Calafrio — Tayana Alvez

Título: Calafrio
Autora: Tayana Alvez
Editora: Publicação independente
Páginas: 116
Ano: 2020

Antes de nos deixar embarcar em Calafrio, Tayana avisa que esta não é uma história qualquer, nem mesmo para ela, que está se arriscando em um novo gênero. Também fica o aviso de que a narrativa pode conter gatilhos, mas que, para quem tiver estômago, que siga em frente na leitura e deixe para tirar as conclusões ao final.

O recado estava dado e, mesmo assim, fui enormemente surpreendida com a leitura.

Para começo de conversa, a história toma rumos inesperados a cada instante e vai jogando com reviravoltas que estavam quase me fazendo torcer pelo final errado, mas sobre isso eu explico mais pra frente. A narrativa alterna entre presente e passado e cada peça desse quebra-cabeça vai se encaixando aos poucos, mas, de novo, sem necessariamente nos preparar para o final. Com o passado, vamos conhecendo a história de Imaní e Maia, quem são (ou eram) eles, o que fazem, de onde vêm e, com o presente, vemos o desenrolar deles, juntos.

“Às vezes, na vida, coisas estranhas acontecem. Coisas ruins acontecem”

Imaní é uma jovem que sonha com sua liberdade. Ironicamente, porém, ela é sequestrada. Pior: por alguém em quem estava começando a confiar e que parecia ser quase uma promessa de dias melhores.

“A verdade é o que você acredita que ela é”

Segundo o pouco que vai contando de si, porém, Maia — que começa como um bom amigo e acaba como sequestrador de Imaní — também se sente preso. Não como ela, claro, mas no sentido de não ter escolhas na vida. E aqui temos um ponto: Maia é humano demais, real demais.

Ele quase me convenceu de que poderia passar de vilão a herói e que estaria tudo bem se isso acontecesse. Quase me fez torcer por um final feliz. Não que o final não seja, de alguma forma, feliz, mas ele vem com um belo tapa na cara dado pela autora.

Obrigada, Tayana, por não me deixar embarcar nas conversas de Maia e mostrar que Imaní era ainda melhor do que se apresentara no início da história.

E, aliás, devo discordar que Calafrio não tenha nada a ver com o que já foi publicado por Tayana: Imaní tem a força que as outras protagonistas da autora têm e também a capacidade de nos fazer enxergar para muito além de nossa visão de mundo.

Por fim, Calafrio não é somente o título do livro, mas também a sensação que nos percorre ao realizar essa leitura, bem como é o que Imaní sente muitas vezes, ainda que, no início, não compreenda muito o porquê.

Se você quiser se jogar nesta história, clique aqui.

Citações #34 — Eu quero mais

Como sempre acontece quando trago um post recheado de citações como esse, eu espero, antes de tudo, que tenha ficado claro na resenha o quanto eu amei o livro. A obra da autora Tayana Alvez é incrível e nos faz pensar sobre tantos assuntos que somente uma resenha não é suficiente para abarcar essa imensidão!

“Não me encaixo aqui porque nunca fiz parte desse mundo”

Elizabeth é uma mulher que tem muito a nos ensinar, e com a qual também podemos nos identificar em diversos aspectos.

“Todas as vezes que me abri para as pessoas, elas me machucaram”

E claro, ela tem os motivos dela para ser assim. Tem a história dela por trás de tudo.

“Ele partiu você em muitos pedaços”

E todos os personagens, na verdade, são assim nesse livro: cheio de histórias.

“Há um ano ele estava feliz, vivendo um sonho, cheio de planos e agora ele estava perdido”

Isso porém, não justifica certos comportamentos, como o relacionamento abusivo no qual Elizabeth se vê no decorrer da história.

“Quero agradecer por esse ano e por todas as vezes que você engoliu sapos e passou por cima de si mesmo para manter o nosso relacionamento intacto”

E apesar disso, esta é uma obra capaz de nos ensinar o verdadeiro significado de amor.

“É amor, Elizabeth, o amor não é egoísta”

Capaz de nos fazer enxergar a necessidade de perdoar o passado para seguir em frente.

“Se o passado ainda atrapalha o seu presente, ele não foi completamente superado”

E, principalmente, que nos mostra como devemos ser nós mesmos e nada mais ou nada menos que isso.

“Não gosto de te ver se podando por causa dos outros”

Para concluir, claro que um livro incrível desses não poderia deixar de falar também sobre o poder da música, não é mesmo?

“O efeito da música nas pessoas é curioso e inebriante, músicas são capazes de fazer coisas que simples frases soltas não são”

Não deixe de ler Eu quero mais. Um livro que vai te fazer refletir sobre tudo isso que eu mencionei aí em cima e muito mais.

“Sim, mas vivo uma vida de mentira que vai acabar em pouco mais de um ano”