Garoto conhece garoto — Leblon Carter

Título: Garoto conhece garoto 
Autor: Leblon Carter 
Editora: Publicação Independente 
Páginas: 21
Ano: 2021 

Acho que todos nós, cedo ou tarde, nos deparamos com um momento em que buscamos uma leitura gostosa, mas rápida e leve. E é exatamente isso que encontramos em Garoto conhece garoto.

O contexto é bem simples e, por si só, poderia render os mais diferentes tipos de história: uma excursão para um parque de diversões.

O foco porém — como não poderia deixar de ser em um conto — está em um momento específico: quando quebra a roda gigante em que Bruno está. 

“Só aconteceu. De forma natural”

Aqui, porém, sinto-me na obrigação de fazer alguns esclarecimentos: 

1°: Bruno estava morrendo de medo de ir em tal brinquedo.

2°: Bruno estava na fila com seu amigo — que era quem realmente queria ir ao brinquedo —, mas este sentiu uma enorme vontade de ir ao banheiro, deixando o amigo em pânico e sozinho.

Claro que esses acontecimentos eram necessários para que, mesmo quase tendo um treco, Bruno entrasse na roda-gigante e dividisse a cabine com um desconhecido. O que, no final das contas, não foi tão ruim assim…

“Nós ficamos com as mãos uma por cima da outra durante uns dois minutos antes que surgisse um outro assunto”

Ficou com vontade de conhecer e ler esse conto romântico, fofinho e curtinho? Então clique abaixo para saber mais e não deixe de seguir o autor em suas redes sociais (Twitter e Instagram).

No farol da Ponta Verde — Beatriz Lima

Título: No farol da ponta verde 
Autora: Beatriz Lima 
Editora: Duplo Sentido Editorial 
Páginas: 49  
Ano: 2021

Assim como este Blog passou por um momento de “abandono” — sofrendo uma ausência minha que, brevemente, comentei aqui —, o projeto Meu Brasil é assim também tem andado, infelizmente, um pouco esquecido.

De qualquer forma, há um conto que, até este exato momento, não resenhei: No farol da ponta verde, escrito por Beatriz Lima.

A história se passa em Alagoas, Estado que ainda não tive a sorte de conhecer, mas que já me deixou encantada com o que li ao longo da narrativa.

Bárbara está no terceiro ano do Ensino Médio. Uma época que, por si só, já é cheia de emoções, que ganham ainda mais cores com o clima competitivo no Colégio Cabreira, devido à competição anual interclasses.

“O verbo ‘ser’ tem uma carga muito grande para nós, o que esperamos no mundo e o que o mundo espera da gente. Somos uma soma de todos esses anos que passamos estudando, de cada professor, aluno, coordenador e matérias”

A narrativa, portanto, divide-se entre as etapas da tal gincana, ao mesmo tempo que fala sobre muito mais. Além disso, ela é permeada por lugares e gírias alagoanos (o que, por vezes, pode ser um pouco difícil para alguém que assim como eu, não conhece quase nada da cultura local, ao mesmo tempo que isso contribui para despertar a nossa curiosidade).

No farol da Ponta Verde é uma história gostosa de ler, que nos envolve e que pode despertar sentimentos como saudade e quentinho no coração.

Infelizmente, no momento o conto não está disponível na Amazon, como anteriormente se fazia com as histórias desse projeto. De qualquer forma, não deixe de seguir a autora em suas redes sociais (twitter e instagram). E se quiser conhecer um pouco dos demais contos da série “Meu Brasil é assim” que já resenhei, é só clicar nos títulos abaixo:

Para o garoto que já tem tudo — Leblon Carter

Título: Para o garoto que já tem tudo
Autor: Leblon Carter
Editora: Publicação Independente
Páginas: 49
Ano: 2021

O Natal está batendo à porta e — juro! — por coincidência a resenha de hoje é justamente sobre um conto natalino que, aliás, li sem sequer imaginar que tinha relação com a temática (como eu conhecia o autor, peguei sem nem ler a sinopse, confesso, até porque o título já tinha chamado a minha atenção).

Você costuma fazer desejos nesta época? Não só de metas para o ano que está por vir, mas também de coisas que gostaria de ter ou alcançar? Pois aqui vai um lembrete sempre válido: cuidado com o que você deseja! Mas o que isso tem a ver o conto? Calma que eu te explico.

“‘Quando acreditar que tudo está perdido e ao seu redor só há escuridão, olhe mais fundo. Talvez a luz que procure esteja dentro de você. E, mesmo que não esteja, não se preocupe. Não se precisa de luzes quando se é uma estrela’”

Emílio (ou Milo) é o garoto que já tem tudo. Ou quase. Ele mora em uma casa de quatro andares e todo dia seu motorista vai buscá-lo — dirigindo uma limusine — na escola caríssima em que estuda.

“Lembram quando falei sobre o número de andares representar superioridade? Então…minha casa tem quatro. A maior de todo o bairro. Mas não é por superioridade. Minha mãe diz que, para pessoas pretas, quatro andares é a mesma coisa que dois para pessoas brancas. Ou seja, não estamos no topo. Estamos igualados. Mesmo que igualdade seja bem controversa hoje em dia”

Mas já diria aquele velho ditado: dinheiro não é tudo na vida. E Milo sabe que está bem longe de ter tudo. Ao menos tudo o que deseja. Na escola, por exemplo, ele e seu melhor amigo, Yong Soon, são excluídos, sendo vítimas de racismo, xenofobia, bullying.

“Ei, Pastel de Flango! – o tom debochado de sua voz nos fez criar uma expressão de antipatia e constrangimento. – Você vai conseguir entregar aquela “coisa” – sussurrou bem próximo ao Yong”

Além disso, Milo — e todo o resto de sua classe — é apaixonado por Maria, que o despreza. Mas isso não o impede de fazer o possível para tirá-la no amigo secreto de final de ano e, assim, poder presenteá-la.

E engana-se quem pensa que a falta do amor de Maria é o único que machuca nosso protagonista: ele também se sente muito sozinho em casa, tendo pais extremamente ausentes, mas que também querem determinar para ele um futuro que talvez não seja exatamente o que ele deseja.

“Às vezes pode parecer que eu sou o garoto que já tem tudo: móveis lustrados, limusines espaçosas e uma casa gigantesca. Mas, quando vejo momentos iguais esse da foto do Yong com a mãe, é como se eu não tivesse nada. A simplicidade parecia me atrair mais”

E foi em uma noite solitária e reflexiva que Milo viu uma estrela cadente e fez o seu pedido. Um pedido que mudou o seu dia seguinte, trazendo revelações que ele não poderia esperar.

“Um vislumbre azulado surgiu no céu. Estrela cadente; pensei. A primeira vez em que via uma com meus próprios olhos. Normalmente deveríamos fazer um pedido. Desejar algo que nosso coração sempre ansiou, mas nunca teve”

A leitura desse conto é super rápida e envolvente. A cada página que viramos fica aquele gostinho bom de “o que mais será que está por vir?”. E os personagens cativam, deixando a história ainda mais emocionante.

“As pessoas costumavam sorrir somente pelos lábios, mas ele não”

Se você já está em clima natalino ou se preparando para entrar, recomendo esse conto. Uma história com representatividade, para esquentar nossos corações e também nos fazer refletir.

Citações #39 — Amor através do tempo

Muito foi dito na resenha da antologia Amor através do tempo, um lindo projeto literário que reuniu quatro autoras para que elas contassem histórias de amor — das mais variadas — em períodos diferentes da história. Mas mesmo tendo dito tanto, foi enorme a quantidade de quotes que tive que deixar de fora e que agora trago aqui.

“Palavras às vezes machucam mais profundamente que qualquer lâmina”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“Suas palavras deveriam ter chegado aos meus ouvidos, mas elas foram direto para o meu coração”

(Amor através da dor – Tay Alvez)

Quando digo que é uma obra que reúne histórias de amor variadas estou me referindo a amores entre homem e mulher, entre mulher e mulher, amores felizes e amores infelizes (para citar o mínimo do mínimo dessa obra).

“Louise era sempre cega ao amor oferecido a ela”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“É normal ter tanto carinho assim por alguém que viveu o mesmo inferno que você, certo?”

(Amor através da Guerra – Beatriz Cortes)

E claro que, com tantos amores e desamores, essa obra nos faz sentir uma infinidade de coisas (nos fazendo, inclusive, chorar um pouquinho, porque ninguém é de ferro, né?).

“Nunca fora tão sincera com ninguém antes. Sentia como se tivesse se jogado de um prédio sem saber se tinha asas para voar”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“A vida nos obriga a conviver com algumas pessoas, a sobreviver sem outras, e seguir a jornada”

(Amor através da Guerra – Beatriz Cortes)

“Então, quando você disse aquilo, eu quis morrer, porque não era possível que você tivesse mudado tanto. Tivesse se perdido tanto. Mas, você tinha”

(Amor através da dor – Tay Alvez)

Fazer essa viagem no tempo acompanhada de tantos sentimentos também é algo que enriquece muito a obra. Poder perceber tensões diferentes a cada guinada temporal é muito interessante.

“Ela cresceu ouvindo que seria apenas uma coisa, mas as mulheres deveriam poder ser quem quiserem ser sem ser julgadas por isso”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“A bomba nos deixou bem mais do que cicatrizes”

(Amor através da Guerra – Beatriz Cortes)

“Alguns discursos que fazemos na vida são lindos, mas não passam de discursos”

(Amor através da dor – Tay Alvez)

E não ache que acabou! O tanto que essas histórias nos fazem refletir é até difícil de explicar.

“Mas ela aprendeu cedo que estar cercado de pessoas não te faz menos solitário”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“Mas saiba que, se a guerra chegar até você mesmo sem sua permissão, você pode sobreviver a ela”

(Amor através da Guerra – Beatriz Cortes)

“O amor é formado por detalhes e é preciso ter coragem para amar, mas vi você se tornando um covarde e as coisas que formavam nosso amor, morrendo”

(Amor através da dor – Tay Alvez)

Cada história, a seu modo, nos transmite um pouco de força, de esperança e até de crença na humanidade.

“Às vezes, as pessoas não estão destinadas a passar a eternidade juntas. Às vezes, vidas se cruzam como estrelas cadentes em um vasto universo, juntas por um instante efêmero para criar beleza. Certas pessoas aparecem em sua vida não para ficar, mas para te transformar, para te levar onde você precisa ir”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

Já fiz minha recomendação para que você leia essa obra, na resenha, e reforço aqui o convite. Mas prepare-se para sentir muito, viu? O ebook está disponível na Amazon.

“Por que doamos tanto de nós mesmos para quem não nos dá nada em troca?”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

No coração de um assassino — Davi Busquet

Título: No coração de um assassino
Autor: Davi Busquet
Editora: Lettre
Páginas: 166
Ano: 2021

A resenha de hoje é para quem gosta de um bom thriller. Mas daqueles de nos deixar de queixo caído mesmo!

Se você já leu a antologia Serial Killer: a verdadeira face do mal, publicada também pela Editora Lettre, talvez se lembre do conto O sangue. Ele já é surpreendente por si só, e é o prólogo desta obra, que irá trabalhar sobre o serial killer ali apresentado.

“Alguns homens não precisam de motivos, perfis de vítimas, traumas de infância ou distúrbios psiquiátricos para fazer o que fazem — alguns simplesmente são cruéis”

Em No coração de um assassino entramos em contato com a vida de Hermanni, um rapaz relativamente jovem, um pouco solitário, e que vai no contando sua vida, fazendo-nos chegar a sentir pena dele.

“A Hermanni, mais uma vez, restava-lhe somente chorar”

O livro é dividido em duas partes, além de ter um prólogo — que já mencionei — e um epílogo.

Na primeira parte, somos apresentados a alguns flashes da vida do protagonista da obra. São alguns momentos específicos — quase que aleatórios — mas que parecem ser importantes para a construção deste personagem.

“Tanto o coração em seu peito, quanto a comida em seu colo esfriaram, com o ar noturno soprando para longe as cinzas, o cheiro de queimado e os planos tão cuidadosamente pensados ao longo de tanto tempo”

Como eu disse, esses momentos no fazem sentir certa pena de Hermanni — ao menos comigo foi assim — e quase nos fazem esquecer o tipo de livro que estamos lendo.

“Era incrível que uma única gaveta tivesse tanto para dizer e o fazia de maneira silenciosa, para um menino mais calado que a cômoda”

Mas então a segunda parte chega sem aviso prévio. Digo, a separação no livro é bem clara, mas não sei se eu estava preparada para o que viria. Não sei se eu imaginava que a divisão em partes representava uma quebra tão grande e, ao mesmo tempo, tão clara para uma pessoa minimamente mais esperta que eu (o que não é difícil, convenhamos).

“Você mesma disse: algumas coisas têm que ser arrancadas do jardim, para que outras cresçam em seu lugar”

Nessa segunda parte, todas as pontas são atadas e muitas revelações são feitas.

Realmente, me surpreendi com a forma como o autor conduziu e construiu essa história. Tendo lindo a antologia que mencionei no início desta resenha, também adorei as inserções nada forçadas que o autor colocou de outros contos em sua obra. Uma homenagem muito bonita e uma criatividade sem igual. Se você gosta de caçar easter eggs recomendo a leitura de Serial Killer: a verdadeira face do mal e, em seguida, a leitura de No coração de um assassino.

Li a obra em formato ebook e gostei bastante da diagramação. Já adquiri a versão física e estou ansiosa por ela, porque sei que tem detalhes ainda mais bonitos e caprichados. E, por falar nisso, a obra está em pré-venda até amanhã, sendo possível adquiri-la por um preço promocional. O frete é gratuito para todo o Brasil e hoje ainda foram anunciados alguns brindes exclusivos para quem adquirir nessas últimas 48 horas.

“Ele compreendeu, a duras penas, que nada é para sempre”

Para conhecer um pouco mais o autor e acompanhar os trabalhos dele, sugiro que você leia a entrevista postada no blog da Editora Lettre e que siga-o no Instagram.

“Apesar de tudo, a dor cedeu e outra maior tomou o seu lugar”

Entranhas do amor — Nicc Mello

Título: Entranhas do amor
Autor: Nicc Mello
Editora: Lettre
Páginas: 102
Ano: 2020

Como é que se resenha um livro tão intenso, tão íntimo, tão sincero? Eu, definitivamente, não sei, mas prometo que tentarei dizer algo sobre “Entranhas do amor”, do autor Nicc Mello.

“O amor de menina há de florescer nos sonhos de mulher”

Talvez eu deva começar pelo próprio título da obra: “entranhas” significa, figurativamente falando, a nossa parte mais interior, mais profunda. “Entranhas do amor”, portanto, é uma obra que deveria mergulhar no mais profundo desse sentimento tão infinito e tão complexo.

“Amor é amar”

É isso! “Entranhas do amor” realmente fala com profundidade — e propriedade — não apenas sobre o amor, mas sobre a vida, sobre o que é óbvio e o não tão óbvio assim. Sobre banalidades, mas também sobre questões existenciais.

“Viver era mais importante”

Em alguns poemas os versos são diretos, cortantes. Em outros, são mais amenos. Todos têm um quê de pessoalidade difícil de ignorar. E de sentir. Nicc Mello é um poeta LGBT e também demonstra isso em algumas de suas poesias.

“Amar nunca foi crime”

Queria destacar ao menos uma poesia aqui, mas foi tarefa difícil escolher. No entanto, optei por trazer a vocês “Eu”:

Eu

Sigo só,

na minha companhia.

Estranho é viver

no meio da multidão

Esta obra é o mais novo lançamento da Editora Lettre e, outra vez, fico feliz em ver um resultado desses. A edição física — que está em pré-venda no site da Editora, com frete grátis — está muito bonita, com uma diagramação diferente do ebook, disponível aqui.

E se você ainda não se convenceu entre comprar ou não um exemplar, conheça um pouco mais do autor através desta entrevista.

Citações #33 — Não inclui manual de instruções

Quando escrevi a resenha de Não inclui manual de instruções, ela já foi recheada de trechos do livro, mas muitos outros ainda ficaram de fora, afinal, trata-se de um livro que aborda algumas temáticas que considero muito importante.

A começar pelo fato que o protagonista tem síndrome de asperger e que, portanto, são apresentadas algumas perspectivas com relação a isso.

“Estava começando a perceber que Conor era do tipo de pessoa que não costumava permitir que alguém entrasse em sua redoma”

Pouco a pouco vamos conhecendo alguns dos hábitos e manias de Conor e entendendo um pouco melhor como funciona a mente de um aspie.

“Ao contrário da maioria das pessoas que leem livros para fugir da realidade, Conor os usa para dar sentido a ela”

E, a partir do momento que vamos compreendo isso, vamos aprendendo que eles são tão humanos quanto nós.

“Algo que sempre me assustou foi ser visto como uma aberração”

Uma das maiores dificuldades para um aspie é, provavelmente, a comunicação, principalmente porque eles costumam ser muito literais!

“Seria muito melhor que as pessoas pudessem aprender a ficar confortáveis com o silêncio, pelo menos de vez em quando”

E é por isso que a autora pode, também, explorar a importância da comunicação para o viver em sociedade.

“Você sabia que a comunicação é muito subestimada?”

Outro ponto de dificuldade para quem tem asperger é com relação a demonstrar sentimentos.

“Sei que não é culpa sua, que não percebe, mas não é fácil dar carinho a alguém e sentir que não está recebendo esse carinho de volta”

Mas isso, claro, não significa que eles não sentem nada. Muito pelo contrário, aliás, afinal, são humanos, certo?

“Às vezes, quando gostamos de verdade de alguém, nos parece tão óbvio que não há como essa pessoa não notar”

Esses eram os trechos que não couberam na resenha, mas que eu destaquei durante a minha leitura, porque me fizeram pensar sobre esses pontos que acabo de trazer. O que acharam? Ficar com vontade de ler Não inclui manual de instruções?

Tamara Jong: a jornada da morte — José M. S. Freire

Título: Tamara Jong: A jornada da morte
Autor: José M. S. Freire
Editora: publicação independente
Páginas: 387
Ano: 2018

tamara jong blog

Tamara Jong: a jornada da morte é o segundo volume de uma série fantástica — nos dois sentidos, com o perdão do trocadilho — escrita para o público jovem. Mesmo sem  ter lido ler o primeiro livro, consegui acompanhar bem a história, porque, para começo de conversa, há um prefácio muito claro, capaz de nos ambientar com relação ao que passou, e também com aquilo que encontraremos pela frente.

Esse é um livro extremamente adequado para os jovens, pois Tamara — uma coreana que vem morar no Brasil — ao lado de seu namorado Rodrigo, de sua irmã Débora e de seu cunhado André, são personagens que conseguem transmitir bem a essência juvenil, enquanto também nos fazem refletir e nos ensinam muitas coisas.

“Havia momentos bons e momentos ruins para todo mundo, mas as pessoas não podiam simplesmente cruzar os braços e esperar as dificuldades passarem, para continuar seguindo em frente”

Neste volume, Tamara e seus companheiros precisam lutar ao lado de seus amigos Ulianos, para evitar o assassinato dos emissários de Arkabur, em um plano arquitetado por Guaxaltopac, o ditador Monera. Muito confuso? Garanto que não! Nos acostumamos rapidinho com esses nomes diferentes, ao mesmo tempo que vamos dando boas gargalhadas. Só é muito doido como, mesmo lendo um livro de fantasia, infelizmente, percebemos suas semelhanças com a vida real.

“E só agora percebo quanto é alto o preço que pagam aqueles que lutam por uma causa justa e verdadeira”

No meio dessa história, que tem ação na medida e na hora certa, acontece uma reviravolta com nossa protagonista que custamos a acreditar ser possível. E dali para frente só queremos entender como e onde tudo isso acabará. E quando acaba, ficamos ansiando pela continuação, que já estou morrendo de curiosidade de ler.

“É engraçado como em determinadas situações da vida, coisas tão banais e corriqueiras que a gente usa no dia a dia e quase não dá importância, de repente, dependendo de onde nós estamos, ou do jeito que estamos, podem se transformar em nossos maiores desejos de consumo”

Uma coisa que torna essa história ainda melhor é o fato de termos como protagonista uma personagem como Tamara: destemida, dócil, forte, carinhosa, inteligente e compreensiva. Maí-Turá, outra personagem, também não deixa nada a dever para o time feminino dessa narrativa. E não posso deixar de ressaltar, também, como não importa quem é ou como é cada personagem, todos podem ser importantes e ganham seu papel de destaque mais cedo ou mais tarde.

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Contos de Fadas de Cabeceira — Juliana Lima

Título: Contos de Fadas de Cabeceira
Autora: Juliana Lima
Editora: The Books
Páginas: 124
Ano: 2019

Contos de fadas

Finalmente pude ler Contos de Fadas de Cabeceira completo e aquilo que eu havia imaginado em minhas primeiras impressões se concretizou: que livro! Lembrando que o alerta que a autora dá — e que eu já havia destacado anteriormente — continua sendo mais que válido nos demais contos da obra.

“Mas, jurei a mim mesmo que naquele dia seria normal e talvez seja esse o preço imposto pela ‘normalidade'”

Quem pega esse livro para ler, não percebe o tempo passar. Vamos lendo um conto atrás do outro, intercalando com as pausas que a autora nos dá — poemas, pensamentos, micro contos — deixando a cabeça fervilhar em reflexões, pensamentos, realidades. Sim, realidades! Porque, mais que releituras atuais e importantes dos antigos contos de fadas, esse livros nos faz enxergar aquilo que nos cerca nesse mundo.

É difícil escolher um conto preferido, pois todos trazem algo que nos faz realmente refletir. Acho que (a)normalidade é um bom exemplo disso e o próprio título já chama nossa atenção.

“O problema não é o que nasce com você e sim se o que nasce com você se encaixa no quebra-cabeça da sociedade”

O conto A bela renascida, por sua vez, tem um toque poético muito bonito! E A pérola do mar — de referência tão clara quanto A bela renascida — foi um conto que chamou minha atenção porque eu sempre gostei de A pequena sereia e histórias relacionadas a mar, mas também por ser um conto bem desenvolvido e com acontecimentos surpreendentes.

O manto escarlate tem um toque mais sombrio que os demais, um ar quase de filme de terror — e convenhamos que irmãos Told é muito sobrenome de história de terror!

O extraordinário Zunkunft — que não sei se captei qual é a inspiração — me deixou bem reflexiva. Será que as previsões que ele traz se concretizarão? Só vivendo para saber…

A rosa mágica me prendeu do início ao fim, sendo um de seus temas algo que acho muito importante: a necessidade de enxergarmos além da beleza física.

“Encontre alguém que enxergue a beleza que importa em você antes que todas as pétalas caiam”

E ao chegarmos próximos do fim do livro, duas surpresas: Contos de Fadas de Cabeceira — sim, um conto com o mesmo título do livro! — que tem uma história incrível, principalmente por um elemento que não direi aqui, para não estragar a surpresa; e a segunda surpresa é A dama da noite, escrito por Sandra Milani Moreira, autora convidada.

E, para deixar tudo ainda melhor, o livro ainda possui uma playlist própria!

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A melodia da alma — Maya Brito

Título: A melodia da alma
Autora: Maya Brito
Editora: Publicação independente
Páginas: 44
Ano: 2019

melodia da alma

A melodia da alma foi aquele livro que, antes de mais nada, me conquistou pela capa. Eu não posso ver uma história relacionada à música que eu já quero ler. E esse foi meu ponto fraco com relação à história, mas vamos à resenha para explicar melhor isso.

Quem nos conta sua própria história é Eliza, uma mineira que, de uma hora para outra abandona sua vida e sua música em Minas e se muda para São Paulo, onde dá início a uma nova vida, trabalhando com consultoria.

A narrativa começa doze anos depois desse episódio e os detalhes desse passado são revelados bem aos poucos, o que nos prende à leitura, porque estamos sempre querendo compreender o que há por trás dessa mulher que viveu uma mágoa tão grande que foi capaz de fazê-la mudar de rumo e se fechar a tudo e a todos.

“E ali estava ele pintando meu apartamento para trazer vida a ele, para tirar dele o que o fazia tão meu… O vazio”

Um dia, porém, o passado bate à porta de Eliza (quase que literalmente, digamos) e a vida de nossa protagonista vira de cabeça para baixo. Para nós, leitores, as peças do quebra-cabeça vão se encaixando e é praticamente impossível não ficar com um nó na garganta e lágrimas nos olhos.

“Perder pessoas importantes e, ao mesmo tempo, perder a música que preenchia nosso ser era uma dor absoluta. E eu a conhecia muito bem”

Em tão poucas páginas, Maya consegue nos falar tanto! Em A melodia da alma somos presenteados com uma história que fala sobre amor, amizade, traição, erros, recomeços e perdão. E não estou exagerando ao listar tudo isso (ainda correndo o risco de ter deixado importantes lições de fora).

Logo depois de terminar a leitura dessa obra, tive a sorte de poder conversar pessoalmente com a Maya e comentei como fui abalada por essa linda história e ela me respondeu que não esperava isso, que não imaginava que faria seus leitores chorarem. Mas, como disse meu namorado, um escritor não tem como saber o quanto irá mexer com seus leitores: ver Eliza abandonar seus sonhos, sua paixão, foi doloroso. E, depois, descobrir os motivos que a fizeram tomar tal decisão, é ainda mais triste. Mas a história é linda e nos enche de esperança. E terminamos (ao menos eu terminei) com um sorriso no rosto.

Você também quer conhecer a história da Eliza? Então corre aqui!