Conectadas — Clara Alves

Título: Conectadas 
Autora: Clara Alves 
Editora: Seguinte 
Páginas: 320 
Ano: 2019

Sinopse

Ser uma garota gamer não é fácil. Principalmente quando um romance está em jogo.

Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais ― pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina.

Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir ― muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer.

Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?

Resenha

Falar de Conectadas certamente não é uma tarefa fácil, seja porque este é um livro que já foi lido por tantas pessoas, seja porque ele aborda temáticas diversas e importantes. Mas não custa nada tentar trazer um pouco da minha experiência aqui, não é mesmo?

“— Não importa se as pessoas vão se decepcionar. Se você não for verdadeira consigo mesma, a vida perde o sentido”

Raissa é uma adolescente que vive em Sorocaba, tem um melhor amigo que é quase como um irmão — o Léo — e vem de uma família bem estruturada, com pais presentes.

Porém nem tudo são flores: Raissa é lésbica. O que não seria um problema, claro, se vivêssemos numa sociedade minimamente decente. 

“Se eu não precisasse passar por nada disso, talvez a vida fosse mais fácil”

E, para piorar, Raissa é adolescente. Uma fase já tem cheia de inseguranças, mas que, devido à sua orientação sexual, fica ainda mais complicada, fazendo com que ela viva à sombra daquilo que poderia viver se pudesse tranquilamente se assumir.

“Será que se eu não morasse em Sorocaba, se meus pais tivessem crescido em um ambiente mais diverso como São Paulo, eu teria mais coragem de me assumir?”

Por outro lado, temos Ayla, também adolescente, mas com problemas que parecem um pouco mais complicados, porque não envolvem somente a sua sexualidade. A mãe de Ayla descobrira a traição do pai e, desse então, eles vivam numa guerra fria, na qual Ayla é a principal arma de batalha.

“Mentiras destruíam pessoas”

Ayla vive em Campinas e sabe — mesmo que não queira acreditar — que é bissexual.

“Ayla fazia isso constantemente. Ficava se esquivando de falar sobre seus sentimentos”

O que une essas duas garotas que, apesar de morarem em cidades próximas, estão tão distantes uma da outra? Feéricos, o jogo online do momento.

“Mas chega um momento da vida em que é preciso aceitar a derrota antes que a frustração te consuma”

Raissa sempre fora apaixonada por esse jogo, mas ela logo percebeu que não seria fácil ser mulher e gamer e, por isso, acabou criando um avatar masculino para si.

“Nesta época aprendi que esse universo podia te acolher como nenhum outro, mas também podia te massacrar num piscar de olhos”

Quando viu Ayla, novata no jogo, pedindo ajuda, não hesitou em ser gentil. Só que ela não imaginava que essa ajuda se tornaria uma forte amizade e, claro, uma paixão.

“Ayla era o destino da viagem pela qual eu mais ansiava. O que só tornava tudo o que eu estava fazendo ainda pior”

E ela não poderia imaginar ainda mais que elas logo teriam a oportunidade de se conhecer pessoalmente. O que, claro, era um grande problema, porque mesmo já tendo feito chamadas de vídeos, Raissa contava com a ajuda de Leo para manter seu disfarce.

“Sabe quando as coisas vão virando uma bola de neve e você não tem chance de voltar atrás?”

Em meio a todas essas confusões e sentimentos, como já se pode imaginar, Conectadas consegue trabalhar temáticas como diversidade (em seu sentido mais amplo), medo, machismo, inseguranças e sonhos.

“A Ayla era uma garota incrível e inteligente e parecia gastar energia demais tentando ser alguém que não era”

Um jogo online e duas garotas buscando seu lugar no mundo, usando a tecnologia para fugir de uma realidade que não as agrada, da mesma forma que muitos de nós, leitores, fazemos com os livros. 

“Ele foi meu motivo para seguir em frente desde que nos conhecemos”

Duas garotas que conseguem estar tão próximas, mesmo distantes, passando por muitas dúvidas, frustrações e angústias.

“Às vezes parecia que havia um oceano inteiro entre nós”

A narrativa é alternada entre as Raissa e Ayla, o que nos permite conhecer melhor cada uma e todo o contexto em que vivem.

“Ela era especial demais para ser esquecida”

Se você busca uma leitura capaz de aquecer seu coração, ao mesmo tempo em que aborda temas importantes para jovens numa linguagem acessível e interessante, acaba de encontrar uma bela recomendação: Conectadas fala sobre jogos online, livros, filmes e sexualidade com uma naturalidade deliciosa.

“Eu nunca admitiria, mas era do tipo que ainda acreditava em amor verdadeiro”

Clique abaixo para garantir seu exemplar físico ou digital e não deixe de seguir a autora em suas redes sociais (Instagram | Twitter | Site), porque tem muito mais coisa boa dela para conhecer.

Citações #68 — Luzes

Hoje é dia de reviver o aclamado Luzes, do Leblon Carter, com alguns dos quotes que ficaram de fora da resenha.

“Não é fácil escrever”

Esta foi uma obra que, conhecendo um pouco do autor, me fez identificar alguns de seus traços no personagem principal.

“Ser um escritor claramente me torna um viciado em desculpas para escrever”

“Mas é que, às vezes, ainda dói, sabe? Fazer tudo sozinho e o tempo todo”

Além disso, a história, em diversos momentos, nos faz pensar sobre a importância de não nos deixarmos em segundo plano, coisa que não é tão simples assim para muitos de nós.

“Como se importar mais com as outras pessoas pode ser uma coisa legal? Eu não deveria me preocupar mais comigo?”

“Mas, como se controla isso? Como você aprende a ouvir mais os seus sentimentos do que os das outras pessoas?”

Isto também nos leva a outras passagens que tratam dos nossos sentimentos mais íntimos e da nossa forma de nos colocarmos no mundo.

“Nem tudo é culpa sua. O mundo não gira ao seu redor, mesmo que pareça, às vezes”

“O problema é quando você sente tanto que acaba sentindo sozinho, por dois”

“Existem pessoas que são como rochas. Não adiantava tentar senti-las, entendê-las ou analisá-las. Era como se houvesse uma forte camada blindada e impenetrável revestindo sua pele e seus pensamentos”

“E era assim que pessoas amargas se moldavam: quando estavam ocupadas demais, prestando atenção nos outros, enquanto sua própria vida virava uma bagunça”

A dualidade do ser humano (e todas as nuances dentro dela) também se faz presente ao longo dessas páginas.

“É engraçado como o conceito de bem ou mal parece tão simples quando somos mais jovens”

E apesar de toda a carga emocional, a narrativa consegue transmitir uma leveza que nos lembra que, apesar de tudo, o que queremos é apenas uma felicidade tranquila e genuína.

“Por que o mundo sempre parece ficar em câmera lenta quando observamos algo que nos fascina?” 

“Mas eles pareciam felizes, juntos. Assim como eu queria estar”

Se você ainda não leu a resenha de Luzes, não deixe de ler. Depois disso, garanto que você vai querer correr para garantir o seu exemplar digital desta história.

Romance concreto — Aimee Oliveira

Título: Romance concreto 
Autora: Aimee Oliveira 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 341
Ano: 2019

Sinopse

O que um chiuaua não-adestrado, uma loja sendo demolida, o demolidor da loja em questão e Olivia Liveretti têm em comum?
Isso mesmo: nada.
Principalmente porque o tal demolidor se encontrava completamente coberto de cimento e grosserias. Sendo assim, quando esses quatro elementos se reúnem, numa tarde nublada de segunda-feira, algo estranho acontece. E continua acontecendo à medida que Olivia Liveretti passa a conhecer as razões pelas quais Jonas Caruso continua a demolir a sua querida loja de quinquilharias apesar de seus protestos.
A “Kinki quinquilharias e afins” nunca mais será a mesma.
E Olívia também não.

Resenha

Logo no começo de Romance concreto me veio à mente se eu deveria continuar a leitura, se ela de alguma forma me atrairia em algum ponto. Mas a cada vez que a dúvida batia eu pensava “vou ler mais um pouco e qualquer coisa eu largo”. De repente, porém, eu não queria mais largar. Pelo contrário: queria ler mais e mais e sentia falta dos personagens quando não estava lendo (e sim, quando terminei, ficou aquele vazio de saudade também).

“Sonhos mudam, criança”

As minhas dúvidas iniciais se deram porque achei que a protagonista seria insuportável. Mas como ela mesma aprende ao longo desta história, não podemos julgar as pessoas sem conhecê-las.

“Fiquei chocada com a superficialidade do meu próprio pensamento, mas tive que fazer isso sem olhar para a câmera ou demonstrar emoção”

Olivia Liveretti era influencer conhecida, mas seus dias de glória já não eram uma realidade.

“A conta bancária de Olivia Liveretti já tinha visto dias melhores”

Ainda assim, a conhecemos justamente quando a curva do sucesso está em declínio e ela se recusa a aceitar isso. Então, a primeira impressão que temos desta protagonista é a de uma menina mimada e prepotente.

“Imagina só, Olivia Liveretti exausta pelos cantos. Essa era uma informação que jamais poderia vazar. Por isso sempre que saía, mesmo que fosse para levar Django na rua, escondia minhas olheiras com um montão de maquiagem”

Django é o cachorrinho de Olivia, e por menor que ele seja, tem um papel essencial nesta história. É graças a ele que Olivia acaba esbarrando pela primeira vez com Jonas. E a partir daí o destino deles irá se cruzar de diversas maneiras.

“Quem diria que a demolição de um imóvel podia afetar tanto o emocional de uma pessoa?”

De maneira extremamente leve, Romance concreto nos leva a refletir sobre o universo digital e o quanto muitas pessoas acabam deixando de viver o que realmente importa: o mundo aqui fora.

“Era uma pena a vida não ser um texto que dava para cortar e editar”

Aos poucos, a narrativa também vai pincelando o poder das escolhas e a importância de seguirmos os nossos sonhos, mesmo que, em algum momento, eles mudem. E eles vão mudar, cedo ou tarde.

“Como se existisse esse negócio de se desculpar por sonhar as coisas que a gente sonha”

Outra reflexão importante desta história é o valor da amizade, ainda mais num meio tão superficial quanto os das relações virtuais.

“Nunca pensei que amizade com pessoas da minha idade poderia ser tão despreocupada como era a minha relação com Thaíssa”

E ainda tem espaço para que conflitos familiares se façam presentes, nos mostrando que qualquer família está sujeita a cobranças sem sentido que apenas estragam o relacionamento entre os familiares.

“Não importava o que eu fizesse, fosse bom ou ruim, eles sempre terminavam balançando a cabeça no ritmo da decepção”

Romance concreto se passa no Rio de Janeiro e, por mais que boa parte da história aconteça basicamente nos arredores da casa de Olivia, também temos a oportunidade de visitar, sob a perspectiva dela, a periferia.

“Morei minha vida inteira nessa cidade, mas nunca a tinha visto por esse ângulo”

Chega até a ser surpreendente que Olivia não se incomode de ir para a periferia da cidade, de trem. Algo que eu jamais esperaria da protagonista do começo do livro.

“Tudo era muito novo pra mim. Talvez fosse por isso que eu estivesse encontrando dificuldades em saber como lidar”

O espaço central de todo o conflito desta narrativa, contudo, é a loja Kinki, uma loja de quinquilharias que, segundo a narradora (e protagonista) foi o berço de seus sonhos trabalhistas.

“Sabia que deveria me sentir agradecida, mas na realidade eu ficava um pouco sentida por algo que um dia guiou minha vida inteira ficar cada vez mais no passado”

O livro começa justamente quando, levando Django para passear, Olivia descobre que a Kinki está sendo demolida e fica indignada com isso.

“A verdade doía às vezes”

Um ponto que me chamou a atenção ao longo da narrativa, para além dos temas que foram muito bem introduzidos, foram os diversos jogos de palavras feitos por Olivia.

“Eu era a rainha dos contornos, tanto nos olhos quanto na vida”

Uma história muito gostosa de ser lida para passar o tempo e que, apesar de parecer banal, pode trazer algumas interessantes reflexões (e lágrimas).

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Algumas palavras “intraduzíveis” em outras línguas [tradução 31]

Aproveitando o barco da resenha desta semana, e com uma pequena (alta) dose de loucura, hoje eu resolvi traduzir um artigo sobre palavras italianas que não têm tradução em outras línguas. Contraditório? Talvez! Mas fique até o final para entender como isso seria possível.

Cheguei ao texto em questão através da newsletter da Treccani, a famosa enciclopédia italiana. Ele foi escrito por Eva Luna Mascolino, tendo sido publicado originalmente em novembro de 2022, no illibbraio.it.

E aí, me acompanha neste desafio?


Como traduzir uma palavra que serve de reforço, como “mica” ou a interjeição “boh”, sem recorrer a uma perífrase? E como explicar conceitos como o de “meriggiare”, de “struggimento” ou de “abbiocco” para quem não fala a nossa língua? Uma curiosa e fascinante análise de palavras que existem (quase) somente em italiano… 

Conhecida também como a língua do sim, graças à conhecida divisão dos idiomas românicos na obra de Dante Alighieri, o italiano é há séculos repleta de termos poéticos, vocabulários multifacetados e palavras tão pontuais que não podem ser facilmente explicadas para quem não conhece essa língua, ou para quem busca traduzi-la com perfeição.

Como geralmente acontece em muitos sistemas linguísticos, de fato, existem conceitos enraizados de tal forma na cultural local ou com uma história etimológica tão característica que existem (quase) apenas no nosso país: a seguir, uma análise dedicada a alguns dos exemplos mais curiosos e fascinantes disso, para refletir sobre a unicidade dos ternos que usamos cotidianamente e conhecer melhor as suas origens.

Vamos nos debruçar, então, em algumas palavras italianas “intraduzíveis” em outras línguas:

Abbiocco

Termo italiano regional, cada vez mais difundido em toda a península, abbiocco é uma palavra que deriva de galinha, ou seja, um animal que, por excelência, está em uma posição recolhida, agachada, para chocar os ovos. A partir disso, começou a indicar uma pessoa que enrosca-se em si mesma porque está muito cansada, como já podíamos ler, por exemplo, no romance Meninos da vida, de Pier Paolo Pasolini. E assim, nos dias de hoje, o intraduzível abbiocco italiano define o comportamento de quem foi vencido pelo marasmo, principalmente depois de ter consumido uma farta refeição. Em inglês só é possível traduzir com um sintagma (food coma), assim como em francês (coup de pompe o coup de barre) e em muitas outras línguas estrangeiras.

Boh

Escutamos essa palavra ser pronunciada algumas tantas vezes ao dia e, contudo, a interjeição boh que comumente exprime para nós o conceito de incerteza é tudo, menos compreensível, em outras partes do mundo. Não existem, de fato, correspondentes tão rápidos e incisivos em outros sistemas linguísticos, especialmente se levamos em conta que além de significar não sei ou não tenho ideia, o monossílabo boh também pode exprimir o ceticismo de quem fala, ou até mesma a irritação, o desconcerto, a perplexidade. Por isso, há anos, circula nas redes manuais para o uso do boh, que ajudam quem está aprendendo italiano e quer se familiarizar com as nuances e com as possíveis exceções desta curiosa palavrinha.

Magari

Continuamos no tema das interjeições e focalizamos agora na palavra magari, proveniente do grego μακάριος (makàrios, pt. feliz) e que inserido em uma exclamação é sinônimo de eu adoraria, realmente gostaria, enquanto como função adverbial pode substituir o mais frequente forse (talvez). O seu fascínio reside na dificuldade de captar todas as possíveis implicações, a partir do momento em que, com base no contexto, pode exprimir uma sensação de esperança, de felicitação, de arrependimento, ou de dúvida: esse é o motivo pelo qual em línguas como o inglês, por exemplo, podemos traduzi-lo como if only, mas também como I wish ou ainda como you wish, sem que exista, contudo, apenas um correspondente igualmente polissêmico.

Meriggiare

Meriggiare pallido e assorto / presso un rovente muro d’orto, / ascoltare tra i pruni e gli sterpi / schiocchi di merli, frusci di serpi: é assim que se abre uma poesia de Eugenio Montale, na qual o protagonista é justamente esse vocabulário áulico, mas atualmente em desuso, tão amado pelos intelectuais italianos desde Burchiello até chegar, no século passado, ao já mencionado escritor genovês e ao “poeta vate” Gabriele D’Annunzio. Trata-se, neste caso, de uma condição comportamental, que mais detalhadamente significa em repouso e na sombra das primeiras horas de uma tarde de sol. Em outras palavras, em um estado de calmaria, em contato com a natureza.

Mica

E sempre a propósito de palavras italianas “intraduzíveis” em outras línguas, talvez não todos saibam que em latim a mica equivalia a uma migalha de pão, exatamente com acontece ainda hoje em algumas zonas do norte da Itália, nas quais a michetta é um precioso tipo de pão. E como uma migalha, na atualidade, mica tornou-se um advérbio que pode ser encontrado em qualquer lugar, de perguntas a exclamações enfáticas. A sua função, de fato, é aquela de reforçar uma negação (exemplo: não sei mesmo quem é o assassino deste livro), que, consequentemente não é nem um pouco fácil de traduzir: em inglês se poderia recorrer a it’s not as if, at all, certainly e afins, mas se tratam sempre de perífrases genéricas e bem mais longas, que não correspondem totalmente ao original.

Struggimento

Vamos concluir com um substantivo de retrogosto melancólico e romântico, o struggimento, cuja etimologia está relacionada ao verbo latino destruere. Se considerarmos que antigamente a palavra significava desfazer, liquefazer ou reduzir a nada, entendemos facilmente como hoje, em italiano, esteja associada à ideia de um pensamento nostálgico e impossível de realizar, que consome pouco a pouco tanto a nossa mente quanto o nosso corpo, e que geralmente se deve a um amor atormentado. Pode parecer estranho, contudo não são muitas as línguas nas quais se pode expressar a mesma faceta da dor com um substantivo tão específico que não seja, por exemplo, um genérico heartache ou torment.


Gostou desta tradução? Não deixa de me contar nos comentários se você já conhecia alguma das palavras apresentadas aqui e como você as traduziria para o português.

Albert, o pequeno morador de Plutão — Olívia Couto Borges

Título: Albert, o pequeno morador de Plutão — Alberto il piccolo abitante di Plutone 
Autora: Olívia Couto Borges 
Editora Letraria 
Ano: 2022 
Versão em italiano: Tatiana Iegoroff 
Ilustrações: Lucymar Rodrigues

Sinopse

— Você sonha, papai? — perguntou Albert.— Há muitos sonhos nesse centenário coração, meu filho, e o maior deles é se comunicar com o Planeta Azulado. Contar aos seres humanos que há outros lugares povoados, há muitas moradas no Universo, e tudo está interligado.— Confia, pai. Feche os olhos, bem apertado, buscando se imaginar lá. Pronto! Logo chegará a hora da Terra nos alcançar. Sabe por quê? — continuou o menino, inclinando seu corpinho para o Alto. — Não há quem possa deter os planos da eternidade. E você, já parou para sonhar? Mesmo que acorde sem sonhos, ainda, pode inventá-los!

— Sogni, papà? — chiese Alberto.— Ci sono molti sogni in questo cuore centenario, figlio mio, e il più grande di essi è quello di comunicare con il Pianeta Azzurro. Raccontare agli esseri umani che ci sono altri luoghi popolati, esistono molte abitazioni nell’ Universo e tutto è collegato.— Fidati, papà. Chiudi gli occhi, molto strettamente, e cerca di immaginarti lì. Ecco fatto! Presto arriverà il momento in cui la Terra ci raggiungerà. Sai perché? — continuò il ragazzino, inclinando il suo corpo verso l’alto. — Non c’è nessuno che possa fermare i piani dell’eternità.E tu, ti sei mai fermato a sognare? Anche se ti svegli senza sogni, puoi sempre inventarli!

Resenha

A resenha de hoje não será muito longa, mas (ao menos para mim) será muito especial. Isto porque a obra em questão contou com uma colaboração minha e, por isso, tive a sorte de não apenas conhecê-la antes de todo mundo, mas também de acompanhar seu processo de criação.

Albert, o pequeno morador de Plutão é um livro infantil com uma proposta muito interessante: trata-se de um livro bilíngue, com todo o texto escrito em português e em italiano (acho que já deu para imaginar onde entro nessa história, né?).

Uma coisa que para mim é muito evidente, justamente porque ajudei a passar o texto para o italiano e foram muitas conversas para tentar colocar tudo isso em outro idioma também, é a sonoridade que esta história tem, contando inclusive com algumas belas rimas.

“Durante o trajeto especial, Albert ficou encantado! – Ah, como o universo é maravilhoso – pensava ele deslumbrado”

Outra coisa que encanta na obra são as ilustrações: elas permeiam todo o livro e são compostas por coloridas aquarelas.

Não podemos ser injustos, porém, e fazer parecer que este livro se resume à sua sonoridade e às suas ilustrações: a narrativa também traz muitas coisas boas para quem se aventurar por ela.

” O ser humano se acostumou com a batalha, mas não poderia”

Um texto que nos ensina sobre Plutão, rebaixado em 2006 a planeta anão, mas que não deixa de ter seu encanto, com uma mancha em formato de coração (juro que essa rima aqui não foi proposital, provavelmente foi inspiração da leitura!).

É justamente este um dos elementos apresentados nesta história, que nos mostra o pequeno Albert querendo ajudar seu pai, Galileu, a se comunicar com a Terra.

“Galileu precisava dialogar com esse planeta o mais rápido possível, porque quando se demora muito na escuridão, logo logo a luz se apaga, por toooooda imensidão”

Esse fato também permite que a autora nos faça refletir sobre a vida humana e sobre a violência e as mazelas que nos cercam. Ela também pontua a importância da comunicação e ainda consegue trazer alguns fatos científicos que podem despertar a curiosidade dos pequenos, ou ao menos ser uma porta de entrada para que os pais apresentem este mundo a eles.

“— Querido Albert, como você pôde ver, a fórmula da comunicação está gravada no coração, por isso nem todos conseguem ler”

Albert, o pequeno morador de Plutão é um livro para ser lido, principalmente em voz alta, tanto em português quanto em italiano, para que os leitores possam usufruir de toda a magia que esta narrativa pode nos oferecer. E, claro, é um livro para crianças e adultos, extremamente interessante para uma leitura conjunta e dialogada.

Se você se interessou por ele, pode adquirir um ebook no site da própria Editora. Para exemplares físicos, o ideal talvez seja entrar em contato com a autora. Também recomendo que você assista à live de lançamento do livro, que contou com participação da autora e da ilustradora. Uma ótima maneira de conhecer ainda mais esta linda obra.

Carrie Soto está de volta — Taylor Jenkins Reid

Título: Carrie Soto está de volta 
Original: Carrie Soto is back 
Autora: Taylor Jenkins Reid 
Editora: Paralela 
Páginas: 352 
Ano: 2022 
Tradutor: Alexandre Boide

Sinopse

A tenista Carrie Soto se aposentou no auge, com a tranquilidade de ter atingido um recorde imbatível: foram vinte títulos Grand Slam conquistados ao longo de sua carreira. Mas apenas cinco anos depois de seu retiro das quadras, ela assiste Nicki Chan igualar sua marca, trazendo a sensação de que seu legado está comprometido. Disposta a chegar aos seus limites, Carrie tem o apoio de seu pai, Javier, ex-tenista que a treina desde os dois anos de idade. Ele parece ter seus próprios motivos para incentivar a filha nesta última temporada que promete desafiar ambos num jogo que exige tanto física quanto mentalmente. Em uma inesquecível história sobre segundas chances e determinação, Taylor Jenkins Reid nos cativa com uma protagonista forte como sempre e um romance emocionante como poucos.

Resenha

Preciso começar esta resenha destacando que Carrie Soto está de volta não foi um livro que me prendeu de início, mas que depois me deixou totalmente rendida.

“Você não precisa provar nada para ninguém. Só precisa ser quem você é”

Acredito que parte da demora em me conectar com a história vem do fato que Carrie não é uma personagem cativante. Mas as poucos vamos entendendo que ela tem de ser exatamente assim para que a narrativa funcione e faça a sua mágica. Esta não é uma personagem que veio para se tornar adorada, mas para ser quem é.

“As pessoas agem como se fosse impossível esquecer seu próprio nome, mas, se você não tomar cuidado, pode se afastar tanto do que sabe a respeito de si que deixa de se reconhecer como a pessoa que um dia foi”

Logo de cara conhecemos Javier e Carrie Soto. Pai e filha, ases do tênis.

“Meu pai se mudou de Buenos Aires para os Estados Unidos aos vinte e sete anos. Tinha sido um excelente tenista na Argentina, ganhando treze títulos em onze anos de carreira. Era chamado de ‘Javier el Jaguar’. Era elegante, mas mortal”

Também ficamos sabendo, ainda no começo da história, que a mãe de Carrie morrera quando esta era bem pequena. 

“Minha maior lembrança mesmo é do vazio que ela deixou para trás. Na minha casa, havia sempre a sensação de que antes tinha mais alguém lá. Mas no fim ficamos só meu pai e eu mesmo”

Esse é um detalhe que, como percebemos mais adiante, contribui em grande medida para a personalidade de Carrie. Influencia em seu medo de amar, ao mesmo tempo em que deixa o caminho livre para que Javier dê tudo de si para transformar a filha numa grande campeã.

“Seus sonhos haviam sido realizados. Os meus, não”

Acontece que essa sede por vitórias se entranha de tal forma na protagonista que ela passa a viver somente para isso: ganhar. E acaba deixando de lado todo o resto da vida que poderia viver também.

“Não tinha nenhuma amiga, nem no circuito, nem na vida”

O retorno ao qual o título nos remete é de Carrie às quadras, após cinco anos de sua aposentadoria. E, claro, esse retorno se dá porque ela está prestes a perder o seu recorde.

“Tudo o que nós conseguimos é efêmero. Em um segundo está na nossa mão, em seguida não está mais”

Mas o esporte, assim como qualquer profissão que exige muito de nosso corpo, não é algo que se possa fazer indefinidamente, assim como não é algo que conseguiremos executar da mesma maneira eternamente. Carrie, contudo, é teimosa e não vai desistir de tentar. 

“É enlouquecedor me esforçar tanto quanto antes e não conseguir os mesmos resultados”

Nos primeiros capítulos deste livro, somos apresentados ao antes, aos anos de ouro de Carrie e sua trajetória até eles.

“Alguns homens têm permissão para estender indefinidamente sua infância, mas as mulheres sempre têm um trabalho a fazer”

Depois, passamos a acompanhar o retorno de Carrie às quadras: seus treinos, suas buscas pela forma e pela perfeição. Mas, principalmente, acompanhamos todo o aprendizado que essa experiência traz para a protagonista e toda a transformação interna pela qual ela, pouco a pouco, vai passando.

“Dar tudo de si e mesmo assim não conseguir. Nunca chegar lá e ainda ter que aparecer todo dia com um sorriso no rosto?”

Se engana quem pensa, porém, que este é um livro somente sobre breakpoints, games e sede de vitória. O que me conquistou ao longo desta narrativa foi perceber que há muito mais nas entrelinhas

“Mas é claro que não existe certo ou errado. Tudo depende do ponto de vista”

Conforme Carrie avança em seu retorno às quadras, ela tem de lidar com frustrações, cobranças — principalmente internas — e sentimentos que, por anos, ela não se permitiu sentir.

“É preciso saber aproveitar o embalo quando está dando tudo certo e ter força para nadar contra a corrente quando a maré vira”

A construção da narrativa também permite que se façam críticas — muito bem inseridas na história —, à nossa sociedade, principalmente com relação ao machismo

“Uma das grandes injustiças do mundo corrompido em que vivemos é que se considera que as mulheres vão decaindo com a idade, e que os homens, por algum motivo, vão se tornando mais profundos”

Mas o que mais chamou minha atenção foi o fato desta não ser nem de perto uma história de amor (romântico) e, ainda assim, conseguir dar umas boas pauladas sobre o tema.

“Quanto maior é a felicidade no início, pior é a tristeza no fim”

Além de Javier e Carrie Soto, outro personagem importante nesta narrativa é Bowe Huntley, que, ao contrário da protagonista, consegue ser cativante, mesmo que, num primeiro momento, não seja apresentado como o melhor dos homens.

“Sei que você só estava tentando… cuidar de mim. E eu não sou uma pessoa fácil de ser cuidada”

Claro que isso acontece principalmente porque a história é narrada em primeira pessoa, o que torna ainda mais enviesada a nossa visão.

“Quando acelero a cena na minha mente, mal consigo suportar o que vejo. Ele vai dizer alguma coisa encantadora em algum momento, e eu vou começar a acreditar que é verdade, apesar de todas as evidências em contrário. E vou começar a gostar dele, ou vou me apaixonar por ele, ou vou sentir uma coisa que vou achar que nunca aconteceu antes comigo. E então um dia, quando eu estiver mais envolvida, ele vai deixar de gostar de mim ou de me amar, por um motivo ou por outro. E eu vou acabar com um vazio no peito”

Sendo este o segundo livro que leio de Taylor Jenkins Reid, não posso deixar de comentar outro elemento que chama atenção em suas obras (ao menos nas que li até agora): o uso que a autora faz de diferentes gêneros textuais para compor sua história e auxiliar na construção dos personagens e dos cenários.

Em Carrie Soto está de volta, por exemplo, nos deparamos com algumas transcrições de programas esportivos e reportagens que falam, principalmente, sobre a protagonista. E essas transcrições nos ajudam a ampliar a compreensão dos elementos que compõem esta narrativa.

“E isso me deixa em um silêncio atordoado por um instante, a distância entre quem eu sou e como as pessoas me veem”

Muitas outras reflexões seriam possíveis de se fazer sobre este livro (inclusive pretendo ainda fazer outras, mas talvez não aqui) que, despretensiosamente, abarca tantos pensamentos. Porém vou deixar que você descubra por si o que mais esta história pode te reservar. Para isso, clique abaixo e garanta o seu exemplar.

Citações #67 — Mocassins e all stars

Para uma história que poderia ser só mais uma adolescente, Mocassins e all stars, da Clara Savelli, tem muito para nos fazer pensar. Por isso, hoje trago aqui alguns dos trechos que deixei de fora da resenha e que podem nos ajudar a conhecer um pouco melhor a obra. 

Ao retratar uma época complicada — os anos finais da escola — este livro acaba nos fazendo pensar sobre momentos difíceis.

“Sei lá, às vezes eu acho que você não quer ser feliz de novo. Parece que você precisa de um pouco de drama na sua vida para conseguir seguir em frente”

“Você tinha as marcas de alguém que foi pisoteada pela vida, mas que deu um belo de um dedo do meio na cara dela e saiu por cima de tudo”

“Acho que é verdade quando dizem que no fundo do poço tem uma mola, que mal ou bem vai te impulsionar para cima de volta”

A narrativa também nos faz enxergar a importância de termos boas pessoas ao nosso lado nesses momentos.

“Apesar de todos os esforços de meus amigos para me alegrar, meu mundo estava totalmente cinza”

“Os caquinhos de seu coração são unidos novamente, por aqueles que te apoiaram nos momentos difíceis, e você aprende”

Mas ela nos lembra, ainda, que algumas dores não diminuem tão facilmente, principalmente quando se trata da perda de alguém que amamos.

“Meu Dia de Ação de Graças foi um prenúncio daquilo que eu achei que ia ser o meu Natal. Vazio e incompleto”

“Eu estava me sentindo tão vazia, tão sozinha e com tantas saudades do meu pai, que precisava ocupar minha mente de alguma forma”

“O tempo não levou nada embora”

Logo no começo da história, sabemos que a protagonista Julie não apenas perde o pai, como também acaba mudando de cidade, o que contribui ainda mais para o seu sentimento de perda e de saudade.

“Acho que a saudade que eu estava fez as coisas ficarem ainda mais bonitas”

“Eu amava Nova York. Amava cada pequeno detalhe de Nova York. Acho que tendemos a sentir isso em relação à nossa cidade natal de qualquer forma”

Essa saudade é um sentimento que nos impulsiona a refletir sobre o que tínhamos.

“Não é como se reparássemos em todos os detalhes dos lugares que você costuma passar. Só vira rotina”

E também sobre quem somos.

“Minhas paredes protetoras tinham caído muito rápido e eu me sentia totalmente vulnerável”

“Crianças. Sempre com uma maneira diferente de ver a vida. Mais simples, mais colorida, mais alegre”

A dor também pode nos tornar mais empáticos.

“— Desculpa se eu estou sendo grosseira ou algo assim, mas eu só quero mostrar que tudo tem dois lados e que é muito fácil julgar quando você não está passando pela situação”

Ou simplesmente nos deixar com medo de viver e de amar.

“Parecia extremamente errado. Então, por que parecia extremamente certo também?”

“Primeiros amores são sempre os mais fortes”

Por fim, gostaria de destacar a forma como o mar é retratado na narrativa. Por mais que ele apareça poucas vezes, é nítida a sua importância para a construção da obra.

“O mar me encantava e me assustava na mesma intensidade”

“Aquele era o mar, que apesar de todas as suas belezas, tinha todos os seus segredos. E tinha levado ele de mim”

Se você se interessou por essa obra, não deixe de ler também a resenha que escrevi.

Curando meu coração — Elisio Carvalho

Título: Curando meu coração: recomeços… 
Autor: Elisio Carvalho 
Editora: Ler&Gostar 
Páginas: 133 
Ano: 2023

Sinopse

Poemas do coração, contos, poesias para ler e refletir. Livro leve cheio de reflexões e pensamentos do cotidiano. Você vai se apaixonar!

Resenha

Curando meu coração é um livro que contém prosa e, principalmente, poesia, oferecendo ao leitor não apenas versos dispostos de maneira aleatória, mas também uma história que guia a nossa leitura.

Está história, aliás, é a vida do autor, que resolveu transformar em versos os seus sentimentos e suas vivências.

“Leiamos os poemas, eles sempre podem nos responder. Ou não…”

Fica claro — porque o autor nos conta isso — que os poemas não foram escritos pensando no livro, mas a forma que o autor escolheu para reuni-los e a sequência em que estão dispostos, torna muito natural e fluída a leitura.

Como o título também evidencia, Elisio Carvalho escreve principalmente sobre seu coração e a busca pela felicidade em meio à dor. Isso porque aos 55 anos, Elísio Carvalho viu-se viúvo. Pouco tempo depois, viu-se isolado devido à pandemia. 

Mas a arte é capaz de fazer mágicas e, por meio dela, o autor foi conseguindo se sentir menos sozinho. E até mesmo abriu espaço para novos amores e alegrias em seu coração. Coisas nem sempre fáceis de se aprender, não é mesmo?

“Entendi que poderia voltar a viver plenamente após conhecê-la”

É muito interessante acompanhar a narrativa dessa obra e enxergar os sentimentos que vão surgindo e ganhando novas formas.

“Cada um de nós tem uma verdade particular”

A edição é simples, com impressão em folhas brancas, e cada capítulo possui uma ilustração colorida muito bonita, que enriquece o trabalho feito no livro.

No total, são 10 capítulos, que enumero abaixo, cada um contendo as poesias que a ele se relacionam.

  • Minha amada
  • Família
  • Masterchef
  • Cíntia
  • Lonjura
  • Mulher Plena
  • Bela Itália
  • O voo do pássaro
  • Amor adolescente
  • A vida é poesia

Curando meu coração é um daqueles livros que podemos saborear aos poucos e que nos inspiram a enxergar a vida com olhos tranquilos, amorosos e positivos. Uma leitura doce e profunda.

Se quiser conhecer de perto esta obra, não deixe de seguir o autor em suas redes sociais (Instagram | Facebook). Ou então clique aqui e garanta o seu exemplar.

TAG: No outono é sempre igual

Para variar, faz um tempinho que não respondo uma TAG aqui no Blog, então resolvi escolher esta, que combina com a época do ano em que estamos, apesar de trazer um pouquinho de todas as estações do ano.

O legal desta TAG é que ela não agrada apenas aos leitores, mas também aos fãs de Sandy e Júnior, já que as categorias são baseadas na música As quatro estações

Vi essa TAG lá no Infinitas Vidas e você pode conferir as respostas da Priih clicando abaixo.

Sem mais delongas, vamos às minhas respostas?

“A noite cai, o frio desce”: um livro que se passa em uma época fria

Devo começar esta resposta explicando que quando eu resolvo responder TAG’s por aqui, gosto de tentar usar minhas leituras mais recentes, para não ficar tão repetitivo. Mas como eu leio muitos nacionais, é difícil achar uma história que se passe numa época realmente fria… Porém, vou mencionar aqui o conto Quando a chuva passar, da Ana Farias Ferrari.

“Mas aqui dentro predomina esse amor que me aquece, protege da solidão”: um livro quentinho no coração

Bom, das leituras que já realizei este ano, sem dúvidas Arlindo, da Ilustralu.

“A noite cai, a chuva traz o medo e aflição”: um livro com uma atmosfera sombria

Correndo os olhos pelas opções, pensei em diversas nuances para esse “sombria”, mas acho que Aquela vez em Pirenópolis , do Héber Luciano, combina tanto com a palavra em questão quanto com o trecho da música.

“Mas é o amor que está aqui dentro que acalma meu coração”: um livro que você gostaria de poder viver dentro e interagir com os personagens

Ao mesmo tempo que eu poderia facilmente responder “todos”, também sinto que, no final das contas, minha timidez não me deixaria interagir com ninguém, mas tem muitos personagens da antologia Clichês em rosa, roxo e azul, da Maria Freitas, que eu adoraria conhecer.

“No outono é sempre igual”: um livro, autor ou gênero que você sempre gosta de ler nessa época do ano

Não costumo fazer leituras temáticas, principalmente com relação às estações do ano. Mas uma autora que gosto de ler sempre, independentemente da temperatura que os termômetros marcam, é a Tayana Alvez.

“As folhas caem no quintal”: um livro que trata sobre algum assunto delicado

Das minhas leituras recentes, acho que não posso deixar de mencionar Dolls (A. S. Victorian), que contém cenas de abuso, violência e ideação suicida.

“Só não cai o meu amo”: um livro com uma história de amor

Basicamente todos que eu leio, mas vou citar aqui Antes eu do que nós, da Grazi Ruzzante, capaz de nos fazer enxergar o amor de novas formas e finais felizes de maneiras inesperadas.

“Pois não tem jeito, não, é imortal”: um livro que você acha que deveria virar um clássico para que todas as futuras gerações possam ler

Nossa, difícil essa, hein? Acho que só o tempo mesmo para dizer o que pode ser ou não um clássico. Enquanto isso, eu sigo pregando que cada um leia o que quiser, desde que leia. 

Bônus

Pensando no tema desta TAG, não posso deixar de indicar outras duas obras que também retratam as quatro estações:

Um ano inesquecível, antologia de contos em que cada narrativa tem como pano de fundo uma das estações do ano. As histórias foram gravadas em audiovisual e os filmes devem estar para sair.

Os olhos claros do pássaro, livro da Valéria Macedo que resenhei está semana, no qual a autora nos conta a sua vida usando as estações do ano para nos apresentar sentimentos, vivências, acontecimentos e, claro, a passagem do tempo.

Quais seriam as suas respostas? E o que você achou das minhas? Já conhecia essas obras? A maioria delas está resenhada aqui no blog!

Os olhos claros do pássaro — Valéria Macedo

Título: Os olhos claros do pássaro 
Autora: Valéria Macedo 
Editora: Publicação independente 
Páginas: 132
Ano: 2023 

Sinopse

Adultos são crianças crescidas, que carregam dentro de si as lembranças de suas infâncias.

Neste livro, a autora, aos quarenta e cinco anos, narra como a vida a levou a destinos jamais imaginados. Como o viver em São Paulo, Miami, Paris, Londres e Washington tornou possível revisitar sua infância.

Como cada nova morada continha as respostas às suas dores de menina e ao turbulento amor por seu pai.

Ela convida, com delicadeza, o leitor a também fazer a migração mais significativa de todas, em direção a um horizonte particular e profundo que existe em cada um de nós.

Resenha

Algumas leituras que fazemos são tão boas que nos inspiram até mesmo a querer escrever mais e melhor, colocando em palavras aquilo que sentimos e vivemos.

“Compreendi que a história que vivi não era uma história excepcional, mas comum. Preencheu-me de qualidades e defeitos. Era só minha, mas todos carregavam suas próprias histórias”

Em Os olhos claros do pássaro, Valéria Macedo nos conta sobre a sua vida de uma maneira que é impossível não se encantar e se apaixonar.

“Só se aprende sobre a vida vivendo”

A narrativa começa com a autora relembrando a juventude, principalmente sua relação com o pai e com os acontecimentos que marcaram a vida daquela família.

“Nunca dividi com ninguém a realidade de dentro de minha casa. Sofria antecipadamente com a possibilidade de alguém julgar as pessoas que mais amava”

Por meio de suas palavras, podemos perceber o amor que ela sente por aqueles que a criaram. Mas que nem mesmo este amor foi suficiente para evitar, num primeiro momento, sofrimento e incompreensão.

“Penso que muito do sofrimento que sentimos na perda de alguém que amamos está em nos perdemos também”

Valéria perdeu o pai quando ela tinha apenas 22 anos. E esse acontecimento marca somente o início desta obra. Depois disso, muita água rolou, fazendo a autora enxergar com novos olhos a vida.

“O universo pode nos surpreender com aquilo que não somos nem capazes de imaginar. E se o novo não atender minhas expectativas, ele sempre me recompensará através das lições”

Se engana quem acha que esta é apenas mais uma autobiografia. Como eu disse, Valéria consegue nos contar sua vida de maneira que tudo parece extraordinário — ainda que seja simples e a própria autora carregue muita simplicidade e humildade — e poético, sem ser enfadonho.

“Nós estamos, nós não somos”

Através dos olhos e das vivências de Valéria, viajamos por Miami, Paris, Londres e Washington, acompanhando sua vida de imigrante e de  expatriada.

“Carregamos nossas raízes conosco, mas podemos ser muito mais. O que somos é maior do que o lugar onde nascemos e o lugar onde estamos”

Também acompanhamos o crescimento, o amadurecimento e as transformações vividas pela autora.

“O falar sobre o que vivemos é etapa do processo de cura. O escutar sobre o que o outro viveu é exercício de empatia e é viver as infinitas possibilidades apresentadas pelo Universo, porém através do outro”

Além disso, vemos Valéria se tornar mãe e acompanhamos com muito prazer o crescimento dessa nova família, formada por ela, seu marido e seus filhos.

“Tom me fez mãe”

A escrita deste livro é um espetáculo à parte: os mais diversos temas são tratados com delicadeza e poesia, com uma escolha de palavras que tornam ainda mais tocantes os acontecimentos.

“Meu pai era conjunto de memórias. E não seríamos todos?”

Ao longo destas páginas, acompanhamos alguns poucos, mas intensos, anos da vida da autora, recebendo um panorama muito interessante desta vivência tão especial.

“Que presente são os encontros que nos inspiram”

Essa é uma daquelas obras que, em verdade, dá vontade de destacar todas as suas linhas, por ter uma sucessão de passagens que inspiram, nos fazem refletir,  nos tocam.

“Adultos são crianças crescidas, que carregam dentro de si as lembranças de suas infâncias”

Nada mais justo, portanto, que conferir com seus próprios olhos o que Os olhos claros do pássaro te reserva. Para isso, basta clicar abaixo ou seguir a autora em suas redes sociais (Facebook | Instagram) para verificar todos os canais onde é possível adquiri-lo (são vários, não tem desculpara para não ter um exemplar físico ou digital).