Citações #24 — De repente nós

De repente nós

Eu escrevi uma resenha super extensa do livro De repente, nós e, ainda assim, deixei um montão de citações de fora dela. Mas hoje trago a vocês mais alguns trechos desse livro escrito por Tici Pontes e publicado em 2019, de forma independente.

Como vocês podem ver na resenha, trata-se de um romance, do jeitinho que eu gosto…

“A vida se encarregara de fazer com que nossas vidas se cruzassem. Vou deixar a cargo dela decidir como será de agora em diante”

…apesar dele quase ter arrancado meu coração algumas vezes.

“Como arrancar de dentro de nosso peito uma pessoa sem que com isso sangremos ainda mais?”

Um acidente de carro pode ser um fator determinante na vida das pessoas nele envolvidas.

“Algumas vezes nos quebramos novamente, mas sempre é tempo de reunir os cacos e tentar mais uma vez”

E também pode mudar muita coisa na vida das pessoas que se relacionam com aquelas envolvidas no acidente.

“Algumas vezes tinha a impressão de que falar não adiantaria nada. Que ninguém compreenderia o que eu sentia, pelo menos não completamente e por isso me afastava das pessoas que queriam me ajudar”

Para Owen, em De repente, nós, o acidente significou uma prisão.

“Uma vez que o ser humano é privado de sua liberdade ele passa a valorizar cada momento, cada passo, cada gesto”

Para Lucy, significou perder o amor de sua vida.

“O adeus finalmente havia chegado. Agora tudo se resumia a nada”

Mas, como tudo na vida, o livro também tem suas reviravoltas.

“Era estranhamente bizarro pensar em como a vida poderia dar tantas reviravoltas e nos mostrar opções nunca sequer levantadas”

E é através delas que a história se torna menos pesada.

“Sem perceber, sorri pensando em como um pequeno doce havia adquirido um significado tão profundo”

É muito bonito ver a forma como o livro trata dessa volta por cima na vida das pessoas, desses acasos

“Tanto eu quanto ela precisávamos de uma ruptura com o passado. E talvez fôssemos a chave para isso. Aprender com nossas dores e nossos erros”

E há, ainda, uma interessante reflexão que essa história nos deixa e com a qual encerro este post:

“Nem sempre o sentimento de culpa significa que somos, de fato, culpados de algo. Mas querendo ou não em algumas ocasiões a nossa felicidade acaba despertando questionamentos”

Se você se interessou por essa história, adquira seu ebook aqui.

Alegórico ser – Dalton Menezes

Título: Alegórico ser
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019 (1º edição)

Alegórico ser

A resenha de hoje é sobre outro conto incrível do autor parceiro Dalton Menezes. E por que eu gostei tanto desse conto? Porque ele realmente me surpreendeu, principalmente o final, que obviamente não revelarei aqui.

“Não existem formas melhores, piores ou fórmulas mágicas para a vida. Existe aquilo que funciona ou não para si”

Em Alegórico ser nós conhecemos Yorick, um homem que, através de um diálogo com seu terapeuta, nos mostra muita inteligência e reflexão sobre aspectos variados da vida (e da morte, por que não?). Ao longo desse diálogo, portanto, vamos conhecendo esse personagem intenso e complicado.

“O pior lugar para se frequentar e ter contato com demônios não era no inferno, mas, sim, em nossas mentes”

Através das falas de Yorick — e das cutucadas de seu terapeuta — também vamos percebendo que o personagem compreende a complexidade de seu ser e das relações humanas.

“Não há nada mais triste que fazer as pessoas que te amam, que te apoiam e que te compreendem, sofrer”

Mais que isso, porém, o diálogo que se dá entre Yorick e seu psicólogo nos faz pensar sobre muitos aspectos de nossas próprias vidas e a cada página é uma nova reflexão que surge.

“Viver sem ser engolido por esse furacão, o amor, por ao menos uma vez, certamente é não ter aproveitado e dado à vida algum valor real”

É difícil não se identificar com Yorick em algum aspecto. Suas falas são carregadas, acima de tudo, de humanidade. Esse personagem demonstra profundidade nos sentimentos que conhece e também na complexidade da mente humana.

“Nossa mente viaja mesmo, hein?”

Alegórico ser é uma leitura rápida, por ter uma extensão curta, mas certamente você sairá dela com a mente a mil, refletindo sobre algo do que leu. E afinal, não é para isso que lemos, para nos transformarmos e crescermos?

“Suas fraquezas só serão fraquezas se assim as considerar, nesse caso, seja quem for, poderá usá-las contra você, caso contrário elas não terão poder algum sobre isso”

Se interessou pelo conto e ficou com vontade de refletir sobre a vida? Ele está disponível em ebook aqui.

De repente, nós – Tici Pontes

Título: De repente, nós
Autor: Tici Pontes
Editora: publicação independente
Páginas: 373
Ano: 2019 (1º edição)

de repente nós blog

Ao longo da leitura de De repente, nós senti que a história poderia ser muito previsível. Ainda assim, eu fiquei bem presa a ela: toda hora eu queria saber o que viria depois e algo que certamente contribuiu para isso foi o fato da narrativa ser alternada entre os personagens principais de toda a trama: Owen e Lucy. Essa alternância, porém, pode ter dificultado um pouco a escrita da história, pois, em alguns momentos, nos deparamos com informações repetidas que não precisavam aparecer (ao menos eu me lembrava bem delas quando apareceram pela segunda vez). De qualquer forma, eu gostei muito desse livro e espero que dê para perceber isso ao longo dessa resenha.

Lucy é professora de uma escola infantil (e eu amei todas as passagens dela trabalhando) e Owen é um veterinário super fofo que ama o que faz e que aparenta amar a vida também.

“Criar um amor pelos estudos desde a infância era fundamental para que essas crianças de tornassem adultos com um futuro promissor”

No começo do livro conhecemos também Scott, que forma um belo casal com Lucy, apesar dele não compreender a vergonha/ o medo que Lucy sente de contar para os pais que namora, mesmo ela sendo totalmente independente. Em uma das primeiras cenas do livro vemos Scott indo embora da casa de Lucy após mais uma discussão sobre esse mesmo tema.

“Eu tinha certeza que uma tempestade ainda viria com toda força, antes que a calmaria se instalasse”

Do outro lado temos Owen formando uma dupla romântica com Hannah. Eles estão em um jantar na casa de amigos de Hannah, que está grávida. O relacionamento dos dois, porém, vai de mal a pior. E o jantar só estraga ainda mais o clima que (não) há entre eles. No carro, indo embora desse jantar, os dois começam a discutir intensamente.

“Nosso relacionamento havia se transformado em uma teia de mentiras e enganações”

Até aqui parece que já aconteceu bastante coisa (já foram duas brigas!), mas ainda estamos bem no início do livro e é nesse momento que acontece o primeiro ponto crucial da história: um acidente de carro. Os envolvidos nele? Scott, sozinho em seu carro, mas falando ao celular com Lucy — que está tentando (e conseguindo) fazer as pazes — e Owen e Hannah, discutindo no outro carro. Para Scott, o acidente foi fatal. Para Owen e Hannah não.

“Bastou uma fração de segundo para definir não só o meu futuro, como também as vidas de Scott e Lucy”

Eu achei bem interessante a questão do acidente, pois, de um lado, havia um motorista falando ao celular e, de outro, um casal discutindo e, consequentemente, um motorista que não estava prestando atenção no caminho à sua frente. Durante toda a leitura do livro eu fiquei pensando que essa questão deveria ter até sido mais explorada, como um forma de conscientização sobre o tema. Mas agora, escrevendo essa resenha eu me perguntei: e já não basta todas as consequências apresentadas no desenrolar da história? As consequências desse acidente mudam completamente a vida dos envolvidos nele e mesmo de seus familiares.

“Haviam marcas dentro de nós que não eram visíveis e só o tempo iria se encarregar de corrigir os erros do passado e ajudar a traçar o futuro”

Por ter sobrevivido ao acidente, Owen torna-se o culpado de tudo e acaba sendo preso (sim, o veterinário fofinho e que parece amar a vida tem de passar anos 8 em uma cadeia). Lucy, por sua vez, tenta seguir com sua vida, por mais que a dor seja quase que paralisante.

“Por causa dele meu coração tinha se transformado em uma chaga aberta, que sangrava a cada lembrança que eu tinha com meu namorado”

Em de repente, nós, portanto, vamos acompanhando a vida pós-acidente de Owen e Lucy. Uma vida cheia de altos e baixos, surpresas, encontros, recomeços.

“Existem coisas que não conseguimos esquecer, que iremos carregar conosco pelo resto de nossas vidas”

Meu coração quase teve um treco em alguns momentos do livro. Se o acidente já nos deixa mal, é porque vocês não viram o final dessa história linda! Como eu disse, o enredo tomou rumos um pouco previsíveis, mas, ainda assim, cheio de elementos surpresa que tornam este livro único.

“Lucy fora minha luz e transformou-se em minha escuridão”

De repente, nós é um romance para quem está buscando refletir sobre os acasos da vida, para quem quer acreditar que o destino, por vezes, nos prega boas peças. Um livro intenso, de tirar o fôlego e cheio de amor e lágrimas.

“A vida é cheia de mistérios, Owen. E sempre caminha por estradas que nem sempre conhecemos e compreendemos”

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Uma raposa que caça um urso – Adrielli Almeida

Título: Uma raposa que caça um urso
Autor: Adrielli Almeida
Editora: publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019

raposa caça urso

Conheci a escrita de Adrielli Almeida por acaso, ao me deparar com Feita de letra e música em uma livraria. Desde então me encantei e passei a acompanhar a autora, principalmente por saber que esse primeiro livro teria continuação. Foi assim que li, também, Feita de melodia e sonho. E esse ano, Adrielli lançou mais uma obra: Uma raposa que caça um urso, um conto lançado de forma independente pela Amazon. Fui correndo comprar e ler (mas acabei demorando pra achar um espacinho na programação aqui do blog).

Mia Jung e Kim Jihoon se conhecem há anos, mas também vivem distantes um do outro há muito tempo — seis anos, para ser mais exata —, uma vez que Kim se mudou para Seul, em busca de seu sonho de se tornar cantor. O reencontro desses dois não se dá de maneira fácil e fica evidente para o leitor que há muitos sentimentos por traz de todas as palavras que eles trocam entre si.

“As palavras enclausuradas em algum lugar entre língua, mente e coração”

Kim Jihoon era coreano, mas durante muitos anos morou nos Estados Unidos, onde conheceu Mia, uma jovem descendente de coreanos. O reencontro que vemos no conto acontece quando Kim volta aos Estados Unidos para gravar um clipe.

“Era engraçado como sempre parecia haver algo entre eles. Dessa vez não era Seul. Dessa vez não era a diferença de idade. Dessa vez era uma única palavra”

A relação entre eles é engraçada: podemos perceber que há certa reciprocidade nos sentimentos deles, mas também há algo que os impede de estar juntos.

“Uma raposa que caça um urso, era assim que ela se sentia nos braços dele”

O conto é curto, mas cheio de altos e baixos, tensões e momentos de paz. Uma leitura que te faz refletir sobre prioridades. É assim que Adrielli nos fala um pouco sobre kpop, amor e amizade. Adorei!

“Ela tinha cheiro de sol, mar e verão, de todas as coisas quentes das quais ele sentia falta”

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As fases da lua – Cínthia Sampaio

Título: As fases da lua
Autor: Cínthia Sampaio
Editora: publicação independente
Páginas: 120
Ano: 2018 (1º edição)

Design sem nome

O livro As Fases da Lua nos traz poemas e pensamentos da autora Cínthia Sampaio. Bem, os textos são dela, mas quem nunca sentiu ou pensou algo do que ela traz nas deliciosas páginas desse livro? E a própria autora fala sobre sua obra da seguinte maneira:

“As Fases Da Lua representam as fases da vida e mudanças que podem ou não acontecer com todo ser. Espero que se encontre nas folhas deste livro”

De minha parte, posso dizer que o desejo da autora foi atendido: me identifiquei com muitos trechos ao longo da leitura!

“Escrever sobre mim,

Talvez seja ainda mais complicado.

Porque as palavras ficam registradas

Enquanto eu sigo sempre mudando”

O livro é composto por muitos poemas e canções escritos por Cínthia, mas há também alguns textos em prosa que, confesso, foram os que mais gostei, apesar do meu texto preferido dentre todos os escritos do livro ter sido “Palavras”, que é um dos poemas.

As palavras, aliás, são a base de muitas das reflexões da autora, e isso é uma coisa que eu amo encontrar nos livros que leio.

“Espero um dia fazer alguma diferença nesse mundo e que minhas palavras não sejam apenas parte de um rascunho como esse”

Ainda bem que os textos da Cínthia saíram do rascunho e ganharam o mundo. Aliás, quem saiu ganhando fomos nós!

“Muitos disseram que eu não deveria escrever, que não deveria chorar, que não deveria cantar. Eu as escutei? Não. Eu escrevi”

Eu li As fases da lua super rápido, porque o livro permite essa fluidez na leitura. Você vai lendo um texto atrás do outro e, quando vê, já acabou o livro. Claro que, por diversos momentos, tive de parar, erguer a cabeça e absorver as palavras apenas lidas. E isso só tornou a leitura desse livro ainda melhor.

“A vida é um ciclo”

E claro que eu não poderia deixar de encerrar essa resenha com alguns versos que eu adorei, sobre um assunto que sempre acabo escrevendo por aqui: o poder das palavras e o quanto precisamos tomar cuidado com o que dizemos uns aos outros.

“Brincamos de viver

Não levemos a sério

Cada palavra dita ao próximo”

Se você se interessou pelo livro, saiba que ele está disponível em ebook aqui.

 

O escritor – Dalton Menezes

Título: O escritor
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019

o escritor

Sempre ouvimos falar que a vida de escritor não é fácil ou então que escritores fumam demais ou são pessoas excêntricas. Mas será que isso é verdade ou é nosso imaginário trabalhando na construção de um personagem? E em quantas páginas de livros esse tal personagem ganhou voz? Sim, talvez em um bom número… mas não como em O escritor! É impressionante como Dalton conseguiu colocar em poucas páginas tanto do universo da escrita.

“Se eu fracassar, tenho duas opções: choramingar feito uma criança e desistir ou encarar a realidade de cabeça erguida e tentar novamente, quantas vezes forem necessárias e o meu corpo mortiço aguentar”

O que se pode esperar de um livro em cuja dedicatória está escrito “Para mim”? Sim, pois é exatamente desta maneira que se inicia O escritor, um livro que fala sobre livros, sobre publicação, sobre ser escritor.

“Sou do tipo que se apaixona fácil, mas sei das minhas limitações enquanto poeta e escritor. Poetas não nascem para ter, nascem para sentir falta”

Ao longo das páginas nos deparamos com um escritor rumo a uma reunião para uma possível publicação de seu livro. Ansiedade, orgulho, medo. Os sentimentos desse personagem se misturam e se revelam aos nossos olhos, nos fazendo torcer por essa pessoa que mal se apresenta para nós. E nem poderia: O escritor pode representar qualquer escritor, ou mesmo qualquer leitor que se identifique com tantos medos e angústias. E isso só é possível porque, ao longo da história, o escritor (o personagem, não exatamente o escritor real) também conversa conosco sobre a vida.

“Quanto mais importante forem as suas possíveis conquistas, mais a vida te colocará obstáculos. Você que se vire. Ela não se importa”

O escritor é um livro cheio de ironia, mas que também contém muitas verdades. Uma leitura que eu recomendo para você que quer ler algo rápido, mas sem superficialidade e que, ao mesmo tempo, ainda quer dar umas boas risadas e se surpreender (tanto é que deixei de fora dessa resenha um dos detalhes mais interessantes sobre o livro que esse tal escritor quer publicar…).

Ficou com vontade de conhecer O escritor? Então clica aqui e divirta-se!

 

 

 

Citações #21 — O demônio no campanário

Citações #21

Na resenha de O demônio no campanário — escrito por Michelle Pereira e lançado em 2017 de forma independente — eu comentei sobre o quanto gostei do livro e permaneci ainda alguns dias com os personagens na cabeça. Hoje, então, trago a vocês algumas das passagens que destaquei ao longo da leitura, mas que ficaram de fora da minha resenha.

Uma coisa muito interessante ao longo da história é a maneira como a Michelle fala sobre o diferente, sobre coisas que não estamos acostumados a ver.

“Ser diferente do padrão esperado pela sociedade é tido como algo errado”

Com relação à parte em que o trecho acima foi retirado, podemos pensar, inclusive, na questão do bullying. Mas Michelle também nos faz refletir sobre superação, incluindo uma personagem extremamente forte na história.

“Não é qualquer um que caminha por aí com uma estaca no peito e finge estar tudo bem, sem lamuriar ou se fazer de coitado”

Mas o que torna O demônio no campanário ainda mais interessante são os sentimentos que vão surgindo ao longo da obra.

“Aquela sensação era boa, de ter um porto seguro, de ter alguém que gostava de mim”

Mais interessante ainda era poder ver a visão do tal demônio sobre os sentimentos humanos.

“Ah! O amor e o ódio, sempre amigos inseparáveis. Sempre tornando os humanos vulneráveis…”

Não que ele também não tivesse lá seus sentimentos…

“Ela beijava-me como se o o mundo não fosse durar um minuto a mais, e eu a beijava como se ela fosse a última fêmea de qualquer espécie. Mordi seu lábio e senti o gosto doce do seu sangue em minha língua, pulsante e poderoso. Excitante”

E sem contar que Eron, o tal demônio, nos dá uma descrição simples e poderosa de Eva:

“Como poderia ser tão bela e tão poderosa? Tão frágil e tão forte?”

Por tudo isso, e por tanta coisa mais, eu recomendo fortemente a leitura desse livro. E se você estiver interessado, saiba mais aqui.

 

 

O demônio do campanário – Michelle Pereira

Título: O demônio no campanário
Autor: Michelle Pereira
Editora: Independente
Páginas: 285
Ano: 2017 (1º edição)

I am a tree Strong limbed and deeply rooted My fruit is bittersweet I am your mother

Antes de dizer qualquer coisa sobre O demônio no campanário eu preciso pedir que vocês não tenham preconceito com o título: a história não é aterrorizante. Aliás, eu quase me vi torcendo pelo tal demônio, coisa que eu jamais esperaria/imaginaria dizer.

De um lado temos Evangeline Lions — ou Eva — uma jovem de 17 anos que estuda em um bom colégio e tem amigos que são quase como irmãos, além de pertencer a uma rica família. Mas, como sempre, dinheiro não é felicidade: o pai de Evangeline quase nunca está em casa, e quando está, vive brigando com a esposa, até que um dia eles resolvem se separar e a vida de Eva vira de cabeça para baixo.

“Senti raiva da minha mãe por me condenar a viver confinada neste lugar, enquanto ela aproveitava o dinheiro do divórcio com meu pai no litoral de algum país exótico”

Eva vivia com a mãe até que esta, após a separação, decide aproveitar a vida e, para isso, envia Eva para o colégio interno do Convento Senhora das Dores.

“Fiquei pensando em todas as coisas que deixei para trás. Meu quarto, meus pertences, minha casa, meus amigos…”

É muito doido pensar que essa história se passa na atualidade. Acho que não estou acostumada a pensar em meninas indo estudar em conventos. Do lado do convento Senhora das Dores ainda tem um monastério, onde diversos meninos estudam. E isso traz boa parte do romance de O demônio no campanário, porque, no final das contas, as meninas do convento se relacionam com os rapazes do monastério, uma vez que existem ocasiões em que eles se encontram, como a missa dominical, ou as gincanas esportivas que ocorrem aos sábados . Uma loucura!

“Estudar em um convento dá a falsa impressão de rigidez e punição”

Loucura maior, porém, é pensar que na torre do sino da igreja — ou seja, no campanário — mora um demônio.

“Dizem as más língua que muitos anos atrás, sei lá, talvez na década de 50, um demônio começou a rondar o Convento em busca de almas para corromper e acabou instalando-se no campanário”

Eron, o demônio, precisa se alimentar do sangue de jovens virgens para sobreviver. Ele é um íncubo, que é um tipo de demônio que entra no sonho das pessoas a fim de atraí-las para si. Eu nem sabia que essa categoria de demônio existia de verdade (não que eu conheça categorias de demônio), mas Michelle realmente fez um trabalho e tanto, pensando em cada detalhe da história!

“Ele era um íncubo, como eu, um demônio que se alimenta das paixões humanas”

E por falar em detalhes, Michelle descreve os personagens de maneira que conseguimos visualizá-los em nossa mente, o que achei incrível.

Mas, voltando à história, Eva chega ao convento triste e revoltada com tudo o que perdera, mas ali ela faz novas amizades e vive uma infinidade de coisas, inclusive se apaixonando. Duas vezes.

“Eu queria tudo de volta. Mas a vida muda. E nós mudamos com ela”

Joan, Cristal e Carol são as novas amigas de Eva. Juntas, elas vivem as diversas aventuras que o convento lhes propicia. E, apesar do local sagrado, há espaço para inimizades também, e não estou nem falando da presença de Eron aqui!

“Mas, afinal, quem sou eu para julgá-los? Sou um demônio instalado no campanário de uma casa de Deus, pronto para deflorar a primeira virgem que passar por mim”

A narrativa de O demônio no campanário vai se alternando entre Eva e Eron, mas alguns outros personagens também ganham voz ao longo do livro, em capítulos surpreendentes. Em meio a essa narrativa alternada, vamos acompanhando as tentativas de Eron em atrair Eva, enquanto vamos descobrindo os sentimentos e os altos e baixos de Eva sob o ponto de vista dessa garota que, aos 17 anos de idade se vê obrigada a se adaptar a uma nova vida.

“Sempre tive uma dificuldade imensa em me sentir bem em meio a um mar de gente desconhecida”

Quando eu digo que quase me vi torcendo por Eron é porque ele também tem as inimizades dele e sua única chance de liberdade é conquistar Eva. Por outro lado, ele é um demônio!! Sem contar que Eva conhece um dos jovens do monastério que merece uma chance, muito mais que Eron…

Eu realmente me surpreendi (positivamente) com essa história. Quando terminei de ler, depois de devorar os últimos capítulos até saber como tudo acabaria, eu ainda fiquei com os personagens na cabeça por dias e dias. Eu sentia vontade de continuar acompanhando os passos de Eva e suas amigas — ainda que Joan e Carol fossem muito fofoqueiras —, queria saber mais sobre o que vinha depois, sobre como as coisas poderiam prosseguir depois de tantos acontecimentos marcantes.

O demônio no campanário é uma leitura que nos prende por ter mistérios na medida certa, adrenalina e romance, além de falar sobre amizade. Fora que, sendo o íncubo um demônio capaz de adentrar nossas mentes e manipular nossos pensamentos, fiquei refletindo sobre o quanto não seria isso uma metáfora para nossos próprios medos e inseguranças. Uma leitura que eu realmente indico e que, repito, não irá te deixar apavorado (a) e que, portanto, você pode ler tranquilo (a).

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