Citações #29 — Dois garotos se beijando

citações #29

Quando eu escrevi a resenha de Dois garotos se beijando, tentei demonstrar o quanto esse livro me tocou. Não sei se consegui, mas vai aqui uma segunda chance, trazendo alguns dos quotes que deixei de fora do primeiro post.

“O silêncio só faz mal quando há coisas que não estão sendo ditas, ou quando há medo de que o poço esteja seco e não haja nada a ser dito”

(pg. 83)

Como eu disse na resenha, esse é um livro que fala de sentimentos. E sentimentos de todo tipo.

“Quanto menos ligações você tem com o mundo, mais fácil é ir embora”

(pg. 187)

Uma das coisas mais tocantes de Dois garotos se beijando, porém, é como ele aborda as questões familiares. Ainda mais por se tratar de um livro sobre/para adolescentes, em uma fase em que tudo na vida parece ganhar novas perspectivas.

“É difícil parar de ver seu filho como seu filho e começar a vê-lo como ser humano. É difícil parar de ver seus pais como pais e começar a vê-los como seres humanos. É uma transição bilateral, e pouquíssimas pessoas conseguem fazê-la com tranquilidade”

(pg. 96)

E uma vez mais os sentimentos predominam, nos fazendo recuar, ter medo de decepcionar o outro, mas, ao mesmo tempo, querer se tornar aquilo que se é (ou que se virá a ser). Confuso? Bem, nós também temos a nossa dose de confusão nessa vida.

“Não há nada mais doloroso do que ver alguém desistir de você. Principalmente se for sua mãe”

(pg. 35)

O importante é lembrar que tudo passa. Sempre.

“Tudo fica melhor depois de uma noite de sono”

(pg. 26)
Tem interesse em ler Dois garotos se beijando? Então clica aqui.

Citações #27 — Dama da noite

Citações #27

Faz tempo que não trago citações por aqui, não é mesmo? E as de hoje são do livro A ascensão da Dama da Noite, uma fantasia cheia de passagens que nos fazem refletir. Era tanta coisa que merecia ser destacado que vejam só quantos trechos deixei de fora da resenha!

“O pior tipo de cegueira, aquela em que os olhos da alma estão fechados”

Como mencionei na resenha, ao longo da história acompanhamos alguns personagens que se libertam e que acabam tendo de se conhecer melhor para seguir novos rumos.

“Obedecer à ordem de correr foi um aprendizado dolorido”

 

“Não podia ajuda-los nem se quisesse. Eu também não sabia quem ou o que eu era”

A narrativa ainda se volta, por diversas vezes, ao passado (muitas vezes doloroso) de alguns dos personagens.

“A lembrança tende a jogar seu verniz mágico sobre os melhores momentos, fazendo com que pareçam mais bonitos na recordação”

 

“Lembrar é dolorido, querida, mas é assim que toda cura começa”

E é esse passado que faz com que muitos rumos sejam tomados ao longo da história, desencadeando vinganças, lutas e mudanças.

“As pessoas costumam mudar a maneira de ver o mundo quando são feridas”

 

“O passar dos anos muda a perspectiva das pessoas”

Por conta de tudo o que mencionei até aqui — e por muitos outros motivos — esse livro também nos ajuda a refletir sobre nós mesmos e nossas escolhas.

“Quantas decisões erradas eram necessárias para condenar uma existência?”

 

“Abrir mão das coisas que temos apreço é que é difícil”

Se com as passagens acima vocês já conseguiram perceber o quanto esse livro é intenso, saibam que ainda há muito mais por trás das páginas dele. Mas vou ficando por aqui, com mais dois trechos, que falam sobre o peso da experiência.

“Velhice é quando o espírito perde a vontade de continuar. Quando a experiência esmaga o gosto pela descoberta”

 

“Só quem já se quebrou sabe o valor de manter-se inteiro”

Para ler A ascensão da Dama da Noite clique aqui.

Citações #26 — Guardião do medo

Citações #26

Hoje é dia de trazer algumas citações que ficaram de fora da resenha de um livro maravilhoso: Guardião do Medo, da Michelle Pereira. Lembrando que, nessa obra, o protagonista, Alexander, não tem uma vida fácil e que, por isso, é um personagem extremamente amargurado.

“— Ninguém tem a vida que deseja ter, Alexander”

Mas, na resenha eu defendi o comportamento grosseiro de Alexander, e reitero minha defesa aqui: ele tem seus motivos para ser assim, e não são poucos.

“Eu vi o pior do ser humano, não posso voltar atrás”

Por outro lado, ao longo da história vamos nos deparando com personagens que são o oposto — em muitos sentidos — de Alexander.

“Eu sei que parece bobagem, mas algumas pessoas têm esse coração perseverante, esse coração que ainda acredita…”

E somente pessoas assim poderiam ser capazes de provocar alguma mudança no protagonista.

“Como eu poderia dormir depois daquela velha senhora quebrar alguma coisa dentro de mim? Porque ela quebrou algo, com certeza, e ainda não sei o que é”

E não bastasse toda a dor vivida, quando Alexander está entendendo que há certas belezas na vida, ele tem de lidar, também, com a morte.

“— Cada pessoa que amamos leva um pouco de nós quando parte”

E então…

O corpo nunca se acostuma com a dor”

Alexander também é uma pessoa amargurada porque, dentre outros motivos, sempre foi muito sozinho. Ou sempre acreditou ser muito sozinho.

“— Sempre que você vir uma estrela ou uma luz brilhar mais forte, saiba que eu estarei lá”

E tudo o que ele precisava era de alguém que lhe desse amor.

“Por todos esse anos, isso foi tudo o que precisei. Alguém para me dizer que as coisas iriam ficar bem”

Uma coisa que acabei não explicando na resenha — porque acabei não encontrando espaço para essa passagem — é o motivo pelo qual um Vórtice do Medo é tão importante, tanto para o bem quanto para o mal:

“— O medo é um sentimento poderoso, talvez mais poderoso que o amor. Porque o medo enfraquece, paralisa, mas o medo também move as pessoas”

Termino essas citações, portanto, com uma passagem muito importante, que devemos sempre ter em mente e refletir sobre:

“— Ninguém é tão bom quanto acha que é”

E se você ficou (ainda mais) interessado(a) em Guardião do Medo, adquira o seu aqui.

 

 

 

Resumão de junho

Resumão de Junho

Junho já está chegando ao fim e, ao escrever esse post, me dei conta que eu praticamente  só resenhei contos por aqui durante o mês! Vamos conferir as postagens que rolaram?

Resenhas:

Prometo tentar ser mais eclética no próximo mês, ok?

Mas, para além das resenhas, eu trouxe o Tatianices recomenda [16] (livros para os desafios de junho), o citações #24 (com citações de De repente, nós) e o citações #25 (com citações de O pequeno príncipe), o post Como me formei leitora? (que fez muito sucesso no instagram) e as músicas Arioso da cantata 156 (de Bach) e O tempo não pára (Mariza).

Os livros que li em junho foram:

  • Uma casa no fundo de um lago (Josh Malerman);
  • A magia de Christian Luciano (Gredan Risolein);
  • Elo entre mundos (B. A. Polinari).

E ainda estou lendo:

  • Bell Tashi – O novo mundo (Giovani Gugiel);
  • E as estrelas, quantas são? (Giulia Carcasi).

Citações #25 — O pequeno príncipe

Citações #25

Quem costuma acompanhar esse blog deve ter visto que, recentemente, publiquei uma resenha do livro O retorno do jovem príncipe, e que nela eu comentei que acabei relendo O pequeno príncipe também. Depois da resenha mencionada eu ainda trouxe algumas citações da mesma obra e hoje trago a vocês citações de O pequeno príncipe (que acredito ser tão conhecido que me fez dispensar uma resenha mais detalhada).

Algo muito valorizado nessa obra universal e atemporal é o olhar da criança que, em sua inocência, é capaz de usar com muito mais força e desenvoltura sua imaginação.

“As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando”

O pequeno príncipe (p.8)

O olhar infantil com relação ao adulto é algo que consegue encantar aos leitores e, ao mesmo tempo, nos fazer refletir sobre nossos comportamentos, ações e prioridades.

“As pessoas grandes adoram números”

O pequeno príncipe (p.17)

E quando eu digo que O pequeno príncipe é atemporal eu estou dizendo que há coisas ali que poderiam ter sido escritas ontem, por qualquer pessoa mais sensível de nossa sociedade atual, uma pessoa que sinta falta de certos sentimentos e costumes.

“Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos”

O pequeno príncipe (p.68)

Mas também podemos pensar que não temos mais amigos porque, por vezes, queremos que todos sejam como nós, que façam o que fazemos, que gostem do que gostamos. Já não ouvimos mais os outros, mas somente aquilo que queremos ouvir e esperamos que tudo e todos sempre atendam às nossas expectativas.

“É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou o rei”

O pequeno príncipe (p.38)

O pequeno príncipe também toca em diversas questões inerentes ao ser humano, como vaidade, gostos e nossa felicidade ou infelicidade diante daquilo que vivemos.

” — Nunca estamos contentes onde estamos, disse o guarda-chaves”

O pequeno príncipe (p. 74)

Trata-se de um livro que nos faz refletir, ainda, sobre caminhos e sobre a necessidade de olharmos em toda a nossa volta e não somente para a frente.

” — Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe…”

O pequeno príncipe (p.16)

Os trechos que trouxe aqui são apenas alguns dos que gostei em minha releitura de O pequeno príncipe. Eu seria capaz de trazer páginas inteiras dele para vocês, mas acho que é melhor cada um vivenciar a sua leitura, certo? O que vocês acham desse livro?

E se você ainda não leu O pequeno príncipe, corre para comprar o seu aqui.

 

Citações #24 — De repente nós

De repente nós

Eu escrevi uma resenha super extensa do livro De repente, nós e, ainda assim, deixei um montão de citações de fora dela. Mas hoje trago a vocês mais alguns trechos desse livro escrito por Tici Pontes e publicado em 2019, de forma independente.

Como vocês podem ver na resenha, trata-se de um romance, do jeitinho que eu gosto…

“A vida se encarregara de fazer com que nossas vidas se cruzassem. Vou deixar a cargo dela decidir como será de agora em diante”

…apesar dele quase ter arrancado meu coração algumas vezes.

“Como arrancar de dentro de nosso peito uma pessoa sem que com isso sangremos ainda mais?”

Um acidente de carro pode ser um fator determinante na vida das pessoas nele envolvidas.

“Algumas vezes nos quebramos novamente, mas sempre é tempo de reunir os cacos e tentar mais uma vez”

E também pode mudar muita coisa na vida das pessoas que se relacionam com aquelas envolvidas no acidente.

“Algumas vezes tinha a impressão de que falar não adiantaria nada. Que ninguém compreenderia o que eu sentia, pelo menos não completamente e por isso me afastava das pessoas que queriam me ajudar”

Para Owen, em De repente, nós, o acidente significou uma prisão.

“Uma vez que o ser humano é privado de sua liberdade ele passa a valorizar cada momento, cada passo, cada gesto”

Para Lucy, significou perder o amor de sua vida.

“O adeus finalmente havia chegado. Agora tudo se resumia a nada”

Mas, como tudo na vida, o livro também tem suas reviravoltas.

“Era estranhamente bizarro pensar em como a vida poderia dar tantas reviravoltas e nos mostrar opções nunca sequer levantadas”

E é através delas que a história se torna menos pesada.

“Sem perceber, sorri pensando em como um pequeno doce havia adquirido um significado tão profundo”

É muito bonito ver a forma como o livro trata dessa volta por cima na vida das pessoas, desses acasos

“Tanto eu quanto ela precisávamos de uma ruptura com o passado. E talvez fôssemos a chave para isso. Aprender com nossas dores e nossos erros”

E há, ainda, uma interessante reflexão que essa história nos deixa e com a qual encerro este post:

“Nem sempre o sentimento de culpa significa que somos, de fato, culpados de algo. Mas querendo ou não em algumas ocasiões a nossa felicidade acaba despertando questionamentos”

Se você se interessou por essa história, adquira seu ebook aqui.

Resumão de maio

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Maio chegou ao fim e você não sabe se perdeu algum post por aqui? Então vem conferir o que rolou no blog durante o mês!

Resenhas:

Músicas:

Citações:

Recomendações:

E, para além do blog, esse mês eu li (pouco, bem pouco):

  • Guardião do medo (Michelle Pereira);
  • Leviatã (Boris Akunin);
  • Antologia do Humor russo – Arlete Cavaliere (org.) TERMINEI, FINALMENTE!!

E ainda estou lendo:

  • A magia de Christian Luciano — Gredan Risolein.

Citações #23 — O retorno do jovem príncipe

Citações #23

Na minha resenha de O retorno do jovem príncipe (A. G. Roemmers) — publicado em 2011 pela Fontanar — eu comentei sobre o quanto os diálogos do livro nos ensinam sobre a vida. O livro é pequeno, mas cheio de passagens marcantes, muitas das quais deixei de fora da resenha e agora trago a vocês.

“As lembranças agradáveis e as experiências gratificantes podem reconfortar você em momentos de solidão e dificuldade”

O retorno do jovem príncipe (p.56)

E como pode um livro nos ensinar algo sobre a vida se ele não falar majoritariamente sobre sentimentos? Pois isso é o que não falta em O retorno do jovem príncipe. 

“O sentimento de culpa — disse eu — nos paralisa e nos impede de resolver muitos problemas”

O retorno do jovem príncipe (p.22)

Sim, aquele famoso sentimento de culpa paralisante. Mas há também o medo, o amor (ou a falta dele). Tudo abordado de maneira muito atual (ou devo dizer atemporal?)

“Percebi como agimos sob a influência do medo e da desconfiança, em vez de nos deixarmos guiar pelo amor que tantas vezes reprimimos”

O retorno do jovem príncipe (p.50)

E o que significa a falta de amor nesse livro?

“A falta de amor: isso que é o inferno”

O retorno do jovem príncipe (p.92)

Aliás, há outra consideração sobre esse sentimento que considero de grande importância e sobre a qual deveríamos refletir:

“Se os pais se esforçassem para ensinar o amor a seus filhos como se esforçam para lhes incutir disciplina, este planeta seria um lugar muito mais agradável para se viver”

O retorno do jovem príncipe (p.64)

Mas esse livro não fala apenas de amar o próximo, mas também de amor próprio. E de uma maneira muito didática.

” — Como alguém pode amar a si mesmo conhecendo as próprias imperfeições? — questionou o Jovem Príncipe.

— Da mesma forma que podemos amar os outros conhecendo as limitações deles”

O retorno do jovem príncipe (p.80)
Gostou dessas citações? Você pode encontrar esse livro aqui.

Citações #22 — Ensinando a transgredir

Citações #22

Na resenha que fiz sobre Ensinando a transgredir (bell hooks, 2017), publicado pela editora WMF, eu espero ter conseguido demonstrar o quanto gostei do livro e o quanto o considero uma leitura importante em diversos aspectos. Como muitas passagens ficaram de fora da resenha, trago-as aqui e começo destacando uma que, mesmo estando em um dos últimos ensaios, é essencial para o início deste post:

“Reconhecer que através da língua nós tocamos uns nos outros parece particularmente difícil numa sociedade que gostaria de nos fazer crer que não há dignidade na experiência da paixão, que sentir profundamente é marca de inferioridade; pois dentro do dualismo do pensamento metafísico ocidental, as ideias são sempre mais importantes que a língua” (p.233)

Tendo consciência de através da língua tocamos os outros, quero trazer neste post as citações que deixei de fora da minha resenha sobre Ensinando a transgredir para, quem sabe, conseguir não só despertar o interesse pelo livro, mas também mostrar a vocês como a educação como prática da liberdade não é algo tão complexo assim.

“A prática do diálogo é um dos meios mais simples com que nós, como professores, acadêmicos e pensadores críticos, podemos começar a cruzar as fronteiras, as barreiras que podem ou não ser erguidas pela raça, pelo gênero, pela classe social, pela reputação profissional e por um sem-número de outras diferenças”  (p.174)

A receita para a prática do diálogo é relativamente simples: criar um ambiente harmonioso e igualitário.

“Por isso, uma das responsabilidades do professor é criar um ambiente onde os alunos aprendam que, além de falar, é importante ouvir os outros com respeito” (p.201)

É importante lembrarmos que bell hooks é uma mulher negra que sabe bem o que esses dois termos significam, vivendo-os intensamente. Quando passou a estudar em um colégio misto (para brancos e negros), bell hooks pode compreender bem o preconceito racial.

“Nossa amizade de colegial não se formara porque ele era branco e eu, negra, mas porque víamos a realidade do mesmo modo” (p.40)

Mas bell hooks conseguiu superar muitas das dificuldades impostas pela vida e hoje busca demonstrar como uma excelente saída para o ensino é a educação como prática para a liberdade.

“Para educar para a liberdade, portanto, temos que desafiar e mudar o modo como todos pensam sobre os processo pedagógicos” (p.193)

Uma das maiores dificuldades nessa transformação são os próprios professores, que têm medo de sair de suas zonas de conforto e segurança.

“Sinto que uma das coisas que impedem muitos professores de questionar suas práticas pedagógicas é o medo de que ‘essa é minha identidade e não posso questioná-la'”. (p.180)

E mais do que isso, alunos e professores esquecem que essa é uma relação, acima de tudo, entre seres humanos.

“Essa é uma das tragédias da educação hoje em dia. Um monte de gente não reconhece que ser professor é estar com as pessoas” (p.222)

Mas o engessamento não parte somente dos professores ou então dos alunos, parte também das instituições em que se dão o ensino e como ele é visto pela sociedade.

“Para provar a seriedade acadêmica do professor, os alunos devem estar semimortos, silenciosos, adormecidos. Não podem estar animados, entusiasmados, fazendo comentários, querendo permanecer na sala de aula” (p.194)

Ensinando a transgredir, portanto, faz com que a gente reflita sobre esse aspectos e tantos outros. Se eu fosse falar de cada tema que aparece no livro, de cada pensamento que tive enquanto lia, eu precisaria de posts e mais posts sobre isso, porque quanto mais escrevo, mais penso nos assuntos ali abordados.

Se interessou pelo livro? Adquira o seu aqui.

Citações #21 — O demônio no campanário

Citações #21

Na resenha de O demônio no campanário — escrito por Michelle Pereira e lançado em 2017 de forma independente — eu comentei sobre o quanto gostei do livro e permaneci ainda alguns dias com os personagens na cabeça. Hoje, então, trago a vocês algumas das passagens que destaquei ao longo da leitura, mas que ficaram de fora da minha resenha.

Uma coisa muito interessante ao longo da história é a maneira como a Michelle fala sobre o diferente, sobre coisas que não estamos acostumados a ver.

“Ser diferente do padrão esperado pela sociedade é tido como algo errado”

Com relação à parte em que o trecho acima foi retirado, podemos pensar, inclusive, na questão do bullying. Mas Michelle também nos faz refletir sobre superação, incluindo uma personagem extremamente forte na história.

“Não é qualquer um que caminha por aí com uma estaca no peito e finge estar tudo bem, sem lamuriar ou se fazer de coitado”

Mas o que torna O demônio no campanário ainda mais interessante são os sentimentos que vão surgindo ao longo da obra.

“Aquela sensação era boa, de ter um porto seguro, de ter alguém que gostava de mim”

Mais interessante ainda era poder ver a visão do tal demônio sobre os sentimentos humanos.

“Ah! O amor e o ódio, sempre amigos inseparáveis. Sempre tornando os humanos vulneráveis…”

Não que ele também não tivesse lá seus sentimentos…

“Ela beijava-me como se o o mundo não fosse durar um minuto a mais, e eu a beijava como se ela fosse a última fêmea de qualquer espécie. Mordi seu lábio e senti o gosto doce do seu sangue em minha língua, pulsante e poderoso. Excitante”

E sem contar que Eron, o tal demônio, nos dá uma descrição simples e poderosa de Eva:

“Como poderia ser tão bela e tão poderosa? Tão frágil e tão forte?”

Por tudo isso, e por tanta coisa mais, eu recomendo fortemente a leitura desse livro. E se você estiver interessado, saiba mais aqui.