Quotes #58 — Antes eu do que nós

Voltei com mais alguns (poucos) trechos do livro Antes eu do que nós, da Grazi Ruzzante, publicado em formato físico, este ano, pela Rocket Editorial. Não são tantas frases, mas eram passagens que eu não poderia deixar de compartilhar.

Antes eu do que nós é uma obra linda, com uma protagonista e tanto, e que que fala sobre as dores e as batalhas que enfrentarmos pelos simples fato de sermos humanos.

“Lição de Tina: Respeitar a própria dor muitas vezes exige mais força do que respeitar a dor do outro”

“Lição de Tina: por mais que uma armadura seja forte, ela sempre encaixa na fragilidade de um abraço”

“Já faz quase cinco anos, mas os vazios da casa não se preenchem com tanta facilidade só por causa disso”

Uma narrativa carregada de sentimentos e emoções, capaz de despertar tantas reflexões em nós.

“A verdade é que o ser humano sempre tem todos os motivos para se estressar e, ao mesmo tempo, nenhum”

Nesta obra, podemos ver personagens crescendo e amadurecendo. Aprendendo a lidar consigo, mas também com o outro.

“Eu me lembro como era ser adolescente. Acho que ninguém esquece, mesmo que nunca queira lembrar”

Com uma protagonista que é professora de artes, a história não deixa de valorizar expressões culturais e, claro, a educação.

“A arte pede para ser vista, faz parte do ciclo da coisa, entende?”

Se esses poucos trechos já te deram uma pontinha de curiosidade sobre a obra, não deixe de ler a minha resenha e, claro, de acompanhar de perto os trabalhos da Grazi, seguindo suas redes sociais (Instagram | Linktree).

Antes eu do que nós — Grazi Ruzzante

Título: Antes eu do que nós 
Autora: Grazi Ruzzante 
Editora: Rocket Editorial 
Páginas: 328 
Ano: 2022

Acho que a resenha desse livro que mexeu tanto comigo tem de ser lida ao som da música que tanto mexe comigo. Então aperta o play aqui e vem descobrir mais sobre Antes eu do que nós.

“— Amiga… — Ela respira fundo antes de continuar. — A vida não é uma comédia romântica. Vai doer e não vai fazer sentido de vez em quando”

É engraçado como a (Be)Tina, protagonista desta história, poderia ser (e talvez seja) qualquer uma de nós: uma mulher incrível que não consegue enxergar isso, principalmente depois de tantas desilusões (amorosas, mas não só). 

E o melhor: ela é professora (de artes). Muito gente como a gente (ou ao menos como eu). E claro que isso contribuiu para ainda mais identificações ao longo da leitura.

“Professor nem é gente, até porque fazer planejamento em pleno domingo tá mais próximo de bicho do que de ser humano”

Em mais uma fossa, porém, Tina topa sair com Beca, sua melhor amiga, para uma balada LGBTQIA+. E o que deveria ser só diversão, sem pretensão alguma, vira mais uma história para Tina.

“Eu voltaria os ponteiros de todos os relógios da cidade só para nos dar mais alguns minutos juntos”

Sim, porque é nessa balada que ela conhece Caio, que também é protagonista nesta obra. 

“Ele me faz querer derrubar todos os muros”

Ler a história desses dois, juntos ou separados, é como ver uma sessão de terapia se desenrolando diante dos nossos olhos, pois há muito amadurecimento e muitas lições.

“Todos deveriam saber que têm essa escolha. Todos deveriam ter a chance de escolher de novo”

Aliás, ao longo da narrativa, que é em primeira pessoa, há pequenas “notas” deixadas pelos personagens. E aquelas deixadas por Tina chama-se justamente lições

“Lição de Tina: cabe mais contradição no nosso coração do que a nossa mente entende”

As notas de Caio chamam-se nota mental e, ao final da obra, Beca e João — personagem que se torna muito amigo de Caio logo no início do livro — também ganham voz e suas notas chamam-se, respectivamente, veredito da Beca e babado do João. O mais interessante, como talvez já tenha dado para perceber, é como o nome dado a esse espaço diz tanto sobre a personalidade de cada um.

“Hoje eu entendo que somos feitos das nossas histórias”

A escrita da Grazi vicia e a leitura dessa obra é extremamente leve e rápida. Mas não se engane: há muita profundidade, muitos pontos que podem doer de alguma forma e, como eu já mencionei, muitas reflexões que podem surgir ao longo dessas páginas.

“Você nunca conhece direito quem uma pessoa é de verdade até descobrir que tipo de coisa ela chama de mi-mi-mi”

Além disso, não são apenas os protagonistas que são muito bem construídos aqui, mas os personagens secundários também. Ficamos querendo saber mais e mais sobre cada um e é evidente como nenhum ali é supérfluo. É por meio também da história deles que Grazi insere temas como aceitação, preconceito, abuso, abandono…

“Eu sou um livro fechado e criptografado, mas altamente previsível. O João é um livro aberto e explícito — às vezes muito mais do que eu gostaria —, mas com uma aventura diferente a cada capítulo”

E se você está lendo essa resenha e pensando que esse é só mais um daqueles romances água com açúcar que eu amo ler e resenhar por aqui, preciso te dizer uma coisa: não, não é nada disso.

“O meu mar e o rio dela se encontram. Água doce e salgada, misturando cores, gostos e dores num só oceano”

Tem romance sim. Inclusive eu me apaixonei pelo Caio no começo do livro, mas eu sabia que alguma bomba estava por vir, afinal, era apenas o início da história. Dito e feito: a bomba veio e eu mudei de opinião.

“Como tanta coisa cabe em duas pessoas? Como tantos momentos cabem em tão pouco tempo?”

Mas não é só por isso que essa história é diferente de tantas outras. Há um plot que torna o final realmente inesperado. Necessário (ainda que a gente não queira ele dessa forma), mas inesperado.

“Alguns segredos só clareavam de verdade na escuridão do quarto”

Antes eu do que nós me fez abrir um sorrisão, me deu um leve aperto no coração, me fez querer abraçar o mundo (e os personagens). Uma leitura que acho que todo mundo deveria fazer

E se você pretende ouvir o meu conselho, adquira seu exemplar diretamente com a Grazi, ou então através do site da Rocket Editorial. Infelizmente o livro não está disponível na Amazon.

Ah, aproveita e já segue a autora nas redes sociais (Instagram | Twitter) e vem conferir a resenha de Querida quarentena, obra em formato digital, disponibilizada gratuitamente pela Grazi.

Citações #42 — Querida quarentena

Você leu a resenha que escrevi com muito carinho sobre a obra Querida Quarentena, disponibilizada gratuitamente pela autora Grazi Ruzzante? Se ainda não leu, passe lá para conferir, pois eu menciono que esta é uma obra que retrata muitas dúvidas e angústias que podem ser meus, seus e de quem quiser, principalmente por não estarem relacionadas a um único aspecto de nossas vidas.

Neste post eu vou trazer mais alguns trechos dessa obra, para que você possa saborear e se convencer a ler o livro todo logo. Começarei justamente com algumas passagens que retratam as tais dúvidas e angústias que mencionei.

“Será que eu confundi minhas vontades e necessidades a vida toda?”

“Eu precisava da força que ele me dava ou da força que eu não enxergava em mim?”

“Ok, está tudo desmoronando lá fora. Mas isso quer dizer que preciso me envolver a ponto de me destruir ainda mais aqui dentro?”

“Será que eu ainda sou uma boa filha? Eu me fiz essa pergunta muitas vezes na minha vida”

Outro fator que torna ainda mais fácil a nossa conexão com essa narrativa é o fato dela ser extremamente atual, não somente por ter sido lançada em 2020, mas também por retratar exatamente o que estávamos vivendo naquele momento.

“Mas o isolamento questiona tudo”

Também tem o fato da história nos apresentar uma dor tão forte e que parece única, mas que, no fundo, sabemos que estamos sujeitos a sentir (isso se já não tivermos sentido — algumas vezes inclusive).

“Tem coisas que nem açúcar conseguiria adoçar”

“Mesmo sem sentir um fim, estamos acabados”

“Porque é triste esperar que o mundo me dê algo tão básico quanto o amor, quando eu não sou capaz de dá-lo a mim mesma”

Na resenha eu comentei sobre o quão palpável Bia é, bem como a questão do término ali apresentado.

“Vai ver ele também sente minha falta. Vai ver não tem como deixar de gostar de ninguém assim tão rápido”

“Mas precisar dele também teve um preço”

“E eu acreditei que seria para sempre”

E também comentei sobre as mudanças pelas quais ela passou (como todos nós passamos, em qualquer momento da vida).

“Eu achava que sabia o que queria”

Por fim, ressalto o quanto é difícil não trazer para dentro de nós tudo aquilo que está descrito come se fosse apenas a história de uma personagem qualquer, representada pela Bia.

“Minha hiperatividade nunca soube a hora de parar”

“Algo sempre estava errado. Algum mal-entendido sempre acontecia”

Se consegui despertar um pouco mais de curiosidade com relação a essa obra super rápida e viciante da Grazi, não deixe de visitar o perfil dela e baixar gratuitamente o seu ebook!

Querida quarentena — Grazi Ruzzante

Título: Querida Quarentena
Autora: Grazi Ruzzante
Editora: Publicação Independente
Páginas: 99
Ano: 2020

Demorei mais de um ano para pegar essa noveleta para ler, mas como sempre digo, li no momento certo e, assim, pude apreciar e me conectar com a narradora. Não que isso fosse algo muito difícil, visto que a escrita da Grazi é envolvente e leve, mesmo tratando de uma realidade tão complicada e maluca quanto os tempos de pandemia.

“Embora estejamos em confinamento, o mundo ainda dá voltas. As estações mudam”

O que encontramos nesta obra é uma espécie de diário, mas que ao invés de começar com “querido diário” inicia-se sempre com “querida quarentena”. E tem período melhor que esse para colocar no papel todas as nossas dúvidas, angústias e anseios? Aliás, a protagonista faz isso muito bem ao longo das páginas, colocando nelas questionamentos que, em algum momento, também nos fizemos nesse longo período de isolamento.

“Será que o lado de fora que virou prisão? Será que eu só consigo ser livre aqui dentro? Será que vou conseguir reaprender a dançar lá fora?”

Bia é uma mulher extremamente palpável: fragilizada após um término, ela se vê confinada em casa, consigo mesma, e todos aqueles sentimentos que, em um contexto “normal” já eram intensos, parecem se multiplicar.

“Você me conheceu numa situação atípica. O isolamento fez tudo sair das sombras e sensações aflorarem como nunca antes. Esse negócio de sentimento é novidade até para mim mesma”

Os capítulos de Querida quarentena são bem curtinhos, mas eu sugiro que você não devore toda a obra em um único dia, mesmo sendo possível. Aprecie em doses homeopáticas e observe as mudanças pelas quais Bia passa.

“É estranho revisitar memórias que você tem há anos e perceber as coisas de um jeito diferente”

Essa leitura me acompanhou por cerca de uma semana e confesso que era bem difícil parar de ler, ao mesmo tempo que eu realmente não queria que ela terminasse logo. Há uma narrativa bem clara no livro, mas também é inevitável trazê-la para dentro de nós, nos fazendo mergulhar nesse universo de sentimentos, tantos os nossos quanto os de Bia.

“Eu não sei o que responder quando me perguntam como eu estou. Porque eu estou bem, mas também não muito”

Querida quarentena é, literalmente, um presente para nós, uma vez que, além de extremamente bem construída e escrita, a obra pode ser lida gratuitamente. Para isso, basta acessar o link disponível no perfil da autora Grazi Ruzzante. Aproveita e já segue ela! Esse é, de longe, um dos meus perfis favoritos no Instagram.

Acredito que eu poderia falar muito mais sobre essa obra, mas esse é um daqueles livros que cada um vai receber e sentir de uma forma diferente e é justamente isso que o torna ainda mais incrível. Não importa se você é homem ou mulher, é difícil não se reconhecer em alguma medida nessas páginas, ainda mais por representarem tão bem as nuances que essa quarentena trouxe às nossas vidas.

Um amor para chamar de meu (Antologia)

Título: Um amor para chamar de meu
Autor: Vários autores
Organização: Tati Iegoroff
Editora: Lettre
Páginas: 124
Ano: 2020

um amor para chamar blog

(Leia essa resenha ao som da nossa playlist)

A resenha de hoje vem recheada de felicidade e, antes de falar sobre a obra em si, eu explico os motivos: Um amor para chamar de meu é a mais nova antologia da Editora Lettre. Além de ser uma antologia de romance — gênero que eu amo — sou a organizadora da mesma, e tem um conto meu nela! Preciso dar mais motivos para essa felicidade??

“O canto dos pássaros estava bonito de escutar, mas na rotina corrida em meio aos prédios nem damos valor. Contudo, eles estão ali para dizer que a vida é linda de se viver”

(Conto: O motoqueiro da noite chuvosa)

A antologia sofreu um pequeno atraso em sua publicação (que estava prevista para a semana passada), mas finalmente está no ar e eu continuo não acreditando! Mais para frente, se vocês quiserem, posso trazer um post para vocês sobre como foi organizar a antologia e o que eu aprendi com essa experiência.

“Não era como esperava, pois na verdade não sabia o que deveria esperar”

(Conto: Clara)

Por enquanto, vamos ao que interessa, não é mesmo? Obviamente não esperem imparcialidade de mim aqui… Mas também não escolherei contos preferidos, porque, para além do fato de realmente ter gostado de todos, não acho que seria justo.

E posso contar uma coisa? Não é “óbvio” que eu tenha gostado de todos os contos , ainda que tenha sido eu a escolher aqueles que entrariam ou não na antologia. Mas uma coisa eu posso garantir a vocês: me surpreendi com a variedade das histórias que encontrei e é por isso que eu digo que todos os contos são bons (cada uma à sua maneira).

“Os assuntos que tocamos beiram a superficialidade, mas sempre arranjam um jeito de mergulhar fundo em algo verdadeiro e complexo, onde nós dois conseguimos nos entender”

(Conto: Amor meu grande amor)

Quando falamos em histórias de amor, dificilmente escapamos de uma visão clichê e de um “felizes para sempre”, mas ao longo das páginas de Um amor para chamar de meu vamos muito além disso.

É verdade que na maioria dos contos encontraremos casais héteros, mas também há contos que retratam outros tipos de relacionamento, seja de mulher com mulher (infelizmente, apenas um contos assim), de humano com anjo (!), de sereia com boto (sim, você leu isso mesmo) e até mesmo não casais (só lendo para entender)!

“Haja café na vida para engolir a ausência de amor que não tinha… Um amor que ela queria. Um amor para chamar de seu”

(Conto: Por muito pouco)

A leitura de Um amor para chamar de meu é bem rápida, pois os contos são curtinhos (exigências do edital) e gostosos de ler, com diversas formas de escrita, o que contribui para que a leitura não seja maçante.

Aliás, talvez isso seja o que mais me encanta em uma antologia como essa, de um gênero que leio livros e mais livros: a diversidade. Romances podem ser clichês, mas não necessariamente o são. Me divirto vendo os destinos que os autores traçam para seus personagens, as formas como se desenrolam os acontecimento.

 “Como eu aguentava aquela menina que só vivia para falar de amor, amor e amor? Isso era invenção do consciente do ser humano. Carência pura do ego do indivíduo”

(Conto: Maria Felícia e a inexistência do amor)

Por fim, também me encanta saber que por meio da antologia Um amor para chamar de meu podemos conhecer novos autores nacionais. Autores com muitas possibilidades de escreverem excelentes livros. Parabéns e muito obrigada, pessoal!

Se interessou por essa antologia? Então não deixe de clicar aqui.