Citações #57 — 100 canções para salvar a sua vida

O tanto de quotes que eu tenho desse livro daria para escrever uma nova história. Então senta que lá vem post grande!

“Não acredito na ideia de felizes para sempre. Por que tem que ser eterno pra ser verdadeiro?”

Costumo pensar que se você quer saber se eu realmente gostei de um livro, basta ver quantos trechos destaquei nele (apesar de ter livros tão bons que eu não consigo escolher pequenos trechos, mas páginas inteiras, então acabo não destacando quase nada).

“É engraçado como nunca pensamos nas decisões simples e fugazes que fazemos todos os dias”

Cada trecho significa identificação, compreensão ou apenas o fato de algum pensamento importante ter surgido em mim por causa dele.

“O ser humano pode ser monstruoso. Mas nós também temos algo que ninguém mais tem. Nós podemos amar, de verdade e com todo o coração”

E é gostoso voltar a esses trechos e, às vezes, dar novos significados a eles. Ou novas importâncias.

“Por um tempo, deixamos que a música fizesse o que música faz. Deixamos ela nos curar”

100 canções para salvar a sua vida, da Camila Dornas, foi, sem dúvidas, uma leitura intensa

“Poucos meses mudaram tudo. Duas daquelas pessoas estavam mortas. As que foram deixadas para trás quebradas demais para um dia serem consertadas”

E a história já começou me conquistando ao falar de São Paulo de uma forma que não poderia ser mais verdade.

“São Paulo era um completo caos, mas era meu caos, e eu adorava”

Mas outro tema que me é tão caro e que tanto me fez querer ler este livro foi, claro, a música, tão presente em cada momento da narrativa.

“Gostava do jeito como ele articulava as palavras quando discutia música, como se mal pudesse contê-las”

“Ambos acreditavam que a música certa podia salvá-los”

“Chorei com apenas aquela canção como companhia. E, ao menos por um momento, foi o suficiente”

“Observá-lo era como ouvir uma canção calma depois de um dia frenético”

“Ouvimos a música em silêncio, naquele limbo onde nossos problemas foram temporariamente esquecidos”

“Algo extraordinário acontecia quando ele se conectava com uma canção”

Uma história que fala, também, sobre perdas e finais (com ou sem despedidas).

“Porque você está aqui agora. E talvez você não signifique muito para o resto da eternidade, mas significa o mundo para quem está do seu lado. E isso vale a pena. As coisas não precisam ser pra sempre para merecerem ser vividas”

“Nunca pensamos muito na morte. Em quão súbita e sem sentido é”

“Acho que é o que acontece quando alguém que você ama para de existir. A parte que eles ocupavam simplesmente fica lá, vazia”

“Mais que nunca, quis poder abraçá-la, dizer que ficaria tudo bem. Mas era tarde demais”

E, sem dúvidas, uma história sobre empatia e dores que nem sempre podemos compreender.

“Algo nela se quebrou irremediavelmente naquele dia”

“— Nós não fomos as únicas pessoas que ela machucou ao deixar pra trás, Ali”

“Não é apenas sobre pessoas extraordinárias, mas dores extraordinárias”

Sobre sermos, antes de mais nada, humanos.

“Não tem nada errado em querer alguma ajuda de vez em quando”

“O silêncio costuma incomodar as pessoas, porque tem uma capacidade singular de te deixar completamente exposto a si mesmo”

“Não entendo por que estamos tão desesperados para esconder nossas próprias falhas”

“Mas ninguém nunca vê nada exatamente igual à outra pessoa. Nossa realidade é totalmente afetada por quem nós somos”

“Lágrimas contidas são como veneno. Confie em mim, eu sei”

100 canções para salvar sua vida é, ainda, sobre termos nossos vícios, sejam eles saudáveis ou não.

“— Ele é um bêbado. Começou quando minha mãe morreu e nunca mais parou. A bebida o transformou em uma pessoa completamente diferente. Eu já tentei de tudo pra recuperar o homem que ele foi, mas em algum ponto temos que desistir de quem não quer ser salvo”

“Para ela, a adrenalina era uma droga”

E no meio de tanta coisa, ainda sobre espaço para passagens leves, recheadas de amor e de personagens marcantes a seu modo.

“Valentina tinha o tipo de sorriso que mudava o mundo”

“Nós dançamos, e parecia que eu o conhecia, que entendia a energia dele”

“Ele era como um dia de sol logo depois de uma tempestade”

“Acho que nunca me acostumaria à sensação de vê-lo sorrir”

Se você se interessou por essa história e quer saber mais sobre ela, não deixe de ler a resenha e de garantir seu exemplar clicando abaixo.

Citações #55 — O segredo de Susan

Espero que não seja segredo para ninguém, mas caso ainda seja, aqui vai uma revelação: sou apaixonada pela escrita do Maicon Moura.

E por falar em segredos, hoje trago mais alguns quotes de O segredo de Susan, uma obra que nos envolve e nos faz pensar sobre os diversos temas (difíceis) que ela aborda.

“Marcas quase esquecidas de uma violência sem razão”

Dentre eles, podemos mencionar a questão da confiança e da verdade.

“Confiança só existe uma vez. Ter a confiança de alguém é muito importante. Bom, apenas se essa pessoa não tiver te sequestrado por tanto tempo”

“O mundo quer enganar você. E que você engane de volta. Ele quer que você entenda que está tudo bem, ele quer que você sorria enquanto a televisão te mostra um corpo de uma mulher num beco”

As marcas de um doloroso e obscuro passado (vivido pela protagonista e ignorado por todos).

“Os hematomas em seu braço mostram que o escuro ainda caminha com ela”

“Linhas brancas, acima dos meus joelhos, mostram que em algum momento eu não fui feliz”

“Nesse escuro eu me sentia salva”

Um livro que fala, em suma, sobre as complexidades da vida de uma maneira diferente daquela que podemos estar acostumados.

“Foi nesse momento que eu entendi que existem dois mundos”

“Com onze anos, eu não quero me preocupar com o futuro”

E sobre a passagem do tempo, por mais intrincada que ela possa ser na própria narrativa apresentada.

“Temos todo o tempo do mundo para corrigir nossos erros.

“Só que o tempo, ele pode ajudar de alguma maneira e muitas vezes melhorar isso”

O segredo de Susan é uma leitura que nos deixa de boca aberta e cabeça fervilhando. Se quiser conferir a resenha, clique aqui. Para acessar o ebook (disponível também no Kindle Unlimited), basta clicar abaixo. E não deixe de acompanhar o trabalho do Maicon em suas redes sociais (Instagram | Linkedin).

Citações #54 — A filha primitiva

Um dos motivos pelos quais gosto de marcar e anotar trechos que me chamam a atenção nos livros que leio é que, através deles, posso relembrar a história, além de, em alguns casos, ter novos insights sobre a mesma.

Mas se tem uma coisa que não precisaria de trechos para lembrar, é da força que a narrativa de A filha primitiva, da autora Vanessa Passos, tem.

“A fome ensinava a ser criativa”

Uma histórias que vai direto e reto ao ponto e que toca em muitas feridas.

“Gente é assim, gosta mesmo é de rir das desgraças dos outros”

Uma narrativa sobre partos, não somente físicos, mas também mentais.

“Fico pensando que escrever é um parto infinito”

E, ainda, um texto que fala sobre paternidade e abandono, mas também sobre a história que nos é negada.

“A busca pelo meu pai e pela escrita caminhavam juntas”

A filha primitiva é também sobre vícios.

“Tinha esquecido que a bebida dá coragem pras pessoas”

Sobre humanidade e desumanidade (não sei se essa palavra existe, mas acho que dá para entender a ideia, né?).

“É fácil esquecer o erro de homem”

“Incrível como o ser humano gosta de se enganar”

Não se trata de uma leitura fácil, como os conteúdos já podem indicar, mas ela é necessária. Para saber mais, você pode ler minha resenha aqui e garantir o seu ebook clicando abaixo.

Garoto conhece garoto — Leblon Carter

Título: Garoto conhece garoto 
Autor: Leblon Carter 
Editora: Publicação Independente 
Páginas: 21
Ano: 2021 

Acho que todos nós, cedo ou tarde, nos deparamos com um momento em que buscamos uma leitura gostosa, mas rápida e leve. E é exatamente isso que encontramos em Garoto conhece garoto.

O contexto é bem simples e, por si só, poderia render os mais diferentes tipos de história: uma excursão para um parque de diversões.

O foco porém — como não poderia deixar de ser em um conto — está em um momento específico: quando quebra a roda gigante em que Bruno está. 

“Só aconteceu. De forma natural”

Aqui, porém, sinto-me na obrigação de fazer alguns esclarecimentos: 

1°: Bruno estava morrendo de medo de ir em tal brinquedo.

2°: Bruno estava na fila com seu amigo — que era quem realmente queria ir ao brinquedo —, mas este sentiu uma enorme vontade de ir ao banheiro, deixando o amigo em pânico e sozinho.

Claro que esses acontecimentos eram necessários para que, mesmo quase tendo um treco, Bruno entrasse na roda-gigante e dividisse a cabine com um desconhecido. O que, no final das contas, não foi tão ruim assim…

“Nós ficamos com as mãos uma por cima da outra durante uns dois minutos antes que surgisse um outro assunto”

Ficou com vontade de conhecer e ler esse conto romântico, fofinho e curtinho? Então clique abaixo para saber mais e não deixe de seguir o autor em suas redes sociais (Twitter e Instagram).

No farol da Ponta Verde — Beatriz Lima

Título: No farol da ponta verde 
Autora: Beatriz Lima 
Editora: Duplo Sentido Editorial 
Páginas: 49  
Ano: 2021

Assim como este Blog passou por um momento de “abandono” — sofrendo uma ausência minha que, brevemente, comentei aqui —, o projeto Meu Brasil é assim também tem andado, infelizmente, um pouco esquecido.

De qualquer forma, há um conto que, até este exato momento, não resenhei: No farol da ponta verde, escrito por Beatriz Lima.

A história se passa em Alagoas, Estado que ainda não tive a sorte de conhecer, mas que já me deixou encantada com o que li ao longo da narrativa.

Bárbara está no terceiro ano do Ensino Médio. Uma época que, por si só, já é cheia de emoções, que ganham ainda mais cores com o clima competitivo no Colégio Cabreira, devido à competição anual interclasses.

“O verbo ‘ser’ tem uma carga muito grande para nós, o que esperamos no mundo e o que o mundo espera da gente. Somos uma soma de todos esses anos que passamos estudando, de cada professor, aluno, coordenador e matérias”

A narrativa, portanto, divide-se entre as etapas da tal gincana, ao mesmo tempo que fala sobre muito mais. Além disso, ela é permeada por lugares e gírias alagoanos (o que, por vezes, pode ser um pouco difícil para alguém que assim como eu, não conhece quase nada da cultura local, ao mesmo tempo que isso contribui para despertar a nossa curiosidade).

No farol da Ponta Verde é uma história gostosa de ler, que nos envolve e que pode despertar sentimentos como saudade e quentinho no coração.

Infelizmente, no momento o conto não está disponível na Amazon, como anteriormente se fazia com as histórias desse projeto. De qualquer forma, não deixe de seguir a autora em suas redes sociais (twitter e instagram). E se quiser conhecer um pouco dos demais contos da série “Meu Brasil é assim” que já resenhei, é só clicar nos títulos abaixo:

Para o garoto que já tem tudo — Leblon Carter

Título: Para o garoto que já tem tudo
Autor: Leblon Carter
Editora: Publicação Independente
Páginas: 49
Ano: 2021

O Natal está batendo à porta e — juro! — por coincidência a resenha de hoje é justamente sobre um conto natalino que, aliás, li sem sequer imaginar que tinha relação com a temática (como eu conhecia o autor, peguei sem nem ler a sinopse, confesso, até porque o título já tinha chamado a minha atenção).

Você costuma fazer desejos nesta época? Não só de metas para o ano que está por vir, mas também de coisas que gostaria de ter ou alcançar? Pois aqui vai um lembrete sempre válido: cuidado com o que você deseja! Mas o que isso tem a ver o conto? Calma que eu te explico.

“‘Quando acreditar que tudo está perdido e ao seu redor só há escuridão, olhe mais fundo. Talvez a luz que procure esteja dentro de você. E, mesmo que não esteja, não se preocupe. Não se precisa de luzes quando se é uma estrela’”

Emílio (ou Milo) é o garoto que já tem tudo. Ou quase. Ele mora em uma casa de quatro andares e todo dia seu motorista vai buscá-lo — dirigindo uma limusine — na escola caríssima em que estuda.

“Lembram quando falei sobre o número de andares representar superioridade? Então…minha casa tem quatro. A maior de todo o bairro. Mas não é por superioridade. Minha mãe diz que, para pessoas pretas, quatro andares é a mesma coisa que dois para pessoas brancas. Ou seja, não estamos no topo. Estamos igualados. Mesmo que igualdade seja bem controversa hoje em dia”

Mas já diria aquele velho ditado: dinheiro não é tudo na vida. E Milo sabe que está bem longe de ter tudo. Ao menos tudo o que deseja. Na escola, por exemplo, ele e seu melhor amigo, Yong Soon, são excluídos, sendo vítimas de racismo, xenofobia, bullying.

“Ei, Pastel de Flango! – o tom debochado de sua voz nos fez criar uma expressão de antipatia e constrangimento. – Você vai conseguir entregar aquela “coisa” – sussurrou bem próximo ao Yong”

Além disso, Milo — e todo o resto de sua classe — é apaixonado por Maria, que o despreza. Mas isso não o impede de fazer o possível para tirá-la no amigo secreto de final de ano e, assim, poder presenteá-la.

E engana-se quem pensa que a falta do amor de Maria é o único que machuca nosso protagonista: ele também se sente muito sozinho em casa, tendo pais extremamente ausentes, mas que também querem determinar para ele um futuro que talvez não seja exatamente o que ele deseja.

“Às vezes pode parecer que eu sou o garoto que já tem tudo: móveis lustrados, limusines espaçosas e uma casa gigantesca. Mas, quando vejo momentos iguais esse da foto do Yong com a mãe, é como se eu não tivesse nada. A simplicidade parecia me atrair mais”

E foi em uma noite solitária e reflexiva que Milo viu uma estrela cadente e fez o seu pedido. Um pedido que mudou o seu dia seguinte, trazendo revelações que ele não poderia esperar.

“Um vislumbre azulado surgiu no céu. Estrela cadente; pensei. A primeira vez em que via uma com meus próprios olhos. Normalmente deveríamos fazer um pedido. Desejar algo que nosso coração sempre ansiou, mas nunca teve”

A leitura desse conto é super rápida e envolvente. A cada página que viramos fica aquele gostinho bom de “o que mais será que está por vir?”. E os personagens cativam, deixando a história ainda mais emocionante.

“As pessoas costumavam sorrir somente pelos lábios, mas ele não”

Se você já está em clima natalino ou se preparando para entrar, recomendo esse conto. Uma história com representatividade, para esquentar nossos corações e também nos fazer refletir.

Citações #39 — Amor através do tempo

Muito foi dito na resenha da antologia Amor através do tempo, um lindo projeto literário que reuniu quatro autoras para que elas contassem histórias de amor — das mais variadas — em períodos diferentes da história. Mas mesmo tendo dito tanto, foi enorme a quantidade de quotes que tive que deixar de fora e que agora trago aqui.

“Palavras às vezes machucam mais profundamente que qualquer lâmina”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“Suas palavras deveriam ter chegado aos meus ouvidos, mas elas foram direto para o meu coração”

(Amor através da dor – Tay Alvez)

Quando digo que é uma obra que reúne histórias de amor variadas estou me referindo a amores entre homem e mulher, entre mulher e mulher, amores felizes e amores infelizes (para citar o mínimo do mínimo dessa obra).

“Louise era sempre cega ao amor oferecido a ela”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“É normal ter tanto carinho assim por alguém que viveu o mesmo inferno que você, certo?”

(Amor através da Guerra – Beatriz Cortes)

E claro que, com tantos amores e desamores, essa obra nos faz sentir uma infinidade de coisas (nos fazendo, inclusive, chorar um pouquinho, porque ninguém é de ferro, né?).

“Nunca fora tão sincera com ninguém antes. Sentia como se tivesse se jogado de um prédio sem saber se tinha asas para voar”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“A vida nos obriga a conviver com algumas pessoas, a sobreviver sem outras, e seguir a jornada”

(Amor através da Guerra – Beatriz Cortes)

“Então, quando você disse aquilo, eu quis morrer, porque não era possível que você tivesse mudado tanto. Tivesse se perdido tanto. Mas, você tinha”

(Amor através da dor – Tay Alvez)

Fazer essa viagem no tempo acompanhada de tantos sentimentos também é algo que enriquece muito a obra. Poder perceber tensões diferentes a cada guinada temporal é muito interessante.

“Ela cresceu ouvindo que seria apenas uma coisa, mas as mulheres deveriam poder ser quem quiserem ser sem ser julgadas por isso”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“A bomba nos deixou bem mais do que cicatrizes”

(Amor através da Guerra – Beatriz Cortes)

“Alguns discursos que fazemos na vida são lindos, mas não passam de discursos”

(Amor através da dor – Tay Alvez)

E não ache que acabou! O tanto que essas histórias nos fazem refletir é até difícil de explicar.

“Mas ela aprendeu cedo que estar cercado de pessoas não te faz menos solitário”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

“Mas saiba que, se a guerra chegar até você mesmo sem sua permissão, você pode sobreviver a ela”

(Amor através da Guerra – Beatriz Cortes)

“O amor é formado por detalhes e é preciso ter coragem para amar, mas vi você se tornando um covarde e as coisas que formavam nosso amor, morrendo”

(Amor através da dor – Tay Alvez)

Cada história, a seu modo, nos transmite um pouco de força, de esperança e até de crença na humanidade.

“Às vezes, as pessoas não estão destinadas a passar a eternidade juntas. Às vezes, vidas se cruzam como estrelas cadentes em um vasto universo, juntas por um instante efêmero para criar beleza. Certas pessoas aparecem em sua vida não para ficar, mas para te transformar, para te levar onde você precisa ir”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

Já fiz minha recomendação para que você leia essa obra, na resenha, e reforço aqui o convite. Mas prepare-se para sentir muito, viu? O ebook está disponível na Amazon.

“Por que doamos tanto de nós mesmos para quem não nos dá nada em troca?”

(Amor através da liberdade — Camila Dornas)

No coração de um assassino — Davi Busquet

Título: No coração de um assassino
Autor: Davi Busquet
Editora: Lettre
Páginas: 166
Ano: 2021

A resenha de hoje é para quem gosta de um bom thriller. Mas daqueles de nos deixar de queixo caído mesmo!

Se você já leu a antologia Serial Killer: a verdadeira face do mal, publicada também pela Editora Lettre, talvez se lembre do conto O sangue. Ele já é surpreendente por si só, e é o prólogo desta obra, que irá trabalhar sobre o serial killer ali apresentado.

“Alguns homens não precisam de motivos, perfis de vítimas, traumas de infância ou distúrbios psiquiátricos para fazer o que fazem — alguns simplesmente são cruéis”

Em No coração de um assassino entramos em contato com a vida de Hermanni, um rapaz relativamente jovem, um pouco solitário, e que vai no contando sua vida, fazendo-nos chegar a sentir pena dele.

“A Hermanni, mais uma vez, restava-lhe somente chorar”

O livro é dividido em duas partes, além de ter um prólogo — que já mencionei — e um epílogo.

Na primeira parte, somos apresentados a alguns flashes da vida do protagonista da obra. São alguns momentos específicos — quase que aleatórios — mas que parecem ser importantes para a construção deste personagem.

“Tanto o coração em seu peito, quanto a comida em seu colo esfriaram, com o ar noturno soprando para longe as cinzas, o cheiro de queimado e os planos tão cuidadosamente pensados ao longo de tanto tempo”

Como eu disse, esses momentos no fazem sentir certa pena de Hermanni — ao menos comigo foi assim — e quase nos fazem esquecer o tipo de livro que estamos lendo.

“Era incrível que uma única gaveta tivesse tanto para dizer e o fazia de maneira silenciosa, para um menino mais calado que a cômoda”

Mas então a segunda parte chega sem aviso prévio. Digo, a separação no livro é bem clara, mas não sei se eu estava preparada para o que viria. Não sei se eu imaginava que a divisão em partes representava uma quebra tão grande e, ao mesmo tempo, tão clara para uma pessoa minimamente mais esperta que eu (o que não é difícil, convenhamos).

“Você mesma disse: algumas coisas têm que ser arrancadas do jardim, para que outras cresçam em seu lugar”

Nessa segunda parte, todas as pontas são atadas e muitas revelações são feitas.

Realmente, me surpreendi com a forma como o autor conduziu e construiu essa história. Tendo lindo a antologia que mencionei no início desta resenha, também adorei as inserções nada forçadas que o autor colocou de outros contos em sua obra. Uma homenagem muito bonita e uma criatividade sem igual. Se você gosta de caçar easter eggs recomendo a leitura de Serial Killer: a verdadeira face do mal e, em seguida, a leitura de No coração de um assassino.

Li a obra em formato ebook e gostei bastante da diagramação. Já adquiri a versão física e estou ansiosa por ela, porque sei que tem detalhes ainda mais bonitos e caprichados. E, por falar nisso, a obra está em pré-venda até amanhã, sendo possível adquiri-la por um preço promocional. O frete é gratuito para todo o Brasil e hoje ainda foram anunciados alguns brindes exclusivos para quem adquirir nessas últimas 48 horas.

“Ele compreendeu, a duras penas, que nada é para sempre”

Para conhecer um pouco mais o autor e acompanhar os trabalhos dele, sugiro que você leia a entrevista postada no blog da Editora Lettre e que siga-o no Instagram.

“Apesar de tudo, a dor cedeu e outra maior tomou o seu lugar”

Entranhas do amor — Nicc Mello

Título: Entranhas do amor
Autor: Nicc Mello
Editora: Lettre
Páginas: 102
Ano: 2020

Como é que se resenha um livro tão intenso, tão íntimo, tão sincero? Eu, definitivamente, não sei, mas prometo que tentarei dizer algo sobre “Entranhas do amor”, do autor Nicc Mello.

“O amor de menina há de florescer nos sonhos de mulher”

Talvez eu deva começar pelo próprio título da obra: “entranhas” significa, figurativamente falando, a nossa parte mais interior, mais profunda. “Entranhas do amor”, portanto, é uma obra que deveria mergulhar no mais profundo desse sentimento tão infinito e tão complexo.

“Amor é amar”

É isso! “Entranhas do amor” realmente fala com profundidade — e propriedade — não apenas sobre o amor, mas sobre a vida, sobre o que é óbvio e o não tão óbvio assim. Sobre banalidades, mas também sobre questões existenciais.

“Viver era mais importante”

Em alguns poemas os versos são diretos, cortantes. Em outros, são mais amenos. Todos têm um quê de pessoalidade difícil de ignorar. E de sentir. Nicc Mello é um poeta LGBT e também demonstra isso em algumas de suas poesias.

“Amar nunca foi crime”

Queria destacar ao menos uma poesia aqui, mas foi tarefa difícil escolher. No entanto, optei por trazer a vocês “Eu”:

Eu

Sigo só,

na minha companhia.

Estranho é viver

no meio da multidão

Esta obra é o mais novo lançamento da Editora Lettre e, outra vez, fico feliz em ver um resultado desses. A edição física — que está em pré-venda no site da Editora, com frete grátis — está muito bonita, com uma diagramação diferente do ebook, disponível aqui.

E se você ainda não se convenceu entre comprar ou não um exemplar, conheça um pouco mais do autor através desta entrevista.

Citações #33 — Não inclui manual de instruções

Quando escrevi a resenha de Não inclui manual de instruções, ela já foi recheada de trechos do livro, mas muitos outros ainda ficaram de fora, afinal, trata-se de um livro que aborda algumas temáticas que considero muito importante.

A começar pelo fato que o protagonista tem síndrome de asperger e que, portanto, são apresentadas algumas perspectivas com relação a isso.

“Estava começando a perceber que Conor era do tipo de pessoa que não costumava permitir que alguém entrasse em sua redoma”

Pouco a pouco vamos conhecendo alguns dos hábitos e manias de Conor e entendendo um pouco melhor como funciona a mente de um aspie.

“Ao contrário da maioria das pessoas que leem livros para fugir da realidade, Conor os usa para dar sentido a ela”

E, a partir do momento que vamos compreendo isso, vamos aprendendo que eles são tão humanos quanto nós.

“Algo que sempre me assustou foi ser visto como uma aberração”

Uma das maiores dificuldades para um aspie é, provavelmente, a comunicação, principalmente porque eles costumam ser muito literais!

“Seria muito melhor que as pessoas pudessem aprender a ficar confortáveis com o silêncio, pelo menos de vez em quando”

E é por isso que a autora pode, também, explorar a importância da comunicação para o viver em sociedade.

“Você sabia que a comunicação é muito subestimada?”

Outro ponto de dificuldade para quem tem asperger é com relação a demonstrar sentimentos.

“Sei que não é culpa sua, que não percebe, mas não é fácil dar carinho a alguém e sentir que não está recebendo esse carinho de volta”

Mas isso, claro, não significa que eles não sentem nada. Muito pelo contrário, aliás, afinal, são humanos, certo?

“Às vezes, quando gostamos de verdade de alguém, nos parece tão óbvio que não há como essa pessoa não notar”

Esses eram os trechos que não couberam na resenha, mas que eu destaquei durante a minha leitura, porque me fizeram pensar sobre esses pontos que acabo de trazer. O que acharam? Ficar com vontade de ler Não inclui manual de instruções?