Uma mentira imperfeita — Beatriz Cortes

Título: Uma mentira imperfeita 
Autora: Beatriz Cortes 
Editora: Bendita Editora 
Páginas: 314 
Ano: 2021

Estava com saudades de ler um clichê e, ao mesmo tempo, uma história capaz de me surpreender. Parece impossível que esses dois elementos possam coexistir? Pois Uma mentira imperfeita está aí para provar que isso é possível sim!

“Como podemos ser nós mesmos em um mundo que insiste em nos dizer quem devemos ser?”

Narrado em primeira pessoa, podemos quase dizer que a história não possui uma, mas duas protagonistas: Marina e Nina.

“A Nina era bem mais divertida do que a Marina, com essas roupas sérias e a agenda regrada. A Nina aproveitava a vida de verdade, ela tinha sonhos…”

Marina está prestes a assumir a empresa de seu pai, falecido antes da hora. É uma responsabilidade enorme, afinal não é uma empresa qualquer. E ela, sempre série e tentando entender suas funções, sendo sempre pressionada e criticada pela madrasta, ainda tem de lidar com as nada simples questões do coração.

“Na minha vida, é tanta tempestade que já estou até sem barco. Naufraguei de vez e, a cada vez que saio com alguém, bebo um pouco mais de água salgada”

Nina, por outro lado, é uma pessoa leve, que consegue equilibrar novas e emocionantes aventuras com as suas obrigações. Como diria Otto, seu melhor amigo, ela pega sem se apegar.

“A Nina é uma baita de uma sortuda!”

A verdade, porém, é que Nina e Marina são a mesma pessoa. Nina é, no fundo, uma versão quase perdida de Marina, resgatada por Otto, que está cansado de vê-la levando a vida tão a sério e deixando de lado a oportunidade de aproveitar um pouco o que há de bom.

“Otto pode ter umas ideias meio doidas, mas acho fofa a forma como ele se preocupa comigo”

É aquela velha história: é só quando deixamos de nos preocupar com certas coisas que elas acontecem. E foi assim que Marina (quer dizer, Nina, porque ela sim é despreocupada) conheceu Zac.

“É engraçado olhar para trás e perceber tudo de bom que eu teria perdido se as coisas tivessem acontecido como eu planejava”

Desde o começo da história fica muito claro para nós, leitores, que Marina não está nada confortável com a ocupação que ocupa e, menos ainda, com a que vai ocupar. E logo vamos entendendo quais são as suas verdadeiras paixões.

“— Pensar no que a gente ama sempre faz bem, Nina. Esse é o segredo”

Mas aos poucos também vamos percebendo outro detalhe: Marina carrega uma culpa. E nós passamos boa parte da leitura tentando entender que culpa é essa, coisa que vai sendo revelada bem aos poucos, na medida certa.

“Estou tremendo. A parede que levei anos construindo dentro de mim para isolar essa história do resto do mundo (e de mim mesma) parece se rasgar como uma folha de papel”

Não foi somente a forma como a autora soube usar esse sentimento para construir um mistério na trama, porém, que me prendeu até a última página. Também fiquei bem intrigada com o desenrolar do nó em que Nina se enfiou.

Mesmo sendo uma grande apaixonada por histórias de amor, chegou um ponto da história que eu não poderia torcer para ela ter o final feliz dela ao lado de Zac. Não da forma como as coisas estavam acontecendo, porque Marina era apenas Nina para ele, mas ela precisava se encontrar entre uma e outra (ou até em ambas, na medida certa. Ou em nenhuma).

“Eu definitivamente não sei quem sou”

Confesso que tive medo da história simplesmente acabar feliz, mas de maneira absurda. Mas se tem uma coisa que posso dizer, sem dar spoilers, é que a história não decepciona. A autora vai conduzindo tudo de forma a nos fazer ler com atenção até o último ponto final, sedentos por todos os desfechos bem pensados e que nos fazem concluir a leitura com um sorriso no rosto e um quentinho no coração.

“Há muito tempo não me sentia assim, livre, desprendida, animada”

Que tal conhecer Marina, Nina e o que mais puder surgir dessa mulher que tem muito a aprender, mas também a ensinar? É só clicar aqui embaixo!

Vertigo — Marie Pessoa

Título: Vertigo
Autor: Marie Pessoa
Editora: Publicação independente
Páginas: 162
Ano: 2019

vertigo

Vertigo não é um livro previsível: você vai lendo página após página e não imagina onde a história vai dar. Isso sem contar que muitos temas importantes são abordados ao longo da narrativa e que diversas coisas nos são ensinadas a cada guinada na história.

“Pequenos elogios como esse faziam total diferença a alguém despedaçado”

Quem narra Vertigo é Mia, uma jovem publicitária que descobre que seu noivo a está traindo com a sua até então melhor amiga. Desempregada e sozinha, Mia entra em depressão.

“Era doloroso demais terminar um relacionamento. Qualquer um deles; até mesmo os que não havia mais sentimentos”

Um belo dia, Mia resolve ir ao Satan’s Bar, localizado perto de sua casa. Até essa primeira visita, ela imaginava que aquele fosse apenas mais um barzinho, cheio de jovens, mas ao chegar lá se depara com algo totalmente diferente do que esperava.

No dia seguinte, Mia é acordada por uma ligação chamando-a para uma entrevista de emprego. E, então, sua vida começa a tomar rumos inesperados. Suas vidas profissional e pessoal vão se misturando de maneira complicada e intensa.

“Posso afirmar com convicção: recomeços não são fáceis”

Na noite em Santan’s bar, Mia conhece Matteo. Em seu novo emprego, Giorgio. Dois personagens em um mesmo corpo. Dois personagens (ou apenas um) que mexem muito com Mia. Ainda que ela carregue mágoas do fim de seu último relacionamento, ela não consegue deixar de se apaixonar por esse homem que está disposto a ensinar tudo o que sabe sobre BSDM, mas que, ao mesmo tempo, não parece disposto a se entregar a um relacionamento monogâmico, que apesar de tudo continua a ser o sonho de Mia.

“Precisava de novas amizades, e principalmente criar novas lembranças. As antigas já não me serviam mais”

Com a relação entre Mia e Giorgio (ou Matteo) — uma relação que não é apenas sexual, mas também de amizade — vamos descobrindo sobre o passado da protagonista e, com ela, vamos percebendo como seu relacionamento anterior era abusivo e tóxico.

“Eu não queria viver numa eterna vertigem. Estava farta de desistir dos meus sonhos por pessoas que não fariam o mesmo por mim”

Neste livro, portanto, vemos uma mulher se livrando de amarras, se descobrindo e aprendendo a se amar. Mia também reflete muito sobre o feminismo — lembrando que, além de tudo, ela foi traída por sua melhor amiga —  e sobre suas ações em relação às suas crenças e ideologias.

“Era o tipo de sorriso que eu gostaria de ver todos os dias ao acordar e antes de dormir. O sorriso de alguém que se importava comigo”

É uma história hot, mas sem cair no lugar comum de tantas outras histórias. Uma narrativa com temáticas que valem a discussão e com um final aberto que — ainda que isso desagrade a muitos —  não poderia ser diferente: Vertigo não é um conto de fadas, mas uma história que se mostra como real e plausível.

“Mas com a vida adulta percebi que nem todos os sonhos são alcançáveis. A gente realiza o que pode”

Se você quiser conhecer Mia e sua trajetória, clique aqui.

Apenas mais um CEO – Juju Figueiredo

Título: Apenas mais um CEO
Autor: Juju Figueiredo
Editora: Publicação independente
Páginas: 170
Ano: 2019

mais um ceo

O livro Apenas mais um CEO é o primeiro livro de uma duologia que acabei devorando nessas férias. Quando comecei a leitura, achei que a história ficaria em um eterno vai e vem entre Mathew Thompson e Megan Tanner, que, alternadamente, narram boa parte do livro. Mas me enganei (e  muito), o que contribuiu para que eu devorasse o livro e já emendasse a leitura do segundo volume.

“— Se apaixonar é inevitável”

O fato de Mathew Thompson ser um CEO super rico e não passar mais de uma noite com a mesma mulher poderia fazer com que eu o odiasse (e, em alguns momentos, confesso, não gostei muito dele), mas o fato de saber que ele tem um passado doloroso, mas romântico, ameniza todo o desgosto.

“— Eu já sofri demais nessa vida, Megan”

Por outro lado, Megan Tanner é uma mulher daquelas de se admirar: não se rebaixa por homens, é independente, linda, forte e, ao mesmo tempo, tem um coração enorme.

“A Megan tem alma de criança, um coração puro”

Evidentemente, o caminho desses dois personagens se cruzam, mas não de uma maneira tão banal quanto poderíamos esperar. Aos poucos, percebemos que há muitos outros caminhos se cruzando nesta história, que vai ficando cada vez mais intrigante.

“O destino pode ser traiçoeiro com as pessoas, mas comigo ele pegou pesado”

Outro detalhe que nos prende à história e que nos faz querer bater nos personagens é o fato de que, às vezes, eles só precisam conversar!! Uma boa conversa resolveria metade dos problemas deles (mas, ok, também tiraria metade da graça da história). Mas é muito doido pensar que, na vida real nós também somos assim e nos deixamos levar pelas situações, mesmo sem ter uma visão plena sobre elas, mesmo sem escutar o outro lado.

“Queria ajudar meu amigo com seus demônio, mas algo me dizia que a história dele era mais complexa do que se podia imaginar”

Apenas mais um CEO não é um livro de mocinhos e vilões, nós não ficamos  torcendo pelo bem e também não necessariamente torcemos para que o casal fique junto. E pensar em tudo isso é interessante, porque o que nos prende ao livro, portanto, são os mistérios que vão surgindo e as histórias de cada personagem.

Os personagens, aliás, são apresentados aos poucos ao longo da narrativa e isso é ótimo. Evita aquela confusão de nomes e nos dá uma visão mais clara do pano de fundo da história. Temos tempo de conhecer e assimilar cada peça dessa narrativa.

“— Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece. A prova está aí, eu nunca o esqueci e acho que nunca vou esquecer”

Apenas mais um CEO, portanto, é um livro de romance que vai muito além de um simples casal lutando para ficar junto: é um livro que nos traz um enredo complexo e misterioso, com uma boa pitada de cenas quentes também.

“Me apaixonei por uma mulher, uma mulher que dominou meu coração, meu corpo e minha alma”

Se você ficou com vontade de saber mais sobre o passado de Mathew ou então conhecer Megan Tanner, adquira seu ebook aqui.

Contos de fadas de cabeceira — Juliana Lima

Título: Contos de fadas de cabeceira
Autor: Juliana Lima
Editora: The books
Páginas: 
Ano: ainda não lançado

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O que trago hoje a vocês não é exatamente uma resenha, mas minhas primeiras impressões sobre o livro Contos de fadas de cabeceira. E eu só não trago uma resenha completa desse livro porque ele ainda será lançado e a autora parceira Juliana Lima disponibilizou para seus parceiros apenas três capítulos, o que é uma maldade imensa, porque se eu pudesse eu já teria devorado esse livro (e vocês já vão entender os meus motivos)!

Em primeiro lugar a autora nos dá um alerta:

Contos de Fadas de Cabeceira é um livro cujo intuito é fazer uma releitura dos tradicionais contos de fadas, criar outros e relacioná-los com os temas e polêmicas da nossa sociedade atual”

Pg. 2

Pelos três primeiros contos disponibilizados, percebo que a autora se manteve em seu propósito e acredito que com o restante do livro não seja diferente (e eu não vejo a hora de ler o resto!). Outro ponto a ser destacado, e que fica claro nesses primeiros contos é o fato de que:

“Porém, este não é um livro de príncipes, princesas, castelos e finais felizes”

Pg. 2

No primeiro conto, por exemplo, chamado Felícia no estado de realidade, nos deparamos com o tempo tentando mostrar à protagonista que a vida não é tão bela quanto ela imagina.

“— A face do tempo pode vir de formas variadas, conforme sua visão sobre mim”

Pg. 7

A cada vez que ele aparece, traz consigo um amigo, que são nossos sentimentos. Mas sentimentos como medo, decepção, inveja. É um conto, portanto, que fala sobre a veloz passagem do tempo e, ao mesmo tempo, sobre amadurecimento. Um conto triste, mas também verdadeiro.

“Ainda acredito na bondade e no amor e não é porque algumas pessoas são ruins que o mundo inteiro será”

Pg. 10

O segundo conto, por sua vez, nos fala de forma mais específica sobre a inveja. Chamado A Branca sem Neve, o conto retrata o ensaio de um grupo teatral e culmina com a chocante estréia da peça, que é uma releitura de “A Branca de Neve”. Fiquei de queixo caído com o final desse conto, como sempre fico de queixo caído com as loucuras que a inveja faz o ser humano cometer.

Por fim, em O Grande Truck temos um certo debate sobre a verdade que me parece  muito necessário nos dias de hoje. O protagonista é um escritor mágico: aquilo que ele escreve torna-se real. Até que sua última frase, talvez verdadeira demais, encerra a sua carreira.

“Os mágicos, detetives e escritores tem algo em comum: o poder de iludir, confundir e ludibriar mentes, o quanto lhes for conveniente”

Pg.31

Esse é um conto para se ler as entrelinhas também e, dos três, foi o que mais me fez refletir.

Além dos contos, também encontrei, ao longo dessas primeiras páginas disponibilizadas pela autora, dois poemas e um microconto. Esse livro promete! E, por falar nisso, ele será lançado no dia 07 de setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, então se você estiver por lá, não deixe de passar no stand da The Books Editora!