Amor I love you — Marisa Monte

Em junho eu tive a grande oportunidade de ouvir Marisa Monte ao vivo e, desde então, tenho estado um pouco (muito) mais fascinada com essa artista e, sobretudo, com suas músicas, que falam tão bem dos mais diversos momentos de nossas vidas.

Foi durante o show — num momento um tanto quanto chocante, diga-se de passagem — que me veio o estalo de que eu ainda não tinha trazido para cá a música Amor I love you e, principalmente, a intertextualidade que acontece nela. Mas vamos por partes.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que o “momento chocante” do show foi perceber que ninguém mais ninguém menos que o próprio Arnaldo Antunes subiu ao palco para recitar os 10 segundos da obra que dialoga diretamente com Amor I love you. E é a partir daqui que este post começa de verdade.

Amor I love you faz parte do álbum Memórias, Crônicas e Declarações de amor, gravado em 2000. A letra foi composta por Carlinhos Brown e Marisa Monte e, como mencionado, conta com uma participação especial do Arnaldo Antunes.

Num primeiro momento, pelo título e pela letra, parece apenas mais uma música romântica, uma declaração de amor. Mas, basta um olhar mais atento e percebemos que esse é… um amor que não pode ser declarado e vivido como se espera?

É, é só assistir o clipe oficial (que colocarei ao final deste post) e essa suspeita acaba se confirmando: um casal idoso, apaixonado, mas cuja mulher esconde um grande segredo. Seu verdadeiro amor não é o seu marido.

Quando chegamos na metade da música, tudo se confirma: Arnaldo Antunes entra recitando Primo Basílio do Eça de Queirós, uma obra literária com a seguinte sinopse:

“Durante uma viagem prolongada de seu marido, Luísa se deixa seduzir por Basílio, um primo seu que voltava a Portugal depois de uma temporada no Brasil. Imprudentes e indiscretos, os amantes acabam flagrados por Juliana, a empregada da casa, que passa a chantagear a patroa. Com o anúncio da iminente volta do marido, está armado o cenário para um caso exemplar de decadência do estilo de vida pequeno-burguês, com seus preconceitos e moralismos, seus tipos parasitários, suas relações amesquinhadas e seu frágil equilíbrio” 

Uma história em que a protagonista busca amor e romantismo (como a música parece carregar quase em excesso) e acaba por encontrá-los não em seu “verdadeiro” relacionamento, mas no amor e na atenção que lhe são entregues fora do casamento.

E por que a música, sendo inspirada em uma obra literária portuguesa, carrega em seu título e refrão a expressão do amor em inglês?

Aqui são muitas as explicações possíveis. A começar pelo fato de que, inserindo I love you, o amor expresso na música torna-se quase “universal”.

Mas há também a época em que a música foi gravada. Se hoje ainda somos muito “submissos” à cultura norte-americana, antes talvez fôssemos ainda mais.

E ao cantar esse amor verdadeiro, mas não “tradicional”, com um romantismo exagerado, Marisa Monte (e Carlinhos Brown) também ironizam um pouco daquilo que se via como o melhor que se produzia em termos de cultura (músicas melosas e com backing vocals igualmente melosos).

Lendo agora o texto (e a citação) de Amor I love you o que você acha disso tudo? Eu só acho tudo ainda mais genial agora que parei para refletir sobre o assunto.

Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pras paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo, caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão
É o espelho sem razão
Quer amor, fique aqui

Meu peito agora dispara
Vivo em constante alegria
É o amor que está aqui

Amor, I love you
Amor, I love you
Amor, I love you
Amor, I love you

Tinha suspirado
Tinha beijado o papel devotamente!
Era a primeira vez que lhe escreviam
Aquelas sentimentalidades

E o seu orgulho dilatava-se
Ao calor amoroso que saía delas
Como um corpo ressequido
Que se estira num banho tépido

Sentia um acréscimo de estima por si mesma
E parecia-lhe que entrava
Enfim, numa existência
Superiormente interessante

Onde cada hora tinha o seu encanto diferente
Cada passo conduzia a um êxtase
E a alma se cobria
De um luxo radioso de sensações!

Amor, I love you
Amor, I love you
Amor, I love you
Amor, I love you

Tash e Tolstói — Kathryn Ormsbee

Título: Tash e Tolstói 
Original: Tash hearts Tolstoy
Autora: Kathryn Ormsbee
Editora: Seguinte
Páginas:  375
Ano: 2017
Tradução: Lígia Azevedo

Sinopse

Natasha Zelenka é apaixonada por filmes antigos, livros clássicos e pelo escritor russo Liev Tolstói. Tanto que Famílias Infelizes, a websérie que a garota produz no YouTube com Jack, sua melhor amiga, é uma adaptação moderna de Anna Kariênina. Quando o canal viraliza da noite para o dia, a súbita fama rende milhares de seguidores ― e, para surpresa de todos, uma indicação à Tuba Dourada, o Oscar das webséries. Esse evento é a grande chance de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber de quem sempre foi a fim. Agora, só falta criar coragem para contar a ele que é uma assexual romântica ― ou seja, ela se interessa romanticamente por garotos, mas não sente atração sexual por eles. O que Tash mais gostaria de saber é: o que Tolstói faria?

Resenha

Eu poderia ter quebrado a cara com esse livro, porque a expectativa estava lá em cima. Mas a verdade é que na primeira página eu já não queria mais largar a história.

“Não importa o que aconteça no futuro, temos isto: contamos uma história que não poderíamos ter contado sem a ajuda um do outro”

Há anos sendo um item da minha wishlist literária, o que sempre me chamou a atenção neste livro foi o fato dele ter uma protagonista assexual romântica. E, por conta disso, sempre ignorei que o Tolstói do título fosse… Tolstói!

“Nos abraçamos todas essas vezes e este abraço é exatamente igual aos outros e totalmente diferente deles”

Tash ainda está indo para o último ano do colégio, mas já tem uma vida e tanto: com sua melhor amiga, ela escreve e dirige uma websérie Famílias Infelizes — que é, nada mais nada menos, que uma adaptação de Anna Kariênina — livro que, aliás, agora preciso muito ler (aceito opiniões nos comentários).

“Solto um suspiro, tentando manter a calma. Às vezes dirigir é como cuidar de uma criança pequena: requer muita paciência, pulmões fortes e a habilidade de convencer criaturas egoístas a fazer o que você quer”

Como se isso já não fosse enredo suficiente para um livro, a websérie acaba viralizando da noite para o dia, então Tash, Jack e todo o elenco têm de lidar com a fama repentina (e com tudo o que ela traz, inclusive o hate), bem como a realização de alguns sonhos e o surgimento de muitas dúvidas.

“Algumas pessoas são um livro aberto — dá para saber o que sentem sem muita dificuldade”

Só que Tash e Tolstói ainda tem muito mais. O livro trabalha temas como amizade e relações familiares, bem como pontos onde esses dois assuntos se misturam e se confundem.

“Não tenho certeza de que estou totalmente bem com isso, mas vou estar. Em algum momento”

E, claro, tem a questão da (as)sexualidade da Tash, que poucas vezes vi tão bem trabalhada quanto vi neste livro.

“Não é engraçado como algo pode ser sério por tanto tempo até que de repente não seja mais? Um dia, vira uma piada”

Talvez o mais fascinante desse livro — que eu fiz questão de devorar, ao mesmo tempo que não queria que acabasse nunca — seja o fato de que nada fica forçado na narrativa. Temas sérios são abordados com leveza e com personagens que possuem suas personalidades tão únicas.

“Quando é um momento oportuno para más notícias?”

E mesmo sendo narrado em primeira pessoa — pela Tash — a narrativa nos permite conhecer em boa medida a Jack, a Klaudie (irmã da Tash, responsável por boa parte — mas não toda — das questões familiares desta história), o Paul (irmão da Jack e melhor amigo da Tash, com um papel importante em suas descobertas) e todo o elenco de Famílias Infelizes.

Por se passar nos Estados Unidos, a história também nos lembra de questões relativas ao ensino superior por lá: nem todo mundo tem a oportunidade de realmente fazer o que quiser (ok, não só por lá, mas lendo o livro dá para entender o que é diferente daqui do Brasil).

“Às vezes você tem que seguir as regras injustas da vida”

A história se passa em alguns poucos meses, mas temos flashes de anos anteriores, necessários para a construção da narrativa. E esses poucos meses do presente também valem por muitos. Quanta coisa pode acontecer em dois ou três meses?

“Não é engraçado como algo pode ser uma piada por muito tempo e de repente não ser mais?”

Acho que isso é o que posso falar desse livro sem dar muitos spoilers. E sim, em alguns momentos você vai sentir raiva de certos personagens. Inclusive da Tash. Mas nas páginas finais você vai querer muito saber como essa história pode terminar. E eu gostei da forma que a autora uniu o início ao fim da narrativa.

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Citações #86 — No meu lugar

No meu lugar foi uma leitura forte que realizei este ano. 

Escrito por Jorge Castro, o livro aborda temas importantes e assuntos pesados. Talvez por isso a lembrança seja algo difícil ao longo da história.

“Lembrar é doloroso. Desperta outros medos”

Assim como o medo é uma presença constante. 

“Tudo pode acontecer. E pode ser bem ruim”

Mas onde há medo, também há coragem

“É corajoso deixar o mundo saber que você existe”

Aliás, há personagens corajosos também, e cheios de personalidade.

“Carol não puxou em nada as características do irmão. Aventureira nata, desde pequena. Nunca gostou de ser limitada”

Mas, sem dúvidas, a principal lição da obra é a necessidade de sermos quem somos, independentemente do que os outros dizem (ou pensam). 

“A gente só consegue ser feliz quando para de se preocupar com a forma como os outros veem nossa casa, e passa a focar no que realmente importa: se sentir bem dentro dela”

Se quiser saber mais sobre No meu lugar, não deixe de ler a resenha completa clicando abaixo

Crônicas da surdez — Paula Pfeifer

Título: Crônicas da surdez — aparelhos auditivos 
Autora: Paula Pfeifer
Editora: Publicação independente
Páginas:  126
Ano: 2020

Sinopse

Paula Pfeifer é uma surda que ouve — e que fala — graças a dois ouvidos biônicos. Começou a perder a audição progressivamente na infância. O diagnóstico correto chegou na adolescência, mas a vergonha da própria surdez a impediu de usar aparelhos auditivos por muitos anos.

A jornada da deficiência auditiva foi muito solitária e assustadora, e a publicação deste livro celebra a sua saída definitiva do armário da surdez. “Crônicas da Surdez” reúne textos que contam sua história, experiências com o uso de aparelhos auditivos, reflexões sobre vergonha, aceitação, direitos, além de contar algumas aventuras num mundo que ainda não tem toda a acessibilidade necessária.

Foi indicado ao Prêmio Biblioteca Nacional e matéria na revista Vogue Brasil, Vogue Portugal, Marie Claire, em inúmeros programas de TV e nos principais jornais brasileiros.

Resenha

A leitura de Crônicas da surdez é fácil: sua linguagem é simples e faz parecer que a autora está conversando conosco.

“Conviver com a surdez requer uma boa dose de bom humor e paciência”

Ainda assim, senti certo estranhamento no início. Algo me incomodava nas palavras delas. Provavelmente porque esqueci, logo de cara, do próprio alerta da autora.

“Este livro é filho do seu tempo. Foi escrito no início de 2013, quando eu era usuária de aparelhos auditivos. De lá para cá, muita coisa mudou. Hoje, escuto todos os sons do mundo através de dois ouvidos biônicos”

A verdade é que a surdez é múltipla e, ainda que nenhuma experiência seja individual nesta vida, por mais que eu já tenha estudado um pouco da comunidade surda, ela é tão ou mais diversa que a comunidade ouvinte. E eu estava acostumada ao grupo que optou (ou não podia mesmo optar) por aparelhos auditivos e implantes cocleares.

“Como se não bastasse a surdez ser um monstrinho de sete cabeças, ela ainda é heterogênea: existem diferentes graus e tipos de surdez, o que também gera formas diversas de comunicação”

Mas se engana quem imagina que esta obra é apenas para surdos, para que quem está perdendo ou nunca teve audição sinta-se abraçado(a).

“Sempre quis ler o que um surdo oralizado tinha a dizer a respeito de suas conquistas, dúvidas, alegrias e tristezas”

O livro também serve para conscientizar muitos ouvintes sobre uma realidade tantas vezes ignorada.

“A família vive a surdez conosco”

Crônicas da surdez é dividido em três partes.

Na primeira, mergulhamos no universo da surdez, entendendo um pouco da sua multiplicidade, mas também conhecendo melhor o percurso da própria autora neste meio, afinal, ela não nasceu surda, mas foi perdendo a audição durante a infância e teve de se adaptar a uma vida um pouco diferente.

“Precisamos jogar com as cartas que temos em vez de passar longos anos lamentando a falta das cartas que gostaríamos de ter. A vida é curta”

Na segunda parte, a autora nos conta alguns causos de sua vida, sempre buscando incentivar as pessoas a se aceitar, a buscar ajuda e, acima de tudo, qualidade de vida.

“É preciso ter em mente que acessibilidade não pode custar caro e deve ser algo que qualquer pessoa consiga acessar 24 horas, sete dias por semana”

Por fim, na terceira parte, a autora traz alguns depoimentos que recebeu ao longo dos anos, pois ela escreve muito sobre o assunto. E é interessante ver algumas histórias contadas por outros pontos de vista e também a reação da autora a essas narrativas.

“Existe algo mais vergonhoso do que envergonhar‑se de si mesmo?”

Aliás, Paula Pfeifer tem um grande trabalho relacionado à comunidade surda, com muito material e incentivo, principalmente àqueles que pensam em implantes cocleares ou aparelhos auditivos. Ela fala muito sobre tudo isso ao longo de todo o livro.

“O projeto se chamou Surdos Que Ouvem e foi um sucesso. Milhões de pessoas assistiram a nossa campanha de vídeos, milhares participaram dos nossos eventos e incontáveis pessoas passaram a usar aparelhos auditivos (ou fizeram um implante coclear) após conhecer o nosso trabalho”

Mas você também pode conhecer melhor o seu trabalho seguindo-a em suas redes sociais: Instagram | Linkedin | Newsletter

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Se dovessi scegliere una persona

In un giorno qualsiasi, un mio collega mi ha fatto una domanda che da parte sua l’aveva domandato una piccola bambina.

Non è una domanda originale, anzi è una di quelle tante che vediamo su internet, da usare per conoscere meglio una persona o semplicemente per iniziare una conversazione un po’ più filosofica.

Sì, in un pomeriggio qualsiasi un mio collega mi ha chiesto con chi passerei quattro ore chiusa dentro un ascensore fuori servizio

Mi è venuta la voglia di scrivere su questo non perché volevo raccontarvi la mia risposta, ma perché pensando a questa domanda una riflessione mi è passata per la mente (e, in più, volevo scrivere qualcosa in italiano).

Il punto è: perché quando ci fanno queste domande, ci viene in mente che dobbiamo rispondere con un nome conosciuto e giustificare la nostra scelta su perché questa personalità e non quell’altra?

Beh, il mio primo pensiero è stato questo. Dovevo — in maniera intelligente — rispondere con un nome conosciuto, anche se non sono una persona che ha grandi idoli. Ma dovevo scegliere, tra nomi più o meno conosciuti, uno. Un cantante? Una scrittrice? Un’attivista? Chi scegliere? Perché?

Dopo la domanda, però, mio collega (che da parte sua ancora non aveva una risposta) mi ha detto un’altra cosa che ha collaborato a questa riflessione: in quattro ore possiamo parlare di molte cose. Quattro ore chiusi dentro un ascensore può essere una quantità molto grande di ore. Tempo abbastanza per scoprire cose che forse non volevamo scoprire.

Così, la scelta dev’essere fatta bene, altrimenti ci annoieremo o ci deluderemo. E come molte persone dicono (persino la protagonista del libro che sto leggendo e che, anche lei, ha contribuito a tutta questa riflessione) è sempre un rischio voler conoscere più a fondo i nostri idoli.

Sì, abbiamo bisogno di persone modelli. Abbiamo bisogno di credere che alcune persone sono incredibili. Ma, in fondo, sappiamo che nessuno è perfetto. E in quattro ore potremmo avere la certezza di questa verità.

Detto tutto ciò, chi scegliere come risposta a una domanda del tipo? Beh, alla fine mi è sembrato un po’ ovvio: se devo passare quattro ore chiusa con una persona qualsiasi, che sia una persona con chi è facile parlare e stare insieme. Una persona che conosco già e con chi sarebbe piacevole parlare per quattro ore di seguito. Sceglierei passare quattro ore chiusa con un(a) grande amico(a).

Sì, questa non è una celebrità o qualcuno che abbia fatto qualcosa che l’abbia trasformato in una persona conosciuta, ma è qualcuno che ha sempre delle parole che mi fanno riflettere, che mi fanno crescere o almeno che mi fanno sentire bene (principalmente in una situazione terribile come questa).

E allora, con chi passeresti quattro ore chiuso(a) in un ascensore?

A cor púrpura — Alice Walker

Título: A cor púrpura 
Original: The color purple
Autora: Alice Walker
Editora:  José Olympio
Páginas:  355
Ano: 2021 (25º edição)
Tradução: Betúlia Machado, Maria José Silveira e Peg Bodelson 

Sinopse

Alguns dos personagens mais marcantes da literatura norte-americana recente estão neste livro – ganhador do Pulitzer e do American Book Award –, que inspirou a obra-prima cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg e o aclamado musical da Broadway, adaptado para o cinema.

A cor púrpura , ambientado no Sul dos Estados Unidos, entre os anos 1900 e 1940, conta a história de Celie, mulher negra, pobre e semianalfabeta. Brutalizada desde a infância, a jovem foi estuprada pelo padrasto e forçada a se casar com Albert, um viúvo violento, pai de quatro filhos, que enxergava a esposa como uma serviçal e fazia dos sofrimentos físicos e morais sua rotina.

Durante trinta anos, Celie escreve cartas para Deus e para a irmã Nettie, missionária na África. Os textos têm uma linguagem peculiar, que assume cadência e ritmo próprios à medida que Celie cresce e passa a reunir experiências, amores e amigos. Entre eles está a inesquecível Shug Avery, cantora de jazz e amante de Albert.

Apesar da dramaticidade do enredo, A cor púrpura é uma história sobre mudanças, redenção e amor. A partir da vida de Celie, a aclamada escritora Alice Walker tece críticas ao poder dado aos homens em uma sociedade que ainda hoje luta por igualdade entre gêneros, raças e classes sociais. Eleito pela BBC um dos 100 romances que definem o mundo, A cor púrpura é um retrato da vivência da mulher negra na época da segregação racial, cujos reflexos ainda estão presentes na nossa sociedade.

Resenha

Em janeiro de 2020, uma amiga me convidou para assistir ao musical A cor púrpura (inclusive, escrevi sobre isto aqui). Até então eu não sabia nada sobre esta história — e esta obra literária — mas lembro que saí totalmente encantada do teatro, querendo mais e mais. 

“Mamãe Netti, ele falou, sentado na cama ao meu lado, como você sabe quando realmente ama uma pessoa?”

Depois de muito tempo, finalmente o livro chegou até mim, e por muito tempo mais eu tive medo de encará-lo. Mesmo sabendo que a história era ótima, se tratava de um clássico, então tinha medo de como poderia ser a sua linguagem, o que, por si só, já demonstra o quão pouco eu havia absorvido naquele espetáculo.

“Já é duro o bastante tentar levar a vida sem ser maluco”

Sim, porque a linguagem deste livro é um dos primeiros pontos que temos a destacar sobre ele: ela é simples. Não necessariamente fácil, mas simples. 

“Se ele alguma vez escutasse uma pobre mulher negra o mundo seria um lugar bem diferente, eu posso garantir”

Isto porque o livro é epistolar e quem escreve a maioria das cartas é Celie, uma mulher negra e semianalfabeta. E este é outro ponto de destaque neste livro: seus personagens, em toda sua simplicidade, são extremamente ricos

“Ela brigou, ela fugiu. Que que isso trouxe de bom? Eu num brigo, eu fico onde me mandam. Mas eu tô viva”

A história se passa nos Estados Unidos, numa época em que a segregação racial ainda era muito marcada e poder acompanhar o dia a dia de personagens negros neste contexto nos leva a muitas reflexões.

“É um milagre como os branco conseguem afligir tanto a gente, Sofia falou”

Por meio das cartas de Celie, ora endereçadas a Deus, ora endereçadas a Nettie, sua irmã mais nova que parece ter tido um pouco mais de sorte na vida, vamos mergulhando nesta história que fala sobre perdas, famílias, preconceito.

“Começa a parecer que é difícil dimais continuar a viver”

Celie tem uma vida muito sofrida: seu pai abusou dela, depois a fez se casar com um viúvo cujos filhos apenas a maltratavam (não que ele também a tratasse muito melhor). E, no meio disso tudo, ela ainda se vê obrigada a se afastar de Nettie, sua única alegria nesta vida.

“Todo mundo quer ser amado. A gente canta e dança, faz careta e dá buquê de rosa, tentando ser amado”

No meio de tanta adversidade, porém, Celie tem a oportunidade de conhecer Shug Avery e, com ela, aprender muito sobre o mundo, sobre o amor e sobre si mesma.

“Afinal, Albert sabia tanto quanto eu que o amor tinha que ser dimais pra ser melhor que o nosso”

Aliás, dizer que esta história fala sobre amores pode parecer simplista demais, mas não temos como ignorar, também, a presença de um amor forte, puro e que foi escrito numa época que este tipo de amor era ainda menos aceito que nos dias de hoje.

“Alguém para onde fugir. Parecia bom dimais pra durar”

Para além dos assuntos já mencionados, A cor púrpura é uma história que consegue nos fazer pensar sobre religião, colonização — inclusive tem passagens da Nettie que são verdadeiras aulas com relação a isso — e sobre nosso lugar no mundo.

“Por que eles nos venderam? Como é que eles puderam fazer isso? E por que será que nós ainda assim os amamos?”

Outra questão que chamou muito minha atenção foram os nomes — ou, em alguns casos, a ausência deles — e a importância que se dá àquilo que é nomeado.

“Faz o Harpo chamar você pelo seu nome verdadeiro, eu falei. Aí quem sabe ele vai ver você mesmo quando tiver com um problema”

A cor púrpura é um daqueles livros que não queremos largar. Os capítulos são, em sua maioria, relativamente curtos, o que ajuda bastante no processo de “só mais um pouquinho”.

“E eu tento ensinar meu coração a num querer nada que ele num pode ter”

Também é uma daquelas obras que me faz ficar pensando no trabalho que foi traduzi-la (não à toa, esta edição conta com três nomes para essa função): como terá sido o processo de encontrar o tom certo para Celie?

Por fim, esta é uma história que vai te fazer ter vontade de se aproximar de Celie, bater em Albert, se apaixonar por Shug Avery (quem não é apaixonado por ela?), torcer por Nettie, lutar por e com Sofia… Enfim, uma história marcada por ótimos personagens e uma narrativa extremamente necessária.

Li A cor púrpura na edição física da José Olympio e achei a diagramação bem limpa e confortável. O papel off-white também contribuiu para uma leitura agradável.

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Citações #85 — Orgulho de ser

Sem dúvidas muitas passagens interessantes ficaram de fora da resenha da antologia Orgulho de ser, publicada pela Se Liga Editorial e resenhada aqui.

Hoje, portanto, trago estes trechos, para que você possa conhecer um pouco mais desta obra tão encantadora

Como o título já deve deixar claro, trata-se de uma antologia LGBTQIA+, que vai nos fazer refletir sobre como nosso amor vai muito além de uma mera nomenclatura

“Ainda assim, Mateus está confuso consigo mesmo. Não se reconhece bissexual nem gay… A sensação é que nenhuma nomenclatura o representa de verdade e isso o apavora, embora não saiba explicar o motivo”

(Multicolor — Thati Machado)

Aliás, a temática do amor, claro, se faz muito presente ao longo das páginas desta obra.

“Amar é sobre ser inteiro, é sobre dois uns que se unem pra somar, não se anular”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

Mas o livro vai muito além. Fala sobre perdas.

“Agnes odiava perdas. Havia perdido tanto na vida…”

(Multicolor — Thati Machado)

“A hora de nos formarmos oficialmente chegou e isso significa que talvez sigamos caminhos diferentes”

(Monocromático — Rafael Ribeiro)

E medos.

“Então… parece que o Dani tá surtando e não quer mais casar.”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

Também fala sobre primeiras impressões e expectativas.

“Primeiras impressões podem dar uma rasteira na gente”

(Monocromático — Rafael Ribeiro)

“O ensino médio começou sem mudanças significativas. Como a cidade é pequena, não tem muita gente nova pra conhecer, então tudo estava igual. As mesmas pessoas, a mesma escola, até alguns professores continuavam lecionando. As expectativas estavam lá embaixo”

(Monocromático — Rafael Ribeiro)

“Isso não vai complicar as coisas? Por que é tão difícil achar alguém legal? O problema sou eu?”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

O primeiro conto trata muito da questão do lar e como este pode ser um tema bem delicado para a comunidade LGBTQIA+.

“— O meu lar é onde você está”

(Multicolor — Thati Machado)

E ainda encontramos histórias que falam sobre os rituais que conhecemos tão bem, mas que ganham novos formatos.

“É o dia de dizer “sim”. Das trocas de juras pretensamente eternas, de trocar as alianças. Seguir o protocolo e fazer tudo que os noivos fazem até o fim”

(Três versões de mim — Leonardo Antam)

Acima de tudo, esta é uma obra que fala sobre humanidade.

“Se ninguém ligava para ela enquanto pessoa, os trataria como máquinas”

(A garota no bar — Delson Neto)

Mas sem deixar de conter histórias de diferentes gêneros, inclusive ficção científica.

“Se um dia fossem pegos a cadeia seria um destino básico, pois as consequências de um cybercrime já eram bem piores naquela altura”

(A garota no bar — Delson Neto)

Se interessou? Então leia a resenha completa para saber mais e garantir seu exemplar!

Se as escolas ensinassem bem a literatura [tradução 37]

Introdução 

Dia desses me deparei com o artigo italiano cujo título (e conteúdo) você encontra traduzido aqui: Se as escolas ensinassem  bem a literatura e se enchesse as salas de aula com livros, todos saberiam o que é amor.

O artigo em questão foi escrito pela redação do site Orizzonte Scuola, e foi publicado em 12 de abril de 2024, como você pode ver no post original.

Claro que o título despertou minha curiosidade, apesar de, no fim das contas, o texto não aprofundar exatamente a questão da literatura, mas sim a importância de fazermos perguntas.


Tradução 

No seu último livro para jovens, “As grandes perguntas”, Umberto Galimberti defende que as perguntas são mais importantes que as respostas. Uma afirmação que pode causar dúvidas: se não temos respostas, como podemos nos orientar no mundo?

Para Galimberti, em uma entrevista ao La Stampa, as respostas não são a chave. Inclusive, correm o risco de sufocar a nossa curiosidade e fechar a nossa mente. Como diagnósticos e receitas pré-confeccionadas, nos oferecem uma falsa segurança, nos fazendo crer que sabemos e temos tudo sob controle. Este comportamento nos leva a “desligar o cérebro”, renunciando à fadiga de buscar e se aprofundar.

Por outro lado, as perguntas nos mantém alertas, nos fazem questionar e se colocar à prova. São o motor do conhecimento, o ponto de partida para explorar novos territórios e ampliar os nossos horizontes.

Mas atenção: nem todas as perguntas são iguais. Algumas nos conduzem a ruas sem saída, enquanto outras nos abrem novas perspectivas. Como dizia Ésquilo, só o verdadeiro saber tem poder sobre a dor. E esse saber não se adquire por osmose, mas através um percurso de busca e de confronto crítico.

Um exemplo evidente é a literatura. Se as escolas ensinassem a ler os grandes clássicos, não apenas com uma abordagem didática estéril, mas com paixão e envolvimento, os jovens aprenderiam a conhecer a alma humana em todas as suas facetas. Aprenderiam a reconhecer o amor, o sofrimento, a alegria e o medo, emoções que fazem parte da vida de cada indivíduo. E, sobretudo, aprenderiam a lidar com a dor que, inevitavelmente, estas emoções carregam consigo.

Perguntas e respostas são duas faces da mesma moeda, ambas indispensáveis para o nosso crescimento intelectual e emotivo. As perguntas nos impulsionam a buscar, mas as respostas nos oferecem uma direção. Porém é importante lembrar que o verdadeiro saber não se resume a uma simples fórmula, mas é um processo contínuo de descoberta e de confronto. Só através desse processo podemos aprender a viver com sabedoria e a enfrentar os desafios que a vida nos apresenta.


Conclusão 

Qual a sua opinião: perguntas são mais importantes que respostas?

Acho que vivemos numa sociedade que quer tudo pronto (e tem muita coisa assim, na palma da mão) e que talvez realmente esteja perdendo parte de sua capacidade questionadora, então consigo compreender os pontos do autor, ainda que também discorde em alguns outros pontos.

Quero andar de mãos dadas — Victor Lopes

Título: Quero andar de mãos dadas 
Autor: Victor Lopes
Editora: Publicação independente
Páginas:  412
Ano: 2017

(Para ler ao som de Esquinas — Banda Refúgio. Eu poderia colocar tantas músicas aqui, mas toda a renda desta será revertida para o Instituto Bem do Estar).

Sinopse

Johnny e Nicholas não se conheciam, mas desde que se encontraram pela primeira vez, viram que momentos bons podem existir em meio a sentimentos ruins e a uma vida onde nada parece estar do jeito certo. A partir desse encontro quase sem querer, surge uma amizade e um desejo adolescente que só cresce com as conversas, as opiniões musicais compartilhadas e os segredos confessados. O que dois jovens garotos com um sentimento em comum um pelo outro podem fazer para se sentirem livres e viverem algo bom quando tudo ao redor parece conspirar contra? Mais do que isso, como lidar com os próprios pensamentos e opiniões indo de encontro aos seus desejos mais profundos e verdadeiros? “Quero andar de mãos dadas” é um romance LGBT sobre um amor adolescente, a importância da família e a necessidade de lidar com coisas muito maiores que a própria vontade para que se possa ser feliz.

Resenha

Iniciei a leitura de Quero andar de mãos dadas sem expectativa alguma. Adquiri o ebook em 2019 e, apesar de conseguir detectar diversos elementos na sinopse que possam ter despertado meu interesse, não sei o quê exatamente me fez comprar o ebook.

“Mesmo sabendo de tudo eu não sabia de nada”

Ao embarcar nas primeiras páginas desta obra, achei que este seria só mais um ebook com alguns lugares comuns neste tipo de história: jovens adolescentes que estão se descobrindo gays e que não podem ficar juntos, famílias homofóbicas e depressão (sempre tem alguém com depressão em histórias assim).

“Eu definitivamente nunca passara por isso, seria possível que meus hormônios estivessem finalmente se erguendo de seus túmulos?”

A verdade, porém, é que encontrei muito mais. Mas antes de me aprofundar na história é preciso dizer que sim, há gatilhos. Há cenas de violência doméstica e de automutilação, além de toda a questão da depressão abordada.

“Respirei fundo, afastando meus pensamentos para bem longe, tentando evitar pensar que eu poderia arruinar tantas vidas se soubessem a verdade sobre minha sexualidade, e me esforçando mais ainda para não lembrar do Johnny”

A história é narrada, alternadamente, pelos dois protagonistas: Johnny e Nicholas.

“Ao abraçar o garoto que eu gostava foi como se eu dissesse ao mundo que queria parar, que não queria mais jogar o jogo em que fora colocado”

Johnny já é assumido para sua família, o que não significa que sua vida seja só flores, mesmo que o bom humor dele seja quase inabalável.

“Mas a verdade é que tudo estava ótimo assim, mesmo com problemas e preocupações extras, talvez esse fosse o verdadeiro significado de viver e eu finalmente estava experimentando a vida. Eu só queria que tudo fosse um pouco menos complicado, queria ouvir verdades por piores que fossem e ter a certeza de que por mais feio que tudo parecesse, tudo estava indo e acontecendo e seguindo em frente”

O jovem mora com a mãe — que está em depressão — e com o padrasto, que claramente é uma pessoa extremamente tóxica e que só faz mal para quem está ao seu redor.

“É bem verdade que ninguém sabe realmente o que se passa na vida dos outros, assim fica fácil querer ser alguém diferente, para se ter apenas momentos de felicidade não exigiria muito esforço”

Por outro lado, Nicholas parece ter a vida perfeita: uma família unida, equilibrada e feliz. Até a segunda página, claro.

“Eu minto para o mundo sobre quem eu sou, mas, antes disso, minto para mim mesmo”

O problema de Nicholas é que ele tem certeza que não pode revelar para sua família quem ele é verdadeiramente. E, aos poucos, fica muito claro como esta é uma família que simplesmente não conversa de verdade. 

“Perceberam, eu acho. Mas a gente não fala sobre isso, é melhor deixar para lá e fingir que está tudo bem. Até porque é assim que as coisas melhoram”

Isso é um problema enorme, porque o que Nicholas faz é carregar um peso tremendo, sem ter a certeza de que ele é realmente necessário (bom, ele tem certeza de que é. E tem gente que sabe que não pode arriscar descobrir).

“Posso estar prestes a fazer com que a vida de várias pessoas entre em colapso, mas ter o Johnny comigo faria com que tudo parecesse estar bem”

Algumas pessoas talvez achem exageradas as reações de Nicholas, podem até considerá-lo dramático demais, dizer que não precisava de tanto. Mas quem tem uma mente ansiosa e que sempre imagina os piores cenários provavelmente vai entender os pensamentos do personagem.

“Eu precisava respirar fundo. Desliguei o celular, sem querer falar com ninguém e precisando ficar sozinho. Estava faminto, mas não queria passar pela sala, pois sabia que eles estariam conversando sobre mim e minhas mentiras, minha mãe estaria chorando por saber que sou gay e meu pai estaria pronto para me punir. Eu era uma decepção e um exemplo a não ser seguido”

Os dois se conhecem através de uma pessoa em comum: Lavínia, a melhor amiga de Johnny e prima de Nicholas.

“Eu o olhava sem conhecê-lo de verdade e era como se houvesse algo ali que me incomodava e me atraía, muito além da beleza dele”

O primeiro encontro deles é totalmente despretensioso, mas uma chama se acende ali e suas vidas viram do avesso.

“Levei dezesseis anos para construir minhas proteções e entender como elas funcionavam, para aceitar como eu me sentia bem assim, atrás delas. Mas não foi preciso nem três meses para que tudo fosse completamente destruído”

Em meio à ansiedade da última semana de aula, seus problemas pessoais, seus medos e suas descobertas, os dois vão se aproximando, se apaixonando intensamente e sofrendo na mesma medida.

“Mas eu olho para mim e vejo as coisas virando de ponta cabeça”

Através deste emaranhado de acontecimentos, somos levados a pensar sobre preconceito, saúde mental, medos e, claro, a importância de se conversar de verdade

“Nada melhor para arrumar algo do que botando tudo para fora”

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Como nasce uma resenha?

A verdade é que uma resenha pode nascer de muitas formas e eu não pretendo, neste post, trazer uma receita de bolo, mas apenas compartilhar um pouco de como nascem as minhas resenhas.

Em primeiro lugar, é preciso que exista um objeto a ser resenhado. Neste blog, você encontra sobretudo resenhas literárias, mas por vezes também falo de músicas.

As resenhas literárias pressupõem a leitura de algo, o que leva tempo (que cada vez parece mais e mais escasso).

Ter este blog certamente transformou um pouco da minha experiência de leitura: já vou buscando trechos que possam ilustrar minhas palavras sobre a obra, além de estar sempre pensando “isso entra ou não na resenha?”.

Concluída a leitura, muitas vezes preciso de um tempo para digerir as palavras. E mais outro tempo para colocar as minhas no papel na tela em branco. Coisa que, aliás, muitas vezes acabo fazendo em meus deslocamentos diários (de metrô).

Há, sem dúvidas, algumas informações que são extremamente necessárias: título e autoria. Também pode ser interessante falar do ano de publicação e, no caso de livros, a quantidade de páginas.

Há quem opte por colocar a sinopse da obra (coisa que, com o tempo, comecei a fazer também) e então partir para as próprias impressões.

Nesta parte, é interessante que se apresente o enredo, os personagens, os temas principais e tudo aquilo que você acha importante destacar, mas sem estragar demais a surpresa de quem ainda vai apreciar aquela obra. 

Algumas pessoas gostam de, ao final, dar uma nota para a obra resenhada, seja de maneira numérica, seja em forma de estrelas. Ainda não me convenci deste tipo de informação, acho muito subjetiva e seria necessário deixar os critérios bem claros.

É gostoso compartilhar desta forma minhas impressões sobre as leituras que faço. Acredito que, para mim, o tempo de refletir sobre a leitura e elaborar a resenha são essenciais para compreender melhor os livros.

E por aí: você tem o hábito de escrever resenhas? Como elas nascem?