Música: versões italianas de músicas brasileiras

Há um tempinho, fiz um post aqui sobre músicas italianas e suas versões brasileiras. A receptividade do post foi muito boa e uma amiga me sugeriu que eu fizesse o contrário, isto é, músicas brasileiras e suas versões italianas. Apesar de saber que, por exemplo, Chico Buarque tem diversas músicas traduzidas para o italiano, pois ele chegou a morar lá durante o período da ditadura que houve aqui (conheça os álbuns Na Itália e Per un pugno di samba), achei que essa ideia seria bem desafiadora.

Essa mesma amiga, porém, disse que há uma música do Marcelo Jeneci com uma versão italiana, coisa que eu desconhecia! A música “Felicidade” (2010) ganhou, em 2020, uma versão italiana, com a cantora Erica Mou. No caso, uma versão feita em conjunto por esses cantores:

E aí, pesquisando mais sobre o assunto, fui descobrindo algumas coisas interessantes. Por exemplo, a música brasileira chegou à Itália principalmente quando ocorreu um movimento inverso àquele que ocorrera anos antes, isto é, quando muito brasileiros migraram para lá. Outra coisa que contribuiu para o surgimento de versões italianas de músicas brasileiras foi o sucesso mundial da Bossa Nova.

Fora isso, porém, dificilmente os italianos tinham conhecimento sobre as nossas produções. Hoje, claro, a internet contribuiu para mudar esse cenário, mas ainda assim há poucas versões atuais nesse par.

Se por um lado eu já sabia que “A banda” (1966) ganhara uma versão italiana — “La banda” (1967) — por outro, eu não sabia que “Águas de março” (1972) também tinha a sua tradução (“La pioggia di marzo — 1993). La banda, porém, é bem mais próxima do original (com relação ao texto) que La pioggia di marzo:

Também descobri que a Mina (cantora de La banda, que coloquei ali em cima) tem um cd com diversas versões de músicas brasileiras, inclusive “Que maravilha” (1969), do Jorge Ben Jor, que virou “Che meraviglia” (1970), uma tradução bem próxima do original:

Você acredita que até Roberto Carlos temos em italiano? (quer dizer, não sei porque isso me surpreende, já que música romântica é a cara dos italianos, né?). “Sentado à beira do caminho” (1969) virou “L’appuntamento” (1970), música cuja letra é um pouco diferente:

Agora, surpreendentemente mesmo talvez seja saber que “Nem vem que não tem” (1967), do Wilson Simonal, virou “Sacumdì Sacumdà” (1968), também com uma letra diferente da original (exceto pelo que dá título à versão italiana):

Fora isso, também há algumas músicas infantis com suas versões, como “O caderno” (1983) que virou “Mistero” (1997) , similar à original, mas com algumas modificações:

Agora você quer ficar REALMENTE em choque? Sabia que existe uma versão italiana de “Anna Júlia” (1999)? Sim, a música dos Los Hermanos! Em italiano, também “Anna Júlia” (2001), a letra é um pouquinho diferente (mas o melhor é ouvir o refrão na versão italiana, ficou engraçado!):

Para encarrar, vamos descer um pouco o nível: não é segredo para ninguém que “Ai se eu te pego” (2011), do Michel Teló, bombou mundialmente. O que você talvez não saiba é que a música realmente ganhou uma versão italiana, que é uma tradução mesmo (assim como a versão em todas as outras línguas — e foram muitas).

Eu me lembro que foi justamente em 2012 que fui pela primeira vez para a Itália e as pessoas ainda tentavam cantar a versão em português mesmo (que tocava em tudo quanto era lugar, assim como Gustavo Lima!):

Por hoje é isso! Até que consegui mais músicas do que eu esperava e, para variar, me diverti muito fazendo esse post. Principalmente com essas duas últimas. Agora estou pensando em fazer um post de músicas norte americanas em italiano (com certeza tem várias).

Música: versão brasileira ou italiana?

Você sabia que existem músicas que têm uma versão em português e outra em italiano? Eu já comentei sobre uma delas neste post, mas hoje venho aqui para fazer um apanhado que, espero eu, vai te surpreender!

Vamos começar com algumas combinações bem fáceis (e também as primeiras que descobri): Laura Pausini e Sandy & Júnior. Sim! Você conhece Inesquecível? Ela é uma adaptação de Incancellabile, lançada em 1996, enquanto a versão brasileira é de 1997. Neste caso, é praticamente uma tradução, com as devidas adaptações para manter o ritmo e o sentido. Veja:

De Sandy & Júnior e Laura Pausini temos, ainda, Não ter, versão brasileira de Non c’è. Além disso, eles também gravaram Quando você passa, versão brasileira de Tutururu (Francesco Boccia).

Bom, essas eram fáceis. Mas, um belo dia, eu já estava na faculdade e ouvi uma música chamada La mia storia tra le dita (de 1995) e pensei “caramba, conheço essa música!”. E sim, em português, como Quem de nós dois (de 2001). As letras, aqui, já são mais diferentes, sendo mantida apenas a melodia. Aqui vai:

Ainda na faculdade, meu querido Spotify me apresentou La notte (2012), cuja relação com A noite (2014) é bem fácil de se fazer, apesar de, novamente, as letras serem bem diferentes!

Fazendo esse post, descobri, ainda, Gente di mare (1988) e a versão brasileira Felicidade (1988):

Mais recentemente, ouvi ainda È po’ che fa (1982) e a versão brasileira Bem que se quis (1989), também bem diferentes uma da outra (no quesito letra):

Agora, claro, o mais chocante de todos: sabe a música Eva (1997)? Sim, o axé! Pois é, ela também é uma versão brasileira! A música original também chama Eva (1982), e as diferenças nos textos são poucas, apenas adaptações necessárias. Por outro lado, claro, essa é a música que a melodia muda um pouco mais (afinal, virou um axé!):

Uma vez li que essa prática de fazer versões em outras línguas de algumas músicas é algo que ocorre com certa frequência (certamente você já ouviu versões brasileiras de muitas músicas que são, originalmente, em inglês) e é uma técnica antiga.

E não somos apenas nós que fazemos isso não! Nos anos 60, na Itália, era comum que se pegasse as músicas do Reino Unido ou dos Estados Unidos que estivessem fazendo muito sucesso e se fizesse uma versão italiana, a ser cantada por um cantor ou grupo muito famoso. Quer um exemplo? Veja aqui:

E você, que versões/traduções conhece? Não esquece de me contar nos comentários, eu adoro essas coisas! Recentemente, li um livro que me apresentou algumas pérola nesse sentido (incluindo mais Sandy & Júnior!).