O colóquio dos cachorros – Miguel de Cervantes

Título: O colóquio dos cachorros
Original: El coloquio de los perros
Autor: Miguel de Cervantes
Editora: Grua
Páginas: 96
Ano: 2014 (1º edição)
Tradução: Nylcéa Thereza

Blog das Tatianices (2)

No mesmo estilo de A cidade do sol, O colóquio dos cachorros também conta uma história através de um diálogo. Aqui, porém, de maneira surpreendente, o diálogo se dá entre dois cães. E esta, aliás, é a primeira história de cachorros falantes na literatura ocidental.

O colóquio dos cachorros é uma das novelas que compõem as “Novelas exemplares”, livro de Miguel de Cervantes publicado pela primeira vez em 1613. Esta história nos mostra o diálogo entre Cipião e Berganza, cachorros que protegem o Hospital da Ressurreição de Valladolid (cidade espanhola situada a noroeste da Península Ibérica). Em uma bela noite, sem explicações, esses cachorros adquirem o dom da fala e combinam que, nesta primeira noite, Berganza narrará sua vida a Cipião e que, na noite seguinte, caso eles ainda possuam o dom da fala, será a vez de Cipião narrar a sua vida.

Berganza, portanto, passa toda a noite falando sobre sua vida, sendo, porém, inúmeras vezes interrompido por Cipião, que faz pontuações e correções, demonstrando ser um cachorro mais sábio e equilibrado.

“Controla a língua, porque nela estão os maiores estragos da vida humana”

O colóquio dos cachorros (p.17)

Por meio da vida de Berganza, vamos passeando pela Espanha do século XVII, conhecendo cidades e hábitos. É por meio de cachorros, portanto, que aprendemos sobre o homem e a ética daquele tempo. E não só: inúmeros comentários também contém questões filosóficas, literárias e científicas.

“Mas nada me admirava mais e nem me parecia pior do que ver que estes açougueiros matam com a mesma facilidade um homem e uma vaca”

O colóquio dos cachorros (p.16)

Berganza teve muitos donos, pois a cada vez que se sentia injustiçado e maltratado, fugia e buscava um dono melhor. Poucos sabemos sobre seu dono atual, mas sempre havia algum momento em que o ser humano perdia sua humanidade e, consequentemente, seu fiel cão (e está aí uma das inúmeras possibilidades de leitura que esse livro nos dá).

“Ah, amigo Cipião! Se você soubesse como é difícil passar de um estado feliz para um infeliz!”

O colóquio dos cachorros (p.35)

O tempo da narrativa é curtíssimo — uma madrugada — as lições, porém, são inúmeras. A leitura é rápida; os aprendizados ficam.

“Agora as coisas não seguem mais o rigor de antigamente: hoje se faz uma lei e amanhã se rompe com ela e, talvez, seja conveniente ser assim”

O colóquio dos cachorros (p.41)
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5 comentários em “O colóquio dos cachorros – Miguel de Cervantes

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