Violeta — Abraão Nóbrega

Título: Violeta 
Autor: Abraão Nóbrega
Editora: Publicação independente
Páginas:  310
Ano: 2021 

Sinopse

Victor, um estudante de gastronomia, sentiu na pele as pressões sociais do corpo, sexualidade, prazer e (des)afeto dentro da comunidade gay. Cansado de relações líquidas e aprendendo a lidar com seus sentimentos (que até então tinha enfiado numa caixinha por não saber o que fazer com eles) esbarra em Gabriel. Um jovem aspirante a psicólogo que está no processo de recuperação de feridas afetivas deixadas pelo relacionamento abusivo com o ex-noivo Hugo. Nos desencontros da vida (pós)moderna e relações liquefeitas, fica o questionamento: apaixonar-se é um ato revolucionário?

Resenha

Desde as primeiras linhas, Violeta vai nos prendendo em sua trama, entregando ao leitor uma história de amor gostosa, mas nem sempre fácil, de ler.

“Para todos os corações teimosos que insistem em se permitir amar, essa história é para vocês. Apaixonar-se é um ato revolucionário?”

Victor, um personagem por quem é fácil se apaixonar, é estudante de gastronomia e está cansado de aplicativos de relacionamento, ainda que queira muito um amor para chamar de seu.

“Tudo na atualidade é baseado na velocidade, inclusive os relacionamentos”

O protagonista está cansado da superficialidade das relações que estes aplicativos trazem e isso acaba contribuindo para uma crise de ansiedade daquelas que ou você se identifica, ou ao menos se compadece

“Ele não conseguia entender o que era aquilo, mas só queria se acalmar. Só queria paz. Parecia uma tempestade rugindo em seus ouvidos. O corpo inteiro berrava angustiado. O coração batia tão rápido que doía na alma”

No meio desse caos, Gabriel aparece, não como um anjo salvador e perfeito, mas com um ser humano que também tem seus problemas e, no fundo, a vontade de ser amado como merece.

“Ninguém é feito apenas de coisas boas, tão como, não só de ruins”

Através desses dois personagens, Violeta se apresenta como uma história que sabe equilibrar leveza e a necessidade de reflexão e de tocar em temas densos.

“Ele sorriu e, mesmo com os olhos fechados, viu nuances da beleza da vida. Porque, no fim, as coisas mais encantadoras são percebidas com o coração”

Uma narrativa que, além da ansiedade, também fala sobre relacionamentos tóxicos e solidão.

“Ele sabia que nunca estaria só, mas, na verdade, nunca poderia contar com o apoio de Henrique. No fim das contas, ele sempre esteve só”

Uma história que está longe de ser perfeita — e talvez por isso, infelizmente, não esteja disponível no momento — mas que é capaz de encantar

“Entender e aceitar suas belezas e feiuras é onde o equilíbrio faz morada”

A representatividade na história é um ponto a se destacar, não apenas por estar muito bem contextualizado, mas por ir para além de um casal gay protagonista e falar, também, sobre demissexualidade

“A grosso modo é que meu tesão depende da minha conexão afetiva com a pessoa”

Em suma, uma história que vale a leitura e que, espero, volte numa versão melhorada e ainda mais encantadora.

“Nem toda história acaba porque um lado desistiu ou deixou de sentir. Às vezes amar perde o sentido que tem, deixa de ser sorriso e aconchego e se torna lágrimas e silêncio”

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Citações #93 — Recesso

Recesso, do autor Claus Castro, foi uma leitura que me apareceu do nada, graças ao contato do próprio autor, e que me fez pensar em alguns (vários) assuntos, que retomo aqui, com alguns trechos que destaquei ao longo da leitura e que ficaram de fora da resenha.

O primeiro deles é a nossa memória: aquilo que lembramos e esquecemos, por querer ou pela passagem do tempo.

“Lembrar é um presente me tomando o futuro e este tempo é um sono do qual não posso despertar”

“Algo morre em você e você não consegue continuar sendo a mesma pessoa. Você se perde, no amor ou nessa ausência, e passa a ser tudo aquilo que detestava, para esquecer, para não esquecer, para tampar o rombo no seu peito com a continuação de uma história que já terminou”

“Você esconde no fundo de um álbum no celular uma foto de alguém que não vê há dez anos”

“Toda vez que ficamos, estamos deixando algo para trás, um lapso, uma oportunidade ou o início de uma memória que seja”

Tempo, aliás, é outra temática muito presente, e o autor nos faz pensar sobre a História e o que estamos fazendo com nossas vidas.

“Três revoluções industriais, e a tecnologia foi capaz de nos aproximar de tudo, menos de nós mesmos”

“Quando nasci havia um muro, e pessoas morrendo por uma liberdade em cima dele. Hoje somos livres e vivemos nossas vidas construindo barreiras entre nós”

“A história não era linear, não éramos lineares, nossas histórias não passavam de linhas que ora se trançavam e ora se desembaraçavam numa grande fiação de mais um maquinário que nos roubava”

O narrador possui uma amargura muito visível e, por isso, essas temáticas são tão densas, assim como quando ele fala sobre a relação que temos uns com os outros e como deveríamos estar mais verdadeiramente presentes.

“Mal saíamos de casa e nos sentíamos tão sozinhos, nossas dores não eram mais capazes de nos unir de nos fazer encontrar no outro um ombro para desabar”

“Antes precisávamos de pessoas que falassem, agora precisamos de pessoas que possam escutá-las”

“Nunca antes se falou tanto em amor e nunca antes quisemos ser verdadeiramente tão amados”

Relacionamentos, aliás, estão no cerne dessa narrativa, e nos despertam muitas reflexões.

“Quem era ela pra querer um homem em mim? E quem era eu pra querer uma mulher nela?”

“Mulheres… o que fazer com elas? O que faríamos sem elas? O que estaríamos fazendo se fôssemos elas?”

Há um destaque especial para a dor, presente em diversos momentos da narrativa.

“Não há como combater a dor com a dor, tudo que se tira disso é mais sofrimento”

“A dor é tudo que me move”

Barulho e silêncio também aparecem em tantos outros momentos da história.

“O barulho te assusta num primeiro momento, mas o silêncio pode trazer à tona muitas outras palavras que não foram escutadas”

“Não há conversas, nem murmúrios, só o que existe é o caos, e você em silêncio querendo lutar contra isso”

Recesso é uma leitura que ecoa muito em nós por, além dos temas já mencionados, trazer uma profunda reflexão de um eu que não sabe bem que é e porque veio ao mundo. 

“Diziam que eu poderia ser tudo o que quisesse, porém não consigo nem ser eu mesmo”

“Não importa quanto tempo passe, eu ainda estarei aqui. E acho que é isso o que mais me desespera”

“A vida estava tentando me ensinar uma lição, que eu nunca poderia aprender”

E por nos lembrar constantemente de que a vida não é fácil.

“Por que é que quando a coisa resolve andar é aí que ela volta pior do que antes?”

“Aceitar que a vida é um caminho difícil não vai tornar as coisas mais fáceis; no entanto, isso tornará as que seguirem assim verdadeiras”

Concluo este post com uma passagem que vai dar muito o que pensar e convido você a saber mais sobre este livro através da minha resenha. 

“A barbárie está na indiferença, no cruzar dos braços. Não mexe um músculo move muito mais coisa que se pode imaginar”

Citações #91 — As grandes navegações

As grandes navegações, obra escrita por Gael Rodrigues e publicada em 2023, foi uma grata surpresa para mim no último ano.

Ganhei o ebook da presente da Geovana, do Capítulo 20 e não tinha grandes expectativas sobre a obra, apesar da sinopse ter chamado minha atenção com uma simples palavra: amizade.

“Algo passa a existir para gente depois que o nomeamos. Um desconhecido pega o mesmo vagão do metrô que o seu, todas as manhãs, mas começa a existir apenas depois de ser apresentado numa festa qualquer por um amigo qualquer”

“Recomenda-se compartilhar os sonhos numa mesa de café da manhã, com cheiro de café quente atingindo as narinas, aquecendo os sorrisos”

A história, contudo, vai muito além do tema da amizade, nos fazendo mergulhar num universo novo e encantador, uma vez que se inicia em Moçambique, para, em seguida, trabalhar certo contraste com o Brasil.

“A mulher-insular, agora, era também oca. Sem rumo e sem peso. Nada sentia, lágrima nenhuma corria pelo seu rosto. Oca, oca”

“São Paulo era uma cidade grande, feita para caber mentiras e vidas escondidas”

Outro tema que aparece em diversos momentos da narrativa é a questão da diferença e do diferente.

“Protegia-te e mesmo que não soubesses, eu estava em segurança contigo. Dois diferentes juntos são menos diferentes”

“‘O diferente tem vocação para partir. Seja da casa em que ele nunca teve cômodo próprio. Do grupo de amigos em que, apesar das tentativas, o diferente falhou em se conectar profundamente. Ou de uma torre’”

“Mas é o sonho a casa dos diferentes, e é preciso que eles saibam. Feito abraço quente que nunca houve”

“O homem acordado tem asco à diferença. O homem acordado quer a segurança dos iguais, para não ser surpreendido com a aterrorizante ideia de tomar decisões. De trilhar caminhos novos. De ter à sua frente um alienígena a revelar tanto do que ele tenta esconder”

E destaco aqui outro ponto crucial nesta narrativa: a língua.

“A língua separa, mas também une, ela também dizia”

O que me leva, ainda, a outras temáticas importantes: o contar histórias e o lembrar

“Memória de branco é boa porque eles vivem remoendo o passado”

“A brincadeira de encaixe ensinou Leonildo a ser paciente. Não havia lugar para onde ir, nem a pressa dos que vão. Aprendeu a humildade de desistir de uma conclusão, não se ater ao encaixe mais rápido e fácil. Desconfiar. Foco, mais foco. Voltar à estaca zero e recomeçar”

“Deveria ser algo novo dentro dele a transmutar as coisas todas do mundo em uma determinada pessoa”

“Eu tinha cinco anos e algo se quebrou num lugar tão profundo, impossível de achar”

“Leonildo contava sorridente, como se o passado não tivesse sido difícil, como se o presente também não o fosse”

“A máscara foi embora e Guilherme se deparou com um rosto diferente do que ele imaginava. Ele, como outros, completaram os rostos das pessoas incompletas, dando-se conta depois que haviam errado”

“Às vezes, a gente precisa fingir que está contando outra história para contar o que a gente realmente quer contar”

“Às vezes, ter acontecido é o motivo de não se falar mais da coisa, porque ela ficou completa e enterrada”

Também me chamou a atenção o fato da história, em certo momento, se passar durante a pandemia e nos transportar a algumas dificuldades que este período trouxe.

“Perderam o emprego e não queriam perder a vida, estavam prestes a perder o juízo”

Com tantas temáticas abordadas de maneira quase poética, há uma que não poderia deixar de aparecer: o amor

“Se soubesse, se pudesse, construiria um mundo onde o sol sempre estaria na iminência de se pôr”

“O sorriso dele cedeu a um certo constrangimento, ciente de que o amor é incapaz de tornar um chiqueiro num palácio”

“Eles sorriam, estavam felizes. Eram novos demais, por isso felizes”

“Ainda faltava uma estação e uma eternidade”

Uma história que fala de presente, passado e futuro

“Era como se ela soubesse que o futuro seria brilhante, que precisava aprender desde já como se é feliz”

E que nos lembra que, mesmo diante de toda e qualquer maldade, o que vale é o que temos dentro de nós, principalmente a bondade

“‘Não deixe o medo impedir você de compartilhar o que você tem de bom aí dentro, eles sempre aparecem e fazem a gente desacreditar, perder a confiança, mas nem todos são como eles, confie na sua intuição, e compartilhe o que você tem aí dentro’”

Se você acha que este livro pode te interessar, leia a resenha completa para saber mais e garantir seu exemplar.

No meu lugar — Jorge Castro

Título: No meu lugar 
Autor: Jorge Castro
Editora:  Publicação independente
Páginas:  186
Ano: 2017

Sinopse

Não é o melhor ano para Pedro Carvalho.

Com surtos constantes de ansiedade, a traição do primeiro amor e uma depressão insistente, seu mundo desmancha de um dia para o outro. Quando a verdade sobre sua sexualidade o faz ser expulso de casa, Pedro tem que aprender a lidar com novos desafios: como os outros o veem, como ele se vê, e os sentimentos explosivos que esconde por Guilherme – o amigo generoso que o acolhe durante a crise, e que faz seu coração palpitar como ninguém.

Lutando para se aceitar e entender onde se encaixa, Pedro precisa descobrir como reconstruir a vida. Mas quando o mundo o trata como um erro a ser corrigido, como não ceder aos medos rondando o peito?

Como vencê-los e encontrar o seu lugar?

Resenha

Não se deixe enganar pela capa: No meu lugar pode até ter passagens fofas, mas é uma história pesada, triste e que retrata uma realidade extremamente dolorosa.

“As cicatrizes em meu nome podem ser difíceis de esquecer, mas talvez ainda piores de confrontar”

Inclusive, não sou muito boa em destacar gatilhos (acho que alguns são pessoais demais, não tenho como imaginar que existam), mas aqui eu preciso dizer que há violência, homofobia, depressão.

“Hematomas desaparecem, sentimentos também”

Pouco a pouco vamos conhecendo Pedro (Aurora) e recebendo informações sobre algum acontecimento difícil, que levou à expulsão dele da casa dos pais.

“Por estar sozinho, enxotado por quem mais deveria dar suporte”

Ao lado de Pedro conhecemos, também, Guilherme, o amigo que o acolheu e que agora está gerando sentimentos confusos dentro de Pedro.

“Ele encara meus pesadelos. Abraça meus temores. Aquece as lacunas”

No meu lugar nos faz questionar sobre qual é o nosso lugar no mundo, ao mesmo tempo que fala sobre amizade, preconceito, angústias.

“Se é mesmo certo, por quê parei na rua? Se a vida é minha, por quê todos a julgam?”

Aliás, a narrativa se passa em uma pequena cidade — Porto Girassol — o que contribui para esse clima de intolerância às diferenças. Como tantas pequenas cidades por aí, sobretudo por parte da população mais velha, há muito preconceito e religiosidade envolvidos.

“As pessoas lançam o mundo ao inferno quando não aceitam algo”

Felizmente, Pedro conta não apenas com Guilherme, mas também com bons amigos, como Lara e Carla. 

“Eles me salvaram várias vezes, e acho que os dois nem tem ideia disso”

Uma história que precisa ser lida, por mais dolorosa que seja. Ela nos faz enxergar o quanto ainda tem gente que sofre por coisas que, em 2024, já não deveriam mais causar tanta angústia.

“Quem ama machuca o outro?”

Mas também uma história que nos mostra que, por vezes, as pessoas ao nosso lado também estão sofrendo (de outras dores que, nem sempre, são tão distantes das nossas, por mais que sejam diferentes), mas isso não impede que elas nos estendam a mão

“Quantas cicatrizes ganhou por minha causa?”

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Catarina — Bruna Paquier Cestari

Título: Catarina: bolos, amores e outras delícias. 
Autora: Bruna Paquier Cestari
Editora: Publicação independente
Páginas: 32
Ano: 2021

Sinopse

Catarina era uma garota como todas as outras. Ou pensava ser até o dia em que os sentimentos começaram a crescer em seu peito e ela precisou tomar uma decisão sobre aquela garota. É claro que o melhor jeito de tirar tudo isso à limpo era com morangos, conversas e muitos deslizes. Não tinha como dar errado… tinha?

Resenha

Qualquer pessoa que conviveu minimamente comigo no último ano deve desconfiar porque eu não poderia deixar de me interessar por esse título.

Comecei a leitura, porém, sem saber muito o que esperar. E me surpreendi com uma leitura rápida e leve, ainda que tenha seus momentos de tensão e traga uma temática nem sempre fácil de retratar.

“Não havia dúvidas, Catarina tinha o pior dos males”

Catarina, como qualquer adolescente, só queria ser uma garota normal. Mas nada em sua vida era simples assim. Nem mesmo sua casa era exatamente uma casa: Catarina vivia em um abrigo.

“No fim, Catarina só queria ser normal, tirar notas boas como seus colegas, brincar na quadra antes de voltar para casa e, principalmente, gostar de algum menino”

O seu maior problema (e medo), no entanto, foi perceber que gostava de meninas. Mais do que isso: que sentia algo por Nina, a linda garota que sentava atrás dela na escola.

“Aqueles sentimentos a levaram para a beirada de um poço profundo de mágoas”

Sem saber se era correspondida ou não — e tendo quase certeza de que não — um dia Catarina reuniu toda a sua coragem — e um punhado de morangos — e decidiu falar com Nina.

“Mas ao mesmo tempo era bom, era muito bom. Queria continuar, queria se jogar naqueles sentimentos, mergulhar nas cores, se pintar de todas elas”

Mas claro que as coisas não poderiam ser fáceis e essa conversa foge totalmente do esperado por Catarina, ainda que ela nem sonhasse em esperar o melhor.

“Agora a menina que inspirava todas aquelas cores, trazia o cinza e o preto”

Como eu disse, a história é bem curtinha (na medida certa), mas escrita de maneira que nos aproxima da protagonista e seus (confusos) sentimentos.

“Já tinha doído muito e temia que fosse doer ainda mais”

Com uma narrativa em terceira pessoa e uma diagramação lindinha, a leitura é bem agradável e vai te propiciar uma boa horinha literária.

Se interessou? Então já clica abaixo para saber mais! 

TAG Natal literário

O natal já está praticamente à porta e eu não poderia deixar de trazer aqui uma TAG temática. Então se você gosta dessa festividade e de livros, não deixe de ler até o fim.

Achei a TAG no Blog Início de Conversa e você pode ver o post original aqui.

Vamos às minhas respostas?


Natal dos Sonhos: um livro que se passe na cidade ou país onde você gostaria de comemorar o Natal.

A verdade é que o único lugar que eu gostaria de comemorar o natal é onde minha família estiver, mas sendo uma apaixonada pela Itália, não posso deixar de imaginar como seria passar um natal por lá. Então para esta categoria, escolho o livro Andata e Ritorno, da Bianca Polinari.

Árvore de Natal: um livro que tenha iluminado seu ano.

Um livro que iluminou meu ano foi Os olhos claros do pássaro, da Valéria Macedo. Um livro que entrou em minha vida totalmente por acaso e que foi um prazer poder conhecer e apreciar.

Pisca-pisca: um livro com assunto LGBT.

Esse ano foram diversos lidos com essa temática, mas não posso deixar de mencionar aqui que finalmente li Conectadas, da Clara Alves, e que agora entendo porque é um livro tão querido!

Papai Noel: um livro que você gostaria de dar de presente pra todo mundo.

O livro que eu gostaria de dar de presente para todo mundo é um livro que eu também ganhei de presente: Lost in translation, de Ella Frances Sanders.

Presente: um livro que você quer muito ganhar de presente.

Sacanagem essa, hein? Mas qualquer um da minha wishlist, claro!

White Christmas: um livro com a capa branca.

Acho que o livro com a capa mais “branca” que li esse ano foi Dolls, da A. S. Victorian.

Bengalas Doces: um livro com a capa candy color.

Não sei se entra exatamente em “candy color”, mas acho que posso citar Romance Concreto, da Aimee Oliveira aqui, né?

Roberto Carlos: um livro que você gostaria de ler pelo menos uma vez por ano todos os anos.

Não sou muito de ler e reler o mesmo livro, principalmente com a falta de tempo dos dias de hoje. Mas já fiz isso com A princesinha, de Frances Hodgson Burnett e provavelmente faria de novo.

Chocolate Quente: um livro que trouxe um calorzinho no coração.

Qualquer um da Tayana Alves, sem dúvidas, porque eles sempre me trazem um calorzinho no coração. Esse ano li O bebê (quase) inesperado, O caminho que me leva até você e Better than revenge (que em breve será resenhado!).

Voando em Renas: um livro que te fez acreditar no impossível.

Cito aqui Por um triz, da Laís Corrêa. Porque além de me fazer acreditar que as pessoas podem mudar (para melhor), me fez sonhar com o mais impossível ainda: um final feliz para essa história.


Gostou da TAG? Quais seriam as suas respostas?? Me conte nos comentários ou manda o link das suas respostas!

Citações #77 — As luzes em mim

Despretensiosamente, As luzes em mim, de Roberto Azevedo,  foi me conquistando ao longo da leitura. Foram muitos fatores que contribuíram para isso e hoje trarei alguns aqui, para além daquilo já mencionado na resenha

Uma das coisas que mais gostei, por exemplo, foi a presença das cores na narrativa. 

“Utilizar as cores que não pode mais ver para se curar”

“Qual seria a cor do fim?”

E a presença delas é ainda mais interessante quando pensamos que o protagonista perdeu a visão quando era apenas uma criança.

“As luzes dentro de Marcos já não são as mesmas”

E claro que esse acontecimento molda sua vida, mexendo com seus sentimentos e seu crescimento, impondo muita solidão ao protagonista, algumas dores, mas também alegrias e descobertas.

“Nunca na vida, Marcos se sentiu tão só”

“Os sentimentos puros e recíprocos, quando existem, simplesmente transparecem”

“A felicidade, às vezes, constrói falsos escudos, onde o mundo parece perfeito”

“A dor é mais persistente do que qualquer tentativa de ser forte”

“Só quer que esse sentimento dure para sempre, livre de rótulos. Só deseja amar e seguir amando”

A narrativa também fala muito sobre preconceito e sobre como enxergamos aquilo que é diferente.

“Os jovens, às vezes, inventam desculpas estranhas para as coisas que não conseguem entender…”

“Não quer mais ser atingido pelo mundo que o julga”

Para além das cores, a música é outra arte que se faz presente nesta história, tendo um importante papel.

“Assim como Marcos, que desde muito pequeno amava desenhar, Maurício amava a música e achava aquele instrumento o mais lindo de todos”

“A música os envolve, criando um mundo único e especial, onde nada importa ou é proibido”

Se você se interessou por As luzes em mim, leia a resenha completa clicando no post abaixo.

Troféu — Leblon Carter

Título: Troféu 
Autor: Leblon Carter 
Editora: Se Liga Editorial 
Páginas: 208 
Ano: 2023

Sinopse

ELES TERÃO QUE COMPETIR POR UM TROFÉU.

Breno é o gerente de uma pizzaria no shopping; Oswaldo, de uma hamburgueria. Inimigos declarados há muito tempo, eles terão que competir por um troféu durante a semana do consumidor. Enquanto descobrem, em meio a uma guerra de comida, fantasias engraçadas e MUITA tensão sexual, uma paixão reprimida.

Resenha

Que Troféu era um enemies to lovers (ou seja, inimigos que se apaixonam), eu já sabia. Mas não esperava encontrar um protagonista tão reclamão e um “antagonista” tão querido (mesmo o livro sendo narrado em primeira pessoa, o que obviamente significa um olhar enviesado, mas que, por incrível que pareça, não foi tão negativo assim com relação ao coitado).

“Ou o Oswaldo era a pior pessoa que eu conhecia ou era a melhor. Não havia meio termo”

Breno acaba de ser promovido à gerência do Pizza Peels, pizzaria em que trabalha, na praça de alimentação de um shopping, e o momento mais aguardado do ano também chegou: a semana do consumidor.

Nesta semana, as lojas desse centro comercial fazem de tudo para vender muito e, assim, conquistar o troféu oferecido pelo shopping. 

E claro que Breno, querendo mostrar serviço e honrar o seu novo cargo, vai fazer realmente de tudo para se sair vencedor. 

“Eu queria aquele troféu e vencer a semana do consumidor. Só não queria ter que passar por cima dos meus sentimentos por causa disso”

O problema é que, bem ali,  de frente para a pizzaria, está a hamburgueria que Oswaldo gerencia a Queen Burger.

E a rixa da história não é apenas entre Breno e Oswaldo: as chefes deles já possuem uma briga muito mais antiga e esse é um mistério que nós também acabamos querendo entender melhor, o que contribui para não largarmos o livro. 

Ainda que se passe praticamente dentro do shopping, Troféu não deixa de nos lembrar que a cidade de fundo é São Paulo, o que pode arrancar boas identificações para quem conhece bem essa metrópole.

“Morar em São Paulo é entender que, a qualquer horário, de qualquer dia e em qualquer parte da cidade, vai haver dezenas de pessoas desse jeito: se apertando dentro de um ônibus, esperando na fila do banco ou tentando vaga em alguma padaria da Zona Sul”

A história se passa praticamente em uma semana, mas ela é bem intensa. Não só pela competição mencionada, mas também pelos sentimentos que vão aflorando e ganhando vida entre os dois personagens.

“Mas o fato de eu odiar clichês era porque nunca imaginei que fosse acontecer comigo, sabe? O romance fofo, a leveza nos diálogos, as brigas que, geralmente, acabavam em risadas”

Li esta história na edição física, publicada pela Se Liga Editorial e a diagramação dela é simples, mas extremamente confortável de ler e bonita. 

Além disso, o volume conta com o conto Troféu de Natal ao final, o que é uma delícia para quem, assim como eu, ainda não queria se despedir dos personagens. 

No conto, vemos a situação de Breno e Oswaldo já resolvida e temos a oportunidade de passar um natal com eles. Mas será um natal tranquilo? Só lendo para saber!

Aliás, se você se interessou por essa história, já clica no link abaixo para saber mais. Uma leitura que indico para quem está buscando algo mais leve, com a possibilidade de dar boas risadas, mas também surtar um pouco com alguns personagens no caminho.

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Citações #63 — Fisheye

Se você já leu minha resenha de Fisheye, da Kami Girão, deve ter percebido que esta é uma história muito bonita e interessante. Por isso, hoje trago aqui alguns dos trechos que ficaram de fora do post anterior.

Uma das coisas que me chamou a atenção na narrativa foi o humor ácido da protagonista, que a cada página fica mais e mais justificado diante de tantos percalços vividos por ela.

“E ri porque era humilhação demais para que eu me atrevesse a chorar”

A história tem como tema central a perda da visão de Ravena Sombra, mas ela também trata de muitos outros tipos de perdas.

“Ainda doía perceber que minhas amizades haviam morrido”

“Mas nem mesmo uma aceitação prévia consegue evitar a dor de perder alguém”

E também fala sobre o medo e o poder (muitas vezes negativo) que esse sentimento tem.

“Tinha tanto medo que já estava sufocada por ele”

Outro ponto interessante de Fisheye é a presença da internet (de maneira até que bem marcante) na construção de algumas das relações humanas ali retratadas.

“A gente nunca é pessoalmente o que parece ser pela internet”

Com estes trechos e este breve post, reforço minha recomendação para que você conheça esta obra tão sensível e importante! Não deixe de ler a resenha se você nunca ouviu falar sobre este livro e, claro, já garante o seu exemplar.

Citações #61 — Clichês em rosa, roxo e azul

A maior resenha que escrevi ano passado (e talvez em toda a minha existência) foi, sem dúvidas, a da obra Clichês em Rosa, roxo e azul, da autora Maria Freitas, uma antologia com diversos contos com protagonismo bissexual.

Apesar da imensa resenha, comentando conto a conto, inúmeros quotes ficaram de fora, então hoje talvez tenhamos outro post imenso (e já peço desculpas por isso, mas eu não poderia deixar de compartilhar tantas frases marcantes por aqui).

Inclusive, gostaria de começar ressaltando as frases que falam sobre o tema central: a bissexualidade (e outras tantas formas de amar).

“Pensar nas coisas que nós temos que esconder me destrói”

(Conto: Mas… e se?)

“Como contar para a sua irmã que você está encantado por uma garota… e por um garoto também?”

(As razões de Henrique)

“Sempre achei aquela garota magnética”

(Conto: um corpo de verão)

“Eu já me esforçava para amar as minhas próprias imperfeições. Não seria tão difícil assim amar as dela também”

(Conto: um corpo de verão)

“Olho por cima do peito de Felipe e vejo que ele e Ana estão de mãos dadas. Não sinto ciúme. Sinto que tudo está certo. No lugar. Como o prólogo de um livro bom: apenas começando uma nova história”

(Bregafunk do amor)

Mas os contos não são só sobre isso. Cada história, a seu modo, entrega muito mais. Há, por exemplo, diversas passagens sobre a solidão.

“Como dizer a ele que receber um milhão de mensagens não afasta a solidão?”

(Azeitonas)

“Talvez a melhor coisa que eu faça nessa minha vida seja realmente seguir em frente”

(Azeitonas)

“A solidão era uma constante na minha vida”

(Bregafunk do amor)

“Eu conheço tão bem a solidão nos olhos de uma pessoa. Tenho espelho em casa”

(Bregafunk do amor)

E também sobre o medo.

“Você tem razão, eu estou feliz e tenho medo de perder isso”

(Conto: Mas… e se?)

“Tenho medo de voar e cair”

(Conto: Mas… e se?)

“Mas, agora, deitado ali, percebo que não ter medo é quase impossível quando se está feliz”

(Conto: Mas… e se?)

“Era como se ela quisesse se fechar em uma casca, onde ninguém pudesse atingi-la, onde ninguém pudesse chegar até ela”

(Conto: um corpo de verão)

O livro fala, ainda, sobre a falta e a tristeza que todos os sentimentos mencionados até aqui podem gerar.

“Abraço essa mulher como se nunca mais fosse abraçar alguém na vida”

(Conto: Mas… e se?)

“Nessa nossa vida, a gente precisa se acostumar com a falta”

(Conto: Mas… e se?)

“É difícil hoje, foi difícil ontem, mas espero que não precise ser difícil amanhã.”

(Azeitonas)

“E, nesse jogo de War, não quero que a tristeza conquiste todos os meus territórios”

(Bregafunk do amor)

“Meu nariz coça, minha garganta fecha, meus olhos ardem. Não posso quebrar agora”

(Um papai Noel de outro planeta)

“Preciso estar em movimento, sempre, senão minha tristeza me engole”

(Um papai Noel de outro planeta)

A verdade é que o conjunto da obra nos faz refletir — e muito — sobre a complexidade das relações humanas, seja com o outro, seja com nós mesmos.

“A época que morei com a minha avó foi muito difícil, tipo, muito mesmo. Acho que não me adaptei à cidade grande até hoje. Barulho demais, longe demais, carros demais. Gente demais. Talvez seja por isso que escolhi fazer minha faculdade no interior, perto de onde cresci. Sei lá, eu devo ser uma pessoa de raízes”

(Conto: um corpo de verão)

“Homens héteros (e cis) têm muitíssima dificuldade em demonstrar qualquer tipo de afeto básico por medo de ferir sua pobre masculinidade frágil”

(Conto: um corpo de verão)

“Sinceramente, às vezes eu ficava na dúvida se estava apaixonada ou tendo um ataque cardíaco”

(Conto: um corpo de verão)

“Tentei explicar coisas que eu nem sabia que estava guardando dentro de mim”

(Conto: um corpo de verão)

“Bia, só a gente sabe a nossa dor”

(Conto: um corpo de verão)

“Quando nossos olhos se cruzam, sinto que perdi tudo”

(Estrela e a flor)

“Algumas coisas são facilmente substituíveis, outras não”

(Azeitonas)

“Não fomos capazes de enfrentar nada, não é? Você era a minha pessoa, como foi que a gente se perdeu?”

(Azeitonas)

“Ultimamente, vinha respondendo todo mundo no automático, sem realmente me conectar com ninguém”

(Azeitonas)

“Desde o meu último namoro — que deu completamente errado —, jurei que não seria trouxa. Fui trouxa”

(As razões de Henrique)

“Só sabia sentir e sentia demais”

(As razões de Henrique)

“Mesmo sendo nova na cidade, dá para perceber que, ainda que também haja conflitos e diferenças, as pessoas daqui são mais acolhedoras”

(Bregafunk do amor)

“Sou extremamente grata por tudo que ela fez desde que eu cheguei aqui, aliás de antes. Minha vida andava muito vazia até que ela me acolheu e me trouxe para cá. Me sinto abraçada todo dia”

(Bregafunk do amor)

“De alguma forma, esse olhar me reflete e me completa”

(Bregafunk do amor)

“Ele foi meu fã, quando tudo o que eu queria era um amigo”

(Bregafunk do amor)

E também nos lembra da importância da comunicação, tão subestimada nos dias de hoje.

“As palavras se perdem dentro de mim”

(Conto: Mas… e se?)

“Mas pra uma conversa existir é preciso que as duas partes queiram falar e ouvir”

(Azeitonas)

“Às vezes, acho que essa sensação de que alguém está apertando minha garganta, impedindo o ar e as palavras de saírem, nunca mais vai embora”

(Um papai Noel de outro planeta)

Não posso deixar de trazer, também, algumas reflexões importantes sobre o tempo, o fracasso, a decepção.

“Detestava perder tempo. Sabia que o relógio andava rápido demais”

(As razões de Henrique)

“E a pergunta mais difícil de responder, no fim das contas, é: quem é que vai nos enxergar, se estamos todos com pressa?”

(As razões de Henrique)

“Tecnicamente, o próprio tempo-espaço encontra maneiras de colocar tudo no lugar e de curar a si mesmo”

(Um papai Noel de outro planeta)

“Fracasso é não saber a hora certa de desistir, o momento oportuno para abandonar o barco e começar a nadar”

(As razões de Henrique)

“Não sei o que acontece, mas toda vez que me decepciono com algo uma dor crescente invade meu peito, causando um calafrio horrível. Uma vontade de levantar e ir embora. Fugir”

(Bregafunk do amor)

“Lembro da frase que minha psicóloga sempre usa: ‘Estar vivo é decepcionar e ser decepcionada’”

(Bregafunk do amor)

“Estou ainda mais decepcionada comigo mesma, por querer tanto algo e não ter a capacidade de expressar em palavras meus desejos”

(Bregafunk do amor)

A obra te interessou? Então não deixe de ler a resenha completa e, claro, garantir o seu exemplar.