Os quase completos – Felippe Barbosa

Título: Os quase completos
Autor: Felippe Barbosa
Editora: Arqueiro
Páginas: 384
Ano: 2018

(Para ler ao som de: Por você – Frejat)

Estava eu na internet dia desses quando me deparo com esse livro. Autor que eu não conhecia, livro nunca visto. Mas a capa chamou a minha atenção, por conter um ônibus e, desde que comecei a namorar, ônibus são muito significativos para mim, já que a primeira conversa de verdade com meu namorado começou em um ponto de ônibus. Decidi ler a sinopse do livro e acabei comprando ele. Foi uma ótima escolha! Devorei o livro todo, destaquei várias passagens, deixei recados para meu namorado e dei o livro a ele. Mas, sem mais delongas, vamos à resenha!

Em os quase completos temos três histórias que, de alguma forma, se cruzam e se completam. É difícil, por isso, falar muito sobre esse livro sem dar spoilers. E, para dificultar ainda mais, Felippe Barbosa escreve de um jeito muito interessante, dando as informações aos poucos. Há mistérios por toda a parte e o tempo todo ficamos com aquela sensação de “o que vai acontecer agora?”.

“- Ora, nossa vida é feita de mudanças repentinas”

Os quase completos (p.187)

O livro vai se alternando entre as histórias do “Quase doutor”, do “Quase repórter” e da “Quase viúva”. O “quase doutor” e a “quase viúva” narram suas partes, enquanto o “quase repórter” tem sua história narrada. Não sei se compreendi muito bem porque foi feito assim, mas talvez seja porque a história do “quase doutor” e da “quase viúva” sejam centrais. E bem, tem o plot twist do final também…

“Falar de nós mesmos, afinal, é como contar uma história”

Os quase completos (p.361)

O “quase repórter” chama-se Victor. Por mais que ele não apareça tanto ao longo do livro, suas aparições são bem importantes (e gostosas de ler, apesar da melancolia).

“É interessante indagar se a rotina pertence a um indivíduo ou se é o indivíduo que pertence à sua rotina”

Os quase completos (p.12)

A “quase viúva”, por outro lado, chama-se Verônica. Seu marido está internado e, como se isso já não fosse drama suficiente na vida de alguém, ela começa a ter algumas crises existenciais, agravadas pelas falas do paciente que está dividindo o quarto com seu marido.

“É nos momentos mais frágeis que nos mostramos mais corajosos”

Os quase completos (p.99)

Por fim, o “quase doutor” passa boa parte do livro, digamos… Em outro plano.

“Jamais saímos de um ônibus do mesmo modo que entramos”

Os quase completos (p.336)

Há ainda outros personagens importantes nessa história, como Mira, o dr. Carlos, Celina e a família do “quase doutor”, mas se eu começar a falar de cada um deles, talvez vocês só terminem de ler essa resenha amanhã…

O que os três personagens têm em comum é o fato de estarem insatisfeitos com suas vidas. O “quase doutor”, por exemplo, vai aos poucos descobrindo que vive a vida que sonharam para ele, e não a vida que ele sempre sonhou para si. Verônica, por sua vez, passa por descobertas bem parecidas, enquanto Victor tem consciência de que seu emprego não lhe agrada, mas não parece fazer muito para mudar de vida.

“- A gente nunca para para pensar sobre a gente, não é?”

Os quase completos (p.215)

Os quase completos é um livro que fala sobre buscarmos nossos sonhos e nossa felicidade. Acreditar que aquilo que nos faz feliz é possível. E a maneira como tudo isso é mostrado na história é bem interessante.

“Quando somos amados, é de esperar que a pessoa também ame os nossos sonhos”

Os quase completos (p.182)

E por mais que não seja exatamente uma história de amor, esse sentimento aparece em abundância no livro, sem soar clichê. Muito pelo contrário, aliás: aparecem muitas dúvidas, medos, brigas, perdas, escolhas…

“Isso não é bobo. Todo mundo quer ser amado. Isso é humano”

Os quase completos (p.350)

A linguagem de Os quase completos não é de difícil compreensão e por mais que a história narrada possa ser a história de qualquer um de nós (e, realmente, há muitos elementos com os quais podemos nos identificar, muitas situações que já vivemos ou poderemos viver) é preciso ler com a mente aberta e enxergar para além das metáforas que estão ali presentes. E se assim for, é possível aprender e compreender muito sobre a vida e sobre nós mesmos.

7 comentários em “Os quase completos – Felippe Barbosa

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