Notas sobre a experiência e o saber de experiência

Título: Notas sobre a experiência e o saber de experiência
Autor: Jorge Larrosa Bondía
Revista Brasileira de Educação, nº 19
Páginas: 11
Ano: 2002
Tradução: João Wanderley Geraldi
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n19/n19a02.pdf

Hoje é dia de trazer para o blog uma resenha um pouco diferente. Na verdade a resenha em si não é muito diferente das demais, mas traz minhas impressões sobre um artigo que li e não, como de costume, sobre um livro. Seria um erro, no entanto, deixar tal artigo esquecido, uma vez que ele pode gerar inúmeras reflexões. O texto está divido em sete pontos nos quais o autor tenta pensar a educação a partir do par experiência e sentido.

Inicialmente, Larrosa explora a palavra experiência:

“A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca”

Notas sobre a experiência e o saber de experiência (pg. 21)

Dito isso, segundo o autor, a experiência é cada vez mais rara e ele enumera quatro elementos que a impedem de acontecer de forma devida:

  1. o excesso de informação, que não deixa lugar para a experiência: “A informação não é experiência. E mais, a informação não deixa lugar para a experiência, ela é quase o contrário da experiência, quase uma antiexperiência” (pg.21);
  2. o excesso de opinião: “Em nossa arrogância, passamos a vida opinando sobre qualquer coisa sobre que nos sentimos informados” (pg.22);
  3. a falta de tempo, uma vez que tudo tem se passado muito depressa, o que impede uma conexão entre os acontecimentos e seus legados: “A velocidade com que nos são dados os acontecimentos e a obsessão pela novidade, pelo novo, que caracteriza o mundo moderno, impedem a conexão significativa entre acontecimentos” (pg.23);
  4. o excesso de trabalho: “E por isso, porque sempre estamos querendo o que não é, porque estamos sempre em atividade, porque estamos sempre mobilizados, não podemos parar. E, por não podermos parar, nada nos acontece” (pg. 24).

No segundo ponto presente no texto, Larrosa fala sobre o sujeito da experiência:

“É incapaz de experiência aquele a quem nada lhe passa, a quem nada lhe acontece, a quem nada lhe sucede, a quem nada o toca, nada lhe chega, nada o afeta, a quem nada o ameaça, a quem nada ocorre”

Notas sobre a experiência e o saber de experiência (pg. 25)

Já no item 3 o autor nos mostra o que a palavra experiência carrega consigo, partindo de sua origem latina com o significado de provar, experimentar:

“A experiência é em primeiro lugar um encontro ou uma relação com algo que se experimenta, que se prova”

Notas sobre a experiência e o saber de experiência (pg. 25)

No item 4, Larrosa menciona uma definição de experiência encontrada em Heidegger com a qual ele concorda. Esta definição também ajuda a reforçar as características de experiência como travessia e perigo (características estas encontradas também em uma interessante comparação que o autor faz entre o ser da experiência e o pirata).

O quinto item é um dos mais bonitos. Nele o autor postula que a experiência é uma paixão e busca explicar este seu ponto de vista. Para isso, ele também apresenta alguns significados da palavra paixão.

No sexto item o autor fala sobre o saber de experiência:

“O saber de experiência se dá na relação entre o conhecimento e a vida humana”

Notas sobre a experiência e o saber de experiência (pg. 26)

E mais:

“Se a experiência não é o que acontece, mas o que nos acontece, duas pessoas, ainda que enfrentem o mesmo acontecimento, não fazem a mesma experiência”

Notas sobre a experiência e o saber de experiência (pg. 27)

Este item pode render boas reflexões. Evidentemente estamos chegando ao final do texto e o que vemos aqui é quase uma síntese do que o autor tentou apresentar ao longo de seu artigo.

Para terminar, no item 7, Larrosa nos mostra como a experiência é vista pela ciência moderna:

“A experiência já não é o que nos acontece e o modo como lhe atribuímos ou não um sentido, mas o modo como o mundo nos mostra sua cara legível, a série de regularidades a partir das quais podemos conhecer a verdade do que são as coisas e dominá-las”

Notas sobre a experiência e o saber de experiência (pg. 28)

Quis falar sobre este artigo, pois ao lê-lo senti-me realmente maravilhada. E sei que preciso retornar a ele quantas vezes forem precisas. Um texto que não se esgota em si e que, como eu disse ali no comecinho, pode gerar inúmeras reflexões.

Gostaria de deixar também um vídeo sobre este mesmo texto, para que vocês possam ver outras opiniões acerca deste artigo: Comentando: Notas sobre a experiência e o saber da experiência.

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