Título: Tarsila: uma vida doce-amarga Autor: Mary del Priore Editora: José Olympio Páginas: 143 Ano: 2022

Sinopse
A premiada historiadora Mary Del Priore apresenta aqui uma biografia breve de uma das artistas mais geniais do modernismo: Tarsila do Amaral. Criadora de pinturas icônicas, que se confundem com uma estética canônica da representação do Brasil – a paisagem, a gente, as festas, o trabalho e os costumes –, Tarsila é um dos nomes mais aclamados na história da arte brasileira e, ao mesmo tempo, um vulto cuja vida íntima é pouquíssimo conhecida.
Criada em uma família conservadora, dona de terras no interior de São Paulo, Tarsila rompeu, no início do século XX, as barreiras do moralismo de sua época para se tornar uma artista mundialmente conhecida. Engana-se, porém, quem acha que ela teve uma vida apenas gloriosa. Desilusões amorosas e traições, ataques à sua arte e à sua honra, julgamentos reacionários à sua tentativa de romper com a vida burguesa e até mesmo acusações de que seria colaboradora da polícia política de Getúlio Vargas são indicações da coleção de infortúnios que a assombraram em vida.
O estilo de escrita de Mary Del Priore nos aproxima de Tarsila de forma ímpar. A narração desta biografia alia o lirismo da contação de histórias ao rigor da pesquisa em arquivo, e vai trazendo, aos poucos, sabores que sustentam um perfil incomum da grande modernista – tanto na revolução iconográfica que suas imagens representaram quanto na invenção de uma nova posição para a mulher na sociedade paulistana.
Tarsila: uma vida doce-amarga é uma oportunidade única de conhecer de perto uma das artistas mais queridas pelo público, em uma leitura prazerosa, repleta de revelações. E ricamente ilustrada por dois cadernos de imagens com fotos raras de Tarsila e os principais destaques na imprensa sobre sua produção.
Resenha
A cada dia torna-se mais óbvia, para mim, a importância da arte em nossas vidas e, sobretudo, a importância de se aprender sobre arte na escola.
Quando ainda estava na pré-escola, me lembro de ser apresentada a Tarsila do Amaral. Chegamos (os alunos, no caso), inclusive, a pintar o Abaporu.
Desde então, passei a admirar esta pintora, que só depois vim a descobrir que nascera na mesma cidade de meu pai.
“Em carta à família, datada de 19 de abril de 1923, Tarsila declarava: ‘Sinto-me cada vez mais brasileira: quero ser pintora da minha terra”
Tarsila, uma vida doce-amarga foi um livro emprestado por minha tia e sobre o qual eu não sabia o que esperar. Assim, não haviam expectativas sobre ele, só a curiosidade de poder saber mais sobre essa artista que tanto gosto.
Escrito por uma historiadora, o livro não está dividido em capítulos: é um único texto, que pode ser lido em um fôlego só (não é um livro tão longo assim), ou, como fiz, aos poucos, cabendo ao leitor o momento certo de fazer uma pausa.
“Não cabe ao historiador julgar a obra pictórica de Tarsila. Há outros especialistas para fazê-lo. Mas é ao historiador que cabe interpretar os longo anos em que ela ficou esquecida e ignorada”
Apesar de não ser um texto literário e eu ter algumas ressalvas a ele (sim, cabe uma leitura com certo olhar crítico), a leitura foi muito gostosa. Para além de saber mais sobre uma de minhas pintoras favoritas, também me deparei com tantos outros nomes conhecidos, como Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Brecheret, Drummond… Sem contar a oportunidade de visitar uma São Paulo antiga, dominada pelos barões do café e grandes casarões.
“No saguão, os quadros de Anita e as esculturas de Brecheret. No ar, poemas de Manuel Bandeira e música de Heitor Villa-Lobos, ambos recebidos com vaias”
O título da obra foi certeiro: ao longo das páginas sentimos alegrias e tristezas vividas por Tarsila. Os bons momentos e aqueles mais difíceis. Uma história tantas vezes esquecida ou mesmo desconhecida.
“Tarsila sofreu a intolerância de uma sociedade que vivia de aparências. Hipócrita. De homens e mulheres machistas. Gente que só reconheceu seu talento e suas qualidades depois que ela sorveu os frutos mais amargos da vida”
Isso me lembra, inclusive, que este ano tive a oportunidade de visitar o Cemitério da Consolação e um dos primeiros túmulos que busquei por lá foi o de Tarsila. Não encontrei. Não havia nada, uma plaquinha sequer, que indicasse que ali estava enterrada esta grande pintora.
“Conta-se que ela vivia no mundo da lua e se refugiava na música”
Uma leitura interessante para quem quer conhecer um pouco mais sobre Tarsila do Amaral e seu tempo, mas ressaltando que, apesar de escrito por uma historiadora, há pontos que deixam a desejar quanto às informações trazidas. Um livro para ser lido com um olhar crítico e ser usado como uma entrada nesse universo tão vasto.
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