Contos de Fadas de Cabeceira — Juliana Lima

Título: Contos de Fadas de Cabeceira
Autora: Juliana Lima
Editora: The Books
Páginas: 124
Ano: 2019

Contos de fadas

Finalmente pude ler Contos de Fadas de Cabeceira completo e aquilo que eu havia imaginado em minhas primeiras impressões se concretizou: que livro! Lembrando que o alerta que a autora dá — e que eu já havia destacado anteriormente — continua sendo mais que válido nos demais contos da obra.

“Mas, jurei a mim mesmo que naquele dia seria normal e talvez seja esse o preço imposto pela ‘normalidade'”

Quem pega esse livro para ler, não percebe o tempo passar. Vamos lendo um conto atrás do outro, intercalando com as pausas que a autora nos dá — poemas, pensamentos, micro contos — deixando a cabeça fervilhar em reflexões, pensamentos, realidades. Sim, realidades! Porque, mais que releituras atuais e importantes dos antigos contos de fadas, esse livros nos faz enxergar aquilo que nos cerca nesse mundo.

É difícil escolher um conto preferido, pois todos trazem algo que nos faz realmente refletir. Acho que (a)normalidade é um bom exemplo disso e o próprio título já chama nossa atenção.

“O problema não é o que nasce com você e sim se o que nasce com você se encaixa no quebra-cabeça da sociedade”

O conto A bela renascida, por sua vez, tem um toque poético muito bonito! E A pérola do mar — de referência tão clara quanto A bela renascida — foi um conto que chamou minha atenção porque eu sempre gostei de A pequena sereia e histórias relacionadas a mar, mas também por ser um conto bem desenvolvido e com acontecimentos surpreendentes.

O manto escarlate tem um toque mais sombrio que os demais, um ar quase de filme de terror — e convenhamos que irmãos Told é muito sobrenome de história de terror!

O extraordinário Zunkunft — que não sei se captei qual é a inspiração — me deixou bem reflexiva. Será que as previsões que ele traz se concretizarão? Só vivendo para saber…

A rosa mágica me prendeu do início ao fim, sendo um de seus temas algo que acho muito importante: a necessidade de enxergarmos além da beleza física.

“Encontre alguém que enxergue a beleza que importa em você antes que todas as pétalas caiam”

E ao chegarmos próximos do fim do livro, duas surpresas: Contos de Fadas de Cabeceira — sim, um conto com o mesmo título do livro! — que tem uma história incrível, principalmente por um elemento que não direi aqui, para não estragar a surpresa; e a segunda surpresa é A dama da noite, escrito por Sandra Milani Moreira, autora convidada.

E, para deixar tudo ainda melhor, o livro ainda possui uma playlist própria!

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Conto: O servo do rei — Juliana Lima

O conto O servo do rei faz parte da antologia Entre Amigos organizada por Giuliana Sperandio e publicada pela Editora Sinna

O servo do rei

O servo do rei nos traz a história de uma forte e secreta amizade entre dois jovens: o narrador e Dim. Seus nomes verdadeiros, no entanto, são desconhecidos até mesmo entre eles.

“O brilho em seus olhos era diferente da falta de brilho das outras garotas”

Como todo ser humano, porém, eles crescem e isso acaba por afastá-los aos poucos.

“Já éramos melhores amigos desconhecidos”

O amor que o narrador nutre por Dim está claro desde o começo, mas vai ganhando forma e intensidade com o passar da narrativa.

“Não sei o que sentia por ela antes, mas, depois que se afastou, entendi que não era algo bom. Doía — bons sentimentos não devem doer”

Como todo ser humano, também, esses dois jovens (já não tão jovens assim) são surpreendidos pelos acasos da vida.

“Tudo estava certo, menos o que me aguardava naquela tarde”

O servo do rei, além de falar sobre amizade e amor, fala sobre o poder que nos cega, e sobre vingança desmedida. Uma ótima história para nós fazer refletir.

E aproveitando que a Bienal carioca está chegando, se você quiser conhecer a autora Juliana Lima e seu novo livro, Contos de Fadas de Cabeceira, ela estará no estande da editora The Books (Estande R70 – Pavilhão Verde) no dia 07/09, às 13h00 autografando e distribuindo brindes.

 

Contos de fadas de cabeceira — Juliana Lima

Título: Contos de fadas de cabeceira
Autor: Juliana Lima
Editora: The books
Páginas: 
Ano: ainda não lançado

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O que trago hoje a vocês não é exatamente uma resenha, mas minhas primeiras impressões sobre o livro Contos de fadas de cabeceira. E eu só não trago uma resenha completa desse livro porque ele ainda será lançado e a autora parceira Juliana Lima disponibilizou para seus parceiros apenas três capítulos, o que é uma maldade imensa, porque se eu pudesse eu já teria devorado esse livro (e vocês já vão entender os meus motivos)!

Em primeiro lugar a autora nos dá um alerta:

Contos de Fadas de Cabeceira é um livro cujo intuito é fazer uma releitura dos tradicionais contos de fadas, criar outros e relacioná-los com os temas e polêmicas da nossa sociedade atual”

Pg. 2

Pelos três primeiros contos disponibilizados, percebo que a autora se manteve em seu propósito e acredito que com o restante do livro não seja diferente (e eu não vejo a hora de ler o resto!). Outro ponto a ser destacado, e que fica claro nesses primeiros contos é o fato de que:

“Porém, este não é um livro de príncipes, princesas, castelos e finais felizes”

Pg. 2

No primeiro conto, por exemplo, chamado Felícia no estado de realidade, nos deparamos com o tempo tentando mostrar à protagonista que a vida não é tão bela quanto ela imagina.

“— A face do tempo pode vir de formas variadas, conforme sua visão sobre mim”

Pg. 7

A cada vez que ele aparece, traz consigo um amigo, que são nossos sentimentos. Mas sentimentos como medo, decepção, inveja. É um conto, portanto, que fala sobre a veloz passagem do tempo e, ao mesmo tempo, sobre amadurecimento. Um conto triste, mas também verdadeiro.

“Ainda acredito na bondade e no amor e não é porque algumas pessoas são ruins que o mundo inteiro será”

Pg. 10

O segundo conto, por sua vez, nos fala de forma mais específica sobre a inveja. Chamado A Branca sem Neve, o conto retrata o ensaio de um grupo teatral e culmina com a chocante estréia da peça, que é uma releitura de “A Branca de Neve”. Fiquei de queixo caído com o final desse conto, como sempre fico de queixo caído com as loucuras que a inveja faz o ser humano cometer.

Por fim, em O Grande Truck temos um certo debate sobre a verdade que me parece  muito necessário nos dias de hoje. O protagonista é um escritor mágico: aquilo que ele escreve torna-se real. Até que sua última frase, talvez verdadeira demais, encerra a sua carreira.

“Os mágicos, detetives e escritores tem algo em comum: o poder de iludir, confundir e ludibriar mentes, o quanto lhes for conveniente”

Pg.31

Esse é um conto para se ler as entrelinhas também e, dos três, foi o que mais me fez refletir.

Além dos contos, também encontrei, ao longo dessas primeiras páginas disponibilizadas pela autora, dois poemas e um microconto. Esse livro promete! E, por falar nisso, ele será lançado no dia 07 de setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, então se você estiver por lá, não deixe de passar no stand da The Books Editora!