Os doze signos de Valentina — Ray Tavares

Título: Os doze signos de Valentina
Autora: Ray Tavares
Editora: Galera
Páginas: 389
Ano: 2017 (1º edição)

os doze signos

(Leia essa resenha ao som de “Dias atrás“)

Eu pergunto a vocês: que droga tem nesse livro que nos deixa viciado nele? A escrita? O enredo? A combinação dos dois? Definitivamente, a combinação dos dois!

Isadora — ou Isa — é uma jovem que após seis anos de namoro descobre que seu namorado a está traindo com uma de suas amigas da faculdade. E esse episódio, durante longos meses, destrói toda a crença no amor que Isadora tem (e nos faz odiar Lucas — o tal ex — o livro inteiro, por mil motivos além desse).

“O negócio é que nenhum filme da Disney te prepara para a dor de uma traição, ou a constatação de que os seis anos que se passaram não significaram absolutamente nada para a pessoa com quem você compartilhou cada alegria e tristeza”

(p.17)

Um belo dia, Marina, prima de Isa, cansada de vê-la neste estado a arrasta para uma balada na Augusta (sim, porque a história se passa em São Paulo e Isa é gente como a gente). Lá Isa perde a linha, mas também descobre o porquê de seu relacionamento não ter dado certo: ela era ariana e Lucas, pisciano. Ok, isso pode parecer absurdo, mas naquele momento, fazia total sentido par Isa.

“Por que é que a gente tem esse estranho fetiche de nos sabotar?”

(p. 27)

Na semana seguinte, Isa descobre que terá de criar um blog investigativo para uma das disciplinas de sua faculdade de jornalismo. E então ela decide unir o útil ao agradável: ela cria um blog para narrar sua experiência beijando um garoto de cada signo do zodíaco. O blog deve ser criado com um pseudônimo — por isso os doze signos de Valentina — e apenas o professor da disciplina sabe quem é o administrador de cada um dos blogs.

A escrita de Isa em seu blog e a escrita do livro em si, se misturam, sendo ambas deliciosas de se ler (queria eu escrever assim!). E mesmo que nós, leitores, tenhamos o privilégio de saber quem administra o blog (lembrando que os personagens do livro não têm essa mesma sorte), a história não se torna menos intensa.

Claro que talvez tenha contribuído para meu vício nesse livro o fato de que sou aquariana com ascendente em peixes e esses terem sido os dois últimos signos a aparecer na história (já que Valentia faz o favor de seguir a ordem dos signos, ao menos em grande parte…). Como eu estava curiosa!! Mas a espera valeu à pena. E não se trata de uma questão de acreditar piamente em signos, mas sim de conseguir detectar pontos de identificação.

Os doze signos de Valentina é um livro e tanto: fala sobre traição e sobre a superação disso, fala sobre o amor e suas frustrações e alegrias, fala sobre perdão, fala sobre sororidade, faz várias críticas (e autocríticas) sociais e ainda fala sobre signos. Sem contar que essa história arrancou muitas gargalhadas de mim, quase me fez perder a estação que deveria descer algumas vezes e não sei como não me deixou numa bela ressaca literária.

“E, apesar da nossa ânsia por histórias que inovem e fujam do clichê, não existe nada mais gostoso do que assistir a um final feliz”

(p.358)

E se você acha que Isadora se apega com todas as suas forças aos signos e faz deles a sua religião, já te adianto que você está se enganando. Esse é um ótimo livro para refletirmos sobre o assunto de maneira leve e ainda abrindo margem para um pouco mais de autoconhecimento.

Os doze signos de Valentina foi meu primeiro contato com a escrita da autora Ray Tavares e já me apaixonei. Estou doida para ler as outras obras dela.

E se você ficou querendo saber mais sobre as peripécias de Isadora — só Isa —, clique aqui e saiba como se dá essa história.

#Acredite — Eliane Quintella

Título: #Acredite
Autora: Eliane Quintella
Editora: Publicação independente
Páginas: 144
Ano: 2019
Acredite

“O amor é a força mais poderosa que existe”

(pg. 09)

É com a frase acima que começa #Acredite, um livro que, no entanto, vai muito além do amor. E mais que isso, é um livro que permite uma leitura mais rasa, ao mesmo tempo que pode nos propiciar uma leitura cheia de nuances.

Em um primeiro momento, #Acredite é a história de amor impossível (à la Romeu e Julieta) entre Pamela (uma jovem Braite) e Raul (um jovem Laluli). Braites e Lalulis vivem em um mesmo mundo, mas possuem forças e formas de vida diferentes: enquanto os Braites são mágicos poderosos e cheios de positividade (porque eles precisam ser felizes para que a magia aconteça), Lalulis são seres mais fracos, principalmente pelo fato de se deixarem dominar por sentimentos pesados e pessimistas.

“Cada vida tem seu valor”

(pg.129)

O coração, no entanto, não nos deixa escolher por quem iremos nos apaixonar e como Braites e Lalulis convivem no mesmo ambiente, ainda que não possam se relacionar — uma vez que isso enfraqueceria o Braite da relação — Pamela acaba se apaixonando (e sendo correspondida) por Raul.

“Eu via minha vida degringolando ralo abaixo e não conseguia fazer nada”

(pg.52)

E é aqui que começa a entrar uma leitura mais profunda dessa história…

Em primeiro lugar, Pamela é jovem e realmente ama Raul. Isso faz com que ela comece a questionar as leis impostas há anos pela sociedade em que vive. Ela deixa de acreditar que seja possível que Lalulis somente enfraqueçam Braites e começa a buscar uma forma de provar que o amor é a maior de todas as forças existentes.

“— Nós podemos mudar o mundo”

(pg. 69)

A forma como Pamela passa a questionar as regras nos faz pensar sobre a importância desse ato. Se ela simplesmente tivesse aceitado aquilo que era aceito há tanto tempo, seu destino certamente teria sido bem triste. E o que ela mais quer é mostrar para as pessoas que há outras formas de enxergar o mundo e de se viver.

É claro que o relacionamento de Pamela e Raul gera muito impacto em diversos níveis, a começar pelos relacionamentos pessoais de cada um: família e amigos não aceitam que eles estejam juntos e todos se afastam. E então, Pamela passa a sentir coisas que nunca havia sentido antes…

E aqui chegamos no segundo ponto importante dessa história: ela nos mostra como é importante sentir. Mais que isso: como é importante sentir e viver qualquer tipo de sentimento. Ser positivo e viver em harmonia é ótimo, mas sofrer, se decepcionar ou ter medo são sentimentos que nos ensinam muito.

“Tinha aprendido que eu precisava viver não só minhas alegrias, mas também minhas dores”

(pg. 106)

Por fim, a última lição que fica desse livro, e que já estava anunciada no título, é a necessidade de acreditarmos. Somente quando acreditamos que somos capazes de algo, mesmo quando nos dizem o contrário, é que efetivamente chegamos a algum resultado. E acho bem difícil chegar ao final desse livro sem se sentir um pouquinho mais forte, um pouquinho mais capaz de realizar qualquer coisa.

“A resposta sempre está dentro da gente”

(pg.82)

#Acredite é um livro super curto, gostoso de ler e que eu indico para quem está precisando de uma forcinha para lutar por seus sonhos. Uma leitura que pode te fazer pensar e te tirar da zona de conforto sem que você perceba.

E se você ficou curioso(a) para saber como termina a história entre Pamela e Raul, adquira seu livro (físico ou ebook) aqui.