Titubeio — Maitê Rosa Alegretti

Título: Titubeio
Autora: Maitê Rosa Alegretti
Editora: Urutau
Ano: 2020
Páginas: 62

Para uma pessoa que lê bem mais prosa do que poesia, até que esse ano (e ainda estamos no primeiro semestre) posso dizer que já li muitos bons versos. Depois da antologia poética Girassol, agora é a vez de uma obra solo, escrita por Maitê Rosa Alegretti.

Ler Titubeio não é apenas uma experiência literária, mas também sensorial. Os versos são impressos como quem dança, e as palavras misturam poesia, sentimento, corpo e natureza.

A obra é bem curta, mas feita para se apreciar aos poucos, um poema por vez, saboreando também o trabalho gráfico do livro, que vai muito além da disposição não convencional dos versos, sendo abraçado por uma capa e uma contracapa extremamente lindas e orelhas muito bem preenchidas pelas belas palavras de Gabriela de Azevedo, também poeta.

O livro é dividido em quatro partes, sendo elas:

  • Titubeio;
  • Observações astronômicas;
  • Maré baixa;
  • Tenho conversado comigo.

Em cada uma das três primeiras partes, na página chapada (aquelas páginas toda pretas que dão um efeito muito bonito) de abertura, além do título há uma epígrafe, de escritores como Chico Alvim, Laura Liuzzi e Fabrício Corsaletti. Na última parte, porém, não há epígrafe alguma e ela é composta por um único poema, que se inicia justamente com “Tenho conversado comigo”.

Eu não teria como escolher uma poesia preferida. Acredito que cada uma carrega a sua beleza, o seu significado e que todas elas juntas é que fazem deste um livro tão singular.

Não conseguindo escolher um poema preferido, portanto, deixo aqui o meu convite para que você conheça a obra inteira e faça o seu mergulho nestas palavras tão bem escolhidas e harmonizadas. O livro pode ser adquirido no site da Editora Urutau. E você pode acompanhar os trabalhos da autora através do Instagram, do Medium ou da Newsletter dela.

Poeira estelar — Gabriela Araujo

Título: Poeira Estelar
Autora: Gabriela Araujo
Editora: Publicação independente
Páginas: 27
Ano: 2020

Começando de maneira totalmente despretensiosa, Poeira estelar vai nos fisgando até que, ao final, estamos sentido um mix de sentimentos difícil de explicar.

“Não tema as mudanças, minha pequena. Elas virão, mas fazem parte do mundo que conhecemos”

Apesar da brevidade da narrativa — mais um conto para a minha lista de contos que deveriam ser lidos por muitas outras pessoas — Gabriela Araujo consegue traçar um arco temporal um pouco mais complexo, fazendo-nos acompanhar o desenvolvimento da protagonista Marta, que começa a história como uma simples garotinha que viaja de carona nas estrelas.

“Quanto mais crescemos, menos acreditamos no poder das estrelas”

Mas aos poucos essa garotinha vai crescendo e vendo como o mundo não é simples. E muitas vezes, sequer é justo.

“A mãe enxergou o seu próprio passado naquela frase e desejou poder transferir para a filha sua experiência de vida, poupando-a dos anos de sofrimento até entender”

Porém, não se engane: Poeira estelar não é a simples história de uma garota que cresce e acaba por descobrir o mundo. Brasileira, Marta é uma mulher negra e tem de enfrentar muitos outros desafios que, por vezes, não conseguimos imaginar.

“Queria dizer para a mãe que não era sobre sentir que precisava ser como as outras meninas, ela apenas sentia não ter escolha”

Eu sou mulher e sei dos desafios que encontramos em uma sociedade machista. Mas sou uma mulher branca, que não sofre preconceitos nos lugares que frequenta, que não tem de provar a todo instante que não está fazendo nada de errado e que tem igual direito de estar em qualquer lugar.

“Aos 13 anos, Martinha não tinha uma simples vontade de ter um namorado. Era a vontade de ser vista, de receber carinho, de se sentir ‘normal'”

E é assim, através dos olhos da menina que vira mulher, que Gabriela Araujo consegue abordar de maneira extremamente leve e envolvente assuntos de grande importância, como amadurecimento, preconceito, solidão e até mesmo relacionamentos abusivos (de qualquer tipo, não apenas românticos) e emancipação feminina.

“Marta não sabia daquilo ainda, mas aquele momento selou a completa ruptura entre a pessoa que era e a pessoa que viria a ser”

Não vou dizer que a história me fisgou desde as primeiras páginas, que têm um ar mais onírico, mas logo fui ficando mais e mais presa às palavras desta narrativa e, agora, indico-a a quem busca uma leitura inspiradora, forte, impactante, mas, ao mesmo tempo, que cai como um abraço, um afago, um ombro amigo.

“Não podemos usar o espelho do outro pra enxergar o nosso próprio reflexo, Martinha”

E mesmo sendo uma história de personagens femininas, a leitura é excelente para homens e mulheres, pois com palavras simples, Gabriela Araujo consegue nos ensinar muito.

“A gente cresce e aprende a ignorar o que a gente quer?”

Se você se interessou por Poeira estelar, não deixe de garantir o seu ebook aqui. E conheça as outras obras e trabalhos da autora no site dela.

Livros em suspenso e mensagens secretas [tradução 14]

Tempos atrás, também através da tradução de um artigo, falei sobre os “livros no escuro“, ou seja, o ato de comprar um livro que você não sabe qual é, nem mesmo quem é o autor. No post mencionado eu explico isso um pouco melhor.

Hoje, porém, quero falar sobre outra iniciativa bem interessante (e antiga) relacionada a esse universo: os livros “em suspenso” e as mensagens “secretas”. Do que será que eu estou falando?

Para isso, escolhi este artigo, escrito por Beatrice, há sete anos (portanto, em 2014, mas acredito que ainda existam iniciativas do tipo), no Blog L’angolo dei libri, que, de maneira relativamente esporádica, ainda publica novos conteúdos.

Vamos ao que interessa? A tradução do título do artigo original é o que dá nome ao meu post e aqui embaixo você encontra a tradução do conteúdo.


A Itália, por antonomásia o país dos não leitores (de acordo com as estatísticas), continua produzindo iniciativas para promover a leitura: do #livroemsuspenso às citações escondidas entre as páginas de “quem deixa um bilhete, deixa um tesouro“. Não dê ouvidos aos dados: o marketing literário se faz no boca a boca

Se alguma vez você já foi a Napoli ou tem amigos napolitanos, talvez conheça a tradição do café em suspenso. Vai-se à lanchonete e pagam-se dois cafés: um você toma e o outro fica pago para quem vier depois, seja lá quem for. Uma bela ideia, não? Imagine que agora é possível fazer isso com os livros também. De fato, começou, algumas semanas atrás, a iniciativa #livroemsuspenso: passa-se na livraria e compra-se um volume, deixando-o à disposição de quem passará depois.

Na verdade, tudo começou em 2011, na livraria Modus Vivendi, em Palermo e, de vez em quando, outra pequena realidade independente se inspira nisto, como aconteceu nos últimos meses com a Ex Libris, em Salerno, e em Milão, com a livraria Il mio libro.

Levando em conta a generosidade da iniciativa (e talvez esperando por um pouco de marketing), até as livrarias Feltrinelli entraram nessa: entre os dias 23 de abril a 5 de maio, foi promovida a ideia de deixar um livro em suspenso para um outro leitor apaixonado. Porque a ideia é justamente essa: difundir a leitura e deixar as suas marcas. É mais ou menos como se eu te sugerisse um dos meus livros preferidos, mas ao invés de só te passar o título e o autor, te desse logo um exemplar.

Ainda melhor, porém é deixar uma mensagem entre as páginas, uma citação ou um conselho adicional para quem pegar aquele livro, como acontece com a iniciativa “quem deixa um bilhete, deixa um tesouro”, de Laura Cau. A jovem estudante de Cagliari lançou essa ideia entre os seus seguidores no Facebook e parece que está tendo um ótimo sucesso.

As regras para participar do jogo são muito simples: basta escrever em um pedaço qualquer de papel uma frase ou um pensamento e inserir o bilhete entre as páginas de um livro, em uma livraria ou biblioteca. Mas sem, no entanto, comprá-lo. É fundamental deixar o livro onde está, para fazê-lo ser encontrado por outro leitor. No bilhete também vai o escrito “siga-nos no Facebook, na página Um bom livro um ótimo amigo: aqui você poderá encontrar foto de todos os “papeizinhos” encontrados pelos amantes dos livros.


Sei que no Brasil livros físicos costumam ser caros, mas você teria coragem de comprar um a mais e deixar para outra pessoa que você sequer sabe quem é? E um bilhetinho, você deixaria?

Quando eu envio um livro em trocas no Skoob, costumo sempre enviar um bilhetinho junto, mas é coisa simples, apenas desejando uma boa leitura. Mas também já realizei a leitura de alguns livros pensando numa pessoa específica e grifando alguns trechos ou mesmo deixando recados.

Se conhecer outras iniciativas como essa, me conte nos comentários!

Cigarro e anéis no rabo do gato — Maicon Moura

Título: Cigarro e anéis no rabo do gato e outros contos
Autor: Maicon Moura
Editora: publicação independente
Páginas: 57
Ano: 2021

No início do ano eu postei aqui no blog a resenha de Não quero patos elétricos, indicando fortemente a leitura desta obra. Mas se mesmo depois do que escrevi você não se convenceu a ler um livro que talvez te tire da zona de conforto, hoje eu trago uma nova (e talvez mais fácil) opção: a coletânea Cigarro e anéis no rabo do gato e outros contos, publicada pelo mesmo autor.

“As horas passam rápido. Como os dias, os meses e os anos. Coisas irão acontecer e outras não irão”

Considero que esta possa ser uma forma “mais fácil” de te convencer a embarcar em um novo gênero literário porque as histórias aqui são mais curtas (afinal, são contos) e você pode saboreá-las com calma, além de pegar algumas sutis menções à space opera anteriormente resenhada. Porém, um alerta: o fato das histórias serem mais curtas e de você poder lê-las com calma não significa que você irá se deparar com histórias banais ou toscas. Muito pelo contrário!

“Existem pessoas que sabem muitas coisas. Essas pessoas não estão na faculdade, não estão em escritórios, não são Deuses. Estão por aí, esperando o momento certo para mudarem seu modo de ver as coisas”

A coletânea Cigarro e anéis no rabo do gato reúne cinco contos que se passam numa realidade que (ainda) não é nossa, com simulacros, tecnologia e uma consciência ambiental muito acima da que temos hoje (e que ainda tem tanto a melhorar). É muito maluco perceber, porém, como apesar de tudo isso, os personagens são bem parecidos conosco, sendo reais e humanos mesmo quando não o são (achou confuso? Leia e entenderá!).

“O pensar é um grande mistério, as lembranças são confusas e nossa opinião é falha. Somos um amontoado de incertezas não confiáveis”

Outro aspecto excelente desta coletânea é que as narrativas trazem muitos significados e descobertas para nós, leitores, nos fazendo refletir sobre a vida e a morte e tudo o que há entre essas duas pontas.

“Sabemos que vai acabar e o que estamos fazendo?”

Confesso que tive a honra de ler essa obra ao menos duas vezes (porque, além de tudo, eu a revisei!) e não vou negar que a cada leitura eu me surpreendo com um novo detalhe, um novo pensamento.

“Deprimente é pensar que esse não é o mundo real”

E se você ainda está achando o título desse livro muito estranho, saiba que ele é o nome de um dos contos, e que depois da leitura, talvez as coisas passem a fazer mais sentido. Aliás, os títulos dos contos, em ordem, são:

  1. Beijo e chuva de sábado
  2. Cigarro e anéis no rabo do gato
  3. “Papai?” perguntou minha menininha
  4. Ele, a moça e a saída
  5. Mas eu quero morrer (conto bônus, que eu já havia lido de maneira separada e cuja resenha você encontra aqui).

“Corri como se a vida dependesse daquilo. E dependia”

Espero ao menos ter despertado a sua curiosidade com relação à essa coletânea e a tudo o mais que o Maicon escreve. Você pode acompanhar o trabalho do autor através da newsletter, do Instagram e do Linkedin.

“Eu devia ter me esforçado mais”

Com relação a esse trabalho, ele está disponível na Amazon, mas em breve ganhará o formato físico… Com um prefácio meu! Entre em contato com o autor para adquirir o seu exemplar.

The Outstanding Blogger Award 2021

O post de hoje é uma espécie de TAG, mas muito especial, porque ela foi criada para que também possamos indicar alguns dos blogs que seguimos e admiramos. E quem me indicou foi a Thais, do Felicisses, um blog que, se você ainda não conhece, deveria conhecer!

Regras da TAG:

  • Forneça o link para a postagem do prêmio original do criador Colton Beckwith RCP (esse aqui)
  • Responda às perguntas exclusivas
  • Indique 10 blogueiros. Certifique-se de que eles estão cientes de suas nomeações.
  • Nem o criador do prêmio do blog, nem o blogueiro podem ser indicados.
  • No final de 2021 todos os blogs que enviarem um ping-back da postagem original do criador serão inscritos para ganhar o prêmio 2021 Outstanding Blogger.

Perguntas da Thais e as minhas respostas:

1-Você costuma acompanhar séries? Se sim indique uma e explique o motivo da indicação.

Não costumo acompanhar séries. Mas antes da pandemia eu estava assistindo Merlí quando ia à casa do meu namorado e gostaria de terminar essa. Uma série que se passa numa escola e fala sobre educação e jovens (falando bem superficialmente, mas considere que não vejo faz mais de um ano!).

2-Qual assunto você prefere expor em seu blog? Existe alguma motivação específica?

Gosto de falar sobre livros, literatura e línguas, porque além dessas serem as minhas paixões, é também a minha formação e profissão.

3-Qual o seu streaming preferido? Pode ser de filme, séries ou até mesmo de músicas/rádios/podcasts.

Como eu disse antes, não costumo acompanhar séries. Também não sou muito de ver filmes. Logo, sobrariam streamings de música… Bom, eu uso, às vezes, o Spotify, ainda assim, na versão gratuita…

4-O que costuma fazer em seu tempo livre?

Saudades tempo livre… Mas me dedico ao blog e às leituras.

5-Você consome frequentemente o YouTube? Pode indicar um canal?

Uso muito principalmente para minhas aulas, pois sempre passo algum vídeo para os alunos. Um canal que costuma fazer sucesso entre eles é o Cucina Botanica, um canal de receitas veganas em italiano.

6-Qual o seu gênero preferido de filme? Se quiser explicar o motivo e indicar um filme a gente aceita rs.

Acho que para filmes acaba sendo a mesma coisa dos livros, ou seja, gosto muito de romances (dos bobinhos mesmo), mas vejo/leio de tudo. A indicação vou ficar devendo…

7-Como produtor(a) de conteúdo o que costuma fazer para ter ideias diversificadas e não deixar a criatividade de lado?

Muito do que trago aqui tem a ver com minhas vivências e experiências, além, claro das leituras, que estão sempre se renovando. Mas, vez ou outra, também me inspiro em outros blogs e produtores de conteúdo.

Os meus indicados são:

  1. Literatura e Ciência Brasileira
  2. Escritopias
  3. Dayane Guimarães
  4. Infinitas Vidas
  5. Vox Leone
  6. Sei de nada sobre tudo
  7. Cachorro Magro
  8. Comenta livros
  9. Conexão Educação
  10. Livros e Saltos

Minhas perguntas para vocês:

  1. Como nasceu o seu blog?
  2. Existe uma rotina de posts ou você posta quando dá/tem inspiração?
  3. O que você mais gosta de fazer na vida?
  4. Uma pessoa que te inspira
  5. Um livro que você adoraria indicar para as pessoas
  6. Que país você gostaria de conhecer?
  7. Se pudesse ter um super poder, qual gostaria de ter?

Gostaria de agradecer a indicação da Thais e espero que vocês tenham gostado da TAG. Se alguém que não foi indicado quiser participar, vou adorar ver as respostas! Inclusive, eu adoraria indicar mais pessoas, deixei muitos Blogs que admiro de fora, mas principalmente porque são blogs nos quais este tipo de conteúdo (uma TAG) não costuma aparecer/caber.

Girassol (Antologia)

Título: Girassol
Autor: vários autores
Organização: Chris Calixto
Editora: Lettre
Páginas: 74
Ano: 2021

Já diria a famosa frase do filme O fabuloso destino de Amélie Poulain: “são tempos difíceis para os sonhadores”. Sim, as coisas não têm sido fáceis e parece até repetitivo dizer isso (eu, pelo menos, já não aguento mais repetir essa frase, mas é a mais pura verdade). Porém, hoje eu estou aqui para falar de coisa boa, então fique até o final do post!

“Tenho sido confusão.
Tenho tido caos interno
e lágrimas retidas”

(João Barreto)

A antologia Girassol nasceu com o intuito de ser um respiro, uma alegria em meio ao momento que estamos vivendo. E tudo nela foi pensado para deixar isso bem claro, desde a capa clean até a seleção dos poemas, que, por sua vez, não precisavam falar sobre essa flor em questão, mas que deveriam carregar o que ela significa: felicidade, calor, lealdade, vitalidade e entusiasmo. Tudo aquilo que estamos precisando em grandes doses, não?

“Que neste enorme jardim que é a vida,
possamos florescer, dia após dia,
transbordando alegria”

(Chris Calixto)

Em suas poucas páginas, a obra reúne 22 autores dos mais diferentes entre si, vindos de várias regiões do país, tendo idades diversas e com sua experiências e bagagens únicas.

Ando com saudades
Do tempo em que o tempo corria
Sem nenhuma pressa.

(LMC Oliveira)

Há muitos versos que falam sobre a própria poesia; outros que brincam com a imagem do girassol. Mas também há poemas sobre o dia, a noite, a natureza, a lua, o caminhar… Poesias que falam sobre amores, anjos, amigos e ciclos.

Mergulho em teu sorriso
Sem pressa para voltar
Encontro então o paraíso
Que fi ca dentro desse mar.

(Rachel Reis)

A diagramação da Editora, uma vez mais, nos surpreende: delicada e detalhista, como em todas as suas obras.

Se você está em busca de algo que te traga calma, acalento e que seja tranquilo de ler, acredito que tenha acabado de encontrar: a antologia Girassol certamente irá te surpreender e te encantar. A obra está disponível em formato físico e está em pré-venda até o final desta semana no site da Editora Lettre. Creio que, passado este período, será difícil comprar a obra neste formato, então aproveite para garantir o seu (e uma motivação a mais para isso: o livro está com desconto e o frete é gratuito!). Também há o ebook, na Amazon (gratuita pelo Kindle Unlimited).

Adorei a oportunidade de conhecer novos poetas contemporâneos, coisa que, se não fosse essa obra, talvez nunca viesse a ocorrer. Não sou a maior consumidora de poesia, mas é difícil não se encantar com essa antologia! Desejo muito sucesso a cada um de vocês que dela participou!

Citações #37 — Novecento

Como eu comentei na resenha, Novecento (Alessandro Baricco) foi um livro que me surpreendeu muito (positivamente). E alguns trechos que eu adorei, não consegui usar naquele momento, deixando-os para um post que, finalmente trago a você. Uma vez mais, por se tratar de uma obra em italiano, colocarei primeiro a minha tradução e, ao final, os trechos originais, na ordem em que aparecerem aqui.

Como ressaltado na resenha, a história se passa em um navio, local onde nasceu o protagonista da história. Sua vida era muito diferente da vida de qualquer outra criança, desde o início:

“Assim, de repente, Novecento torna-se órfão pela segunda vez. Ele tinha oito anos e já tinha ido e voltado da Europa à América umas cinquenta vezes. O oceano era a sua casa”

Para além desse peculiar fato e tudo o que ele gera, Novecento logo torna-se um grande músico. E esta é uma arte que se faz presente ao longo da história, inclusive sendo usada em paralelo com a própria vida do personagem:

“Se você toca trompete, no mar você é um estrangeiro e sempre será”

A obra ainda nos traz algumas reflexões peculiares, mas que, ao mesmo tempo, fazem muito sentido. No trecho em questão, fazia-se uma reflexão sobre como as coisas mudam e porque mudam, usando, para isso a imagem de um quadro que cai da parede:

“O que acontece a um prego para fazê-lo decidir que não aguenta mais?”

E ao mesmo tempo que a história nos coloca essas perguntas e pensamentos, também nos alerta para o fato de que há coisas nas quais não devemos pensar muito, pois talvez jamais encontremos uma resposta para elas:

“É uma daquelas coisas que é melhor você não pensar, se não fica maluco”

Esse é, sem dúvidas, um livro que vale a pena ser lido e espero ter deixado um bom gostinho da obra com esse post e com a resenha. E, como prometido, abaixo estão os trechos originais, na ordem que aparecem neste post:

“Così, d’improvviso, Novecento divenne orfano per la seconda volta. Aveva otto anni e si era già fatto avanti e indietro dall’Europa all’America una cinquantina di volte. L’Oceano era casa sua”

“Se suoni la tromba, sul mare sei uno straniero, e lo sarai sempre”

“Quando non sai cos’è, allora è jazz.”

“Cos’è che succede a un chiodo per farlo decidere che non ne può più?”

“È una di quelle cose che è meglio che non ci pensi, se no ci esci matto”

Qual foi o trecho que você mais gostou ou aquele que mais chamou sua atenção?

TAG literária musical — Parceiros da autora Maya Brito

Já faz um tempinho que sou parceira literária da autora Maya Brito e outro dia ela propôs à todas as parceiras que montássemos uma TAG e assim nasceu esta que agora apresento a vocês.

Mas antes, os perfis que colaboraram com esta brincadeira são: @mayabrito.escritora, @exposta_em_um_livro, @carlaisantoro, @fernandajesusrevisora, @mari_stories_and_advice, @realidadesdeleitor, @estrela_leitura, @capitulo_20, @lendoentreamigas, @leia.bon.livros e eu, @tatianices_blog. Aproveite para conhecê-los!


A TAG que elaboramos mistura dois elementos que eu adoro: músicas e livros. Cada uma de nós escolheu uma canção e atribuiu a ela um tipo de livro para mencionarmos em nossas respostas. O resultado disso é o que você encontra aqui embaixo!

1. As long as you love me (Backstreet Boys): um personagem com um passado misterioso e sombrio que você ama

Impossível não pensar no Guto, de Irresistível Doutor (Ingrid Sousa).

2. Llévame Despacio (Paulina Goto): um livro com o romance dos sonhos

Como “romance dos sonhos” não significa um romance perfeito — já que isso não existe — escolho O irlandês (Tayana Alvez).

3. Várias queixas (Gilsons): um personagem que por mais que seja chato, você não consegue deixar de amar

A Lara, de Sandália Virada (H. L. Amaral) não é exatamente chata, mas talvez um pouco mimada e exagerada. Ainda assim, um amor de garotinha, que a gente só quer proteger!

4. Just a kiss (Lady Antebellum): um personagem que você gostaria de dar um beijo ao luar

Que personagem que nada, gostaria de dar um beijo ao luar no meu namorado mesmo! Hahahahaha (mas sério, não consigo pensar em nenhum personagem).

5. A Thousand Years (Christina Perri): um livro que você leria por mil anos

O livro Comédias para se ler na escola (Luis Fernando Veríssimo), que sempre me faz rir e pensar.

6. Me espera (Tiago Iorc e Sandy): aquele livro que você espera ansiosamente a continuação

Tô aqui só no aguardo da continuação de O despertar da profecia, viu, dona Ingrid Sousa??

7. Era uma vez (Kell Smith): um livro que te marcou na infância

sempre cito esse: A princesinha (Frances Hodgson Burnett).

8. My heart will go on (Céline Dion): um livro que está eternamente no seu coração

Um livro que li para a escola e que adoro até hoje: Cuidado, garoto apaixonado (Toni Brandão).

9. Home (Gabrielle Aplin): um livro que faz você se sentir em casa

Os livros da Pipi Meialonga (Astrid Lindgren), apesar de fazer anos que não os leio.

10. Scarborough Fair (Aurora): um livro que te fez ir a outro mundo

Os livros do Ciclo da Herança (Christopher Paolini).

11. Aquarela do Brasil (Ary Barroso): aquele livro nacional inesquecível

Maldade citar apenas um aqui (detalhe que fui eu quem sugeriu essa)! Mas vou de O demônio no campanário (Michelle Pereira).


E as suas respostas, quais seriam? Sinta-se livre para participar também!

Ah, e os títulos mencionados nesta TAG e que se encontram em vermelho são livros já resenhados aqui no Blog.

Alzehan: Magos e Alquimistas — Rikelmy Ribeiro

Título: Alzehan: Magos e Alquimistas
Autor: Rikelmy Rodrigues Ribeiro
Editora: Lettre
Páginas: 166
Ano: 2021

Antes de iniciar essa resenha, preciso confessar que sou um pouco cética quanto aos comentários de outras pessoas sobre os livros. Gosto de ler resenhas — principalmente de obras que nunca ouvi falar na vida — mas nunca tomo as palavras do resenhista como verdades universais e, assim, não importa se a pessoa amou ou odiou o livro, se pego aquele livro para ler, inicio a leitura sem nenhuma expectativa.

Dito isso, gostaria de acrescentar que o que eu ouvia falar de Alzehan é que este é um livro de fantasia — coisa que já dá para esperar pela capa e pelo título — mas com algumas questões filosóficas inseridas na história. Eu pensava se não era um pouco exagerada essa definição, mas resolvi conferir com meus próprios olhos.

No início da história conhecemos Alzehan, a cidade dourada. Mais que isso, uma cidade poderosa e cheia de mistérios, que abriga dentro de seus muros grandes magos. E dentre eles temos os personagens centrais desta história: Évelon Kovalev, pai de Isaac e Eivil Kovalev, irmãos gêmeos completamente diferentes entre si em todos os sentidos possíveis.

“Eivil não era mal, mas curioso e disposto. O mundo não gosta de pessoas assim, então ele tenta derrubá-las e foi exatamente o que aconteceu com Eivil Kovalev”

Nesta história, porém, não é apenas Alzehan que tem seus mistérios. Todos os personagens parecem carregar mais do que falam e mostram ao longo da narrativa. E, claro, existem outros reinos para além de Alzehan. Reinos não tão ricos e não tão protegidos, mas que têm algo em comum: a vontade de destruir a Cidade Dourada.

“Desde que a vida caminhou sobre a Terra, ela permaneceu em guerra. A paz tornou-se uma utopia, visto que os instintos primitivos se sobressaem até mesmo nas mentes mais intensas”

Nós conhecemos um pouco mais sobre o que há para além dos muros Alzehanianos através de Eivil que, na infância, é expulso da cidade ao desrespeitar uma regra importante. E também é graças a esse acontecimento que conhecemos Érica Asténs, uma figura feminina de muita força, coragem e tristes lembranças, além de outros personagens que compõem a narrativa.

Évelon é um mago muito poderoso e esse poder não só é passado aos filhos, como é aprimorado por eles. Por isso, querendo ou não, todos temiam o que poderia acontecer após a expulsão de Eivil de Alzehan, ainda que, na época, ele fosse apenas um garoto. Isaac também já previa as consequências e, por isso, dedicava-se dia e noite a se tornar um mago ainda mais poderoso que seu pai. É como se todos soubessem que Eivil se vingaria da expulsão, ainda que em momento algum ele seja descrito como vingativo.

“Nós lutamos de maneira imperfeita para que Alzehan continue perfeita, entende?”

É muito fácil mergulhar nessa história — e olha que fantasia não é sequer o meu gênero preferido — e ficar com aquela vontade de saber o que vem a seguir, como os fatos irão se desenrolar. A guerra está sempre pairando, é verdade, mas ela vai muito além de um “bem” contra um “mal” e isso nos deixa sem conseguir prever o que pode acontecer ou mesmo o que gostaríamos que acontecesse.

“— No mundo real não existem vilões, apenas convicções diferentes”

E é justamente por brincar com questões como essa — de não haver exatamente um lado certo e um errado numa guerra — ou então com a questão de que, se não mudarmos, sempre haverá guerras no mundo, porque queremos apenas que nossos desejos sejam atendidos, é que Alzehan: magos e alquimistas é uma obra de fantasia que consegue ir muito além daquilo que esperamos.

“Uma vez, travei uma batalha contra um mago de Zafira. Ele me disse que ‘o mundo trabalha contra os bons’ e, de certa forma, fazia sentido”

Esse é o livro de estreia do autor e a história não acaba aqui (espero!). Se você é um amante de fantasia e quer conhecer esses personagens tão cheios de segredos e reflexões, adquira o ebook aqui ou o livro físico aqui e boa leitura!

A jornada — Davi Busquet

Título: A jornada
Autor: Davi Busquet
Editora: Publicação independente
Páginas: 11 
Ano: 2020

Em uma história rápida — o conto pode ser lido em questão de minutos — e certeira, Davi Busquet nos faz refletir sobre a vida (e a morte) e sobre as pessoas que nos cercam.

Com personagens sem nome — chamados apenas de o Velho, o Garoto e a Esposa do Velho — a história torna-se ainda mais universal. Uma narrativa cujo título já explica muito e, ao mesmo tempo, não tem como explicar nada.

No conto, somos jogados em um úmido fim de tarde, chegando com o Velho a um lugar que não sabemos qual… Ou que apenas não queremos saber qual é. Ali, diante de um muro, muitas lembranças se passam em sua mente, mesmo que sejam muito poucas perto da vida que ele provavelmente viveu.

“Assim se defendia a mente de um velho”

Também vamos acompanhando algumas reflexões desse tal Velho, enquanto os demais personagens estão ali para compor a sua história.

Com uma linguagem metafórica, o conto exige uma leitura atenta, para que sejamos realmente transportados nessa viagem existencial.

Para ler o conto, clique aqui. Além disso, o autor está lançando um novo livro pela Editora Lettre. Trata-se da obra No coração de um assassino que, de maneira diferente da apresentada neste conto, também nos faz refletir sobre nossa existência e o que fazemos com o nosso lugar no mundo.