Tarsila — Mary del Priore

Título: Tarsila: uma vida doce-amarga 
Autor: Mary del Priore 
Editora: José Olympio 
Páginas: 143 
Ano: 2022 

Sinopse

A premiada historiadora Mary Del Priore apresenta aqui uma biografia breve de uma das artistas mais geniais do modernismo: Tarsila do Amaral. Criadora de pinturas icônicas, que se confundem com uma estética canônica da representação do Brasil – a paisagem, a gente, as festas, o trabalho e os costumes –, Tarsila é um dos nomes mais aclamados na história da arte brasileira e, ao mesmo tempo, um vulto cuja vida íntima é pouquíssimo conhecida.

Criada em uma família conservadora, dona de terras no interior de São Paulo, Tarsila rompeu, no início do século XX, as barreiras do moralismo de sua época para se tornar uma artista mundialmente conhecida. Engana-se, porém, quem acha que ela teve uma vida apenas gloriosa. Desilusões amorosas e traições, ataques à sua arte e à sua honra, julgamentos reacionários à sua tentativa de romper com a vida burguesa e até mesmo acusações de que seria colaboradora da polícia política de Getúlio Vargas são indicações da coleção de infortúnios que a assombraram em vida.

O estilo de escrita de Mary Del Priore nos aproxima de Tarsila de forma ímpar. A narração desta biografia alia o lirismo da contação de histórias ao rigor da pesquisa em arquivo, e vai trazendo, aos poucos, sabores que sustentam um perfil incomum da grande modernista – tanto na revolução iconográfica que suas imagens representaram quanto na invenção de uma nova posição para a mulher na sociedade paulistana.

Tarsila: uma vida doce-amarga é uma oportunidade única de conhecer de perto uma das artistas mais queridas pelo público, em uma leitura prazerosa, repleta de revelações. E ricamente ilustrada por dois cadernos de imagens com fotos raras de Tarsila e os principais destaques na imprensa sobre sua produção.

Resenha

A cada dia torna-se mais óbvia, para mim, a importância da arte em nossas vidas e, sobretudo, a importância de se aprender sobre arte na escola.

Quando ainda estava na pré-escola, me lembro de ser apresentada a Tarsila do Amaral. Chegamos (os alunos, no caso), inclusive, a pintar o Abaporu

Desde então, passei a admirar esta pintora, que só depois vim a descobrir que nascera na mesma cidade de meu pai.

“Em carta à família, datada de 19 de abril de 1923, Tarsila declarava: ‘Sinto-me cada vez mais brasileira: quero ser pintora da minha terra”

Tarsila, uma vida doce-amarga foi um livro emprestado por minha tia e sobre o qual eu não sabia o que esperar. Assim, não haviam expectativas sobre ele, só a curiosidade de poder saber mais sobre essa artista que tanto gosto.

Escrito por uma historiadora, o livro não está dividido em capítulos: é um único texto, que pode ser lido em um fôlego só (não é um livro tão longo assim), ou, como fiz, aos poucos, cabendo ao leitor o momento certo de fazer uma pausa.

“Não cabe ao historiador julgar a obra pictórica de Tarsila. Há outros especialistas para fazê-lo. Mas é ao historiador que cabe interpretar os longo anos em que ela ficou esquecida e ignorada”

Apesar de não ser um texto literário e eu ter algumas ressalvas a ele (sim, cabe uma leitura com certo olhar crítico), a leitura foi muito gostosa. Para além de saber mais sobre uma de minhas pintoras favoritas, também me deparei com tantos outros nomes conhecidos, como Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Brecheret, Drummond… Sem contar a oportunidade de visitar uma São Paulo antiga, dominada pelos barões do café e grandes casarões. 

“No saguão, os quadros de Anita e as esculturas de Brecheret. No ar, poemas de Manuel Bandeira e música de Heitor Villa-Lobos, ambos recebidos com vaias”

O título da obra foi certeiro: ao longo das páginas sentimos alegrias e tristezas vividas por Tarsila. Os bons momentos e aqueles mais difíceis. Uma história tantas vezes esquecida ou mesmo desconhecida.

“Tarsila sofreu a intolerância de uma sociedade que vivia de aparências. Hipócrita. De homens e mulheres machistas. Gente que só reconheceu seu talento e suas qualidades depois que ela sorveu os frutos mais amargos da vida”

Isso me lembra, inclusive, que este ano tive a oportunidade de visitar o Cemitério da Consolação e um dos primeiros túmulos que busquei por lá foi o de Tarsila. Não encontrei. Não havia nada, uma plaquinha sequer, que indicasse que ali estava enterrada esta grande pintora.

“Conta-se que ela vivia no mundo da lua e se refugiava na música”

Uma leitura interessante para quem quer conhecer um pouco mais sobre Tarsila do Amaral e seu tempo, mas ressaltando que, apesar de escrito por uma historiadora, há pontos que deixam a desejar quanto às informações trazidas. Um livro para ser lido com um olhar crítico e ser usado como uma entrada nesse universo tão vasto.

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Citações #75 — Romance concreto

Quer conhecer um pouco melhor a obra Romance concreto, da Aimee Oliveira? Então acompanhe esses trechos que ficaram de fora da resenha!

O livro fala muito sobre o uso doentio de redes sociais, tanto é que um dos sentidos de “concreto” é justamente o daquilo que está para além das telas: o mundo real.

“O mundo é tão maior do que uma tela…”

“A maioria das coisas é assim. A vida é mais bonita quando a gente joga uns efeitos”

“Não era sempre que uma coisa que não envolvesse notificações captava minha atenção por completo”

“Passei tempo demais encarando a tela do computador, cuidando dos meus perfis sem me lembrar que existia um mundo inteiro em volta”

Claro que esse vício e essa alienação interferem — e muito — em nossas relações sociais, e isso é muito trabalhado ao longo da narrativa.

“Era fácil deixar os problemas de lado em meio à rotina”

“Às vezes as pessoas simplesmente precisavam de um lembrete de que você ainda estava viva”

“Não foi fácil tomar a decisão de ir até ela. Eu podia ter ignorado o seu sofrimento, assim como ela fez com o meu”

“— Acho que tudo é consequência do que a gente faz, sabe?”

Olivia Liveretti é uma protagonista quase insuportável: mimada e extremamente preocupada com sua imagem e seus seguidores. 

“Ora essa, eu era Olivia Liveretti, eu não fazia ameaças vazias.  Tinha uma reputação a zelar”

“Além do mais, eu gostava de pensar que eu era melhor que isso. Mas não tinha certeza se era”

“Não era um saco quando algo que você fazia por prazer virava uma obrigação?”

“Uma estranha satisfação tomou conta de mim por saber que eu não era a única a pensar as coisas horríveis que eu pensava”

“Minha vida estava se transformando em algo que eu nunca achei que se transformaria”

“Assim como todo ser humano no mundo, eu detestava ser julgada”

“— É um saco quando o seu máximo não é suficiente pra realizar seu sonho”

“Entendia como podia ser chato quando alguém, vindo absolutamente do nada, tentava ocupar seu espaço”

“Tentei melhorar minha postura, mas era muito difícil me concentrar na minha aparência quando tudo dentro de mim estava despedaçando igual uma geleira no aquecimento global”

Aos poucos, porém, vamos percebendo que Olivia é apenas uma garota que, com seus erros e acertos, está apenas tentando viver sua vida como uma pessoa normal.

“Aquele mundo não me pertencia mais. A cada esquisitice aquilo ficava mais claro para mim”

“É que não foi no Twitter, foi na rua mesmo, na vida real. Esse lugar esquisito em que não dá para desfazer as ações”

“A melhor maneira de se sentir normal, era fazer coisas normais”

“Eles eram tão legais… Mereciam ter tudo o que quisessem, por mais difícil que fosse”

“Todo mundo diz coisas que não deveria de vez em quando”

“Nada como uma boa dose de paranoia para dar um gostinho a mais ao café da manhã”

“Até porque, não tinha como negar que andava tão satisfeita com a vida que até deixei as insatisfações de lado”

“Não era nada fácil bancar a superior. Principalmente porque eu também estava me sentindo pra baixo”

“Era sempre bom ter algum tipo de proteção contra o mundo quando ele ameaça te esmagar”

Justamente por ser tão humana quanto qualquer outra pessoa, Olivia merece também ser amada. O amor, portanto, não poderia ficar de fora deste livro, que além de tudo se chama Romance concreto também por fazer um jogo com o trabalho do par romântico de Olivia. 

“O que uma voz rouca sussurrada no ouvido de uma pessoa não faz”

“Houve dias que cheguei a pensar que esse tipo de gente só existisse na ficção”

“Era uma pena que ainda não existisse uma unidade de medida para aferir intensidade de um sorriso”

“Era muito difícil ficar congelada enquanto se está queimando por dentro, mas foi o que aconteceu comigo” 

“A gente precisava correr o risco, porque existia uma mínima possibilidade de dar certo”

“Felicidade não era algo que conseguia ser pausado, não era um vídeo no YouTube”

“Quando foi que você começou a ficar com medo de finais felizes?”

Por falar nisso, dá para não se apaixonar por Jonas?

“Nem todo mundo tinha a sorte de ser tão querido quanto ele”

“O cheiro de xampu do cabelo dele funcionava como uma barreira antiestresse ao meu redor”

“Mas acho que o meu preferido era o jeito em que ele se desdobrava em mil para ser um bom trabalhador, um bom estudante e um bom filho, sem perder nenhum tempo reclamando do esforço enorme que aquilo deveria ser”

Romance concreto, claro, traz altas doses de confusão, com boas pitadas de drama.

“Aquele era um ótimo momento para ficar invisível. Momentos de confusão geralmente eram”

“Eu só conseguia olhar pro rosto decepcionado dele e me sentir pequena”

“Não pensei que desse para se sentir pior do que eu já estava, mas pelo visto dava, sim. As palavras de Jonas me machucaram igual uma navalha, cortando meus sentimentos”

“Não adiantava parar o furacão quando ele já tinha destruído tudo o que eu mais prezava”

Outra temática muito importante é, sem dúvidas, o poder da influência, mas também da união das pessoas.

“Era muito mais fácil testar o poder da palavra falada com as pessoas quando sabíamos exatamente onde encontrá-las”

“Quando as pessoas falavam que juntas elas eram mais fortes, elas não estavam de brincadeira”

Se você acha que essa história pode te interessar, vem ler a resenha completa!

Querido Ex, — Juan Jullian

Título: Querido ex, (que acabou com a minha saúde mental, ficou milionário e virou uma subcelebridade) 
Autor: Juan Jullian 
Editora: Galera Record 
Páginas: 181 
Ano: 2020 

Sinopse

Querido ex conta em primeira mão os relatos de um jovem cuja vida está sendo definida por um catastrófico acontecimento: seu ex-namorado virou, da noite para o dia, a maior celebridade do país”

A única coisa pior e mais desastrosa do que levar um pé na bunda, é levar um pé na bunda e ver seu ex se tornar a maior subcelebridade do Brasil. Não só isso, mas assistir em tempo real enquanto ele se apaixona por outro cara em TV nacional. Poucas palavras conseguem expressar esse nível de decepção amorosa. Nem mesmo Taylor Swift seria capaz de entender.

Mas é justamente a tentativa de colocar a dor em palavras, reunidas em cartas para o maldito ex, que faz com que nosso protagonista repense algumas coisas. Entre crises de luto e saudades, existem festas anuais do dia dos ex-namorados com todas as suas amigas que o seu ex detestava. Existe a vida que você deixou para trás enquanto amava alguém que agora é somente um estranho com milhões de seguidores. E talvez por trás daquele amor existisse também um tanto de controle, de gaslighting, de codependência.

Além de abordar de forma sensível, irônica e crua as diferentes nuances de um relacionamento abusivo, Querido ex também traz questionamentos sobre os preconceitos sociais que jovens negros e gays estão sujeitos em nossa sociedade. Publicado originalmente de forma independente, o livro vendeu mais de 20 mil exemplares e ficou mais de 100 dias seguidos no 1° lugar dos mais vendidos na categoria LGBT da Amazon.

Resenha

Pensei que a leitura de Querido ex, pudesse ser catártica e, de início, realmente foi, mas depois percebi que algumas histórias são muito mais complexas e dolorosas e que, portanto, não tenho como me identificar com elas (ainda bem?), apenas compreendê-las.

“Escrever estas cartas é minha última tentativa de superar tudo o que passou, uma última tentativa de deixar para trás você por inteiro”

A ideia do livro é muito interessante: após um término difícil de superar, o protagonista decide escrever cartas aos seu ex, numa tentativa de colocar em palavras aquilo que está dentro de si e de compreender o que ele está vivendo.

“Eu tentei parar de pensar em você, parar de pensar em nós, parar de sentir. Mas nesses meses sem você eu corri uma maratona sem nunca sair do lugar. Estou exausto, estagnado”

Por meio dessas cartas, conhecemos melhor o protagonista. O de hoje, o que namorou o tal ex, e o de antes desse relacionamento.

“Passei dois anos tentando me encaixar em você, na sua vida, nos seus planos, nos seus desejos, e do que adiantou?”

Antes de namorados, os personagens foram bons amigos. Mas relacionamentos podem nos mostrar facetas de uma pessoa que antes não imaginávamos existir.

“Nos tornamos menos que amigos. Nos tornamos estranhos”

Aos poucos vamos recebendo mais detalhes sobre essa amizade e sobre o relacionamento que ela gerou, além de conhecer melhor as características de cada um dos personagens, o que levanta uma questão importante para a obra: o racismo.

“E por que será que você se preocupava tanto com a impressão alheia sobre nossa imagem como casal? Por eu ser preto e ter um cabelo maravilhosamente crespo, enquanto você ostenta sua pele pálida, um corpo magro definido por horas diárias de crossfit e cachos”

Mas a distância (física e emocional) também faz o protagonista perceber o quão abusivo era aquele relacionamento, narrando inclusive episódios que podem ser gatilho para algumas pessoas.

“Não. Independentemente do que viesse a acontecer, eu não conseguiria esquecer”

Mesmo com a história sendo contada por apenas um dos lados, porém, é possível perceber como nenhum deles (afinal ambos são humanos) tem total razão: o narrador assume alguns de seus erros ao longo das cartas e é interessante poder ver também essa sua faceta ao longo do livro.

“E eu pedi desculpas. Desculpas por tudo que eu não fui, por tudo que eu não fiz”

O fato da história ser composta por cartas, além de alguns outros acontecimentos ao longo deste livro, nos lembra de uma coisa muito importante: o poder da escrita, principalmente como uma forma de compreender nossa história e nossos sentimentos.

“Uma narrativa tem o poder de agregar pessoas, de fazer com que problemas sejam amenizados através da identificação mútua, de superar a solidão e de nos ajudar a encontrar a libertação”

A necessidade de se reencontrar também se faz presente, como não poderia deixar de ser em uma história como essa. O autor inclusive nos lembra da importância de nos conhecermos melhor antes de entrar em um relacionamento. 

“E eu me perdi no meio desse caminho. Só que estou começando a me achar”

O tempo é bem marcado pela data das cartas, claro, mas mesmo os acontecimentos anteriores que nelas são contados também seguem uma ordem cronológica fácil de acompanhar.

“Eu deveria ter respeitado meu tempo. Eu deveria ter crescido antes de engatinhar na sua direção”

O final me surpreendeu. Não sei bem o que eu estava esperando dele, mas com certeza não o que veio. Um final que choca (mas, infelizmente, não surpreende). 

“Olhando para trás agora, eu deveria ter notado que o fim era somente uma questão de tempo”

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Sangrando — Gonzaguinha

Outro dia, ouvindo a música Sangrando, fiquei com vontade de trazê-la aqui e já não sei mais direito o motivo, para além do fato de ser uma linda canção.

A música em questão faz parte do disco de Gonzaguinha De volta ao começo, lançado em 1980.

Os primeiros versos da canção introduzem de maneira poética o seu argumento central: a necessidade de colocar em palavras aquilo que está dentro de nós e, principalmente, que as pessoas compreendam essas palavras, que busquem o significado daquilo que está sendo dito, pois também fiz respeito a elas (e às suas lutas). 

Em se tratando de uma música cantada, também podemos interpretar esses primeiros versos como um eu-lírico cantor que está, ali, falando sobre a necessidade de cantar e ser cantado.

Quando eu soltar a minha voz

Por favor entenda

Que palavra por palavra

Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca, peito aberto

Vou sangrando

São as lutas dessa nossa vida

Que eu estou cantando

Vale lembrar que o verbo “sangrar” — que sozinho dá nome à canção — não significa apenas “derramar sangue”, mas também “dilacerar”, “entristecer”, “atormentar”, definições que também se encaixam nesta música.

Lá para o meio da canção, chegamos ao ápice do sentimento e da força do cantor. E ele ainda afirma que as palavras contidas nessa letra são também fruto do que ele vive e de como tudo isso é intenso e verdadeiro.

Quando eu abir minha garganta

essa força tanta

Tudo que você ouvir,

esteja certa

que estarei vivendo

Veja o brilho nos meus olhos

e o tremor nas minhas mãos

E o meu corpo tão suado,

transbordando toda raça e emoção

Por fim,  os versos finais, com o que resta de força, o cantor reitera mais uma vez que o que ele retrata ali é a sua vida e, acrescenta, o seu amar.

Cantar é o que move o eu lírico dessa canção e, ao final da música, há também um apelo para que todos nós cantemos, porque é isso que move aqueles que vivem de produzir e reproduzir músicas. 

E se eu chorar

e o sol molhar o meu sorriso

Não se espante, cante

Que o teu canto é minha força pra cantar

Quando eu soltar a minha voz

por favor, entenda

É apenas o meu jeito de viver

O que é amar

É possível extrapolar a música para além desse arte: todo artista vive daquilo que produz e precisa ser apreciado e consumido, não apenas para ter seu retorno financeiro, mas também para ter forças para continuar. 

Se quiser ouvri a música completa, é só dar o play abaixo! E depois não esquece de me contar o que achou (não só da música, mas também do texto trazido aqui).

Storia di chi fugge e di chi resta — Elena Ferrante

Título: Storia di chi fugge e di chi resta: tempo di mezzo 
Autora: Elena Ferrante 
Editora: E/O Edizioni 
Páginas: 382 
Ano: 2013
Título em português: História de quem foge e de quem fica: tempo intermédio 

Sinopse

A continuação do aclamado A amiga genial. No terceiro volume da série napolitana, Lenù e Lila partem para os embates da vida adulta. Numa sequência angustiante e sem espaço para a inocência de outrora, Elena Ferrante coloca o leitor no meio do turbilhão que se forma das amizades, das relações sociais e dos interesses individuais. História de quem foge e de quem fica é uma obra de arte a respeito do amor, da maternidade, da busca por justiça social e de como é transgressor ser mulher em um mundo comandado pelos homens.

Resenha

Concluída a leitura de mais um volume da tetralogia napolitana, tudo o que consigo pensar é “caramba, não é a toa que isso aqui fez/faz tanto sucesso”. 

Antes de continuar com qualquer comentário, porém, gostaria de lembrar que, em se tratando de uma resenha do terceiro volume de uma série, as chances deste post conter spoilers são altas, então prossiga na leitura por sua conta e risco.

Também aproveito para relembrar que li a história em italiano e que os trechos em português que aparecerem ao longo desta resenha foram traduzidos por mim, estando os originais ao final do post, na ordem que forem utilizados por aqui. E se quiser ler minhas resenhas anteriores, basta clicar aqui e aqui.

Agora sim: vamos ao que interessa!

Neste terceiro volume, temos uma Elena mais madura e, devido ao distanciamento (principalmente físico) de Lina, mais livre das influências (que ainda não vejo com bons olhos, mesmo que agora a Lina esteja levemente menos impalatável para mim) da amiga.

“Sabia com clareza, agora, que cultivar a nossa amizade só era possível se segurássemos nossas línguas”.

Ainda assim, é notável a dependência que nossa autora protagonista tem com relação a esta personagem e o quanto isso molda seu caráter e suas ações.

“Aceitar que eu era uma pessoa mediana”

Os assuntos abordados neste volume não são menos pesados que os vistos anteriormente, se fazendo ainda mais presente as questões políticas da época.

“Bons ou maus, os homens acreditam que cada tarefa deve colocá-los em um pedestal como São Jorge matando o dragão”

Consequentemente, se discute muito sobre máfia e fascismo e o quanto as relações sociais e políticas estão à mercê de forças violentas como essas.

“Quantas pessoas que foram crianças conosco não estavam mais vivas, desaparecidas da superfície terrestre por causa de doença, porque os nervos não aguentaram a dureza dos tormentos, porque o sangue delas foi derramado”

O medo também não poderia deixar de se fazer presente em um contexto tão duro. Lenù teme pelas pessoas que ama, de diferentes formas. Teme por Pietro, por suas filhas, por seus amigos e parentes, por si mesma.

“Assim que eu descia do trem, me movia com cautela nos lugares em que cresci, tomando o cuidado de falar sempre em dialeto, como se para mostrar ‘sou uma de vocês, não me façam mal'”

Ah, sim, nossa protagonista se casa e se torna mãe ao longo deste volume. Também com medo, não só pelas violências, mas por aquilo que ela se tornará a partir do momento em que passar a viver na pele este novo papel: o que ela terá de deixar de lado? O que será da vida dela dali para frente? Ela está pronta para isso?

“Era urgente que eu me habituasse, portanto, àquele novo pertencimento, em especial eu deveria ter consciência dele”

E a solidão bate forte à sua porta. Um retrato fiel do que significa ser mãe para muitas mulheres, ainda hoje.

“eu estava grávida pela segunda vez e, no entanto, vazia”

Inclusive quase não há personagens novos neste livro, ainda que (ou justamente por isso) Lenù viva boa parte da história longe de Napoli.

“Me sentia frágil e sozinha”

Em Storia di chi fugge e di resta continua a se fazer central as relações sociais e os laços que fazemos e desfazemos ao longo da vida.

“Mas o costume de fazer confissões tão bem articuladas, nós duas, com quase vinte e cinco anos, não possuímos”

Este volume começa com a lembrança de que toda a história foi escrita anos depois dos acontecimentos narrados, a partir de um desaparecimento de Lila. Mas ao longo dessas páginas, que logo voltam ao passado que nos está sendo apresentado, percebemos diversos outros momentos de aproximação e afastamento entre Lila e Lenù e também entre outros personagens da série.

“Que lembrança conservava do nosso amor, admitindo que conservasse alguma?”

Em vários momentos somos relembrados, também, do papel central que os estudos têm nesta história. Sua importância para que a protagonista possa ir muito além, o que inclusive dá vida ao título deste livro.

“O essencial era sair de Napoli”

Ao mesmo tempo, porém, há uma forte crítica à “hipocrisia acadêmica”, ao fato de que muito se fala, muito se teoriza, mas pouco há de concreto ali para uma sociedade regida pela violência.

“Vocês professores insistem tanto no estudo porque com isso ganham o pão, mas estudar não serve para nada, nem mesmo nos melhora, pelo contrário, nos torna ainda mais malvados”

E, como não poderia faltar, ainda mais no momento em que Lenù se torna realmente adulta, deixa suas origens, se casa, tem filhos e redescobre o amor, Storia di chi fugge e di chi resta faz boas críticas à sociedade machista em que vivemos. 

“Uma comunidade que acha natural sufocar com o cuidado dos filhos e da casa tanta energia intelectual feminina, é inimiga de si mesma e nem mesmo percebe”

Se você se interessou por este livro, adquira sua edição em português clicando no link ao final deste post. Antes, porém, deixo aqui os trechos originais das passagens usadas ao longo da resenha:

“Sapevo con chiarezza, ormai, che coltivare la nostra amicizia era possibile solo a patto che tenessimo a freno la lingua”

“Accettare che ero una persona media”

“Buoni o cattivi, gli uomini credono tutti che a ogni loro impresa devi metterli su un altare come san Giorgio che ammazza il drago”

“Quante persone che erano state bambine insieme a noi non erano più vive, sparite dalla faccia della terra per malattia, perché la nervatura non aveva retto alla carta vetrata dei tormenti, perché era stato versato il loro sangue”

“Appena scendevo dal treno, mi muovevo con cautela nei luoghi dove ero cresciuta, badando a parlare sempre in dialetto come per segnalare sono dei vostri, non mi fate male”

“Era urgente che mi abituassi dunque a quella nuova appartenenza, soprattutto ne dovevo avere consapevolezza”

“Ero per la seconda volta pregna e tuttavia vuota”

“Mi sentivo fragile e sola”

“Ma la tradizione per confidenze così articolare noi due, a quasi venticinque anni, non ce l’avevamo”

“Che memoria conservava del nostro amore, ammesso che ne conservasse ancora una?”

“L’essenziale era andarmene da Napoli”

“Voi professori insistete tanto sullo studio perché con quello vi guadagnate il pane, ma studiare non serve a niente, e nemmeno migliora, anzi rende ancora più malvagi”

“Una comunità che trova naturale soffocare con la cura dei figli e della casa tante energie intellettuali di donne, è nemica di se stessa e non se ne accorge”

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Citações #74 — Carrie Soto está de volta

Hoje é dia de mergulharmos um pouco mais na obra Carrie Soto está de volta, da Taylor Jenkins Reid. Um livro que demorou um pouco para me pegar, mas que depois eu não conseguia mais largar, e que me deixou pensando em muitos assuntos.

A começar pelo fato de que este livro trata da força feminina, tantas vezes deixada em segundo plano ou subestimada pela sociedade machista em que vivemos.

“Vivemos em um mundo onde mulher excepcionais precisam perder tempo esperando homens medíocres”

Uma história que também fala sobre perdas, não apenas de uma partida, mas também de pessoas queridas.

“E eu me pergunto por que passei a vida inteira com tanto medo de perder, sendo que já tenho tanta coisa”

“O luto é um buraco escuro e profundo”

Outra temática presente neste livro é a da busca pelo perfeccionismo. Carrie Soto é uma protagonista insuportável, dentre tantos motivos também pela sua incessável busca por ser A melhor.

“O lado ruim do perfeccionismo é que a pessoa está tão acostumada a fazer tudo dar certo que entra em colapso quando dá tudo errado”

Mas a narrativa nos conquista porque, apesar de tudo, Carrie é humana e muitas de suas características são, na verdade, fruto do meio em que cresceu e da maneira como foi educada.

“Pela primeira vez na vida, posso ser… outra coisa”

Por fim, gostaria de destacar um trecho em que a personagem fala do papel de treinador, mas que também pode ser muito bem aplicado à educação (tema que, como visto aqui, muito me agrada).

“É um privilégio poder orientar uma pessoa até determinado ponto e depois deixá-la terminar tudo sozinha. Transmitir a alguém todo o conhecimento que tem e torcer para que seja bem utilizado”

Se você ainda não leu minha resenha deste livro, não deixe de clicar abaixo para ler!

Coleção Portfolio SBS — vários autores

O post de hoje não é exatamente uma resenha, apesar de trazer alguns aspectos sobre uma série de livros. Um pouco confuso, eu sei, mas o ponto é: este é um post relativamente diferente do que costuma aparecer por aqui, mas que acabei me animando a fazer e que trata de livros e ensino de línguas.

Há algum tempo, meu irmão me deu de presente diversos livros da coleção Portfolio SBS. Para quem não sabe, a SBS é uma Livraria Internacional que existe no Brasil desde 1985 e que é líder em distribuição de livros e materiais para o ensino de idiomas, materiais didáticos e afins.

Os volumes desta coleção são livrinhos pequenos e fininhos, mas que trazem muito conteúdo.

O trarei aqui não é uma resenha de cada um dos volumes que ganhei, mas uma apresentação desta coleção, além de compartilhar um pouquinho a maneira que tenho realizado a leitura desses exemplares.

Os livros possuem uma estrutura similar, variando apenas seu conteúdo. A estrutura é a seguinte: um prefácio dos editores da série, seguido por uma introdução do autor, com uma apresentação da temática do livro e um resumo do que será abordado em cada capítulo, que costumam ser entre quatro e seis em cada volume. Ao fim, encontramos as referências bibliográficas e indicações de leituras suplementares e, por fim, os apêndices, que geralmente são atividades ou dados apresentados e mencionados ao longo dos textos.

Como ensinar é uma coisa que eu adoro e quem ensina está em constante aprendizado, resolvi que a melhor forma de encarar estas leituras seria de maneira ativa, isto é, grifando e fazendo anotações. Por isso, sempre que eu pegava um dos volumes desta coleção, já pegava também um lápis e lia as partes teóricas e práticas buscando refletir sobre o que estava sendo dito.

Para quem já tem certo contato com as teorias de ensino de línguas, nem tudo ali é novidade, claro. Inclusive sinto que algumas coisas já estão um pouco ultrapassadas. Mas o ensino também tem dessas: precisa acompanhar o desenvolvimento humano e de suas tecnologias e livros sobre o assunto tendem a logo perderem a sua atualidade.

Mas o bacana de ler sobre ensino é que sempre haverá algo do qual podemos extrair alguma lição. Ou algo que nos dará uma luz. Por isso um lápis foi meu fiel escudeiro ao longo desta leitura. Algumas páginas ganharam, além de grifos, anotações de ideias que me sugiram e que eu não poderia perder. 

Os volumes que já li desta série são:

Atualmente estou lendo O ensino comunicativo de línguas estrangeiras (Jack C. Richards) — Portfolio SBS 13. Este talvez seja um dos mais relacionados à minha pesquisa de mestrado e é interessante ver como apesar de conhecer sobre o tema, há muitos estudiosos diferentes daqueles que pesquisei.

Aliás, se você quiser saber um pouco mais sobre a minha pesquisa e sobre o que eu conheço e uso nessa área de estudos, indico a leitura dos posts Que método você usa? e Que material você usa?, além do post que coloquei aí em cima, no qual apresento a minha pesquisa de mestrado

Mas, voltando à coleção da SBS, ainda vou ler também os seguintes livros:

Estou bem curiosa com eles e não vejo a hora de poder dizer que concluí a leitura desses livros, mesmo sabendo que isso não acabará por aqui e que ainda voltarei inúmeras vezes a eles.

Também fazem parte do portfolio SBS os seguintes volumes:

Se você quiser conhecer de perto esta coleção, basta clicar aqui ou nos livros listados acima.

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O que é a literatura? [tradução 33]

Considerações iniciais

O texto de hoje é a tradução de um artigo originalmente publicado no The nerd writer, em 27 de fevereiro de 2020. O texto em questão foi escrito por Sara Elisa Riva e você pode lê-lo (e escutá-lo!) aqui.

Resolvi trazê-lo para cá pois, como o próprio texto diz, “o que é a literatura?” é uma pergunta que, mais cedo ou mais tarde, os amantes (e estudiosos) desta arte acabam se fazendo.

Além disso, as palavras aqui trazidas também abordam outra questão, que esteve em pauta na minha última resenha: a do cânone literário.

Vamos, então, atrás de algumas respostas?


Tradução

Depois de finalmente compreender qual era o meu papel na difusão da cultura literária, me vi diante de um primeiro obstáculo a ser superado: de onde partir para envolver as pessoas no extraordinário mundo da literatura e da escrita? Do início, obviamente, alguém poderia dizer, mas qual é exatamente o início?

Todos nós começamos a ler sem nos fazermos grandes questionamentos, simplesmente pegamos em mãos o nosso primeiro livro e, uma sílaba depois da outra, uma palavra depois da outra, uma frase depois da outra, chegamos ao final do texto. Lemos a nossa primeira história.

Entretanto — e isso inclui tudo o que lemos a seguir — dificilmente paramos para pensar porque lemos aquele livro específico. E, para compreender isso, temos de dar um passo para trás.

O que é a literatura?

Cedo ou tarde, pelo menos uma vez na vida, um estudioso de literatura se fará a uma pergunta que não temos como escapar: o que é a literatura? Questão aparentemente banal, afinal o que é a literatura se não um amontoado de textos literários?

Começo dividindo a literatura em duas grandes categorias: os grandes clássicos da literatura mundial de um lado (e esses serão os textos aos quais irei me referir ao longo desse texto) e as narrativas contemporâneas de outro. É claro que alguns livros publicados hoje, amanhã podem se tornar clássicos. Vejamos como.

Partindo de “a literatura é um conjunto de textos literários que atravessam os séculos”. Se assumirmos como verdadeira essa afirmação, será natural nos colocarmos outra pergunta: quais são os textos literários que foram transmitidos até nós? E por que justo eles?

O cânone literário

Os textos que nós lemos, que usamos como referência, fazem parte daquilo que é definido como cânone literário, ou seja, um conjunto de autores e obras tidos como modelos estéticos de uma determinada tradição e com os quais abre-se continuamente um diálogo.

Isso vale como uma definição de máxima, mas o cânone também compreende modelos que transcendem a estética. Como, por exemplo, os valores identitários de uma comunidade, os valores éticos e a sensação de pertencimento são fundamentais, uma vez que representam o primeiro sinal de identidade.

Tudo aquilo trazido até este momento clarifica, apenas em linhas gerais, um modelo de representação da realidade externa a nós. O cânone, contudo, fornece também um exemplo do universo íntimo do eu, da interioridade, do pensamento e da memória.

Para que serve, concretamente, o cânone literário?

O cânone literário nos permite, portanto, através da imitação, definir os diversos modos de representação. Em outras palavras: quando lemos os textos que pertencem ao cânone vigente, passamos a conhecer uma série de valores que se tornam nossos através da imitação (a mimese, portanto). Assim sendo, a literatura nos apresenta modelos de comportamento aceitáveis e compreendidos pela sociedade na qual vivemos, nos fazendo viver uma série de experiências capazes de formar a nossa identidade.

Isso nos faz entender que com a variação dos valores sociais no decorrer dos séculos, existe a possibilidade de uma mudança no cânone que, realmente, não é fixo e nem imutável.

Então o que é a literatura?

Depois de esclarecer, em linhas gerais, o que é um cânone literário e de nos colocarmos algumas perguntas, podemos dizer com razoável certeza que a literatura é um conjunto de textos que contém os valores e os modelos da sociedade na qual estamos inseridos, com a qual mantemos um constante diálogo aberto, mas que, no entanto, justamente pelas variáveis típicas da natureza humana, podem ser modificadas com o passar dos anos. Não é um mistério, portanto, que alguns autores ou suas obras tenham caído no esquecimento por longos períodos para depois serem redescobertos e trazidos à luz em um momento mais adequado a receber a mensagem que o autor trazia consigo. 

Resta ainda uma dúvida, a mais complexa, mas talvez a mais interessante: para o que serve a literatura?

Disso, porém, falaremos no próximo artigo!

Por enquanto, aconselhamos uma leitura fundamental: o cânone ocidental, de Harold Bloom.


Considerações finais

Ao concluir a leitura (e a tradução) de O que é a literatura não sei se as coisas ficaram mais claras ou mais confusas para mim.

A verdade é que definir literatura em poucas linhas é uma tarefa ingrata e praticamente impossível.

No entanto, o texto traz uma explicação interessante sobre o que é um cânone e como ele é estabelecido, além de trazer à luz algumas reflexões interessantes sobre a literatura.

Se você quiser a tradução do artigo sobre para que serve a literatura, me fale nos comentários (:

Poemas antológicos — Solano Trindade

Título: Poemas antológicos 
Autor: Solano Trindade 
Organização: Zenir Campos Reis 
Editora: Nova Alexandria 
Páginas: 168 
Ano: 2007

Sinopse

Antologia de poemas de Solano Trindade, uma das mais importantes vozes da poesia brasileira da segunda metade do século XX.

Resenha

Inicio esta resenha confessando que raras vezes busco me aprofundar na vida dos autores que leio. Geralmente, as biografias que os livros trazem satisfazem a minha curiosidade quanto à pessoa que escreveu e logo saio em busca da próxima leitura.

“Luta foi o que não faltou na vida de Solano Trindade, nascido pobre e negro no Recife, em 1918”

Por algum motivo, porém, desde que peguei Poemas antológicos para ler, sentia que queria saber mais e mais sobre Solano Trindade.

“Só é jovem quem ama

E o meu amor à vida

É cada vez maior”

(Vida)

Felizmente, o próprio livro é bem rico, trazendo em seu início os capítulos Algumas palavras antes do texto e Solano Trindade, passado e presente, que nos dão um bom panorama sobre a vida e a obra deste poeta.

“O título de ‘poeta negro’ ganha força, já que nos versos é verificada a principal fonte de inspiração: o desejo de igualdade”

E, claro, esta reunião de poesias despertou aquela pulga do: como nunca ouvi falar sobre Solano Trindade antes? Mas a resposta está ali mesmo: Solano ficou conhecido como o “poeta negro”. Isto, somado às suas poesias carregadas de denúncias e críticas, certamente contribuiu para que ele não entrasse no cânone literário (principalmente escolar).

“Liberdade é um tema recorrente na obra de Solano Trindade — principalmente nos poemas que abordam a escravidão e a vida do negro fora da África”

E apesar de igualdade e liberdade ecoarem em muitas das poesias aqui reunidas, o livro nos leva muito além, mostrando que o “poeta negro” sabia brincar com as palavras e usá-las para falar de tudo um pouco, de maneira inteligente e, muitas vezes, surpreendente.

“Outros temas, mais cotidianos, também estão presentes nesta antologia”

Assim, Poemas antológicos está dividido em quatro grandes temas:

  • Vida, nossa vida
  • Deuses e raízes
  • Amor à flor da pele
  • Resistência e luta

Por mais que as temáticas se conversem e se cruzem em alguns pontos, é muito fácil perceber o assunto de cada poema e qual grande tema estamos percorrendo naquele momento. 

“Todo amor é de agora…

Não existe amor futuro”

(Amor, amor, sempre amor)

A poesia de Solano me cativou não apenas por sua variedade de temas, mas também por sua forma e sua força. Senti que estava lendo poesia de verdade e fiquei ainda mais encantada ao saber que alguns dos poemas chegaram a ser musicados, inclusive por João Ricardo, dos Secos e Molhados, na canção que pode ser ouvida abaixo.

Também chamou a minha atenção a criatividade do autor, o uso de figuras de linguagem, a ironia bem empregada. 

Dentre os poemas que não posso deixar de destacar, menciono F. da P, Toque de reunir, Batucada, Civilização branca.

Se você quiser conhecer estes e outros versos de Solano Trindade, indico a obra Poemas antológicos, que você pode obter em formato físico ou digital clicando abaixo.

* Lembrando que qualquer compra feita na Amazon a partir dos links postados neste Blog, irá gerar uma comissão para este espaço, sem custo algum para você, ou seja, todos saem felizes nesta história (:

TAG Uno

Feriados são ótimos para descansar, mas também são um excelente momento para se divertir, não é mesmo? Pensando nisso, hoje trouxe uma TAG literária inspirada no jogo Uno (sim, aquele famoso destruidor de amizades…).

Vi a TAG numa postagem de setembro de 2022 (um ano atrás!), lá no Leitor dos Sonhos. Clicando abaixo você pode conferir a postagem original (:

E agora vamos às minhas respostas?

+4 – Quatro livros que de alguma forma marcaram sua vida.

Já começamos no nível hard, mas vamos a (somente) quatro livros que me marcaram de alguma forma. Nenhum deles, infelizmente, resenhado por aqui, porque foram lidos antes da existência deste espaço.

+2 – Duologia que você já leu ou tem vontade de ler.

Fiquei um tempo pensando em alguma duologia que eu já tivesse lido para, no fim, ficar indignada comigo mesmo por não ter lembrado logo de cara da mais incrível: O irlandês, da Tayana Alvez.

BLOQUEIO – Um livro que você não tem vontade de ler.

Confesso que nunca li, mas também não tenho muita vontade de ler, O senhor dos anéis. Imagino que seja uma leitura ótima, mas densa, e eu dificilmente a encararia hoje em dia.

CORINGA – Aquele livro que todo mundo deveria ler.

Outra categoria bem difícil, hein? E com o risco de cair na mesmice das minhas últimas indicações, recomendo muito Os olhos claros do pássaro, da Valéria Macedo.

INVERTER – Um livro que, se você pudesse, mudaria o final da história.

Eu com certeza adoraria que o final de Por um triz fosse diferente, mesmo sabendo que isso é praticamente impossível (mas eu não mudaria o final por achá-lo ruim, apenas triste mesmo).

JOGADOR – Aquele livro que você leria com amigos.

Acho que uma leitura legal para se fazer com os amigos seria a de alguma antologia, como Clichês em Rosa, Roxo e Azul, da Maria Freitas, porque seria legal ir trocando ideias a cada conto lido.

UNO – Aquele livro que teve um final perfeito.

Tantos, hein? Porém para indicar um, menciono O mistério da casa incendiada, do Rafael Weschenfelder, que me deixou sem fôlego.

Exceto os quatro primeiros livros e, claro, a trilogia de O senhor dos anéis, todos os outros livros possuem resenha aqui no Blog! Não deixe de conhecer um pouco mais de cada um desses livros.

Conseguiu pensar em quais seriam as suas respostas para esta TAG? Compartilha comigo nos comentários!