Contos de fadas de cabeceira — Juliana Lima

Título: Contos de fadas de cabeceira
Autor: Juliana Lima
Editora: The books
Páginas: 
Ano: ainda não lançado

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O que trago hoje a vocês não é exatamente uma resenha, mas minhas primeiras impressões sobre o livro Contos de fadas de cabeceira. E eu só não trago uma resenha completa desse livro porque ele ainda será lançado e a autora parceira Juliana Lima disponibilizou para seus parceiros apenas três capítulos, o que é uma maldade imensa, porque se eu pudesse eu já teria devorado esse livro (e vocês já vão entender os meus motivos)!

Em primeiro lugar a autora nos dá um alerta:

Contos de Fadas de Cabeceira é um livro cujo intuito é fazer uma releitura dos tradicionais contos de fadas, criar outros e relacioná-los com os temas e polêmicas da nossa sociedade atual”

Pg. 2

Pelos três primeiros contos disponibilizados, percebo que a autora se manteve em seu propósito e acredito que com o restante do livro não seja diferente (e eu não vejo a hora de ler o resto!). Outro ponto a ser destacado, e que fica claro nesses primeiros contos é o fato de que:

“Porém, este não é um livro de príncipes, princesas, castelos e finais felizes”

Pg. 2

No primeiro conto, por exemplo, chamado Felícia no estado de realidade, nos deparamos com o tempo tentando mostrar à protagonista que a vida não é tão bela quanto ela imagina.

“— A face do tempo pode vir de formas variadas, conforme sua visão sobre mim”

Pg. 7

A cada vez que ele aparece, traz consigo um amigo, que são nossos sentimentos. Mas sentimentos como medo, decepção, inveja. É um conto, portanto, que fala sobre a veloz passagem do tempo e, ao mesmo tempo, sobre amadurecimento. Um conto triste, mas também verdadeiro.

“Ainda acredito na bondade e no amor e não é porque algumas pessoas são ruins que o mundo inteiro será”

Pg. 10

O segundo conto, por sua vez, nos fala de forma mais específica sobre a inveja. Chamado A Branca sem Neve, o conto retrata o ensaio de um grupo teatral e culmina com a chocante estréia da peça, que é uma releitura de “A Branca de Neve”. Fiquei de queixo caído com o final desse conto, como sempre fico de queixo caído com as loucuras que a inveja faz o ser humano cometer.

Por fim, em O Grande Truck temos um certo debate sobre a verdade que me parece  muito necessário nos dias de hoje. O protagonista é um escritor mágico: aquilo que ele escreve torna-se real. Até que sua última frase, talvez verdadeira demais, encerra a sua carreira.

“Os mágicos, detetives e escritores tem algo em comum: o poder de iludir, confundir e ludibriar mentes, o quanto lhes for conveniente”

Pg.31

Esse é um conto para se ler as entrelinhas também e, dos três, foi o que mais me fez refletir.

Além dos contos, também encontrei, ao longo dessas primeiras páginas disponibilizadas pela autora, dois poemas e um microconto. Esse livro promete! E, por falar nisso, ele será lançado no dia 07 de setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, então se você estiver por lá, não deixe de passar no stand da The Books Editora!

Antologia do humor russo – Arlete Cavaliere (organizadora)

Título: Antologia do humor russo
Autor: Arlete Cavaliere (organizadora)
Editora: 34
Páginas: 563
Ano: 2018 (1º edição)
Tradução: vários

humor russo banner

Finalmente trago a vocês a resenha desse livro. Quem me acompanha por aqui deve ter percebido que durante vários meses ele apareceu como “leitura em andamento” nos meus resumões. Isso porque esse livro reúne inúmeros contos e optei por ir lendo aos poucos, sem cobrança, alternando com outras leituras.

Ao pegar esse livro para ler eu fiquei pensando em como faria a apresentação dele a vocês. Pensei se valeria a pena fazer algo nos moldes do que fiz com os Contos Russos no ano passado, mas optei por trazer uma resenha mais geral, devido ao tamanho deste livro. Sim, porque a Antologia do humor russo reúne 57 textos, de 37 autores diversos! E, segundo a organizadora do livro:

“A recolha dos textos, em sua maioria inéditos em língua portuguesa e traduzidos diretamente do original, se pautou, portanto, mais pela captação de percepções originais e variadas do humor russo do que pelo enquadramento dos escritores a grupos ou tendências literárias unificadas por uma filiação historiográfica, estética ou ideológica”

(p.12)

Essa explicação da organizadora já nos dá muito o que falar sobre o livro. Em primeiro lugar, entramos em contato com textos que anteriormente não tínhamos contato aqui no Brasil. E estamos falando de textos até mesmo de escritores russos conhecidos, como Dostoiévski, Tolstói e Tchekhov. E Antologia do humor russo é um trabalho coletivo e tanto: diversos estudiosos e tradutores se reuniram para nos trazer esses textos traduzidos diretamente do original.

Por outro lado, a organizadora deste volume diz que os textos foram selecionados “pela captação de percepções originais e variadas do humor russo”. Bem, ao ler esse livro precisamos ter em mente, de maneira bem clara, um detalhe importante: o humor russo pode ser bem diferente do nosso humor! Não espere dar altas gargalhadas, com um humor debochado. Você irá se deparar, na verdade, com textos irônicos, satíricos, paródicos e até absurdos. Textos que te farão pensar e que, talvez, cheguem a arrancar um leve sorriso de ti.

“O ser humano adora duvidar”

(pg. 149)

Os textos que encontramos ao longo dessa obra, apesar do título da coletânea, vão muito além do gênero conto: temos cartas, peças de teatro, crônicas, anedotas e até trechos de romances. E além de nos depararmos com essa pluralidade de formas, encontramos tanto escritores quanto escritoras, das mais variadas épocas, em um período que vai de 1832 a 2014. Se você quer conhecer um pouco mais da rica literatura russa, portanto, esse livro é, sem sombra de dúvida, um prato cheio.

 

Elo entre mundos – B. A. Polinari

Título: Elo entre mundos: A batalha de Terökum
Autor: B. A. Polinari
Editora: Publicação independente
Páginas: 290
Ano: 2019

Elo entre mundos blog

Comecei a leitura de Elo entre mundos: a batalha de Terökum sabendo bem pouco sobre o livro e menos ainda sobre a autora, que gentilmente me cedeu o ebook para a realização desta leitura. Devo confessar, portanto, que fui totalmente surpreendida (de maneira positiva) por essa obra, que agora apresento a vocês.

O título Elo entre mundos já nos revela algo de importante sobre a história: trata-se de um cenário que envolve mundos diversos que tiveram de se unir, formando o famoso Elo. Esses mundos são povoados por raças diversas e fortes e que, apesar das diferenças, mantêm-se unidas.

A leitura desta obra começa no prelúdio, que me deixou um pouco assustada, devido às palavras difíceis e à quantidade de informações. Mas esse prelúdio nos apresenta muito bem (e por isso a quantidade de informações) o plano de fundo da história. Por isso, preciso falar um pouco sobre ele, para que o restante fique mais fácil de entender.

Tudo começa com as Prithmanares, entidades que cuidam da vida dos planetas. Com o passar dos anos, elas começaram a perceber que alguns indivíduos estavam evoluindo rapidamente e que eles poderiam ser úteis para elas, pois poderiam ajudar a manter a qualidade desses mundos. Por isso, elas ajudaram esses seres a aprimorar suas técnicas e também criaram portais fixos, para que as raças pudessem transitar mais facilmente de um planeta a outro.

“— Interessante! Às vezes a passividade cobra um preço alto!”

(p.70)

O poder que o conhecimento traz, no entanto, às vezes tem consequências catastróficas, porque nem todos estão prontos para usá-los pelo bem de todos. Por outro lado, há pessoas que nascem para ser líderes natos — e aqui eu uso a palavra líder pensando naqueles que sabem governar o seu povo de modo a ajudá-lo, buscando justamente sempre fazer o bem — e foi graças a pessoas assim que nem tudo se perdeu. Em reconhecimento, as Prithmanares se ligaram de maneira mais profunda à essas pessoas, que se tornaram protetores. Os protetores moram em uma Eirídomu — uma habitação especial e protegida — e têm acesso a conhecimentos milenares.

Ufa, isso tudo foi só para introduzir a história, que começa anos depois do surgimento dos primeiros protetores. Acontece que a harmonia dificilmente dura para sempre e em meio à paz dos mundos, surge um rapaz talentoso que consegue reunir um bom número de traidores para abalar a ordem estabelecida. Os protagonistas de Elo entre mundos: a batalha de Terökum são quatro jovens protetores: Fira, Reyk, Kerina e Keyrian. Esses quatro nasceram acostumados com seus poderes e conhecimentos, mas viram-se em apuros quando foram mandando para um mundo onde perderam tudo aquilo que possuíam, inclusive seus corpos anteriores, que eram mais fortes.

“Às vezes é preciso perder algo para se reencontrar!”

(p.98)

Os planos do traidor, contudo, falharam em alguns aspectos e Fira e Reyk — dois grandes amigos — foram enviados juntos para um mesmo lugar, enquanto as gêmeas Kerina e Keyrian foram enviadas para outro canto do mesmo mundo. Por terem ido parar no mesmo mundo, os quatro jovens conseguem se reencontrar e passam a ser treinados pela Prithmanare do planeta em que eles estão. Boa parte do livro nos mostra o caminho percorrido por esses quatro jovens, que tentam recuperar seus poderes para poder salvar suas famílias, amigos e, claro, seus planetas.

“— Às vezes as piores feridas são aquelas que não podem ser curadas com bandagens e algumas ervas medicinais!”

(p.68)

Claro que o caminho trilhado pelos jovens não é nada simples: além de toda a preocupação e medo que eles têm de enfrentar em seu interior, eles precisam treinar incansavelmente e, acima de tudo, precisam se conhecer melhor. Elo entre mundos, portanto, é um livro que nos mostra a importância da união e da amizade, mas também de nos conhecermos e sabermos nossos limites. Recomendo para quem curte uma fantasia bem pensada, que nos surpreende a cada página e que não é nem um pouco previsível (sério, tem reviravolta atrás de reviravolta nessa história!).

Ficou com vontade de conhecer melhor esses jovens protetores e as peripécias vividas por eles? Adquira seu ebook aqui.

A magia de Christian Luciano – Gredan Risolein

Título: A magia de Christian Luciano
Autor: Gredan Risolein
Editora: publicação independente
Páginas: 407
Ano: 2018

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Christian Luciano é um menino que vive em São Paulo, filho de Estevão — um mecânico — e Eunice — uma professora de biologia. Ele também tem um irmão mais novo, Jonas. E, até aqui, não temos nada de extraordinário. Acontece, porém, que Christian não é uma criança qualquer: além de ser muito inteligente, ele consegue, aos dois anos de idade, chegar a um outro mundo: Guisaro.

“O mundo era para ser descoberto, desbravado”

O livro é narrado por diversos personagens, que dão seu depoimento para construir essa história cheia de mistérios, magia e descobertas incríveis. E uma coisa que achei muito interessante foi o fato do autor conseguir mesclar muito bem a História real (do nosso mundo) com uma história fantástica muito bem construída.

“A humanidade dorme. E o dom e a necessidade de dormir nos faz fechar os olhos. Quando sonhamos, os sonhos podem ser maravilhosos. Mas muitas vezes temos pesadelos, e é bom saber que, quando acordamos, podemos olhar em volta e descobrir que aquilo era apenas um sonho ruim”

Enquanto no plano terreno vamos passeando pelas ruas de uma São Paulo mais antiga e, ao mesmo tempo, entramos em contato com histórias como o fatal acontecimento de Chernobyl, no plano espiritual (não sei bem como chamar esse outro lado da história), vamos navegando por diversos mundos em que vivem as almas que já não possuem um corpo.

“Talvez as pessoas da terra estivessem precisando de mais fé e mais milagres. Acreditar na magia da vida, e entender que o universo é muito maior e mais rico do que aparenta ser”

E como tudo isso se relaciona na história? Christian Luciano, segundo as desconfianças do Mago Afonso de Bisencourt (mago que Christian encontra ao visitar Guisaro), pode ser a reencarnação de Driegus Niponeri, grande herói de Guisaro e outros mundos.

“Amor é a força que mantém todo o universo, e mesmo nos momentos em que forças poderosas parecem destrutivas, existe uma ordem maior por trás, cuja função final é o equilíbrio”

Uma alma, enquanto é alma, lembra-se de tudo o que viveu em sua(s) forma(s) humana — porque sim, uma mesma alma pode ter vivido inúmeras histórias, e isso também contribuiu para a presença da História neste livro — mas quando ela reencarna, essas memórias e conhecimentos ficam adormecidos.

“Existem momentos em que, embora o consciente não saiba explicar, o inconsciente reconhece o poder de algo mais forte, um sentimento poderoso que extrapola todas as fronteiras”

Driegus já tinha toda uma vida no mundo das almas, além de ter muito poder. Mas, um belo dia, após um confronto com seu arqui-inimigo Gilmon Kanerum, ambos desaparecem. Vivian Niponeri, esposa de Driegus, fica inconsolável e se isola de todos. Até que Mestre Afonso a convence de ajudá-lo a descobrir se Christhian Luciano é ou não Driegus.

“Só ela sabia o quanto era imensa a dor da separação de seu grande amor”

Assim, A magia de Christian Luciano torna-se um livro cheio de revelações, ação, magia. E é um livro que fala sobretudo de amor. E esse provavelmente foi um dos maiores motivos para eu ter me encantado mais com tal história.

“E nos momentos de felicidade é fácil esquecer todos os problemas que ficaram para trás”

Incógnita – Dalton Menezes

Título: Incógnita — Aforismos I
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 83
Ano: 2019

Incógnitas

O livro Incógnita nos traz uma série de aforismos escritos por Dalton Menezes. Aforismos são textos muito breves — por vezes até mesmo uma simples frase — que nos trazem uma regra, um pensamento, um princípio, uma advertência. E apesar de encontrarmos um pouco de cada nos textos do autor, predominam os pensamentos, muitos deles advindos de sentimentos do escritor.

“Por mais alto que eu grite, por mais insuportável que seja a minha dor, as pessoas só escutarão o silêncio”

Alguns dos aforismos que encontramos ao longo desse livro também são frases ou parágrafos que aparecem em alguns de seus livros anteriores (O escritor e Alegórico ser) e que parecem ganhar ainda mais força quando destacados nesta obra.

“Na vida, só se encontra quem aceita estar perdido”

Incógnita  nos traz 70 aforismos e não é necessariamente um livro para ser lido como outro livro qualquer, mas sim uma obra para se ter e consultar nos mais diversos momentos de nossas vidas. Um livro para ser aberto quando você estiver em busca de algo que te faça refletir.

“Quem ganha uma discussão nem sempre é quem tem o melhor argumento, mas, sim, quem dela sai transformado”

O post de hoje ficou bem curtinho, porque eu não posso falar muito mais sobre os aforismos do livro, a menos que eu me detivesse em alguns (ou todos). Além disso, é preciso ler e ter a sua própria experiência saboreando essa obra e aprendendo com ela.

E se você quer conhecer os outros aforismos de Incógnita, adquira seu ebook aqui.

 

 

Próxima parada – Juliana S. Catalão e Marcele Cambeses (orgs.)

Título: Próxima parada
Organizado por: Juliana S. Catalão e Marcele Cambeses
Editora: Duplo Sentido
Páginas: 102
Ano: 2016 (1º edição)

prox. parada

Próxima Parada é um livro de contos incrível e só por alguns fatores externos isso já fica claro: é um livro totalmente escrito e organizado por mulheres, é nacional e tem uma capa mega fofa! E mais: os contos se passam dentro de um ônibus e trazem muito do cotidiano daqueles acostumados à usar um meio de transporte público. É um daqueles livros que qualquer pessoa com uma boa imaginação tem vontade de escrever, mas acabou nunca fazendo… Bem, ao menos não até que essas garotas se reunissem e dessem vida a personagens tão reais!

Neste livro temos 7 contos, unidos, como já mencionado, pela temática do ônibus. Além disso, outra semelhança entre eles, como veremos, é que contam com dois personagens centrais, geralmente um casal. Vamos entender melhor sobre cada um desses contos?

Primeira parada — Idas e vindas (Bruna Fontes)

Esse conto retrata uma paixão cheia de vai e volta, não vai e nem volta entre Marina e Henrique, dois jovens que se conhecem desde pequenos.

“— Não dá pra você forçar as coisas só porque quer muito chegar ao ponto final”

Uma das coisas que mais gostei nesse conto foi o panorama sobre o ônibus que a Marina, narradora da história, faz logo no início, nos apresentando os tipos que se encontram no mesmo meio de trasporte que ela quase todos os dias. Mas também não posso deixar de mencionar que adorei a forma como nossos sentimentos e ações são comparadas ao movimento do ônibus ou qualquer outro meio de transporte.

“Somos todos suscetíveis a batida e perdas totais, mas a incerteza é um preço que se paga para alcançar a plenitude”

Próxima parada — sete minutos (Júlia Braga)

Já nesse segundo conto temos uma história um pouco diferente: Vanessa e Eduardo são dois amigos que, em meio a uma brincadeira, acabam tendo de se beijar e isso certamente afeta a relação deles.

O maior problema deles, no entanto, não foi simplesmente o beijo, mas o fato de ter sido o primeiro beijo de cada um deles. E mais: eles achavam (cada um consigo mesmo) que eram os únicos a nunca ter beijado. Sério, dá vontade de bater nesses dois, porque eles quase perdem uma amizade por causa de uma mera falta de comunicação!

“O que poderia ser simplesmente resolvido com um pouco de comunicação e algumas risadas para reviver o clima, havia rapidamente se tornado uma destruição de amizade”

Próxima parada — Transbordante (Thati Machado)

A história de Marcos e Naldo (Ronaldo) não é simples, pois eles são amigos de infância que acabam se afastando quando Naldo se descobre apaixonado por Marcos. Esse conto também é um belo retrato das dificuldade que um garoto (ou uma garota) passam ao se assumir LGBT.

“Meus colegas haviam desistido de mim; minha família havia desistido de mim; Marcos havia desistido de mim; e em alguns momentos, eu fazia o mesmo”

É um conto extremamente bonito e que nos traz uma bela lição.

“— Nós somos dois garotos, eu sei. Mas tive muitos anos para entender que o amor não tem gênero”

Próxima parada — Querer é poder (Vanessa S. Marine)

Neste quarto conto, narrado por Hugo, temos a história de um garoto super tímido e apaixonado por Maristela.

“Se cada pessoa é uma poesia, Maristela é o meu poema favorito”

Mas, muito mais que se ser uma simples história de amor, temos aqui um texto sobre as escolhas que fazemos na vida, e eu adoro quando encontro algo com essa temática, pois nunca é fácil ter de decidir o caminho que queremos seguir.

“— Eu só estaria com medo se eu tivesse me condenando a um caminho que eu sei que não me fará feliz”

Próxima parada — Espelho (Mel Geve)

Esse conto arrancou boas risadas de mim, simplesmente porque começa nos apresentando Augusto, um ser que fica julgando as pessoas à sua volta no ônibus como muitas vezes, querendo ou não, acabamos fazendo, principalmente quando estamos esgotados como ele.

“A menina era com certeza um daqueles casos de gente alheia à realidade. Dispersa, perdida, turista da vida real. Ainda mais com aqueles fones de ouvido gigantescos, que impediam que os pensamentos saíssem de sua cabeça”

A pessoa com quem Augusto “encrenca” em seus julgamentos é Giuliana. Mas quando eles começam a conversar, tudo muda…

“Talvez ela fosse, sim, digna do lugar em que sentava”

Próxima parada — Juntos (Tamara Soares)

Essa é uma daquelas histórias que você lê correndo porque tem certeza que vai ter confusão e fica curioso para chegar logo nessa parte. Isso porque, logo de início, a narradora começa a contar que pegou o ônibus com o ex… Vocês já imaginam, né! E pior, ele está acompanhado de outra menina!

O conto também nos conta sobre o relacionamento deles e, caramba, que conto! Tem um ótimo plot e um final muito bonito.

Próxima parada — os cinco estágios (Marcele Cambeses)

O último conto do livro é o que considero o mais poético de todos e é um conto que também traz um casal LGBT, mas agora formado por Daniele e Manuela. E é um conto que, além de tudo, serve para, uma vez mais, amarrar as histórias anteriores.

Eu realmente gostei bastante desse livro (acho que deu para perceber…) e recomendo para todos aqueles que querem ler algo bem escrito, com leituras rápidas mas que, ao mesmo tempo, se unem e se completam.

Das autoras desse livro, as únicas que eu já conhecia algo eram a Mel (Trago seu amor em 3 dias), a Bruna Fontes (A matemática das relações humanas) e a Vanessa S. Marine, que escreveu a introdução de A matemática das relações humanas. Quanto às outras autoras, esse foi meu primeiro contato e eu adorei!

Se interessou por esses contos incríveis? Adquira seu ebook (gratuito!) aqui.

 

Chuva de Estrelas – Michelle Pereira

Título: Chuva de estrelas
Autor: Michelle Pereira
Editora: publicação independente
Páginas: 13
Ano: 2018 (1º edição)

Blog das Tatianices (3)

Chuva de estrelas é um conto escrito por Michelle Pereira e publicado de forma independente, na Amazon. Não tem como não se encantar com essa capa e esse título, não é mesmo?

“Estrelas eram lindas e letais. Poéticas e assassinas”

A tal chuva de estrelas, no entanto, era um fenômeno que acontecia em Vanroe e Bessengard — reinos criados por Michelle — e não era um sinal de boas coisas.

“Algo era certo: nada de bom acompanhava a chuva de estrelas”

Ao longo das páginas deste conto — que está dividido em seis capítulos — acompanhamos a jornada do discípulo de Vernam, um rapaz que deve servir seu imperador, carregando a joia de Vernam, uma joia em que havia demônios presos, demônios que tentavam convencer seu portador a não levar tal joia para onde ela deveria ser levada. É quase como nossa mente, quando tenta nos convencer de algo que sabemos não ser como ela insiste que é.

“Por que a obrigação de um primogênito morto passaria ao caçula? Era ilógico. No entanto, não era seu dever questionar”

A chuva de estrelas acompanha nosso protagonista de forma incessante. Ela pode ser um fenômeno lindo, mas, como já dito, ela é extremamente perigosa e machuca sem que as pessoas sintam os ferimentos. E o jovem rapaz nada pode fazer além de lutar contra essa natureza violenta. E a gente torce por ele, mesmo sem conhecê-lo tão bem assim!

Esse é um daqueles contos que nos fazem prender a respiração e devorar cada linha, até a última página. E ainda deixa um gostinho de quero mais, mas sem deixar de apresentar uma história completa e fechada. Parece até doido pensar o quanto de história a Michelle conseguiu colocar em apenas 13 páginas!

Ficou curioso com esse conto? Aqui você pode encontrar mais sobre ele.

Alegórico ser – Dalton Menezes

Título: Alegórico ser
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2019 (1º edição)

Alegórico ser

A resenha de hoje é sobre outro conto incrível do autor parceiro Dalton Menezes. E por que eu gostei tanto desse conto? Porque ele realmente me surpreendeu, principalmente o final, que obviamente não revelarei aqui.

“Não existem formas melhores, piores ou fórmulas mágicas para a vida. Existe aquilo que funciona ou não para si”

Em Alegórico ser nós conhecemos Yorick, um homem que, através de um diálogo com seu terapeuta, nos mostra muita inteligência e reflexão sobre aspectos variados da vida (e da morte, por que não?). Ao longo desse diálogo, portanto, vamos conhecendo esse personagem intenso e complicado.

“O pior lugar para se frequentar e ter contato com demônios não era no inferno, mas, sim, em nossas mentes”

Através das falas de Yorick — e das cutucadas de seu terapeuta — também vamos percebendo que o personagem compreende a complexidade de seu ser e das relações humanas.

“Não há nada mais triste que fazer as pessoas que te amam, que te apoiam e que te compreendem, sofrer”

Mais que isso, porém, o diálogo que se dá entre Yorick e seu psicólogo nos faz pensar sobre muitos aspectos de nossas próprias vidas e a cada página é uma nova reflexão que surge.

“Viver sem ser engolido por esse furacão, o amor, por ao menos uma vez, certamente é não ter aproveitado e dado à vida algum valor real”

É difícil não se identificar com Yorick em algum aspecto. Suas falas são carregadas, acima de tudo, de humanidade. Esse personagem demonstra profundidade nos sentimentos que conhece e também na complexidade da mente humana.

“Nossa mente viaja mesmo, hein?”

Alegórico ser é uma leitura rápida, por ter uma extensão curta, mas certamente você sairá dela com a mente a mil, refletindo sobre algo do que leu. E afinal, não é para isso que lemos, para nos transformarmos e crescermos?

“Suas fraquezas só serão fraquezas se assim as considerar, nesse caso, seja quem for, poderá usá-las contra você, caso contrário elas não terão poder algum sobre isso”

Se interessou pelo conto e ficou com vontade de refletir sobre a vida? Ele está disponível em ebook aqui.

A odalisca em mim – Cínthia Sampaio

Título: A odalisca em mim 
Autor: Cínthia Sampaio 
Editora: publicação independente 
Páginas: 17
Ano: 2018

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A odalisca em mim é um conto hot escrito pela carioca Cínthia Sampaio. Como não posso contar muita coisa aqui, para evitar spoilers, vou aproveitar essa leitura para falar um pouco sobre o formato de um conto.

Por ser uma narrativa breve — sendo menor que uma novela ou romance — o conto conta com poucos personagens, lugares e apenas um clímax, que é o ponto alto da história. Vejamos como cada um desses elementos aparecem em A odalisca em mim:

  • Os personagens do conto são apenas três: a protagonista, seu namorado e a figura misteriosa que aparece no sonho da protagonista e a leva à loucura.

“Despertei em um arquejo e senti como se alguém tivesse me expulsado do sonho mais lindo que já tive”

  • O espaço de um conto deve ser reduzido. No caso de A odalisca em mim toda a história se passa em um quarto. Bem, na realidade, aparecem dois quartos na história: o quarto do sonho da protagonista e o quarto real em que ela se encontra.
  • O tempo também é curto, e aqui temos apenas a duração de um sonho e um breve diálogo que acontece quando a protagonista acorda desse sonho.
  • A cronologia deve ser linear e essa é uma das coisas mais interessantes de A odalisca em mim: o sonho vai se desenrolando aos nossos olhos e vamos acompanhando as sensações da protagonista, podendo vivenciar o ápice e a surpresa pelos olhos dela.

“Eu me sentia plena. Sabia que ninguém no mundo saberia me amar tão bem quanto eu mesma”

  • Diálogos são um elemento importante em contos, pois ajudam na objetividade dos acontecimentos. Podemos encontrar diversas falas ao longo de A odalisca em mim, seja entre a protagonista e o personagem de seu sonho, seja entre a protagonista e seu namorado.

Além de considerar que A odalisca em mim segue muito bem as características de um conto, o que mais me cativou nessa leitura foi o fato de que, para além de uma história hot, trata-se de uma narrativa sobre autoconhecimento e isso realmente me surpreendeu. É uma leitura realmente rápida e muito bem pensada!

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Fome – Knut Hamsun

Título: Fome
Original: Sult
Autor: Knut Hamsun
Editora: Itatiaia
Páginas: 156
Ano: 2004
Tradução: Adelina Fernandes

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Com o perdão do trocadilho de mau gosto, Fome foi um livro que eu não devorei, mas que me fez pensar bastante ao longo da leitura. E se o título parece estranho, logo nas primeiras páginas ele passa a fazer sentido, nos apresentando um homem que não possui quase nada e que passa todo o livro em busca de trocados para sobreviver.

“Sentado naquele banco, sentia crescer dentro de mim a aversão por esse Deus que consentia que tão insuportáveis amarguras caíssem sobre o meu ser”

Fome (p.22)

Vale notar, também, que nosso protagonista é tão miserável que sequer recebe um nome, enquanto outros personagens são nomeados ao longo da história.

“Como tudo me parecia triste. Já nem chorava: estava excessivamente fatigado”

Fome (p.76)

Fome também é um livro que reflete bem os sentimentos do ser humano: nosso protagonista começa o dia feliz, de repente se irrita com algo, depois enxerga algo pequeno e belo, para logo em seguida agir como um louco e, novamente, acalmar-se. E como a história é praticamente um imenso monólogo, conseguimos experimentar essas sensações ainda mais a fundo.

“Não vira eu frustrados os meus melhores desejos? A paciência esgotara-se e estava disposto a tudo”

Fome (p.90)

O protagonista de Fome sonha com o dia em que escreverá algo que lhe dará muito dinheiro. Para alcançar esse momento, portanto, passa seus dias vagueando pela cidade e escrevendo crônicas e artigos, que tenta vender para o jornal da cidade, em troca de um dinheiro que pouco dura nas mãos desse personagem.

É engraçado como eu ficava muito feliz quando algum dos textos do protagonista era aceito no jornal, mas também ficava brava em vê-lo gastando esses trocados com a certeza (inexistente) de que logo ganharia mais.

O livro está dividido em quatro partes e não há capítulos. Também não há uma diferença muito grande entre uma parte e outra, a não ser o fato de que sempre temos a sensação de que a parte seguinte trará momentos mais fáceis para o personagem.

É interessante perceber como o autor de Fome consegue sustentar essa história por um bom tempo e com tão pouco: só temos um protagonista — miserável — e toda a história acontece em apenas um local, a cidade de Cristiânia (que descobri que hoje trata-se de Oslo, capital da Noruega). Ainda assim, como disse anteriormente, trata-se de uma obra que nos apresenta muitos sentimentos e, para além dos já mencionados, há até episódios de um quase romance que, uma vez mais, nos enche de falsas expectativas para o nosso protagonista.

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