe. Ela soluçou e agarrou-se a mim ainda com mais força.

— Odeio este mundo e o outro. — disse-me, enquanto chorava — A felicidade não tem sítio para viver.»

***

«O homem anseia por conquistar a luz e evitar as trevas. Para mim, não há diferença entre as duas.»

Resenha

O quarto branco é uma daquelas leituras rápidas, mas que aos poucos vai revelando ir muito além do que se imagina.

“Para quê abandonar o lugar que nos oferece tudo o que se quer ter?”

Através de metáforas — principalmente a do quarto branco — a obra nos faz refletir sobre o que está (ou não) em nossa mente e sobre as armadilhas que criamos através do nosso pensamento.

“Senti-me enterrado num poço branco, que tanto podia ser branco como escuro como breu, pois quando se tem apenas uma cor para olhar é como estar cego e não ter cor nenhuma para ver”

O protagonista desta história encontra-se num lugar que, aos poucos, vai se revelando, como nossa mente, quando gradualmente vai se desfazendo de pensamentos negativos.

“Chegará o dia em que as dores de hoje serão olhadas com nostalgia e alegria. E depois tudo passará”

Conforme as coisas boas vão sendo sentidas, novos personagens surgem junto à luz.

“O problema dos horizontes do pôr-do-sol é que eles forjam o mundo numa esfera que gira sem sair do lugar”

Mas claro: perfeição não existe e mesmo quando se compreende o que nos move, ainda há algo que nos paralisa.

“O homem anseia por conquistar a luz e evitar as trevas. Para mim, não há diferença entre as duas”

Escrito em português europeu — o que meu causou menos estranhamento do que eu esperava — O quarto branco vai te tirar da zona de conforto com uma leitura rápida e profunda. 

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Uma canção para a libélula — Juliana Daglio

Título: Uma canção para a libélula 
Autora: Juliana Daglio
Editora: Publicação independente
Páginas: 611
Ano: 2018 

(Para ler ao som de Here in the now – Angra)

Sinopse

Ainda criança, a talentosa Vanessa compôs uma canção para expressar seu fascínio por libélulas. Sem compreender o significado desses insetos alados em sua vida, ela cresceu para se tornar uma pianista de sucesso, famosa em toda a Europa. Porém, sua alma sombria e quieta segue assombrada por uma presença cinza, uma doença inescrutável. A jovem pianista precisa retornar ao Brasil, ignorando a voz obscura que ronda sua mente, prometendo tragá-la para as memórias terríveis que cercam sua antiga casa em São Paulo. Seu reencontro com a mãe não facilita para que enfrente os sintomas de fraqueza que a acometem, levando-a a um abismo em si mesma. Contudo, Vanessa não estará mais sozinha. Em meio a todo o caos, conhece Nathan, um misterioso rapaz que se esconde por trás de meios sorrisos. Logo ele se mostra decidido na missão de ajudá-la a encarar a parte mais difícil de sua doença – a sobrevivência.

Uma história sobre depressão, perdas e superação, que já conquistou centenas de leitores em suas primeiras edições. Agora o texto chega até o leitor em uma segunda versão, com o conteúdo renovado e cenas inéditas que compõe a mesma história. A trajetória de uma simples ninfa através de lagos sombrios, de um casulo apertado, até o romper das asas de uma imponente Libélula.

Seja forte agora, mas não contenha suas lágrimas.

Ouça a Canção até o final.

AVISO DE GATILHO: O livro descreve grandes conflitos internos e emocionais, bem como cenas fortes que podem desencadear emoções latentes.

Resenha

O encontro com essa obra foi lento, até que me vi enredada por ela, querendo mais e mais desse belo texto, escrito por vezes com palavras difíceis, por vezes com palavras poéticas.

“Eu poderia compor uma canção sobre isso, pensei, afastando meu rosto para vê-lo”

Talvez tenha sido uma escolha estranha pegar um livro tão denso para iniciar o ano (essa foi minha primeira leitura concluída em 2025, minha resenhas estão um pouco atrasadas), mas existiria realmente um momento ideal para uma leitura como essa?

“Sentia-me desesperada, experimentando uma sensação de aceleramento, indefesa e perdida num mundo que não me pertencia. Se eu pudesse somente evaporar”

A história de Vanessa não é nada simples e ao longo de todo livro acompanhamos a sua angústia e a sua dor.

“Ouvia a música dentro mim, mas tornei-me silêncio. Uma garotinha de cabelos de algodão, perdida em si mesma, tomada por uma dor devastadora feito uma ferida esburacada de um pedaço que fora arrancado de mim. Algo havia sido tirado a força de mim, de fato. Doía mais do que qualquer agrura física”

Sabemos que ela carrega uma enorme culpa, mas é aos poucos que vamos entendendo de onde ela vem e o que há realmente por trás disso. As peças são encaixadas aos poucos, fazendo surgir o quadro completo no momento certo.

“Porém havia de fato ocorrido uma desgraça naquela casa, e cada parte daquele piso e daquelas paredes me fazia lembrar dela”

Muito antes do acontecimento que marca sua existência, Vanessa já era uma criança retraída – e aqui também vamos entendendo aos poucos o porquê – e depois as coisas só pioraram.

“Odiava essa mania que as pessoas tinham de medir palavras para falarem comigo, como se eu fosse de vidro”

Mas o terror poderia ser ainda maior, se Vanessa não tivesse uma família capaz de ajudá-la. Enquanto sua mãe era seu maior pesadelo, foi sua tia que a tirou daquela realidade e permitiu que a menina se tornasse uma das pianistas de maior renome mundial.

“Algumas pessoas me acusaram de tirar uma criança de um lar, embora eu estivesse dando a ela um lar. Mas no final de tudo, você tem seu próprio mundo, sua alma e seu coração de libélula”

O amor de sua prima também é algo belo de se acompanhar. Duas amigas-irmãs que sempre estiveram ali, uma pela outra.

“Minha prima se apaixonava e desapaixonava com muita frequência, mas não deixava de ser real e intenso em todas as vezes que acontecia”

No entanto, sabemos, a vida não dá tréguas e, no auge de sua carreira, a vida de Vanessa dá outra volta e ela se vê obrigada a enfrentar seu passado e seus temores.

“Todo mundo que me olha sabe que eu estou quebrada”

É bonita a forma como a obra trata a depressão, sem romantizá-la. A protagonista se refere à “Vilã Cinzenta” que a assombra e acredito que esta seja uma boa forma imagética de enxergarmos as coisas.

“Tudo começa assim: uma tristeza aqui, um dia de apatia ali; uma angústia fraca, outra forte. Depois vem a perda de interesses. Resolve-se reconhecer a própria inutilidade. Não há vontade alguma de levantar da cama, e, quando se levanta, não há vontade de voltar. Daí por diante, tudo parece estar perdido. Parece não ter volta. Talvez não tenha…”

Nem tudo no livro, porém, é perfeito. Nathan, um cara um tanto quanto misterioso, por mais encantador que seja, não me convenceu de todo.

“— Estou tentando mostrar o mundo que você não estava vendo”

Colocado como o salvador de Vanessa, algumas de suas ações parecem exageradas, ainda que bem intencionadas 

“Sei que pensa que as pessoas não sabem as coisas que não fala, mas você não tem a mínima noção do que seu rosto diz, do quanto você é transparente”

Por diversos momentos me questionei como esta história poderia acabar e, claro, até o último momento estava difícil imaginar qual exatamente seria o desfecho. Faria sentido um final feliz? E se não fizesse, como concluir sem deixar o leitor desesperançoso?

“Experimentei um grau de ansiedade boa, como há muito não sentia”

O livro é narrado pela própria protagonista, o que provavelmente nos faz mergulhar ainda mais em sua profusão de sentimentos.

“Eu não era feliz. Não conseguia esquecer, tinha me esfriado, tornando-me incapaz de sentir coisas boas, de me permitir alguma alegria”

Para além da depressão, pelo próprio jeito de ser desta protagonista, a obra também fala muito sobre relações sociais, sempre nos dando o que pensar.

“A verdade é que minhas relações sociais sempre giraram em torno da tentativa de não ser desagradável”

Uma canção para a libélula é um livro que vai mexer em muitas questões para cada ser humano que entrar em contato com ele. Uma obra que, sem dúvidas, vale a leitura. E, se você quiser saber mais sobre ela, clique abaixo

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Contos aleatórios da vida (i)rreal — Fernanda Frankka

Título: Contos aleatórios da vida (i)rreal 
Autora: Fernanda Frankka
Editora:  Publicação independente
Páginas:  23
Ano: 2021 

Sinopse

Três contos que passeiam desde a comédia, o romance até o terror. Casos que poderiam ou não ser reais no nosso mundo atual. Aqui, vocês vão conhecer Henrique, Jack e Anne. Personagens que podem te fazer sonhar ou, nunca pensar em colocar seus pés numa casa de campo no meio do nada.

Resenha

Para quem busca uma leitura bem rápida, aqui vai uma dica interessante, porque em apenas 23 páginas, Fernanda Frankka consegue transitar por estilos literários diversos e nos apresentar três histórias deliciosas de ler.

“Três histórias aleatórias, de gêneros diferentes, igualmente escritos por uma mente que não para de pensar. Espero que sintam a euforia dos que procuram, o frescor dos que amam e da lealdade dos que se conectam”

O primeiro conto desta breve coletânea é No compasso da vida e nele conhecemos Henrique — ou Kito —, um desses caras que adora ir para a balada com os amigos e não sai de lá sem uma mulher.

“Ou a pessoa diz logo o que quer ou então não faz graça”

(No compasso da vida)

Bem no estilo “só pego, não me apego”, Henrique não é um personagem cativante. Muito pelo contrário: que cara chatíssimo! E ainda preconceituoso. Mas ele tinha de ser assim, se não essa história nem existiria.

O título é quase uma grande ironia, porque a vida de Henrique está bem descompassada. E apesar dele ser horrível, quase dá para sentir uma leve dó, por ele ter perdido a chance de talvez conhecer uma garota incrível.

“Pena que a vida não é feita somente de sonhos”

(No compasso da vida)

O segundo conto desta obra é Perfume de amor e este me arrancou algumas gargalhadas de indignação com a criatividade da autora.

Os protagonistas são dois nerds e amigos de infância — Jack e Gabe — e a história toda se desenrola porque Jack se meteu em uma grande enrascada.

Basicamente, ele criou uma poção do amor… E o feitiço virou contra o feiticeiro.

Por fim, temos Terror no campo, para deixar a respiração em suspenso e sentir uns calafrios.

“Eu só quero voltar pra casa e, embora queira esquecer tudo o que aconteceu essa noite, sei que não vou conseguir”

(Terror no campo)

Quatro amigos decidem passar uns dias na casa de campo da família de dois deles, os irmãos Maicon e Anne.

Uma casa de campo, no meio do nada e praticamente abandonada… Como poderia sair algo de bom disso?

E mais: uma casa que tantas pessoas diziam ser… Sim, mal assombrada.

“Penso no diário de minha tia e quantos mais segredos podem estar impressos lá. Mas é algo que não cabe à mim saber. Não mais”

(Terror no campo)

Por mais clichê que possa parecer, o conto é bem construído e é extremamente interessante de ler, nos dando frio na barriga e nos fazendo repensar nossas teorias a cada palavra lida.

Não posso deixar de dizer que além de ter adorado ler esta obra, ótima para termos uma ideia de como é a escrita da autora, a Fernanda é uma fofa e você pode acompanhá-la em suas redes sociais (Instagram | Twitter).

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Citações #87 — Quero andar de mãos dadas

Quero andar de mãos dadas, como comentei na resenha, foi uma obra que comecei a ler sem esperar muita coisa e que me surpreendeu bastante. 

“Algumas coisas chamam nossa atenção e nos fazem ficar presos a elas de uma maneira quase hipnótica”

A obra, escrita por Victor Lopes, aborda diversos assuntos delicados, mas necessários, como as mentiras que contamos, muitas vezes numa tentativa de nos proteger ou sobreviver.

“As mentiras da minha vida ficavam cada vez maiores e nada de bom surgia delas. Nada de bom. Só surgia dor”

“Mais uma mentira contada. Agora era só esperar pela próxima”

No caso desta história, essas mentiras são a forma que os protagonistas encontram para se defender num mundo que, mesmo se dizendo tão evoluído, ainda é tão retrógrado.

“Deveria ter colocado um ponto final, pois sei melhor do que ninguém que não vai dar certo, que não posso gostar dele e deixar acontecer o que quer que seja que poderia acontecer”

“— A verdade é que nós sempre precisamos fazer as coisas mais comuns meio escondidos, isso se não quisermos que nos xinguem, ou nos batam ou tentem nos matar. Desculpa, não queria te assustar.

— De boa. Eu sei como é. 2014 e as pessoas ainda não aceitam”

“Meus sonhos de encontrar alguém por quem eu me apaixonasse trouxeram com eles o pesadelo da realidade”

“As pessoas me olhavam e eu tinha certeza de que elas viam em meus olhos o que acontecera, conseguiam ver minhas mentiras e me julgavam por ser gay. É isso o que as pessoas fazem, não importa quem sejam. Nada importa para elas se você não for igual a elas”

E, como não poderia deixar de ser, o medo se faz bem presente.

“Talvez esse seja o motivo pelo qual não nos falamos normalmente ontem, porque estamos com medo de nossos sentimentos”

“Resolvi enfrentar esse medo, mesmo sabendo que não podia haver muitas consequências positivas”

Medo esse que faz um dos protagonistas não conseguir agir como gostaria. O impede de ser quem realmente é.

“Eu não posso ser outra pessoa, ainda que queira”

“Essa minha cara é a cara de alguém que não pode ser quem é e não pode viver o que quer por medo do que vocês vão fazer e pensar e do que vai acontecer com nossa família”

“Cada coisa que eu deixava de fazer para poder manter meu segredo, era uma tonelada a mais colocada sobre meus ombros”

“— Eu estragaria tudo para eles.

— Você prefere estragar tudo para você?

— É só o que posso fazer agora”

“Eu não posso fazer o que quero fazer e preciso aceitar isso”

“Eu fiz um pedido. Pedi que tudo mudasse. Pedi que eu pudesse viver”

Uma hora, porém, quando guardamos demais dentro de nós, as coisas acabam extravasando.

“E certo dia foi exatamente o que aconteceu. Eu explodi”

À espreita, nesta história, há muito mais. A morte, principalmente, está sempre rondando, de mãos dadas com muita angústia e ansiedade.

“Um dia eu chegaria da escola e ela não estaria mais lá. Eu só torcia para que esse dia não fosse hoje”

“Eu não via como era possível existir desse jeito com coisas tão boas acontecendo e sendo substituídas, transformadas quase num passe de mágica, em sentimentos desesperadores”

“Depois de um fim, algo começa”

“E eu fiz. Às três e meia da manhã, eu fiz a dor por dentro parar. A dor por fora era muito mais libertadora. No meio do quarto escuro tudo ficou vermelho e eu vi todas as luzes se apagarem antes mesmo de conseguir pedir ajuda”

Porém nem só de dor e tristeza vivem as páginas desta obra. Há também muito amor companheirismo.

“Meu mundo estava em meus braços e eu não queria largar”

“Por fim, acho que fiz a coisa certa, por mais doloroso que possa ser para ele, eu precisava tocar no assunto, mostrar que estaria ao lado dele e que existem coisas mais importantes do que o que a família pensa sobre ele. Mas será que eu disse tudo isso?”

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Quero andar de mãos dadas — Victor Lopes

Título: Quero andar de mãos dadas 
Autor: Victor Lopes
Editora: Publicação independente
Páginas:  412
Ano: 2017

(Para ler ao som de Esquinas — Banda Refúgio. Eu poderia colocar tantas músicas aqui, mas toda a renda desta será revertida para o Instituto Bem do Estar).

Sinopse

Johnny e Nicholas não se conheciam, mas desde que se encontraram pela primeira vez, viram que momentos bons podem existir em meio a sentimentos ruins e a uma vida onde nada parece estar do jeito certo. A partir desse encontro quase sem querer, surge uma amizade e um desejo adolescente que só cresce com as conversas, as opiniões musicais compartilhadas e os segredos confessados. O que dois jovens garotos com um sentimento em comum um pelo outro podem fazer para se sentirem livres e viverem algo bom quando tudo ao redor parece conspirar contra? Mais do que isso, como lidar com os próprios pensamentos e opiniões indo de encontro aos seus desejos mais profundos e verdadeiros? “Quero andar de mãos dadas” é um romance LGBT sobre um amor adolescente, a importância da família e a necessidade de lidar com coisas muito maiores que a própria vontade para que se possa ser feliz.

Resenha

Iniciei a leitura de Quero andar de mãos dadas sem expectativa alguma. Adquiri o ebook em 2019 e, apesar de conseguir detectar diversos elementos na sinopse que possam ter despertado meu interesse, não sei o quê exatamente me fez comprar o ebook.

“Mesmo sabendo de tudo eu não sabia de nada”

Ao embarcar nas primeiras páginas desta obra, achei que este seria só mais um ebook com alguns lugares comuns neste tipo de história: jovens adolescentes que estão se descobrindo gays e que não podem ficar juntos, famílias homofóbicas e depressão (sempre tem alguém com depressão em histórias assim).

“Eu definitivamente nunca passara por isso, seria possível que meus hormônios estivessem finalmente se erguendo de seus túmulos?”

A verdade, porém, é que encontrei muito mais. Mas antes de me aprofundar na história é preciso dizer que sim, há gatilhos. Há cenas de violência doméstica e de automutilação, além de toda a questão da depressão abordada.

“Respirei fundo, afastando meus pensamentos para bem longe, tentando evitar pensar que eu poderia arruinar tantas vidas se soubessem a verdade sobre minha sexualidade, e me esforçando mais ainda para não lembrar do Johnny”

A história é narrada, alternadamente, pelos dois protagonistas: Johnny e Nicholas.

“Ao abraçar o garoto que eu gostava foi como se eu dissesse ao mundo que queria parar, que não queria mais jogar o jogo em que fora colocado”

Johnny já é assumido para sua família, o que não significa que sua vida seja só flores, mesmo que o bom humor dele seja quase inabalável.

“Mas a verdade é que tudo estava ótimo assim, mesmo com problemas e preocupações extras, talvez esse fosse o verdadeiro significado de viver e eu finalmente estava experimentando a vida. Eu só queria que tudo fosse um pouco menos complicado, queria ouvir verdades por piores que fossem e ter a certeza de que por mais feio que tudo parecesse, tudo estava indo e acontecendo e seguindo em frente”

O jovem mora com a mãe — que está em depressão — e com o padrasto, que claramente é uma pessoa extremamente tóxica e que só faz mal para quem está ao seu redor.

“É bem verdade que ninguém sabe realmente o que se passa na vida dos outros, assim fica fácil querer ser alguém diferente, para se ter apenas momentos de felicidade não exigiria muito esforço”

Por outro lado, Nicholas parece ter a vida perfeita: uma família unida, equilibrada e feliz. Até a segunda página, claro.

“Eu minto para o mundo sobre quem eu sou, mas, antes disso, minto para mim mesmo”

O problema de Nicholas é que ele tem certeza que não pode revelar para sua família quem ele é verdadeiramente. E, aos poucos, fica muito claro como esta é uma família que simplesmente não conversa de verdade. 

“Perceberam, eu acho. Mas a gente não fala sobre isso, é melhor deixar para lá e fingir que está tudo bem. Até porque é assim que as coisas melhoram”

Isso é um problema enorme, porque o que Nicholas faz é carregar um peso tremendo, sem ter a certeza de que ele é realmente necessário (bom, ele tem certeza de que é. E tem gente que sabe que não pode arriscar descobrir).

“Posso estar prestes a fazer com que a vida de várias pessoas entre em colapso, mas ter o Johnny comigo faria com que tudo parecesse estar bem”

Algumas pessoas talvez achem exageradas as reações de Nicholas, podem até considerá-lo dramático demais, dizer que não precisava de tanto. Mas quem tem uma mente ansiosa e que sempre imagina os piores cenários provavelmente vai entender os pensamentos do personagem.

“Eu precisava respirar fundo. Desliguei o celular, sem querer falar com ninguém e precisando ficar sozinho. Estava faminto, mas não queria passar pela sala, pois sabia que eles estariam conversando sobre mim e minhas mentiras, minha mãe estaria chorando por saber que sou gay e meu pai estaria pronto para me punir. Eu era uma decepção e um exemplo a não ser seguido”

Os dois se conhecem através de uma pessoa em comum: Lavínia, a melhor amiga de Johnny e prima de Nicholas.

“Eu o olhava sem conhecê-lo de verdade e era como se houvesse algo ali que me incomodava e me atraía, muito além da beleza dele”

O primeiro encontro deles é totalmente despretensioso, mas uma chama se acende ali e suas vidas viram do avesso.

“Levei dezesseis anos para construir minhas proteções e entender como elas funcionavam, para aceitar como eu me sentia bem assim, atrás delas. Mas não foi preciso nem três meses para que tudo fosse completamente destruído”

Em meio à ansiedade da última semana de aula, seus problemas pessoais, seus medos e suas descobertas, os dois vão se aproximando, se apaixonando intensamente e sofrendo na mesma medida.

“Mas eu olho para mim e vejo as coisas virando de ponta cabeça”

Através deste emaranhado de acontecimentos, somos levados a pensar sobre preconceito, saúde mental, medos e, claro, a importância de se conversar de verdade

“Nada melhor para arrumar algo do que botando tudo para fora”

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No meu lugar — Jorge Castro

Título: No meu lugar 
Autor: Jorge Castro
Editora:  Publicação independente
Páginas:  186
Ano: 2017

Sinopse

Não é o melhor ano para Pedro Carvalho.

Com surtos constantes de ansiedade, a traição do primeiro amor e uma depressão insistente, seu mundo desmancha de um dia para o outro. Quando a verdade sobre sua sexualidade o faz ser expulso de casa, Pedro tem que aprender a lidar com novos desafios: como os outros o veem, como ele se vê, e os sentimentos explosivos que esconde por Guilherme – o amigo generoso que o acolhe durante a crise, e que faz seu coração palpitar como ninguém.

Lutando para se aceitar e entender onde se encaixa, Pedro precisa descobrir como reconstruir a vida. Mas quando o mundo o trata como um erro a ser corrigido, como não ceder aos medos rondando o peito?

Como vencê-los e encontrar o seu lugar?

Resenha

Não se deixe enganar pela capa: No meu lugar pode até ter passagens fofas, mas é uma história pesada, triste e que retrata uma realidade extremamente dolorosa.

“As cicatrizes em meu nome podem ser difíceis de esquecer, mas talvez ainda piores de confrontar”

Inclusive, não sou muito boa em destacar gatilhos (acho que alguns são pessoais demais, não tenho como imaginar que existam), mas aqui eu preciso dizer que há violência, homofobia, depressão.

“Hematomas desaparecem, sentimentos também”

Pouco a pouco vamos conhecendo Pedro (Aurora) e recebendo informações sobre algum acontecimento difícil, que levou à expulsão dele da casa dos pais.

“Por estar sozinho, enxotado por quem mais deveria dar suporte”

Ao lado de Pedro conhecemos, também, Guilherme, o amigo que o acolheu e que agora está gerando sentimentos confusos dentro de Pedro.

“Ele encara meus pesadelos. Abraça meus temores. Aquece as lacunas”

No meu lugar nos faz questionar sobre qual é o nosso lugar no mundo, ao mesmo tempo que fala sobre amizade, preconceito, angústias.

“Se é mesmo certo, por quê parei na rua? Se a vida é minha, por quê todos a julgam?”

Aliás, a narrativa se passa em uma pequena cidade — Porto Girassol — o que contribui para esse clima de intolerância às diferenças. Como tantas pequenas cidades por aí, sobretudo por parte da população mais velha, há muito preconceito e religiosidade envolvidos.

“As pessoas lançam o mundo ao inferno quando não aceitam algo”

Felizmente, Pedro conta não apenas com Guilherme, mas também com bons amigos, como Lara e Carla. 

“Eles me salvaram várias vezes, e acho que os dois nem tem ideia disso”

Uma história que precisa ser lida, por mais dolorosa que seja. Ela nos faz enxergar o quanto ainda tem gente que sofre por coisas que, em 2024, já não deveriam mais causar tanta angústia.

“Quem ama machuca o outro?”

Mas também uma história que nos mostra que, por vezes, as pessoas ao nosso lado também estão sofrendo (de outras dores que, nem sempre, são tão distantes das nossas, por mais que sejam diferentes), mas isso não impede que elas nos estendam a mão

“Quantas cicatrizes ganhou por minha causa?”

Se você se interessou por essa obra, clique abaixo para saber mais sobre ela.

* Lembrando que qualquer compra feita na Amazon a partir dos links postados neste Blog, irá gerar uma comissão para este espaço, sem custo algum para você, ou seja, todos saem felizes nesta história (:

Clones de verão — Pedro Henrique

Título: Clones de verão e outras histórias 
Autor: Pedro Henrique (Coisas do Pedro)
Editora: Publicação independente
Páginas: 138
Ano: 2023 

Sinopse

Clones de Verão e Outras Histórias é uma coleção de histórias fantásticas curtas de ficção científica com uma pitada de humor e crise existencial, feitas para você ler, refletir e seguir com o seu dia.

O que aconteceria se pessoas pudessem clonar a si mesmas para faltar ao emprego? E se nosso universo inteiro fosse um trabalho de escola, ou uma molécula de uma sopa da vó Maria?

Clones de Verão e Outras Histórias é a primeira coletânea de contos curtos publicados no blog Coisas de Pedro dentre os anos de 2017 a 2023.

Resenha

Se uma de suas metas para este ano é voltar a ler ou então ler mais, preste atenção a esta resenha, porque aqui está uma obra que pode te ajudar a começar a concretizar esta meta.

“Como grande parte das ideias da humanidade, a ideia era maravilhosa. A execução, nem tanto”

Clones de verão é uma antologia com contos bem curtos, daqueles que a gente lê em um minuto e fica com vontade de ler “só mais um”.

“Os humanos foram ficando mais complicados, meu caro”

Muitos textos retratam um futuro que talvez não seja tão distante assim e que, mesmo assim, continuamos a ignorar.

“Deu um pouco de trabalho, mas, felizmente, vimos nosso apocalipse chegando mais lentamente, e pudemos nos preparar, sentados em nossas poltronas reclináveis de plástico”

Em alguns momentos ficamos reflexivos; em outros, damos uma boa gargalhada. Por vezes, mesmo nas poucas linhas de uma narrativa, sentimos tudo isso ao mesmo tempo.

“Com cervejas e fogos, ninguém sentiu o apocalipse chegando. Os americanos disseram que a melhor vista do fim do mundo foi a deles. Ingleses definiram o evento como “deslumbrante”. A Coreia do Norte declarou não ter nada a ver com o ocorrido. E os australianos disseram que não conseguiram ver nada de lá. Não há notícias, postagens nem notas do evento registradas pelos brasileiros”

Algumas críticas são sutis, outras nem tanto. E, assim, os textos ganham um equilíbrio muito interessante.

“Uma nova variante de Burrice foi detectada, e pode estar circulando no Brasil há mais tempo do que imaginamos”

O conto que mais me tocou foi, sem dúvidas, Utopia. Uma história que vai direto ao ponto, dando aquele necessário choque de realidade em nós.

“Esse alguém, que projetou e imaginou isso tudo, não foi considerado um gênio. Não foi premiado e ovacionado em lugar nenhum”

Clones de verão conta com uma diagramação simples e muito confortável para a leitura. Além disso, como dito anteriormente, os contos são curtos, o que nos permite uma leitura de vários de uma vez, em pouco tempo, ou então uma leitura homeopática: um pouco por vez, sem pressa.

“Porque é sempre assim. Você dá uma solução rápida para quem está incomodado. E ela fica bem até arranjar qualquer outra coisa para reclamar”

Se você se interessou pela obra, clique abaixo para saber mais. Se ainda está em dúvida, conheça o blog Coisas do Pedro, onde você pode encontrar alguns textos e conhecer mais da escrita do autor. Aproveite também e siga o Coisas do Pedro nas redes sociais: Instagram |  Youtube.

Better than revenge — Tayana Alvez

Título: Better than revenge 
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 482
Ano: 2023 

Sinopse

Fã e Ídolo – Age Gap – Vingança – Haters to Lovers

Aqui vai uma notícia sobre anéis de papel: eles são frágeis e ingratos — não resistem ao fogo, à água ou a mentiras.

Multicampeã do cenário automobilístico, Alyson Sawyer precisa agora se provar digna das pistas de Fórmula 1. Com uma boa relação com o chefe e uma equipe preparada para o campeonato, não deveria ser tão difícil — se não fosse pela existência de Juan Hernandez, seu companheiro de equipe e uma parte crucial de um passado que ela gostaria de manter morto e enterrado.

Focado em conquistar o seu tricampeonato, Juan não contava que a presença de Alyson – por quem ele jurava de pé junto nutrir apenas ódio e desinteresse – fosse o desestabilizar tanto. Atormentado pelas lembranças do passado e por sentimentos conflitantes, Juan está disposto a fazer o necessário para se vingar da “Mentirosa Desgraçada” que quase acabou com sua carreira seis anos antes — Alyson, no entanto, não está disposta a tornar isso fácil.

Convivendo como fogo e gasolina, e prestes a entrar em combustão em meio a uma temporada eletrizante, a disputa entre os dois deixará as pistas e alcançará espaços que deveriam manter-se esquecidos, reacendendo uma chama que os fará questionar se existe algum sentimento mais forte do que o desejo de vingança.

Resenha

Para fãs de Taylor Swift e/ou de Fórmula 1, este livro é um prato cheio. Mas se você, assim como eu, não liga muito para uma coisa nem outra, não se preocupe: este livro também pode ser para você.

“E bem, na minha história, eu sou a vilã”

O livro se passa no presente e no passado e é narrado de maneira alternada, em primeira pessoa, pelos dois protagonistas: Alyson e Juan.

“Esse é o ponto engraçado sobre as memórias, você nunca se lembra das coisas que aconteceram, só se lembra de como acredita que elas aconteceram”

Já no prólogo, conhecemos a Alyson do presente e descobrimos que desde a adolescência ela sonha em pilotar carros de Fórmula 1. E que aquele é o momento dela realizar o seu quase impossível — e a história nos mostra todos os porquês — sonho.

“Vou ser a primeira mulher a pilotar um carro realmente competitivo de Fórmula 1”

Em seguida, temos a oportunidade de conhecer um pouco do Juan de hoje. E então fica ainda mais evidente um detalhe: ele e Alyson têm algum problema um com o outro e essa história não é de hoje.

“Não existe ‘um passado’ quando se trata de vocês. Nem aqui. Nem lá fora. E, principalmente, não para a mídia”

É claro que queremos muito entender o que aconteceu no tal passado desses dois, mas também é evidente que a autora não nos entregaria essa informação de bandeja.

“Por mais que eu saiba que algo está acontecendo dentro de mim, não vou deixar Alyson me quebrar de novo. Ainda assim, talvez ela mereça saber”

De qualquer forma, a leitura nos enfeitiça não apenas por esse detalhe, mas também por ser — como sempre — maravilhosa. Leve e tensa na medida certa. Cheia de altos e baixos, de sentimentos, de detalhes que surpreendem. 

“Você não pode ter amigos na Fórmula 1 e não pode contar com ninguém de dentro do esporte, nem mesmo com o seu chefe”

As informações que tanto queremos nos vão sendo dadas aos poucos e o quebra-cabeça, pouco a pouco, vai se formando diante de nós. Além disso, é muito interessante como, quando recebemos uma resposta, milhares de outras questões se formam e não nos resta alternativa a não ser seguir lendo.

“Relembrar esse momento, esse pedacinho de vida tão mágico e tão meu, traz à tona aquela ínfima parte de mim que nunca vai se arrepender de ter se apaixonado por ele, e isso dói”

As músicas da Taylor não estão ali meramente para abrir os capítulos: elas fazem parte da narrativa construída e são uma parte importante da Alyson também.

“Minha coisa favorita sobre Alyson Sawyer é como ela me trouxe de volta à vida”

Por falar na Alyson, apesar de ser uma pessoa toda cheia de luz, toda iluminada e toda conquistadora de seus sonhos, ela ainda é um ser humano como qualquer outro e comete erros. Inclusive aquele de seis anos antes.

“Das três pessoas sentadas ali, eu era a última a querer pensar no que aconteceu naquele inverno”

Contrariando muitas expectativas, Juan, apesar de ser o bad boy da história, é a pessoa que, nesta narrativa, erra, mas também sofre imensamente com os erros dos outros. O cara com um coração imenso, com uma família linda, com sonhos fofos.

“Porque bad boys até superam, mas não perdoam”

E assim vamos nos apegando a esses dois que, cada um a seu modo, são encantadores, reais e inesquecíveis.

“Me odeio pelo dia que o deixei entrar na minha cabeça, no meu coração, no meu corpo”

Com eles, viajamos por diversos circuitos de Fórmula 1 e aprendemos um pouco mais sobre o funcionamento desse universo, sobre suas dificuldades e também sobre suas alegrias.

“Estar aqui é um sonho, porque a gente sempre é incentivado a chegar aqui”

Claro que a Alyson também nos faz refletir sobre a presença feminina em esportes automobilísticos, ainda tão dominados pelo machismo.

“Onde homens dominam, caras medíocres valem mais do que mulheres incríveis”

E sobre sonhos e suas realizações.

“O que você diria para um jovem que tem um sonho muito maior do que as perspectivas permitem?”

Por outro lado, Juan tem muito a nos mostrar sobre vulnerabilidade.

“Preciso não estar sozinho agora. Não ser a única pessoa no mundo que sofre ou carrega uma dor”

E sobre as mais diferentes formas de amar.

“Mas ela não faz ideia do quão insuportável é se esforçar para odiar alguém que você já amou”

A diagramação da obra torna a obra ainda melhor: ela é simples, mas pensada em cada detalhe e possibilitando uma legibilidade confortável e agradável.

Está em busca de um romance com todo um background que vai te surpreender e te prender do início ao fim? Então já clica abaixo para saber mais e garantir a sua cópia!

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