Citações #33 — Não inclui manual de instruções

Quando escrevi a resenha de Não inclui manual de instruções, ela já foi recheada de trechos do livro, mas muitos outros ainda ficaram de fora, afinal, trata-se de um livro que aborda algumas temáticas que considero muito importante.

A começar pelo fato que o protagonista tem síndrome de asperger e que, portanto, são apresentadas algumas perspectivas com relação a isso.

“Estava começando a perceber que Conor era do tipo de pessoa que não costumava permitir que alguém entrasse em sua redoma”

Pouco a pouco vamos conhecendo alguns dos hábitos e manias de Conor e entendendo um pouco melhor como funciona a mente de um aspie.

“Ao contrário da maioria das pessoas que leem livros para fugir da realidade, Conor os usa para dar sentido a ela”

E, a partir do momento que vamos compreendo isso, vamos aprendendo que eles são tão humanos quanto nós.

“Algo que sempre me assustou foi ser visto como uma aberração”

Uma das maiores dificuldades para um aspie é, provavelmente, a comunicação, principalmente porque eles costumam ser muito literais!

“Seria muito melhor que as pessoas pudessem aprender a ficar confortáveis com o silêncio, pelo menos de vez em quando”

E é por isso que a autora pode, também, explorar a importância da comunicação para o viver em sociedade.

“Você sabia que a comunicação é muito subestimada?”

Outro ponto de dificuldade para quem tem asperger é com relação a demonstrar sentimentos.

“Sei que não é culpa sua, que não percebe, mas não é fácil dar carinho a alguém e sentir que não está recebendo esse carinho de volta”

Mas isso, claro, não significa que eles não sentem nada. Muito pelo contrário, aliás, afinal, são humanos, certo?

“Às vezes, quando gostamos de verdade de alguém, nos parece tão óbvio que não há como essa pessoa não notar”

Esses eram os trechos que não couberam na resenha, mas que eu destaquei durante a minha leitura, porque me fizeram pensar sobre esses pontos que acabo de trazer. O que acharam? Ficar com vontade de ler Não inclui manual de instruções?

Não inclui manual de instruções — T. S. Rodriguez

Título: Não inclui manual de instruções  
Autora: T. S. Rodriguez
Editora: Rico Editora
Páginas: 160 páginas
Ano: 2019

É possível falar, em 160 páginas, sobre Síndrome de Asperger, homossexualidade e preconceitos? E mais, é possível fazer isso de maneira que a leitura seja leve, prazerosa? Sim e não para a primeira pergunta e, com ressalvas, sim para a segunda. Vamos entender melhor isso?

“O começo de uma vida e o fim da solidão”

Logo de cara é preciso falar sobre o título: Não inclui manual de instruções. Uma boa escolha para um livro que fala sobre humanos e sobre diferenças. É bem verdade que nenhum de nós nasce com um manual que ensine aos outros como lidar conosco. Mas vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, é homogeneizadora e, com isso, sabemos, na maior parte do tempo, agir conforme o esperado ou o que devemos esperar dos outros. E é justamente por causa dessa homogeneização que, infelizmente, temos tanta dificuldade de lidar com aquilo que sai da curva.

“Porque ele se esforça muito para entender as pessoas, mas a maioria delas não faz o mínimo esforço para entendê-lo”

Conor Healy é o protagonista de Não inclui manual de instruções e, logo de início, sabemos que ele é um escritor renomado e que tem Asperger. Ao longo do livro, suas manias e seus hábitos vão nos apresentando um pouco desse mundo.

“A rígida rotina diária era quase tão importante quanto comer ou respirar”

Por outro lado, conhecemos Aidan, um jovem que, com sua irmã, gerencia um tradicional pub irlandês (sim, a história se passa na Irlanda) e que também realiza alguns trabalhos como músico. Por meio desse personagem, nos colocamos na pele de alguém disposto a entender como se relacionar com uma pessoa com síndrome de Asperger.

“Era como se Conor fosse um enigma que ele precisava desvendar. Um grande mistério. Como em seus livros”

Já é de se imaginar, portanto, que ao longo da história haverá algum tipo de relação entre Conor e Aidan, visto que esses são os personagens centrais da história. E, efetivamente, a partir deles desenvolve-se o romance dessa narrativa.

“O amor acontece quando encontramos uma pessoa com quem podemos ser nós mesmos”

Assim sendo, Não inclui manual de instruções consegue falar sobre a Síndrome de Asperger e homossexualidade, mas não chega a se aprofundar nem em um e nem em outro tema. O que não é exatamente um problema, pois creio que essa não era a intenção da obra.

“Pois é, os livros são sua maneira de desvendar o mundo”

O preconceito, claro, permeia esses dois temas: Conor sofrera muito em sua infância, com os colegas de escola, enquanto Aidan vivia longe de sua família desde os 18 anos, porque seu pai não aceitava a homossexualidade do filho. Um tem muito a ensinar ao outro sobre todas essas questões.

“Isso é o que ele precisa. Alguém que tome a mão dele e o faça se sentir corajoso”

Portanto, sim, em 160 páginas, Não inclui manual de instruções consegue falar sobre Asperger, homossexualidade e preconceitos, além de nos apresentar um pouco sobre a Irlanda, mas tudo de maneira superficial.

E por que a leitura é leve e prazerosa, mas com ressalvas? Bem, no geral, foi uma leitura que fluiu muito bem, uma distração muito gostosa. Mas há uma personagem — a mãe — que me deixou com a pulga atrás da orelha, porque ela manipula muita coisa na história, o que enfraquece principalmente a reflexão final do livro.

O final, aliás, foi outro ponto que não curti tanto assim, por tê-lo achado um pouco corrido ou precipitado demais. Ainda assim, não é uma leitura que eu consideraria perda de tempo, muito pelo contrário aliás, gostei de ter passado um tempinho com os personagens dessa obra.

Ficou com vontade de saber mais sobre Conor e Aidan? Então clique aqui.