Citações #35 — A bibliotecária de Auschwitz

Eu acabo de descobrir que a última vez que fiz um post de quotes foi em agosto do ano passado. Chocada! Mas senta que hoje temos muitos (muitos mesmo!) trechos de A bibliotecária de Auschwitz, que já apresentei melhor na minha resenha. E a primeira coisa que falei foi que quanto mais leio sobre o holocausto, mais desacreditada fico (ok, não foi bem isso que eu disse, mas serve também).

“Em Auschwitz não há pássaros. Eles morrem eletrocutados nas cercas”

E frases marcantes sobre Auschwitz é o que não falta neste livro. Frases que nos mostram diversas perspectivas do horror que eram os campos de concentração e da (falta de) vida que ali existia.

“Em Auschwitz o tempo não corre, se arrasta”

“Auschwitz não mata só os inocentes, mas também a inocência”

“Assim como as bússolas se desorientam ao se aproximarem do polo Norte, em Auschwitz, os calendários enlouquecem”

“Num lugar como Auschwitz, onde tudo é projetados para fazer chorar, o riso é um ato de rebeldia”

E, como não poderia deixar de ser, há um sentimento que permeia cada página dessa história e que está (ou estava) no coração de cada prisioneiro que viveu esse horror:

“O medo do medo é como correr ladeira abaixo”

“Zombar dos outros é uma maneira de por um esparadrapo nos próprios medos”

Mas não é só o medo que se faz presente. Há também o vazio e o silêncio, sempre à espreita:

“Como o vazio pode ser tão pesado?”

“Nessa noite, milhares de vozes se calam para sempre”

“Quase nunca há algo melhor que o silêncio”

“O mundo fica enorme quando alguém se sente pequeno”

E há, ainda, tudo aquilo que não deixa de existir nem mesmo na pior das condições, ou seja, os mais diversos sentimentos que nós, humanos, sentimos:

“Às vezes precisamos dizer o que sentimos por dentro”

“Enquanto continuarem rindo, nada estará perdido”

“Talvez o amor seja isso: compartilhar o frio”

“Ninguém sabe quanto sofrimento ainda resta aos que ficam”

“Basta ser feliz pelo tempo que um fósforo leva para acender e apagar”

Se você (ainda) não leu a resenha de A bibliotecária de Auschwitz, talvez não saiba que a protagonista é uma jovem. Este livro, portanto, também nos fala muito sobre o que é ser jovem em um campo de concentração.

“Dita suspira agarrada aos livros. Ela se dá conta com tristeza que foi nesse dia e não no de sua primeira menstruação que abandonou a infância, porque deixou de ter medo de esqueletos ou das velhas histórias de fantasmas e começou a temer os homens”

“Na juventude, um ano é quase a vida inteira”

“Ela é jovem demais para entender quão difícil é para uma mãe não poder dar uma infância feliz a um filho”

E, como o título já nos indica, a importância dos livros também se faz muito presente nesta narrativa, nos mostrando como até mesmo no pior dos lugares ele torna-se um salva-vidas e/ou um refúgio.

“Os livros guardam em suas páginas a sabedoria de quem os escreveu. Os livros nunca perdem a memória”

“Embarcara no trem da leitura. Naquela noite, sentiu a emoção de uma descoberta, de saber que não importava quantas barreiras seriam impostas por todos os Reichs do planeta, porque, se houvesse um livro, ela poderia saltar todas”

“Começar um livro é como subir num trem rumo às férias”

“As palavras são importantes”

Em Auschwitz as palavras são importantes não apenas pelas histórias que carregam, mas pelo valor ainda maior que a verdade passa a ter ali dentro. Na realidade, esse bem passa a ser uma raridade dentro dos campos de concentração, onde cada um luta para sobreviver, custe o que custar.

“Ele se levanta satisfeito consigo mesmo. Tão satisfeito quanto pode estar um homem que silencia a verdade”

“A verdade é a primeira vítima da guerra”

“Mais uma vez, a verdade era outra”

Na resenha de A bibliotecária de Auschwitz eu também comentei que esse livro aborda temas importantes, para além do terror do holocausto e da guerra. Destaco aqui dois trechos que podem nos dar uma ideia disso:

“Esse é o problema dos mitos: nunca caem, se derrubam”

“A verdadeira doença é a intolerância”

E por fim, claro, esse livro nos deixa claro as marcas que esse circo de horrores deixou em tantas pessoas:

“Quando estamos num manicômio, o pior que pode acontecer é sermos lúcidos”

“A paz não cura tudo, pelo menos não tão depressa”

Ficou com vontade de ler esse livro? Então vem aqui.

Citações #15 — La sposa giovane

Hoje trarei a vocês apenas mais 2 citações do livro La Sposa giovane, escrito por Alessandro Baricco e publicado pela editora Universale Economica Feltrinelli em 2016. Como trata-se de um livro em italiano, vou aproveitar para colocar também o original aqui, ao final do post.

“A infelicidade rouba tempo ao prazer, e no prazer se constrói a prosperidade” (p.27).

É muito doido como, de repente, as coisas passam a fazer sentido, não é mesmo? Pensem nas pessoas que vocês conhecem e que, pelos rumos da vida, dedicam-se a uma atividade que não é aquela que elas queriam. Imagine essa mesma pessoa trabalhando no que gosta. Ela poderia até receber menos, mas estaria muito mais feliz. Muito mais satisfeita consigo mesma. E teria muito mais força para realizar tantas outras coisas em sua vida.

Essa citação aí de cima, para mim, tem muito a ver com saúde mental. E com sentir. O que nos leva à segunda citação de hoje:

“- Sentir é muito pouco, minha querida.

– Mas às vezes é tudo, senhor” (p.142)

Essa é uma passagem que, na história, tem mais a ver com a questão da intuição. Mas podemos ampliar para os sentimentos como um todo. Viver vazio de sentimento não é viver, assim como arrastar-se em uma vida infeliz.

E pensando nisso tudo, eu gostaria de dizer mais uma coisa também: lute ao lado daqueles que você ama. Ajude-os a realizar os seus sonhos, independentemente do tamanho deles. Essa é a melhor maneira de ver cada um prosperar e viver em paz. E é apenas isso que queremos para quem nos faz bem, não?

Para encerrar, como prometido, as citações originais:

“L’infelicità ruba tempo alla gioia, e nella gioia si costruisce prosperità” (p.27)

“- Sentire è un po’ poco, cara.

– Ma alle volte è tutto, signore” (p.142)

Citações #8 — Sonhos em Amarelo

Dia de trazer citações do livro Sonhos em Amarelo, escrito por Luiz Antonio Aguiar e publicado pela editora Melhoramentos. Nesta obra, o autor nos apresenta Camille Roulin, um garoto que esteve perto de Vincent van Gogh no período em que este pintou seus quadros mais famosos. E quem já se interessou minimamente por van Gogh sabe que a vida dele não foi nem um pouco fácil. É por isso que esse livro, por menor que seja, tem tanto a nos ensinar. A começar pelo fato de que…

“Tudo na natureza tem seu tempo” (p.14)

Sim, TUDO tem seu tempo. A gente se estressa, se descabela, chora, quer fugir, mas a realidade é que cada coisa tem seu tempo e o que deu errado hoje pode dar certo amanhã. Por isso, precisamos sempre respirar fundo, levantar a cabeça e seguir.

E sobre dificuldades, aliás, quem não as tem? Mas pior que as ter é guardá-las somente para si e nunca pedir ajuda a ninguém quando, tenha certeza, ao menos uma pessoa ao seu redor seria capaz de te estender a mão.

“Não atino como alguém suportaria ficar olhando para dentro de uma dor dessas, sem tentar escapar” (p.112)

E algo que eu sempre acho bom lembrar é que devemos tomar cuidado com nossas palavras e ações. Nós nunca sabemos exatamente pelo que o outro está passando e o quanto podemos afetar (positivamente ou negativamente) uma pessoa. Palavras e ações matam.

“Talvez alguns de nós é que o tenhamos expulsado de vez desse mundo” (p.124)

Citações #6 — Fahrenheit 451

Para as citações de hoje vamos de Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. As páginas são da edição publicada em 2012, pela Biblioteca Azul. Para quem não conhece, Fahrenheit 451 é uma daquelas distopias que a gente não pode deixar de ler. Trata-se de uma história em que as pessoas não possuem livros, pois estes seriam um item ruim para o ser humano. Já pensou que mundo horrível?

“Os livros servem para nos lembrar o quanto somos estúpidos e tolos” (p.111)

Como eu disse, Fahrenheit 451 é um livro muito bom, então, como é de se esperar, ele vai abordando vários assuntos que sempre são válidos em uma roda de conversa (ou ao menos assuntos sobre os quais deveríamos pensar um pouco mais):

“Sempre se teme o que não é familiar” (p.81)

Digamos que essa é uma forma mais bonita de dizer que a gente tem medo do desconhecido. E, convenhamos, temos mesmo. Quantas pessoas vocês conhecem que se arriscam a fazer as coisas sem medo? Que topam mudar seu jeitinho de agir ou, o mais difícil, sua visão sobre a vida e tudo o mais?

“Numa noite está tudo bem e na seguinte estou me afogando” (p.162)

Isso chama-se vida, meus caros. Nem todos os dias serão bons e fáceis, mas se soubermos passar por eles, teremos dias bons. E passar pelos dias ruins é mais fácil se temos com quem contar… Em Fahrenheit 451 uma coisa não muito comum é aquela tal de empatia que tanto ouvimos falar nos dias de hoje…

“Você já notou como as pessoas se machucam entre si hoje em dia?” (p.50)

Justamente quando não há empatia há isso aí: egoísmo, brigas desnecessárias, excesso de opinião e falta de diálogo. A gente machuca os outros não somente fisicamente, mas por meio de nossas palavras e ações (ou falta de ações). E para quê? Para nada!

Com isso, entramos na última citação, que é justamente sobre enxergar o outro e compreendê-lo. Mas dito de maneira bem mais bonita:

“Pois quantas pessoas seriam capazes de refletir a luz de uma outra?” (p.29)

Citações #5 — O sol é para todos

As citações de hoje são do livro O sol é para todos, escrito por Harper Lee. As páginas são da edição publicada em 2016, no Brasil, pela editora José Olympio. Trata-se de um clássico da literatura mundial, sendo narrado por uma criança e falando sobre racismo e injustiça. Temas que ainda precisamos discutir bastante, não? Mas o livro fala sobre muito mais também…

Fala sobre coragem:

“Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa assim mesmo e vai até o fim, apesar de tudo” (p.129)

Sobre força:

“Mas as coisas sempre parecem melhores de manhã” (p.241)

(entendam força como, ao mesmo tempo, saber parar e avaliar uma situação longe do turbilhão que ela lhe provoca e saber que é sempre possível recomeçar).

E sobre carinho:

“Cedo procurei refúgio em seu colo, e seus braços envolveram-me” (p.121)

“Com ele a vida era rotina, sem ele era insuportável” (p.134)

Para terminar, como de costume, uma das passagens mais impactantes para mim e que reflete bem a questão do preconceito e até da injustiça:

“Não, Jem, eu acho que só existe um tipo de gente: gente” (p.256)

Citações #1 — Fúria Vermelha

Comecarei as citações do blog com frases retiradas do livro Fúria Vermelha, escrito por Pierce Brown e publicado no Brasil pela editora Globo Alt. Trata-se do primeiro volume da série Red Rising e é um romance de ficção científica que se passa em Marte.

É interessante como esse livro fala sobre nosso lugar no mundo e sobre força.

“Não sou tão durão quanto imaginava ser. Nenhum mergulhador-do-inferno de fato é. Nenhum home de fato é” (p.83)

“Nos lugares densos de homens, a humanidade se desintregra com mais facilidade” (p.101)

“O mundo é muito grande e frio. Sou pequeno demais” (p.326)

Fúria vermelha também faz algumas críticas à sociedade e ao poder.

“Vazia é a vida sem liberdade, Darrow” (p.52)

“Vingança é uma coisa vazia, Darrow” (p.89)

(é engraçado perceber como, no livro, essas duas citações estão relativamente distantes uma da outra, mas colocadas assim, tão perto, nos mostra o quão parecidas e complementares são).

“Poder não é uma coisa real. É apenas uma palavra” (p.115)

“Ninguém saca o jogo, porque ninguém conhece as regras. Ninguém segue o mesmo conjunto de regras. É como a vida” (p.365)

Há, ainda, uma forte presença da humanidade, que, contraditoriamente, está muito em falta na história.

“Cansado de ver todos os olhos cheios se esvaziarem” (p.124)

“Ele é feio num mundo onde deveria ser bonito e, por causa de suas deficiências, foi escolhido para morrer. Ele, de muitas maneiras, não é melhor do que um vermelho” (p.289)

“É como se ele fosse tão sensato a ponto de ser inumano” (p.423)