Todo mês tenho tentado trazer um pouco da língua italiana para cá e agora em abril isso quase passou em branco. Mas, como se diz: meglio tarde che mai (ou, em bom português: “antes tarde do que nunca”). E ainda vim aqui para falar deles, os verbos que considero os mais importante do italiano: essere e avere.
E por que esses verbos são tão importantes? Porque além de os usarmos em muitas das informações básicas que damos sobre nós (e você já vai entender melhor isso), eles também costumam ser o verbo auxiliar em tempos compostos (por exemplo, para nos referirmos a uma ação passada, existe um tempo verbal chamado passato prossimo que é formado pelo presente do verbo essere ou avere + particípio passado do verbo principal. Mas isso é coisa para outro momento, ok?).
Abaixo, te apresentarei cada um desses verbos, com alguns exemplos e a conjugação deles no tempo presente. Vem comigo?
Il verbo essere
O verbo essere corresponde aos nossos verbos ser e estar. Vejamos alguns exemplos:
Sono Tatiana = Sou a Tatiana.
Siamo a casa = Estamos em casa.
Siete felici? = Vocês são felizes?
Dov’è? = Onde está? / Onde ela/ele está?
Sono marito e moglie = Eles são marido e mulher.
Quanto sei fortunata! = Como você é sortuda!
Depois de ler as frases acima, talvez fique mais fácil entender que a conjugação do verbo essere, no presente do modo indicativo, é:
Persona
Verbo essere
Io
sono
Tu
sei
lei / lui / Lei
è
Noi
siamo
Voi
siete
Loro
sono
Il verbo avere
O verbo avere, por sua vez, significa, ter. Mas atenção: é o ter que usamos no sentido de posse. Vejamos os exemplos:
Hanno molti soldi = Eles têm muito dinheiro.
Avete pazienza = Tenham paciência.
Ho paura! = Tenho medo!.
Abbiamo una bella casa = Temos uma linda casa.
Hai un minuto? = Você tem um minuto?
Ha 30 anni = Ele/ela tem 30 anos.
Assim sendo, a conjugação do verbo avere, no presente do modo indicativo, é:
Persona
Verbo avere
io
ho
tu
hai
lei/lui/Lei
ha
noi
abbiamo
voi
avete
loro
hanno
Esses dois verbos, além de importante, são irregulares. Isso porque, quando conhecemos a conjugação de verbos regulares, vemos que há uma regrinha bem simples de seguir, mas que não é possível aplicar em verbos como esses. O jeito é praticar bastante!
E aí, você conseguiria formar frases usando esses verbos? Deixe as suas nos comentários, vou adorar lê-las! E se tiver dúvidas, sinta-se livre para perguntar.
Sei que ainda estamos em abril (quase maio), mas posso dizer que 2021 tem sido um ano de aventuras no universo literário. Depois de Desesterro, chegou a vez de comentar sobre Raiumundo, um poema épico moderno. Você já leu algo assim?
Ao segurarmos o livro em mãos, ele pode parecer pequeno, fino. Mas desde a capa podemos ver todo um trabalho feito sobre ele. Também há ilustrações ao longo da obra, além de um prefácio muito bem escrito e que pode te ajudar a mergulhar de cabeça (e com fôlego) no principal: a poesia. Ao final, Raimundo já não parece mais tão pequeno assim…
“Eu serei tudo, a complexidade inalcançável de ser vivo. Chamo-me Raimundo, e é deste ponto que parto para conquistar o mundo”
Dividido em 3 atos, este livro nos transporta para longe e, ao mesmo tempo, para tão perto: para o nosso lado mais natural e animalesco, primitivo. Com o protagonista, partimos para a conquista do mundo. Mas que mundo?
“Sua sina divina sempre dizia: um dia dará à luz a esse mundo”
Como qualquer herói — e somos todos um pouco heróis — Raimundo passa por percalços em seu caminho e, ao longo destas páginas, nós o acompanhamos, sendo guiados — tanto nós quanto ele mesmo — por um narrador que se faz presente, mas que também joga Raimundo em seu devido lugar.
“— Eu já nasci sem escolhas”
É inevitável pensar, desde o título da obra, mas também em alguns de seus trechos, no Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade. Ambos poéticos, mas muito diferentes entre si. E, ao mesmo tempo, com algo que vai muito além da poesia unindo-os.
“Vai menino, vai ser Deus desse mundo”
Essa porém, não é a única referência que podemos captar ao longo das páginas desta obra, que me parece ser fruto de muito estudo, elaboração e conhecimento.
Raimundo é, muito provavelmente, diferente de qualquer coisa que você poderia imaginar, com passagens muito diretas, mas também com versos e interpretações entremeadas, que devem ser degustadas com calma, mas que podem ser concluídas em uma sentada só, a depender do seu fôlego.
Indico a obra para quem quer fazer um mergulho literário e, mais que isso, um mergulho dentro de si e da natureza, seja ela humana ou não. É possível adquiri-la em diversos sites como Amazon (ebook), Livraria da Travessa ou no site da própria Editora Chiado.
Ressurgi das cinzas — depois de pouco mais de uma semana afastada daqui do Blog, uma pausa necessária às vezes, né? — para trazer a resenha de um conto super leve e com uma bela mensagem (já voltei fazendo trocadilhos ruins, perdoe-me). Em poucas páginas, Jacqueline consegue transmitir aos seus leitores muito mais do que o que está escrito ali.
Luna é uma jovem que acabou de conquistar sua independência plena, isto é, saiu da casa dos pais para morar sozinha. Mas imagina dar esse grande passo e… Bum! Uma pandemia para te deixar totalmente isolada. Imagina como dever ter sido para quem tem boas relações familiares, mas decidiu se mudar e foi surpreendido por uma pandemia. Esse isolamento forçado deve ter sido um baque e tanto e esse conto nos faz pensar nisso. Mas não só!
O título do conto, claro, não é à toa e, mesmo em meio ao isolamento, nasce uma bela amizade: Luna, inspirada por outros jovens, coloca-se à disposição para ajudar quem ela puder ajudar e, assim, conhece a Dona Dulce, uma senhora que mora no mesmo prédio que ela e que não pode ficar saindo para ir ao mercado.
Luna, portanto, se compromete a ajudá-la com as compras e, além disso, elas também passam a fazer companhia uma para a outra, através de vídeo chamadas e até de jogos online. E é assim que elas vão tentando driblar a saudade da família e da rotina pré-pandemia.
As duas personagens desta história são bem diferentes entre si, principalmente pela distância entre uma faixa etária e outra. Mas ambas têm algo a ensinar e é muito bonito ver isso, além, claro, da relação que elas vão construindo.
“Ela sempre me dizia que, quando somos jovens, tudo parece ser o fim, sem solução, que não vamos aguentar”
Nós, assim como a própria Luna, passamos a história na expectativa de um encontro presencial entre ambas. Como seria? Qual seria a sensação de conversar cara a cara?
“Ainda que não pudéssemos nos abraçar, eu sabia que um dia teríamos o nosso abraço”
Indico Bela Amizade para quem já não tem esperanças de (ou mesmo que já não consegue) ver coisas boas no meio dessa pandemia. Às vezes, algo pode acontecer quando menos esperamos e vir de onde menos esperamos. Aliás, de acordo com os acontecimentos deste conto, tanto algo bom quanto algo um pouquinho assustador pode acontecer a qualquer momento… Mas logo tudo (de ruim) passa!
E aí, ficou com vontade de fazer essa leitura rapidinha? Então clica aqui.
Ler Desesterro é, sem dúvidas, uma experiência literária. Acho que o próprio título já nos mostra que algo diferente está por vir e a capa ajuda a dar um toque final à complexidade da obra. Não à toa, a obra foi vencedora do Prêmio Sesc de Literatura, na categoria romance — ainda que sua linguagem seja muito mais poética que prosaica —, do Prêmio Machado de Assis (da Biblioteca Nacional), além de ter sido premiado no Jabuti e finalista do Prêmio São Paulo.
“Ler é: devorar a fome dos outros”
Logo na primeira página, não pude deixar de pensar em Vidas Secas (Graciliano Ramos), porque a autora começa a obra com a descrição de uma cidade pequena — Vilaboinha —, humilde e seca. Mas, ainda que ao longo da leitura essa semelhança ainda ecoasse em mim, também há muita coisa única neste livro.
“Até a fome da gente a terra devora, mas a terra não guarda tudo, não senhora”
O livro é dividido em partes, mas que se misturam, assim como as muitas vozes que compõem a narrativa, mas que, por vezes, parecem uma só. Nem tudo tem nome, nem mesmo os sentimentos.
“Desesterro: a única palavra que Scarlett conhecia”
Desesterro é um livro que diz e não diz. Se em alguns trechos eu pensava “será que a autora está falando disso?”, em outros, eu tinha certeza. E por disso entende-se muita coisa: miséria, violência, estupro, abandono paternal.
“Tonho tantas vezes batendo em Fátima ela nem se importa, mulher nenhuma morreu de apanhar de marido, exceto as que estão mortas”
Ainda que sejam temáticas sérias e pesadas, a leitura flui, porque as palavras escorrem em seu tom poético. E o “disse não disse” também nos ajuda a engolir duras verdades.
“Nasceu da morte dela, vê se isso é coisa de gente”
Mas há também outras temáticas na obra, como o passado que nos assombra e o ato de migrar (interna ou externamente).
“Transformação é: migração de dentro.
Sem uma linha temporal clara e com construções gramaticais bem diferentes do comum, Deseterro pode assustar alguns leitores. Mas é uma leitura que merece um esforço, talvez uma leitura em voz alta de alguns trechos (inclusive, se vocês procurarem por esse título no Google, encontrarão diversos vídeos da autora declamando alguns trechos).
“Mas filha é assim mesmo, a Fátima sabe, meu Deus, a Fátima não sabe a Fátima só imagina como é ser mãe. Mas, diacho, quem é que sabe?”
Desesterro é uma leitura para quem quer fugir do óbvio, mas também para quem consegue levar alguns socos no estômago ao virar das páginas. Por fim, uma leitura que irá surpreender a quem decidir realizá-la.
“Ele foi embora com o sol, assustado com a descoberta imprevista”
Se você se interessou, não deixe de clicar aqui (livro físico) ou aqui (ebook).
Para a tradução deste mês, resolvi falar sobre um assunto que todo leitor, em algum momento, fala: a famosa ressaca literária.
E escolhi esse tema porque tenho visto muitas pessoas com dificuldade para ler nesses últimos tempos. É a soma de notícias ruins, mais de um ano vivendo uma grande incógnita e, em alguns casos (e me encaixo nessa) uma correria danada, apesar de tudo.
O artigo original, porém, foi escrito em janeiro de 2018 (ou seja, um contexto bem diferente do nosso, né?), por Chiara Nicolazzo, e pode ser lido aqui. Espero que alguma dessas dicas possa ser útil!
Também gostaria de ressaltar que uma tradução mais literal do título seria algo como “o bloqueio do leitor”, mas adoro esse termo “ressaca” que adotamos por aqui. Então vamos ao que interessa?
Começo a escrever este post sem muita enrolação, mas partindo de uma confissão. Estou de ressaca literária. Uma ótima situação para alguém que administra um blog no qual se fala principalmente de livros, né?
Devo dizer que nunca fui uma daquelas leitoras que se importa com o número de livros lidos, mas é um fato: se vocês acompanham a minha coluna os livros do mês, vocês provavelmente perceberam que ultimamente tenho lido pouco. O que está acontecendo?, perguntei-me. A única resposta que consegui me dar foi que nos últimos meses tenho acumulado muito stress. A experiência de comprar e reestruturar uma casa com certeza foi emocionante, mas também foi um projeto que me sugou tudo. Paciência, tempo, energia mental. Desde setembro comecei a enfrentar situações antipáticas para alguém que se define como uma leitora compulsiva. Leio e percebo que não estou atenta, porque a minha mente vaga para outros cantos. Olho os livros à espera de serem lidos e não tenho vontade nem mesmo de pegá-los. Digo a mim mesma que estou lendo muito pouco e percebo que não me importo com isso.
Inicialmente, pensei que uma vez que passasse o caos de trabalhadores dentro de casa e os problemas mais urgentes, a situação melhoraria. No entanto, continuo me sentindo presa a uma situação que não me pertence. Mais ligada às tarefas cotidianas que às aventuras fantásticas que vivem nos livros.
Pensei, portanto, que poderia ser útil falar com vocês. O que estou fazendo para mudar essa situação? Digamos que não existem regras mágicas, busco apenas escutar o meu instinto e devo dizer que, devagar, as coisas estão melhorando. Então resolvi contar a vocês a minha experiência através das 5 coisas que estou fazendo para superar a ressaca literária.
1) Não me forçar
Percebi que é inútil me forçar. Se eu leio quando não tenho vontade e estou pensando em outras coisas, ler torna-se simplesmente algo automático. E não é bom, porque não aproveito o momento e não gravo nada. Consequentemente, me irrito. Ler apenas por dever, apenas para não perder o hábito, torna-se mais uma daquelas ações que cotidianamente “tenho que fazer”, não uma daquelas que “quero fazer”.
2) Não experimentar
Nesses meses, tentei por diversas vezes ler algum dos livros que estavam pegando poeira na minha cabeceira, à espera de serem lidos. Em sua maioria, são livros que comprei ao acaso, apenas porque custavam pouco, ou que recebi de brinde de alguma editora. Em ambos os casos, são livros que acabaram nas minhas mãos quase por acaso, não porque eu os desejasse ler há muito tempo. Percebi, portanto, que é inútil experimentar novas leituras neste período, porque esta se revelou uma atividade improdutiva.
3) Estabelecer quantas páginas ler por dia
Ter ressaca literária significa que existem dias que encontro mil desculpas e mil tarefas para fazer só para não abrir um livro. Nos últimos tempos, por exemplo, estou acompanhando várias séries televisivas e voltei a fazer crochê com o objetivo de fazer um suéter (mas isso é uma outra história). Entendi, portanto, que é eficaz sim, dizer a mim mesma “Chiara, você tem que ler pelo menos vinte páginas e depois pode fazer o que bem entender“. Comigo funciona. Isso de estabelecer um total de páginas para ler por dia me permite reestabelecer uma conexão entre eu e o livro que, sem isso, não seria possível.
4) Reler o meu livro/autor preferido
Um sintoma dessa situação é o de ter perdido o entusiasmo de me perder em uma história. Percebi, porém, que isso não acontece quando releio um livro que amo muito ou aproximando-me de escritores que eu curto. Por isso que ultimamente reli diversos livros que sempre têm o poder de me levar de volta para casa. Entre os livros que tirei das caixas estão, por exemplo, L’ora di tutti de Maria Corti e Se non ti vedo non esisti de Levante e, depois, também foi fundamental, como sempre, a minha escritora preferida Isabel Allende, de quem reli alguns trechos dos meus romances preferidos, o seu último trabalho, Além do inverno, e agora estou relendo inteiramente Il quaderno di Maya. Além disso, justamente ontem fiz uma compra online contendo dois títulos que gostaria de ler há muito tempo e que, por diversos motivos, nunca comprei. Acredito que esse seja o caminho.
5) Me dar um tempo
É inútil me desesperar por uma situação que, eu sei, não mudará da noite para o dia, mas que se desenrolará naturalmente e com alguma prudência da minha parte. Não posso me culpar por todo o stress que interiorizei nos últimos tempos e que saiu de mim desta forma. Tudo o que eu posso fazer é me dar um tempo para reencontrar o entusiasmo pela leitura nos autores e nas palavras que amo dia após dia.
Preciso dizer que resolvi dividir com vocês a minha situação porque acho que confrontar essa situação pode ser uma arma a meu favor e talvez também a favor de alguém mais que possa estar na mesma situação. Eu gostaria, portanto, se vocês quiserem, de ouvir as histórias de vocês o seus conselhos.
E aí, o que você faz quando está de ressaca literária? Ou você é uma pessoa tão abençoada que nunca passou por essa situação?
Eu concordo com a autora do texto que é preciso ir ao poucos e não se forçar. Às vezes dá uma sensação de que não vai passar nunca, mas aí a gente reencontra a vontade sim. A única coisa que não costumo fazer, nem mesmo nesses casos, e reler alguma obra. Mas recorro ao meu gênero favorito: um bom romance clichê!
Confesso que a motivação para escrever este post vem de um livro que li ano passado. Ou melhor, não li, apenas iniciei. Eu dificilmente largo um livro depois de começar a ler, mas ano passado foram dois, quase ao mesmo tempo. E não sei se o problema estava realmente nos livros ou se foi também pelo fato de que iniciei a leitura um pouco antes de começar a quarentena por aqui… Mas o fato é que, num desses livros, havia uma coisa bem clara me incomodando.
Quem me acompanha por aqui provavelmente já sabe que eu sou professora de italiano. Fiz faculdade e continuo a estudar cotidianamente sobre a língua e a cultura. Um dos livros que larguei ano passado trazia um personagem italiano. Coisa, aliás, que me fez ir atrás do livro para ler.
Eu já sabia, antes de iniciar a leitura, que esse tal personagem, na história, pertencia à máfia italiana, mas isso não me pareceu um problema. Não até eu iniciar a leitura e me dar conta que, uma vez mais, eram pessoas de fora tentando retratar a “famosa máfia italiana”.
A questão é que máfia é uma coisa muito complicada. E muito séria também. Sabe aqueles políticos que nos deixam indignados porque desviam dinheiro, roubam milhões e deixam outras milhares de pessoas na miséria? Pois é, a máfia não é muito diferente disso… Matam sem dó, extorquem as pessoas…
Para além do fato de que reproduzimos erroneamente um conceito de máfia que foi exportado, principalmente, pela indústria cinematográfica, o livro em questão me incomodou porque a autora quis inserir “falas em italiano”, mas, aparentemente, sem ter conhecimento algum da língua e, consequentemente, recorrendo ao Google Tradutor. Era fácil perceber isso porque havia palavras que eu entendia como uma tradução literal ou então frases que não faziam sentido algum em italiano.
E o pior que esse não foi o primeiro livro no qual vi algo do tipo, mas no anterior, como não era o foco da história, consegui relevar mais facilmente.
A questão é que isso ficou ecoando em mim (bom, já faz mais de um ano e só agora que, finalmente, estou escrevendo esse post!). Eu não sou de criticar autores nacionais, muito pelo contrário aliás, vocês sabem que boa parte das minhas resenhas são de autores que estão iniciando ou que ainda não têm um grande público. E eu realmente não sou uma leitora chata, mesmo tendo um olhar crítico.
Mas o fato de eu relevar muita coisa não significa que eu não enxergue, por exemplo, erros de português (sim, tem dias que a revisora que habita em mim está atacada) ou coisas que, sinceramente, poderiam ser melhoradas em uma história.
A questão é que, muitos autores, seja por falta de tempo, de dinheiro ou mesmo de conhecimento, se esquecem que escrever um livro vai muito além de sentar e escrever (por mais contraditório que isso possa soar). Escrever um livro pode envolver muita pesquisa e planejamento antes da escrita em si e muito aprimoramento depois que é colocado o último ponto final do arquivo. Sim, porque depois da primeira escrita é que podemos lapidar e melhorar aquela obra, por mais cansativo que isso pareça (e é).
Nem sempre seremos nós a enxergar o que precisa ser melhorado! Por isso a importância de um leitor beta, um leitor crítico, por vezes um leitor sensível e, claro, um revisor (mas isso é coisa para depois da história já lapidada).
E aí você vira e me diz: leitor beta? Leitor crítico? Leitor sensível? O que são essas coisas? Bem, os nomes talvez já se expliquem (ao menos em partes), mas vou tentar trazer uma breve descrição de cada um desses tipos de leitor.
Leitor beta
O leitor beta é o seu primeiro leitor. Aquela(s) pessoa(a) para quem você vai mostrar seu livro antes de todo mundo, para poder ver as reações dessa(s) pessoa(s) enquanto lê(em). Pode ser um cônjuge, parente, amigo, quem for. Só tem de ser alguém em quem você confie e que também uma pessoa que tenha afinidade com o tipo de texto que você escreve (porque, se a pessoa não gosta daquilo, pode não gostar de seus escritos, o que não significaria que eles estão ruins!). E se você não conhece nenhuma pessoa que preencha esses requisitos, saiba que existem muitos leitores dispostos a ser leitor beta, mas é preciso saber encontrá-los. Alguns até podem cobrar por esse tipo de “serviço”, ainda que a leitura beta seja a mais fácil de se conseguir gratuitamente. Encontrar um leitor beta que não seja alguém do seu círculo social também pode ser bom, porque a pessoa poderá te dar uma opinião até mais sincera do que alguém que você conheça e que pode ter medo de te magoar.
Leitor crítico
O leitor crítico já está um passo além do leitor beta. Neste caso, é importante escolher alguém que tenha uma certa bagagem literária e que seja ainda mais sincero em suas opiniões (aqui já é mais difícil contar com conhecidos, pois eles acabarão tendo uma visão menos imparcial da obra). O que espera-se desse leitor é que ele leia a obra e aponte os pontos fortes e fracos, sugerindo modificações onde achar necessário (modificações essas que podem ou não ser aceitas pelo autor, que é quem dá a palavra final) e apontando o que poderia ser melhorado. Neste caso, é mais provável que você encontre pessoas que cobrem por esse serviço, afinal, ele requer dedicação e conhecimento.
Leitor sensível
Por fim, alguns tipos de obra requerem a leitura de um leitor sensível. Se você escrever sobre alguma minoria ou cultura que não é a sua, contrate um leitor sensível que tenha conhecimento sobre aquela causa. Isso vai evitar que você passe vergonha com o seu livro publicado, viu?
Vamos supor que você quer escrever sobre um personagem surdo, mas você é uma pessoa ouvinte. Por mais que você pesquise, se informe, conheça pessoas surdas, é importante contratar um surdo para fazer a leitura sensível de sua obra, pois só ele poderá dizer se a sua representação está bem feita, se você não deixou passar algo (para um ouvinte colocar um personagem surdo ouvindo algo é rapidinho, né?).
No caso de autores brasileiros que queiram escrever sobre a máfia italiana, claro, a leitura sensível já é um pouco mais complicada. Isso porque o ideal seria contratar alguém que vive (ou viveu) numa cidade dominada por esse tipo de poder, mas aí temos dois empecilhos: o fato de que “onde eu vou achar uma pessoa dessas? Eu nem falo italiano!” e o fato de que talvez as pessoas não queiram falar sobre isso, porque a vida delas poderia estar em risco (pois é!).
Para esses casos, porém, é importante buscar informações em fontes seguras e históricas, a fim de evitar apenas a reprodução de estereótipos. Além disso, você também pode contar com a leitura de pessoas que tenham mais conhecimento que você sobre aquele determinado assunto, de acordo com a formação delas (e outras bagagens culturais, porque diploma também não é tudo nessa vida, né?).
E você, já leu algum livro e sentiu que faltou uma leitura crítica e/ou sensível antes da publicação?
Título: A sandália virada
Autor: H. L. Amaral
Editora: Publicação independente
Páginas: 180
Ano: 2021
Eu era bem pequena quando outra criança, tão pequena quanto eu, ensinou-me que não se pode deixar as sandálias viradas para baixo, porque isso causa a morte da mãe. Assunto macabro para crianças, né? Mas bem, são as crendices populares que permeiam o nosso imaginário cultural.
E neste livro, H. L. Amaral trabalha justamente com essa ideia, criando uma narrativa muito instigante, daquelas que não queremos largar, porque cada capítulo nos faz querer ler “só mais um…”.
Lara, a protagonista desta história, tem apenas 12 anos e a vida de ponta cabeça. Bom, na verdade eu talvez esteja sendo tão dramática quanto ela, mas ao longo da leitura vamos entendendo como ela tem seus motivos e, em momento algum, ela é uma protagonista insuportável, ainda que seja um pouco mimada.
“Não importa o quanto ela quisesse, era como tentar abrir uma porta com a chave errada”
O que acontece é que Lara perdeu sua mãe aos oito anos de idade e não consegue aceitar sua madrasta. Para piorar tudo, é por conta dessa madrasta que ela e seu pai precisam mudar de cidade, o que só aumenta a raiva da jovem.
“O nome ‘Cidade Nova’ era bem literal para mim”
Um dia — ou, sendo mais específica, uma noite — Lara, irritada com sua madrasta, decide testar a famosa crendice popular da sandália virada. Mas ela não esperava que o efeito pudesse ser tão potente e real! No dia seguinte, Lara e Heloísa — sua madrasta — sofrem um acidente de carro, do qual Lara sai praticamente ilesa, enquanto Heloísa fica entre a vida e a morte.
“Eu era a rainha dos planos idiotas, acho que isso já ficou claro”
Claro que, neste dia, o pai de Lara viajara a trabalho e teve de voltar às pressas para Cidade Nova. Mas Lara, acreditando que tudo aquilo era culpa da sandália virada, decide fugir do hospital e voltar o quanto antes para casa, para tentar reverter o estrago.
“De onde estava, pude ver que era um sinal de noventa segundos de espera. Esses intervalos parecem durar uma eternidade quando tudo que você quer é chegar em casa”
A maior parte do livro se passa nesse momento, isto é, no caminho de Lara até a sua casa. Um caminho, porém, recheado de obstáculos, não apenas pelo fato dela não conhecer a cidade, mas por ser carnaval e por Cidade Nova, de acordo com as descrições da história, não ser muito segura, principalmente a noite.
“Agora, perdida no meio da noite, vejo que aquilo foi um erro. Eu não devia brincar com o que eu não entendia por completo”
Por “sorte”, no início desse percurso, Lara encontra Elmo, seu único amigo naquela cidade (e que, até então, ela sequer sabia se poderia realmente chamar de amigo).
“Amigos precisam ser transparentes feito amebas”
E é assim que por páginas e páginas acompanhamos as aventuras e desventuras desses dois jovens e, ao mesmo tempo, vamos conhecendo um pouco mais cada um e de seus respectivos passados e presentes.
“Quando me dei conta, já estávamos rindo pela noite de Cidade Nova, rindo como as crianças que éramos”
É impressionante como, se pararmos para analisar, Sandália Virada se passa basicamente (mas não totalmente) em uma única noite. Melhor ainda, em algumas poucas horas. E, ainda assim, há muito conteúdo entremeado ali. Sem contar o fato de que o autor consegue, em meio a tanta ação, abordar alguns assuntos como nuances das mais diversas relações familiares, a verdadeira amizade, confiança, bullying e superação.
“Tem gente que tem o sorriso torto. Tem gente que sequer sorri. Já vi gente legal e gente ruim em ambos os casos”
Sandália virada se passa em uma noite que mais parece uma vida e ainda toca em temas importantes, conseguindo ser leve e emocionante, fluída e prazerosa de ler. Uma história para todas as idades e que provavelmente vai te surpreender.
“Aquela noite não era sobre o que eu queria ou o que eu precisava. Nunca foi”
Esse livro caiu do céu em meio às minhas leituras, sendo aquela fuga necessária em meio a tanto caos, ainda que o universo de Lara seja bem caótico também.
“Eu podia ser uma maluca que acreditava em pragas da época da minha bisavó, mas ele ainda segurava minha mão”
Se você se interessou por essa história, clique aqui para conhecer Lara, Elmo e toda a confusão que uma simples sandália virada pode causar!
Há um tempinho, fiz um post aqui sobre músicas italianas e suas versões brasileiras. A receptividade do post foi muito boa e uma amiga me sugeriu que eu fizesse o contrário, isto é, músicas brasileiras e suas versões italianas. Apesar de saber que, por exemplo, Chico Buarque tem diversas músicas traduzidas para o italiano, pois ele chegou a morar lá durante o período da ditadura que houve aqui (conheça os álbuns Na Itália e Per un pugno di samba), achei que essa ideia seria bem desafiadora.
Essa mesma amiga, porém, disse que há uma música do Marcelo Jeneci com uma versão italiana, coisa que eu desconhecia! A música “Felicidade” (2010) ganhou, em 2020, uma versão italiana, com a cantora Erica Mou. No caso, uma versão feita em conjunto por esses cantores:
E aí, pesquisando mais sobre o assunto, fui descobrindo algumas coisas interessantes. Por exemplo, a música brasileira chegou à Itália principalmente quando ocorreu um movimento inverso àquele que ocorrera anos antes, isto é, quando muito brasileiros migraram para lá. Outra coisa que contribuiu para o surgimento de versões italianas de músicas brasileiras foi o sucesso mundial da Bossa Nova.
Fora isso, porém, dificilmente os italianos tinham conhecimento sobre as nossas produções. Hoje, claro, a internet contribuiu para mudar esse cenário, mas ainda assim há poucas versões atuais nesse par.
Se por um lado eu já sabia que “A banda” (1966) ganhara uma versão italiana — “La banda” (1967) — por outro, eu não sabia que “Águas de março” (1972) também tinha a sua tradução (“La pioggia di marzo — 1993). La banda, porém, é bem mais próxima do original (com relação ao texto) que La pioggia di marzo:
Também descobri que a Mina (cantora de La banda, que coloquei ali em cima) tem um cd com diversas versões de músicas brasileiras, inclusive “Que maravilha” (1969), do Jorge Ben Jor, que virou “Che meraviglia” (1970), uma tradução bem próxima do original:
Você acredita que até Roberto Carlos temos em italiano? (quer dizer, não sei porque isso me surpreende, já que música romântica é a cara dos italianos, né?). “Sentado à beira do caminho” (1969) virou “L’appuntamento” (1970), música cuja letra é um pouco diferente:
Agora, surpreendentemente mesmo talvez seja saber que “Nem vem que não tem” (1967), do Wilson Simonal, virou “Sacumdì Sacumdà” (1968), também com uma letra diferente da original (exceto pelo que dá título à versão italiana):
Fora isso, também há algumas músicas infantis com suas versões, como “O caderno” (1983) que virou “Mistero” (1997) , similar à original, mas com algumas modificações:
Agora você quer ficar REALMENTE em choque? Sabia que existe uma versão italiana de “Anna Júlia” (1999)? Sim, a música dos Los Hermanos! Em italiano, também “Anna Júlia” (2001), a letra é um pouquinho diferente (mas o melhor é ouvir o refrão na versão italiana, ficou engraçado!):
Para encarrar, vamos descer um pouco o nível: não é segredo para ninguém que “Ai se eu te pego” (2011), do Michel Teló, bombou mundialmente. O que você talvez não saiba é que a música realmente ganhou uma versão italiana, que é uma tradução mesmo (assim como a versão em todas as outras línguas — e foram muitas).
Eu me lembro que foi justamente em 2012 que fui pela primeira vez para a Itália e as pessoas ainda tentavam cantar a versão em português mesmo (que tocava em tudo quanto era lugar, assim como Gustavo Lima!):
Por hoje é isso! Até que consegui mais músicas do que eu esperava e, para variar, me diverti muito fazendo esse post. Principalmente com essas duas últimas. Agora estou pensando em fazer um post de músicas norte americanas em italiano (com certeza tem várias).
Você já sentiu uma espécie de medo ao iniciar uma leitura?
Acho que com alguns livros mais e outros menos, sempre sinto um certo frio na barriga ao mergulhar em uma nova história. Mas com Novecento haviam muitas questões envolvidas: eu já havia lido outro livro do autor e não curti muito; a palavra “monólogo”, no subtítulo, me aumentava o medo dessa obra, ainda mais por ser um livro em outra língua; por fim, foi um livro que uma aluna leu e ela falava super bem dele (a famosa expectativa que pode nos fazer quebrar a cara, né?).
Felizmente, Novecento foi uma grata surpresa para mim! E fiquei bem feliz que o empurrão final para finalmente encarar essa leitura foi o fato do ebook ter entrado em promoção e duas amigas minhas terem se animado a ler também.
Como costumo fazer com livros lidos em outras línguas, colocarei ao longo da resenha a tradução de alguns trechos e, ao final, deixarei os trechos originais, na ordem que aparecem aqui.
Como o próprio subtítulo sugere, Novecento é um monólogo e confesso que foi inevitável ficar imaginando a encenação desta obra.
“Agora que o vejo em forma de livro, me parece mais um texto que está em equilíbrio entre uma verdadeira encenação e uma história para se ler em voz alta”
Longe de ser chata, porém, a narrativa traz trechos engraçados e reflexivos, além de surpreender o leitor em diversos pontos.
“E eu gosto de pensar que alguém lerá”
A história se passa em um navio, o que por si só já poderia ser bem diferente. E não se trata de um navio qualquer, mas um a vapor, que no período entre guerras transportava milhares de imigrantes para a “América” (isto é, para os Estados Unidos, mas também para o Brasil).
E o navio, como tantos naquele período, transportava pessoas muito ricas e pessoas muito pobres. Evidentemente, cada classe viajava de uma forma, mas todos sobre o mesmo navio. E foi assim que, um belo dia, a equipe do navio encontrou um bebê abandonado ali. Dentre as opções que tinham, acabaram por adotar o tal garoto, o protagonista deste livro, dando-lhe o nome de Danny Boodmann T. D. Lemon Novecento.
“Encontrei-o no primeiro ano deste novo, ferradíssimo século, não? Chamarei ele de Novecento” “Novecento?” “Novecento.” “Mas é um número!”
Mas o nome não é a única peculiaridade deste personagem. Tendo nascido e crescido em um barco, Novecento nunca levou uma vida muito normal, nunca frequentou uma escola. Porém, acima de tudo isso: perante a lei, Novecento sequer existia! (não que ele se importasse muito com isso…).
“Ele tinha oito anos, mas oficialmente nunca havia nascido”
Apesar de nunca ter frequentado uma escola formal, Novecento aprendeu muito observando e vivendo. Como o próprio narrador ressalta em vários momentos, estando num navio como aquele, Novecento tinha contato com muitas pessoas e podia, através disso, conhecer o mundo, principalmente aquele não conhecia por si mesmo.
“Talvez ele nunca tivesse visto o mundo. Mas fazia vinte sete anos que o mundo passava por aquele navio e fazia vinte sete anos que ele, daquele navio, o espiava”
Além disso, Novecento crescendo principalmente entre os músicos do navio, tornou-se um grande pianista. O melhor, aliás.
“Era um bom plano. Funcionou pela metade. Não tornou-se rico, mas pianista sim. O melhor, juro, o melhor”
Para além do fato de não existir perante a lei — o que nos faz refletir muito sobre identidade — outro grande conflito da história está no fato de Novecento nunca ter pisado em terra firme e continuar querendo viver assim, mesmo quando já não parecia mais possível.
“Novecento… Por que você não desce?”
Eu gostei muito do desenrolar dessa história, e também do final dela. Um livro daqueles que fica ecoando em nós e que quando terminamos temos vontade de soltar um sonoro “uau”. Certamente valeu a pena tê-lo enfrentado e conhecido. E, felizmente, descobri que existe uma tradução dele para o português, ainda que seja um pouco antiga e, provavelmente, difícil de achar. Mas deixarei algumas opções ao final do post.
“Nos olhos das pessoas nós vemos aquilo que elas verão, não aquilo que viram”
Antes, porém, as citações originais:
“Adesso che lo vedo in forma di libro, mi sembra piuttosto un testo che sta in bilico tra una vera messa in scena e un racconto da leggere ad alta voce”
“E mi piace pensare che la qualcuno leggerà”
“L’ho trovato nel primo anno di questo nuovo, fottutissimo secolo, no? Lo chiamerò Novecento.” “Novecento?” “Novecento.” “Ma è un numero!”
“Aveva otto anni: ma ufficialmente non era mai nato”
“Il mondo, magari, non l’aveva visto mai. Ma erano ventisette anni che il mondo passava su quella nave: ed erano ventisette anni che lui, su quella nave, lo spiava”
“Era un buon piano. Funzionò a metà. Non diventò ricco, ma pianista sì. Il migliore, giuro, il migliore”
“Novecento… Perché non scendi?”
“Negli occhi della gente si vede quello che vedranno, non quello che hanno visto. Così, diceva: quello che vedranno”
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Se o título desse lançamento da autora Brias Ribeiro parece pesado, logo compreende-se que muito mais pesada é a narrativa. Aliás, para ser mais justa, a narrativa é até leve, mas aborda uma questão muito importante.
Neste conto conhecemos Diego, um rapaz cuja infância e pré-adolescência foram relativamente boas no aspecto familiar, mas um pouco complicadas na escola, onde sofria bullying, sendo chamado de “viadinho” e “afeminado”, coisa que os pais diziam ser impossível.
Como esses pais sempre faziam tudo por Diego, aos 12 anos ele conseguiu convencê-los que era hora de trocar de colégio. Aos 14 anos, porém, tudo mudou: Diego foi pego atrás da escola, com outro garoto. Aquele foi o fim da relação familiar aparentemente tranquila e equilibrada que existia até ali.
Os pais de Diego, que até então o “amavam”, passaram a odiá-lo e desprezá-lo. Também passaram a brigar constantemente, o que levou à separação deles. Diego continuou morando com a mãe até quando foi possível, mas a situação tornou-se insustentável cedo demais.
“Sentia uma vontade imensa de chorar, mas não conseguia mais”
Logo no início da faculdade — Diego optou por cursar artes cênicas — ele foi definitivamente expulso de casa e teve de se virar. Por sorte, tudo o que lhe faltava de amor familiar, transbordava de amor em suas poucas amizades, que prontamente o acolheram.
“Foram 6 anos de invencibilidade. 6 anos sem chorar que finalmente chegaram ao fim. Era difícil chorar, difícil estar chorando”
Apesar de ter sido totalmente rejeitado por seus pais apenas pela sua sexualidade, Diego sempre tentou conversar, tentou se reaproximar deles, mas todas as suas tentativas foram em vão.
O final do conto é um pouco ambíguo — propositalmente — e, ao mesmo tempo, catártico, ao menos para Diego. Um desfecho que, ao mesmo tempo que surpreende, nos deixa com aquela sensação de “como assim essa história vai acabar aqui?”.
Eu matei minha mãe, portanto, é um conto que fala sobre relações familiares, autoconhecimento, homofobia, amizade, bullying… Caramba, são muitos temas importantes em poucos páginas, mas sem ficar atropelado ou forçado!
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