Um reconhecimento ao trabalho sério

Edição que veio com erro

Talvez você tenha estranhado o título desse post, mas ele é o exato resumo do que eu vim fazer aqui. Só que, antes de mais nada, preciso contar uma historinha para vocês. Vamos nessa?

No último natal eu ganhei um livro que queria muito ler. Bem, na verdade eu ganhei vários livros no final do ano passado, então esse livro em questão eu só peguei para ler em fevereiro desse ano. O livro era o “A redoma de vidro”, escrito por Sylvia Plath. A edição era da Biblioteca Azul, selo pertencente à Globo Livros. Pois bem, eu estava lendo tranquilamente o livro quando, de repente, ele pulou da página 32 para a página 65. Fiquei muito surpresa (e triste) na hora. Ainda fui olhar o restante do livro e, da página 65 ele seguia normalmente até a página 96 e voltava para uma página 65 para então ir normal até o final. Nada das páginas que deveriam existir entre a 32 e a 65.

Minha primeira medida foi enviar um email através do fale conosco da editora. No site, encontrei apenas um fale conosco geral, nada específico para o selo Biblioteca Azul. Esperei alguns dias e nada de retorno. Acabei fazendo alguns stories pelo Instagram do blog, mas sem retorno também. Depois de algum tempo, enviei um novo email pelo fale conosco da editora. Em seguida, resolvi tentar outros canais de contato da editora — já que obviamente eles devem receber milhares de emails diariamente e o meu provavelmente passaria desapercebido novamente —, enviando mensagem pelo twitter e pelo Facebook. E funcionou! Responderam minha mensagem no Facebook.

Mas… (toda história tem seu mas).

A pessoa que me respondeu disse que o livro estava esgotado na editora. Que azar!

Mas… (muitas histórias também têm o mas do final feliz).

A Globo Livros estava fazendo uma nova edição do livro e eu só precisava passar meu endereço para que eles enviassem um exemplar para mim quando ficasse pronto! Eu, já meio descrente da situação toda, passei meu endereço. Só que o livro ainda não estava pronto, aquele era um dos milhares canais de comunicação da Editora e eu era só mais um ser humano reclamando de algo na vida. De qualquer forma pensei em ficar de olho, quando soubesse do lançamento do livro, eu poderia entrar em contato de novo.

Algum tempo depois, vi que a editora anunciou a nova edição de “A redoma de vidro” e pensei “opa, o lançamento deve estar perto, preciso ficar de olho”. Não precisei. Sem que eu esperasse, o livro chegou em minha casa. Lindo, novinho e… COMPLETO!

E por que eu resolvi vir aqui contar tudo isso? Porque eu senti a necessidade de compartilhar essa história com vocês e agradecer à Globo Livros pelo atendimento. Em tempos de tanta reclamação, tanta crítica e tanta crise, é importante darmos valor a um trabalho bem feito, a um cuidado com os leitores. E que, ao invés de apontarmos apenas os erros, possamos aplaudir os acertos também.

Eu já li muitos outros livros dessa editora (aqui no blog mesmo tem resenha de um monte deles), publicados pelos mais variados selos dela e, por isso, fiquei surpresa com o erro de impressão do meu exemplar de “A redoma de vidro”. Porém a editora não me deixou na mão e eu só tenho a agradecer pelo excelente trabalho que eles realizam.

A memória do mar – Khaled Hosseini

Título: A memória do mar
Original: Sea Prayer
Autor: Khaled Hosseini
Ilustrador: Dan Williams
Editora: Globo Livros
Páginas: 64
Ano: 2018
Tradução: Pedro Bial

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Passadas as festas de final de ano e tendo iniciado 2019, eu não poderia deixar de começar o ano com uma resenha de A memória do mar, que é uma obra linda: semelhante a um livro infantil, os textos são curtos (aliás, são como versos) e as páginas completamente ilustradas. Mas longe de ser uma história para crianças, A memória do mar foi inspirado em Alan Kurdi.

Para quem (assim como eu) não sabe apenas pelo nome quem é Alan Kurdi, estamos falando do menininho sírio — de apenas 3 anos de idade — que morreu em praias turcas e cuja imagem rodou o mundo. Sua morte deu-se em decorrência do naufrágio do barco em que Alan e sua família navegavam, tentando fugir de uma Síria em guerra.

“mas aquela vida, aquela época, parece um sonho agora, até para mim, um murmúrio que há muito tempo se dissipou”

A memória do mar

A memória do mar é como uma carta, escrita de pai para filho. Entre mostrar o que poderia ter sido e o que realmente foi, este livro nos faz enxergar a dura realidade das crianças que vivem em situações como a de Alan, perdendo logo cedo a infância e vivendo na pele uma cruel realidade.

“Você sabe que a cratera feita por uma bomba pode virar uma piscininha”

A memória do mar

A combinação entre as palavras de Khaled Hosseini e as ilustrações de Dan Williams trazem ao leitor um livro cheio de lirismo e que transmite muito bem aos leitores os sentimentos nele contidos. As páginas não são numeradas e nem há necessidade disso: para além do livro ser curto, números nada significam perto do que essa história quer nos transmitir.

“Segure minha mão. Nada de mal vai acontecer”

A memória do mar

Ficou curioso com esse lindo livro, que além de tudo é capa dura? Compre por apenas R$20,90. E saibam que parte dos recursos angariados com a venda desse livro é revertida para a Fundação Khaled Hosseini e para a Agência de Refugiados das Nações Unidas (UNHCR).

Assinatura

 

Citações #12 — a playlist da minha vida

As citações de hoje são do livro A playlist da minha vida, escrito por Leila Sales e publicado no Brasil, em 2014, pela editora Globo Alt. Trago somente três passagens, mas há muitas outras na resenha que escrevi.

“Tem dias que, sabe como é, desde a hora em que acordamos até a que vamos dormir, tudo em que a gente toca se parte em mil pedacinhos” (p.85)

Quem nunca sentiu que em alguns dias tudo pareceu dar errado? São dias difíceis, tristes, solitários. Mesmo quando há alguém ao nosso lado. Alguém que está realmente fazendo de tudo para que possamos ver que não é bem assim. E mesmo nesses casos, sentimos que só estamos partindo também a pessoa em mil pedacinhos.

Às vezes o remédio é respirar fundo, ouvir uma música, dormir. É se desligar e tomar distância do problemas. É saber que tudo passa!

A próxima passagem eu destaquei simplesmente porque achei muito bonita:

“As palavras se agitavam no meu cérebro como beija-flores, renovando o ar dentro de mim” (p.173)

Gostei dessa imagem das palavras como beija-flores e como algo que renova o ar, que traz vida.

Por fim, uma passagem que também é muito bonita:

“Algumas pessoas te tratam bem só porque gostam de você” (p.196)

Não é gostoso saber quem existem pessoas que nos tratam bem sem segundas intenções, pelos simples fato de que gostam realmente de nós? Para Elise, a protagonista do livro de onde saíram essas citações, isso parecia impensável, afinal, ela era uma jovem que a vida inteira sofrera bullying e que finalmente estava descobrindo que poderia ter amigos também.

A playlist da minha vida – Leila Sales

Título: A playlist da minha vida 
Original: This song will save your life 
Autor: Leila Sales
Editora: Globo Livros 
Páginas: 310 
Ano: 2014 (1º edição) 
Tradução: Amanda Orlando

Narrado por Elise Dembowski, A playlist da minha vida é um livro que nos traz os dramas e as aventuras de uma jovem excluída. Aos quinze anos de idade, Elise não tem amigos e sofre bullying na escola. Em sua visão, as pessoas se afastam dela por sua inteligência admirável, seus gostos peculiares, seu jeito de ser e sua opinião formada.

“Dar duro no que quer que seja, por definição, não é nada descolado”

A playlist da minha vida (p.13)

Cansada de ser sozinha e “a esquisita da escola”, Elise decide tomar providências: ela passa as férias inteiras tentando aprender a ser uma adolescente normal e “descolada”. No primeiro dia de aula, porém, percebe que todo seu esforço foi em vão e, então, decide agir mais drasticamente, pensando em se matar. Antes, porém, ela faz um “teste” cortando apenas um pouquinho  dos pulsos.

“Eu queria ferir a mim mesma”

A playlist da minha vida (p.41)

Ao se recuperar, Elise percebe que o suicídio não era exatamente o que ela buscava para si. Ela queria dar uma lição naqueles que a maltratavam, mas ao se matar, ela só deixaria para eles um gostinho de vitória, sem conseguir provar que seria capaz de dar a volta por cima.

“Há coisas que você não pode mudar”

A playlist da minha vida (p.190)

Alguns meses depois desse acontecimento, Elise adquire o hábito de andar pelas ruas da cidade durante a noite, saindo às escondidas, depois que todos em sua casa vão se deitar. É justamente em uma dessas andanças que ela descobre a Start, uma balada underground. Ali ela faz amizades, principalmente com Vicky e Pippa, apaixona-se pelo DJ Char e ainda descobre mais um talento: discotecar.

Conhecer a Start, fazer amizades, apaixonar-se… Tudo parece um sonho para Elise, mas sua vida ainda está cheia de problemas e altos e baixos. Nossa protagonista nunca deixa de se meter em algumas enrascadas.

“Às vezes, temos aqueles dias em que tudo dá errado. Mas, às vezes, alguma coisa pode dar certo da maneira mais inesperada possível”

A playlist da minha vida (p.102)

Não dá para dizer que este seja um livro de drama adolescente, uma vez que nem todos  nesta fase são tão isolados ou sofrem tanto bullying quanto Elise. No entanto, é, sem dúvidas, uma excelente recomendação de leitura para jovens, tanto “excluídos” quanto “populares”, uma vez que, para os primeiros pode trazer alento, enquanto para os demais pode trazer alguns bons ensinamentos.

“Às vezes, as pessoas acham que sabem quem você é. Elas sabem de algumas poucas coisas a seu respeito e juntam as peças de uma forma que faça sentido para elas”

A playlist da minha vida (p.270)

Cada capítulo começa com o trecho de uma música, construindo, assim, a playlist de Elise.

E por falar nisso, uma coisa que achei interessante neste livro é o fato dele falar sobre discotecagem, afinal, quando um livro como este trata de música, geralmente são as canções e não um outro lado desse universo. Eu nunca havia pensado em como um DJ tem de tomar cuidado ao passar as músicas, não apenas combinando uma com a outra, mas também acertando a maneira de fazer esta transição. Além disso, como o próprio Char diz, o DJ deve saber ler seu público, perceber o que agrada e o que faz todo mundo sair um pouco da pista.