Como me relaciono com os livros?

Introdução

Achei que tinha pensado numa ótima ideia para escrever aqui, mas fuçando o Blog percebi que, para hoje, acabei planejando em minha cabeça um texto muito parecido com outro já escrito. Mas como nem eu lembrava que o texto anterior continha todas essas informações, digamos que o post de hoje é uma versão atualizada.

Isso tudo porque recentemente eu estava conversando sobre o tópico escolhido para hoje e fiquei pensando em como cada pessoa pode ler, manusear e guardar seus livros de maneiras diferentes.

A conversa que gerou este post

Tudo começou com um story da Bárbara, compartilhando alguns livros novos que havia comprado e um hábito que ela herdou da mãe: colocar a data em que comprou/ganhou aquele livro e também uma frase para lembrar do momento em que aquele livro passou a ser dela.

Engraçado que essas são coisas que nunca fiz ou pensei em fazer, mas justamente naquela semana eu tinha recorrido ao meu Instagram para lembrar quem havia me dado um livro (e que eu sabia que tinha postado nos stories).

A Bárbara havia colocado uma enquete no story dela, que eu passei sem responder, porque nenhuma das opções me representava. Mas ela queria muito saber se eu escrevo nos meus livros e aí demos início à nossa conversa.

O livro como algo “sagrado”

Claro que não há um certo ou errado. O importante, apenas, é que os livros tenham espaço em nossas vidas.

Aliás, espaço — em seu sentido literal — é uma palavra importante para o que quero compartilhar hoje. Mas vamos por partes.

Já comentei aqui como tenho a sorte de ter crescido em uma família leitora. E como tive ainda mais sorte de sempre ter tido acesso a livros. Ganhava (ganho até hoje) alguns de presente, ou pegava emprestado na biblioteca da escola ou ainda caçava algum que não fosse meu com outros membros da família (não apenas meus pais e irmão, mas também meus primos e tios).

Até mais ou menos a faculdade, minha relação com os livros era quase como se eles fossem sagrados: eu apenas lia (e às vezes relia), tomando cuidado para deixá-los o mais inteiros possível, sem grifos ou coisas escritas. Também não conhecia ninguém que fizesse isso, então não era uma opção que passava pela minha cabeça.

E há uma explicação muito simples para isso: diversos livros não eram meus, como já dito, e aqueles que me pertenciam, não seriam meus para sempre (e eu sempre tive consciência disso).

A questão do espaço

No começo deste post eu disse que espaço seria uma palavra importante aqui e agora explico isso.

Desde que nasci, moro na mesma casa. E apesar de ser uma casa, meu quarto é o menor cômodo dela. Como sabemos, livros ocupam espaço. A matemática não fecha.

De tempos em tempos, portanto, seleciono alguns exemplares para doar e, assim, abrir espaço para novos livros.

Confesso que nunca tive muito problema com essa dinâmica, principalmente quando percebi que dificilmente iria reler grande parte dos livros (não por não gostar deles, mas porque tempo também é algo escasso por aqui).

Assim, a cada seis meses mais ou menos, faço uma limpa no meu armário e tento tirar alguns livros. Hoje em dia a tarefa parece um pouco mais difícil, pois muitos deles agora têm um quê especial ou são clássicos que acho importante ter em minha pequena biblioteca.

Uma relação mutável

Durante anos, foi por essa dinâmica, e também pela forma como fui criada, que sempre valorizou a conservação das coisas, que não escrevia nos livros. Hoje ainda sigo um pouco nesse ritmo, porque também acabo colocando alguns livros para troca no Skoob e sei que eles precisam estar bem conservados para ter alguma chance de troca.

Claro, porém, que algumas coisas mudaram com o passar dos anos: passei a usar ao menos post its para marcar trechos que gosto (coisa muito útil para as resenhas, por sinal); por duas ou três vezes, escrevi e sublinhei trechos de livros que li pensando em alguém com quem quis compartilhar a leitura (se você achar interessante isso, posso escrever um texto explicando melhor!).

Ainda tomo cuidado com meus livros, mas já não os vejo como um objeto sagrado, que tem de se manter imaculado.

Uma nota, para concluir

Depois de toda essa explicação, aproveito para deixar claro (caso ainda não tenha ficado) que se você por acaso já me deu um livro e um dia descobrir que não o tenho mais, não foi porque não gostei. Pode ser, inclusive, que eu tenha amado a obra, mas em algum momento não havia mais espaço (físico) pra ela.

Eu acho que tudo bem: livros são feitos para circular. Se já não tenho mais alguns (muitos), ao menos sei que eles tiveram um bom destino (com certeza melhor que ficar parado em minha estante, pegando poeira).

E você, o que acha disso tudo?