O que você gosta nos livros que você curte? [tradução 5]

Vamos de mais uma tradução? Já estamos indo! E mais: sobre um tema que também estou planejando trazer para cá a minha opinião, pois tenho pensado muito sobre e ouvido falar muito também. Isso mesmo, vamos falar sobre avaliações de livros. Para aquecer os motores, porém, trago essa tradução. O post original, em italiano, você encontra aqui, e ele foi publicado em 2011!

Confesso que, “aquecer os motores” foi modo de dizer, porque vamos é começar o assunto com tudo! Depois dele, o que terei a dizer será quase nada. E vamos que vamos!


É inevitável que, de vez em quando, nos perguntemos com quais instrumentos e critérios julgamos os livros que lemos.

Tem quem se pergunte se, por acaso, o hábito de julgar os livros e exprimir-se em termos de “gosto/não gosto” não seja um mero atalho que nos mantém superficiais, fazendo das palavras que dedicamos aos livros que lemos um mero falatório. (Aproveitamos para falar disso, também, devido ao sucesso de participação dos leitores em nossos posts sobre os livros mais lindos e algumas observações que um ou outro leitor fez sobre o excesso de simplicidade que comporta um julgamento seco como esse, baseado em “gosto/não gosto”).

Fica o questionamento: o leitor comum — ou seja, nós — tem uma espécie de “dever” intelectual de aprender a usar algum instrumento crítico? Existe um espaço pleno de sentido entre o mero falatório e a crítica profissional?

É uma pergunta que, por sorte, muita crítica, principalmente anglo-saxônica, se esforça há anos para responder, “divulgando” os instrumentos da própria “ciência”.

A propósito, alguns meses atrás, eu havia indicado James Wood, que publicou um livro dedicado exatamente a isso: Como funciona a ficção (Sesi Editora). Uma obra que já faz um certo tempo que tenho sempre à mão, principalmente porque eu me divirto, de vez em quando, em testá-lo com os livros e contos que leio.

Recentemente, também (cito outro como exemplo, acredito que existem centenas que poderiam ser mencionados aqui) o crítico inglês John Sutherland escreveu um livro similar, pelo menos na questão da aplicação: 50 Literature Ideias you Really Need to Know.

Tento, portanto, quase como um jogo, listar as perguntas que eu deveria/gostaria de fazer enquanto leio um livro, se eu não quisesse ser um leitor comum, mas um “como se deve” (usarei Wood, mas podemos pensar outras dezenas de perguntas, basta tentar):

1) Qual é o tipo de narrador que o escritor incumbiu de contar a história? Para além das questões técnicas (onisciente, narrador personagem, uso do estilo indireto livre, primeira pessoa…), é um narrador que sentimos perto de nós? Quanto e como usa a ironia dramática? O quanto está perto ou longe de seus personagens?

2) Como é o jogo entre os detalhes narrativos mostrados? Por exemplo, entre aqueles importante e aqueles (aparentemente) insignificantes; do contraste entre eles depende muito da eficácia das cenas, por exemplo, na capacidade de desenvolver as tensões. É nos detalhes, que se corre o risco de cair no convencional

3) O que procuramos nos personagens? Como eles devem ser para que possamos senti-los vibrar nas páginas, para que possamos vê-los e apreciá-los com a sutiliza necessária que os faz viver? Somos objetivos com a estética do personagem ou julgamos com base em uma qualidade moral presumida?

4) E a consciência dos personagens? Como entramos no pensamento deles? E mais: entramos realmente ou o autor no engana, nos mostra uma imitação da consciência?

5) O livro que lemos é uma máquina de empatia? Conseguimos ver, sentir e compreender a complexidade do nosso “tecido moral” (“nosso” entendido como “condição humana”).

6) A linguagem contém uma multiplicidade de registros, harmonias e dissonâncias, mudanças e saltos de estilo que trazem a complexidade do mundo retratado? As metáforas sabem nos surpreender ou são óbvias, batidas e previsíveis?

7) A história e a trama nos surpreendem? Ou são óbvias, forçadas? Ou então as narrativas são tão elaboradas e centrais que esmagam todo o resto, nos fazendo esquecer que o livro é muito mais e vai muito além de uma única narrativa.

Vocês têm critérios claros de julgamento? Ou não? Me ajudem a enriquecer a lista (ou a eliminar alguns itens, se preferirem)?

Faz de conta que é amor — Rafa Alves

Título: Faz de conta que é amor — Trilogia escolhas
Autora: Rafa Alves
Editora: Réserver
Páginas: 298
Ano: 2020

Faz de conta que é amor é aquele tipo de livro que eu sempre comento aqui que adoro ler: um romance despretensioso, mas que acaba nos arrancando algumas lágrimas ou algumas risadas. Neste caso, foram mais lágrimas mesmo.

“Às vezes, desejos são somente desejos, mas a esperança que temos sobre eles é o que deixa tudo mais mágico”

No prólogo do livro, nos encontramos cinco anos antes da história que leremos depois. Amanda já namorava há quatro anos com Edu e tinha certeza que, naquela noite, seria pedida em casamento. Muito pelo contrário, porém, ela leva um pé na bunda e descobre que fora traída. E mais: o Edu a traiu com Vanessa, sua amiga! Ah, os clichês maravilhosos que já começam dando um toque de “não pode ser” com “quero ver essa mulher dar a volta por cima”.

“Não preciso dizer como mudei ao saber que minha vida era uma completa mentira”

O primeiro passo que Amanda dá é, como uma boa fujona, mudar de cidade. E recomeçar. Mas, obviamente, cinco anos depois, ou seja, no momento em que se passa a história, ela tem de voltar para sua cidade natal e por dois motivos: estar presente no casamento de sua melhor amiga e também para assumir, temporariamente, um cargo importante na empresa que trabalha.

“Cada um tem um limite de algo que consegue suportar”

Mas voltar nunca é fácil. Menos ainda quando o noivo de sua melhor amiga e Edu são melhores amigos. E, para completar esse tenebroso cenário, Edu está noivo de Vanessa. É muita coisa para uma pessoa só, né?

“Não quero que você se machuque, eu não vou estar aí para juntar os caquinhos”

E é aqui que entra Cadu na história. Amanda decide fingir que está noiva também e Cadu acaba sendo a sua vítima. Mas eles mal se conhecem quando essa loucura toda começa!

“Todos nós queremos alguém que cuide de nós, e que nós também possamos cuidar. Ninguém é diferente nisso”

Talvez você esteja se perguntando quem é Cadu. Bem, ele é um cara meio complicado, meio fechado e… filho do chefe de Amanda. Mas ele acaba topando embarcar nessa loucura dela e… Só lendo para descobrir de verdade onde tudo isso vai dar!

“Eu acabei de beijar de verdade… O meu noivo de mentira!”

Mas se tem uma coisa que eu posso adiantar é que Amanda é aquela mulher com a qual muitas vão se identificar. Alguém que, depois de uma grande desilusão amorosa, prefere ficar sozinha, por medo de se entregar novamente, ainda que reconheça que seu coração continua firma e forte na capacidade de amar.

“Cadu tem razão, eu sempre desisto de lutar quando estou machucada”

Cadu também é um personagem muito interessante. O mistério que o envolve nos atrai. Sabemos que há algo no passado dele que o deixa tão fechado e tão… Com medo de se entregar. Como Amanda.

Agora Edu… Esso só nos faz passar raiva mesmo! Mas a história precisava de um personagem desses, para nos deixar de olhos bem abertos, sempre!

Faz de conta que é amor foi uma leitura tranquila de se fazer, daquelas para passar o tempo. E se você quer saber como termina (ou não) a história de Amanda e Cadu, clique aqui.

Citações #34 — Eu quero mais

Como sempre acontece quando trago um post recheado de citações como esse, eu espero, antes de tudo, que tenha ficado claro na resenha o quanto eu amei o livro. A obra da autora Tayana Alvez é incrível e nos faz pensar sobre tantos assuntos que somente uma resenha não é suficiente para abarcar essa imensidão!

“Não me encaixo aqui porque nunca fiz parte desse mundo”

Elizabeth é uma mulher que tem muito a nos ensinar, e com a qual também podemos nos identificar em diversos aspectos.

“Todas as vezes que me abri para as pessoas, elas me machucaram”

E claro, ela tem os motivos dela para ser assim. Tem a história dela por trás de tudo.

“Ele partiu você em muitos pedaços”

E todos os personagens, na verdade, são assim nesse livro: cheio de histórias.

“Há um ano ele estava feliz, vivendo um sonho, cheio de planos e agora ele estava perdido”

Isso porém, não justifica certos comportamentos, como o relacionamento abusivo no qual Elizabeth se vê no decorrer da história.

“Quero agradecer por esse ano e por todas as vezes que você engoliu sapos e passou por cima de si mesmo para manter o nosso relacionamento intacto”

E apesar disso, esta é uma obra capaz de nos ensinar o verdadeiro significado de amor.

“É amor, Elizabeth, o amor não é egoísta”

Capaz de nos fazer enxergar a necessidade de perdoar o passado para seguir em frente.

“Se o passado ainda atrapalha o seu presente, ele não foi completamente superado”

E, principalmente, que nos mostra como devemos ser nós mesmos e nada mais ou nada menos que isso.

“Não gosto de te ver se podando por causa dos outros”

Para concluir, claro que um livro incrível desses não poderia deixar de falar também sobre o poder da música, não é mesmo?

“O efeito da música nas pessoas é curioso e inebriante, músicas são capazes de fazer coisas que simples frases soltas não são”

Não deixe de ler Eu quero mais. Um livro que vai te fazer refletir sobre tudo isso que eu mencionei aí em cima e muito mais.

“Sim, mas vivo uma vida de mentira que vai acabar em pouco mais de um ano”

Desmistificando o mestrado [11] — A defesa

Toda vez que eu vou escrever um post novo para essa sessão eu sinto que estou escrevendo sobre um tema que costuma apavorar as pessoas. Mas bem, uma coisa que chama “defesa” não parece realmente boa, né?

A verdade, porém, é que não é bem assim e eu basicamente poderia acabar esse post aqui, com a melhor dica que já me deram: “você vai falar sobre a sua pesquisa. Ninguém sabe mais do que você sobre ela, porque foi você quem se dedicou esse tempo todo a ler, pesquisar e escrever tudo isso” (créditos à minha orientadora que, despretensiosamente me fez esse lembrete em algum momento da minha trajetória).

O que mais eu poderia dizer depois de tão sábias palavras? Tá, sempre temos algo a acrescentar. Até porque, a defesa começa muitos dias antes dela. Na verdade, desde o início, tudo o que fazemos é pensando nela, não é mesmo?

Mas além de pesquisar e escrever a sua dissertação, você também precisará preencher documentos, definir a banca, agendar a defesa, enviar o material para que os professores possam ler. É complicado falar sobre isso, porque essa etapa envolve questões burocráticas, que podem variar de lugar para lugar. Além disso, agora, mais do que nunca, as pessoas tiveram de encontrar novas formas de lidar com tudo isso.

Por exemplo, quando eu entreguei minha dissertação, os professores da banca tinham a possibilidade de escolher entre receber o material impresso ou apenas o pdf. Agora, creio, eles precisam ler tudo pelo computador mesmo.

Pode parecer que, depois de escrever uma pesquisa inteira, preencher alguns documentos, definir a banca e agendar a defesa não sejam coisas tão trabalhosas assim, mas aqui deixo dois alertas: nunca se esqueça da questão dos prazos! Então, por mais que tudo isso pareça tranquilo, evite deixar para o último minuto do segundo tempo. E, por fim, lembre-se que agendar a sua defesa pode ser tão difícil quanto marcar um encontro com os amigos, porque professores são seres ocupados! Além disso, é comum existirem algumas regrinhas para a composição da banca, então é muito importante que você e quem te orienta estejam bem atentos a isso.

Aí você pensa: “ah, mas quem me orienta conhece bem tudo isso, não terá dificuldade em me ajudar”. E você se engana. Eu, por exemplo, peguei um momento de transição de regimento, isto é, um período em que essas tais regrinhas estavam mudando. E é preciso tomar cuidado com isso, pois seu professor não orienta somente você, mas outros alunos que podem ter se inscrito em outros regimentos, então as regras podem mudar de aluno para aluno! (sim, as coisas nunca pode ser fáceis, impressionante).

Para o dia da defesa, em si, as dicas são praticamente as mesmas de qualquer dia importante: tente estar descansado e bem alimentado, não fique querendo decorar cada palavra de sua pesquisa. Além disso, ouça atentamente os comentários da banca, anote as sugestões feitas e responda às perguntas com calma. Dificilmente você não “saberá” a resposta de algum dos questionamentos feitos pela banca. Você pode expor o raciocínio que seguiu em determinado ponto ou mesmo ser humilde e dizer “não havia pensado nisso” ou “não havia pensado nisso desta forma/sob esta perspectiva”.

Falar sobre o dia da defesa também é um pouco complicado de se fazer de maneira genérica. Eu, por exemplo, tive a sorte de ter uma banca tranquila, com professores que demonstraram realmente ter lido o meu trabalho e que me fizeram apontamentos e questionamentos pertinentes. Mas nem sempre é assim, infelizmente, pois alguns avaliadores gostam de procurar pelo em ovo. Mas depois que tudo termina (e eu não conheço histórias de reprovações — ainda que elas provavelmente existam), com certeza vem uma sensação muito boa de missão cumprida.

Bom, o post de hoje talvez não tenha sido muito esclarecedor, mas, de novo, estou à disposição para bater um papo sobre tudo isso, tentar dar um help para quem precisar. E espero que a dica lá do início tenha valido por todo o resto.

Entre estantes — Olívia Pilar

Título: Entre estantes
Autora: Olívia Pilar
Editora: Publicação independente
Páginas: 14
Ano: 2017

Logo de cara, o que me chamou a atenção para esta história foi o título. E então a capa. Por fim, a sinopse. Tudo me remeti a livros, a paixão, a conhecimento.

“Entre estantes” é um conto e, como tal, é de rápida leitura. Poucos acontecimentos, poucos personagens. Uma narrativa de fácil compreensão, mas, nem de perto, rasa.

Trata-se da história de uma jovem, Isabel, que está em seu primeiro ano de faculdade. É ela mesma quem nos conta o seu percurso, começando lá em fevereiro, com o início das aulas. O lugar central da história, porém, não é simplesmente a faculdade como um todo, mas um ponto específico: a biblioteca. Agora ficou mais claro o título, não?

Mais do que encontrar os livros de que precisa, porém, Isabel encontra algo mais entre as estantes da biblioteca: autoconhecimento. E não falo apenas sobre o início da vida adulta, as inseguranças com nossas escolhas. Neste conto, Isabel repensa muito mais que isso. E tudo isso ao se deparar com uma figura que rapidamente lhe chama a atenção. Uma figura que ela tenta esquecer, mas não consegue.

Essa é uma leitura que eu recomendo entre um livro e outro, uma pausa gostosa, rápida e incrível. Uma leitura de minutos, mas que vai te acompanhar por dias. E Olívia Pilar tem vários outros contos publicados, que agora estou bem curiosa para conhecer!

Se interessou? Então clica aqui.

Das reviravoltas — Diário de leitura (10)

Como eu disse em meu diário anterior, chegando ao final do primeiro volume de As mil e uma noites, iniciei a leitura de mais uma história de amor. Trata-se de uma narrativa longa, que durou da noite 211 até a 236.

Compõem esse arco as seguintes narrativas:

  • A história dos amores de Camaralzaman, príncipe da ilha dos filhos de Kaledan, e de Badura, princesa da China;
  • A história de Marzavan, com o prosseguimento da história de Camaralzaman;
  • Separação do príncipe e da princesa de Badura;
  • A história da princesa Badura após a separação do príncipe Camaralzaman;
  • Continuação da história do príncipe Camaralzaman desde a sua separação da princesa Badura;
  • A história dos príncipes Amdjad e Assad;
  • A prisão do príncipe Assad ao entrar na Cidade dos Magos;
  • A história do príncipe Amdjad e de uma dama da Cidade dos Magos;
  • Continuação da história do príncipe Assad.

São muitos encontros e desencontros aqui, bem como muitos momentos tensos. Eu diria até angustiantes. Foi uma história que me prendeu bastante e que dava vontade de saber o que viria a seguir. E o final é daqueles que você fica “aaaah, não acredito, que final incrível!”.

Começamos conhecendo dois jovens que, cada um em seu reino, precisam se tornar rei e rainha, e que, portanto, precisam se casar. Seus pais, porém, querem lhes dar a liberdade de escolher o par perfeito, mas esses jovens são bem exigentes…

Em tese, eles nunca viriam a se conhecer, mas alguns seres mágicos, para satisfazer seus próprios desejos, acabam por aproximá-los… E igualmente separá-los. E é neste ponto que as coisas começam a ganhar mais emoção.

Mas não para por aí não. Toda vez que achamos que as coisas estão se resolvendo, uma nova reviravolta ocorre. O próprio título “Separação do príncipe e da princesa de Badura” já nos dá uma ideia disso. Lembro-me que quando vi tal nome fiquei chocada. Como assim, depois de tanto trabalho para ficarem juntos, eles se separaram? Mas claro, as coisas não são tão simples assim… Até princesa se travestindo de príncipe tem nessa história toda (o que me fez pensar em Mulan também).

Mas… Se lá no primeiro diário eu super elogiei a minha edição desta obra, agora venho trazer uma pequena decepção: a editora provavelmente quis fazer dois volumes de tamanho praticamente iguais e, para isso, teve de colocar uma parte dessas narrativas que acabei de apresentar no primeiro volume, e uma parte no segundo. A divisão, assim, ficou um pouco abrupta. Achei que seria melhor ter deixado todo um arco no mesmo volume. Mas isso pode ter sido uma estratégia também, para nos fazer continuar, da mesma maneira que a Sherazade faz…

Como vocês devem ter percebido, portanto, terminei o primeiro volume de As mil e uma noites! E dando uma fuçadinha aqui, já vi que terei algo para comentar (talvez reclamar, de novo) no próximo diário, sobre esse segundo volume…

Como ler mais gastando menos?

Confesso que eu estava cheia de ideias de posts para o Blog, mas ver, todo santo dia, pessoas normalizando o pirateamento de livros, me dá uma agonia e uma tristeza sem tamanho, então resolvi mostrar como é possível ler mais gastando menos. Vocês me acompanham nessa?

A dica mais óbvia que eu poderia dar é: frequente a(s) biblioteca(s) de sua cidade. Mas Tati, estamos no meio de uma pandemia! Sim, por isso que eu disse que essa é a dica mais óbvia que eu poderia dar.

Outra opção são os sebos, e aqui já conseguimos entrar em um meio termo: muitos sebos, hoje em dia, possuem site ou algum espaço virtual similar. Aliás, existe o Estante Virtual também, que te ajuda inclusive a encontrar o melhor preço! E não ache que sebo vende só livro velho, viu? Já vi muita gente com edições lindíssimas e super bem conservadas compradas em sebo, e por preços ótimos.

Uma coisa que comecei a fazer ano passado e que, até agora, só tive boas experiências, foram as trocas no Skoob. Já comentei um pouco mais como funciona neste post. Com a pandemia, deixei minha estante “pausada”, isto é, ninguém pode solicitar meus livros, para que eu não tenha de ir aos correios. Consequentemente, não tenho créditos para solicitar um livro que eu queira.

Agora a dica para quem realmente não quer nem levantar da cadeira para ler mais gastando menos: Amazon. Eu sei, algumas pessoas são totalmente contra esse site, mas se você é contra a Amazon e piratei livros, fica meio difícil dialogar, não?

Geralmente, o “pirateamento” de livros é o compartilhamento de pdfs (e afins) do mesmo, correto? Isso significa que a pessoa está disposta a ler através de uma tela, seja ela do computador, do celular ou mesmo de um e-reader. Se a pessoa está disposta a fazer isso, o que custa acessar o site da Amazon e ver os ebooks gratuitos que estão lá? Sério, a cada dia diversos são disponibilizados ali! E você não precisa de um kindle para lê-los, você só precisa ter uma conta na Amazon e usar o aplicativo do kindle em seu celular ou computador, isto é, a mesma tela que você usaria para ler o arquivo pirata.

Também tem muita coisa boa que surge em plataformas como Wattpad e Sweek, então por que o preconceito de ler por elas? Muitos livros publicados por grande editoras, aqui no Brasil, foram publicados, primeiro, em uma dessas plataformas.

Ah, mas eu quero ler o livro modinha, o bestseller do momento, livros tops em inglês. Bom, então você talvez tenha um pouco mais de trabalho, mas para tudo tem solução. E neste caso é a comparação de preços. Pesquise em sites, acompanhe a variação do preço, veja o valor do frete. Eu, por exemplo, passei a minha lista de livros desejados do Skoob para a Amazon e agora eu entro lá todo dia e vejo o valor dos livros.

Bom, essas são as dicas que eu sempre dou para quem vem tentar normalizar pirateamento de livros para cima de mim. Não há nada que justifique essa escolha, a não ser o fato de que a pessoa realmente não está nem aí para toda a gente que trabalha neles até que eles efetivamente cheguem ao leitor. Sem contar que, piratear livros só faz com que menos e menos escritores tenham disposição e tempo para se dedicar a isso e nos presentear com novas histórias.

E olha que nesse post eu nem mencionei iniciativas incríveis como a Winnieteca ou a Bienal da Quebrada, que também contribuem para que mais livros cheguem a quem não pode pagar por eles.

E vocês, pessoal, o que fazem para ler mais gastando menos? E conhecem outras iniciativas como essas duas últimas que acabei de citar?

Entranhas do amor — Nicc Mello

Título: Entranhas do amor
Autor: Nicc Mello
Editora: Lettre
Páginas: 102
Ano: 2020

Como é que se resenha um livro tão intenso, tão íntimo, tão sincero? Eu, definitivamente, não sei, mas prometo que tentarei dizer algo sobre “Entranhas do amor”, do autor Nicc Mello.

“O amor de menina há de florescer nos sonhos de mulher”

Talvez eu deva começar pelo próprio título da obra: “entranhas” significa, figurativamente falando, a nossa parte mais interior, mais profunda. “Entranhas do amor”, portanto, é uma obra que deveria mergulhar no mais profundo desse sentimento tão infinito e tão complexo.

“Amor é amar”

É isso! “Entranhas do amor” realmente fala com profundidade — e propriedade — não apenas sobre o amor, mas sobre a vida, sobre o que é óbvio e o não tão óbvio assim. Sobre banalidades, mas também sobre questões existenciais.

“Viver era mais importante”

Em alguns poemas os versos são diretos, cortantes. Em outros, são mais amenos. Todos têm um quê de pessoalidade difícil de ignorar. E de sentir. Nicc Mello é um poeta LGBT e também demonstra isso em algumas de suas poesias.

“Amar nunca foi crime”

Queria destacar ao menos uma poesia aqui, mas foi tarefa difícil escolher. No entanto, optei por trazer a vocês “Eu”:

Eu

Sigo só,

na minha companhia.

Estranho é viver

no meio da multidão

Esta obra é o mais novo lançamento da Editora Lettre e, outra vez, fico feliz em ver um resultado desses. A edição física — que está em pré-venda no site da Editora, com frete grátis — está muito bonita, com uma diagramação diferente do ebook, disponível aqui.

E se você ainda não se convenceu entre comprar ou não um exemplar, conheça um pouco mais do autor através desta entrevista.

Histórias de amor — Diário de leitura (9)

Em meu último diário de leitura de As mil e uma noites, comentei que havia começado a leitura de uma história que parecia prometer. Isso porque, desde o início, notei que era uma narrativa de amor como até então eu não havia visto nesta obra. Algo diferente do que vinha aparecendo, mais forte e profundo.

Com efeito, a História de Abul-Hassan Ali Ebn Becar e de Chemselnihar, favorita do Califa Harun al-Rashid — que dura das noites 185 até a 210 — é bem intensa, nos apresentando um amor proibido, quase num estilo Romeu e Julieta (olha eu comparando ocidente e oriente de novo).

E, no meio dessa narrativa, é inserido um novo tipo textual: a carta, meio de comunicação entre os protagonistas. É importante destacar isso porque As mil e uma noites, além de ser uma obra coletiva (sim, ela não foi construída por narrativas de um único autor) é uma obra com diversos gêneros que, ao longos das traduções e adaptações, foram se perdendo. Hoje, temos acesso, a uma grande parte narrativa, mas As mil e uma noites é composta por poesias, cartas, bilhetes…

Estou chegando perto do final do primeiro volume da edição que tenho. A história que ainda está se desenrolando também é de amor, mas com a intervenção de criaturas mágicas, algo já um pouco mais próximo do que havia aparecido anteriormente.

Será que conseguirei falar sobre a conclusão desse primeiro volume justamente no 10º diário de leitura? Espero que sim! E veremos o que me aguarda no segundo (e último) volume. Vocês estão gostando dessa série de posts?

O canto das sereias — Ingrid Sousa

Título: O canto das sereias — um conto do universo de "O despertar da profecia"
Autora: Ingrid Sousa
Editora: Lettre
Páginas: 13
Ano: 2020

Serena e Sooará são gêmeas, nascidas durante uma lua de sangue. Devido ao momento em que nasceram, porém, foram logo abandonadas à própria sorte, que, no entanto, sorriu para elas e lhes deu uma nova família, onde viveram felizes por certo período de suas vidas.

“Serena era meiga, corajosa e sempre disposta a proteger sua irmã. Já Sooará era astuta, tinha sempre uma resposta na ponta da língua, e vivia em busca de novas aventuras”

Realmente havia algo de diferente naquelas meninas. Quando Sooará ficava irritada, os objetos que estavam perto dela começavam a se mexer e se chocavam contra a parede. E a única coisa capaz de acalmá-la e restituir a ordem ao lugar era sua irmã, Serena.

Enquanto aquilo só ocorria dentro de casa, os pais iam levando. Mas um dia uma dessas cenas se deu no meio do vilarejo e, então, todos passaram a temer aquela família, dizendo que aquelas crianças eram amaldiçoadas.

Mas também não era como se dentro de casa tudo ocorresse às mil maravilhas. Serena e Sooará tinham dois irmãos mais velhos, filhos de sangue dos pais adotivos das meninas. E um desses irmãos adorava provocar Sooará… Até o dia que fúria dela foi imensa.

“Ela olhou para as duas meninas e pensou que, até aquele momento, nunca se arrependera de ter salvo aquelas pobres crianças indefesas. Mas tudo mudara naquele exato instante, quando percebeu que não havia mais chances”

“O canto das sereias” é um conto e, como tal, é de rápida leitura. A história que ele nos traz, porém, é forte e, se quisermos ir além, carrega algumas mensagens importantes. Trata-se de uma narrativa que nos mostra como, apesar de tudo, devemos agir com o coração e ouvir aquilo que ele acha certo a ser feito, ainda que estejamos assumindo um risco; também é uma história que, de certo modo, nos mostra o perigo de fazermos piada com aquilo que é diferente de nós.

E então, ficou com vontade de ler “O canto das sereias”? Então clica aqui.