A magia de Christian Luciano – Gredan Risolein

Título: A magia de Christian Luciano
Autor: Gredan Risolein
Editora: publicação independente
Páginas: 407
Ano: 2018

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Christian Luciano é um menino que vive em São Paulo, filho de Estevão — um mecânico — e Eunice — uma professora de biologia. Ele também tem um irmão mais novo, Jonas. E, até aqui, não temos nada de extraordinário. Acontece, porém, que Christian não é uma criança qualquer: além de ser muito inteligente, ele consegue, aos dois anos de idade, chegar a um outro mundo: Guisaro.

“O mundo era para ser descoberto, desbravado”

O livro é narrado por diversos personagens, que dão seu depoimento para construir essa história cheia de mistérios, magia e descobertas incríveis. E uma coisa que achei muito interessante foi o fato do autor conseguir mesclar muito bem a História real (do nosso mundo) com uma história fantástica muito bem construída.

“A humanidade dorme. E o dom e a necessidade de dormir nos faz fechar os olhos. Quando sonhamos, os sonhos podem ser maravilhosos. Mas muitas vezes temos pesadelos, e é bom saber que, quando acordamos, podemos olhar em volta e descobrir que aquilo era apenas um sonho ruim”

Enquanto no plano terreno vamos passeando pelas ruas de uma São Paulo mais antiga e, ao mesmo tempo, entramos em contato com histórias como o fatal acontecimento de Chernobyl, no plano espiritual (não sei bem como chamar esse outro lado da história), vamos navegando por diversos mundos em que vivem as almas que já não possuem um corpo.

“Talvez as pessoas da terra estivessem precisando de mais fé e mais milagres. Acreditar na magia da vida, e entender que o universo é muito maior e mais rico do que aparenta ser”

E como tudo isso se relaciona na história? Christian Luciano, segundo as desconfianças do Mago Afonso de Bisencourt (mago que Christian encontra ao visitar Guisaro), pode ser a reencarnação de Driegus Niponeri, grande herói de Guisaro e outros mundos.

“Amor é a força que mantém todo o universo, e mesmo nos momentos em que forças poderosas parecem destrutivas, existe uma ordem maior por trás, cuja função final é o equilíbrio”

Uma alma, enquanto é alma, lembra-se de tudo o que viveu em sua(s) forma(s) humana — porque sim, uma mesma alma pode ter vivido inúmeras histórias, e isso também contribuiu para a presença da História neste livro — mas quando ela reencarna, essas memórias e conhecimentos ficam adormecidos.

“Existem momentos em que, embora o consciente não saiba explicar, o inconsciente reconhece o poder de algo mais forte, um sentimento poderoso que extrapola todas as fronteiras”

Driegus já tinha toda uma vida no mundo das almas, além de ter muito poder. Mas, um belo dia, após um confronto com seu arqui-inimigo Gilmon Kanerum, ambos desaparecem. Vivian Niponeri, esposa de Driegus, fica inconsolável e se isola de todos. Até que Mestre Afonso a convence de ajudá-lo a descobrir se Christhian Luciano é ou não Driegus.

“Só ela sabia o quanto era imensa a dor da separação de seu grande amor”

Assim, A magia de Christian Luciano torna-se um livro cheio de revelações, ação, magia. E é um livro que fala sobretudo de amor. E esse provavelmente foi um dos maiores motivos para eu ter me encantado mais com tal história.

“E nos momentos de felicidade é fácil esquecer todos os problemas que ficaram para trás”

Incógnita – Dalton Menezes

Título: Incógnita — Aforismos I
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 83
Ano: 2019

Incógnitas

O livro Incógnita nos traz uma série de aforismos escritos por Dalton Menezes. Aforismos são textos muito breves — por vezes até mesmo uma simples frase — que nos trazem uma regra, um pensamento, um princípio, uma advertência. E apesar de encontrarmos um pouco de cada nos textos do autor, predominam os pensamentos, muitos deles advindos de sentimentos do escritor.

“Por mais alto que eu grite, por mais insuportável que seja a minha dor, as pessoas só escutarão o silêncio”

Alguns dos aforismos que encontramos ao longo desse livro também são frases ou parágrafos que aparecem em alguns de seus livros anteriores (O escritor e Alegórico ser) e que parecem ganhar ainda mais força quando destacados nesta obra.

“Na vida, só se encontra quem aceita estar perdido”

Incógnita  nos traz 70 aforismos e não é necessariamente um livro para ser lido como outro livro qualquer, mas sim uma obra para se ter e consultar nos mais diversos momentos de nossas vidas. Um livro para ser aberto quando você estiver em busca de algo que te faça refletir.

“Quem ganha uma discussão nem sempre é quem tem o melhor argumento, mas, sim, quem dela sai transformado”

O post de hoje ficou bem curtinho, porque eu não posso falar muito mais sobre os aforismos do livro, a menos que eu me detivesse em alguns (ou todos). Além disso, é preciso ler e ter a sua própria experiência saboreando essa obra e aprendendo com ela.

E se você quer conhecer os outros aforismos de Incógnita, adquira seu ebook aqui.

 

 

O tempo não pára – Mariza

O tempo não pára Mariza

Aos que estranharam a grafia do título, a música que trago hoje é um fado português! E são muitos os motivos que me fazem escolher apresentar essa música a vocês, então vou tentar organizar as ideias aqui.

O tempo não pára é, na realidade, uma composição de Miguel Gameiro, que ofereceu sua canção à cantora de fado, Mariza e esta, por sua vez, incluiu a canção em seu álbum Best of (2014).

Eu não tenho o hábito de ouvir fado, mas essa música um dia me apareceu no Spotify (há um bom tempo, lá em 2017) e eu me apaixonei! Eu sequer imaginava que era um fado, mas fui ouvindo e quis saber mais sobre a música. E desde então nunca mais a esqueci.

Claro que uma das coisas me mais me encantam nessa música é a letra, mas a melodia dela também é uma delícia. Porém, não posso negar que o fato dela ser em português (ainda que seja o português de Portugal) ajudou muito para que eu logo compreendesse a letra e pudesse me encantar.

O tempo não pára é uma música que fala exatamente sobre o que o título nos indica: sobre a passagem do tempo, a loucura do cotidiano. Como diria Virgílio: tempos fugit. Em uma analogia mais atual, costumo ouvir essa música antes ou depois de ouvir Paciência (do brasileiro Lenine). Não sei, costumo associar essas duas músicas, porque ambas falam desse tempo que escorre, dessa vida que nos consome. Do tempo (ou ainda, da falta dele).

Mariza, nessa canção, faz um reflexão interessante e, ainda que não seja ela a autora da letra, há muito de sua vida na canção: fadista, Mariza teve de viajar, se apresentar, ganhar a vida com sua (belíssima) voz. Isso a fez perder momentos importantes (pois todo momento tem a sua importância) ao lado de sua família e de seu marido. E podemos ver isso na letra, esse balanço entre o que foi perdido, o tempo que passou e o tempo que há pela frente, as novas oportunidades que, no entanto, jamais recuperarão o que ficou para trás.

Sério, vejam essa letra e ouçam a canção, é muito bonito!

Eu sei que a vida tem pressa
Que tudo aconteça sem que a gente peça
Eu sei
Eu sei que o tempo não para
O tempo é coisa rara
E a gente só repara quando ela já passou
Não sei, se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo
Que me dê mais tempo, para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
Cantei
Cantei a saudade
Da minha cidade
E até com vaidade
Cantei
Andei pelo mundo fora
E não via a hora
De voltar pra ti
Não sei, se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo
Que me dê mais tempo, para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
Não sei, se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo
Que me dê mais tempo, para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui

 

Vocês já conheciam a Mariza? E essa canção??

Próxima parada – Juliana S. Catalão e Marcele Cambeses (orgs.)

Título: Próxima parada
Organizado por: Juliana S. Catalão e Marcele Cambeses
Editora: Duplo Sentido
Páginas: 102
Ano: 2016 (1º edição)

prox. parada

Próxima Parada é um livro de contos incrível e só por alguns fatores externos isso já fica claro: é um livro totalmente escrito e organizado por mulheres, é nacional e tem uma capa mega fofa! E mais: os contos se passam dentro de um ônibus e trazem muito do cotidiano daqueles acostumados à usar um meio de transporte público. É um daqueles livros que qualquer pessoa com uma boa imaginação tem vontade de escrever, mas acabou nunca fazendo… Bem, ao menos não até que essas garotas se reunissem e dessem vida a personagens tão reais!

Neste livro temos 7 contos, unidos, como já mencionado, pela temática do ônibus. Além disso, outra semelhança entre eles, como veremos, é que contam com dois personagens centrais, geralmente um casal. Vamos entender melhor sobre cada um desses contos?

Primeira parada — Idas e vindas (Bruna Fontes)

Esse conto retrata uma paixão cheia de vai e volta, não vai e nem volta entre Marina e Henrique, dois jovens que se conhecem desde pequenos.

“— Não dá pra você forçar as coisas só porque quer muito chegar ao ponto final”

Uma das coisas que mais gostei nesse conto foi o panorama sobre o ônibus que a Marina, narradora da história, faz logo no início, nos apresentando os tipos que se encontram no mesmo meio de trasporte que ela quase todos os dias. Mas também não posso deixar de mencionar que adorei a forma como nossos sentimentos e ações são comparadas ao movimento do ônibus ou qualquer outro meio de transporte.

“Somos todos suscetíveis a batida e perdas totais, mas a incerteza é um preço que se paga para alcançar a plenitude”

Próxima parada — sete minutos (Júlia Braga)

Já nesse segundo conto temos uma história um pouco diferente: Vanessa e Eduardo são dois amigos que, em meio a uma brincadeira, acabam tendo de se beijar e isso certamente afeta a relação deles.

O maior problema deles, no entanto, não foi simplesmente o beijo, mas o fato de ter sido o primeiro beijo de cada um deles. E mais: eles achavam (cada um consigo mesmo) que eram os únicos a nunca ter beijado. Sério, dá vontade de bater nesses dois, porque eles quase perdem uma amizade por causa de uma mera falta de comunicação!

“O que poderia ser simplesmente resolvido com um pouco de comunicação e algumas risadas para reviver o clima, havia rapidamente se tornado uma destruição de amizade”

Próxima parada — Transbordante (Thati Machado)

A história de Marcos e Naldo (Ronaldo) não é simples, pois eles são amigos de infância que acabam se afastando quando Naldo se descobre apaixonado por Marcos. Esse conto também é um belo retrato das dificuldade que um garoto (ou uma garota) passam ao se assumir LGBT.

“Meus colegas haviam desistido de mim; minha família havia desistido de mim; Marcos havia desistido de mim; e em alguns momentos, eu fazia o mesmo”

É um conto extremamente bonito e que nos traz uma bela lição.

“— Nós somos dois garotos, eu sei. Mas tive muitos anos para entender que o amor não tem gênero”

Próxima parada — Querer é poder (Vanessa S. Marine)

Neste quarto conto, narrado por Hugo, temos a história de um garoto super tímido e apaixonado por Maristela.

“Se cada pessoa é uma poesia, Maristela é o meu poema favorito”

Mas, muito mais que se ser uma simples história de amor, temos aqui um texto sobre as escolhas que fazemos na vida, e eu adoro quando encontro algo com essa temática, pois nunca é fácil ter de decidir o caminho que queremos seguir.

“— Eu só estaria com medo se eu tivesse me condenando a um caminho que eu sei que não me fará feliz”

Próxima parada — Espelho (Mel Geve)

Esse conto arrancou boas risadas de mim, simplesmente porque começa nos apresentando Augusto, um ser que fica julgando as pessoas à sua volta no ônibus como muitas vezes, querendo ou não, acabamos fazendo, principalmente quando estamos esgotados como ele.

“A menina era com certeza um daqueles casos de gente alheia à realidade. Dispersa, perdida, turista da vida real. Ainda mais com aqueles fones de ouvido gigantescos, que impediam que os pensamentos saíssem de sua cabeça”

A pessoa com quem Augusto “encrenca” em seus julgamentos é Giuliana. Mas quando eles começam a conversar, tudo muda…

“Talvez ela fosse, sim, digna do lugar em que sentava”

Próxima parada — Juntos (Tamara Soares)

Essa é uma daquelas histórias que você lê correndo porque tem certeza que vai ter confusão e fica curioso para chegar logo nessa parte. Isso porque, logo de início, a narradora começa a contar que pegou o ônibus com o ex… Vocês já imaginam, né! E pior, ele está acompanhado de outra menina!

O conto também nos conta sobre o relacionamento deles e, caramba, que conto! Tem um ótimo plot e um final muito bonito.

Próxima parada — os cinco estágios (Marcele Cambeses)

O último conto do livro é o que considero o mais poético de todos e é um conto que também traz um casal LGBT, mas agora formado por Daniele e Manuela. E é um conto que, além de tudo, serve para, uma vez mais, amarrar as histórias anteriores.

Eu realmente gostei bastante desse livro (acho que deu para perceber…) e recomendo para todos aqueles que querem ler algo bem escrito, com leituras rápidas mas que, ao mesmo tempo, se unem e se completam.

Das autoras desse livro, as únicas que eu já conhecia algo eram a Mel (Trago seu amor em 3 dias), a Bruna Fontes (A matemática das relações humanas) e a Vanessa S. Marine, que escreveu a introdução de A matemática das relações humanas. Quanto às outras autoras, esse foi meu primeiro contato e eu adorei!

Se interessou por esses contos incríveis? Adquira seu ebook (gratuito!) aqui.

 

Citações #25 — O pequeno príncipe

Citações #25

Quem costuma acompanhar esse blog deve ter visto que, recentemente, publiquei uma resenha do livro O retorno do jovem príncipe, e que nela eu comentei que acabei relendo O pequeno príncipe também. Depois da resenha mencionada eu ainda trouxe algumas citações da mesma obra e hoje trago a vocês citações de O pequeno príncipe (que acredito ser tão conhecido que me fez dispensar uma resenha mais detalhada).

Algo muito valorizado nessa obra universal e atemporal é o olhar da criança que, em sua inocência, é capaz de usar com muito mais força e desenvoltura sua imaginação.

“As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando”

O pequeno príncipe (p.8)

O olhar infantil com relação ao adulto é algo que consegue encantar aos leitores e, ao mesmo tempo, nos fazer refletir sobre nossos comportamentos, ações e prioridades.

“As pessoas grandes adoram números”

O pequeno príncipe (p.17)

E quando eu digo que O pequeno príncipe é atemporal eu estou dizendo que há coisas ali que poderiam ter sido escritas ontem, por qualquer pessoa mais sensível de nossa sociedade atual, uma pessoa que sinta falta de certos sentimentos e costumes.

“Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos”

O pequeno príncipe (p.68)

Mas também podemos pensar que não temos mais amigos porque, por vezes, queremos que todos sejam como nós, que façam o que fazemos, que gostem do que gostamos. Já não ouvimos mais os outros, mas somente aquilo que queremos ouvir e esperamos que tudo e todos sempre atendam às nossas expectativas.

“É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou o rei”

O pequeno príncipe (p.38)

O pequeno príncipe também toca em diversas questões inerentes ao ser humano, como vaidade, gostos e nossa felicidade ou infelicidade diante daquilo que vivemos.

” — Nunca estamos contentes onde estamos, disse o guarda-chaves”

O pequeno príncipe (p. 74)

Trata-se de um livro que nos faz refletir, ainda, sobre caminhos e sobre a necessidade de olharmos em toda a nossa volta e não somente para a frente.

” — Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe…”

O pequeno príncipe (p.16)

Os trechos que trouxe aqui são apenas alguns dos que gostei em minha releitura de O pequeno príncipe. Eu seria capaz de trazer páginas inteiras dele para vocês, mas acho que é melhor cada um vivenciar a sua leitura, certo? O que vocês acham desse livro?

E se você ainda não leu O pequeno príncipe, corre para comprar o seu aqui.

 

Arioso da cantata 156 – Bach

Arioso da cantata 156 Bach

Hoje trago a vocês um post musical muito especial (e que, espero, será melhor que essa rima pobre que acabei de fazer sem querer). Talvez possa parecer muita pretensão falar sobre música clássica por aqui, mas esta não é qualquer música clássica, e sim uma que vocês provavelmente conhecem e eu já vou explicar tudo isso.

Apresentada pela primeira vez em 1729, a Cantata BWV 156 influenciou, anos mais tarde, alguns compositores brasileiros. Uma cantata é uma sinfonia cantada, composta por várias partes, sendo uma delas o Arioso, que é a parte inicial instrumental. Ouçam essa peça e vejam se a reconhecem de algum lugar…

Essa melodia soa conhecida? Bom, ela provavelmente é mesmo. O Arioso da Cantata 156 (como é mais conhecida) serviu de inspiração, na década de 70, para Jessé, cantor brasileiro que, na época, se apresentava como Tony Stevens e cantava em inglês. A música em questão é If you could remember, que vocês podem ouvir abaixo.

Caso você esteja pensando, porém, que nunca ouviu If you could remember, mas que, mesmo assim, sente que conhece a cantata de Bach de algum lugar, pode ser que você conheça outra música, também brasileira: Céu de Santo Amaro. Composta por Flávio Venturini e famosa na voz dele e de Caetano Veloso, essa música chegou a tocar na novela Cabocla (2004). Vocês podem ouvir a música aqui embaixo.

E agora, ela soa mais conhecida?

A música em inglês e a música em português, em termos de letra, são bem diferentes (não se trata de uma tradução/versão), mas ambas são muito bonitas. Eu, particularmente, gosto mais da versão em português, me soa mais poética.

Me lembro que quando ouvi Céu de Santo Amaro pela primeira vez, eu me encantei. Trata-se de uma música que facilmente chama suas imagens à minha mente e cria uma linda história de amor. Ver a imagem do sertão, junto à uma bela noite estrelada, também é algo muito interessante que essa música faz. Encerro o post com a letra dessa canção, para que vocês possam entender melhor o que estou falando:

Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor
Nos invadiu
Com ela veio a paz, toda beleza de sentir
Que para sempre uma estrela vai dizer
Simplesmente amo você

Meu amor
Vou lhe dizer
Quero você com a alegria de um pássaro
Em busca de outro verão
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei

Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei

Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor nos invadiu
Então veio a certeza de amar você

 

Chuva de Estrelas – Michelle Pereira

Título: Chuva de estrelas
Autor: Michelle Pereira
Editora: publicação independente
Páginas: 13
Ano: 2018 (1º edição)

Blog das Tatianices (3)

Chuva de estrelas é um conto escrito por Michelle Pereira e publicado de forma independente, na Amazon. Não tem como não se encantar com essa capa e esse título, não é mesmo?

“Estrelas eram lindas e letais. Poéticas e assassinas”

A tal chuva de estrelas, no entanto, era um fenômeno que acontecia em Vanroe e Bessengard — reinos criados por Michelle — e não era um sinal de boas coisas.

“Algo era certo: nada de bom acompanhava a chuva de estrelas”

Ao longo das páginas deste conto — que está dividido em seis capítulos — acompanhamos a jornada do discípulo de Vernam, um rapaz que deve servir seu imperador, carregando a joia de Vernam, uma joia em que havia demônios presos, demônios que tentavam convencer seu portador a não levar tal joia para onde ela deveria ser levada. É quase como nossa mente, quando tenta nos convencer de algo que sabemos não ser como ela insiste que é.

“Por que a obrigação de um primogênito morto passaria ao caçula? Era ilógico. No entanto, não era seu dever questionar”

A chuva de estrelas acompanha nosso protagonista de forma incessante. Ela pode ser um fenômeno lindo, mas, como já dito, ela é extremamente perigosa e machuca sem que as pessoas sintam os ferimentos. E o jovem rapaz nada pode fazer além de lutar contra essa natureza violenta. E a gente torce por ele, mesmo sem conhecê-lo tão bem assim!

Esse é um daqueles contos que nos fazem prender a respiração e devorar cada linha, até a última página. E ainda deixa um gostinho de quero mais, mas sem deixar de apresentar uma história completa e fechada. Parece até doido pensar o quanto de história a Michelle conseguiu colocar em apenas 13 páginas!

Ficou curioso com esse conto? Aqui você pode encontrar mais sobre ele.

Como me formei leitora?

Como me

Esse semestre, para um trabalho da faculdade, meu namorado teve de escrever um texto (de no máximo uma página!) sobre como ele se tornou leitor. Ao ler as lindas palavras que ele escreveu, fiquei pensando em como me formei leitora também…

A verdade é que eu tive a sorte de nascer numa família que sempre incentivou a leitura. Minha avó paterna morava em uma casa cheia de livros e meus tios, bem como meus pais, sempre foram bons leitores. Assim sendo, sempre que perguntam qual foi meu primeiro livro eu tenho dificuldades em responder. Realmente, eu não sei. De toda forma, quando ouço essa pergunta, sempre me vem à mente um livro que guardo até hoje, pequenino e com poucas palavras, mas com uma dedicatória de minha professora da pré-escola. Mas também tenho um com uma dedicatória da minha vó. E não sei se algum deles foi meu primeiro livro, mas acredito que não.

Minha vida foi seguindo assim: ganhando livros — alguns com dedicatórias e esses são os mais especiais para mim — lendo-os, guardando-os, por vezes relendo-os. Me tornei uma leitora voraz e, não à toa, resolvi cursar Letras. Passei a comprar livros com meu próprio dinheiro, uma delícia! Mas a carga de leitura da faculdade — e leituras obrigatórias, ou seja, não necessariamente aquilo que eu queria ler — e a falta de tempo me afastaram um pouco dos livros em meu último ano de graduação. Mas o amor sempre vence e eu voltei correndo para os livros na primeira oportunidade que tive.

Esse ano já li muitos livros, já li de tudo um pouco e espero continuar assim até o final do ano. Mas também continuarei sem saber ao certo como me formei leitora. Talvez eu já tenha nascido com essa paixão, passada de geração em geração na minha família. Felizmente.

E você, como se formou leitor(a)?

Citações #24 — De repente nós

De repente nós

Eu escrevi uma resenha super extensa do livro De repente, nós e, ainda assim, deixei um montão de citações de fora dela. Mas hoje trago a vocês mais alguns trechos desse livro escrito por Tici Pontes e publicado em 2019, de forma independente.

Como vocês podem ver na resenha, trata-se de um romance, do jeitinho que eu gosto…

“A vida se encarregara de fazer com que nossas vidas se cruzassem. Vou deixar a cargo dela decidir como será de agora em diante”

…apesar dele quase ter arrancado meu coração algumas vezes.

“Como arrancar de dentro de nosso peito uma pessoa sem que com isso sangremos ainda mais?”

Um acidente de carro pode ser um fator determinante na vida das pessoas nele envolvidas.

“Algumas vezes nos quebramos novamente, mas sempre é tempo de reunir os cacos e tentar mais uma vez”

E também pode mudar muita coisa na vida das pessoas que se relacionam com aquelas envolvidas no acidente.

“Algumas vezes tinha a impressão de que falar não adiantaria nada. Que ninguém compreenderia o que eu sentia, pelo menos não completamente e por isso me afastava das pessoas que queriam me ajudar”

Para Owen, em De repente, nós, o acidente significou uma prisão.

“Uma vez que o ser humano é privado de sua liberdade ele passa a valorizar cada momento, cada passo, cada gesto”

Para Lucy, significou perder o amor de sua vida.

“O adeus finalmente havia chegado. Agora tudo se resumia a nada”

Mas, como tudo na vida, o livro também tem suas reviravoltas.

“Era estranhamente bizarro pensar em como a vida poderia dar tantas reviravoltas e nos mostrar opções nunca sequer levantadas”

E é através delas que a história se torna menos pesada.

“Sem perceber, sorri pensando em como um pequeno doce havia adquirido um significado tão profundo”

É muito bonito ver a forma como o livro trata dessa volta por cima na vida das pessoas, desses acasos

“Tanto eu quanto ela precisávamos de uma ruptura com o passado. E talvez fôssemos a chave para isso. Aprender com nossas dores e nossos erros”

E há, ainda, uma interessante reflexão que essa história nos deixa e com a qual encerro este post:

“Nem sempre o sentimento de culpa significa que somos, de fato, culpados de algo. Mas querendo ou não em algumas ocasiões a nossa felicidade acaba despertando questionamentos”

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Alegórico ser – Dalton Menezes

Título: Alegórico ser
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019 (1º edição)

Alegórico ser

A resenha de hoje é sobre outro conto incrível do autor parceiro Dalton Menezes. E por que eu gostei tanto desse conto? Porque ele realmente me surpreendeu, principalmente o final, que obviamente não revelarei aqui.

“Não existem formas melhores, piores ou fórmulas mágicas para a vida. Existe aquilo que funciona ou não para si”

Em Alegórico ser nós conhecemos Yorick, um homem que, através de um diálogo com seu terapeuta, nos mostra muita inteligência e reflexão sobre aspectos variados da vida (e da morte, por que não?). Ao longo desse diálogo, portanto, vamos conhecendo esse personagem intenso e complicado.

“O pior lugar para se frequentar e ter contato com demônios não era no inferno, mas, sim, em nossas mentes”

Através das falas de Yorick — e das cutucadas de seu terapeuta — também vamos percebendo que o personagem compreende a complexidade de seu ser e das relações humanas.

“Não há nada mais triste que fazer as pessoas que te amam, que te apoiam e que te compreendem, sofrer”

Mais que isso, porém, o diálogo que se dá entre Yorick e seu psicólogo nos faz pensar sobre muitos aspectos de nossas próprias vidas e a cada página é uma nova reflexão que surge.

“Viver sem ser engolido por esse furacão, o amor, por ao menos uma vez, certamente é não ter aproveitado e dado à vida algum valor real”

É difícil não se identificar com Yorick em algum aspecto. Suas falas são carregadas, acima de tudo, de humanidade. Esse personagem demonstra profundidade nos sentimentos que conhece e também na complexidade da mente humana.

“Nossa mente viaja mesmo, hein?”

Alegórico ser é uma leitura rápida, por ter uma extensão curta, mas certamente você sairá dela com a mente a mil, refletindo sobre algo do que leu. E afinal, não é para isso que lemos, para nos transformarmos e crescermos?

“Suas fraquezas só serão fraquezas se assim as considerar, nesse caso, seja quem for, poderá usá-las contra você, caso contrário elas não terão poder algum sobre isso”

Se interessou pelo conto e ficou com vontade de refletir sobre a vida? Ele está disponível em ebook aqui.