Tatianices recomenda [5]

Exposição, teatro e livros

Quem conhece São Paulo sabe que esta é uma cidade cheia de oportunidades culturais para todos os gostos e, por isso, decidi trazer para vocês algumas das coisas que aproveitei nos últimos dias (ou que ainda vou aproveitar) e que realmente valeram a pena. E tem dica para todos os bolsos!

A primeira dica é a exposição A biblioteca à noite, que está em cartaz até dia 10 de fevereiro de 2019, no Sesc Paulista. A exposição é gratuita, sendo necessário somente um agendamento prévio.

Essa exposição foi inspirada no livro de mesmo nome do escritor Alberto Manguel. E vou confessar que a exposição me deixou extremamente curiosa para ler essa obra! Mas não é só por isso que recomendo esse passeio cultural: a exposição começa com um cenário lindo e inspirador e, depois, por meio de realidade virtual, podemos conhecer diversas bibliotecas pelo mundo! É um “passeio” extremamente agradável e encantador.

Minha segunda dica é a peça de teatro Doze homens e uma sentença, em cartaz no Teatro da USP (TUSP) até o dia 16/12/2018. Apesar de representar uma cena tipicamente Norte Americana, em uma sala de júri, a peça traz muito do Brasil, com críticas bem interessantes à sociedade.

12 homens estão fechados em uma sala e precisam, de maneira unânime, decidir o destino de um jovem de 16 anos, acusado de matar o próprio pai. Cada um desses homens possui a sua história, seus jeitos e seus motivos para escolher entre “inocente” e “culpado”.

A peça é encenada às quintas, sextas, sábados e domingos e o ingresso custa R$40,00 (inteira) ou R$20,00 (meia) e o pagamento deve ser em dinheiro ou cartão de débito. A duração da peça é de 100 minutos e recomendo que vocês a assistam na primeira fileira (os lugares não são marcados).

Por fim, minha terceira dica é de algo que acontece essa semana e é um evento muito aguardado pelos leitores vorazes: a Festa do Livro da USP, que esse ano chega à sua 20º edição. Cerca de 200 editoras participam desse evento, vendendo seus livros com pelo menos 50% de desconto (sim, cinquanta por cento!). A entrada na festa é gratuita (mas você pode sair falido de lá) e a edição deste ano irá durar 4 dias: de quarta a sábado.

Uma conselho de amiga: veja antes de ir as editoras que vão participar, a localização delas, os livros que estarão disponíveis. Isso pode tornar seu passeio mais rápido e menos estressante e você pode até controlar melhor seus gastos! Para todas esses informações, basta acessar o site do evento: https://paineira.usp.br/festadolivro/?page_id=1089

E vocês o que andam fazendo de bom??

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Citações #18 — Allegro em hip-hop

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Mesmo escrevendo uma resenha imensa, deixei muitas passagens de Allegro em hip-hop de fora. O livro de Babi Dewet, lançado no Brasil em 2018, pela editora Gutenberg, mexeu muito com meu coração.

O fato da música estar sempre presente nas histórias da Babi é algo que me encanta, porque eu sempre achei que essa arte é muito importante em nossas vidas, devido ao fato de mexer com nosso emocional:

“Música tinha esse poder de reviver memórias e sentimentos que às vezes ele só queria ignorar” (p.35)

E a mistura entre música e sentimento, aliás, aparece em diversos momentos do livro:

“Tinha sido machucada recentemente, mas naquele momento ela só conseguia se lembrar do quanto amava Tchaikovsky e tudo de bom que sentia quando ouvia suas melodias” (p.247)

Os sentimentos ganham lugar de destaque nessa história, que traz como protagonista uma jovem com ansiedade.

“Aprender coreografias era fácil perto de entender seus próprios sentimentos” (p.251)

Como eu disse em minha resenha, porém, essa jovem tem a sorte de contar com pessoas incríveis, dispostas a ajudá-la. Uma dessas pessoas é Vitor:

“Vitor sempre aparecia nos piores momentos e estendia a mão para ajudá-la” (p.123)

Confesso que gostei muito dessa passagem por ter me identificado demais com ela. Meu namorado também chama Vi(c)tor e sempre me estendeu a mão nos piores momentos. Bem como nos melhores.

O Vitor de Allegro em hip-hop aliás, me lembrou muito o “meu” Victor e isso me encheu ainda mais de amor por esse livro incrível.

Mas o ponto alto de toda essa história é a lição que fica ao final:

“A vida não era sobre ser a melhor de todas. Era sobre ser feliz” (p.314)

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Juncos ao vento – Grazia Deledda

Título: Juncos ao vento
Original: Canne al vento
Autor: Grazia Deledda
Editora: Carambaia
Páginas: 224
Ano: 2015 (1º edição)
Tradutor: Maria Augusta Mattos

Antes de mergulhar na leitura de Juncos ao vento propriamente dito, nos deparamos com um esclarecedor ensaio escrito por Maria Teresa Arrigoni. Foi ali que descobri o quão importante na literatura italiana foi Grazia Deledda e como nós, brasileiros, pouco sabemos sobre isso.

Grazia Deledda foi a segunda mulher a receber um Nobel de Literatura e foi justamente com Juncos ao Vento que isso ocorreu, em 1926. Não é a toa, também, que Grazia é um dos principais nomes da literatura italiana do século XX. Me pergunto como não estudamos isso nas aulas de literatura italiana da faculdade (eu fiz Letras português e italiano e, portanto, estudei diversos nomes da literatura italiana, mas jamais Grazia Deledda).

É ainda mais espantoso pensarmos que Juncos ao Vento não figura entre leituras obrigatórias de um curso de italiano quando percebemos a sua riqueza: a obra apresenta uma pequena província Sarda — Nuoro — utilizando muito de suas características físicas e culturais para discutir questões humanas. A natureza, aliás, é de extrema importância ao longo de toda a obra, estando sempre muito ligada aos acontecimentos e sentimentos da narrativa.

Além disso, o personagem principal de Juncos ao Vento é um servo negro — Efix —, que desempenha o papel de um sábio, sendo uma figura muito importante para as mulheres da família Pintor, uma família aristocrática em decadência.

O livro narra muitas crises existenciais e apresenta diversas fragilidades humanas, além de apresentar os costumes e lendas de uma sociedade agropastoril da Itália do século XX. Apesar das inúmeras descrições que aparecem ao longo da história, a linguagem é direta, e permeada por um humor amargo e fatalista.

Trata-se, sem dúvidas, de uma narrativa amarga e triste, e a única esperança — à qual nos apegamos devido a Efix — é de que a vidas das senhoras Pintor melhore com a chegada de Giacinto, sobrinho delas, filho da irmã que fugira e que também já morrera. Essa esperança, porém, dura pouco.

Falar desse livro sem falar da edição brasileira dele seria um desperdício, uma vez que a Carambaia preocupou-se com todo o projeto gráfico do mesmo: todo em preto e branco e com um papel leve e uma capa bem maleável, o livro permite uma flexibilidade semelhante à dos juncos que dão nome à história. Além disso, a tiragem dessa edição foi limitada — contando com apenas 1000 exemplares, todos numerados à mão.

Juncos ao Vento não é uma leitura fácil, mas para quem gosta de saborear a verdadeira literatura italiana, aprendendo um pouco mais sobre seus costumes, paisagens e cultura e ainda gosta de leituras que trazem boas reflexões, certamente esta é uma excelente recomendação!

[Nota: não trouxe nenhuma passagem desse livro, porque, infelizmente, fui assaltada no exato dia em que terminei a leitura do mesmo e como levaram minha mochila, fiquei sem meu livro e sem as passagens que eu traria aqui…]

Se interessou pela obra? Compre na Amazon.

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Tatianices recomenda [4]

Hoje trago algumas recomendações de livros que li, relacionados ao tema do Holocausto. E claro que eu não poderia deixar de começar essa lista com O diário de Anne Frank, que me introduziu neste universo.

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[O diário de Anne Frank – Anne Frank – R$14,30 na Amazon]

“É a história real de uma garota judia de 13 anos que ficou escondida com a família durante a ocupação nazista da Holanda. O nome dela era Annelies Marie Frank, nasceu em 12 de junho de 1929 em Frankfurt, na Alemanha, e morreu em um campo de concentração, pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Foi escondida, no último andar de um prédio, que Anne Frank escreveu durante mais de 2 anos em dos registros mais detalhados do dia a dia daquela faze em que os nazistas, liderados por Hitler, espalharam o horror entre seus perseguidos”

Depois de Anne Frank li A mala de Hana — bem diferente do primeiro — mas que também recomendo!

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[A mala de Hana – Karen Levine – R$32,97 na Amazon]

“A Mala de Hana é um retrato singelo, mas mostra como era cruel a vida das crianças submetidas ao Holocausto. A história se desenrola em três continentes durante um período de quase setenta anos. Envolve a experiência da garotinha Hana e de sua família na Tchecoslováquia (atual República Tcheca), nas décadas de 1930 e 1940, uma jovem e um grupo de crianças em Tóquio, no Japão, e um homem em Toronto, no Canadá, nos dias de hoje. Um relato que vai sensibilizar a todos para que horrores semelhantes aos que atingiram Hana e outros inocentes nunca voltem a acontecer”

Também recomendo O menino do pijama listrado (outro clássico sobre o tema).

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[O menino do pijama listrado – John Boyne – R$34,30 na Amazon]

“Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus.Também não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel,um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. “O Menino do Pijama Listrado” é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável”

Agora um dos livros que mais recomendo e que mais me marcaram e que, por isso, eu não poderia deixar de mencionar: É isto um homem?

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[É isto um homem? – Primo Levi – R$19,90 na Amazon]

“Neste clássico da literatura contemporânea, Primo Levi dá um testemunho pungente de uma tragédia que afetou milhões de pessoas. Considerado o mais belo livro já escrito sobre a existência massacrada dos judeus deportados, É isto um homem? Não é, no entanto, um relato carregado de ódio e vingança. Desprovidos de saúde, os judeus nos campos de extermínio dificilmente poderiam ser identificados com os homens que eram antes da tragédia. Muito menos seus algozes sem rosto, senhores de escravos, mas sem vontade própria, num campo de morte onde ela, afinal, era o menor dos males”

Por fim, recomendo também Os bebês de Auschwitz, que vai cruzando a história de 3 mães que passaram pelos campos de concentração.

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[Os bebês de Auschwitz – Wendy Holden – R$21,90 na Amazon]

“Três mulheres grávidas. Três casais rezando por um futuro melhor. Três bebês nascidos com poucas semanas de diferença, em circunstancias inimagináveis. No momento em que nascem, pesando menos de um quilo e meio, suas mãos são “esqueletos humanos”, vivendo com podem no campo de concentração. De alguma forma, as três mulheres conseguem sobreviver. Contrariando todas as probabilidades, seus filhos também sobrevivem. Setenta anos depois, esses irmãos de coração se encontram pela primeira vez para contar a incrível história das mulheres que desafiaram a morte para trazê-los à vida. Três bebês de Auschwitz”

Sei que existem muitos outros livros sobre o tema, alguns inclusive constam na minha lista de desejados. Me interesso pelo assunto para tentar entender o que houve e aprender sempre mais sobre a história do mundo em que vivemos.

E vocês, o que já leram sobre os campos de concentração e o Holocausto? Quais recomendam?

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Citações #17 — Os quase completos

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Se vocês acham que a resenha de Os quase completos ficou longa, saiba que ainda deixei diversas citações de fora! O livro foi escrito por Felippe Barbosa e foi publicado em 2018, pela editora Arqueiro.

Como eu comentei em minha resenha, trata-se de um livro que fala muito sobre buscarmos nossos sonhos e nossa felicidade:

“-Bom, cada um de nós deve seguir o próprio caminho. Encontrar o próprio… País das Maravilhas”. (p.34)

E é sempre bom lembrarmos que as coisas boas da vida [alerta de clichê] nem sempre são coisas, mas podem ser pessoas! Porque é no contato humano que a gente aprende, evolui, sente:

“Há sempre pessoas em nossa vida que nos surpreendem” (p.157)

E por falar em pessoas e sentimentos, uma passagem que traz muito do que o meu namorado costuma dizer também:

“Amar alguém é demonstrar carinho, preocupação e apoio. É colocar as necessidades alheias acima das nossas” (p.244)

Como Os quase completos fala tanto sobre vida, não poderia deixar de falar sobre morte também:

“A morte é a maior certeza que nos cerca e, ao mesmo tempo, a incerteza que mais grandiosamente nos assombra” (p.199)

Mas a maior lição que fica desse livro é a de que precisamos nos conhecer e lutar contra os nossos próprios fantasmas e medos para que possamos ter uma vida saudável:

” -É engraçado descobrir que você pode ser seu pior inimigo, não é?” (p.296)

Ficou com vontade de ler esse livro? Compre na Amazon.

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Allegro em hip-hop – Babi Dewet

Título: Allegro em hip-hop
Autor: Babi Dewet
Editora: Gutenberg
Páginas: 334
Ano: 2018

(Leia ao som de: As quatro estações – Vivaldi)

A série Cidade da Música se passa no Conservatório Margareth Vilela, mas como cada volume conta a história de um personagem diferente, podemos ler os livros na ordem que quisermos. Eu gostei muito de Sonata em punk rock e estava bem ansiosa para Allegro em hip-hop. Ansiedade, aliás, é um elemento muito importante nessa história.

Camila Takahashi — mais conhecida por Mila — é uma jovem bailarina descendente de asiáticos e que sempre deu duro, seja pela cobrança familiar, seja pelo fato de que o ballet era sua maior paixão. Por seu esforço e seu talento, consegue uma bolsa para estudar na Margareth Vilela, um renomado conservatório de música que abriu também um curso de ballet, para que os músicos pudessem tocar para os bailarinos.

“Mila tinha nascido para ser a melhor e não seria nada menos que isso”

Allegro em hip-hop (p.12)

Apesar de se exercitar diariamente e se alimentar de maneira relativamente balanceada, Mila não levava uma vida realmente saudável: ela treinava noite e dia, até não aguentar mais, e mesmo exausta treinava mais um pouco. Ela se cobrava de maneira assustadora e não tirava nenhum tempinho para conhecer um pouco mais sobre si mesma. Ao menos não até que tanta coisa começasse a acontecer em sua vida que ela se viu obrigada a refletir um pouquinho sobre seus sentimentos. E é lindo ver como essa personagem amadurece ao longo do livro.

“Ela não fazia ideia de por que discussões e gritaria sempre a deixavam com a sensação de que estava fazendo algo errado, mesmo que o problema não fosse com ela”

Allegro em hip-hop (p.21)

Ao longo da história vamos acompanhado a progressão dos sintomas da ansiedade de Mila, que passa a ter de compreender o que acontece consigo mesma para poder superar seus próprios obstáculos. O mais interessante deste livro, porém, não é somente o fato de termos uma protagonista com ansiedade (e descendente de asiáticos, ainda por cima), mas também o fato de que ele nos mostra o quanto há pessoas ao nosso redor que estão dispostas a nos ajudar.

Mila, por exemplo, tem uma melhor amiga no Conservatório, chamada Clara. Elas são muito diferentes entre si, em inúmeros aspectos, inclusive na questão familiar: enquanto a família de Camila é extremamente conservadora e tradicional, Clara tem duas mães que, segundo as personagens, são incríveis.

“Sorriu pensando no quanto ela e Clara eram diferentes e como se gostavam mesmo assim”

Allegro em hip-hop (p.50)

É nos corredores da Margareth Vilela que Mila conhece, também, Vitor, um violinista ruivo extremamente paciente, simpático, atrapalhado e compreensível.

“Alguma coisa nele trazia uma sensação reconfortante, como o sentimento de voltar para casa”

Allegro em hip-hop (p.34)

Apesar do romance que se instala entre eles, fazendo Mila repensar diversos aspectos de sua vida, percebemos que esse não é o foco dessa história e que Vitor poderia até aparecer como um simples amigo. A presença dele, no entanto é indispensável, pois é ele quem faz o elo entre o ballet de Mila e o hip-hop de seus amigos músicos.

“O compasso era em Allegro, um andamento musical leve, ligeiro e animado, que normalmente é interpretado com movimentos coreográficos mais rápidos e agitados”

Allegro em hip-hop (p.203)

Mila ainda conta, ao longo do livro, com o apoio do Clube da Diversidade, que faz com que ela enxergue a importância de lutar pelo respeito às minorias e combater os preconceitos cotidianos. Muitos outros personagens também lhe estendem a mão, assim como ela busca sempre fazer o bem aos que estão perto dela. Allegro em hip-hop, portanto, também nos fala muito sobre empatia, como não poderia deixar de ser.

“Era engraçado como a força podia vir de pessoas que nem conhecia ou de pequenos momentos ou detalhes”

Allegro em hip hop (p.116)

Outro ponto interessante da história de Allegro em hip-hop é que apesar de se passar numa escola fictícia, em que convivem apenas músicos e bailarinos, trata-se de uma realidade que podemos encontrar facilmente fora das páginas desse livro. Todos os personagens ali são extremamente palpáveis, cheio de sonhos, sentimentos, medos, vontades. Mas ao colocar tudo isso em um Conservatório, Babi Dewet nos permite conhecer mais a fundo, também, as dificuldades que bailarinos e músicos encontram em sua formação e carreira.

“Aquela velha história de que bailarinas eram pessoas boazinhas e altruístas não era totalmente verdade. Elas eram guerreiras e batalhadoras, que buscavam seu lugar ao sol e deixavam sua marca em uma comunidade disputada por ótimos artistas”

Allegro em hip-hop (p.59)

A única coisa que não me pareceu muito real ou que não entendi muito bem ao longo da história foi o fato dos personagens mostrarem a língua um pro outro o tempo todo! A gente faz isso na vida real em todos aqueles contextos???

A narrativa de Allegro em hip-hop é em terceira pessoa e a maioria dos capítulos, claro, são centrados em Mila, mas há alguns mais voltados para Vitor também. Além disso, podemos encontrar, também, diversos diálogos e mensagens de texto trocados entre os personagens. E claro, não poderia deixar de mencionar que cada capítulo traz como “título” uma música diferente.

Eu poderia passar horas e horas falando sobre esse livro, que realmente me fisgou, mas vou parar por aqui com o pedido de que leiam essa belezura. Quando terminei de ler eu não sabia como reagir. O final da história deixa um enorme gosto de quero/preciso de mais. É um final bem aberto, mas ao mesmo tempo, perfeito para o caminhar da narrativa.

Recomendo muito para quem ama ballet e música; para quem quer compreender melhor aqueles que sofrem de ansiedade; para quem quer um livro que apresenta e representa com responsabilidade minorias; para quem, em resumo, quer ler uma boa história, leve e, ao mesmo tempo, profunda.

Adquira seu Allegro em hip-hop por R$28,90 na Amazon

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Tatianices recomenda [3]

Hoje trago a recomendação de duas histórias em quadrinhos que vocês não podem deixar de ler. Todo mundo que já leu, amou (eu inclusive). Vamos conferir?

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[Persépolis – Marjane Satrapi – R$43,90, na Amazon]
 Sinopse:

Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita – apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama – e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

 

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[Maus – Art Spiegelman – R$47,90, na Amazon]
Sinopse:

Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas – história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.

Vocês já leram algum desses livros? O que acharam?

Eu li “Maus” mais de uma vez e sou bem suspeita pra falar desse livro, pois me interesso muito por histórias sobre o Holocausto. Mas não vou negar que aprendi demais com “Persépolis” e sempre fico feliz com o interessa das pessoas por essa história.

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Citações #16 — I pesci non chiudono gli occhi

Ao escrever minha resenha do livro I pesci non chiudono gli occhi, de Erri de Luca, acabei deixando muitas citações de lado. Vamos conferi-las agora?

“Eu acredito naquilo que vejo escrito” (p.33)

Algo escrito realmente tem muito mais força do que algo falado, no sentido de ficar gravado na mente das pessoas. Mas nem sempre tudo o que está no papel (ou nas telas) é tão verdadeiro assim…

“Aquele menino de dez anos continua até hoje inalcançável para mim. Eu posso descreve-lo, mas não o posso conhecer” (p.55)

Essa é uma citação que diz muito sobre a história, sobre o narrador, sobre o que passa(va) dentro dele. Mas também é algo que diz muito sobre nós mesmos, que nunca paramos para efetivamente refletir sobre nós.

Uma citação que eu não poderia deixar de fora, por achar a minha cara, é essa aqui:

“Amavam-se, aqueles dois, davam-se livros de presentes” (p.71)

Eu dou livro de presente mesmo, por sentir que eles são capazes de nos transformar! E claro que também amo receber livros de presente. Já comentei aqui no blog sobre alguns que dei e recebi.

“Para aqueles que têm o torto desejo de jamais ter existido, resta o cargo de fantasma” (p.72)

Sobre essa citação, fico pensando sobre pessoas que de tão tímidas preferiam ser invisíveis, já que a inexistência não é exatamente uma opção. Ou então aquelas pessoas que acham que não fazem/conseguem fazer nada que possa parecer transformador, e que acabam por sentir que vivem num eterno e silencioso anonimato, quando, na realidade elas podem fazer uma enorme diferença na vida de alguém próxima a elas.

Por fim, uma citação que para alguém que ama estudar línguas, não poderia ser deixada de lado:

“A língua é a última propriedade de quem parte para sempre, e ela não voltou mais à sua terra” (p.73)

Podemos ser imigrantes ou refugiados, mas a nossa primeira língua, aquela que aprendemos na infância, que crescemos escutando, levaremos para sempre conosco.

E por fim, para quem quiser acompanhar as citações no original, aqui estão elas:

“Io credo a quello che trovo scritto” (p.33)

“Quel bambino di dieci anni resta oggi al di fuori della mia portata. Lo posso scrivere, conoscere no” (p.55)

“Si amavano, quei due, si regalavano libri” (p.71)

“Per chi ha lo storpio impulso di non esserci mai stato, resta il mestiere di fantasma” (p.72)

“La lingua è l’ultima proprietà di chi parte per sempre e lei non tornò più nella sua terra” (p.73)

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O andar do bêbado – Leonard Mlodinow

Título: O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas
Original: The Drunkard's Walk (How Randomness Rules Our Lives) 
Autor: Leonard Mlodinow 
Editora: Zahar
Páginas: 322
Ano: 2011 
Tradução: Diego Alfaro

O andar do bêbado, como definido por Stephen Hawking, é “um guia maravilhoso e acessível sobre como o aleatório afeta nossas vidas”. Ao longo de 283 páginas, Leonard Mlodinow nos apresenta de maneira clara e com exemplos palpáveis noções de probabilidade e ele faz isso para conseguir explicar como não estamos no controle do nosso futuro e como pequenos acontecimentos podem nos afetar.

O escritor esclarece ainda:

“O título O andar do bêbado vem de uma analogia que descreve o movimento aleatório, como os trajetos seguidos por moléculas ao flutuarem pelo espaço, chocando-se incessantemente com suas moléculas irmãs”

O andar do bêbado (pg. 10)

O livro está dividido em dez capítulos: o primeiro é uma introdução à obra; do segundo ao sétimo capítulo temos as noções de probabilidade e estatística, entrecortadas por exemplos e causos contados pelo autor; por fim, nos capítulos oito a dez são apresentadas as aplicações e implicações reais destes conceitos em nossas vidas.

“Neste livro examinamos muitos dos conceitos que nos ajudam a compreender os fenômenos aleatórios. Ao longo do caminho, adquirimos percepções sobre diversas situações específicas que se apresentam em nossas vidas”

O andar do bêbado (pg. 249)

Ainda que as explicações sejam acessíveis, é preciso ter interesse no assunto para realmente se deliciar com este livro. Recomendo, portanto, principalmente para aqueles que não sabem muito bem por onde começar a ler sobre probabilidade. Mas, para além dessas noções, o livro apresenta também vários fatos históricos e curiosidades do mundo.

Com certeza não é um leitura fácil ou fluída. Mas ler com calma poderá te abrir novos horizontes. Como livro, portanto, O andar do bêbado cumpre muito bem o seu papel.

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Citações #15 — La sposa giovane

Hoje trarei a vocês apenas mais 2 citações do livro La Sposa giovane, escrito por Alessandro Baricco e publicado pela editora Universale Economica Feltrinelli em 2016. Como trata-se de um livro em italiano, vou aproveitar para colocar também o original aqui, ao final do post.

“A infelicidade rouba tempo ao prazer, e no prazer se constrói a prosperidade” (p.27).

É muito doido como, de repente, as coisas passam a fazer sentido, não é mesmo? Pensem nas pessoas que vocês conhecem e que, pelos rumos da vida, dedicam-se a uma atividade que não é aquela que elas queriam. Imagine essa mesma pessoa trabalhando no que gosta. Ela poderia até receber menos, mas estaria muito mais feliz. Muito mais satisfeita consigo mesma. E teria muito mais força para realizar tantas outras coisas em sua vida.

Essa citação aí de cima, para mim, tem muito a ver com saúde mental. E com sentir. O que nos leva à segunda citação de hoje:

“- Sentir é muito pouco, minha querida.

– Mas às vezes é tudo, senhor” (p.142)

Essa é uma passagem que, na história, tem mais a ver com a questão da intuição. Mas podemos ampliar para os sentimentos como um todo. Viver vazio de sentimento não é viver, assim como arrastar-se em uma vida infeliz.

E pensando nisso tudo, eu gostaria de dizer mais uma coisa também: lute ao lado daqueles que você ama. Ajude-os a realizar os seus sonhos, independentemente do tamanho deles. Essa é a melhor maneira de ver cada um prosperar e viver em paz. E é apenas isso que queremos para quem nos faz bem, não?

Para encerrar, como prometido, as citações originais:

“L’infelicità ruba tempo alla gioia, e nella gioia si costruisce prosperità” (p.27)

“- Sentire è un po’ poco, cara.

– Ma alle volte è tutto, signore” (p.142)