TAG: Direitos do Leitor

TAG_ DIREITOS DO LEITOR

Deu saudades de responder uma TAG por aqui, e resolvi fazer essa, que me remete ao livro do Daniel Pennac, Como um romance, um livro que eu recomendo muito e que fala justamente sobre o ato de ler (e como incutir esse hábito em seus alunos) e sobre os “direitos” do leitor! Antes das respostas, porém, queria dizer que eu vi essa TAG lá no Fantástica Ficção, da Jessica Rabelo.

  • O direito de não ler: um livro que você não quer ler nem que te paguem

Acredito que “50 tons de cinza“. Responder essa pergunta certamente requer certa dose de preconceito, mas eu acredito que se eu sempre tivesse a escolha entre esse livro e outro, escolheria o outro.

  • O direito de pular páginas: um livro que você leu… só o que interessava

Momento confissão: no livro “O mundo de Sofia” eu pulei algumas das páginas sobre filosofia para ir logo para as páginas com a história da menina… Mas foram só algumas paginas!

  • O direito de não terminar um livro: um livro que você começou algumas vezes antes de ler inteiro

Acreditem ou não, “Harry Potter“. Tentei começar a ler quando era nova demais e as palavras eram extramente difíceis para mim.

  • O direito de reler: um livro que você salvaria no fim do mundo, para reler pela eternidade

Considerando a quantidade de vezes que já reli esse livro, acredito que “A Princesinha“.

  • O direito de ler qualquer coisa: o livro mais improvável que você já leu e gostou, e que algumas pessoas talvez duvidem que você leu

Não sei… Talvez o livro “Piadas nerds“??

  • O direito ao bovarismo: um livro que parecia ótimo! Mas que o tempo passou… e você pensou a respeito.

Vou citar aqui “O jardim secreto“, mas a verdade é: eu tinha altas expectativas sobre esse livro. Eu havia visto o filme em minha infância e me lembro de ter adorado, porém… Fiquei bem decepcionada com o livro, foi uma leitura muito arrastada.

  • O direito de ler em qualquer lugar: o lugar mais estranho/improvável em que você já leu um livro

Acho que na “cadeira do castigo”, na cozinha. Não era verdadeiramente uma cadeira do castigo, mas, na época, meu quarto estava em reforma e eu passava mais tempo em outros cômodos da casa. Quando estavam vendo televisão na sala, eu sentava em uma cadeira na cozinha para ler e aí parecia que eu estava de castigo ali.

  • O direito de ler uma frase aqui e outra ali: um livro que te alimenta com pequenas doses diárias

Confesso que não sei responder essa… Mas quando pego livros de contos ou de poesia para ler, acabo lendo em “doses homeopáticas”.

  • O direito de ler em voz alta: um livro que você precisou ler em voz alta

Não foi um livro, mas um conto: “Desenredo“, de Guimarães Rosa.

  • O direito de calar: um livro que te deixou sem palavras, porque era muito bom… ou muito ruim

Eu poderia citar tantos aqui que prefiro não citar nenhum…  E estou falando de livros bons mesmo!

 

Cartas a um jovem poeta —Rilke

Título: Cartas a um jovem poeta
Original: Briefe an einem jungen Dichter
Autor: Rainer Maria Rilke
Editora: L&PM
Páginas: 96
Ano: 2006
Tradutor: Pedro Süssekind

cartas a um jovem

Cartas a um jovem poeta foi uma leitura que me tirou de minha zona de conforto. Em primeiro lugar pelo tipo de livro: um livro epistolar, isto é, no formato de cartas, como aponta o próprio título da obra. Ao todo, são 10 cartas, escritas por Rainer Maria Rilke em resposta a Franz Xaver Kappus. Não tenho o hábito de ler livros desse gênero, mas não por não gostar, apenas porque acabo encontrando-os em menor número por aí.

Mas, para além do formato do livro, esta é uma obra mais densa, ainda que seja extremamente pequena (são apenas 96 páginas, o livro é bem fininho mesmo). A linguagem não é difícil, mas nos faz pensar.

“Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade”

(p. 26)

Rainer Maria Rilke foi um grande poeta alemão do século XX. Neste livro, vemos suas respostas ao jovem Franz Xaver Kappus, aspirante a poeta, que escreve a Rainer em busca de conselhos. Mas, o que vemos ao longo das páginas deste livro vão muito além de sugestões de escrita. Vemos inúmeros parágrafos sobre sobre a existência humana, o amor e a solidão.

“No fundo essa é a única coragem que se exige de nós: sermos corajosos diante do que é mais estranho, mais maravilhoso e mais inexplicável entre tudo o que nos deparamos”

(p. 77)

Através dessas cartas unilaterais (pois não temos as cartas de Franz, somente as respostas de Rilke), vamos percebendo como a relação deles vai se estreitando e como, toda vez, Rilke pede desculpas pela demora em responder, seja por uma doença ou por alguma viagem que teve de fazer.

“Não acredite que quem procura consolá-lo vive sem esforço, em meio às palavras simples e tranquilas que às vezes lhe fazem bem”

(p. 82)

O que tornou essa leitura ainda melhor foi o fato de que este é um livro que meu namorado gosta muito, tanto que ele me presenteou com o volume que ele mesmo havia lido. Ao longo das páginas eu ia percebendo muitas coisas que sei que meu namorado concorda e que até já repetiu em algum momento de nosso relacionamento. Fora isso, algumas palavras do autor pareciam cair como uma luva em relação a coisas que eu ou meu namorado estávamos vivendo ou sentindo no momento que eu lia o livro (coisas essas que certamente serviriam em tantas outras ocasiões, o que torna esse um daqueles livros que precisamos reler de tempos em tempos).

“Pois mesmo os melhores erram nas palavras quando elas devem significar o que há de mais leve e quase indizível”

(p. 42)
Se você se interessou por essa obra, clica aqui.

 

Amuleto — Tiê

Amuleto — Tiê

Se você nunca ouviu Amuleto, deixo aqui meu alerta: essa é uma daquelas músicas que gruda na cabeça. A canção ficou conhecida na voz de Tiê e foi lançada em 2017, mas seu compositor é Bruno Caliman, que também já compôs para muitos outros cantores conhecidos. É uma música leve, melodiosa, gostosa de ouvir.

Não deixe eu me arrepender
De um dia eu ter te amado João
Não deixe eu escapar assim
Me prende nos seus braços João

Com os versos acima começa essa canção, que fala sobre relacionamento. Sobre uma história, que poderia ser tantas. Um romance entre um eu lírico (não nomeado) e João, um nome, por sua vez, um tanto quanto genérico. Mas eu confesso que toda vez que ouvia essa música, ficava incomodada. Alguns versos específicos me causavam essa estranheza e eu sentia que precisava pesquisar sobre ela, para ver se eu estava enganada ou não.

Cola do meu lado
Tranca um cadeado
Ponha alarme em mim
Não deixa eu chorar no quarto
Pensando em você João
Não deixe o tempo apagar
Eu posso te esquecer João
Me liga toda hora
Vigia a minha porta
Cuida do meu coração
Resolve os meus problemas
Me leva pro cinema
Depois até a lua
Me traz uma estrela
Me faz a gentileza
Comete uma loucura

Eu ouvia isso e pensava “que abusivo”. Talvez sim, talvez não. Trata-se de uma música em que o eu lírico realmente tenta, a todo custo, salvar uma relação, mostrar para o outro que eles ainda podem (e talvez precisem) estar juntos. Mas a que custo?

Me leva no seu bolso
Me faz de travesseiro
Me pendura em seu pescoço feito um amuleto
Você me tem nas mãos
Mas não aperta João
Que eu escapo entre os seus dedos

Ao mesmo tempo, é uma letra que mostra uma relação desgastada, em que os amuletos são também as marcas que carregamos conosco. Sim, uma letra metafórica, no final das contas. E triste. Mas talvez não tão assustadora quanto me pareceu em um primeiro momento.

É bom quando uma música, por mais despretensiosa que pareça ser, nos faz parar para pensar. Valeu a pena ter parado para analisar essa letra com mais calma. Talvez agora eu consiga realmente apreciar essa canção sem me assustar a cada vez que a escuto (ainda que agora ela toque bem menos nas rádios).

 

Desmistificando o mestrado [5] Passei no processo seletivo, e agora?

Desmistificando o mestrado [5]

Depois de meses escrevendo um projeto de pesquisa decente, depois de passar por uma prova de proficiência, pela prova de conhecimentos específicos e pela entrevista, é chegada a hora de ver seu nome na tão sonhada lista: os aprovados no processo seletivo para o Mestrado. Mas, passada a euforia inicial, vem a pergunta de sempre: e agora, estou realmente preparado(a) para iniciar essa fase?

É aquilo que sempre dizem: se der medo, vai com medo mesmo. A verdade é que nunca saberemos se estamos prontos ou não para algo até realmente tentarmos. E se chegamos até aqui, alguma condição de seguir devemos ter. E se não tivermos, desistir está liberado.

O que vou dizer agora provavelmente é bem clichê (sim, tanto quanto a frase ali em cima), mas se você passou no Mestrado, sua nova palavra amiga é a organização. Os prazos são curtos, as obrigações são muitas então… Organize-se! E se informe, sempre.

Eu diria até que, se você passou no Mestrado, seu primeiro passo é reunir o maior número de informações possíveis sobre todo o processo. Sobre o que você tem de fazer, quais são os prazos, tudo. E isso com certeza não é uma tarefa nem um pouco fácil, principalmente se você não tem o hábito de realmente perguntar as coisas para os outros.

Na Universidade de São Paulo (e, creio eu, na maioria das Universidades) nenhuma informação cai do céu. Então busque estudar o terreno no qual você está pisando. Mas existe algo que nos ajuda demais: a ficha do aluno, disponibilizada no sistema Janus, que é onde você também verá seus dados e notas relativas à Pós-Graduação. Nessa ficha, seus prazos também estarão registrados e é muito importante que, desde o início, você se atente a eles.

Não me lembro bem se já disse isso por aqui ou não, mas no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas temos apenas dois anos para concluir o Mestrado. Esse prazo pode ser um pouco maior ou até mesmo um pouco menor, variando de Programa para Programa. Pense que, nesses dois anos, você precisa:

  • Cursar as disciplinas (para o Mestrado, são necessários 24 créditos);
  • Passar pela Qualificação (que é a avaliação feita na metade da sua pesquisa);
  • Coletar os dados da pesquisa;
  • Organizar os dados e as leituras realizadas;
  • Escrever.

E isso sem contar que, muito provavelmente, vão pedir que você participe de eventos acadêmicos. E que escreva artigos científicos. É, não é pouca coisa.

Já pensou conciliar isso com uma rotina de trabalho? Se você trabalha 8 horas por dia, fica realmente bem puxado. Se você tem horários mais flexíveis, isso ajuda muito. Em qualquer um dos casos, como eu disse, a organização será essencial.

No próximo post eu pretendo falar um pouco sobre os créditos e sobre as disciplinas, mas uma coisa que eu gostaria de adiantar: levando em consideração esse prazo de dois anos para fazer tudo o que listei acima, o ideal é que você ingresse no Mestrado tendo cursado ao menos uma disciplina como aluno especial (e que essa disciplina possa ser validada após o seu ingresso). Pode parecer pouco, mas já será de grande ajuda! E também é bom para te dar uma dimensão de como é a Pós-Graduação, o ritmo das aulas, as avaliações.

Meu médico envolvente — Juju Figueiredo

Título: Meu médico envolvente
Autora: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 391
Ano: 2019

medico envolvente

Se você já leu Meu envolvente professor e Meu juiz envolvente (leituras recomendadas antes desse, mas não obrigatórias), talvez Meu médico envolvente não te surpreenda tanto. Isso porque, ao contrário dos dois primeiros, o passado de Jefferson e de Débora já não são mais tão desconhecidos para nós, uma vez que as principais causas das dores deles já haviam sido reveladas nos volumes anteriores.

“A dor não passa, ela fica ali, te lembrando do que você perdeu, do que você não pode mais ter”

Ainda assim, esse é um livro capaz de te prender, de te fazer querer saber o que vem depois e como irá se desenrolar a história desse casal que parece muito improvável. Um livro que vai te fazer torcer para que as coisas acabem bem, da forma que for, e que vai te fazer sentir emoções diversas.

“Como eu poderia trazer alguém de volta à vida, se a vida já havia saído de mim há muito tempo?”

Assim como nos demais livros dessa série, em Meu médico envolvente temos uma narrativa alternada entre Débora e Jefferson, os protagonistas deste volume. Débora é uma mulher forte, que sofreu muito na vida: perdeu a irmã e teve de se virar para sustentar seu sobrinhos, largando a faculdade e… tornando-se prostituta. É muito interessante ver como o livro aborda essa questão, como não se trata exatamente de uma escolha, mas chegar em uma via sem saída. Literalmente, porque depois que Débora entrou nesse mundo, era cada dia mais difícil sair dele.

“Um erro de julgamento faz a percepção das pessoas mudarem quando descobrem a verdade sobre você”

Jefferson, por outro lado, não tinha um passado tão complicado. Sua vida era estável, tranquila: formado em medicina, ele é o herdeiro de um renomado hospital. Mas ele havia perdido o amor de sua vida e, com isso, o sentido para a sua própria existência. Ao menos por um tempo…

Ao longo das páginas vamos conhecendo melhor cada um desses dois personagens. Seus sentimentos, medos, pequenas vitórias. Vamos sendo envolvidos. Vemos as barreiras que eles construíram para si serem, aos poucos, desfeitas. E, para completar, a seleção musical que acompanha os capítulos está sensacional!

Se interessou por essa história? Então clica aqui.

Como começar a ler?

Como começar a ler_

Já ouvi muita gente afirmando categoricamente que não gosta de ler. Também já escutei coisa do tipo “eu queria ler mais, mas não consigo. O que eu posso fazer?”. Confesso que uma frase como essa segunda mexe muito comigo (não que a primeira não mexa também, mas vocês entenderam).

O objetivo desse cantinho é incentivar a leitura e, veja só, nem sempre apenas falar sobre um livro, sobra sua história e sobre o que me chamou a atenção naquelas páginas é suficiente para que uma pessoa quebre a barreira entre o não ler e o ler.

Andei refletindo muito sobre o assunto. É claro que dicas de “como começar a ler” ou “como ler mais” é o que não falta por aí. E, ainda assim, as pessoas não leem? Por que? Confesso que também não sei, mas quis arriscar trazer algumas sugestões aqui.

Para começar, eu gostaria de dizer que, hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que não seja um leitor. Sim! Porque aposto que você não lê livros, mas lê notícias em jornais e revistas, posts de blogs e até mesmo os famosos “textões” das redes sociais. Pois bem, ainda que não sejam livros, são leituras. E um primeiro passo para ler (e ler mais) talvez seja a substituição: troque a leitura de uma notícia que vai te deixar mal, por algumas páginas de um livro gostoso. Troque textões, que talvez não te acrescentem muito, por alguns parágrafos daquele livro que está parado na sua estante há alguns meses.

Às vezes também pode acontecer, porém, de você ter dado início a vários livros e nunca ter conseguido acabar um. Mas te pergunto: qual era o gênero desses livros? E eu sei que essa é uma pergunta bem ampla e que requer ao menos uma dupla análise: talvez você prefira ler poesias a romances, mas acabou sempre iniciando a leitura destes e nunca mergulhou na leitura daqueles. Ou então você prefere crônicas a contos, mas, desconhecendo a diferença entre eles. Por outro lado, talvez você tenha só começado a ler livros de romance, mas goste mesmo de um bom thriller ou mesmo uma biografia, por exemplo. Eu pretendo começar a escrever mais sobre essas coisas por aqui também. Sobre gêneros, seja formato, seja tipo de histórias, e, quem sabe, vocês poderão dar uma nova chance aos gostos de vocês.

Nesse mesmo quesito, existe outro ponto muito importante a ser levado em consideração. Eu, confesso, não me importo com isso, mas descobri que muita gente sim: o tipo de narrador do livro! A maioria das histórias são narradas em primeira ou em terceira pessoa. Há leitores que só gostam de livros escritos em primeira pessoa, assim como o contrário também acontece. Você já havia parado para pensar nisso?

Um ponto elementar mas não muito: se você não tem o hábito de ler, preste atenção ao tamanho. E aqui eu não estou falando somente do tamanho do livro em si, mas também dos capítulos e até mesmo dos parágrafos. E por que? Porque se você não tem o hábito de ler, você talvez se canse mais facilmente ou perca a paciência mais facilmente. Se você interrompe a leitura no meio de uma ideia (ou seja, no meio de um capítulo e, pior ainda, no meio de um parágrafo) é ainda mais difícil você querer retornar a ela. Bom, pelo menos é o que eu acho!

E, ainda nessa linha, não crie metas irreais. Ler é um hábito, ou seja, algo que você vai adquirindo aos poucos e com persistência. Não ache que você só será considerado um leitor se ler um livro de pelo menos 200 páginas e se ler pelo menos três livros por mês. Não! Esse números não dizem nada. É melhor ler pouco, mas ler com qualidade. E claro, gostar do que se está lendo. Fora que, algumas leituras exigem mais tempo que outras. Algumas exigem que a gente faça uma pausa, respire, reflita. E claro: não se cobre a terminar um livro que você está odiando. Começou a ler algo e não gostou? Parte para a próxima! Talvez não seja o momento de ler aquilo, talvez você realmente não goste daquela narrativa. E está tudo bem.

Aliás, vocês sabiam que pessoas que estão acostumadas a ler podem sofrer de “ressaca literária”? Pois é. E quando esse mal nos acomete, parece que não existe livro no mundo que dos dê vontade de voltar a ler. Mas a gente volta. Com muita paciência e perseverança a gente volta.

Agora vamos ser sinceros: você leu tudo o que escrevi até aqui (e, só por isso, eu já te considero um leitor), mas está pensando “ok, mas eu não tenho tempo para ler!”. Sinto te informar, mas você está enganado(a)! Experimente carregar sempre um livro, um e-reader ou então baixar um app de leitura no celular (o kindle, por exemplo, não é apenas um aparelho, mas um aplicativo para celular também!). Sabe aquele momento que você está entediado(a), já revirou todas as redes sociais possíveis e não tem mais o que fazer? Leia! E quando você usa transporte público, mas o pacote de internet já acabou, o celular está descarregado e “perrengues” afins? Leia! Aos poucos isso vai viciando e você pode até acabar preferindo ler cada vez mais e mais!

Você também pode separar alguns minutos do seu dia para se dedicar à leitura. Sim, você pode separar minutos, não horas! 20 minutos por dia já são suficientes para colaborar com seu novo hábito.

Por fim, você deve estar pensando: “mas livros são caros“. Errou de novo! Quer dizer, livros podem ser caros, mas isso depende de muita coisa. Por exemplo, você pode pegar um livro emprestado gratuitamente em qualquer biblioteca (sua cidade certamente tem ao menos uma) ou mesmo com um amigo bondoso. Ou então você pode procurar dentre os inúmeros ebooks que a Amazon disponibiliza gratuitamente a cada dia um que possa te agradar. Você também pode ir a um sebo, comprar livros por preços menores, ou procurar na internet por promoções, cupons de desconto, trocas! As possibilidades são inúmeras!

E aí, vamos começar a ler ou ler mais ainda?

 

Citações #29 — Dois garotos se beijando

citações #29

Quando eu escrevi a resenha de Dois garotos se beijando, tentei demonstrar o quanto esse livro me tocou. Não sei se consegui, mas vai aqui uma segunda chance, trazendo alguns dos quotes que deixei de fora do primeiro post.

“O silêncio só faz mal quando há coisas que não estão sendo ditas, ou quando há medo de que o poço esteja seco e não haja nada a ser dito”

(pg. 83)

Como eu disse na resenha, esse é um livro que fala de sentimentos. E sentimentos de todo tipo.

“Quanto menos ligações você tem com o mundo, mais fácil é ir embora”

(pg. 187)

Uma das coisas mais tocantes de Dois garotos se beijando, porém, é como ele aborda as questões familiares. Ainda mais por se tratar de um livro sobre/para adolescentes, em uma fase em que tudo na vida parece ganhar novas perspectivas.

“É difícil parar de ver seu filho como seu filho e começar a vê-lo como ser humano. É difícil parar de ver seus pais como pais e começar a vê-los como seres humanos. É uma transição bilateral, e pouquíssimas pessoas conseguem fazê-la com tranquilidade”

(pg. 96)

E uma vez mais os sentimentos predominam, nos fazendo recuar, ter medo de decepcionar o outro, mas, ao mesmo tempo, querer se tornar aquilo que se é (ou que se virá a ser). Confuso? Bem, nós também temos a nossa dose de confusão nessa vida.

“Não há nada mais doloroso do que ver alguém desistir de você. Principalmente se for sua mãe”

(pg. 35)

O importante é lembrar que tudo passa. Sempre.

“Tudo fica melhor depois de uma noite de sono”

(pg. 26)
Tem interesse em ler Dois garotos se beijando? Então clica aqui.

O outro lado do sobrenatural (Antologia)

Título: O outro lado do sobrenatural
Autor: Vários
Organização: Alessandra Ribeiro de Abreu
Editora: Lettre
Páginas: 220
Ano: 2020

O outro lado do sobrenatural blog

Mais uma vez a Editora Lettre surpreende seus leitores com uma antologia recheada de histórias variadas e inesperadas. E se engana quem acha que são histórias de terror, pois o sobrenatural, por definição, é aquilo que está além do humano, do natural ou até mesmo do comprovado cientificamente. E aqui, além de tudo, estamos falando sobre o outro lado do sobrenatural, em treze contos que certamente você não esquecerá.

“Por mais que eu lutasse, ela já estava morta por dentro. Eu não podia matá-la” 

Ao longo das páginas desse livro nos deparamos com bruxas, deuses gregos, vampiros, fadas, anjos, demônios, lobisomens e até com lendas brasileiras. E o estilos dos contos é dos mais variados também: algumas histórias são mais sombrias, outras são mais metafóricas. Até um conto hot a gente encontra nessa antologia!

“Meu rosto estava lavado de lágrimas, mas dessa vez elas não me acalmavam”

É muito bacana ver como os autores conseguiram usar elementos sobrenaturais para nos falar sobre coisas tão humanas, sobre dores e sentimentos tão nossos. Um livro que fala sobre nossos medos, nos mais diversos sentidos que ele possa existir.

“A dor de uma decepção é capaz de te consumir tal qual o fogo que incendeia a madeira”

Eu gostei de conhecer O outro lado das bruxas, e personagens como O príncipe do mar, Bianca e Nara. Também gostei do Canto das sereias, e mesmo do som do Monstro. A morte amou a vida e a Magia oculta foi O início do fim (esse conto fala mais sobre a Kyra, de O despertar da profecia!). É, esses contos Vieram para causar, então Preparem o espaço no inferno! Mas Cuidado com que acredita e com o que há Atrás de você!

Se interessou por essa antologia? Então clica aqui!

 

A modo tuo — Ligabue

A modo tuo — Ligabue

Talvez você, leitor mais atento deste Blog, tenha se perguntado o porquê da louca aqui ter usado uma música em italiano numa resenha de um livro sobre o Paquistão. Bem, talvez eu não esteja tão louca assim e possa explicar tudo neste post aqui! Bora?

Quando eu estava lendo Livre para voar, acabei escutando, de novo,  A modo tuo (do seu jeito, em uma tradução simples). Uma música escrita por uma pai para a sua filha. Assim como o livro é de um pai sobre sua filha (em linhas bem gerais, claro).

A música é uma espécie de diálogo recheado de bons desejos, mas no qual cabe, também, um pedido de desculpas pelo mundo que o filho receberá. E esse talvez seja um dos pontos exatos em que não pude deixar de casar essa canção com a leitura que trouxe a vocês.

Será difícil te pedir desculpa
Por um mundo que é como é
Eu tento fazer alguma coisa
Mas é difícil mudá-lo

Mas essa música também parece cair como uma luva em Livre para voar em muitos outros aspectos como, por exemplo, o fato de ambos os pais sentirem certo medo — misturado a um maravilhamento, claro — diante da criança que os aguarda, uma criança que vem para trazer uma mudança, seja no próprio adulto, seja no mundo que a recebe:

Será difícil crescer
Antes que você cresça
Você, que fará tantas perguntas
E eu que fingerei saber mais

A verdade é que a letra de A modo tuo é tão linda quanto o livro Livre para voar. É uma música que eu ouço e ouço e não deixo de achar incrível. Com uma mensagem sincera, forte. Para além dos trechos que apresentei acima (e que, bem livremente, tentei traduzir), essa música ainda fala sobre ver (e deixar) seus filhos crescerem. Ter de ser um mero espectador a partir do momento que o filho passa a escolher seus próprios caminhos. E até nisso eu consigo encontrar ecos das palavras de Ziauddin.

Será difícil te ver de costas
Pelos caminhos que escolherá
Todos os semáforos
Todas as proibições
E as filas que evitará
Será difícil
Enquanto lentamente você se afasta
Procurando sozinha
Aquilo que será

Confesso que eu poderia ouvir essa música vezes e vezes seguidas (e depois passar semanas com ela na cabeça) e poder escrever esse post foi mais um presente para mim mesma (hoje é meu aniversário) do que qualquer outra coisa. Se bem que eu tentei traduzir uns trechinhos para que vocês tenham uma idea da beleza dessa música. O texto original segue abaixo e, no final desse post, vocês podem ouvir a versão cantada pelo próprio Ligabue (tem uma versão cantada pela Elisa também, igualmente linda)

Sarà difficile diventar grande
Prima che lo diventi anche tu
Tu che farai tutte quelle domande
Io fingerò di saperne di più
Sarà difficile
Ma sarà come deve essere
Metterò via i giochi
Proverò a crescere
Sarà difficile chiederti scusa
Per un mondo che è quel che è
Io nel mio piccolo tento qualcosa
Ma cambiarlo è difficile
Sarà difficile
Dire tanti auguri a te
A ogni compleanno
Vai un po’ più via da me
A modo tuo
Andrai, a modo tuo
Camminerai e cadrai, ti alzerai
Sempre a modo tuo
Sarà difficile vederti da dietro
Sulla strada che imboccherai
Tutti i semafori
Tutti i divieti
E le code che eviterai
Sarà difficile
Mentre piano ti allontanerai
A cercar da sola
Quella che sarai
A modo tuo
Andrai, a modo tuo
Camminerai e cadrai, ti alzerai
Sempre a modo tuo
Sarà difficile
Lasciarti al mondo
E tenere un pezzetto per me
E nel bel mezzo del tuo girotondo
Non poterti proteggere
Sarà difficile
Ma sarà fin troppo semplice
Mentre tu ti giri
E continui a ridere
A modo tuo
Andrai, a modo tuo
Camminerai e cadrai, ti alzerai
Sempre a modo tuo

Livre para voar — Ziauddin Yousafzai

Título: Livre para voar: a jornada de um pai e a luta pela igualdade
Original: Let her fly: A father's journey and the fight for equality
Autor: Ziauddin Yousafzai e Louise Carpenter
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 162
Ano: 2019
Tradutor: Denise Bottmann

livre para voar blog

(Leia essa resenha ao som de A modo tuo — Ligabue)

É muito difícil ler Eu sou Malala e não ficar impactado com essa leitura que nos transforma e muda nossa maneira de ver o mundo. Esse é um dos meus livros preferidos e quando descobri que havia um escrito pelo pai dela, logo quis ler também. Infelizmente, o logo demorou um pouco, mas, como sempre, veio no momento certo.

Livre para voar já nos impacta no título. Não só pela beleza da imagem, mas porque qualquer um que conheça minimamente a realidade de onde vêm Malala e Ziauddin Yousafzai, sabe que “liberdade” não é uma palavra muito comum. Menos ainda se dirigida a uma mulher.

“Realmente acredito que as normas sociais são grilhões que nos escravizam”

(p. 56)

Ao longo desta obra (que é bem curta, na verdade), conhecemos um pouco mais o pai de Malala — Ziauddin Yousafazai — e, por meio de suas histórias, acabamos conhecendo mais a fundo também sua família e sua cultura.

“Comecei a repensar as ideia culturais de meu pai, do pai dele e de todos os pais do Paquistão de outrora”

(p. 46)

Ainda que Ziauddin só tenha vindo a conhecer essa palavra muitos anos depois, não podemos deixar de pensar em feminismo ao ler essa obra. Principalmente porque, quando falamos sobre esse assunto, tendemos a desconsiderar qualquer opinião ou palpite masculino, afinal, essa não é “a causa deles”, o lugar de fala deles.

Com a narrativa de Ziauddin, porém, temos de reconhecer que algumas lutas serão impossíveis sem os homens. Se ele não fosse quem é, se não tivesse conseguido refletir sobre a própria forma como foi criado, a Malala que conhecemos hoje não existiria. Ela seria apenas mais uma menina do Paquistão, dona de casa, que viveria em função de seu marido.

“Meu pai via as qualidade especiais de Malala, via como a respeitávamos e a valorizávamos, e foi assim que descobriu que uma menina vale tanto quanto um menino”

(p. 57)

Já deu para imaginar que esse livro, apesar de curto, é bem denso, certo? Certíssimo! De maneira leve vamos conhecendo mais a fundo o Paquistão e as consequências das ações do Talibã. De maneira não tão leve, vamos acompanhando a jornada de um pai que luta pela igualda feminina e, mais que isso, que incentiva sua filha a erguer a voz em uma sociedade onde mulheres sequer são consideradas parte da família.

“Ser esposa era um papel, e sem uma esposa uma casa não sobrevivia”

(p. 42)

Esse foi um livro que, enquanto lia, queria comentar com todo mundo, mas, ao mesmo tempo, não conseguia comentar com ninguém, pois precisava absorver cada linha dele. Um livro que eu queria abraçar forte, ao mesmo tempo que precisava desse abraço para poder ler as suas páginas.

“Vi meninas incríveis que foram obrigadas a renunciar à sua educação e a seu futuro. Essas meninas nunca tiveram uma chance de ser quem eram”

(p. 12)

Enquanto o Eu sou Malala é uma leitura e tanto para jovens (mas não só), Livre para voar é excelente para pais que querem refletir sobre a maneira como educam seus filhos, ou então para aqueles pais que se sentem sozinhos, travando batalhas grande demais. Ziauddin Yousafzai só sentiu medo do que estava fazendo, da mudança que estava construindo, quando ameaçaram (e atingiram) seu calcanhar de Aquiles: Malala, sua adorada filha.

“Mas há aí uma mensagem: os sonhos dos pais podem ser um fardo”

(p. 65)

Mas, sem dúvidas, ambos os livros são uma inspiração para qualquer um que esteja disposto a tornar-se mais humano e que queira expandir seus horizontes culturais e sociais.

“É assim que acredito que se dá a transformação social. Ela começa por nós”

(p. 62)
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