Citações #28 — E as estrelas quantas são?

Citações #28

Hoje vamos de citações de “E as estrelas quantas são?“, um ótimo livro, escrito pela italiana Giulia Carcasi, que nos fazer refletir (e relembrar) sobre a adolescência, fase de inúmeras descobertas (e decepções). Livro bem adequado, também, para uma segunda-feira pós-ENEM…

“Se você se queima com fogo uma vez, fica sempre com medo de se queimar novamente”

(p.52)

O livro possui dois lados e cada lado é narrado por um personagem: Carlos e Alice, dois jovens sonhadores e românticos.

“Há noites em que mal se vê uma estrela, mas, quando se está apaixonado, se veem muitas”

(p. 146)

 

“Os corpos não são feitos para estar sós, o amor é um jogo de encaixe”

(p.146)

É claro que, ao longo de E as estrelas quantas são? Carlos e Alice vão percebendo que não é tão fácil assim ser o que são e, principalmente, ter o coração que eles têm.

“— Sabe qual é a verdade? A verdade é que as pessoas só lutam por si mesmas… No entanto, as melhores guerras são aquelas que se lutam pelos outros, porque essas têm a força de um ideal puro, não de um interesse. Ninguém lutou por mim”

(p. 142)

 

“É triste quando os objetos duram mais do que as pessoas”

(p. 148)

Carlos e Alice, com o passar dos dias do último ano escolar deles aprendem muito mais do que escola pode ensinar.

“Agora ela acredita na terra, que é um acreditar triste porque não faz olhar para o alto”

(p.85)

E apesar de quebrarem a cara (e o coração), não deixam de ser os seres humanos que são.

“Acho que às vezes a gente tem que aguentar uma tempestade dessas , sem motivo, só porque alguém precisa desabafar um pouco”

(p.76)

Acho que já deu para perceber que esse é um daqueles livros que nos deixam reflexivos. E que são poéticos, ah, como são! Vale a leitura, sem dúvidas.

“Minha mãe me pede um pouco de vida, mas hoje não sei como lhe dar, também estou procurando”

(p. 50)
Ficou com vontade de ler E as estrelas quantas são? Então clica aqui!

E as estrelas, quantas são? — Giulia Carcasi

Título: E as estrelas, quantas são?
Original: Ma le stelle quante sono
Autor: Giulia Carcasi
Editora: Planeta
Páginas: 272 
Ano: 2011
Tradutor: Letícia Martins de Andrade

e as estrelas

[Antes de começar a ler esse post faça um favor para mim e leia o título desse livro em italiano. Olha que coisa mais linda!]

Esse livro chegou até mim de forma inesperada: um presente fora de época. Mas mais inesperado ainda foi o que encontrei diante de mim: não um livro, mas dois. De um lado temos a história de Alice Scaricca; de outro, a história de Carlo.

“Alice é bonita justamente por isso, porque tem os olhos cheios de alguma coisa que não é desta terra, alguma coisa que não foi contaminada”

(p. 25 – Carlo)

Dois jovens que estão no último ano da escola, vivendo uma intensa fase de descobertas. Vivendo aquela fase pela qual todos nós, mais cedo ou mais tarde, acabamos por passar, cada um à sua maneira.

“Me sinto como alguém que procurou manter em equilíbrio muitas coisas que depois acabaram caindo: o amor, a família, a amizade, os exames…”

(p. 141- Alice)

Alice e Carlo não são os populares da escola, muito pelo contrário: são “esquisitos”, estudiosos, têm poucos amigos. E mesmo sendo tão parecidos, eles conseguem ter experiências bem diversas (claro).

“Estou cansada de me colocar na pele dos outros. Agora tenha a minha própria para cuidar”

(p. 85 – Alice)

Cada um deles, a seu modo, está descobrindo o amor. E também a decepção, a traição, o mundo adulto. Eles estão vivendo as suas experiências, enquanto nos mostram muito daquilo que podemos ter vivido também.

“Porque se tornar um homem não significa ter feito sexo; significa ter coragem de enfrentar os próprios medos e de lutar por quem se ama”

(p. 108 – Carlo)

Mesmo depois de ler E as estrelas, quantas são? não sei se há uma maneira certa de encará-lo. Comecei com a parte de Alice e depois fui para a parte de Carlo. Mas também pensei em alternar as partes ou começar por Carlo e depois ir para a Alice. Não sei como esses caminhos poderiam ter mudado minha percepção sobre o livro. De qualquer forma, achei a parte da Alice mais intensa, profunda (e mais longa, isso é inegável). Mas a parte de Carlo tem a sua poesia.

“Tudo aquilo que lhe dá coragem é poesia, tudo aquilo que segura a sua mão e lhe explica o mundo, que faz você se sentir menos só, que ajuda você a se entender e a se perceber”

(p.124- Alice)

As histórias de ambos acabam se cruzando, mas ainda que tenha algo da narrativa de um na narrativa do outro, o livro consegue não ser repetitivo, pois é realmente interessante ver o ponto de vista de cada um e a forma que eles enxergam os mesmos acontecimentos.

“Haveria menos guerras se as pessoas despertassem com uma história”

(p.9 – Alice)

Eu me deliciei lendo esse livro. Uma leitura feita aos poucos, com as pausas necessárias para absorver a transformação desses dois jovens. Transformação essa pela qual tantos de nós já passaram em algum momento.

“Mas o tempo corre rápido e não manda aviso, não diz que está prestes a te alcançar e te deixar para trás”

(p.17 – Alice)
Quer conhecer melhor Alice e Carlo? Então adquira seu livro aqui.

A tentação da bicicleta – Edmondo De Amicis

Título: A tentação da bicicleta
Original: La tentation de la bicyclette
Autor: Edmondo De Amicis
Editora: Nós
Páginas: 64
Ano: 2016
Tradutor: Gabriel Perissé

20190103_154121_1246462035.jpg

Em A tentação da Bicicleta, Edmondo De Amicis discorre sobre a bicicleta e sua popularização. Vale lembrar que o autor viveu entre 1846 e 1908 e que a bicicleta foi patenteada em 1818, popularizando-se, porém, somente no final do século.

Nesta extensa crônica, De Amicis fala sobre os efeitos da popularização da bicicleta, nos mais diversos âmbitos: nas relações amorosas e interpessoais, na literatura, no cotidiano e até na vida dele.

“A bicicleta me roubava queridas companhias, afastava de mim antigas amizades”

A tentação da bicicleta (p.29)

Um dos significados da palavra “tentação” é “impulso para a prática de alguma coisa censurável ou não recomendável”. Lendo esta obra do autor italiano, percebemos que é exatamente essa a visão que ele tem do uso da bicicleta — principalmente por pessoas mais velhas ou gordas — ao passo que também faz sentido o significado de “desejo  veemente ou violento”: Edmondo De Amicis passa todo o livro tentando resistir ao fato da bicicleta ser uma invenção incrível.

“Se este exercício físico, pensei com meus botões, pode produzir semelhante prazer e alegria a um fiapo de homem, o que não fará por um homem que ainda seja um homem inteiro?”

A tentação da bicicleta (p.9)

Para saber se o autor sucumbe ou não à bicicleta, só mesmo lendo o livro, que além de tudo é lindo: possui diversas imagens geométricas, que nos remetem aos mecanismos de uma bicicleta. Mas uma coisa não posso deixar de dizer: o final é, também, muito metafórico. Serve para a bicicleta, mas serve para tantas outras coisas da vida. Uma mensagem muito válida!

“Parem de resistir, pois o preço a pagar por essa teimosia são longos anos de penosos combates”

A tentação da bicicleta (p.60)
Se interessou pelo livro? Compre aqui.

Assinatura

Citações #15 — La sposa giovane

Hoje trarei a vocês apenas mais 2 citações do livro La Sposa giovane, escrito por Alessandro Baricco e publicado pela editora Universale Economica Feltrinelli em 2016. Como trata-se de um livro em italiano, vou aproveitar para colocar também o original aqui, ao final do post.

“A infelicidade rouba tempo ao prazer, e no prazer se constrói a prosperidade” (p.27).

É muito doido como, de repente, as coisas passam a fazer sentido, não é mesmo? Pensem nas pessoas que vocês conhecem e que, pelos rumos da vida, dedicam-se a uma atividade que não é aquela que elas queriam. Imagine essa mesma pessoa trabalhando no que gosta. Ela poderia até receber menos, mas estaria muito mais feliz. Muito mais satisfeita consigo mesma. E teria muito mais força para realizar tantas outras coisas em sua vida.

Essa citação aí de cima, para mim, tem muito a ver com saúde mental. E com sentir. O que nos leva à segunda citação de hoje:

“- Sentir é muito pouco, minha querida.

– Mas às vezes é tudo, senhor” (p.142)

Essa é uma passagem que, na história, tem mais a ver com a questão da intuição. Mas podemos ampliar para os sentimentos como um todo. Viver vazio de sentimento não é viver, assim como arrastar-se em uma vida infeliz.

E pensando nisso tudo, eu gostaria de dizer mais uma coisa também: lute ao lado daqueles que você ama. Ajude-os a realizar os seus sonhos, independentemente do tamanho deles. Essa é a melhor maneira de ver cada um prosperar e viver em paz. E é apenas isso que queremos para quem nos faz bem, não?

Para encerrar, como prometido, as citações originais:

“L’infelicità ruba tempo alla gioia, e nella gioia si costruisce prosperità” (p.27)

“- Sentire è un po’ poco, cara.

– Ma alle volte è tutto, signore” (p.142)