Meu menino vadio – Luiz Fernando Vianna

Título: Meu menino vadio - histórias de um garoto autista e seu pai estranho 
Autor: Luiz Fernando Vianna
Editora: Intrínseca
Páginas: 205
Ano: 2017 (1º edição)

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O primeiro livro que li sobre autismo foi O que me faz pular (Naoki Higashida) e, a partir daí, passei a me interessar muito pelo assunto. E se menciono isso agora é porque este livro também é citado em Meu menino vadio, escrito por Luiz Fernando Vianna, pai de Henrique, um jovem autista: 

“Sei que há quem me veja, antes de tudo, como pai de autista. É um personagem que não me incomoda, mas no qual nem sempre me reconheço”

Meu menino vadio (p.18)

Se ter um filho autista já é complicado por si só, para Luiz Fernando Vianna a situação era ainda mais difícil: fruto de um relacionamento conturbado, Henrique cresceu no meio de um fogo cruzado e acabou sendo levado por sua mãe e seu padrasto para a Austrália. O autor do livro lutou para que seu filho continuasse a morar no Brasil, mas o resultado foi apenas mais um imenso desgaste.

“A justiça brasileira não é para principiantes”

Meu menino vadio (p.13)

Depois de anos vivendo na Austrália, a família de Henrique muda-se novamente, mas dessa vez para os Estados Unidos. Neste ponto da vida do jovem, outra grande mudança acontece também: se antes ele apenas passava as férias com o pai, no Brasil, agora ele começaria a passar um ano com cada um de seus pais. Sim, isso mesmo: um ano no Brasil, um ano nos Estados Unidos. Se para qualquer ser humano isso já é extremamente complicado, imagina para um menino com autismo.

Os capítulos de Meu menino vadio são curtos e escritos numa linguagem fácil de ler. A história, por sua vez, é capaz de despertar diversos sentimentos em nós, além de ser um texto atual e que nos faz refletir sobre o modo como agimos também.

“Não guardamos segredos, mas gritamos. Não registramos na memória, mas fotografamos. Não refletimos, mas opinamos”

Meu menino vadio (p.115)

Vianna também consegue mesclar muito bem seus perrengues, as dificuldades do filho, informações importantes e estudos sobre autismo, tornando o livro extremamente informativo e, ao mesmo tempo, gostoso de ler.

Outro ponto interessante do livro é que os títulos de todos os capítulos possuem inspiração musical, nos aproximando ainda mais do autor da obra. Ao final do livro, podemos encontrar uma lista das músicas que serviram de inspiração.

Eu acabei adiando e adiando essa resenha e, no final das contas, ela veio parar em abril, mês da conscientização sobre o autismo. Além desse post, em breve farei mais um sobre o tema, não perca!

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O demônio do campanário – Michelle Pereira

Título: O demônio no campanário
Autor: Michelle Pereira
Editora: Independente
Páginas: 285
Ano: 2017 (1º edição)

I am a tree Strong limbed and deeply rooted My fruit is bittersweet I am your mother

Antes de dizer qualquer coisa sobre O demônio no campanário eu preciso pedir que vocês não tenham preconceito com o título: a história não é aterrorizante. Aliás, eu quase me vi torcendo pelo tal demônio, coisa que eu jamais esperaria/imaginaria dizer.

De um lado temos Evangeline Lions — ou Eva — uma jovem de 17 anos que estuda em um bom colégio e tem amigos que são quase como irmãos, além de pertencer a uma rica família. Mas, como sempre, dinheiro não é felicidade: o pai de Evangeline quase nunca está em casa, e quando está, vive brigando com a esposa, até que um dia eles resolvem se separar e a vida de Eva vira de cabeça para baixo.

“Senti raiva da minha mãe por me condenar a viver confinada neste lugar, enquanto ela aproveitava o dinheiro do divórcio com meu pai no litoral de algum país exótico”

Eva vivia com a mãe até que esta, após a separação, decide aproveitar a vida e, para isso, envia Eva para o colégio interno do Convento Senhora das Dores.

“Fiquei pensando em todas as coisas que deixei para trás. Meu quarto, meus pertences, minha casa, meus amigos…”

É muito doido pensar que essa história se passa na atualidade. Acho que não estou acostumada a pensar em meninas indo estudar em conventos. Do lado do convento Senhora das Dores ainda tem um monastério, onde diversos meninos estudam. E isso traz boa parte do romance de O demônio no campanário, porque, no final das contas, as meninas do convento se relacionam com os rapazes do monastério, uma vez que existem ocasiões em que eles se encontram, como a missa dominical, ou as gincanas esportivas que ocorrem aos sábados . Uma loucura!

“Estudar em um convento dá a falsa impressão de rigidez e punição”

Loucura maior, porém, é pensar que na torre do sino da igreja — ou seja, no campanário — mora um demônio.

“Dizem as más língua que muitos anos atrás, sei lá, talvez na década de 50, um demônio começou a rondar o Convento em busca de almas para corromper e acabou instalando-se no campanário”

Eron, o demônio, precisa se alimentar do sangue de jovens virgens para sobreviver. Ele é um íncubo, que é um tipo de demônio que entra no sonho das pessoas a fim de atraí-las para si. Eu nem sabia que essa categoria de demônio existia de verdade (não que eu conheça categorias de demônio), mas Michelle realmente fez um trabalho e tanto, pensando em cada detalhe da história!

“Ele era um íncubo, como eu, um demônio que se alimenta das paixões humanas”

E por falar em detalhes, Michelle descreve os personagens de maneira que conseguimos visualizá-los em nossa mente, o que achei incrível.

Mas, voltando à história, Eva chega ao convento triste e revoltada com tudo o que perdera, mas ali ela faz novas amizades e vive uma infinidade de coisas, inclusive se apaixonando. Duas vezes.

“Eu queria tudo de volta. Mas a vida muda. E nós mudamos com ela”

Joan, Cristal e Carol são as novas amigas de Eva. Juntas, elas vivem as diversas aventuras que o convento lhes propicia. E, apesar do local sagrado, há espaço para inimizades também, e não estou nem falando da presença de Eron aqui!

“Mas, afinal, quem sou eu para julgá-los? Sou um demônio instalado no campanário de uma casa de Deus, pronto para deflorar a primeira virgem que passar por mim”

A narrativa de O demônio no campanário vai se alternando entre Eva e Eron, mas alguns outros personagens também ganham voz ao longo do livro, em capítulos surpreendentes. Em meio a essa narrativa alternada, vamos acompanhando as tentativas de Eron em atrair Eva, enquanto vamos descobrindo os sentimentos e os altos e baixos de Eva sob o ponto de vista dessa garota que, aos 17 anos de idade se vê obrigada a se adaptar a uma nova vida.

“Sempre tive uma dificuldade imensa em me sentir bem em meio a um mar de gente desconhecida”

Quando eu digo que quase me vi torcendo por Eron é porque ele também tem as inimizades dele e sua única chance de liberdade é conquistar Eva. Por outro lado, ele é um demônio!! Sem contar que Eva conhece um dos jovens do monastério que merece uma chance, muito mais que Eron…

Eu realmente me surpreendi (positivamente) com essa história. Quando terminei de ler, depois de devorar os últimos capítulos até saber como tudo acabaria, eu ainda fiquei com os personagens na cabeça por dias e dias. Eu sentia vontade de continuar acompanhando os passos de Eva e suas amigas — ainda que Joan e Carol fossem muito fofoqueiras —, queria saber mais sobre o que vinha depois, sobre como as coisas poderiam prosseguir depois de tantos acontecimentos marcantes.

O demônio no campanário é uma leitura que nos prende por ter mistérios na medida certa, adrenalina e romance, além de falar sobre amizade. Fora que, sendo o íncubo um demônio capaz de adentrar nossas mentes e manipular nossos pensamentos, fiquei refletindo sobre o quanto não seria isso uma metáfora para nossos próprios medos e inseguranças. Uma leitura que eu realmente indico e que, repito, não irá te deixar apavorado (a) e que, portanto, você pode ler tranquilo (a).

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Ensinando a transgredir – bell hooks

Título: Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade
Original: Teaching to transgress
Autor: bell hooks
Editora: WMF Martins Fontes
Páginas: 283
Ano: 2017 (2º edição)
Tradução: Marcelo Brandão Cipolla

O livro Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade, escrito por bell hooks, é um livro de ensaios tanto para alunos quanto professores. Isso porque a autora fala sobre o tema apresentando tanto suas reflexões, quanto suas vivências com os mais diversos alunos e espaços de ensino.

“Com estes ensaios somo minha voz ao apelo coletivo pela renovação e pelo rejuvenescimento de nossas práticas de ensino”

Ensinando a transgredir (p.23)

Antes de falar sobre a obra, porém, gostaria de falar um pouco mais sobre a autora. Isso porque vocês talvez estejam se perguntando porque estou escrevendo o nome dela com iniciais minúsculas. Em primeiro lugar, trata-se de um pseudônimo: bell hooks é, na verdade, Gloria Jean Watkins. Mas se escrevo esse pseudônimo em letras minúsculas é porque está escrito assim na capa do livro. Intrigada com isso fui pesquisar e descobri que a autora faz isso para valorizar o conteúdo de suas obras e não a pessoa que as escreve.

“A sala de aula não é lugar para estrelas; é um lugar de aprendizado”

Ensinando a transgredir (p.216)

Para além desse curioso fato, bell hooks é uma escritora e professora universitária norte-americana nascida na zona rural do sul dos EUA. Se destaco esses elementos da biografia da autora é porque eles nos ajudam a compreender essa obra. Ela estudou em escolas públicas para negros, por ter crescido em uma época em que ainda havia segregação racial. Na adolescência, passou a estudar em escolas mistas e sentiu a discriminação com intensidade.

“Cheguei à teoria porque estava machucada — a dor dentro de mim era tão intensa que eu não conseguiria continuar vivendo”

Ensinando a transgredir (p.83)

A despeito de ser mulher, negra, pertencente à classe trabalhadora (assim denominada por seus conterrâneos), bell hooks prosseguiu seus estudos até o fim, tornando-se professora universitária, contrariando inclusive suas próprias expectativas.

“Eu tinha medo de ficar presa na academia para sempre”

Ensinando a transgredir (p.9)

O livro possui 14 capítulos, além de contar com uma interessante introdução. Os textos são bem diferentes uns dos outros e há dois capítulos em que há uma espécie de diálogo.

“A voz engajada não pode ser fixa e absoluta”

Ensinando a transgredir (p.22)

No primeiro desses capítulos em forma de diálogo, bell hooks dialoga consigo mesma. Mas esse capítulo merece destaque por outro motivo também: ele fala sobre Paulo Freire. Sim, o “nosso” Paulo Freire! Para bell hooks esse teórico é de grande importância em sua jornada, tendo sido uma enorme inspiração e salvação para a autora. Ainda assim, ela consegue analisar a obra de Paulo Freire de maneira crítica, o que torna esse capítulo ainda mais interessante.

O segundo “diálogo” do livro aparece somente no décimo capítulo, e se dá entre bell hooks e Ron Scapp. O título do capítulo é “A construção de uma comunidade pedagógica” e é delicioso de ler, pois dá para perceber que há muita química entre o pensamento deles.

“Queria incluir aqui esse diálogo porque ocupamos posições diferentes”

Ensinando a transgredir (p.176)

Em Ensinando a transgredir, bell hooks fala sobre muitas temáticas — como o a necessidade da pedagogia engajada, o multiculturalismo em sala de aula, a necessidade da teoria e o valor da prática, a experiência, a importância da língua, a primordialidade de levarmos em consideração que um professor não é somente uma mente, mas um corpo na sala de aula — mas, certamente, os temas que mais ganham espaço nessa obra são o feminismo e a questão negra. Ou, melhor ainda, o feminismo negro. Eu, que nada sei sobre o assunto, pude me beneficiar imensamente dessa leitura, mas confesso que me deliciei ainda mais com todas as reflexões sobre o ensino — e o ensino como prática da liberdade — presentes nessa obra.

“A educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender”

Ensinando a transgredir (p.25)

Ensinando a transgredir é uma leitura que eu sem dúvidas recomendo. Seja para professores que ainda têm medo/dúvidas sobre como ensinar de maneira transformadora/sensível/aberta, seja para alunos que estão acostumados demais a um ensino quadrado e pouco reflexivo. A primeira edição (em português) dessa obra é de 2013 e, no entanto, li como se tivesse sido escrita ontem. Um livro necessário em tempos de crise (na educação e no mundo).

O cão que guarda as estrelas – Takashi Murakami

Título: O cão que guarda as estrelas
Original: Hoshi Mamoru Inu
Autor: Takashi Murakami
Editora: JBC
Páginas: 124
Ano: 2014
Tradução: Denis Kei Kimura

Quem acompanha esse blog sabe que essa é a primeira resenha que faço de um mangá. Isso porque não costumo ler mangás. Porém, ganhei esse do meu namorado e me aventurei nesse universo literário.

Antes que vocês se perguntem por que meu namorado meu deu um mangá se eu não costumo ler mangás, posso adiantar algumas coisas: em primeiro lugar a capa. Girassóis são importantes para nós; em segundo lugar, nunca é tarde para ler algo diferente, não é mesmo? Fora isso, ele descobriu depois o significado do título e concordamos que é lindo. Segundo a explicação da propria epígrafe do livro:

“Hoshi mamoru inu”: em tradução literal, o cão que guarda as estrelas. É uma expressão japonesa usada para descrever uma pessoa que quer algo impossível. A origem vem da imagem do cachorro que fica olhando o céu como se desejasse a estrela”

Este mangá encontra-se divido em 4 partes, além de ter um posfácio. Ele é narrado por um cachorro que vai contando sua vida ao lado, em primeiro lugar, de sua família: Miku — uma garotinha —, papai e mamãe (é assim que Happy, o cachorro, os chama).

“Quando as coisas vão mudando aos poucos, depois de alguns anos, acabam mudando bastante”

O cão que guarda as estrelas (p.16)

Um belo dia, porém, mamãe  decide se separar de papai, que passa a viver com praticamente nada. Ele perde seu lar, sua família e muitos pertences. As poucas coisas de valor que lhe restam são Happy e seu carro, que eles utilizam para empreender uma longa viagem.

“Às vezes as pessoas culpam os outros pelos seus fracassos para se sentirem melhor”

O cão que guarda as estrelas (p.42)

É essa viagem que acompanhamos até o final da terceira parte desse mangá, chegando ao desfecho da história de Happy e papai. Lado a lado eles vão atravessando o Japão, até que, sem dinheiro e sem documentos, passam a viver definitivamente no carro.

“Não estou triste porque ele roubou meu dinheiro, mas sim porque ele não consegue mais confiar nos outros”

O cão que guarda as estrelas (p.39)

A quarta parte conta uma outra história, que, no entanto, se cruza com a história de papai Happy. E essas histórias se cruzam justamente no ponto em que termina a história de nossos protagonistas.

Por ser um mangá, li a história rapidamente. Não posso negar, contudo, que me emocionei bastante. É uma narrativa cheia de altos e baixos e muito sentimentalismo. E uma história que fala, acima de tudo, sobre sonhos, como já indicava o título.

“Você deseja, deseja e mesmo assim não consegue realizar. Mas é por isso que continua sonhando”

O cão que guarda as estrelas (p.121)
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Quando a neve cair – Cínthia Sampaio

Título: Quando a neve cair
Autor: Cínthia Sampaio
Editora: independente
Páginas: 399
Ano: 2019 (1º edição)

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(para ler ao som de Gostava tanto de você)

Quando a neve cair é um romance e tanto. E o melhor: não é nada previsível! Em diversos momentos da leitura eu pensava “agora vai acontecer isso” ou “fulano vai aparecer agora”, mas acontecia algo totalmente inesperado ou aparecia quem eu nem imaginava que apareceria. Fora que a personagem principal parece ter uma raiva — ainda que muito bem justificada — que não é comum em mocinhas de tantos romances que vemos por aí. Os sentimentos transbordam nesse livro.

“Era um alívio não sentir raiva, dor, tristeza e solidão”

Maria Luíza — a narradora protagonista — é uma jovem que nasceu e cresceu em Nova Aliança, uma pequena cidade. Luíza (como é chamada a personagem ao longo da história), apesar de ter crescido em meio a uma sociedade conservadora e até mesmo retrógrada, tem o sonho de viajar, conhecer novas culturas e pessoas.

“Na cidade que nasci, sonhar era praticamente pecado, e eu, a louca que queria mudar as regras de tudo”

Luíza tinha uma vida pacata, rodeada de amigos queridos. Amanda era sua melhor amiga desde sempre e a implicância de Arthur, irmão mais velho de Amanda, com Luíza se transformou em um amor e tanto, um relacionamento que todos acreditavam que daria em casamento. Mas, nem tudo são flores…

Luíza ganha da tia um intercâmbio para a França. Seis meses em que seu sonho se tornaria realidade. Quando vai contar a novidade para Arthur, porém, tudo começa a ruir. O relacionamento dos sonhos termina ali.

“Eu não poderia culpá-lo por uma decisão minha. Mas ele aceitou tão facilmente, como se não importasse, como se me perder não significasse nada”

Luíza viaja arrasada para a França. Arthur terminou com ela sem deixar que ela explicasse coisa alguma. Afinal, seriam apenas seis meses afastados, mas conversando todos os dias. Por que um término tão abrupto?

E o pior: ao chegar na França, Luíza descobre que todos os seus amigos lhe viraram as costas. Com isso, aqueles seis meses iniciais viram 5 anos na França. Sozinha, amargurada, mas ao mesmo tempo crescendo e construindo uma nova vida.

“Arthur rompeu qualquer ligação existente entre nós e me deixou do lado de fora da muralha que ele havia criado para separar qualquer pessoa que pudesse afetá-lo”

Quantas coisas podem acontecer em cinco anos? É isso que Luíza irá descobrir quando retornar para Nova Aliança, para as Bodas de Prata de seus pais. E é nesse ponto que realmente começa a história que acompanhamos ao longo do incrível Quando a neve cair.

“O mundo enorme não me assustava, mas ter que enfrentar as pessoas que deixei para trás me fazia tremer de medo”

Como Nova Aliança era uma cidade pequena e Luíza passaria cerca de um mês lá, obviamente ela reencontraria seus velhos amigos.

“Sentia que nada mais poderia ser como antes”

Uma das primeiras pessoas que Luíza encontra é, sem dúvidas, Amanda. E é através das conversas delas e dos demais personagens que aos poucos vão aparecendo, que podemos reconstruir o que aconteceu nos cinco anos em que Luíza esteve distante de Nova Aliança. Amanda faz de tudo para reaproximar todos (ou quase todos) e, assim, vamos conhecendo Angélica, Rômulo, Suzana, Felipe, Melissa, Eric… Enfim, cada pessoa que fez parte da vida de Luíza. E claro, temos a oportunidade de conhecer melhor Arthur.

“Eles esqueceram o significado da palavra ‘amizade’ quando me deixaram de lado sem nenhuma explicação”

Por vezes, pode ser que o leitor tenha vontade de bater nesse mocinho, mas a verdade é que achei Arthur um personagem bem coerente, agindo de acordo com seus medos e sentimentos. Quem merece apanhar na história é outra personagem… (mas só lendo para descobrir!).

Para mim, além de todas as emoções despertadas, ler Quando a neve cair também foi interessante por conta desse dilema de Luíza ter passado tanto tempo fora e ter de redescobrir seu antigo mundo. Confesso que sempre tive certo receio de intercâmbio pelo medo de perder coisas importantes em seis meses. Imagina se esses seis meses se multiplicam, tornando-se cinco anos, ainda mais quando ninguém mais fala contigo realmente! É assustador e eu não queria estar na pele de Luíza.

“Se nem eu era como antes, por que queria que um lugar fosse?”

Agora, se vocês querem saber “se” e “como” Luíza e Arthur se entendem novamente, só lendo o livro. E garanto que vocês não vão se arrepender. Eu recomendo muito Quando a neve cair para todos que buscam uma leitura intensa, mas fácil; surpreendente e linda. É um livro perfeito para quem gosta de romance, intrigas, amizade e sonhos. E, de certa forma, sobre autoconhecimento também. A diagramação do livro está incrível e torna a leitura ainda mais prazerosa.

“Não era possível uma pessoa que viajou para vários países e conheceu tantas pessoas e culturas, estivesse fadada a ficar com a mente e o coração presos em um só lugar”

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A tentação da bicicleta – Edmondo De Amicis

Título: A tentação da bicicleta
Original: La tentation de la bicyclette
Autor: Edmondo De Amicis
Editora: Nós
Páginas: 64
Ano: 2016
Tradutor: Gabriel Perissé

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Em A tentação da Bicicleta, Edmondo De Amicis discorre sobre a bicicleta e sua popularização. Vale lembrar que o autor viveu entre 1846 e 1908 e que a bicicleta foi patenteada em 1818, popularizando-se, porém, somente no final do século.

Nesta extensa crônica, De Amicis fala sobre os efeitos da popularização da bicicleta, nos mais diversos âmbitos: nas relações amorosas e interpessoais, na literatura, no cotidiano e até na vida dele.

“A bicicleta me roubava queridas companhias, afastava de mim antigas amizades”

A tentação da bicicleta (p.29)

Um dos significados da palavra “tentação” é “impulso para a prática de alguma coisa censurável ou não recomendável”. Lendo esta obra do autor italiano, percebemos que é exatamente essa a visão que ele tem do uso da bicicleta — principalmente por pessoas mais velhas ou gordas — ao passo que também faz sentido o significado de “desejo  veemente ou violento”: Edmondo De Amicis passa todo o livro tentando resistir ao fato da bicicleta ser uma invenção incrível.

“Se este exercício físico, pensei com meus botões, pode produzir semelhante prazer e alegria a um fiapo de homem, o que não fará por um homem que ainda seja um homem inteiro?”

A tentação da bicicleta (p.9)

Para saber se o autor sucumbe ou não à bicicleta, só mesmo lendo o livro, que além de tudo é lindo: possui diversas imagens geométricas, que nos remetem aos mecanismos de uma bicicleta. Mas uma coisa não posso deixar de dizer: o final é, também, muito metafórico. Serve para a bicicleta, mas serve para tantas outras coisas da vida. Uma mensagem muito válida!

“Parem de resistir, pois o preço a pagar por essa teimosia são longos anos de penosos combates”

A tentação da bicicleta (p.60)
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Artigo: Insumo e autoria na produção de material didático de italiano como língua de herança

Título: Insumo e autoria na produção de material didático de italiano como língua de herança
Autor: Tatiana Iegoroff de Mattos, Fernanda Landucci Ortale, Rosangela Maria Laurindo Fornasier e Vinicio Corrias 
Revista de Italianística, v.1, nº 36
Páginas: 11
Ano: 2018
Disponível aqui

it's a boy!

Como hoje é dia mundial do imigrante italiano (existe data pra tudo nessa vida, gente) resolvi fazer esse post especial (pra mim) sobre este artigo que publiquei no final do ano passado, com minha orientadora e mais dois colegas da pós-graduação.

Você pode estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra e eu vou explicar melhor agora: o artigo, como o título aponta, fala sobre produção de material didático para o ensino de italiano. MAS, ensino de italiano como língua de herança. Explicando de maneira bem simplista, o que diferencia uma língua de herança de uma língua estrangeira é o fato de que a língua de herança é uma língua presente na família do aprendiz.

Vou explicar melhor isso, dando o exemplo da comunidade que aparece no artigo, ok? No artigo, falamos sobre Pedrinha Paulista, uma cidade beeem pequena, localizada no interior de São Paulo. Essa cidade foi fundada por italianos, em 1952. Trata-se, portando de uma cidade relativamente nova e alguns de seus fundadores ainda vivem lá! Esses primeiros habitantes sabem falar italiano e o dialeto da região que nasceram. Seus filhos, muitas vezes, também falam italiano, mas da geração seguinte em diante, esse hábito está se perdendo…

Mas vamos focar primeiro nos filhos: eles não foram educados, formalmente, em língua italiana e muitas vezes aprenderam porque ouviam os pais conversando nessa língua ou porque os pais conversavam com eles nessa língua também. Porém, se você pergunta a algum desses filhos (ou netos, em alguns casos) se eles falam italiano ou dialeto, eles dirão que não, que no máximo entendem alguma coisa. Ao oferecer um curso de italiano para essas pessoas, porém, não podemos deixar de levar em consideração que elas têm sim muito conhecimento sobre a língua e a cultura italianas.

Nesse artigo, portanto, vamos contando como foi elaborar um material didático que leva em consideração esse contexto, pensando também na questão da proveniência dos materiais que utilizamos e da necessidade de registrar esse material.

Espero que vocês gostem da leitura e deixem comentários aqui (:

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Adelphos – M. Pattal

Título: Adelphos - A revelação
Autor: M. Pattal
Editora: PenDragon
Páginas: 370
Ano: 2016 (1º edição)

Não posso começar essa resenha sem deixar de dizer que me apaixonei por Adelphos. Quando li o prólogo da obra eu quase desanimei, pois não estava entendendo nada: um monte de nomes difíceis, um mundo totalmente diferente do nosso. E olha que até mapa tem nesse livro. Naquele momento, pensei comigo: “a leitura será longa e pedregosa como parece ser esse mundo aí…”. Mas, longe disso, a narrativa de Adelphos me envolveu até a última página e agora tudo o que possa fazer é aguardar ansiosamente uma continuação.

“Todas as vezes que você der o seu melhor, você será considerado o melhor”

Adelphos (p.265)

Os capítulos do livro são curtos e a narrativa é sempre interrompida em um momento perfeito para prender o leitor. Além disso, a história vai alternando entre os passos dos personagens principais e também de outros personagens não menos importantes para o desenrolar dessa história.

“Muitas perguntas, poucas respostas”

Adelphos (p.47)

Logo no começo do livro conhecemos, em primeiro lugar, Enzo, um carioca surdo e praticante de tiro com arco. O jovem sonha participar das Olimpíadas e, para isso, treina duro. Além do tiro com arco, esse personagem também gosta de MMA e de nadar. Por ser surdo, Enzo tem problemas com seu pai, que o despreza por sua deficiência.

Depois de Enzo, somos apresentado a Milena, que será chamada de Mila ao longo de toda a história. Ela mora em Santa Catarina e nasceu com um sério glaucoma que a deixou praticamente cega. Ainda assim, ela treina para participar das Olimpíadas como ginasta. Além disso, Mila também pratica Kitesurf. Mila sofre nas mãos de sua madrasta, que a considera uma incapaz.

Por fim, conhecemos Danilo — ou Dan —, um baiano que perdeu uma das pernas após um acidente e que usa uma prótese. Ele treina para poder competir no atletismo das Olimpíadas, além de gostar de praticar escalada. Ele vive com a avó, pois seu pai o abandonou quando ele nasceu e sua mãe o abandonou depois que ele perdeu a perna.

“Ninguém está neste mundo por acaso, ninguém. Todos nós temos um propósito, mesmo que ainda não saibamos”

Adelphos (p.193)

Com essa “pequena” introdução já podemos perceber que esses três jovens têm muito em comum, apesar de morarem em regiões distintas desse nosso Brasil. Mas as coincidências não param por aí: um belo dia, enquanto estão relaxando em diferentes tipos de águas — Enzo na piscina, Mila na Lagoa e Dan em uma cachoeira — eles avistam uma luz e são sugados por ela….

“Três adolescentes com deficiência, querendo provar que é possível participar das Olimpíadas como outros atletas, chegam a este mundo através das águas. Os três ganham uma marca estranha, poderes estranhos e até agora nenhuma resposta”

Adelphos (p.264)

Essa luz os transporta para um outro mundo. E é nesse mundo que tem aquele monte de nome estranho que vi no prólogo e que eu não estava entendendo nada. Mas, aos poucos, passamos a compreender cada detalhe. Vamos desvendando cada canto desse estranho mundo com Enzo, Mila e Dan e também com os companheiros que eles encontram pelo caminho.

“Ter amigos verdadeiros ao nosso lado ajuda a enfrentar os momentos de dor e sofrimento. A verdade é que precisamos uns dos outros para sermos pessoas melhores”

Adelphos (p.319)

O mundo para o qual eles são transportados chama-se Oykos e está dividido em 12 terras: Kéfali, Láthos, Pólemos, Dásos, Agrótis, Metallórykos, Ámnos, Zóa, Mýga, Sóphos, Neró e Adelphia. Cada uma dessas terras possui um lema e, antes de exemplificar, preciso dizer como esses lemas — e tantas outras passagens do livro — fizeram com que eu enxergasse essa história de maneira metafórica. Mas vamos ao exemplo e daqui a pouco me aprofundo nisso. O lema de Agrótis, a terra que cuida dos grãos e alimentos que servem a todas as outras terras é apresentado e explicado na seguinte passagem:

” — Nosso lema é: ‘Semear, Cuidar, Crescer e Colher’. Isso vale não apenas para os cereais, mas também para as nossas vidas. Tudo o que semeamos na vida, com certeza colheremos”

Adelphos (p.63)

Percebem o porquê de minha leitura metafórica? O trecho acima passa muito bem do concreto para o metafórico, o que nem sempre é tão explícito ao longo do livro. Mas até mesmo Oykos, como um todo, não seria um imenso refúgio necessário para os três jovens que sofrem tanto em suas realidades?

“Mila… terremotos e erupções fazem parte da nossa vida, tanto em relação ao Fotiah, como das dificuldades que enfrentamos na vida. Nem por isso podemos desistir”

Adelphos (p.95)

Mas não se enganem: Oykos está muito longe de ser um mundo perfeito. Ali o bem e o mal estão em constante disputa pela dominação total das terras. A opressão ocupa lugar de destaque, ainda que Oykos tenha tudo para funcionar de maneira harmoniosa.

E se quando mencionei o fato de que em Oykos existem 12 terras você — assim como eu — lembrou-se de Jogos Vorazes, é porque ainda não mencionei os Jogos da Liberdade (que apesar do nome, são horríveis), em que cada terra deve enviar um “tributo” para uma ilha onde vivem os prisioneiros de Oykos e as criaturas que foram totalmente dominadas pelo ódio e pelo mal. Vencem aqueles que conseguirem atravessar a ilha e chegar vivos ao outro lado, o que está bem longe de ser uma tarefa simples.

Já deu para imaginar as encrencas que Enzo, Mila e Dan encontrarão pela frente, não? E é incrível ver como tudo é minimamente pensado e construído nessa história. O livro pode até parecer grande, mas não há uma palavra supérflua ali. Fora as milhares de lições de vida e tapas na cara que recebemos ao longo da leitura.

Eu até diria que esse livro me apareceu no momento certo, mas não acho que existiria um momento “errado” para ele aparecer. Um livro que fala sobre amizade, sobre perdão, sobre superação, sobre empatia… Enfim, um livro que fala sobre tantas coisas bonitas certamente poderá te ajudar nos mais diversos momentos de sua vida, seja uma briga banal, um briga séria, um momento de dor, de reflexão e até em momentos de alegria. Adelphos é uma história que nos reconhece como humanos e que nos faz pensar sobre os poderes que temos por sermos quem somos.

“A prática do amor pressupõe doação. Não apenas doação de tempo, talentos e tesouros mas, principalmente doar de si mesmo para o outro”

Adelphos (p.336)

Se você gosta de histórias de fantasia, mas que sabem mesclar perfeitamente a realidade; se você gosta de livros que te fazem refletir, mas que ao mesmo tempo ajudam a distrair a mente; se você gosta de histórias bem construídas… Esse livro é pra você! Tenho certeza de que Adelphos irá conquistar o coração de jovens e adultos, basta que vocês  acreditem e deixem ele entrar no coração de vocês (assim como deve acontecer com a marca de Pneuma…).

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A menina dos livros – Oliver Jeffers

Título: A menina dos livros
Original: A child of books
Autor: Oliver Jeffers e San Winston
Editora: Zahar
Ano: 2017

Vencedor do prêmio Bologna Ragazzi (2017), A menina dos livros é um livro que nos encanta desde a primeira página. E não digo isso somente pela dedicatória em que aparece uma citação de Primo Levi — autor italiano que eu admiro — mas porque o livro realmente é encantador.

As páginas não possuem apenas as palavras da narrativa, mas também trechos de muitas outras obras que conhecemos. Esses trechos formam — literalmente, por assim dizer — um mar de palavras. Um mar revolto, cheio de ondas. Um mar em que a menina dos livros tem de navegar em sua simples jangada. E essas palavras também se transformam em caminhos, montanhas, túneis, árvores, monstros, nuvens… Enfim, tudo aquilo que somente as palavras podem ser ou vir a ser.

A narrativa de A menina dos livros é simples e linda. Em meio a histórias que precisamos preservar viajamos com duas crianças por um mundo ricamente ilustrado e apaixonante.

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Da barca do inferno – Marcia Capella

Título: Da barca do inferno para um auto sem barca: novos horizontes para jovens da rede pública
Autor: Marcia Capella
Editora: Pró-saber
Páginas: 192
Ano: 2014

Ganhei o livro Da barca do inferno para um auto sem barca: novos horizontes para jovens da rede pública do meu melhor amigo, uma pessoa que se interessa muito por educação de qualidade e projetos incríveis e é justamente sobre isso que esse livro fala.

“O próprio projeto Novos Horizontes: educação de excelência para jovens da rede pública guiou-se pela “ideia de extraordinário”. Iniciado em agosto de 2007 e agora finalmente documentado em livro, seu compartilhamento há de reavivar em muita gente o ânimo educativo”

Da barca do inferno para um auto sem barca (p.7)

Impossível não dizer que o livro cumpriu bem seu objetivo: através da descrição do projeto Novos Horizontes, dos depoimentos de alunos e professores e da apresentação da monografia dos alunos — uma releitura do Auto da barca do inferno — é impossível que o desejo de fazer algo transformador e a força em acreditar em uma educação de qualidade não sejam reavivados.

O Novos Horizontes não era um reforço para alunos de escola pública, mas um projeto que buscava ampliar a visão de mundo de seus alunos e oferecer ferramentas que os tornassem cidadãos do mundo. Ali, os alunos tinham aulas de filosofia, português, literatura, história, teatro, arte, coral, matemática, meio ambiente, informática, inglês. Em muitos casos, as disciplinas se mesclavam e davam frutos ainda mais interessantes.

“No lugar do ensino instrumentalizado e partido, pôs-se em prática um verdadeiro exercício de interdisciplinaridade, com o qual se procurou levar os alunos a uma ampla compreensão do conhecimento humano nos âmbitos cultural, histórico, filosófico, social e científico”

Da barca do inferno para um auto sem barca (p.12)

Para entrar nesse projeto, alguns alunos de diversas escolas públicas cariocas foram indicados e passaram por uma entrevista, além de ter de escrever uma redação. A partir disso, foram selecionados os alunos que efetivamente fariam parte do projeto. Em tese, os melhores alunos; na prática, os professores tiveram de adaptar um pouco seus planos.

Para estimular o interesse dos alunos, os professores buscavam instigar quatro atitudes, que são descritas no livro e seguidas de depoimentos dos alunos. Essas atitudes são: pertencimento, compromisso, autotelia e oportunidade de realização.

“Cada um aqui tomou as rédeas da sua própria vida”

Da barca do inferno para um auto sem barca (p.130)

Depois de descrever como funcionou cada disciplina — ou cada conjunto de disciplinas — a autora do livro ainda nos apresenta mais alguns depoimentos dos alunos, obtidos em uma conversa sobre o projeto. Por meio das palavras desses jovens, conseguimos ter uma ideia melhor do que significou para cada um ter feito parte do Novos Horizontes.

“A educação no nosso país parece que é um deserto: chato, vazio, sem graça”

Da barca do inferno para um auto sem barca (p.129)

“Talvez seja aberto demais para implantar em todas as escolas que existem, mas um pouquinho disso não faz mal a ninguém”

Da barca do inferno para um auto sem barca (p.131)

Também vale ressaltar como a visão sobre a educação mudou para esse alunos. Eles passaram a enxergar o aprendizado de outra forma e souberam valorizar a oportunidade que tiveram. Muitos ingressaram em Universidades públicas ou, no mínimo, conseguiram se encontrar ao longo dessa trajetória que durou 3 anos.

“Apesar da vontade de muitos, não houve outra edição do Novos Horizontes”

Da barca do inferno para um auto sem barca (p.25)

O livro todo tenta nos preparar para o anexo final, que é a transcrição da monografia feita pelos alunos: uma releitura do Auto da Barca do Inferno, escrita totalmente pelos alunos, em um texto de 60 páginas, chamado Auto sem barca. Como eu disse, o livro tenta nos preparar para esse anexo, mas não consegue. Ao menos eu não estava nem um pouco preparada para toda a qualidade que tal peça tem.

Substituindo o “anjo” e o “diabo” por “psiquê” e “sociedade”, os alunos do Novos Horizontes colocaram em julgamento personagens de nosso cotidiano: a barraqueira, o traficante, a fofoqueira, a professora, o policial, o gari, o aluno e o mendigo (que encerra a peça — e o livro — nos dando um belo tapa na cara). Minha vontade é fazer o mundo inteiro ler essa releitura da obra de Gil Vicente, de tão maravilhosa que achei!

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