Antes eu do que nós — Grazi Ruzzante

Título: Antes eu do que nós 
Autora: Grazi Ruzzante 
Editora: Rocket Editorial 
Páginas: 328 
Ano: 2022

Acho que a resenha desse livro que mexeu tanto comigo tem de ser lida ao som da música que tanto mexe comigo. Então aperta o play aqui e vem descobrir mais sobre Antes eu do que nós.

“— Amiga… — Ela respira fundo antes de continuar. — A vida não é uma comédia romântica. Vai doer e não vai fazer sentido de vez em quando”

É engraçado como a (Be)Tina, protagonista desta história, poderia ser (e talvez seja) qualquer uma de nós: uma mulher incrível que não consegue enxergar isso, principalmente depois de tantas desilusões (amorosas, mas não só). 

E o melhor: ela é professora (de artes). Muito gente como a gente (ou ao menos como eu). E claro que isso contribuiu para ainda mais identificações ao longo da leitura.

“Professor nem é gente, até porque fazer planejamento em pleno domingo tá mais próximo de bicho do que de ser humano”

Em mais uma fossa, porém, Tina topa sair com Beca, sua melhor amiga, para uma balada LGBTQIA+. E o que deveria ser só diversão, sem pretensão alguma, vira mais uma história para Tina.

“Eu voltaria os ponteiros de todos os relógios da cidade só para nos dar mais alguns minutos juntos”

Sim, porque é nessa balada que ela conhece Caio, que também é protagonista nesta obra. 

“Ele me faz querer derrubar todos os muros”

Ler a história desses dois, juntos ou separados, é como ver uma sessão de terapia se desenrolando diante dos nossos olhos, pois há muito amadurecimento e muitas lições.

“Todos deveriam saber que têm essa escolha. Todos deveriam ter a chance de escolher de novo”

Aliás, ao longo da narrativa, que é em primeira pessoa, há pequenas “notas” deixadas pelos personagens. E aquelas deixadas por Tina chama-se justamente lições

“Lição de Tina: cabe mais contradição no nosso coração do que a nossa mente entende”

As notas de Caio chamam-se nota mental e, ao final da obra, Beca e João — personagem que se torna muito amigo de Caio logo no início do livro — também ganham voz e suas notas chamam-se, respectivamente, veredito da Beca e babado do João. O mais interessante, como talvez já tenha dado para perceber, é como o nome dado a esse espaço diz tanto sobre a personalidade de cada um.

“Hoje eu entendo que somos feitos das nossas histórias”

A escrita da Grazi vicia e a leitura dessa obra é extremamente leve e rápida. Mas não se engane: há muita profundidade, muitos pontos que podem doer de alguma forma e, como eu já mencionei, muitas reflexões que podem surgir ao longo dessas páginas.

“Você nunca conhece direito quem uma pessoa é de verdade até descobrir que tipo de coisa ela chama de mi-mi-mi”

Além disso, não são apenas os protagonistas que são muito bem construídos aqui, mas os personagens secundários também. Ficamos querendo saber mais e mais sobre cada um e é evidente como nenhum ali é supérfluo. É por meio também da história deles que Grazi insere temas como aceitação, preconceito, abuso, abandono…

“Eu sou um livro fechado e criptografado, mas altamente previsível. O João é um livro aberto e explícito — às vezes muito mais do que eu gostaria —, mas com uma aventura diferente a cada capítulo”

E se você está lendo essa resenha e pensando que esse é só mais um daqueles romances água com açúcar que eu amo ler e resenhar por aqui, preciso te dizer uma coisa: não, não é nada disso.

“O meu mar e o rio dela se encontram. Água doce e salgada, misturando cores, gostos e dores num só oceano”

Tem romance sim. Inclusive eu me apaixonei pelo Caio no começo do livro, mas eu sabia que alguma bomba estava por vir, afinal, era apenas o início da história. Dito e feito: a bomba veio e eu mudei de opinião.

“Como tanta coisa cabe em duas pessoas? Como tantos momentos cabem em tão pouco tempo?”

Mas não é só por isso que essa história é diferente de tantas outras. Há um plot que torna o final realmente inesperado. Necessário (ainda que a gente não queira ele dessa forma), mas inesperado.

“Alguns segredos só clareavam de verdade na escuridão do quarto”

Antes eu do que nós me fez abrir um sorrisão, me deu um leve aperto no coração, me fez querer abraçar o mundo (e os personagens). Uma leitura que acho que todo mundo deveria fazer

E se você pretende ouvir o meu conselho, adquira seu exemplar diretamente com a Grazi, ou então através do site da Rocket Editorial. Infelizmente o livro não está disponível na Amazon.

Ah, aproveita e já segue a autora nas redes sociais (Instagram | Twitter) e vem conferir a resenha de Querida quarentena, obra em formato digital, disponibilizada gratuitamente pela Grazi.

Um comentário em “Antes eu do que nós — Grazi Ruzzante

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