
Recesso, do autor Claus Castro, foi uma leitura que me apareceu do nada, graças ao contato do próprio autor, e que me fez pensar em alguns (vários) assuntos, que retomo aqui, com alguns trechos que destaquei ao longo da leitura e que ficaram de fora da resenha.
O primeiro deles é a nossa memória: aquilo que lembramos e esquecemos, por querer ou pela passagem do tempo.
“Lembrar é um presente me tomando o futuro e este tempo é um sono do qual não posso despertar”
“Algo morre em você e você não consegue continuar sendo a mesma pessoa. Você se perde, no amor ou nessa ausência, e passa a ser tudo aquilo que detestava, para esquecer, para não esquecer, para tampar o rombo no seu peito com a continuação de uma história que já terminou”
“Você esconde no fundo de um álbum no celular uma foto de alguém que não vê há dez anos”
“Toda vez que ficamos, estamos deixando algo para trás, um lapso, uma oportunidade ou o início de uma memória que seja”
Tempo, aliás, é outra temática muito presente, e o autor nos faz pensar sobre a História e o que estamos fazendo com nossas vidas.
“Três revoluções industriais, e a tecnologia foi capaz de nos aproximar de tudo, menos de nós mesmos”
“Quando nasci havia um muro, e pessoas morrendo por uma liberdade em cima dele. Hoje somos livres e vivemos nossas vidas construindo barreiras entre nós”
“A história não era linear, não éramos lineares, nossas histórias não passavam de linhas que ora se trançavam e ora se desembaraçavam numa grande fiação de mais um maquinário que nos roubava”
O narrador possui uma amargura muito visível e, por isso, essas temáticas são tão densas, assim como quando ele fala sobre a relação que temos uns com os outros e como deveríamos estar mais verdadeiramente presentes.
“Mal saíamos de casa e nos sentíamos tão sozinhos, nossas dores não eram mais capazes de nos unir de nos fazer encontrar no outro um ombro para desabar”
“Antes precisávamos de pessoas que falassem, agora precisamos de pessoas que possam escutá-las”
“Nunca antes se falou tanto em amor e nunca antes quisemos ser verdadeiramente tão amados”
Relacionamentos, aliás, estão no cerne dessa narrativa, e nos despertam muitas reflexões.
“Quem era ela pra querer um homem em mim? E quem era eu pra querer uma mulher nela?”
“Mulheres… o que fazer com elas? O que faríamos sem elas? O que estaríamos fazendo se fôssemos elas?”
Há um destaque especial para a dor, presente em diversos momentos da narrativa.
“Não há como combater a dor com a dor, tudo que se tira disso é mais sofrimento”
“A dor é tudo que me move”
Barulho e silêncio também aparecem em tantos outros momentos da história.
“O barulho te assusta num primeiro momento, mas o silêncio pode trazer à tona muitas outras palavras que não foram escutadas”
“Não há conversas, nem murmúrios, só o que existe é o caos, e você em silêncio querendo lutar contra isso”
Recesso é uma leitura que ecoa muito em nós por, além dos temas já mencionados, trazer uma profunda reflexão de um eu que não sabe bem que é e porque veio ao mundo.
“Diziam que eu poderia ser tudo o que quisesse, porém não consigo nem ser eu mesmo”
“Não importa quanto tempo passe, eu ainda estarei aqui. E acho que é isso o que mais me desespera”
“A vida estava tentando me ensinar uma lição, que eu nunca poderia aprender”
E por nos lembrar constantemente de que a vida não é fácil.
“Por que é que quando a coisa resolve andar é aí que ela volta pior do que antes?”
“Aceitar que a vida é um caminho difícil não vai tornar as coisas mais fáceis; no entanto, isso tornará as que seguirem assim verdadeiras”
Concluo este post com uma passagem que vai dar muito o que pensar e convido você a saber mais sobre este livro através da minha resenha.
“A barbárie está na indiferença, no cruzar dos braços. Não mexe um músculo move muito mais coisa que se pode imaginar”