Resumão de Abril

Resumão de abril

Abril passou voando e vocês nem perceberam? Então venha conferir o que rolou por aqui durante esse período!

Logo no primeiro dia do mês eu trouxe a resenha de Meu menino vadio (Luiz Fernando Vianna). Depois, no dia 03/04, trouxe algumas citações de Quando a neve cair (Cinthia Sampaio) e no dia 05/04 contei a vocês uma história, em Um reconhecimento ao trabalho sério. A resenha do dia 08/04 foi do livro O apocalipse dos trabalhadores (valter hugo mãe) e depois, no dia 10/04, trouxe as recomendações de livros para os desafios de abril. Para fechar a semana, dia 12/04 publiquei o Papo sério: conversando sobre autores nacionais. Na semana da páscoa eu publiquei a resenha de A matemática das relações humanas (Aimee Oliveira, Clara Savelli, Bruna Ceotto e Bruna Fontes) e trouxe dicas de livros sobre o autismo, já que estávamos no abril azul. Dia 22/04 foi a vez da resenha de O colóquio dos cachorros (Miguel de Cervantes) e dia 24/04 trouxe citações de O demônio no campanário (Michelle Pereira). Para concluir a semana (e o mês), dia 26/04 mostrei para vocês a entrevista que fiz com o M. Pattal.

Abril não foi um mês de muitas leituras (a maioria das leituras abaixo foram curtinhas), mas foi um mês de muita betagem de livro, uma experiência que estou adorando. Os livros que posso contar como lidos foram:

  • O retorno do jovem príncipe (A. G. Roemmers);
  • O pequeno príncipe (Antoine de Saint-Exupéry);
  • De repente, nós (Tici Pontes);
  • O escritor (Dalton Menezes) — conto;
  • Próxima Parada (várias autoras — Duplo Sentido Editorial);
  • Chuva de Estrelas (Michelle Pereira) — conto;
  • Alegórico ser (Dalton Menezes) — conto;
  • Incógnitas (Dalton Menezes) — livro de aforismos.

E eu ainda estou lendo:

  • Antologia do Humor russo – Arlete Cavaliere (org) [always and forever]

Tatianices recomenda [14]

Tatianices Recomenda [14]

Como abril é um mês dedicado à conscientização sobre o autismo — o abril azul — quis trazer para vocês um Tatianices recomenda com livros sobre o assunto.

Comecei a me interessar pelo tema quando li O que me faz pular (Naoki Higashida), em 2014. Depois, cheguei ao Passarinha (Kathryn Erksine), também em 2014. E este ano eu finalmente li Meu menino vadio (Luiz Fernando Vianna). Foram três leituras que me ensinaram muito e que eu realmente recomendo para quem quer compreender um pouco mais sobre autismo. E o mais interessante é que são livros completamente diferentes. Vejam as sinopses abaixo e me digam o que acharam ou se já leram algum desses livros.

O que me faz pular por [Higashida, Naoki]

NAOKI HIGASHIDA sofre de autismo severo. Com grande dificuldade de se comunicar verbalmente, o jovem aprendeu a se expressar apontando as letras em uma cartela de papelão, e aos treze anos ele realizou um feito extraordinário: escreveu um livro. Delicado, poético e profundamente íntimo, O que me faz pular traz uma nova luz para entendermos a mente autista. O autor explica o comportamento muitas vezes desconcertante das pessoas com essa condição e nos oferece suas percepções de tempo, vida, beleza e natureza, apresentadas em um relato inesquecível. O que me faz pular, trazida para o leitor ocidental pelo renomado escritor David Mitchell e sua esposa, é uma obra única. A história de Naoki demonstra que, longe de serem insensíveis e indiferentes ao mundo, as pessoas com autismo são tão complexas quanto qualquer um de nós e dotadas de senso de humor, empatia e uma intensa imaginação. Seu mundo é incrivelmente rico, e esse relato autobiográfico nos oferece um vislumbre comovente dessa riqueza. Belamente ilustrado, o livro traz também pequenas fábulas e um conto emocionante, todos de autoria de Naoki.
No mundo de Caitlin, tudo é preto e branco. Qualquer coisa entre um e outro dá uma baita sensação de recreio no estômago e a obriga a fazer bicho de pelúcia. É isso que seu irmão, Devon, sempre tentou explicar às pessoas. Mas agora, depois do dia em que a vida desmoronou, seu pai, devastado, chora muito sem saber ao certo como lidar com isso. Ela quer ajudar o pai – a si mesma e todos a sua volta –, mas, sendo uma menina de dez anos de idade, autista, portadora da Síndrome de Asperger, ela não sabe como captar o sentido. Caitlin, que não gosta de olhar para a pessoa nem que invadam seu espaço pessoal, se volta, então, para os livros e dicionários, que considera fáceis por estarem repletos de fatos, preto no branco. Após ler a definição da palavra desfecho, tem certeza de que é exatamente disso que ela e seu pai precisam. E Caitlin está determinada a consegui-lo. Seguindo o conselho do irmão, ela decide trabalhar nisso, o que a leva a descobrir que nem tudo é realmente preto e branco, afinal, o mundo é cheio de cores, confuso mas belo. Um livro sobre compreender uns aos outros, repleto de empatia, com um desfecho comovente e encantador que levará o leitor às lágrimas e dará aos jovens um precioso vislumbre do mundo todo especial dessa menina extraordinária.

O jornalista Luiz Fernando Vianna e seu filho, Henrique, são unha e carne ― às vezes unha do filho na carne do pai. Henrique é autista. Pouco fala, mas algumas palavras repete à exaustão. Tem momentos de agressividade contra si mesmo e contra terceiros. Sabe ser irônico. Gosta de desenhos animados e de mergulhar no mar. Como todo adolescente, tem suas curiosidades e seus impulsos, só que sem grande cerimônia. Luiz Fernando decifra os sons que ele emite, seus desejos imediatos e muitos de seus silêncios, no entanto não tem como alcançar o que o filho sente lá no fundo do fundo.Há quem diga que ter um filho com deficiência é uma benção. Luiz Fernando Vianna discorda. Se fosse mesmo um presente, antes de receber ele diria: “Ah, não precisava.” Com toda a franqueza e um pouco de música, o autor conta a sua experiência, cheia de altos e baixos, momentos de ternura e também de desespero ao lado do seu menino vadio.

Se vocês tiverem se interessado por algum dos livros, basta clicar na imagem para ver onde encontrá-los (:

 

 

 

Meu menino vadio – Luiz Fernando Vianna

Título: Meu menino vadio - histórias de um garoto autista e seu pai estranho 
Autor: Luiz Fernando Vianna
Editora: Intrínseca
Páginas: 205
Ano: 2017 (1º edição)

Blog das Tatianices WordPress

O primeiro livro que li sobre autismo foi O que me faz pular (Naoki Higashida) e, a partir daí, passei a me interessar muito pelo assunto. E se menciono isso agora é porque este livro também é citado em Meu menino vadio, escrito por Luiz Fernando Vianna, pai de Henrique, um jovem autista: 

“Sei que há quem me veja, antes de tudo, como pai de autista. É um personagem que não me incomoda, mas no qual nem sempre me reconheço”

Meu menino vadio (p.18)

Se ter um filho autista já é complicado por si só, para Luiz Fernando Vianna a situação era ainda mais difícil: fruto de um relacionamento conturbado, Henrique cresceu no meio de um fogo cruzado e acabou sendo levado por sua mãe e seu padrasto para a Austrália. O autor do livro lutou para que seu filho continuasse a morar no Brasil, mas o resultado foi apenas mais um imenso desgaste.

“A justiça brasileira não é para principiantes”

Meu menino vadio (p.13)

Depois de anos vivendo na Austrália, a família de Henrique muda-se novamente, mas dessa vez para os Estados Unidos. Neste ponto da vida do jovem, outra grande mudança acontece também: se antes ele apenas passava as férias com o pai, no Brasil, agora ele começaria a passar um ano com cada um de seus pais. Sim, isso mesmo: um ano no Brasil, um ano nos Estados Unidos. Se para qualquer ser humano isso já é extremamente complicado, imagina para um menino com autismo.

Os capítulos de Meu menino vadio são curtos e escritos numa linguagem fácil de ler. A história, por sua vez, é capaz de despertar diversos sentimentos em nós, além de ser um texto atual e que nos faz refletir sobre o modo como agimos também.

“Não guardamos segredos, mas gritamos. Não registramos na memória, mas fotografamos. Não refletimos, mas opinamos”

Meu menino vadio (p.115)

Vianna também consegue mesclar muito bem seus perrengues, as dificuldades do filho, informações importantes e estudos sobre autismo, tornando o livro extremamente informativo e, ao mesmo tempo, gostoso de ler.

Outro ponto interessante do livro é que os títulos de todos os capítulos possuem inspiração musical, nos aproximando ainda mais do autor da obra. Ao final do livro, podemos encontrar uma lista das músicas que serviram de inspiração.

Eu acabei adiando e adiando essa resenha e, no final das contas, ela veio parar em abril, mês da conscientização sobre o autismo. Além desse post, em breve farei mais um sobre o tema, não perca!

Se interessou pelo livro? Compre o seu aqui.